EFFICACY AND SAFETY OF HERBAL MEDICINE IN THE TREATMENT OF CHRONIC NON COMMUNICABLE DISEASES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511211944
Gabriela da Fontura Balverdu1
Mirian Rosa da Silva2
Orientador: Simony Davet Muller3
RESUMO
Introdução: A fitoterapia constitui uma das práticas terapêuticas mais antigas da humanidade e mantém boa aceitação até os dias atuais. A pesquisa científica moderna tem confirmado a relevância dessas substâncias, destacando sua eficácia e segurança no contexto do tratamento de diferentes condições de saúde entre estas as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) que são um problema de grande relevância a nível mundial. Objetivo: Analisar a eficácia e segurança da fitoterapia no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis em comparação a tratamentos convencionais ou placebo. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão sistemática seguindo os critérios do PRISMA, realizada na base de dados Scielo (Scientific Electronic Library Online) e Pubmed, no período de 2015 a 2025, utilizando descritores do DeCS, como “plants medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable diseases”, conectados pelo operador booleano “AND”. Foram incluídos artigos com texto completo disponível gratuitamente, estudos clínicos e randomizados. Foi desconsiderado monografias, livros, revisões bibliográficas e artigos que não estavam diretamente relacionados ao tema. Resultados: Foram selecionados 10 estudos, dentre eles oito abordavam a fitoterapia no tratamento da diabetes mellitus tipo 2, um tratava sobre fitoterápicos e doença de chagas e outro sobre o manejo do tratamento da hiperplasia prostática benigna com fitoterapia. Conclusão: Comprovou-se que a fitoterapia é eficaz e segura como alternativa de tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, no entanto há escassez de artigos sobre o assunto sendo necessário mais estudos que abordem essa temática e que abrangem outras doenças crônicas.
Palavras-chave: Plantas medicinais. Fitoterápicos. Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Diabetes.
ABSTRACT
Introduction: Phytotherapy is one of humanity’s oldest therapeutic practices and maintains good acceptance to this day. Modern scientific research has confirmed the relevance of these substances, highlighting their efficacy and safety in the treatment of different health conditions, including chronic noncommunicable diseases (NCDs), which are a problem of great relevance worldwide. Objective: To analyze the efficacy and safety of phytotherapy in the treatment of chronic noncommunicable diseases compared to conventional treatments or placebo. Methodology: This is a systematic review study following the PRISMA criteria, conducted in the Scielo (Scientific Electronic Library Online) and Pubmed databases, from 2015 to 2025, using DeCS descriptors such as “medicinal plants”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” and “chronic noncommunicable diseases”, connected by the Boolean operator “AND”. Articles with freely available full text, clinical and randomized studies were included. Monographs, books, literature reviews, and articles not directly related to the topic were disregarded. Results: Tem studies were selected, eight of which addressed phytotherapy in the treatment of type 2 diabetes mellitus, one dealt with phytotherapeutics and Chagas disease, and another with the management of benign prostatic hyperplasia treatment using phytotherapy. Conclusion: It was proven that phytotherapy is effective and safe as an alternative treatment for chronic non-communicable diseases; however, there is a scarcity of articles on the subject, and more studies addressing this topic and encompassing other chronic diseases are necessary.
Keywords: Plants medicinal. Phytotherapeutic drugs. Chronic noncommunicable diseases. Diabetes.
1. INTRODUÇÃO
As doenças crônicas não transmissíveis representam a principal causa de morbidades, incapacidade e morte prematura em escala global. Embora sejam, em grande parte, evitáveis por meio de mudanças no estilo de vida e intervenções de saúde pública, observa-se que, nas últimas décadas, apresentaram crescimento significativo em suas taxas de incidência e mortalidade. (MOHANA et al., 2025).
Doenças do aparelho circulatório, diabetes mellitus, doenças respiratórias crônicas e neoplasias e cânceres são classificadas pela Organização Mundial da Saúde como doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Se instalam devido ao contato prolongado a fatores de riscos e pelo aumento da taxa de envelhecimento populacional, apresentam evolução lenta e demora na manifestação dos sintomas, que quando não tratadas podem causar complicações graves e levar ao óbito. (SIMÕES et al., 2021, FELICIANO et al., 2022).
No Brasil, embora exista um alto índice de acometimento de doenças infectocontagiosas, o perfil de adoecimento se dá, principalmente, por doenças crônicas não transmissíveis, que são as principais causas de óbito no país (CESSE, 2007; PEREIRA; ALVES-SOUZA; VALE, 2015). O tratamento dessas doenças se dá pela mudança nos hábitos e estilo de vida e pela forma medicamentosa.
A fitoterapia constitui uma das práticas terapêuticas mais antigas da humanidade e mantém boa aceitação até os dias atuais. A pesquisa científica moderna tem confirmado a relevância dessas substâncias, destacando sua eficácia e segurança no contexto do tratamento de diferentes condições de saúde. (MACEDO, 2019). Recorrer à fitoterapia, possibilita aliviar as demandas por medicamentos sintéticos, além de garantir o cuidado integral e a participação social na gestão da saúde uma vez que estes insumos fazem parte do cotidiano dos indivíduos (BRASIL, 2012a; RODRIGUES et al., 2020).
Medicamentos fitoterápicos são produtos que utilizam extratos de plantas ou partes delas, como folhas, raízes e flores, para fins terapêuticos. Esses medicamentos têm ganhado destaque no Brasil, onde a regulamentação é rigorosamente estabelecida pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da Anvisa, que orienta a fabricação, a comercialização e o uso seguro desses produtos. A RDC 26/2014, por exemplo, é um marco regulatório que classifica os fitoterápicos e define requisitos específicos para sua rotulagem e publicidade, assegurando a qualidade e a segurança dos mesmos. No contexto do Sistema Único de Saúde (SUS), alguns fitoterápicos foram incluídos na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME), refletindo a intenção do sistema de oferecer alternativas terapêuticas que sejam acessíveis à população.
Esses medicamentos fitoterápicos têm se mostrado particularmente relevantes como alternativas ao uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINES), que, embora eficazes, podem causar efeitos colaterais significativos, como problemas gastrointestinais e riscos cardiovasculares, especialmente em tratamentos prolongados. A utilização de fitoterápicos é uma estratégia que se alinha com a busca por abordagens mais integrativas e holísticas de cuidado em saúde.
Estudos recentes corroboram a eficácia anti-inflamatória de várias plantas medicinais. Um estudo publicado na Pubmed, conduzido por Thompson et al. (2020), demonstrou que o extrato de gengibre (Zingiber officinale) possui propriedades anti-inflamatórias que podem beneficiar pacientes com osteoartrite, apresentando resultados significativos na redução da dor e melhoria da função articular. Outro estudo relevante na Scielo, realizado por Santos et al. (2021), investigou os efeitos do extrato de curcuma (Curcuma longa) em indivíduos com artrite reumatoide, evidenciando uma diminuição expressiva nos marcadores inflamatórios e na dor articular.
Essas evidências científicas fortalecem a argumentação sobre a importância de integrar fitoterápicos na prática clínica, não apenas como uma alternativa aos AINES, mas também como uma estratégia para promover o uso de tratamentos baseados em evidências, respeitando a tradição e a cultura medicinal. A crescente aceitação e regulamentação dos fitoterápicos no Brasil indicam um futuro promissor para a medicina integrativa, onde a sabedoria tradicional e a ciência moderna caminham lado a lado na busca por melhores resultados em saúde.
Nesse contexto, a pergunta de pesquisa que se faz necessária nesta pesquisa é: “Qual a eficácia e segurança dos fitoterápicos no manejo de doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs) em comparação com tratamentos convencionais ou placebo?”
O presente trabalho tem como objetivo analisar a eficácia e a segurança do uso de fitoterápicos no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), por meio de uma revisão sistemática decenal. Busca-se avaliar a evidência científica disponível sobre as propriedades terapêuticas desses produtos naturais, considerando sua aplicação prática e os potenciais benefícios e riscos associados ao seu uso. Além disso, pretende-se contribuir para a discussão sobre a incorporação dos fitoterápicos na prática clínica, visando oferecer uma alternativa de tratamento que complemente as abordagens convencionais.
Ademais, a integração dos fitoterápicos na prática clínica requer uma abordagem multidisciplinar, que leve em consideração as particularidades de cada paciente e as interações potenciais com tratamentos convencionais. Em síntese, a utilização de fitoterápicos no contexto das DCNT abre novas perspectivas para o tratamento e a promoção da saúde, podendo contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, é crucial que futuras pesquisas sejam realizadas, a fim de consolidar a base científica necessária para a adoção segura e eficaz dessas terapias no manejo clínico.
2. MÉTODO
O presente trabalho é uma revisão bibliográfica sistemática sobre o uso de fitoterápicos em doenças crônicas não transmissíveis, adotando os critérios do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Para a elaboração deste estudo, foram realizadas buscas nas bases de dados Pubmed e Scientific Electronic Library Online (Scielo). As pesquisas utilizaram descritores definidos pelo DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), empregando os operadores booleanos “AND” entre eles. Os descritores selecionados foram “plants medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable diseases”.
O material selecionado abrange uma cronologia que vai de 2015 a 2025, tendo como critérios de inclusão artigos que apresentassem texto completo disponível gratuitamente, além de estudos clínicos e randomizados. Por outro lado, foram estabelecidos critérios de exclusão que abrangeram monografias, livros, revisões bibliográficas e artigos que não estavam diretamente relacionados ao tema em questão. Essa abordagem rigorosa assegura que os dados analisados sejam relevantes e pertinentes ao foco do estudo, contribuindo para uma compreensão mais ampla e fundamentada sobre a eficácia e o uso de fitoterápicos no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis.
3. RESULTADOS
Figura 1: Fluxograma da seleção dos estudos nas bases de dados Pubmed e Scielo realizado no período de 2015 a 2025 utilizando os descritores “plants medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable diseases”, aplicando o operador booleano “AND” entre eles

Tabela 1: Características dos artigos usados na pesquisa nas bases de dados Pubmed e Scielo utilizando os descritores “plants medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable diseases”, aplicando o operador booleano “AND” entre eles. No período de 2015 a 2025.
| Título, autor e ano | Método | Objetivo do estudo | Principais resultados |
| Anti-hyperglycaemic effects of herbal porridge made of Scoparia dulcis leaf extract in diabetics – a randomized crossover clinical trial. Senadheera, Senadheera Pathirannehelage Anuruddhika Subhashinie et al. 2015. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Comprovar os efeitos antidiabéticos do consumo do mingau preparado com extratos de folhas de Scoparia dulcis | Houve redução significativa da hemoglobina glicada, sem risco de toxicidade sendo considerada uma refeição segura para diabéticos tipo 2. |
| Eight Weeks of Cosmos caudatus (Ulam Raja) Supplementation Improves Glycemic Status in Patients with Type 2 Diabetes: A Randomized Controlled Trial. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine.Cheng, Shi Hui et al. 2015. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Analisar os efeitos benéficos da suplementação com Cosmos caudatus no tratamento da diabetes mellitus tipo 2 e comprovar por meio de evidências clínicas a segurança e eficácia desse fitoterápico. | Após oito semanas, a suplementação com Cosmos caudatus melhorou a resistência e sensibilidade à insulina, reduzindo os níveis de insulina sérica. Foi constatado que Cosmos caudatus é seguro como forma de tratamento do estado glicêmico em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. |
| Effect of cinnamon, cardamom, saffron and ginger consumption on blood pressure and a marker of endothelial function in patients with type 2 diabetes mellitus: A randomized controlled clinical trial. Azimi, Paria et al, 2016. (PUBMED) | Estudo clínico controlado randomizado | Determinar o efeito do tratamento com fitoterápicos como canela, açafrão, gengibre e cardamomo no controle da PA, função endotelial e medidas antropométricasem pacientes com diabetes mellitus tipo 2 | O uso de açafrão e gengibre reduziram significativamente os níveis de sICAM 1 (marcador de função endotelial). O uso de gengibre também reduziu a PA sistólica consideravelmente. Não foram observadas mudanças relevantes em medidas antropométricas . |
| Antioxidante effect of Morus nigra Chagas disease progressão. Montenote, Michelly et al. 2017. (SCIELO) | Estudo randomizado em animais | Investigar os efeitos do extrato de folhas de Morus nigra na progressão da doença de Chagas, causada pelo Trypanosoma cruzi. A pesquisa, realizada em camundongos Swiss, avaliou como diferentes dosagens do extrato influenciam a parasitemia e a resposta antioxidante. | O extrato reduziu a parasitemia, especialmente na dosagem de 25 μL, e melhorou as defesas antioxidantes na fase crônica com a dosagem de 50 μL. Testes mostraram a presença de compostos bioativos, que contribuíram para a modulação do estresse oxidativo, refletida nas alterações nos níveis de TBARS e GSH. Comprovando que o extrato de Morus nigra tem potencial terapêutico na doença de Chagas. |
| A two-week, double blind, placebo controlled trial of Viola odorata, Echium amoenum and Physalis alkekengi mixture in symptomatic benign prostate hyperplasia (BPH) men. Beiraghdar, Fatemeh et al, 2017. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Avaliar os efeitos terapêuticos da combinação de Viola odorata, Echium amenun e Physalis alkekengi no tratamento de pacientes sintomáticos com hiperplasia prostática benigna. | O uso desses fitoterápicos é seguro e eficaz na melhora da qualidade de vida dos pacientes com HPB. Ocorreu diminuição significativa do volume da próstata e volume de urina existente em comparação com o grupo controle. Além disso houve diminuição da frequência urinária, micção incompleta, urgência e esforço com o uso dessa combinação fitoterápica. |
| Effects of an Herbal Combination on Glycemic Control and Lipid Profile in Diabetic Women: A Randomized, Double Blind, Placebo Controlled Clinical Trial. Shokoohi, Reyhaneh et al, 2017. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Confirmar a segurança e eficácia de uma combinação de ervas no tratamento de mulheres com diabetes mellitus tipo 2 hiperlipidêmico. | Melhorou o controle glicêmico e o perfil lipídico sem eventos adversos, sendo considerada segura para uso. |
| Silymarin, Olibanum, and Nettle, A Mixed Herbal Formulation in the Treatment of Type II Diabetes: A Randomized, Double Blind, Placebo Controlled, Clinical Trial. Khalili, Nahid et al, 2017. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Avaliar os efeitos anti hiperglicêmicos dos fitoterápicos: Silimarina marianum, Urtica dioica e Boswellia serrata em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. | A combinação desses fitoterápicos provocou redução significativa da glicemia em jejum e nos níveis de hemoglobina glicada, assim como diminuiu os níveis de triglicerídeos nos pacientes tratados. |
| Antidiabetic Effect of Fenugreek Seed Powder Solution (Trigonella foenum graecum L.) on Hyperlipidemia in Diabetic Patients. Geberemeskel, Genet Alem et al. 2019. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Estudar os efeitos do feno grego no perfil lipídico de pacientes com diabetes mellitus tipo 2. | Comprovou-se a eficácia do feno-grego na melhora do metabolismo lipídico em pacientes diabéticos. Houve redução dos níveis de colesterol total, triglicerídeos, LDL e aumento de HDL, além disso houve redução da glicemia de jejum. |
| The efficacy and safety of concentrated herbal extract granules, YH1, as an add-on medication in poorly controlled type 2 diabetes: A randomized, double blind, placebo controlled pilot trial. Huang, Yueh-Hsiang et al, 2019. (PUBMED) | Estudo clínico randomizado | Verificar a eficácia e segurança do tratamento do medicamento YH1 (fórmula combinada de várias ervas fitoterápicas) como um tratamento adicional para diabetes mal controlada | Quando associado com medicamentos orais hipoglicemiante s, o YH1 se mostrou eficaz na melhora do controle glicêmico reduzindo significativamente os níveis de HbA1c e glicemia pós prandial, além de aumentar a função das células β pancreáticas. Comprovou-se que é um medicamento seguro para diabetes tendo efeitos benéficos na perda de peso e perfil lipídico. |
| Effectiveness of ginger in reducing metabolic levels in people with diabetes: a randomized clinical trial. Carvalho, Gerdane et al, 2020. (SCIELO) | Estudo clínico randomizado | Verificar se o fitoterápico gengibre (Zingiber officinale) é efetivo na redução dos níveis glicêmicos e lipídicos em pacientes com diabetes mellitus tipo 2. | Houve redução da glicemia e hemoglobina glicada, assim como redução nos níveis de colesterol total. Conclui-se que o gengibre é eficaz e pode auxiliar no tratamento da diabetes tipo 2. |
4. DISCUSSÃO
O presente trabalho teve como objetivo analisar a eficácia e segurança dos fitoterápicos em Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), mediado por uma pesquisa bibliográfica sistemática abrangendo o período de 2015 a 2025, foi utilizado os critérios PRISMA e baseou-se nas plataformas Pubmed e Scielo, que resultou a inclusão do total de 10 estudos clínicos e randomizados, onde nove foram realizados em humanos e um em animais.
De acordo com Souza (2009), um ensaio clínico randomizado é um estudo de caráter experimental realizado em seres humanos com o objetivo de obter informações para a área da saúde, sendo de grande importância para revisões sistemáticas por ser a principal fonte de evidências científicas aplicadas à prática clínica. Oliveira et al (2010), complementaram que os ensaios clínicos randomizados são desenhados com o propósito de responder a uma questão específica, concentrando exclusivamente em uma hipótese de pesquisa, o que confere maior credibilidade e validade científica aos resultados obtidos.
Os resultados da pesquisa elegem que 80% total dos artigos selecionados conotam o tema Diabetes Mellitus Tipo 2 (DMT2). Os achados desta revisão demonstram um potencial significativo no controle glicêmico e lipídico, validando a pesquisa científica moderna sobre a eficácia da fitoterapia. No contexto do DMT2, a eficácia foi observada em diversas frentes: houve redução da hemoglobina glicada (HbA1c) e da glicemia em jejum com o uso de fitoterápicos como Scoparia dulcis, a combinação de Silimarina, Urtica dioica e Boswellia serrata (KHALILI, NAHID et al, 2017). Além disso, a suplementação com Cosmos caudatus melhorou a resistência e sensibilidade à insulina, reduzindo os níveis séricos de insulina, e a combinação de ervas YH1 potencializou o controle glicêmico e aumentou a função das células beta pancreáticas em pacientes mal controlados (SHI-HUI et al, 2015, HUANG, YUEH-HSIANG et al, 2019).
A análise do perfil lipídico também apresentou resultados positivos, com o feno-grego (Trigonella foenum-graecum L.) e o gengibre comprovando eficácia na redução do colesterol total, triglicerídeos e LDL, além de promoverem o aumento do HDL (GEBEREMESKEL, GENET ALEM et al. 2019). A eficácia de fitoterápicos, como o gengibre (na redução de dor e marcadores de inflamação em pacientes com DMT2), corrobora estudos anteriores e fortalece o argumento para a integração dessas terapias na prática clínica, alinhando-se às diretrizes do SUS (CARVALHO, GERDANE et al, 2020)
Em outro estudo conduzido por Montenote, Michelly et al (2017), buscou avaliar os efeitos da amora-preta (Morus nigra) no processo inflamatório e na parasitemia – quantidade de parasitas no sangue, em uma infecção pelo Trypanosoma cruzi. Para isso, foram utilizadas tinturas a 20٪ de folhas de Morus nigra em doses orais de 25uL, 50uL, administradas em camundongos infectados com Trypanosoma cruzi. Os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios observados se devem aos compostos fenólicos e aos flavonoides presentes na Morus nigra que reduziram a inflamação nos tecidos cardíacos e musculares, protegendo contra os danos oxidativos. Além disso, foi comprovado que a dose de 25uL reduziu a parasitemia devido à capacidade de aumentar a concentração de óxido nítrico, auxiliando na defesa contra o parasita na doença de Chagas.
No estudo realizado por Beiraghdar, Fatemeh et al (2017), com 86 pacientes homens, para avaliar o tratamento da hiperplasia prostática benigna com uma mistura de Viola odorata, Echium amoenum e Physalis alkekengi foram encontrados resultados positivos. Houve melhora da inflamação característica da hiperplasia prostática devido às propriedades anti-inflamatórias dos flavonoides presentes nas três plantas medicinais usadas, além disso, a Viola odorata e Physalis alkekengi possuem fitoesteroides que contribuem para a diminuição do tamanho da próstata, já os efeitos diuréticos melhoraram o fluxo e os sintomas urinários dos pacientes.
Resultados semelhantes foram descritos por Vecino et al. (2025), que comprovaram por meio de uma revisão integrativa que os fitoterápicos são eficazes e seguros no manejo do tratamento de doenças crônicas não transmissíveis, especificamente diabetes, hipertensão e cardiopatias. Estes achados validam a incorporação da fitoterapia na prática clínica, alinhando a ciência moderna com a tradição milenar e com a intenção do SUS de oferecer alternativas terapêuticas acessíveis.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ademais, a pergunta de pesquisa da presente revisão bibliográfica foi esclarecida com os artigos selecionados que evidenciaram dados que comprovam a eficácia e a segurança da fitoterapia no manejo de doenças crônicas não transmissíveis, especificamente diabetes, doença de Chagas e hiperplasia prostática benigna. Os compostos bioativos presentes nas plantas medicinais analisadas demonstram potencial terapêutico significativo, destacando a relevância da fitoterapia como estratégia complementar de tratamento. Contudo é necessário ampliação do número de estudos científicos explorando outras DCNTs, a fim de consolidar o conhecimento disponível e assegurar a utilização racional e segura dessas intervenções.
REFERÊNCIAS
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1Graduanda do curso de Farmácia da Universidade do Sul de Santa Catarina.
2Graduanda do curso de Farmácia da Universidade do Sul de Santa Catarina.
3Doutora em Farmácia. Professora orientadora do curso de Farmácia da Universidade do Sul de Santa Catarina.
