EFFICACY OF PHARMACOLOGICAL THERAPIES X NON PHARMACOLOGICAL THERAPIES IN THE TREATMENT OF MIGRAINE: A BIBLIOGRAPHIC REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510091301
Lívia Oliveira Garcia
Marckus Vinnicius dos Santos Mendes
Maria Eduarda Prudente de Moura
Camila Gama dos Santos Campbell
REVISÃO INTEGRATIVA DE LITERATURA
RESUMO
Introdução: A enxaqueca é uma condição neurológica complexa e recorrente, que afeta uma parcela expressiva da população mundial, sendo especialmente prevalente entre adultos em idade produtiva que caracteriza-se por crises de dor de cabeça de intensidade moderada a grave, frequentemente acompanhadas de náuseas, fotofobia e fonofobia, além de possível aura em alguns casos. Objetivo: Descrever a eficácia da utilização das terapias farmacológicas e não farmacológicas no tratamento da enxaqueca, devido o impacto significativo da mesma na qualidade de vida. Métodos: Esta revisão integrativa teve como objetivo comparar a eficácia de terapias farmacológicas e não farmacológicas no tratamento da enxaqueca. Resultados: análise de 15 artigos publicados entre 2020 e 2024 nas bases PubMed, SciELO e LILACS. Discussão: As intervenções farmacológicas analisadas incluíram triptanos, lasmiditan e terapias anti‑CGRP; as não farmacológicas incluíram acupuntura, terapia cognitivo‑comportamental (TCC), técnicas de relaxamento, biofeedback e terapias digitais. Conclusão: Os achados indicam benefício confirmado das terapias farmacológicas para alívio agudo e prevenção em casos selecionados, enquanto intervenções não farmacológicas demonstraram redução na frequência de crises e melhor adaptação ao manejo crônico. A associação de abordagens farmacológicas com intervenções comportamentais e fisioterápicas mostrou resultados promissores.
Palavras-chave: Transtornos de Enxaqueca; Tratamento Farmacológico; Terapias Alternativas
ABSTRACT
Introduction: Migraine is a complex and recurrent neurological condition that affects a significant portion of the global population. It is especially prevalent among working-age adults. It is characterized by moderate-to-severe headache attacks, often accompanied by nausea, photophobia, and phonophobia, and possible aura in some cases. Objective: To describe the effectiveness of pharmacological and non-pharmacological therapies in the treatment of migraine, given its significant impact on quality of life. Methods: This integrative review aimed to compare the effectiveness of pharmacological and non-pharmacological therapies in the treatment of migraine. Results: Analysis of 15 articles published between 2020 and 2024 in the PubMed, SciELO, and LILACS databases. Discussion: The pharmacological interventions analyzed included triptans, lasmiditan, and anti-CGRP therapies; Non pharmacological interventions included acupuncture, cognitive behavioral therapy (CBT), relaxation techniques, biofeedback, and digital therapies. Conclusion: The findings indicate a confirmed benefit of pharmacological therapies for acute relief and prevention in selected cases, while non-pharmacological interventions demonstrated a reduction in attack frequency and improved adaptation to chronic management. The combination of pharmacological approaches with behavioral and physical therapy interventions showed promising results.
Keywords: Migraine Disorders; Pharmacological Treatment; Alternative Therapies.
INTRODUÇÃO
A enxaqueca é uma condição neurológica complexa e recorrente, que afeta uma parcela expressiva da população mundial, sendo especialmente prevalente entre adultos em idade produtiva. Caracteriza-se por crises de dor de cabeça de intensidade moderada a grave, frequentemente acompanhadas de náuseas, fotofobia e fonofobia, além de possível aura em alguns casos. Além do sofrimento individual, essa condição representa uma das principais causas de anos vividos com incapacidade, segundo estimativas globais de carga de doença. Assim, seu manejo adequado é considerado uma prioridade em saúde pública, dada sua relevância clínica, social e econômica.
O tratamento da enxaqueca tradicionalmente se divide em duas abordagens principais: a terapêutica aguda, voltada para o alívio dos sintomas durante as crises, e a terapêutica preventiva, cujo objetivo é reduzir a frequência e intensidade dos episódios. As opções farmacológicas para ambas as abordagens vêm sendo continuamente aprimoradas, incorporando novos agentes com mecanismos de ação mais específicos e perfis de segurança mais favoráveis. Ainda assim, uma parcela significativa dos pacientes permanece insatisfeita com os resultados obtidos exclusivamente com medicamentos, o que tem impulsionado a busca por abordagens terapêuticas complementares.
Nos últimos anos, destacam-se avanços importantes no campo do tratamento preventivo, com a introdução de novas classes de fármacos, como os anticorpos monoclonais direcionados ao peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP) ou ao seu receptor. Esses agentes representam uma inovação significativa ao atuarem de maneira mais seletiva nos mecanismos fisiopatológicos da enxaqueca, demonstrando eficácia consistente na redução da frequência das crises, com menor incidência de efeitos adversos em comparação a tratamentos tradicionais. No entanto, o alto custo e o acesso limitado ainda representam desafios à ampla adoção desses medicamentos (JAIMES, et. al., 2024).
Paralelamente ao desenvolvimento farmacológico, tem-se observado uma revalorização das abordagens não farmacológicas, especialmente aquelas baseadas em intervenções comportamentais e práticas integrativas (TREADWELL, et. al., 2024). A Terapia cognitivo-comportamental (TCC), técnicas de relaxamento, biofeedback e a acupuntura têm sido objeto de crescente interesse científico, com evidências sugerindo sua eficácia tanto na prevenção quanto na atenuação da gravidade das crises. Essas estratégias oferecem vantagens adicionais por abordarem aspectos psicossociais frequentemente associados à enxaqueca, como estresse, ansiedade e distúrbios do sono (BAE, et. al., 2021).
Diante desse panorama, torna-se relevante realizar uma análise comparativa das abordagens farmacológicas e não farmacológicas no manejo da enxaqueca, considerando não apenas sua eficácia clínica, mas também aspectos como segurança, tolerabilidade, custo e impacto na qualidade de vida dos pacientes. Esta revisão propõe-se a examinar criticamente as evidências disponíveis sobre essas diferentes estratégias terapêuticas, com o objetivo de contribuir para uma abordagem mais individualizada, integrada e centrada no paciente.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa, qualitativa e descritiva, sendo que todas as buscas foram realizadas nas bases PubMed, SciELO e LILACS entre os meses de julho a setembro de 2025, evidenciando o corte temporal de 2020-2024.
Foram empregados os descritores “transtornos de enxaqueca”, “tratamento farmacológico” (triptanos, lasmiditan, anti‑CGRP) e “terapias alternativas” (acupuntura, TCC, biofeedback, relaxamento, terapias digitais) e os boleanos “and” e “or”. Como critérios de inclusão utilizou-se: artigos originais e revisões publicados entre 2020 e 2024, em português, inglês ou espanhol, com texto completo disponível, seguidos pelos critérios de exclusão que foram: relatos de caso, teses e publicações fora do período estabelecido.
O processo de seleção após todas as aplicações, resultou em 15 estudos finais que serão utilizados para a elaboração do estudo em questão, conforme fluxogramas por base de dados.
Foram identificados inicialmente 1.058 registros, sendo: PubMed: 520; SciELO:310; LILACS: 228. Após triagem e aplicação de critérios, 15 estudos foram selecionados para a realização da análise final.
Fluxograma 1: Seleção de artigos nas bases de dados através da aplicação de descritores, critérios de inclusão e de exclusão:

Fluxograma 2: Seleção de artigos na base de dados Pubmed após a implementação dos filtros selecionados para o estudo:

Fluxograma 3: Seleção de artigos na base de dados SciELO após a implementação dos filtros selecionados para o estudo:

Fluxograma 4: Seleção de artigos na base de dados LILACS após a implementação dos filtros selecionados para o estudo:

RESULTADOS E DISCUSSÃO
Conforme descrito na metodologia, foram selecionados 15 artigos finais para análise na integra elaboração do estudo científico em questão. Estas referências bibliográficas estão apresentadas no quadro abaixo, que demonstra de forma clara o título, o (s) autor (es), objetivo, metodologia e os principais resultados alcançados em cada um, possibilitando assim o estudo do tema em questão e a conclusão do tema escolhido.
Quadro 1: Artigos selecionados para a revisão.
| TÍTULO | AUTOR(ES) E ANO | OBJETIVO | MÉTODO | PRINCIPAIS RESULTADOS |
| Cognitive Behavioral Therapy for Migraine Headache: A systematic review and meta-analysis | BAE, J.Y., et. al., 2021. | Avaliar a eficácia da TCC no tratamento da enxaqueca. | Revisão sistemática e meta-análise de ECRs e estudos controlados. | TCC reduziu frequência de cefaleias e escore MIDAS; poucos eventos adversos. |
| Efficacy of Acupuncture Treatment of Migraine Delivered by Physicians vs. Trained Lay Practitioners | ZHOU, J., et. al., 2022. | Analisar eficácia da acupuntura na profilaxia da enxaqueca. | Ensaio clínico randomizado e revisão de ensaios controlados. | Acupuntura associada à redução da frequência de crises e do uso de analgesia. |
| Efficacy of Acupuncture Related Therapy for Migraine: A 2024 review | LIU, Y., et. al., 2024. | Sintetizar evidências sobre terapias relacionadas à acupuntura em enxaqueca. | Revisão sistemática de estudos clínicos. | Acupuntura mostrou redução do VAS e melhora na qualidade de vida em vários estudos. |
| Behavioral interventions for migraine prevention (Evidence report) | TREADWEL L, J.R., et. al., 2024. | Avaliar intervenções comportamen tais (CBT, relaxamento, biofeedback) para prevenção. | Relatório de evidências baseado em ensaios randomizados. | CBT, relaxamento e biofeedback podem reduzir frequência de crises; qualidade da evidência baixa a moderada. |
| Triptans: pharmacology and clinical use (overview) | NICOLAS, S., 2024. | Revisar a farmacologia e eficácia clínica dos triptanos. | Revisão narrativa/educacional. | Triptanos são eficazes para alívio agudo; várias formulações disponíveis. |
| Triptan non response in specialized headache care | RUSCHEWE YH, R., et. al., 2023. | Caracterizar falhas de resposta a triptanos e fatores associados. | Estudo observacional em ambulatório especializado. | Uma proporção significativa de pacientes apresenta resposta inadequada aos triptanos. |
| Advances in CGRP monoclonal antibodies as migraine preventive therapy | ADITYA, S., et. al., 2023. | Rever evidências sobre anticorpos anti‑CGRP na prevenção da enxaqueca. | Revisão narrativa de ensaios clínicos de fase II/III. | Anti‑CGRP mostram redução de dias de cefaleia por mês e boa tolerabilidade. |
| Effectiveness of switching strategies in CGRP monoclonal antibody nonresponders | JAIMES, A., et. al., 2024. | Avaliar eficácia de troca entre anti‑CGRP em não‑responde dores. | Estudo observacional multicêntrico. | Troca entre anticorpos resultou em benefício para alguns pacientes. |
| Acute treatment of migraine: Expert consensus and recommendat ions (2024) | ALSAADI, T., et. al., 2024. | Atualizar recomendações para tratamento agudo da enxaqueca. | Consenso de especialistas baseado em literatura recente. | Reforça uso precoce de triptanos, gepants e lasmiditan quando indicado. |
| New approaches: galcanezumab and other CGRP trials overview | JOHNSON, B., et. al., 2022. | Revisar resultados de ensaios clínicos de mAbs anti‑CGRP. | Revisão de ensaios fase III. | Galcanezumab e outros reduziram significativamente dias de cefaleia em episodic migraine. |
| Laser acupuncture in chronic migraine: randomized trial (2024) | WU, H.Y., et. al., 2024. | Investigar laser acupuncture como prevenção em enxaqueca crônica. | Ensaio clínico randomizado. | Redução nos dias de cefaleia mensais e no consumo de medicação aguda. |
| Digital and face-to-face cognitive behavioral therapy for migraine: indirect comparison (2024) | HUANG, Y.B., et. al., 2024. | Comparar eficácia de CBT digital versus presencial. | Análise comparativa indireta e meta análise. | Efeitos semelhantes na redução de frequência de cefaleias. |
| Efficacy of Lasmiditan as secondary treatment (2024) | SHIBATA, Y., et. al., 2024. | Avaliar lasmiditan em pacientes com resposta insuficiente a terapias padrão. | Estudo clínico multicêntrico. | Lasmiditan apresentou alívio significativo da dor em pacientes refratários. |
| Behavioral therapy in migraine: expanding therapeutic horizons (2024) | MÍNGUEZ‑ OLAONDO A., et. al., 2024. | Explorar mecanismos e eficácia das intervenções comportamentais. | Revisão narrativa e ensaios controlados. | BT reduz impacto da enxaqueca e melhora tolerância ao estresse. |
| Contralateral acupuncture for migraine without aura: randomized study (2024). | CHEN, Z., et. al., 2024. | Avaliar método de acupuntura contralateral na MWoA. | Ensaio clínico randomizado controlado. | Efeito positivo na redução da intensidade e frequência das crises. |
TERAPIAS FARMACOLÓGICAS NA ENXAQUECA
Os estudos analisados demonstram que as intervenções farmacológicas permanecem essenciais no manejo agudo da enxaqueca, tendo como ótimos resultados a utilização de triptanos sendo efetivos na resolução rápida da dor (NICOLAS, 2024).
No entanto, é possível observar que uma parcela considerável de pacientes apresenta o desenvolvimento de resposta inadequada, o que desencadeia a necessidade de implementação de alternativas terapêuticas e até mesmo a escolha de combinações terapêuticas (RUSCHEWEYH, et. al., 2023).
As terapias anti‑CGRP representam avanço significativo na prevenção da enxaqueca, pois atuam promovendo a redução dos dias de ocorrência de cefaleia no decorrer do mês e mostrando assim um perfil de tolerabilidade mais favorável em ensaios clínicos e revisões recentes (ADITYA, et, al., 2023; JOHNSON, et. al., 2022).
A terapêutica com anticorpos monoclonais anti-CGRP representa um avanço significativo no tratamento preventivo da enxaqueca, embora uma parcela dos pacientes não responda adequadamente à primeira opção prescrita. Nesse contexto, a estratégia de troca entre diferentes agentes dessa classe tem sido explorada como alternativa viável. Evidências de um estudo observacional multicêntrico indicam que, mesmo entre os considerados não respondedores iniciais, a substituição por outro anticorpo anti-CGRP pode resultar em melhora clínica significativa em determinados casos, sugerindo uma resposta individualizada ao perfil farmacológico de cada fármaco. Essa abordagem reforça a importância da personalização do tratamento e da reavaliação contínua da eficácia terapêutica no manejo da enxaqueca (JAIMES, et. al., 2024).
Lasmiditan e gepants entraram de forma benéfica nas análises, pois promoveram a ampliação das opções de tratamento que podem ser empregados de forma aguda para pacientes que não toleram bem, ou que simplesmente não respondem ao tratamento implementado com os triptanos, oferecendo assim possíveis alternativas que sejam eficazes, tendo estas sido identificadas em estudos multicêntricos (SHIBATA, et. al., 2024; ALSAADI, et.al., 2024).
TERAPIAS NÃO FARMACOLÓGICAS NA ENXAQUECA
Terapias não farmacológicas, especialmente abordando a acupuntura, com o tempo de utilização no mercado em diversos estudos e revisões bibliográficas realizados, tem demonstrado redução na frequência e intensidade da ocorrência das crises, sugerindo desta forma que existe um papel extremamente significativo em seu uso como terapia adjuvante ou alternativa quando a farmacoterapia passa a ser resistida ou se apresenta com limitações de implementação (ZHOU, et. al., 2022; LIU, et. al., 2024).
Nas terapias que envolvem as intervenções comportamentais, como por exemplo a Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), o biofeedback e as técnicas de relaxamento, podem ser responsáveis por reduzir a frequência de ataques e a incapacidade relacionada, comumente apresentando baixo perfil de efeitos adversos, sendo ainda bastante úteis como parte de um plano multimodal que pode ser implementado (BAE, et. al., 2021; TREADWELL, et. al., 2024).
As terapias comportamentais têm se mostrado promissoras no contexto do manejo da enxaqueca, ampliando as possibilidades terapêuticas disponíveis para pacientes que convivem com essa condição crônica. Essas intervenções, fundamentadas em abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, o biofeedback e técnicas de relaxamento, demonstram eficácia não apenas na redução da frequência e intensidade das crises, mas também na melhoria da resposta ao estresse, fator frequentemente associado à exacerbação dos sintomas. A literatura recente aponta que essas estratégias contribuem significativamente para a diminuição do impacto funcional da enxaqueca na vida dos indivíduos, favorecendo uma melhor qualidade de vida e controle da doença a longo prazo (MÍNGUEZ-OLAONDO et al., 2024).
No mesmo parâmetro de análise de terapias não farmacológicas, observa-se que as modalidades digitais de Terapia Cognitivo Comportamental, demonstraram eficácia bastante considerável, quando comparadas às intervenções presenciais em análises indiretas (HUANG, et. al., 2024).
Este fator, favorece a ampliação do acesso ao tratamento não farmacológico para aquelas populações que apresentam em seu cotidiano dificuldades de adesão ao manejo presencial, como barreiras geográficas ou limitantes de recursos (HUANG, et. al., 2024).
Ainda vale ressaltar que determinados procedimentos como o laser‑acupuntura representa uma das abordagens inovadoras que vem mostrando resultados considerados promissores em estudos realizados em tempos recentes, reforçando então, a necessidade de pesquisas adicionais para definir novos e mais eficazes protocolos e as suas durações ideais (WU, et. al., 2024; CHEN, et. al., 2024).
As evidências estatísticas ainda conseguem apontar que a associação dos variados tratamentos farmacológicos existentes, com as intervenções não farmacológicas, prometem otimizar os desfechos das crises de enxaqueca, reduzir o consumo de analgésicos e melhorar assim, qualidade de vida do indivíduo, sustentando desta forma a recomendação de um manejo multimodal que seja elaborado de forma individualizada, ou seja, de acordo com as demandas e necessidades apresentadas pelo paciente (ADITYA, et. al., 2023; BAE, et. al., 2021).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa, os achados relacionados aos avanços ocorridos no corte temporal que compreende os anos de 2020 até 2024 nas estratégias terapêuticas para enxaqueca evidenciam a importância de uma abordagem mais ampla e integrada, em que o cuidado farmacêutico desempenha um papel fundamental.
Considerando a complexidade dessa condição neurológica, acredita-se que a escolha do tratamento mais adequado deve ser pautada não apenas na eficácia clínica das intervenções, mas também na análise criteriosa de fatores como comorbidades, perfil de segurança dos medicamentos, além das preferências e experiências do paciente.
Foi possível identificar que o farmacêutico clínico, como parte da equipe multiprofissional, pode contribuir significativamente para a otimização da farmacoterapia, promovendo o uso racional de medicamentos, monitorando reações adversas e orientando sobre a adesão ao tratamento. A combinação entre terapias farmacológicas e não farmacológicas, como a terapia cognitivo-comportamental, técnicas de relaxamento e acupuntura, configura-se como uma alternativa promissora, especialmente em situações onde há refratariedade ao tratamento convencional ou quando se busca minimizar a exposição prolongada a fármacos.
Conclui-se, portanto, que o cuidado à pessoa com enxaqueca deve ser estruturado de maneira interdisciplinar, com atenção especial ao papel do farmacêutico no acompanhamento terapêutico contínuo, promovendo uma abordagem centrada no paciente e alinhada aos princípios da medicina personalizada e do cuidado integral em saúde.
REFERÊNCIAS
BAE, J. Y. et al. Cognitive Behavioral Therapy for Migraine Headache: a systematic review and meta-analysis. Journal (ou base), 2021.
ZHOU, J. et al. Efficacy of Acupuncture Treatment of Migraine Delivered by Physicians vs. Trained Lay Practitioners. Frontiers in Neurology, 2022.
LIU, Y. et al. Efficacy of Acupuncture-Related Therapy for Migraine. Journal, 2024.
TREADWELL, J. R. et al. Behavioral interventions for migraine prevention. Evidence report. 2024.
NICOLAS, S. Triptans – Stat Pearls. 2024.
RUSCHEWEYH, R. et al. Triptan non-response in specialized headache care. Journal, 2023.
ADITYA, S. et al. Advances in CGRP monoclonal antibodies as migraine preventive therapy. Review, 2023.
JAIMES, A. et al. Effectiveness of switching strategies in CGRP monoclonal antibody nonresponders. 2024.
ALSAADI, T. et al. Acute treatment of migraine: Expert consensus and recommendations. 2024.
JOHNSON, B. et al. New approaches to CGRP trials overview. 2022. WU, H. Y. et al. Laser acupuncture in chronic migraine: randomized trial. 2024.
HUANG, Y. B. et al. Digital and face-to-face CBT for migraine: indirect comparison. 2024.
SHIBATA, Y. et al. Efficacy of Lasmiditan as secondary treatment. 2024.
MÍNGUEZ-OLAONDO, A. et al. Behavioral therapy in migraine: expanding therapeutic horizons. 2024.
CHEN, Z. et al. Contralateral acupuncture for migraine without aura. 2024.
