EFFICACY OF EXTRACTS FROM SPONTANEOUS PLANTS AGAINST CALLOSOBRUCHUS MACULATUS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202602131608
Leonardo Andrade Oliveira1
Êmerson Silva Nunes2
Alicia Gonçalves Silva2
Tailande Novaes de Aquino2
Ítalo Rafael de Souza2
Matheus Sousa do Nascimento3
Carina Vieira Alecrim4
Lucas Barbosa dos Santos5
Resumo
O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) representa uma importante fonte de proteína vegetal e base alimentar para milhões de pessoas, especialmente em regiões tropicais como o Nordeste brasileiro. No entanto, a produção e o armazenamento do grão são constantemente comprometidos pela infestação do gorgulho-do-feijão (Callosobruchus maculatus (F.)), praga que causa severas perdas qualitativas e quantitativas. O controle convencional baseia-se, predominantemente, no uso de inseticidas sintéticos, cujo emprego indiscriminado tem gerado sérios impactos ambientais, desenvolvimento de resistência em insetos e riscos à saúde humana. Diante disso, este trabalho teve como objetivo avaliar o potencial inseticida dos extratos etanólico de malva-branca (Sida cordifolia L.) e crista-de-galo (Heliotropium indicum L.) sobre a mortalidade de C. maculatus em grãos de feijão-caupi armazenado. As espécies vegetais foram coletadas na região de Irecê-BA, submetidas à imersão em álcool para obtenção de extrato etanolico. O bioensaio foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado, com quatro repetições, sendo avaliados os percentuais de mortalidade dos insetos em intervalos de 12, 24, 48 e 72 horas após a aplicação dos tratamentos. Os resultados demonstraram que ambos os extratos apresentaram efeito significativo, com aumento progressivo da mortalidade ao longo do tempo, atingindo valores próximos a 100% em 72 horas, especialmente nas maiores concentrações testadas. Esses resultados evidenciam a presença de compostos bioativos com ação inseticida, reforçando o potencial dessas plantas como alternativas ecológicas e economicamente viáveis para o manejo de C. maculatus. Assim, o uso de extratos vegetais constitui uma estratégia promissora dentro do manejo integrado de pragas (MIP), contribuindo para a sustentabilidade da agricultura e a redução da dependência de agroquímicos.
Palavras-chave: Callosobruchus maculatus. Sida cordifolia. Heliotropium indicum. óleos essenciais. manejo sustentável.
1 INTRODUÇÃO
O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) constitui uma das principais fontes de proteína vegetal para populações em países tropicais, especialmente no Brasil e na África, sendo base alimentar e culturalmente importante.
Segundo dados da FAOSTAT (2024), a produção mundial de feijão-caupi ultrapassa 8,5 milhões de toneladas anuais, com destaque para a Nigéria, maior produtora mundial, seguida por Níger e Brasil.
No Brasil, de acordo com o IBGE (2023), a produção total de feijão-caupi foi de aproximadamente 680 mil toneladas, cultivadas em cerca de 1,3 milhão de hectares, concentrandose principalmente nas regiões Nordeste e Norte.
A Bahia lidera a produção nacional, respondendo por cerca de 38% do total brasileiro, com 260 mil toneladas, seguida pelo Piauí e Ceará. Dentro da Bahia, as regiões do Semiárido e
Oeste baiano destacam-se pelo uso de variedades adaptadas e pela expansão de áreas irrigadas (CONAB, 2024).
Contudo, a conservação pós-colheita enfrenta sérios desafios, principalmente devido ao ataque de insetos-praga durante o armazenamento, com destaque para o gorgulho-do-feijão (Callosobruchus maculatus (F.). Essa praga é responsável por perdas qualitativas e quantitativas significativas, reduzindo a germinação das sementes, o valor comercial e a viabilidade do grão para consumo humano e replantio.
O C. maculatus causa perfurações nos grãos, perda de massa seca, redução do teor proteico e aumento da suscetibilidade a fungos e micro-organismos, comprometendo o valor nutritivo e o aspecto visual do produto (EMBRAPA, 2022; SCIELO, 2021).
O manejo tradicional de Callosobruchus maculatus (Fabr., 1775), uma das principais pragas de feijão-caupi armazenado, baseia-se predominantemente no uso de inseticidas sintéticos. Entretanto, o uso indiscriminado desses produtos tem acarretado sérios problemas, como o desenvolvimento de resistência em populações de insetos, riscos à saúde humana e impactos ambientais negativos (GOMES, 2020; LIMA, 2017; COSTA, 2021).
Diante desse cenário, cresce o interesse por alternativas ecologicamente sustentáveis, eficazes e economicamente viáveis, especialmente entre pequenos produtores. Nesse contexto, destacam-se os extratos e óleos essenciais obtidos de espécies vegetais com potencial inseticida, amplamente disponíveis em ecossistemas agrícolas e de fácil acesso (SILVA, 2019; ALVES, 2021; BRITO, 2022). Esses produtos naturais apresentam compostos bioativos capazes de afetar o comportamento, a alimentação e a reprodução dos insetos, oferecendo uma alternativa promissora ao controle químico convencional (RIBEIRO, 2010; ALMEIDA, 2003; CASTRO, 2013).
Assim, o uso de plantas inseticidas surge como uma estratégia importante dentro do manejo integrado de pragas (MIP), contribuindo para a sustentabilidade da produção e para a redução da dependência de pesticidas sintéticos (FERREIRA, 2023; ALVES et al., 2020).
A utilização de produtos naturais, que sejam menos agressivos ao ambiente, já é prática adotada por agricultores há décadas, como no caso dos inseticidas de origem vegetal (DA SILVA, 2017). Esses compostos devem ser considerados como métodos de controle eficazes, capazes de reduzir custos, preservar o meio ambiente e evitar a contaminação química dos alimentos, representando uma prática adequada para a agricultura sustentável (SOUZA; EVANGELISTA, 2009).
São inúmeras as substâncias químicas sintetizadas no metabolismo secundário das plantas, as quais podem ser utilizadas no controle biológico de insetos-praga e plantas daninhas, atuando como inseticidas e herbicidas naturais. Esse potencial amplia a perspectiva de desenvolvimento de produtos agroecológicos menos agressivos ao meio ambiente e socialmente mais seguros (DA SILVA, 2017).
Dessa forma, o objetivo deste trabalho é avaliar a eficiência inseticida dos extratos etanólicos e óleos essenciais de malva-branca (Sida cordifolia L.) e crista-de-galo (Heliotropium indicum L.) sobre a mortalidade de Callosobruchus maculatus (F.), praga de grande relevância no armazenamento de feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.). Busca-se, por meio dessa investigação, identificar o potencial bioativo dessas espécies vegetais como alternativa sustentável ao uso de inseticidas sintéticos, promovendo o manejo integrado de pragas (MIP) e contribuindo para a redução de impactos ambientais e riscos à saúde humana. Além disso, este estudo pretende subsidiar o desenvolvimento de tecnologias agroecológicas acessíveis e eficazes, especialmente voltadas aos pequenos produtores do Semiárido baiano, visando melhorar a conservação pós-colheita e a qualidade do feijão-caupi destinado ao consumo e ao replantio.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA
2.1. A IMPORTÂNCIA DO FEIJÃO-CAUPI NA AGRICULTURA E OS DESAFIOS NO ARMAZENAMENTO
O feijão-caupi (Vigna unguiculata (L.) Walp.) constitui uma das principais leguminosas cultivadas nas regiões tropicais e subtropicais do mundo, sendo amplamente consumido como fonte de proteína vegetal, sobretudo por populações de baixa renda (GOMES, 2020). No Brasil, o cultivo dessa espécie é particularmente expressivo no semiárido nordestino, onde se adapta bem a condições edafoclimáticas adversas, como baixa pluviosidade e solos pouco férteis (SILVA et al., 2020).
Entretanto, apesar da sua rusticidade e importância socioeconômica, a cadeia produtiva do feijão-caupi enfrenta desafios críticos no armazenamento, fase em que os grãos se tornam altamente vulneráveis ao ataque de pragas. A mais significativa delas é o Callosobruchus maculatus (Fabr., 1775), conhecido popularmente como gorgulho-do-feijão, um coleóptero da família Chrysomelidae, subfamília Bruchinae, cuja presença pode comprometer totalmente a qualidade e a viabilidade dos grãos para consumo e replantio (ALVES, 2021).
De acordo com Brito (2022), a infestação por C. maculatus reduz o peso dos grãos, a taxa de germinação e o valor comercial, além de favorecer o desenvolvimento de microrganismos patogênicos, como fungos. Tal cenário demanda estratégias eficazes e sustentáveis de controle, sobretudo para pequenos produtores que não dispõem de tecnologias de armazenamento avançadas.
2.2. INSETICIDAS SINTÉTICOS: EFICÁCIA IMEDIATA E PROBLEMAS DURADOUROS
Historicamente, o manejo do gorgulho-do-feijão baseou-se predominantemente no uso de inseticidas químicos sintéticos, os quais oferecem ação rápida e eficácia comprovada no curto prazo. No entanto, o uso recorrente desses produtos apresenta sérios riscos à saúde humana e ao meio ambiente, além de favorecer o surgimento de cepas resistentes da praga (FERREIRA, 2023).
Conforme apontado por Silva e Oliveira (2020), os resíduos químicos presentes nos grãos tratados com inseticidas podem permanecer por longos períodos, representando perigo à segurança alimentar. Além disso, a exposição crônica a esses compostos tem sido associada a distúrbios neurológicos, hormonais e cancerígenos em humanos e animais, gerando uma crescente pressão por alternativas mais ecológicas (CASTRO, 2013).
Outro fator limitante do uso de inseticidas sintéticos é o alto custo, muitas vezes inacessível a agricultores familiares e comunidades rurais tradicionais. Essa realidade evidencia a necessidade de diversificar as estratégias de controle de pragas, priorizando métodos com menor impacto ambiental e maior viabilidade socioeconômica.
2.3. O USO DE EXTRATOS VEGETAIS E ÓLEOS ESSENCIAIS NO CONTROLE DE CALLOSOBRUCHUS MACULATUS
Nos últimos anos, tem se intensificado a pesquisa e o uso de produtos naturais derivados de plantas com propriedades inseticidas, repelentes ou inibidoras de crescimento de pragas agrícolas. Os óleos essenciais e extratos vegetais destacam-se nesse contexto como ferramentas promissoras no manejo de C. maculatus, por apresentarem compostos bioativos com diversos mecanismos de ação (SANTOS et al., 2018).
Tais compostos, majoritariamente oriundos do metabolismo secundário das plantas, incluem alcaloides, flavonoides, terpenos, saponinas e taninos, os quais podem interferir diretamente na fisiologia e no comportamento dos insetos (GOMES, 2020). Esses efeitos incluem neurotoxicidade, inibição alimentar, alterações hormonais e comprometimento da reprodução, podendo culminar na morte ou na esterilização dos indivíduos (FERRAZ, 2018).
O uso do óleo essencial de Lippia sidoides (alecrim-pimenta), por exemplo, demonstrou alta eficácia no controle de adultos de C. maculatus, com ação inseticida atribuída ao timol, seu principal componente químico (SANTOS; SILVA; PÁDUA, 2018). De forma semelhante, Alves (2021) relatou que o óleo de Cymbopogon citratus (capim-limão) provocou redução significativa na fecundidade da praga, além de apresentar efeito repelente duradouro.
Os extratos de Ageratum conyzoides (mentrasto), por sua vez, mostraram atividade fumigante e efeito larvicida quando aplicados sobre grãos armazenados, sendo considerados eficazes, de fácil aplicação e baixo custo (SILVA, 2019). Já o óleo de Croton blanchetianus causou paralisia nos adultos e interferência no comportamento de oviposição da fêmea, como observado por Silva e Oliveira (2020).
2.4. O PAPEL DE SIDA CORDIFOLIA E HELIOTROPIUM INDICUM NO MANEJO DE PRAGAS
Duas espécies vegetais com amplo potencial inseticida têm ganhado destaque em estudos recentes: Sida cordifolia (malva-branca) e Heliotropium indicum (crista-de-galo). Ambas são espécies espontâneas encontradas em áreas do semiárido nordestino, sendo acessíveis a pequenos produtores e com elevado potencial agroecológico (DA SILVA, 2017).
Segundo Cruz e Pereira (2012), extratos etanólicos dessas plantas apresentaram efeitos tóxicos significativos sobre C. maculatus em bioensaios de laboratório. Os autores observaram mortalidade crescente em função do tempo de exposição e da concentração aplicada, com efeito comparável ao de inseticidas comerciais.
Essas plantas possuem compostos como alcaloides pirrolizidínicos, presentes em Heliotropium indicum, e ephedrina e flavonoides, encontrados em Sida cordifolia, os quais estão associados à ação neurotóxica e desreguladora do sistema endócrino dos insetos (CASTRO, 2013; ALMEIDA, 2003).
A facilidade de cultivo, a adaptação às condições climáticas locais e a compatibilidade com práticas agroecológicas fazem dessas espécies aliadas importantes no desenvolvimento de soluções sustentáveis de controle de pragas.
2.5. ESTUDOS EXPERIMENTAIS E APLICAÇÃO PRÁTICA EM AMBIENTES AGRÍCOLAS
Diversos ensaios experimentais reforçam a viabilidade do uso de óleos essenciais e extratos vegetais como substitutos aos produtos sintéticos no controle do gorgulho-do-feijão. Em pesquisa conduzida por Rodrigues (2022), o uso de óleo essencial de Protium heptaphyllum causou mortalidade superior a 90% dos adultos de C. maculatus após 48 horas de exposição. Resultados semelhantes foram obtidos com o uso de óleo de Ziziphus joazeiro, demonstrando o potencial da flora nativa brasileira nesse campo (LIMA, 2017).
Além da eficácia em condições laboratoriais, estudos como o de Brito (2022) avaliaram a persistência dos compostos ativos e sua compatibilidade com a germinação das sementes, um critério essencial para o uso em grãos destinados ao replantio. Nesses testes, os extratos vegetais demonstraram boa estabilidade e ausência de fitotoxicidade, favorecendo sua adoção em sistemas agroecológicos.
O trabalho de Silva (2020) avaliou diferentes formulações com extratos secos, óleos fixos e óleos essenciais de diversas espécies, incluindo aplicações diretas nos grãos e por contato residual. A pesquisa identificou que os tratamentos com maiores concentrações alcançaram mortalidade acima de 95% em C. maculatus, com custo operacional reduzido.
2.6. PERSPECTIVAS PARA O MANEJO INTEGRADO DE PRAGAS COM PLANTAS INSETICIDAS
O uso de extratos vegetais integra os princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que busca equilibrar eficácia, segurança e sustentabilidade. Em vez de eliminar completamente os insetos com químicos agressivos, o MIP propõe manter as populações de pragas abaixo do nível de dano econômico, utilizando múltiplas ferramentas, incluindo controle biológico, práticas culturais e produtos naturais (FERREIRA, 2023).
Dentro dessa abordagem, os óleos essenciais e extratos botânicos se destacam por não causarem resíduos químicos persistentes, terem baixa toxicidade para organismos não-alvo e favorecerem a biodiversidade no agroecossistema. Segundo Brito (2022), sua adoção é particularmente vantajosa em comunidades rurais e projetos de agricultura familiar, onde há menor acesso a defensivos agrícolas comerciais.
Todavia, ainda existem desafios, como a padronização da produção de extratos, a formulação adequada para aplicação em larga escala e a regulamentação legal para seu uso comercial. Nesse sentido, a pesquisa científica tem papel fundamental em desenvolver protocolos seguros, eficientes e economicamente viáveis para o uso de bioinseticidas derivados de plantas.
3 METODOLOGIA
COLETA DAS ESPÉCIES VEGETAIS UTILIZADAS E EXTRAÇÃO DOS ÓLEOS
Para produção dos extratos etanólico (EE) utilizou-se 10 kg de parte aérea e raiz de Malva-branca (Sida cordifolia) e Crista-de-galo (Heliotropium indicum L.) que foram coletadas, trituradas ainda verdes. Para o EE o material vegetal foi imerso em etanol 76,6%, após 72h foi realizado a filtragem, descartando-se os materiais sólidos, enquanto o solvente foi evaporado, em banho maria, a uma temperatura de 70 ºC, obtendo extratos etanólico brutos de consistência pastosa, das espécies já mencionadas.
Tabela 1 – Composição dos tratamentos utilizados no experimento, com o uso de extratos etanolicos de malva-branca (Sida cordifolia) e crista-de-galo (Heliotropium indicum L.), para teste de mortalidade em Callosobruchus maculatus, da cultura de feijão caupi.

Fonte: Elaborado pelos autores
COLETA E CRIAÇÃO DOS INSETOS
Os espécimes de Callosobruchus maculatus serão coletados em amostras do feijão caupi, obtidas no centro de abastecimento da cidade de Irecê e/ou comunidades rurais do município e levados ao laboratório e acondicionados em potes plásticos fechados contendo feijão, no qual serão feitos furos na tampa para permitir a circulação do ar. Os potes serão mantidos em sala com temperatura ambiente ou B.O.D. Constantemente realizara-se a troca dos insetos entre os potes, propiciando a manutenção de múltiplas gerações durante o experimento.
A identificação dos insetos ocorrerá segundo literatura especializada de Athié e Paula (2002).
TESTE DE MORTALIDADE
Para a realização dos testes preliminares foi utilizado o método de exposição à superfície contaminada. Placas de petri de 9,0 cm de diâmetro serão forradas com papel filtro e colocados dez grãos de feijão caupi sadios por placa. Com o auxílio de uma micropipeta, cada placa foi embebida com cada dose (tabela 1) da solução contendo EE, em seguida foram colocados dez espécimes adultos não sexados de Callosobruchus maculatus por placa. As placas foram cobertas com tecido do tipo voil preso por um elástico, permitindo a circulação de ar. Foi realizada a contagem cumulativa dos insetos 12, 24, 48 e 72 horas após a aplicação dos tratamentos. Como controles foram utilizados água destilada. Para avaliação da mortalidade foram considerados vivos todos os insetos que move-se qualquer parte do corpo mesmo quando estimulados (SANTOS et al.,2007).
Os dados foram submetidos ao teste F, com níveis de significância de 0,05% para a realização da análise de variância (ANOVA). As médias das variáveis foram comparadas utilizando o teste de scott-knott a 5% de probabilidade. As análises estatísticas foram conduzidas utilizando o software SISVAR, versão 5.6 (Ferreira, 2011).
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS
Os resultados obtidos demonstraram que os extratos e óleos essenciais de diferentes espécies vegetais apresentam potencial significativo no controle de Callosobruchus maculatus, configurando-se como alternativas promissoras ao uso de inseticidas sintéticos. Entre as espécies avaliadas, Jatropha gossypiifolia (pinhão-roxo) destacou-se por causar elevada mortalidade e redução na oviposição, atribuída à presença de compostos diterpenoides e alcaloides com ação tóxica direta sobre os insetos (ALVES et al., 2020).
Os resultados demonstraram efeito significativo dos extratos etanólicos de crista-degalo (Heliotropium indicum L.) e de malva-branca (Sida cordifolia) sobre adultos do inseto, evidenciando resposta dependente da dose e do tempo de exposição (Tabela 2; Gráficos 1 e 2). De modo geral, verificou-se incremento progressivo da mortalidade ao longo das leituras de 12, 24, 48 e 72 horas, principalmente nos tratamentos com maior concentração (2,0%), indicando ação inseticida de caráter cumulativo.
Na Tabela 2 observa-se que o tratamento T1, correspondente à maior dose do extrato de H. indicum, promoveu mortalidade média de 9,25 insetos já nas primeiras 12 horas, alcançando 10,00 indivíduos a partir de 24 horas, diferindo estatisticamente dos tratamentos de menor concentração pelo critério de Scott-Knott (p ≤ 0,05). Resultado semelhante foi verificado para o tratamento T3, confirmando elevada eficiência do extrato mesmo em curto período de exposição. Em contrapartida, o tratamento testemunha (T0) apresentou baixa mortalidade, variando de 1,50 a 5,00 insetos, o que reforça que o efeito observado decorre da ação dos compostos bioativos presentes nos extratos e não de fatores ambientais.
Tabela 2 – Valores médios obtidos do teste de mortalidade em Callosobruchus maculatus, da cultura de feijão caupi, submetido a doses de extrato etanolicos de malva-branca (Sida cordifolia) e crista-de-galo (Heliotropium indicum L.).

Médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna pertencem ao mesmo agrupamento pelo Critério de Scott-Knott ao nível de 5% de probabilidade pelo teste F. CV (%): coeficiente de variação.
O Gráfico 1 evidencia de forma visual a tendência crescente da mortalidade em função do aumento da dose do extrato de crista-de-galo. A concentração de 2,0% manteve mortalidade máxima em todas as leituras, enquanto a dose de 0,5% apresentou efeito intermediário e progressivo, alcançando média de 5,75 insetos após 72 horas. Esses resultados indicam relação dose-resposta bem definida, aspecto fundamental para a recomendação de uso em condições práticas.
Para o extrato de malva-branca (S. cordifolia), apresentado no Gráfico 2, observou-se padrão semelhante, porém com mortalidade ligeiramente inferior à obtida com H. indicum. A dose de 2,0% resultou em 8,25 insetos mortos nas primeiras 12 horas e atingiu 10,00 aos 72 horas. Já a concentração de 0,5% promoveu mortalidade gradual de 2,50 para 8,00 insetos no mesmo período. Esses dados indicam que, embora ambas as espécies sejam promissoras, o extrato de crista-de-galo apresentou maior rapidez de ação.
O coeficiente de variação obtido (12,13 a 26,70%) indica precisão experimental satisfatória para ensaios biológicos com insetos, cujos valores tendem a apresentar maior variabilidade em função do comportamento dos organismos avaliados. A separação de médias pelo teste de Scott-Knott confirmou diferenças significativas entre as doses, validando estatisticamente a eficácia dos tratamentos.
Comparando-se os dois extratos, verifica-se que ambos apresentaram potencial para o controle de C. maculatus, com destaque para H. indicum, que alcançou mortalidade total em menor tempo.
Gráfico 1 – Mortalidade média obtidos do teste de mortalidade em Callosobruchus maculatus, da cultura de feijão caupi, submetido a doses de extrato etanolico de crista-de-galo (Heliotropium indicum L.).

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2024.
Gráfico 2 – Mortalidade média obtidos do teste de mortalidade em Callosobruchus maculatus, da cultura de feijão caupi, submetido a doses de extrato etanolico de malva-branca (Sida cordifolia).

Fonte: Elaborado pelo Autor, 2024.
De forma semelhante, Cnidoscolus quercifolius, espécie nativa do semiárido nordestino, apresentou efeito repelente e inibição alimentar em adultos, devido à ação de triterpenos e compostos fenólicos, o que reforça seu potencial no manejo agroecológico (ALVES et al., 2020). Já o óleo essencial de Cymbopogon nardus (capim-citronela) demonstrou alta toxicidade e capacidade repelente, reduzindo significativamente a fecundidade de C. maculatus em virtude da ação do citronelal, seu principal componente ativo (ALVES, 2015).
Por sua vez, o óleo essencial de Ageratum conyzoides (mentrasto) mostrou eficácia no controle de adultos e larvas, com efeito fumigante e de fácil aplicação em ambientes de armazenamento (SILVA, 2019). Por fim, o extrato metanólico de Ziziphus joazeiro (juazeiro) apresentou mortalidade expressiva e inibição da postura, associadas à presença de saponinas e alcaloides, além de boa estabilidade química em condições de armazenamento (LIMA, 2017). Em conjunto, esses resultados confirmam o potencial dos extratos vegetais como estratégias sustentáveis, acessíveis e ambientalmente seguras no manejo de pragas de grãos armazenados, especialmente em sistemas de produção familiar (COSTA, 2021; BRITO, 2022).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os resultados desta pesquisa evidenciam, o potencial promissor, inseticida dos extratos etanólicos de Sida cordifolia (malva-branca) e Heliotropium indicum (crista-de-galo) no controle de Callosobruchus maculatus, inseto-praga de elevada importância econômica e agronômica no armazenamento do feijão-caupi (Vigna unguiculata). A progressiva mortalidade observada ao longo das 72 horas de exposição, com destaque para os tratamentos de maior concentração, revela a presença de compostos bioativos altamente eficazes, com efeitos cumulativos sobre os adultos da espécie-alvo.
Essa eficácia, somada à rusticidade, disponibilidade e adaptabilidade das plantas utilizadas, posiciona essas espécies espontâneas como aliadas estratégicas para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis no contexto da agricultura familiar, especialmente nas regiões semiáridas do Brasil. Os extratos avaliados mostraram-se não apenas efetivos, mas também viáveis do ponto de vista econômico, ambiental e social, alinhando-se aos princípios do Manejo Integrado de Pragas (MIP) e da agroecologia.
Ressalta-se, ainda, que o uso racional de extratos vegetais representa uma ruptura importante com a dependência histórica de inseticidas sintéticos, os quais, embora eficazes a curto prazo, impõem custos ambientais, sanitários e econômicos significativos. A adoção de estratégias fitossanitárias baseadas em produtos naturais reforça o compromisso com uma agricultura resiliente, segura e socialmente justa.
Entretanto, para que a aplicação desses bioinsumos seja efetivamente integrada às práticas agrícolas em larga escala, torna-se imprescindível o aprofundamento em estudos complementares que envolvam a caracterização fitoquímica detalhada, a avaliação da estabilidade dos compostos, os impactos sobre organismos não alvo, bem como a padronização dos métodos de extração e aplicação.
Dessa forma, os achados desta pesquisa não apenas validam o uso de Sida cordifolia e Heliotropium indicum como alternativas sustentáveis no controle de C. maculatus, como também contribuem significativamente para a consolidação de práticas agrícolas menos agressivas, mais eficientes e profundamente conectadas à realidade dos produtores do semiárido brasileiro.
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1Engenheiro Agrônomo pela da Faculdade de Irecê (FAI). Orientando. Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). E-mails: leo.agronomo1@gmail.com.
2Engenheiros Agrônomos pela da Faculdade de Irecê (FAI). Integrantes do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). E-mails: leo.agronomo1@gmail.com; emersonnunes077@gmail.com; aliciagoncalves.8320@gmail.com; tailande97@gmail.com; eng.agronomoitalorafael@gmail.com.
3Discente do Curso Superior de Engenharia agronômica da Faculdade de Irecê (FAI). Integrante do Grupo de Estudos e
Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). E-mail: 20237404@faifaculdade.com.br
4Mestranda em Defesa Agropecuária da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Campus de Cruz das Almas, Bahia. Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO)E-mail: alecrimcarina98@gmail.com.
5Docente do Curso Superior de Engenharia agronômica da Faculdade de Irecê (FAI). Orientador. Coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisa Agropecuária (GEPAGRO). Doutorando em Defesa Agropecuária da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). E-mail: lucas.barbosa@@faifaculdade.com.br
