EFICÁCIA E SEGURANÇA DA FITOTERAPIA NO TRATAMENTO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS 

EFFICACY AND SAFETY OF HERBAL MEDICINE IN THE TREATMENT OF CHRONIC NON COMMUNICABLE DISEASES 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202511211944


Gabriela da Fontura Balverdu1
Mirian Rosa da Silva2
 Orientador: Simony Davet Muller3


RESUMO

Introdução: A fitoterapia constitui uma das práticas terapêuticas mais  antigas da humanidade e mantém boa aceitação até os dias atuais. A pesquisa  científica moderna tem confirmado a relevância dessas substâncias, destacando  sua eficácia e segurança no contexto do tratamento de diferentes condições de  saúde entre estas as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) que são um  problema de grande relevância a nível mundial. Objetivo: Analisar a eficácia e  segurança da fitoterapia no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis  em comparação a tratamentos convencionais ou placebo. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão sistemática seguindo os critérios do PRISMA,  realizada na base de dados Scielo (Scientific Electronic Library Online) e  Pubmed, no período de 2015 a 2025, utilizando descritores do DeCS, como  “plants medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable diseases”, conectados pelo operador booleano “AND”. Foram  incluídos artigos com texto completo disponível gratuitamente, estudos clínicos  e randomizados. Foi desconsiderado monografias, livros, revisões bibliográficas  e artigos que não estavam diretamente relacionados ao tema. Resultados: Foram selecionados 10 estudos, dentre eles oito abordavam a fitoterapia no  tratamento da diabetes mellitus tipo 2, um tratava sobre fitoterápicos e doença de chagas e outro sobre o manejo do tratamento da hiperplasia prostática  benigna com fitoterapia. Conclusão: Comprovou-se que a fitoterapia é eficaz e  segura como alternativa de tratamento de doenças crônicas não transmissíveis,  no entanto há escassez de artigos sobre o assunto sendo necessário mais  estudos que abordem essa temática e que abrangem outras doenças crônicas. 

Palavras-chave: Plantas medicinais. Fitoterápicos. Doenças Crônicas Não  Transmissíveis. Diabetes. 

ABSTRACT

Introduction: Phytotherapy is one of humanity’s oldest therapeutic  practices and maintains good acceptance to this day. Modern scientific research  has confirmed the relevance of these substances, highlighting their efficacy and  safety in the treatment of different health conditions, including chronic  noncommunicable diseases (NCDs), which are a problem of great relevance  worldwide. Objective: To analyze the efficacy and safety of phytotherapy in the  treatment of chronic noncommunicable diseases compared to conventional treatments or placebo. Methodology: This is a systematic review study following  the PRISMA criteria, conducted in the Scielo (Scientific Electronic Library Online)  and Pubmed databases, from 2015 to 2025, using DeCS descriptors such as  “medicinal plants”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” and “chronic  noncommunicable diseases”, connected by the Boolean operator “AND”. Articles  with freely available full text, clinical and randomized studies were included.  Monographs, books, literature reviews, and articles not directly related to the topic  were disregarded. Results: Tem studies were selected, eight of which addressed  phytotherapy in the treatment of type 2 diabetes mellitus, one dealt with  phytotherapeutics and Chagas disease, and another with the management of  benign prostatic hyperplasia treatment using phytotherapy. Conclusion: It was  proven that phytotherapy is effective and safe as an alternative treatment for  chronic non-communicable diseases; however, there is a scarcity of articles on  the subject, and more studies addressing this topic and encompassing other  chronic diseases are necessary. 

Keywords: Plants medicinal. Phytotherapeutic drugs. Chronic  noncommunicable diseases. Diabetes. 

1. INTRODUÇÃO 

As doenças crônicas não transmissíveis representam a principal causa de  morbidades, incapacidade e morte prematura em escala global. Embora sejam,  em grande parte, evitáveis por meio de mudanças no estilo de vida e  intervenções de saúde pública, observa-se que, nas últimas décadas,  apresentaram crescimento significativo em suas taxas de incidência e  mortalidade. (MOHANA et al., 2025). 

Doenças do aparelho circulatório, diabetes mellitus, doenças respiratórias  crônicas e neoplasias e cânceres são classificadas pela Organização Mundial da  Saúde como doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Se instalam devido  ao contato prolongado a fatores de riscos e pelo aumento da taxa de  envelhecimento populacional, apresentam evolução lenta e demora na  manifestação dos sintomas, que quando não tratadas podem causar  complicações graves e levar ao óbito. (SIMÕES et al., 2021, FELICIANO et al.,  2022). 

No Brasil, embora exista um alto índice de acometimento de doenças  infectocontagiosas, o perfil de adoecimento se dá, principalmente, por doenças  crônicas não transmissíveis, que são as principais causas de óbito no país  (CESSE, 2007; PEREIRA; ALVES-SOUZA; VALE, 2015). O tratamento dessas  doenças se dá pela mudança nos hábitos e estilo de vida e pela forma  medicamentosa. 

A fitoterapia constitui uma das práticas terapêuticas mais antigas da  humanidade e mantém boa aceitação até os dias atuais. A pesquisa científica  moderna tem confirmado a relevância dessas substâncias, destacando sua  eficácia e segurança no contexto do tratamento de diferentes condições de  saúde. (MACEDO, 2019). Recorrer à fitoterapia, possibilita aliviar as demandas  por medicamentos sintéticos, além de garantir o cuidado integral e a participação  social na gestão da saúde uma vez que estes insumos fazem parte do cotidiano  dos indivíduos (BRASIL, 2012a; RODRIGUES et al., 2020).

Medicamentos fitoterápicos são produtos que utilizam extratos de plantas  ou partes delas, como folhas, raízes e flores, para fins terapêuticos. Esses  medicamentos têm ganhado destaque no Brasil, onde a regulamentação é  rigorosamente estabelecida pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) da  Anvisa, que orienta a fabricação, a comercialização e o uso seguro desses  produtos. A RDC 26/2014, por exemplo, é um marco regulatório que classifica  os fitoterápicos e define requisitos específicos para sua rotulagem e publicidade,  assegurando a qualidade e a segurança dos mesmos. No contexto do Sistema  Único de Saúde (SUS), alguns fitoterápicos foram incluídos na Relação Nacional  de Medicamentos Essenciais (RENAME), refletindo a intenção do sistema de  oferecer alternativas terapêuticas que sejam acessíveis à população. 

Esses medicamentos fitoterápicos têm se mostrado particularmente  relevantes como alternativas ao uso de anti-inflamatórios não esteroides  (AINES), que, embora eficazes, podem causar efeitos colaterais significativos,  como problemas gastrointestinais e riscos cardiovasculares, especialmente em  tratamentos prolongados. A utilização de fitoterápicos é uma estratégia que se  alinha com a busca por abordagens mais integrativas e holísticas de cuidado em  saúde. 

Estudos recentes corroboram a eficácia anti-inflamatória de várias plantas  medicinais. Um estudo publicado na Pubmed, conduzido por Thompson et al.  (2020), demonstrou que o extrato de gengibre (Zingiber officinale) possui  propriedades anti-inflamatórias que podem beneficiar pacientes com osteoartrite,  apresentando resultados significativos na redução da dor e melhoria da função  articular. Outro estudo relevante na Scielo, realizado por Santos et al. (2021),  investigou os efeitos do extrato de curcuma (Curcuma longa) em indivíduos com  artrite reumatoide, evidenciando uma diminuição expressiva nos marcadores  inflamatórios e na dor articular. 

Essas evidências científicas fortalecem a argumentação sobre a  importância de integrar fitoterápicos na prática clínica, não apenas como uma  alternativa aos AINES, mas também como uma estratégia para promover o uso  de tratamentos baseados em evidências, respeitando a tradição e a cultura  medicinal. A crescente aceitação e regulamentação dos fitoterápicos no Brasil  indicam um futuro promissor para a medicina integrativa, onde a sabedoria  tradicional e a ciência moderna caminham lado a lado na busca por melhores  resultados em saúde. 

Nesse contexto, a pergunta de pesquisa que se faz necessária nesta  pesquisa é: “Qual a eficácia e segurança dos fitoterápicos no manejo de doenças  crônicas não transmissíveis (DCNTs) em comparação com tratamentos  convencionais ou placebo?” 

O presente trabalho tem como objetivo analisar a eficácia e a segurança  do uso de fitoterápicos no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis  (DCNT), por meio de uma revisão sistemática decenal. Busca-se avaliar a  evidência científica disponível sobre as propriedades terapêuticas desses  produtos naturais, considerando sua aplicação prática e os potenciais benefícios  e riscos associados ao seu uso. Além disso, pretende-se contribuir para a  discussão sobre a incorporação dos fitoterápicos na prática clínica, visando  oferecer uma alternativa de tratamento que complemente as abordagens  convencionais. 

Ademais, a integração dos fitoterápicos na prática clínica requer uma  abordagem multidisciplinar, que leve em consideração as particularidades de cada paciente e as interações potenciais com tratamentos convencionais. Em  síntese, a utilização de fitoterápicos no contexto das DCNT abre novas  perspectivas para o tratamento e a promoção da saúde, podendo contribuir para  a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Entretanto, é crucial que futuras  pesquisas sejam realizadas, a fim de consolidar a base científica necessária para  a adoção segura e eficaz dessas terapias no manejo clínico. 

2. MÉTODO 

O presente trabalho é uma revisão bibliográfica sistemática sobre o uso  de fitoterápicos em doenças crônicas não transmissíveis, adotando os critérios  do Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA). Para a elaboração deste estudo, foram realizadas buscas nas bases  de dados Pubmed e Scientific Electronic Library Online (Scielo). As pesquisas  utilizaram descritores definidos pelo DeCS (Descritores em Ciências da Saúde),  empregando os operadores booleanos “AND” entre eles. Os descritores  selecionados foram “plants medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e  “chronic noncommunicable diseases”. 

O material selecionado abrange uma cronologia que vai de 2015 a 2025,  tendo como critérios de inclusão artigos que apresentassem texto completo  disponível gratuitamente, além de estudos clínicos e randomizados. Por outro  lado, foram estabelecidos critérios de exclusão que abrangeram monografias,  livros, revisões bibliográficas e artigos que não estavam diretamente  relacionados ao tema em questão. Essa abordagem rigorosa assegura que os  dados analisados sejam relevantes e pertinentes ao foco do estudo, contribuindo  para uma compreensão mais ampla e fundamentada sobre a eficácia e o uso de  fitoterápicos no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis. 

3. RESULTADOS 

Figura 1: Fluxograma da seleção dos estudos nas bases de dados Pubmed Scielo realizado no período de 2015 a 2025 utilizando os descritores “plants  medicinal”, “phytotherapeutic drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable  diseases”, aplicando o operador booleano “AND” entre eles

Tabela 1: Características dos artigos usados na pesquisa nas bases de dados  Pubmed e Scielo utilizando os descritores “plants medicinal”, “phytotherapeutic  drugs”, “diabetes” e “chronic noncommunicable diseases”, aplicando o operador  booleano “AND” entre eles. No período de 2015 a 2025.

Título, autor e ano Método Objetivo do  estudoPrincipais  resultados
Anti-hyperglycaemic  effects of herbal  porridge made of  Scoparia dulcis leaf  extract in diabetics – a  randomized crossover  clinical trial.  
Senadheera,  Senadheera  Pathirannehelage  Anuruddhika  Subhashinie et al.  2015. (PUBMED)
Estudo clínico  randomizado Comprovar os  efeitos  antidiabéticos  do consumo do  mingau  preparado com  extratos de  folhas de Scoparia dulcisHouve redução  significativa da  hemoglobina  glicada, sem risco de 
toxicidade  sendo 
considerada  uma refeição  segura para  diabéticos tipo  2.
Eight Weeks of  Cosmos caudatus  (Ulam Raja)  Supplementation  Improves Glycemic  Status in Patients with  Type 2 Diabetes: A  Randomized  Controlled Trial.  Evidence-Based  Complementary and  Alternative  
Medicine.Cheng, Shi Hui et al. 2015. (PUBMED)
Estudo clínico  randomizado Analisar os efeitos 
benéficos da 
suplementação  com Cosmos  caudatus no  tratamento da  diabetes  mellitus tipo 2 e  comprovar por  meio de  evidências  clínicas a  segurança e  eficácia desse  fitoterápico.
Após oito  semanas, a  suplementação  com Cosmos  caudatus 
melhorou a resistência e  sensibilidade à  insulina,  reduzindo os  níveis de  insulina sérica.  Foi constatado  que Cosmos  caudatus é  seguro como  forma de  tratamento do  estado  glicêmico em  pacientes com  diabetes  mellitus tipo 2.
Effect of cinnamon,  cardamom, saffron and  ginger consumption on blood pressure and a  marker of endothelial  function in patients  with type 2 diabetes  mellitus: A randomized  controlled clinical trial.  Azimi, Paria et al,  2016. (PUBMED)Estudo clínico controlado
randomizado
Determinar o  efeito do  tratamento com 
fitoterápicos  como canela,  açafrão, 
gengibre e cardamomo no  controle da PA,  função  endotelial e  
medidas antropométricasem pacientes  com diabetes  mellitus tipo 2
O uso de  açafrão e  gengibre reduziram
significativamente os níveis de  sICAM 1 (marcador de  função  
endotelial). O  uso de gengibre  também reduziu  a PA sistólica 
consideravelmente. Não foram observadas 
mudanças relevantes em  medidas antropométricas .
Antioxidante effect of  Morus nigra Chagas  disease progressão.  
Montenote, Michelly et  al. 2017. (SCIELO)
Estudo randomizado em animaisInvestigar os  efeitos do  extrato de  folhas de Morus  nigra na  
progressão da  doença de  Chagas,  causada pelo  Trypanosoma  cruzi. A  pesquisa,  realizada em  camundongos 
Swiss, avaliou  como diferentes  dosagens do  
extrato influenciam a  parasitemia e a  resposta  antioxidante.
O extrato  reduziu a  parasitemia,  especialmente  na dosagem de  25 μL, e  melhorou as  defesas 
antioxidantes na  fase crônica  com a dosagem  de 50 μL. Testes  mostraram a  presença de  compostos 
bioativos, que  contribuíram  para a  modulação do  estresse  oxidativo, 
refletida nas alterações nos  níveis de  TBARS e GSH. Comprovando  que o extrato de  Morus
nigra tem  potencial  
terapêutico na doença de  Chagas. 
A two-week, double blind, placebo controlled trial of Viola  odorata, Echium amoenum and  Physalis alkekengi  mixture in symptomatic  benign prostate  hyperplasia (BPH)  men. Beiraghdar, Fatemeh et al, 2017. (PUBMED)Estudo clínico  randomizadoAvaliar os  efeitos  
terapêuticos da  combinação de  Viola odorataEchium amenun e Physalis  alkekengi no  tratamento de  pacientes  sintomáticos 
com hiperplasia  prostática  benigna.
O uso desses  fitoterápicos é  seguro e eficaz  na melhora da  qualidade de  vida dos  pacientes com  HPB. Ocorreu  diminuição  
significativa do  volume da  próstata e  volume de urina  existente em  comparação  com o grupo  controle. Além  disso houve  diminuição da  frequência  urinária, micção  incompleta,  
urgência e  esforço com o  uso dessa  combinação
fitoterápica.
Effects of an Herbal  Combination on  Glycemic Control and  Lipid Profile in Diabetic  Women: A  Randomized, Double Blind, Placebo Controlled Clinical  Trial. Shokoohi,  Reyhaneh et al, 2017. (PUBMED)Estudo clínico  randomizado Confirmar a  segurança e  eficácia de uma  combinação de  ervas no  tratamento de  mulheres com  diabetes  mellitus tipo 2  hiperlipidêmico.Melhorou o  controle  
glicêmico e o  perfil lipídico  sem eventos  adversos, sendo  considerada  segura para  uso.
Silymarin, Olibanum,  and Nettle, A Mixed  Herbal Formulation in  the Treatment of Type  II Diabetes: A  Randomized, Double Blind, Placebo Controlled, Clinical  Trial. Khalili, Nahid et  al, 2017. (PUBMED) Estudo clínico  randomizado Avaliar os  efeitos anti hiperglicêmicos  dos  fitoterápicos: 
Silimarina  marianum,
Urtica dioica e  Boswellia  serrata em  pacientes com  diabetes  mellitus tipo 2. 
A combinação desses 
fitoterápicos provocou 
redução significativa da  glicemia em jejum e nos  níveis de  
hemoglobina glicada,
assim como diminuiu os níveis de 
triglicerídeos nos pacientes tratados. 
Antidiabetic Effect of  Fenugreek Seed  Powder Solution  (Trigonella foenum graecum L.) on  Hyperlipidemia in  Diabetic Patients.  Geberemeskel, Genet  Alem et al. 2019.  (PUBMED)Estudo clínico  randomizado Estudar os  efeitos do feno grego no perfil  lipídico de  pacientes com  diabetes  mellitus tipo 2.Comprovou-se  a eficácia do  feno-grego na  melhora do  metabolismo
 lipídico em pacientes 
diabéticos.  Houve redução dos níveis de colesterol total, 
triglicerídeos, LDL e aumento de HDL, além disso houve redução da  glicemia de  jejum.
The efficacy and safety  of concentrated herbal  extract granules, YH1,  as an add-on  medication in poorly  controlled type 2  diabetes: A  randomized, double blind, placebo controlled pilot trial.  Huang, Yueh-Hsiang  et al, 2019. (PUBMED)Estudo clínico  randomizado Verificar a eficácia e  segurança do  tratamento do  medicamento  YH1 (fórmula  combinada de  várias ervas  fitoterápicas) 
como um  tratamento 
adicional para diabetes
mal controlada
Quando  associado com  medicamentos  orais  hipoglicemiante s, o YH1 se  mostrou eficaz  na melhora do  controle  
glicêmico reduzindo 
significativamente os níveis de  HbA1c e  glicemia pós prandial, além  de aumentar a  função das  células β  pancreáticas. 
Comprovou-se que é um medicamento  seguro para  diabetes tendo  efeitos  benéficos na  
perda de peso e  perfil lipídico.
Effectiveness of ginger  in reducing metabolic  levels in people with  diabetes: a  randomized clinical  trial. Carvalho,  Gerdane et al, 2020.  (SCIELO)Estudo clínico  randomizadoVerificar se o  
fitoterápico  gengibre  
(Zingiber  officinale) é  efetivo na  redução dos  níveis  glicêmicos e  lipídicos em  pacientes com  diabetes  mellitus tipo 2.
Houve redução  da glicemia e  
hemoglobina  glicada, assim  como redução  nos níveis de  colesterol total.  Conclui-se que  o gengibre é  eficaz e pode  auxiliar no  tratamento da  diabetes tipo 2.

4. DISCUSSÃO 

O presente trabalho teve como objetivo analisar a eficácia e segurança  dos fitoterápicos em Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), mediado  por uma pesquisa bibliográfica sistemática abrangendo o período de 2015 a  2025, foi utilizado os critérios PRISMA e baseou-se nas plataformas Pubmed Scielo, que resultou a inclusão do total de 10 estudos clínicos e randomizados,  onde nove foram realizados em humanos e um em animais. 

De acordo com Souza (2009), um ensaio clínico randomizado é um estudo  de caráter experimental realizado em seres humanos com o objetivo de obter  informações para a área da saúde, sendo de grande importância para revisões  sistemáticas por ser a principal fonte de evidências científicas aplicadas à prática  clínica. Oliveira et al (2010), complementaram que os ensaios clínicos  randomizados são desenhados com o propósito de responder a uma questão  específica, concentrando exclusivamente em uma hipótese de pesquisa, o que  confere maior credibilidade e validade científica aos resultados obtidos.  

Os resultados da pesquisa elegem que 80% total dos artigos selecionados  conotam o tema Diabetes Mellitus Tipo 2 (DMT2). Os achados desta revisão  demonstram um potencial significativo no controle glicêmico e lipídico, validando  a pesquisa científica moderna sobre a eficácia da fitoterapia. No contexto do  DMT2, a eficácia foi observada em diversas frentes: houve redução da  hemoglobina glicada (HbA1c) e da glicemia em jejum com o uso de fitoterápicos  como Scoparia dulcis, a combinação de Silimarina, Urtica dioica e Boswellia  serrata (KHALILI, NAHID et al, 2017). Além disso, a suplementação com Cosmos  caudatus melhorou a resistência e sensibilidade à insulina, reduzindo os níveis séricos de insulina, e a combinação de ervas YH1 potencializou o controle  glicêmico e aumentou a função das células beta pancreáticas em pacientes mal  controlados (SHI-HUI et al, 2015, HUANG, YUEH-HSIANG et al, 2019). 

A análise do perfil lipídico também apresentou resultados positivos, com  o feno-grego (Trigonella foenum-graecum L.) e o gengibre comprovando eficácia  na redução do colesterol total, triglicerídeos e LDL, além de promoverem o  aumento do HDL (GEBEREMESKEL, GENET ALEM et al. 2019). A eficácia de  fitoterápicos, como o gengibre (na redução de dor e marcadores de inflamação  em pacientes com DMT2), corrobora estudos anteriores e fortalece o argumento  para a integração dessas terapias na prática clínica, alinhando-se às diretrizes  do SUS (CARVALHO, GERDANE et al, 2020) 

Em outro estudo conduzido por Montenote, Michelly et al (2017), buscou  avaliar os efeitos da amora-preta (Morus nigra) no processo inflamatório e na  parasitemia – quantidade de parasitas no sangue, em uma infecção pelo  Trypanosoma cruzi. Para isso, foram utilizadas tinturas a 20٪ de folhas de Morus  nigra em doses orais de 25uL, 50uL, administradas em camundongos infectados  com Trypanosoma cruzi. Os efeitos antioxidantes e anti-inflamatórios  observados se devem aos compostos fenólicos e aos flavonoides presentes na  Morus nigra que reduziram a inflamação nos tecidos cardíacos e musculares,  protegendo contra os danos oxidativos. Além disso, foi comprovado que a dose  de 25uL reduziu a parasitemia devido à capacidade de aumentar a  concentração de óxido nítrico, auxiliando na defesa contra o parasita na doença  de Chagas. 

No estudo realizado por Beiraghdar, Fatemeh et al (2017), com 86  pacientes homens, para avaliar o tratamento da hiperplasia prostática benigna  com uma mistura de Viola odorata, Echium amoenum e Physalis alkekengi foram encontrados resultados positivos. Houve melhora da inflamação característica  da hiperplasia prostática devido às propriedades anti-inflamatórias dos  flavonoides presentes nas três plantas medicinais usadas, além disso, a Viola  odorata e Physalis alkekengi possuem fitoesteroides que contribuem para a  diminuição do tamanho da próstata, já os efeitos diuréticos melhoraram o fluxo e os sintomas urinários dos pacientes. 

Resultados semelhantes foram descritos por Vecino et al. (2025), que  comprovaram por meio de uma revisão integrativa que os fitoterápicos são  eficazes e seguros no manejo do tratamento de doenças crônicas não  transmissíveis, especificamente diabetes, hipertensão e cardiopatias. Estes  achados validam a incorporação da fitoterapia na prática clínica, alinhando a  ciência moderna com a tradição milenar e com a intenção do SUS de oferecer  alternativas terapêuticas acessíveis.  

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Ademais, a pergunta de pesquisa da presente revisão bibliográfica foi  esclarecida com os artigos selecionados que evidenciaram dados que  comprovam a eficácia e a segurança da fitoterapia no manejo de doenças  crônicas não transmissíveis, especificamente diabetes, doença de Chagas e  hiperplasia prostática benigna. Os compostos bioativos presentes nas plantas  medicinais analisadas demonstram potencial terapêutico significativo,  destacando a relevância da fitoterapia como estratégia complementar de  tratamento. Contudo é necessário ampliação do número de estudos científicos explorando outras DCNTs, a fim de consolidar o conhecimento disponível e  assegurar a utilização racional e segura dessas intervenções. 

REFERÊNCIAS 

AZIMI, Paria et al. Effect of cinnamon, cardamom, saffron and ginger  consumption on blood pressure and a marker of endothelial function in  patients with type 2 diabetes mellitus: a randomized controlled clinical  trial. Avicenna Journal of Phytomedicine, [s.l.], 2016. 

BEIRAGHDAR, Fatemeh et al. A two-week, double-blind, placebo-controlled  trial of Viola odorata, Echium amoenum and Physalis alkekengi mixture in  symptomatic benign prostate hyperplasia (BPH) men. Urology Journal, [s.l.],  2017. 

CARVALHO, Gerdane et al. Effectiveness of ginger in reducing metabolic  levels in people with diabetes: a randomized clinical trial. Diabetes &  Metabolic Syndrome: Clinical Research & Reviews, [s.l.], 2020. 

CHENG, Shi-Hui et al. Eight weeks of Cosmos caudatus (Ulam Raja)  supplementation improves glycemic status in patients with type 2  diabetes: a randomized controlled trial. Evidence-Based Complementary  and Alternative Medicine, [s.l.], 2015. 

GEBEREMESKEL, Genet Alem et al. Antidiabetic effect of fenugreek seed  powder solution (Trigonella foenum-graecum L.) on hyperlipidemia in  diabetic patients. Journal of Diabetes Research, [s.l.], 2019. 

HUANG, Yueh-Hsiang et al. The efficacy and safety of concentrated herbal  extract granules, YH1, as na add-on medication in poorly controlled type 2  diabetes: a randomized, double-blind, placebo-controlled pilot trial.  Phytomedicine, [s.l.], 2019. 

KHALILI, Nahid et al. Silymarin, olibanum, and nettle: a mixed herbal  formulation in the treatment of type II diabetes: a randomized, double blind, placebo-controlled clinical trial. Iranian Journal of Pharmaceutical  Research, [s.l.], 2017. 

MACEDO, Wanderson de Lima Rodrigues. Uso da fitoterapia no tratamento  de doenças crônicas não transmissíveis: revisão integrativa. Revista  Brasileira Interdisciplinar de Saúde (ReBIS), v. 1, n. 3, 2019. 

MOHANA, Luis Roberto Gomes; et al. A eficácia de plantas medicinais no  tratamento de doenças crônicas não transmissíveis. Revista Enfermagem  Atual In Derme, v. 99, ed. esp., 2025. 

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OLIVEIRA, Marco Aurélio Pinho de; PARENTE, Raphael Camara Medeiros.  Entendendo ensaios clínicos randomizados. Brazilian Journal of  Videoendoscopic Surgery, Rio de Janeiro, v. 3, n. 4, p. 176-180, out./dez. 2010.  

SENADHEERA, Senadheera Pathirannehelage Anuruddhika Subhashinie et alAnti-hyperglycaemic effects of herbal porridge made of Scoparia dulcis  leaf extract in diabetics – a randomized crossover clinical trial. Journal of  Ethnopharmacology, [s.l.], 2015. 

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SOUZA, Raphael F. de. O que é um estudo clínico randomizado? Medicina, Ribeirão Preto, v. 42, n. 1, p. 3-8, jan./mar. 2009.


1Graduanda do curso de Farmácia da Universidade do Sul de Santa Catarina.

2Graduanda do curso de Farmácia da Universidade do Sul de Santa Catarina.

3Doutora em Farmácia. Professora orientadora do curso de Farmácia da Universidade do Sul de  Santa Catarina.