REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511161352
Emanuell Da Costa Alves Silva
Orientador(a): Dr. Otávio Matos
Coorientador(a): Dra. Karime Tavares
RESUMO
Emergências médicas ocorrem na odontologia e podem ter consequências na saúde do paciente, exigindo a intervenção do dentista. Alterações metabólicas, como hipoglicemia e hiperglicemia, são as mais comuns em indivíduos com diabetes mellitus e outras condições de saúde. As consequências podem levar a complicações graves como cetoacidose diabética e síndrome hiperglicêmica hiperosmolar, ambas exigindo diagnóstico precoce e intervenção imediata. Dessa forma, o atendimento desse paciente deve incluir observação cuidadosa dos níveis de glicose, reposição de fluidos, administração de insulina e correção de eletrólitos conforme apropriado para a condição. Mas para estar preparado para tal emergência, os profissionais devem sempre se manter atualizados e garantir que os procedimentos sejam realizados antes, durante e após o tratamento e, assim, manter um alto nível de segurança para saúde do paciente.
Palavras-chave: Emergências médicas; Odontologia; Hipoglicemia; Hiperglicemia; Cetoacidose diabética.
ABSTRACT
Medical emergencies occur in dentistry and can have consequences for the patient’s health, requiring the dentist’s intervention. Metabolic changes, such as hypoglycemia and hyperglycemia, are the most common in individuals with diabetes mellitus and other health conditions. The consequences can lead to serious complications such as diabetic ketoacidosis and hyperosmolar hyperglycemic syndrome, both of which require early diagnosis and immediate intervention. Therefore, care for these patients should include careful monitoring of glucose levels, fluid replacement, insulin administration, and electrolyte correction as appropriate for the condition. However, to be prepared for such an emergency, professionals must always stay up-to-date and ensure that procedures are performed before, during, and after treatment, thus maintaining a high level of patient safety.
Keywords: Medical emergencies; Dentistry; Hypoglycemia; Hyperglycemia; Diabetic ketoacidosis.
1. INTRODUÇÃO
É comum para um cirurgião dentista encontrar situações de emergência médica que surgem no meio de seus tratamentos clínicos e que às vezes são imprevisíveis. Essas ocorrências podem acontecer antes, durante ou até mesmo como um efeito do procedimento e podem comprometer a segurança e saúde do paciente. Como exemplo, podemos ter alterações no estado sistêmico, como emergências cardiovasculares, problemas alérgicos, eventos glicêmicos e desmaios, que exigem expertise técnica para realizar uma intervenção imediata. A preparação profissional vai muito além do treinamento técnico. É essencial desenvolver a capacidade de agir, avaliar, tomar decisões e gerenciar situações críticas para proteger tanto o paciente quanto os direitos legais do profissional envolvido (Caputo, I.G. C. et al., 2010).
Além disso, é necessário não apenas manter as emergências metabólicas em destaque, mas também verificar sinais precoces de piora clínica. A prontidão e a resposta em tempos de emergência e a resposta imediata a tais crises são fundamentais para salvar vidas e garantir a integração da odontologia com outros campos da saúde. Um bom atendimento ao paciente e a expertise dos especialistas também são essenciais para a redução de riscos e prevenção de complicações na consulta odontológica (Caputo, I.G. C. et al., 2010).
2. OBJETIVOS
2.1 Geral
Descrever a atuação do cirurgião-dentista diante das emergências metabólicas, incluindo Hipoglicemia, Hiperglicemia, Cetoacidose Diabética e Síndrome Hiperglicêmica Hiperosmolar.
2.2 Específicos
Definir emergências metabólicas e suas epidemiologias;
Descrever os aspectos clínicos, laboratoriais, fisiopatológicos nas emergências metabólicas de hipoglicemia, hiperglicemia, cetoacidose diabética e síndrome Hiperglicêmica Hiperosmolar, além das condutas médicas em casos de emergência.
3. JUSTIFICATIVA
A seleção do tema deste trabalho decorre da relevância da atuação do cirurgião-dentista no reconhecimento e manejo das emergências metabólicas, com ênfase particular nas situações de Hipoglicemia, Hiperglicemia, Cetoacidose Diabética e Sindrome Hiperglicêmica Hiperosmolar que podem surgir durante o atendimento odontológico, além de compreender os aspectos clínicos, laboratoriais e fisiopatológicos dessas condições. A importância deste estudo se destaca pelo fato de que frequentemente o dentista é o primeiro profissional de saúde a notar sinais de descompensação metabólica, sendo crucial para uma intervenção rápida e eficaz.
4. METODOLOGIA
Este estudo é classificado como uma revisão integrativa da literatura, permitindo a inclusão e análise sistemática de diretrizes qualitativas, quantitativas e clínicas para uma compreensão abrangente da área abordada. A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Scholar e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
Artigos publicados entre 2007 e 2024 foram selecionados para refletir as descobertas mais recentes em estudos clássicos e teóricos sobre emergências metabólicas, considerando um intervalo de publicação que se manteve constante por mais de dez anos. Os termos utilizados na busca incluíram “emergências médicas na odontologia”, “emergências metabólicas e epidemiologia”, “aspectos clínicos, laboratoriais e fisiopatológicos relacionados à hipoglicemia, hiperglicemia, cetoacidose diabética e síndrome hiperglicêmica hiperosmolar”, além da conduta do dentista durante essas situações.
A revisão abrangeu estudos que atenderam aos critérios de inclusão estabelecidos: artigos completos em português, tipos de estudo como revisão narrativa, revisão integrativa, diretrizes clínicas e pesquisas originais focadas no tratamento de doenças metabólicas na odontologia. Também foram considerados os tratamentos para condições hipoglicêmicas, hiperglicêmicas, cetoacidose diabética e síndrome hiperglicêmica hiperosmolar dentro de contextos clínicos e fisiopatológicos relevantes à prática da literatura analisada.
Foram excluídos artigos duplicados, publicações anteriores a 2007, aquelas incompletas ou que não abordaram doenças metabólicas relacionadas às áreas médica ou odontológica.
5. REVISÃO DE LITERATURA
Eventos médicos têm sido relatados com frequentes no ambiente odontológico e representam uma ameaça significativa à saúde dos pacientes, o que exige treinamento e boa preparação do cirurgião dentista. Dentre esses eventos, as emergências metabólicas, incluindo hipoglicemia e hiperglicemia, surgem como uma prevalência crescente dos eventos devido ao aumento da prevalência de DM (diabetes mellitus) (Moura, Carvalho e Silva, 2018).
Paiva et al. relata que quase 50% dos pacientes criticamente enfermos apresentam descompensações glicêmicas, destacando a necessidade de acompanhamento preventivo e diagnóstico precoce em situações glicêmicas significativas.
O atendimento odontológico de pacientes com diabetes mellitus deve ser preferencialmente realizado nas primeiras horas da manhã, entre 7h30 e 10h30, período em que o controle glicêmico costuma estar mais estável e coincide com a ação máxima da insulina. Nesse horário, o paciente geralmente já se alimentou e fez uso da medicação adequada, o que ajuda a evitar episódios de hipoglicemia durante o procedimento. Recomenda-se que as consultas sejam breves, com monitoramento da glicemia capilar antes e após o atendimento, e que a intervenção clínica seja conduzida com agilidade, favorecendo a cicatrização tecidual. É aconselhável evitar horários próximos ao almoço ou no final da tarde, quando há maior probabilidade de variações glicêmicas. (Labolita, K. A. et al., 2020).
5.1 HIPOGLICEMIA
O conceito de Hipoglicemia refere-se a uma queda da concentração de açúcar abaixo de 70 mg/dl no sangue, e é frequentemente relatada com ingestão dietética insuficiente, altos níveis de insulina, medicamentos hipoglicemiantes orais, bem como ao estresse relacionado ao tratamento odontológico. (Neto et al., 2021).
A verificação da glicemia capilar antes do atendimento deve ser realizada para assegurar que os níveis estejam dentro da faixa recomendada, geralmente entre 100 e 180 mg/dL, permitindo identificar precocemente alterações glicêmicas que possam representar risco para o procedimento (Cardoso et al., 2013; Neto et al., 2021).
Durante o atendimento odontológico, reconhecer sinais de hipoglicemia, como tremores, sudorese, tontura, fraqueza, confusão mental e taquicardia é fundamental, além de ter sempre à disposição carboidratos de rápida absorção, como suco, glicose ou balas, para manejo imediato de hipoglicemia caso ocorra durante o atendimento (Caputo et al., 2010; Barone et al., 2007).
5.2 HIPERGLICEMIA
Por outro lado, o conceito de hiperglicemia é devida a um aumento dos níveis de açucar no sangue, com risco de desenvolvimento clínico de CAD (cetoacidose diabética) e SHH (síndrome hiperglicêmica hiperosmolar), ambas potencialmente fatais. (Neto J. M. de A. et al., 2021).
Antes do atendimento odontológico, é importante verificar a glicemia capilar do paciente com diabetes mellitus ou enfermos em ambiente hospitalar. Níveis entre 100 e 180 mg/dL são considerados seguros, evitando hipoglicemia (<100 mg/dL) ou hiperglicemia (>180 mg/dL). Em casos críticos a glicemia não deve ultrapassar 200 mg/dL, garantindo um atendimento mais seguro. (Cardoso et al., 2013; Neto et al., 2021).
É fundamental que o cirurgião-dentista esteja atento aos sintomas que podem indicar hiperglicemia em pacientes diabéticos ou enfermos. Entre os sinais mais comuns estão sede excessiva, poliúria, fadiga, visão turva, náuseas e vômitos, além de possíveis alterações no estado de alerta ou confusão mental (Caputo et al., 2010; Cardoso et al., 2013; Ferreira et al., 2010; Labolita et al., 2020). A identificação precoce desses sinais é crucial, pois a hiperglicemia não controlada pode evoluir para complicações graves, incluindo cetoacidose diabética ou Síndrome Hiperglicêmica Hiperosmolar, colocando o paciente em risco durante o procedimento odontológico (Fonseca F. et al., 2024; Neto et al., 2021).
Ao detectar hiperglicemia, o profissional deve inicialmente avaliar a gravidade do quadro, verificando a glicemia capilar e os sinais vitais (Barone et al., 2007; Cardoso et al., 2013). Procedimentos eletivos devem ser adiados até que os níveis glicêmicos estejam controlados, enquanto atendimentos urgentes exigem monitoramento constante, hidratação oral quando possível e preparação para suporte emergencial (Caputo et al., 2010; Labolita et al., 2020). Em situações de hiperglicemia significativa ou persistente, especialmente com valores acima de 250 mg/dL ou presença de sintomas graves, o paciente deve ser encaminhado imediatamente a avaliação médica especializada (Ferreira et al., 2010; Fonseca Filho e Veronez de Lima, 2024).
5.3 CETOACIDOSE DIABÉTICA
A cetoacidose diabética é uma emergência clínica apresentada com glicose no sangue >250 mg/dl, pH do sangue <7,3, bicarbonato sérico <15 mEq/l, bem como presença de corpos cetônicos no sangue. Esta condição pode esta relacionada ao diabetes tipo 1, além de complicações decorrentes de processos infecciosos, traumas, abordagens cirúrgicas ou situações de estresse. Também pode acontecer em pessoas com diabetes tipo 2 quando entram em contato com condições severas como sepse. Mesmo em centros de referência especializados, a mortalidade devido à doença é estimada em cerca de 5%. (Cardoso. et. al. 2013).
Fonseca Filho et al. relata que o quadro clínico da cetoacidose diabética inclui aumento da produção de urina (nível de glicose), perda de fluidos, sede extrema, diminuição da pressão arterial, hálito com odor de cetona, aumento da frequência cardíaca, respiração profunda e rápida, sintomas como irritabilidade e dor abdominal também podem se desenvolver, muitas vezes simulando abdômen agudo e acompanhados de episódios de náusea e vômito. Em casos graves, desequilíbrios eletrolíticos e distúrbios do sistema ácido-base podem causar alteração da consciência e arritmias cardíacas.
A cetoacidose diabética resulta em uma ampla gama de distúrbios metabólicos com falta total ou parcial de insulina e aumento da produção de hormônios contrarreguladores (glucagon, cortisol e hormônio do crescimento). Dessa forma, a falta de insulina prejudica muito a entrada de glicose nas células e estimula a produção hepática de glicose através da gliconeogênese, causando aumentos acentuados nos níveis de açúcar no sangue. Além disso, a intensificação da quebra de lipídios no tecido adiposo aumenta a liberação de ácidos graxos livres e, assim, estimula a síntese no fígado para produzir corpos cetônicos como ácido acetoacético, acetona e beta-hidroxibutirato. O acúmulo dessas substâncias cetônicas ativa um estado de acidose metabólica. (MENDONÇA LIMA et al., 2023).
Segundo Barone et al. (2007), a cetoacidose diabética pode ser classificada em leve, moderada e grave. Em casos leves frequentemente recebem tratamento ambulatorial. A reposição de fluidos pode ser realizada por via oral quando tolerada pelo paciente. Em caso de vômito persistente ou sinais de desidratação, a ingestão de fluidos deve ser feita por via parenteral (intravenosa). Ministrar Insulina regular subcutânea em intervalos de 1 hora ou análogos (por exemplo, lispro, aspart) podem ser administrados em estados de doença leve.
Ainda segundo Barone et al. (2007), a reposição de fluidos para casos moderados a graves visam reduzir as concentrações de glicose plasmática e corpos cetônicos, atenuando as atividades adrenérgicas (adrenalina e noradrenalina), minimizam a resistência periférica à insulina e previne a gliconeogênese hepática. É recomendada a administração intravenosa contínua de insulina regular para reduzir gradualmente a glicose no sangue e inibir a produção de corpos cetônicos. Os procedimentos de correção devem ser lentos e monitorados para evitar complicações como edema cerebral, especialmente em pacientes pediátricos.
As Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2022) afirmam que indivíduos com cetoacidose diabética precisam de reposição rápida de fluidos intravenosos, insulina contínua (0,1 U/kg/h), suplementação de potássio com base nos níveis séricos e correção da acidose conforme necessário; o monitoramento também deve ser rigoroso; glicose capilar, eletrólitos e gasometria arterial devem ser avaliados.
5.4 SINDROME HIPERGLICÊMICA HIPEROSMOLAR
A SHH (Síndrome Hiperglicêmica Hiperosmolar) ou estado hiperglicêmico hiperosmolar é uma das complicações metabólicas agudas mais graves do diabetes mellitus e uma doença que ocorre exclusivamente em indivíduos com diabetes tipo 2 e principalmente em idosos. A SHH é caracterizado por níveis acentuadamente elevados de glicose no sangue, osmolaridade plasmática elevada e desidratação significativa com pouca ou nenhuma evidência de corpos cetônicos (RAMPINELLI, K. F. et al).
Do ponto de vista fisiopatológico, a SHH resulta de deficiência parcial de insulina. A quantidade circulante do hormônio é suficiente para prevenir a lipólise excessiva e uma quantidade significativa consequente de corpos cetônicos, mas insuficiente para a utilização periférica adequada da glicose (AZEVEDO; SCHWAN; SCHREINER, 2018).
De acordo com Gross et al. (2000) a hiperglicemia se instala como resultado dessa falta do hormônio, frequentemente acima de 600 mg/dL, resulta no aumento da osmolaridade plasmática e no desenvolvimento de diurese osmótica intensa. A perda maciça de fluidos e eletrólitos levará a uma desidratação grave, reduzindo a perfusão tecidual e a função do sistema nervoso central.
Clinicamente, os sintomas iniciais consistem em sede intensa, poliúria, fadiga e perda de peso. Os sinais de desidratação, como pele e mucosas secas, taquicardia e hipotensão postural, tornam-se mais evidentes à medida que a condição progride e, posteriormente, com redução da consciência (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2025). Eventos desencadeantes são frequentemente identificados, como infecções, omissão ou uso inadequado de insulina, doenças cardiovasculares agudas, uso de diuréticos ou baixa ingestão de água (BRASIL, 2023).
O diagnóstico baseia-se em testes laboratoriais característicos para confirmar glicose plasmática acima de 600 mg/dL, osmolaridade sérica superior a 320 mOsm/kg, pH arterial acima de 7,30 em geral e bicarbonato acima de 18 mEq/L (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2025).
O tratamento da SHH consiste em reposição vigorosa de fluidos com solução salina isotônica, ajuste criterioso de eletrólitos, terapia de insulina em dose reduzida e abordagem da causa. A redução gradual da glicose no sangue, cerca de 50 a 75 mg/dL por hora, deve ser um objetivo primário para reduzir o risco de edema cerebral e outras complicações neurológicas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES, 2025). O diagnóstico e manejo precoces são importantes para prevenir a alta mortalidade na síndrome (AZEVEDO; SCHWAN; SCHREINER, 2018).
DISCUSSÃO
Incidentes médicos odontológicos são frequentes e representam um problema clínico muito sério e necessitam da atenção de profissionais de saúde competentes, como dentistas (Moura, Carvalho & Silva, 2018).
Paiva et al. (2024) apoiam essa preocupação com dados que sugerem que cerca de 50% dos pacientes hospitalizados por descompensações glicêmicas sofreram episódios de hipoglicemia e hiperglicemia.
Labolita et al. (2020) acrescentam a essa perspectiva a necessidade de ação precoce e eficaz do dentista, observando que é muito importante que o dentista seja capaz de identificar os sinais clínicos de hipoglicemia e hiperglicemia.
As consultas odontológicas são mais adequadas pela manhã, pois o pico de liberação de insulina ocorre nesse período, explicam os autores. Os autores enfatizam que sessões prolongadas devem ser evitadas e a medição da glicose capilar antes, durante e após a consulta odontológica para minimizar a possibilidade de descompensações glicêmicas. Tal posição é consistente com os achados clínicos de Paiva et al. (2024), que recomendam o monitoramento dos níveis de glicose no sangue entre 140 mg/dl e 180 mg/dl como um parâmetro seguro para pacientes críticos, a fim de evitar tanto a hipoglicemia quanto a hiperglicemia.
A revisão dos dados, pelos autores, demonstra um consenso geral sobre a gravidade das alterações metabólicas e a necessidade de controle cauteloso. Neto et al. (2021) e os outros autores definiram hipoglicemia de uma forma geral como a redução da glicose circulante para níveis <70 mg/dl devido ao jejum prolongado, alta insulina ou medicação hipoglicemiante, e fatores estressantes como a própria consulta odontológica. Por outro lado, a hiperglicemia foi relacionada ao mau controle metabólico, o que também resulta em condições progressivas de diabetes, como cetoacidose diabética e síndrome hiperglicêmica hiperosmolar.
Ferreira et al. (2010) mostraram que a hiperglicemia persistente produz resultados graves através da agregação de corpos cetônicos e subsequente desequilíbrio de eletrólitos. A cetoacidose diabética (CAD) é comumente discutida pelos autores como uma emergência médica urgente criada pela deficiência de insulina com produção excessiva de corpos cetônicos.
Cardoso et al. (2013) definem a CAD como hiperglicemia >250 mg/dl, acidose metabólica com pH inferior a 7,3 e diminuição do bicarbonato sérico. Os autores escrevem que essa síndrome é frequentemente sintomática do diabetes tipo 1 e apresenta um alto risco de mortalidade, mesmo em centros especializados.
Souza et al. (2021) destacam os principais sintomas clínicos da CAD (como: aumento da micção, sede excessiva, fadiga, perda de peso), o que indica a necessidade de diagnóstico precoce para prevenir complicações graves.
Fonseca Filho et al. (2023) ampliam esse ponto para apresentar exemplos de sintomas de cetoacidose diabética, incluindo hálito cetônico, taquicardia, respiração de Kussmaul e dor abdominal (que pode imitar abdômen agudo). Esta caracterização destaca a necessidade de uma observação clínica cuidadosa em relação a sintomas que podem ser confundidos com outras patologias.
Em consonância com isso, Mendonça Lima et al. (2023) descrevem a fisiopatologia da CAD levando a uma ausência de insulina (em estado total ou parcial) e, assim, a um aumento na secreção de hormônios contrarreguladores, incluindo glucagon, cortisol e hormônio do crescimento. A condição incentiva a quebra de lipídios e a produção de corpos cetônicos no fígado, induzindo acidose metabólica — um consenso alcançado pelos autores analisados.
Convergência teórica entre Barone et al. (2007) e as Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2022) para cetoacidose diabética. Essas referências reafirmam que a reposição de fluidos e a administração regular de insulina são componentes fundamentais para o tratamento da CAD. Enquanto Barone et al. (2007) sugerem que o paciente pode superar casos leves a moderados fora da unidade de terapia intensiva através da reposição oral de fluidos e insulina subcutânea.
As Diretrizes da SBD (2022) enfatizam a necessidade de reposição rápida de fluidos intravenosos, suplementação de potássio e monitoramento de eletrólitos e glicose no sangue. Este contraste demonstra que, embora o comportamento do paciente possa variar conforme os graus de gravidade, os princípios-chave do tratamento: reidratação e controle metabólico são compartilhados pelos autores. A importância de ensinar os pacientes a seguir o plano de tratamento do diabetes, terapia com insulina e monitorar a deterioração glicêmica também é destacada por Fonseca Filho e Veronez de Lima (2024). Este método preventivo é essencial não apenas para o manejo da doença, mas também para garantir a evitação de recorrências de cetoacidose, refletindo uma evolução da terapia para uma abordagem educacional e humanizada.
Este ponto de vista corresponde à necessidade, declarada por Moura, Carvalho e Silva (2018), de o dentista reconhecer precocemente o desarranjo glicêmico e intervir adequadamente para a segurança e bem-estar de todos os pacientes diabéticos no consultório odontológico.
Além da cetoacidose diabética, outro ponto de convergência entre os autores é a Síndrome Hiperglicêmica Hiperosmolar (SHH), que foi identificada como uma das complicações agudas mais clinicamente prejudiciais do diabetes tipo 2.
O Ministério da Saúde (Brasil, 2023) destaca que a SHH, menos prevalente, tem taxas de mortalidade muito mais altas do que a CAD, chegando a 20% dos casos. De acordo com Azevedo, Schwan e Schreiner (2018), esta síndrome ocorre porque parcialmente não há insulina suficiente, apenas o suficiente para reduzir a lipólise significativa e impedir o metabolismo adequado da glicose. Isso causa níveis extremamente altos de glicose no sangue (tipicamente acima de 600 mg/dl) e aumento da osmolaridade plasmática, resultando em diurese osmótica acentuada e desidratação drástica.
Tal achado também é apoiado pelas Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (2025), nas quais a hiperosmolaridade também é sugerida como o principal diagnóstico laboratorial da SHH. Os achados clínicos relatados por Gross et al. (2000) e complementados pela SBD (2025) indicam que a SHH aparece inicialmente como sede intensa, poliúria e fadiga em estágios avançados para sinais de desidratação e alterações na consciência. Esta evolução confirma a gravidade da síndrome e a necessidade de diagnóstico e tratamento oportunos. Tanto o Ministério da Saúde (2023) quanto Azevedo, Schwan e Schreiner (2018) recomendam que o tratamento deve ser baseado na reposição vigorosa de fluidos isotônicos, manejo gradual da glicose no sangue e correção de eletrólitos, com queda gradual da glicose no sangue para prevenir comprometimento neurológico, incluindo edema cerebral. De fato, há três eixos amplos nos quais as abordagens oferecidas pelos autores convergem: detecção precoce do comprometimento glicêmico, manejo clínico apropriado em casos de emergências metabólicas e educação em saúde como estratégia preventiva. Embora o desempenho varie de acordo com o estágio do manejo clínico, a importância clínica do monitoramento contínuo dos níveis glicêmicos e o esforço conjunto entre os profissionais de saúde são enfatizados por todos os autores.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Complicações matabólicas em ambientes de saúde bucal exigem que o dentista tenha preparação técnica e científica adequada caso esses problemas ocorram. A medição da glicose no sangue e o agendamento de consultas pela manhã são práticas para minimizar o risco de descompensações glicêmicas e manter os níveis de glicose no sangue aceitáveis, prevenindo tanto a hipoglicemia quanto a hiperglicemia. Uma abordagem cautelosa no manejo terapêutico, realizando reposição controlada de fluidos, corrigindo eletrólitos, além da educação em saúde devem ser consideradas fatores cruciais na prevenção de efeitos adversos. O aconselhamento correto para a adesão ao tratamento, a administração correta de insulina e estar alerta aos sintomas podem reduzir drasticamente a ocorrência de emergências clínicas.
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