ENTREPRENEURSHIP IN NURSING: THE ROLE OF NURSES IN CONSULTING
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510231747
Romário Alves da Silva
Maiara Coelho da Silva
Prof°. Maricélia Messias Cantanhêde dos Santos
RESUMO
O empreendedorismo vem se destacando como força de inovação e crescimento econômico, impulsionado por fatores culturais, tecnológicos e pela globalização. Paralelamente, o setor de consultorias se expande, oferecendo soluções estratégicas diante de um cenário empresarial dinâmico, embora enfrente desafios de competitividade e adaptação às demandas dos clientes. Na saúde, a consultoria em enfermagem se consolida como prática essencial, ao promover protocolos baseados em evidências, qualificação de equipes e ampliação do acesso por meio da teleconsulta. Dessa forma, evidenciando o enfermeiro consultor de forma estratégica no mercado de trabalho, atuando na melhoria da gestão dos processos, na qualidade e segurança dos serviços de saúde.
Palavras-chave: Enfermeiro. Consultoria Empresarial. Empreendedorismo. Inovação.
ABSTRACT
Entrepreneurship has been standing out as a force for innovation and economic growth, driven by cultural and technological factors and globalization. At the same time, the consulting sector is expanding, offering strategic solutions in a dynamic business environment, although it faces challenges in terms of competitiveness and adapting to customer demands. In healthcare, nursing consulting is establishing itself as an essential practice, promoting evidence-based protocols, team training, and expanded access through teleconsultation. This highlights the strategic role of nurse consultants in the job market, working to improve process management and the quality and safety of healthcare services.
Keywords: Nurse. Business Consulting. Entrepreneurship. Innovation.
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos tempos, o setor empreendedor tem adquirido destaque, impulsionado pela busca por novas abordagens de inovação e maior independência profissional. Muitas pessoas estão cada vez mais motivadas a estabelecer seus próprios empreendimentos, especialmente em áreas como tecnologia, sustentabilidade e serviços personalizados. A função do empreendedor é identificar oportunidades, pensar de maneira criativa e, naturalmente, se adaptar constantemente às transformações no cenário empresarial. Como enfatiza DRUCKER (2002), o empreendedorismo não apenas é vital para o avanço econômico, mas também é uma força geradora, capaz de criar novos mercados e acelerar o crescimento da economia.
Outro ponto relevante desse setor é como ele está sendo influenciado por aspectos culturais e socioeconômicos. O fracasso, antes considerado algo negativo, agora é visto como uma fase importante no processo de aprendizado e inovação. Além disso, o suporte a novos empreendedores está crescendo, com o surgimento de incubadoras, aceleradoras de startups e redes de colaboração. A globalização e as plataformas digitais também têm exercido um papel decisivo, permitindo que pequenas empresas se conectem com clientes e fornecedores ao redor do mundo. De acordo com SCHUMPETER (1982), a inovação é a principal força que impulsiona o desenvolvimento dos negócios, transformando modelos antigos e gerando novas alternativas para o progresso social e econômico.
O setor de consultorias tem se expandido de forma significativa nas últimas décadas. Esse aumento é impulsionado pela necessidade das organizações de se ajustarem a um ambiente cada vez mais complexo e dinâmico. Com o crescimento das incertezas no cenário econômico e a busca constante por inovação, muitas empresas têm recorrido a consultorias para obterem conhecimentos especializados e resolverem questões específicas. A globalização e a transformação digital têm sido fatores-chave nesse processo, ampliando a demanda por consultorias em diversas áreas, como estratégia, tecnologia da informação, marketing, recursos humanos e finanças (KUBR, 2002). As consultorias não apenas fornecem aconselhamento estratégico, mas também auxiliam na implementação de soluções práticas, buscando sempre aprimorar a eficiência, reduzir custos e identificar novas possibilidades para as empresas (FINKELSTEIN, 2003).
Por outro lado, o setor de consultoria enfrenta desafios cada vez mais complicados. A competição no mercado tem se intensificado, e as expectativas dos clientes estão em constante evolução. Para se manterem competitivas, as consultorias têm investido em inovação e diversificação de seus serviços, buscando agregar ainda mais valor às organizações que as contratam. Como aponta SCHEIN (1999), o sucesso das consultorias está diretamente relacionado à habilidade de compreender profundamente as necessidades do cliente e oferecer soluções práticas e eficazes. Além disso, a relação de confiança entre consultor e cliente é essencial para o êxito da consultoria, pois a efetividade do trabalho está atrelada à capacidade de ouvir e se adaptar às particularidades de cada organização (BLOCK, 2011).
O enfermeiro consultor desempenha um papel estratégico na melhoria da qualidade dos serviços de saúde, atuando na implementação de protocolos baseados em evidências, auditoria de processos assistenciais e qualificação das equipes. A consultoria em enfermagem permite que esses profissionais orientem instituições e pacientes, promovendo práticas seguras e eficazes. Segundo SOUZA, SOUZA E APOLINÁRIO (2023), a atuação do enfermeiro consultor é fundamental para a promoção de boas práticas, especialmente em áreas especializadas, como aleitamento materno, onde sua expertise contribui para a redução do desmame precoce e a melhoria da experiência materno-infantil. Além disso, o enfermeiro consultor pode atuar no desenvolvimento de programas educativos, capacitando profissionais da saúde e garantindo um atendimento mais qualificado.
Com o avanço das tecnologias, a consultoria de enfermagem também se expande para o ambiente virtual, permitindo atendimentos remotos e suporte especializado à distância. SOUSA et al. (2024) destacam que a teleconsulta de enfermagem na atenção primária à saúde tem sido um recurso essencial para ampliar o acesso ao cuidado, especialmente em locais de difícil acesso. A consultoria especializada realizada por enfermeiros facilita o acompanhamento de pacientes com doenças crônicas, melhora a adesão ao tratamento e otimiza a gestão de recursos no sistema de saúde. Dessa forma, a atuação do enfermeiro na consultoria se consolida como uma estratégia inovadora e indispensável para a evolução dos serviços de saúde, promovendo maior segurança e qualidade no atendimento.
Segundo Chiavenato (2014), a consultoria em saúde exige domínio de planejamento estratégico, gestão de pessoas e comunicação institucional. Já Balsanelli et al. (2018) destacam que o enfermeiro consultor precisa desenvolver liderança transformacional, raciocínio clínico avançado e proficiência na utilização de ferramentas de avaliação de desempenho, como indicadores de qualidade e auditoria clínica. Além disso, Ribeiro e Terra (2022) sugerem a inclusão de metodologias ativas na formação, como simulações, estudos de caso e consultorias simuladas, visando ao desenvolvimento da autonomia profissional e da capacidade de intervenção crítica em diferentes cenários.
Para a formação de futuros enfermeiros consultores, torna-se essencial propor protocolos que sistematizam competências técnicas, gerenciais e relacionais, pautadas em marcos conceituais da enfermagem e da gestão em saúde. Desta forma, justifica-se a presente proposta na necessidade de sistematização do conhecimento existente acerca da atuação do enfermeiro em consultorias, por meio de uma revisão bibliográfica, a fim de subsidiar a prática profissional com base em evidências e fomentar o desenvolvimento da produção científica e difusão da importância desta área de atuação.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
A consultoria em enfermagem configura-se como uma atividade especializada em que o enfermeiro, a partir de sua expertise técnico-científica, oferece suporte para a tomada de decisões, organização de processos de trabalho, elaboração de protocolos e qualificação da assistência em diferentes contextos da saúde (SANTOS et al., 2022).
Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), a atuação consultiva do enfermeiro é uma atribuição legal prevista na Lei nº 7.498/1986, que regulamenta o exercício profissional da enfermagem no Brasil. Esta prática é descrita como parte das atividades privativas do enfermeiro, especialmente no que se refere à consultoria, auditoria e assessoria em serviços de saúde (BRASIL, 1986).
A atuação do enfermeiro no âmbito da consultoria demanda um conjunto específico de competências e habilidades pessoais que extrapolam o domínio técnico-científico. Dentre as competências essenciais, destacam-se a capacidade de comunicação interpessoal, o pensamento crítico, a liderança, a tomada de decisão e a aptidão para a resolução de problemas. Tais atributos são indispensáveis para que o profissional seja capaz de analisar diferentes cenários, propor soluções viáveis e adequadas às demandas dos serviços de saúde. Conforme ressalta Miranda et al. (2020), o enfermeiro consultor deve adotar uma postura ética, exercer sua autonomia profissional e possuir amplo conhecimento dos aspectos legais e administrativos da profissão, a fim de oferecer suporte qualificado às instituições e às equipes de saúde.
Além das competências de natureza técnica e gerencial, habilidades pessoais como empatia, escuta ativa, proatividade e flexibilidade revelam-se igualmente imprescindíveis para o êxito na consultoria em enfermagem. Tais atributos possibilitam ao profissional estabelecer relações de confiança, compreender as necessidades dos clientes e adaptar suas intervenções às particularidades dos distintos contextos organizacionais. De acordo com Silva e Rodrigues (2021), o exercício da consultoria em enfermagem requer sensibilidade para interagir com diferentes perfis profissionais, bem como capacidade de mediação de conflitos e de promoção de mudanças nos processos de trabalho, com vistas à melhoria da qualidade assistencial. Assim, a integração entre competências técnicas e interpessoais constitui um diferencial relevante na prática do enfermeiro consultor.
Para desempenhar essa função, o enfermeiro necessita mais do que conhecimento técnico: é fundamental desenvolver uma combinação de competências que envolvam liderança, comunicação eficaz, senso crítico, ética profissional e habilidade para lidar com os desafios cotidianos. Essas competências contribuem para que o profissional identifique com clareza os obstáculos existentes, propondo intervenções de melhoria e acompanhe as transformações nos serviços de saúde. Segundo Miranda et al. (2020), o enfermeiro consultor deve atuar com autonomia, possuir uma visão estratégica e conhecer em profundidade as políticas públicas e as normativas que regulamentam sua prática. Ademais, qualidades como empatia, escuta qualificada, iniciativa e flexibilidade são fundamentais, pois favorecem o enfrentamento de diferentes realidades, o acolhimento das demandas das equipes e a implementação de mudanças de forma sensível e eficaz (SILVA; RODRIGUES, 2021).
A consultoria em enfermagem pode ser exercida em diversos contextos, tais como hospitais, unidades básicas de saúde, empresas, clínicas e também de forma autônoma, como prestador de serviços. As áreas de atuação desse profissional são amplas — abrangem desde a qualificação da assistência, segurança do paciente e auditoria em saúde, até a promoção da saúde, capacitação de equipes e atenção domiciliar. Em todas essas frentes, o enfermeiro contribui para a organização de rotinas, a implementação de boas práticas e o monitoramento de resultados. Segundo Vieira et al. (2019), essa atividade permite a aplicação prática e estratégica do conhecimento técnico, promovendo benefícios tanto para as instituições quanto para os usuários dos serviços de saúde. Barros e Santos (2020), por sua vez, destacam a possibilidade de atuação como consultor independente, oferecendo suporte personalizado a organizações interessadas em aprimorar sua gestão em saúde.
Com o avanço das políticas de humanização, da acreditação hospitalar e da gestão por resultados, a presença do enfermeiro consultor tem sido cada vez mais valorizada por sua capacidade de alinhar conhecimentos técnicos com práticas gerenciais, promovendo a qualificação da assistência e contribuindo para o fortalecimento da equipe multiprofissional (LIMA et al., 2021).
A atuação do enfermeiro consultor emerge como um campo promissor e respaldado por uma crescente base de evidências científicas que apontam sua relevância na qualificação dos serviços de saúde. Estudos indicam que enfermeiros que atuam como consultores contribuem significativamente para a melhoria da qualidade assistencial, promovem a resolubilidade dos serviços e influenciam diretamente na tomada de decisões gerenciais (BATISTA et al., 2020; LOPES; OLIVEIRA; VIEIRA, 2019). De acordo com Garcia e Lima (2021), o enfermeiro consultor assume um papel mediador entre equipes, gestores e usuários, sendo capaz de diagnosticar situações-problema e propor intervenções baseadas em evidências, o que é especialmente importante em contextos que demandam reorganização de fluxos, implementação de protocolos e educação permanente.
Segundo Chiavenato (2014), a consultoria em saúde exige domínio de planejamento estratégico, gestão de pessoas e comunicação institucional. Já Balsanelli et al. (2018) destacam que o enfermeiro consultor precisa desenvolver liderança transformacional, raciocínio clínico avançado e proficiência na utilização de ferramentas de avaliação de desempenho, como indicadores de qualidade e auditoria clínica. Além disso, Ribeiro e Terra (2022) sugerem a inclusão de metodologias ativas na formação, como simulações, estudos de caso e consultorias simuladas, visando ao desenvolvimento da autonomia profissional e da capacidade de intervenção crítica em diferentes cenários.
A literatura mostra que a atuação consultiva ganha força quando vinculada a princípios da interdisciplinaridade, à análise situacional contextualizada e à articulação entre teoria e prática (COSTA; PEREIRA, 2020; RODRIGUES; ALMEIDA, 2022). Dessa forma, ao integrar esses referenciais teóricos e práticos em protocolos estruturados, é possível orientar a formação de enfermeiros capazes de inovar e liderar mudanças no setor saúde, promovendo cuidado qualificado, gestão eficiente e sustentabilidade organizacional.
Na formação do profissional de enfermagem, os protocolos ou grades curriculares dos cursos de graduação devem considerar a amplitude dos espaços de atuação da consultoria em enfermagem que vão além de instituições hospitalares em empresas públicas e privadas como também consultorias autônomas, empresas privadas, serviços públicos e organizações não governamentais (SOUZA et al., 2021).
3. METODOLOGIA
Este estudo baseou-se em uma revisão integrativa da literatura, cujo propósito é sintetizar e analisar criticamente o conhecimento científico disponível acerca necessidade de sistematização do conhecimento existente acerca da atuação do enfermeiro em consultorias, a fim de subsidiar a prática profissional com base em protocolos baseados em evidências e fomento ao desenvolvimento profissional e de produção científica sobre o tema, utilizando artigos indexados publicados nos últimos quinze anos (2010 – 2025). Essa modalidade de revisão permite a inclusão de estudos com diferentes abordagens metodológicas, favorecendo uma compreensão ampla e aprofundada do fenômeno investigado.
Para a pesquisa dos artigos foi utilizado as bases de dados: PubMed, Scielo, Lilacs e Web of Science, no período de janeiro de 2010 a junho de 2025, utilizando os seguintes descritores: “Enfermagem do Trabalho”, “Consultoria em Enfermagem”, “Empreendedorismo na Enfermagem”, “Enfermagem e qualidade de vida no trabalho”, “A Enfermagem na promoção à saúde”.
Foram incluídos artigos publicados entre os anos de [2020] e [2025], em português e inglês que abordassem o tema Consultorias da área de Enfermagem, disponíveis na íntegra, com metodologias claras e relevantes para os objetivos desta revisão. Excluíram-se desta pesquisa dissertações, teses, resumos de eventos, editoriais, cartas ao editor e estudos que não atenderam aos critérios estabelecidos.
A seleção e análise dos artigos ocorreu em três etapas: leitura dos títulos, leitura dos resumos, leitura e análise na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. Os dados extraídos dos estudos selecionados foram organizados e descritos.
A análise dos dados e sistematização dos resultados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, buscando identificar padrões, lacunas e contribuições relevantes dos manuscritos selecionados. Foram selecionados 25 artigos, considerando critérios da pesquisa, bem como, relevância temática e rigor metodológico.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A análise dos dados e sistematização dos resultados foi conduzida de forma descritiva e interpretativa, buscando identificar padrões, lacunas e contribuições relevantes dos manuscritos selecionados neste estudo investigativo sobre atuação do enfermeiro em consultorias, a fim de subsidiar a prática profissional com base em protocolos baseados em evidências e fomento ao desenvolvimento profissional e de produção científica.
Como resultados das pesquisas, foram obtidos o total de 25 artigos com buscas nas plataformas conforme descrito no quadro 1:
Quadro 1 – Seleção dos Estudos
Resultado das buscas nas bases de dados eletrônicas

Após a aplicação da seleção dos artigos por descritores conforme destacado no quadro acima, os 25 artigos selecionados, foram organizados, seguindo com a análise e sistematização dos resultados e considerações relacionadas à temática que serão apresentados em categorias (subtítulos), de modo a alcançar maior clareza e organização das informações.
Áreas de Atuação Profissional do (a) Enfermeiro (a):
A consultoria em enfermagem é uma prática profissional que envolve a aplicação do conhecimento técnico-científico do enfermeiro para orientar, planejar e implementar estratégias voltadas à promoção da saúde, prevenção de riscos e melhoria da qualidade de vida em diferentes contextos, especialmente no ambiente organizacional e corporativo.
Trata-se de um espaço de atuação que amplia o campo profissional, permitindo ao enfermeiro contribuir com processos de gestão, educação em saúde e implantação de programas de qualidade de vida. Nesse sentido, a consultoria é relevante por fortalecer a autonomia do enfermeiro e por oferecer soluções baseadas em evidências, alinhando-se às demandas de saúde e segurança dos trabalhadores (Souza & Lima, 2020; Silva et al., 2021).
Do ponto de vista legal e ético, o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e os Conselhos Regionais de Enfermagem (COREN) reconhecem e regulamentam a atuação do enfermeiro em consultorias. A Resolução COFEN nº 568/2018 dispõe sobre a atuação do enfermeiro como consultor e auditor, garantindo respaldo para essa prática ao explicitar as competências e responsabilidades do profissional nesse campo.
Além disso, o Código de Ética da Enfermagem (Resolução COFEN nº 564/2017) reforça a autonomia técnica e científica do enfermeiro, assegurando seu direito de atuar como consultor de forma independente, desde que respaldado pelo conhecimento científico e pelas normas vigentes. Assim, a consultoria em enfermagem representa não apenas uma oportunidade de empreendedorismo e expansão do mercado de trabalho, mas também um instrumento de valorização e reconhecimento da profissão.
Áreas de Atuação do Profissional do (a) Enfermeiro (a):
Saúde Ocupacional: Os enfermeiros têm um papel crucial na realização de exames periódicos, no monitoramento da saúde dos trabalhadores e na identificação de fatores de risco. Estudos indicam que essas ações contribuem para a redução de doenças ocupacionais e acidentes de trabalho (Carvalho et al., 2019).
Qualidade de Vida no Trabalho (QVT): Programas voltados à promoção de práticas saudáveis, como a adoção de uma alimentação balanceada e a prática de atividades físicas, têm sido implementados por enfermeiros em empresas, resultando em maior engajamento e produtividade dos colaboradores (Oliveira et al., 2022).
Ergonomia: A atuação em ergonomia é outra área estratégica, onde os enfermeiros avaliam as condições de trabalho e sugerem adaptações para reduzir lesões osteomusculares, comuns em funções repetitivas ou que exigem posturas inadequadas (Silva et al., 2021).
Assistência: O enfermeiro atua diretamente no cuidado ao paciente, planejando, executando e avaliando ações de promoção, prevenção e reabilitação da saúde. Essa é a função tradicional da enfermagem, presente em todos os níveis de atenção à saúde, sendo fundamental para a garantia de cuidados seguros e de qualidade (SILVA et al., 2021).
Gestão: Na gestão, o enfermeiro é responsável pela supervisão de equipes multiprofissionais, planejamento estratégico, coordenação de serviços, elaboração de protocolos e monitoramento de indicadores de qualidade. Essa atuação fortalece a eficiência e a segurança dos serviços de saúde, sendo reconhecida como essencial para instituições públicas e privadas (SOUZA; LIMA, 2020).
Docência: O enfermeiro pode atuar na formação de novos profissionais, ministrando aulas em cursos técnicos, graduação e pós-graduação, além de promover capacitação e educação continuada. A docência é estratégica para a atualização constante da profissão e para a transmissão de boas práticas assistenciais (BRASIL, 2017).
Pesquisa: Na pesquisa, o enfermeiro contribui para a produção de conhecimento científico, desenvolvimento de estudos e inovação de práticas assistenciais. Essa área reforça a base científica da enfermagem e aprimora a qualidade do cuidado prestado (SILVA et al., 2021).
Consultoria: A consultoria em enfermagem é uma área regulamentada pelo COFEN (Resolução nº 568/2018), na qual o enfermeiro atua de forma autônoma orientando empresas, hospitais e organizações sobre saúde ocupacional, programas de qualidade de vida, auditorias e acreditação hospitalar. Essa atuação amplia o campo profissional, promove o empreendedorismo e fortalece a autonomia técnica do enfermeiro (SOUZA; LIMA, 2020; SILVA et al., 2021).
A Competência do (a) Enfermeiro (a) com Atuação em Consultorias:
O enfermeiro consultor necessita desenvolver um conjunto de competências que ultrapassam o domínio técnico, abrangendo também habilidades gerenciais, comunicacionais e éticas. Entre elas, destacam-se a liderança, a capacidade de planejamento estratégico, a tomada de decisão e a comunicação eficaz, fundamentais para promover mudanças organizacionais e fortalecer o trabalho em equipe.
O enfermeiro em consultorias desempenha um papel multidimensional, exigindo competências técnicas e interpessoais, pois além de oferecer suporte clínico, atua na identificação de riscos à saúde em ambientes corporativos, implementação de estratégias de promoção da saúde e educação de colaboradores em práticas preventivas (SOUZA; LIMA, 2020). Nesse sentido, competências como empatia, escuta ativa e julgamento clínico são atributos indispensáveis para garantir relações de confiança com clientes e instituições, assegurando práticas baseadas em evidências (CAVALCANTI; COSTA, 2013; SADE; PERES; WOLFF, 2014).
Nesse contexto, a atuação do enfermeiro consultor também se configura como estratégica na construção de ambientes de trabalho saudáveis, alinhando as necessidades organizacionais aos objetivos de saúde dos colaboradores, de modo a valorizar a saúde como componente central da gestão empresarial. A adaptabilidade frente às incertezas do cenário contemporâneo, associada à busca pelo aprendizado contínuo, potencializa sua atuação em diferentes áreas da consultoria.
Ademais, competências éticas e legais são fundamentais para a credibilidade do serviço, considerando a responsabilidade profissional e as normativas vigentes, como as estabelecidas pelo COFEN. Assim, o enfermeiro consultor se consolida como agente de transformação e inovação, promovendo qualidade, eficiência e segurança no atendimento às organizações e à população (TREVISO et al., 2009; VERGARA; BRANCO, 2018; COFEN, 2023).
Relevância e Impacto Positivo da Atuação do Profissional do (a) Enfermeiro (a) para Empresas e Colaboradores
A atuação do enfermeiro em consultorias tem sido associada a uma série de benefícios, tanto para os trabalhadores quanto para as organizações. Oliveira et al. (2022) destacam que empresas que investem em saúde ocupacional registram uma redução significativa nos índices de absenteísmo e presenteísmo, além de melhora na retenção de talentos.
A atuação do(a) enfermeiro(a) nas empresas vai além da prestação de cuidados imediatos, desempenhando um papel fundamental na promoção da saúde e bem-estar dos colaboradores. Profissionais de enfermagem do trabalho implementam programas de prevenção de doenças, realizam exames periódicos, orientam sobre hábitos saudáveis e oferecem suporte emocional. Essas ações contribuem para a redução do absenteísmo, aumento da produtividade e melhoria da qualidade de vida no ambiente laboral (SANUS, 2024; SOUZA, 2025).
Além disso, enfermeiros(as) atuam na identificação precoce de riscos à saúde do trabalhador, realizando avaliações detalhadas do ambiente laboral e implementando medidas preventivas. Essa abordagem proativa é essencial para prevenir doenças ocupacionais e garantir a segurança no local de trabalho (SOUZA, 2025). A presença constante desses profissionais também gera uma sensação de segurança e apoio, o que aumenta o bem-estar geral da equipe, promovendo um ambiente mais harmonioso e engajado (SANUS, 2024).
Para os colaboradores, a presença de programas de promoção da saúde pode resultar em maior satisfação no trabalho, melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal e redução de estresse (Carvalho et al., 2019).
Investir na saúde ocupacional, com a presença de enfermeiros(as) especializados(as), é uma prática estratégica para as empresas. Além de cumprir com as regulamentações legais, essa atuação fortalece a imagem da organização, atrai e retém talentos, e contribui para a sustentabilidade e o crescimento a longo prazo. Empresas que valorizam o bem-estar de seus colaboradores demonstram responsabilidade social e comprometimento com a saúde coletiva (SANUS, 2024; SOUZA, 2025).
5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS
O profissional consultor em enfermagem emerge como um agente transformador, capaz de alinhar os interesses organizacionais ao bem-estar dos colaboradores e à sustentabilidade da gestão e dos processos das instituições.
Com base nos resultados apresentados, destaca-se a atuação do enfermeiro consultor na melhoria da gestão dos processos e qualidade na prestação dos serviços. Esta atuação é marcada por um conjunto de competências que ultrapassam o domínio técnico, abrangendo dimensões gerenciais, comunicacionais, relacionais, humanas e éticas.
E como todo serviço essencial que lida diretamente com pessoas, existem desafios a serem superados pelos enfermeiros na atuação em consultorias, estando entre os principais desafios: a resistência de gestores em relação às mudanças, resistência em realizar investimentos em programas de saúde, e qualificação profissional, a falta de integração e relacionamento interpessoal entre equipes de assistência e gestão corporativa, e a manutenção da atualização profissional constante diante das mudanças nos protocolos dos serviços de saúde, das regulamentações e das demandas do cenário atual.
A literatura destaca que o desenvolvimento de habilidades e a superação destes desafios é essencial para o fortalecimento do trabalho em equipe, a promoção de ambientes de saúde mais seguros e a implementação de práticas inovadoras dentro das organizações, consolidando esta área como multidimensional, capaz de articular o conhecimento científico à gestão estratégica, favorecendo a qualidade e a segurança nos serviços prestados.
A inserção do (a) Enfermeiro (a) Consultor (a) no mercado de trabalho, demonstra o caráter abrangente de sua atuação e contribuição para a saúde organizacional das empresas, configurando-se como uma estratégia inovadora e necessária para o fortalecimento da gestão dos processos, práticas de saúde e melhoria da qualidade de vida dos colaboradores no ambiente corporativo impactando positivamente os resultados organizacionais.
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