EFICÁCIA DA CÂMARA HIPERBÁRICA NO TRATAMENTO DA OSTEORRADIONECROSE DOS MAXILARES: UMA REVISÃO DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511191318


Mariam Hassan Fahs
Orientador: Yann Phillipp Gomes


RESUMO 

O presente trabalho teve como objetivo revisar acerca da eficácia da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento da osteorradionecrose dos maxilares decorrente em pacientes submetidos à radioterapia. Foi realizada uma revisão integrativa da literatura com busca nas seguintes bases de dados: PubMed, SciELO, MEDLINE e LILACS e foram analisados artigos nos idiomas português e inglês, entre os anos de 2019 e 2025. Para compor a revisão de literatura, foram selecionados oito artigos (estudos clínicos randomizados e relatos de caso) que demonstraram os benefícios da terapia hiperbárica no processo de cicatrização e angiogênese, melhorando a erosão óssea dos maxilares, abordando tanto essa terapia pré e pós cirúrgica. No entanto, sua eficácia comprovada de forma isolada ainda é controvérsia pois necessita-se de maiores estudos com protocolos padronizados para consolidar sua eficácia como tratamento de primeira linha. A análise crítica dos trabalhos também evidenciou divergências de protocolos terapêuticos e aplicações metodológicas, o que dificulta a padronização da terapia. Podemos concluir que a oxigenoterapia hiperbárica tem um potencial cicatrizante na osteorradionecrose dos maxilares, mas deve ser indicada de forma criteriosa visto que o manejo da terapia também enfrenta alguns desafios pelo seu alto custo, baixa disponibilidade na rede pública e necessidade de uma infraestrutura especializada.  

Palavras-chave: Osteorradionecrose. Oxigenoterapia hiperbárica. Câncer de cabeça e pescoço. Radioterapia. Cicatrização Óssea. Oncologia. Osteorradionecrose dos maxilares. 

ABSTRACT 

This study aimed to review the efficacy of hyperbaric oxygen therapy in the treatment of osteoradionecrosis of the jaws in patients undergoing radiotherapy. An integrative literature review was conducted, searching the following databases: PubMed, SciELO, MEDLINE, and LILACS. Articles published between 2019 and 2025 in Portuguese and English were analyzed. Eight articles (randomized clinical studies and case reports) demonstrating the benefits of hyperbaric therapy in healing and angiogenesis, improving bone erosion of the jaws, were selected for the literature review, addressing both pre- and post-surgical therapy. However, its proven efficacy in isolation remains controversial, as larger studies with standardized protocols are needed to consolidate its effectiveness as a first-line treatment. Critical analysis of the studies also revealed divergences in therapeutic protocols and methodological applications, which hinder standardization of the therapy. We can conclude that hyperbaric oxygen therapy has healing potential in osteoradionecrosis of the jaw, but it should be indicated judiciously since the management of the therapy also faces some challenges due to its high cost, low availability in the public network and the need for specialized infrastructure. 

Keywords: Osteoradionecrosis. Hyperbaric oxygen therapy. Head and neck cancer. Radiotherapy. Bone healing. Oncology. Osteoradionecrosis of the jaw.

1. INTRODUÇÃO 

O câncer de cabeça e pescoço constitui um conjunto de neoplasias malignas que acometem regiões como cavidade oral, faringe, laringe, glândulas salivares e estruturas adjacentes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 200 mil novos casos são diagnosticados anualmente em todo o mundo. No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam-se 13.470 novos casos por ano, sendo o câncer bucal responsável por cerca de 2% do total de diagnósticos oncológicos. Trata-se de uma condição com alta taxa de morbidade e mortalidade, cujas taxas de sobrevida variam entre 40% e 50% dos pacientes (GORMLEY et al., 2022). 

O tratamento padrão para as neoplasias de cabeça e pescoço consiste na abordagem clínica com o tratamento de radioterapia, quimioterapia adjuvante e em casos mais avançados, procedimentos cirúrgicos. Embora a radioterapia desempenhe um papel crucial no controle tumoral, o tratamento pode levar a consequências na região irradiada como o comprometimento da vascularização local, diminuição da oxigenação, deficiência na cicatrização e alterações irreversíveis nos tecidos, levando a um quadro de osteorradionecrose dos maxilares (ORN) (Galbiatti et al., 2013). 

A ORN é caracterizada pela necrose óssea persistente na região do osso mandibular e maxilar, sem sinais de cicatrização por um período mínimo de oito meses, decorrente das alterações teciduais causadas pela radioterapia (redução da vascularização e oxigenação). Esse quadro compromete as funções orais, impactando na capacidade funcional e qualidade de vida do paciente acometido (Ribeiro et al., 2018). 

Nesse cenário, a oxigenoterapia hiperbárica (OHB) surge como uma alternativa terapêutica adjuvante aos tratamentos convencionais das sequelas deixadas pela ORN. A terapia hiperbárica começou a ser utilizada na década de 1930 e foi incorporada em casos odontológicos nos anos 70. Ela consiste na administração de oxigênio a 100% em câmaras pressurizadas, aumentando a oxigenação tecidual e estimulando processos de cicatrização, angiogênese e defesa imunológica (Re et al., 2019). 

Estudos relatam benefícios no fechamento de feridas, no alívio da dor e na redução da área necrótica, embora existam resultados divergentes quanto à sua eficácia, especialmente em casos mais avançados de ORN. No Brasil, o uso da OHB é limitado por fatores como alto custo, necessidade de infraestrutura especializada e baixa disponibilidade em centros públicos, o que reforça a importância de pesquisas que avaliem sua efetividade clínica (Andrade; Santos, 2016). 

Diante das inúmeras sequelas que o câncer de cabeça e pescoço podem trazer, uma delas se dá pelo seu próprio tratamento com radioterapia. A fim de amenizar esses efeitos, o presente estudo se justifica pela necessidade de aprimorar o conhecimento sobre o direcionamento que a literatura tem dado ao tema, contribuindo para que essa alternativa terapêutica se torne cada vez mais conhecida no tratamento de pacientes oncológicos. 

Assim, o presente estudo tem como objetivo de pesquisa descrever a eficácia do uso da câmara hiperbárica no tratamento da osteorradionecrose, investigando seus efeitos e benefícios nas complicações decorrentes da radioterapia, que acomete em sua maioria os ossos da mandíbula e da maxila no câncer de cabeça e pescoço. 

2. OBJETIVOS 

2.1 Objetivo Geral 

Analisar por meio de revisão integrativa da literatura a eficácia da oxigenoterapia hiperbárica no tratamento da osteorradionecrose dos maxilares em pacientes submetidos à radioterapia. 

2.2 Objetivos Específicos 

  • Caracterizar os mecanismos fisiopatológicos da osteorradionecrose e seu impacto nos maxilares após radioterapia. 
  • Avaliar a eficácia da oxigenoterapia hiperbárica na cicatrização óssea e melhora dos sintomas em pacientes com osteorradionecrose dos maxilares. 
  • Identificar os protocolos terapêuticos de oxigenoterapia hiperbárica utilizados no tratamento da osteorradionecrose e seus resultados clínicos. 
  • Analisar a aplicabilidade da oxigenoterapia hiperbárica como terapia adjuvante em diferentes estágios da osteorradionecrose dos maxilares. 
  • Discutir os desafios e limitações da oxigenoterapia hiperbárica no contexto do tratamento da osteorradionecrose. 

3. REVISÃO DA LITERATURA 

3.1 Osteorradionecrose 

A radiação ionizante utilizada no tratamento oncológico possui efeito desfavorável em tecidos moles e duros, levando a danificação tecidual com endarterite progressiva, fibrose do periósteo, hialinização, isquemia e necrose óssea. A destruição óssea também resulta em destruição vascular local e de componentes celulares. Histologicamente, os ossos afetados pela radiação tendem a uma diminuição de osteócitos e osteoblastos, prejudicando o ciclo normal de formação e remodelação óssea (JENWITHEESUK et al., 2018). 

Em relação a fisiopatologia da ORN, a radiação ionizante leva à peri e endarterite, hiperemia, hialinização, fibrose e trombose vascular (hipovascularização), com subsequente interferência na homeostase metabólica e tecidual, o que resultará em hipóxia e hipocelularidade. Outra teoria também bastante aceita é a desregulação da atividade fibroblástica, levando à formação de tecido atrófico em uma área previamente irradiada. Nesse processo, o fator de transformação do crescimento beta (TGF-β1), que é uma citocina pró-inflamatória, estimula a proliferação e diferenciação de fibroblastos, promovendo o depósito excessivo de colágeno e a formação de tecido fibrótico. A ativação do TGF-β1 desencadeia uma cascata inflamatória sustentada por outras citocinas, como IL-1, IL-6 e TNF-α, além de fatores de crescimento como PDGF e FGFb, que contribuem para a perpetuação da fibrose. Concomitantemente a esse processo, a radiação ionizante também gera espécies reativas de oxigênio (EROS), levando ao estresse oxidativo, hipóxia tecidual, dano endotelial e ativação crônica de fibroblastos. Além disso, a redução dos níveis de óxido nítrico e a peroxidação lipídica levam a alterações genéticas e disfunções na cicatrização óssea (Figura 1) (Costa; Ribeiro; Amaro, 2024). 

Figura 1 – Fisiopatologia da Osteorradionecrose de Maxilares.

Fonte: adaptado de Costa, Ribeiro e Amaro (2024). 

Inicialmente, a estrutura óssea apresenta-se em homeostase, com equilíbrio entre osteoblastos, osteoclastos e vasculatura íntegra. Após a exposição com a radiação ionizante (>50 Gy) algumas alterações significativas ocorrem nos maxilares como dano vascular, hipóxia tecidual, comprometendo a regeneração óssea. Na fase subsequente, a hipoperfusão prolongada gera hipocelularidade e hipovascularização, com depleção de células-tronco esqueléticas, gerando desequilíbrio osteoblástico e osteoclástico e substituição do tecido ósseo por adipócitos. Esses eventos levam a lacunas vazias de osteócitos, inflamação crônica local e necrose óssea (Figura 2) (Wang et al., 2024). 

Figura 2 – Características principais da osteorradionecrose dos maxilares.

Fonte: adaptado de Wang et al (2024). 

A população mais afetada pela ORN são os pacientes com neoplasias malignas que realizaram um longo curso de tratamento e aqueles com câncer primário originário da cavidade oral ou orofaringe que receberam doses de radiação ≥ 50 Gy e/ou foram submetidos a extrações dentárias ou colocação de implantes pós-radiação. A incidência desses casos varia entre 1-30% e normalmente se desenvolve nos primeiros 3 anos de radioterapia (JENWITHEESUK et al., 2018).  

A osteorradionecrose cursa clinicamente com dor, inchaço, úlcera, mucosa dolorosa não resolvida com evidência de osso exposto ou sequestro, trismo, hálito fétido, má oclusão, formação de telangiectasia, osso exposto com formação de fístula cutânea oral e fratura patológica em casos mais graves. O osso exposto geralmente tem uma textura de superfície áspera que desgasta o tecido mole adjacente e causa mais desconforto. Os tecidos ao redor do osso exposto podem ser endurecidos ou ulcerados por infecção ou tumor recorrente (BIANCARDI, 2021). 

A American Association of Oral Maxillofacial Surgeons (AAOMS) considera a existência de três parâmetros concomitantes para o diagnóstico: 1) tratamento atual ou prévio com medicamentos antirreabsortivos e/ou antiangiogênicos; 2) exposição óssea ou osso que pode ser sondado através de uma fístula intra ou extra oral que persiste por 8 ou mais semanas; 3) ausência de histórico de radiação nos maxilares ou doenças metastáticas nos maxilares. 

O tratamento da ORN varia de tratamento conservador a ressecção cirúrgica invasiva e reconstrução. O tratamento conservador inclui antibióticos, analgésicos, higiene oral, desbridamento de tecidos, sequestrectomia e medicamentos antifibrose por radiação (pentoxifilina e tocoferol). O tratamento cirúrgico envolve ressecção mais radical, frequentemente exigindo reconstrução com retalho livre (MATOS et al., 2022). 

3.2 Terapia Hiperbárica 

O oxigênio hiperbárico é conhecido por cicatrizar feridas que não haviam sido fechadas de forma tradicional. Essa técnica tem sido utilizada para tratar osso maxilar exposto à radioterapia desde a década de 70. Essa terapia tem como principal objetivo a formação de gradientes de oxigênio e a reversão de ambientes de hipóxia que causam apoptose de leucócitos, além da produção de EROS e nitrogênio que auxiliam na sinalização para a cicatrização de feridas. O recrutamento leucocitário e a produção de estresse oxidativo ativa a resposta imunológica do corpo, promovendo o processo cicatricial. A HBO também atua na função dos osteoclastos, visto que são moléculas reguladas pela sinalização de EROS (MOHANDAS et al., 2024).  

A terapia consiste em colocar o paciente em uma câmara monoplace tolerante à pressão, sozinho ou com mais de um paciente ou um terapeuta. A câmara é pressurizada a 2,4 atmosferas absolutas e, dependendo do protocolo, os pacientes permanecem por até uma hora. Embora o mecanismo de ação da oxigenoterapia hiperbárica não seja totalmente compreendido, sabe-se seu efeito benéfico é resultado de dois fatores: 100% de oxigênio inspirado e exposição à alta pressão atmosférica, aumentando, assim o número de moléculas que se difundem dos alvéolos para os capilares dos pulmões, resultando em um alto nível de oxigênio dissolvido no plasma, que será transportado e distribuído para todos os tecidos corporais circundantes (SULTAN et al., 2017; BOSCO et al., 2018).  

Gavriel et al. (2017) demonstrou os efeitos positivos da HBO em pacientes com lesões no maxilar induzidas por radioterapia. Os pacientes passaram por um protocolo em uma câmara multiplace por três fases (compressão, respiração de oxigênio e descompressão). A compressão e a descompressão foram realizadas com ar ambiente a uma taxa de 0,1 pressão atmosférica absoluta por minuto, enquanto durante a fase de respiração, 100% de oxigênio foi respirado a uma pressão de 2 atmosferas absolutas por 90 minutos. O estudo observou melhora clínica em 17 dos 20 pacientes, reduzindo a dor na região e nenhuma exposição óssea após o tratamento. 

Em contrapartida, embora a terapia HBO tenha muitos efeitos benéficos, o oxigênio em excesso pode levar a produção excessiva de EROS, podendo causar toxicidade do tecido pulmonar e levar à apoptose celular. Outras complicações também são relatadas como barotrauma do ouvido médio devido à diferença de pressão ambiente, piora temporária da miopia, sendo contraindicada para pacientes que apresentam claustrofobia, doença pulmonar obstrutiva crônica ou insuficiência cardíaca crônica (GENERAAL et al., 2020).  

4. METODOLOGIA

Diagrama 1 – Diagrama Prisma

Fonte: Os Autores

Trata-se de uma revisão integrativa da literatura que compreendeu as seguintes etapas de pesquisa:  1) formulação da pergunta norteadora; 2) busca na literatura; 3) coleta de dados relevantes; 4) análise crítica dos estudos incluídos; e 5) apresentação dos resultados obtidos de acordo com o método utilizado por Battistone; Kemeyou & Varpio, 2003, que teve como objetivo reunir e analisar artigos acerca do uso da câmara hiperbárica no tratamento da osteorradionecrose dos maxilares. 

Na primeira etapa, a questão norteadora foi formulada por meio da estratégia PICO, acrônimo das palavras: P- Paciente ou problema; I- Intervenção; Co- Contexto (Santos; Pimenta; Nobre, 2007). P: Pacientes com osteorradionecrose dos maxilares. I: Uso da terapia hiperbárica. C: Tratamentos convencionais ou ausência de intervenção. O: Melhora clínica e redução da necrose óssea.  

Na segunda etapa, o processo de busca e seleção dos artigos foi realizado consultando as seguintes bases de dados: National Library of Medicine (Pubmed), Scientific Eletronic Library Online (SciElo), Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS). Para padronizar as buscas nas bases de dados, foram utilizadas as seguintes palavras-chave de acordo com os Descritores de Saúde (DeCS): “Osteorradionecrose”, “Neoplasias de Cabeça e Pescoço” e “Radioterapia”. Os operadores booleanos “AND” e “OR” foram utilizados nas bases de dados. O diagrama 1 demonstrou o fluxograma da identificação, triagem e elegibilidade nas bases de dados dos artigos. 

Como critérios de inclusão para seleção dos artigos, foram incluídos estudos clínicos randomizados e relatos de casos publicados em português e inglês, no período de 2013 a 2025 que abordaram o uso da terapia hiperbárica em pacientes com osteorradionecrose dos maxilares. Foram excluídos estudos do tipo resumos, revisão de literatura, dissertações e teses, bem como os que não estejam de acordo com o tema ou artigos repetidos.  

Na terceira etapa, foi realizada a análise crítica dos estudos incluídos, devendo ser observado se os mesmos atendem os parâmetros impostos como critério de inclusão e exclusão escolhidos para serem utilizados no presente estudo. Assim, a amostra final foi organizada em uma tabela contendo os autores, objetivo, método/terapêutica e os principais resultados obtidos de cada artigo. 

5. RESULTADOS  

Ao total foram encontrados 540 artigos publicados relacionados ao tema osteorradionecrose dos maxilares, sendo selecionados 137 artigos para leitura completa. Foram incluídos os seguintes delineamentos: ensaios clínicos controlados e estudos de casos. Assim, foram incluídos artigos em inglês e português, nos anos de 2013 a 2025. Para compor a tabela foram selecionados 8 artigos que abordaram o uso da terapia hiperbárica na ORN dos maxilares e seus potenciais efeitos e benefícios na cicatrização óssea. 

Tabela 1 – Estudos selecionados para compor a revisão

Autor Objetivo Método/Terapêutica  Resultados 
Gupta et al., 2013 Determinar a eficácia da HBO no tratamento da ORN induzida por radiação. 33 indivíduos com ORN tratados com HBO durante o período de 2009 a 2011. A idade média dos pacientes foi de 60 anos. Foram tratados em uma câmara hiperbárica multiplace a 2,4 ATA, por 90 minutos, uma vez ao dia (30 sessões). Foi avaliado a melhora pré e pós-tratamento dos sintomas e a cicatrização da ferida intraoral. Dos 33 indivíduos, 48% (n = 16) dos casos apresentaram cicatrização completa da ferida, 18% (n = 6) apresentaram cicatrização acentuada, 24% com cicatrização leve (n = 8) e 9% (n = 3) dos casos não apresentaram alteração na cicatrização. 70% (23 de 33) dos casos apresentaram redução significativa da dor, 62% (18 de 29) melhora na abertura da mandíbula, 41% (11 de 27) e 71% (20 de 28) dos casos apresentaram melhora na capacidade de falar e na secura da boca, respectivamente.  
Dieleman et al., 2016 Avaliar o sucesso da OHB e da cirurgia no tratamento da ORN em relação à sua extensão. 27 pacientes com ORN foram identificados de um total de 509 pacientes com histórico de câncer primário oral ou da base da língua. Fora submetidos à radioterapia com intenção curativa (radiação 50Gy). A ORN apareceu cerca de 3 anos após o início da radioterapia. Foram submetidos à 40 sessões de OHB.   De todos os locais irradiados neste estudo, o assoalho da boca foi o mais associado à ORN (8,6%), enquanto a bochecha foi a menos associada (0%). Após a terapia hiperbárica isolada, 3 de 11 lesões em estágio I, 0 de 8 lesões em estágio II e 0 de 8 lesões em estágio III cicatrizaram (P = 0,0018). Com isso, a OHB pode ser recomendada para ORN em estágio I e II e para casos  
Jenwitheesuk et al., 2018 Determinar os benefícios do tratamento adjuvante da OHB em ORN. Um estudo retrospectivo foi conduzido no Hospital Srinagarind, entre 2011 e 2017. Os pacientes diagnosticados com ORN, que receberam OHB adjuvante antes da operação, foram incluídos. A cicatrização completa das feridas foi o desfecho primário. Havia 84 pacientes com ORN com idade média de 58,78 anos; 54,76% eram do sexo masculino e 45,24% do sexo feminino.OHB teve um papel significativo na melhora da cicatrização de feridas em pacientes com ORN nos estágios 1 e 2. A análise de regressão de Poisson mostrou que o estágio 3 da ORN correlacionou-se negativamente com o número de mergulhos com OHB (p = 0,001, razão de taxas de incidência = 0,85). Então, a terapia OHB melhorou a cicatrização de feridas em pacientes com ORN nos estágios 1 e 2.
Shaw et al., 2019 Estabelecer o benefício do OHB na prevenção de ORN após procedimentos cirúrgicos de alto risco na mandíbula irradiada. Participantes que necessitaram de extrações dentárias ou colocação de implantes na mandíbula com radioterapia prévia > 50 Gy foram recrutados, e foram designados em grupos que receberam ou não a terapia OHB. Todos receberam enxaguante bucal com clorexidina e antibióticos. Na OHB, o oxigênio foi administrado em 30 mergulhos diários a 100% de oxigênio com 2,4 atmosferas absolutas (ATA) por 80 a 90 min. Como desfecho primário, foi considerado o diagnóstico de ORN 6 meses após a cirurgia, e os desfechos secundários incluíram grau de ORN, ORN em outros pontos no tempo, sintomas agudos, dor e qualidade de vida. Um total de 144 pacientes foram randomizados (100 pacientes para o desfecho primário). A incidência de ORN em 6 meses foi de 6,4% e 5,7% para os grupos HBO e controle, respectivamente (razão de chances, 1,13; intervalo de confiança de 95%, 0,14-8,92; P = 1). Pacientes no braço hiperbárico tiveram menos sintomas agudos, mas não houve diferença significativa na dor tardia ou na qualidade de vida. O abandono foi maior no braço HBO, mas as características basais dos grupos que concluíram os estudos foram comparáveis entre os grupos. 
Korambayil et al., 2020 Estudar a eficácia da medicina hiperbárica em osteorradionecrose e feridas induzidas por irradiação. 30 pacientes diagnosticados com ORN foram submetidos à oxigenoterapia hiperbárica . Os resultados referentes à cicatrização da ferida e complicações clínicas foram avaliados. Dos 30 pacientes, 20 pacientes apresentavam lesão por radiação envolvendo a cavidade oral, 1 com membro inferior esquerdo, 1 com mama, 3 com lesão por radiação na bochecha, 3 na mandíbula, um com cistite por radiação e um envolvendo o alvéolo dentário.  A terapia hiperbárica se apresentou como um complemento útil no tratamento da ORN e na ferida pós-irradiação e se mostrou terapêutica em algumas feridas pós-irradiadas.
Palma et al., 2021 Relatar o tratamento de um caso de osteorradionecrose apenas com a OHB. Paciente do gênero masculino, 60 anos, que apresentou osteorradionecrose em Mandíbula + fratura patológica em decorrência do tratamento com radioterapia associado de quimioterapia em neoplasia de cabeça e pescoço (orofaringe). Paciente realizou um protocolo de 60 sessões OHB, sendo 30 sessões antes e 30 sessões depois do tratamento inicialmente planejado (cirurgia de fixação de fratura mandibular). Cada sessão durou 90 minutos, com pressão de 2,5 ATA.  Inicialmente, a equipe médica e odontológica indicou a cirurgia para reparo da ORN + a terapia hiperbárica.  Após as 30 sessões iniciais, os exames de imagem (tomografia e panorâmica) mostraram ausência de erosão óssea e correta cicatrização, o que levou à suspensão da cirurgia.  
Forner et al., 2022 Investigar o efeito do tratamento com HBO na ORN em dois ensaios clínicos multicêntricos, randomizados e controlados O pacientes com ORN com indicação de tratamento cirúrgico foram randomizados para o grupo 1: remoção cirúrgica do osso mandibular necrótico suplementado por 30 exposições de HBO pré e 10 pós-operatórias a 243 kPa por 90 minutos cada, ou grupo 2: remoção cirúrgica apenas do osso necrótico. O desfecho primário foi a cicatrização da ORN um ano após a cirurgia, avaliada por uma versão clinicamente ajustada dos Critérios Comuns de Toxicidade de Eventos Adversos (CTCAE) v 3.0. Os desfechos secundários incluíram xerostomia, taxas de salivação total estimulada e não estimulada, trismo, disfagia, dor, Atividades da Vida Diária (AVD) e qualidade de vida de acordo com a EORTC. Os dados foram combinados de dois ensaios clínicos separados. Noventa e sete foram inscritos e 65 foram elegíveis para a análise. No grupo 1, 70% (21/30) cicatrizaram em comparação com 51% (18/35) no grupo 2. A HBO foi associada a uma chance aumentada de cicatrização independente do grau ORN basal ou do tabagismo, bem como à melhora da xerostomia, da taxa de fluxo salivar total não estimulado e da disfagia. 
Mezri et al., 2025 Avaliar o papel da OHB no tratamento da ORN e identificar fatores preditivos que influenciam a evolução da ORN de cabeça e pescoço após a OHB. Foram incluídos 46 pacientes que receberam OHB para ORN de cabeça e pescoço entre 2017 e 2020. Os pacientes foram divididos em dois grupos: o Grupo 1 (n = 36) incluiu aqueles com regressão ou estabilização da ORN, enquanto o Grupo 2  (n = 10) compreendeu pacientes com piora das lesões. A ORN afetou a mandíbula em 93,5% dos pacientes, a maxila em 2 casos e a base do crânio em 4 casos. Todos os pacientes receberam OHB, com uma média de 44,65 sessões. A OHB pré-operatória foi administrada em 17% dos casos e a OHB pós-operatória em 42%. Após pelo menos 20 sessões, a ORN regrediu em 33% dos casos, estabilizou em 45% e piorou em 22%. A análise dos fatores que influenciam a progressão da ORN no estudo revelou associações significativas com pressão arterial elevada (p = 0,046), tamanho tumoral maior (p = 0,004), estágios tumorais avançados (p = 0,048), dose média de radiação (p = 0,002), atrasos entre o atendimento odontológico e a radioterapia (p = 0,045) e a localização da ORN na mandíbula (p = 0,049). Além disso, o número de sessões de OHB afetou significativamente a evolução da ORN, com mais sessões correlacionando-se com melhores resultados (p = 0,001). Na análise multivariada, variáveis como o intervalo médio entre o tratamento odontológico e a radioterapia (p = 0,043), bem como o número de sessões de OHB (p = 0,040) emergiram como influenciadores significativos da evolução da ORN.

Fonte: Os Autores 

6. DISCUSSÃO  

O tratamento de pacientes com câncer de cabeça e pescoço que são submetidos à radioterapia representa um desafio para as equipes multidisciplinares, pois geram sequelas graves que comprometem a funcionalidade e qualidade de vida do paciente. A HBO nos tecidos afetados pela radioterapia melhora a oxigenação tecidual, aumentando a tensão de oxigênio do sangue para o tecido, concentrando a cura da ORN na revascularização, que envolve o fornecimento de nutrição e oxigênio adequados ao tecido (SULTAN et al., 2017).  

A HBO vem sendo estudada há várias décadas, Greenwood e Gilchrist (1973) relataram pela primeira vez os benefícios da HBO na cicatrização de feridas em pacientes pós-radiação. McKenzie e colaboradores (1993) constataram a eficácia da HBO em 26 pacientes, com uma resolução de 69% (18 de 26 pacientes). No estudo de Gupta et al (2013) a cicatrização completa da ferida intraoral foi alcançada em 16 dos 33 pacientes com 30 sessões de HBO.  

Embora uma revisão sistemática tenha demonstrado que a HBO não deve ser utilizada nos estágios iniciais de ORN e somente após procedimentos cirúrgicos de ressecção ou reconstrução dos maxilares (BESSEREAU; ANNANE, 2010), as evidências recentes demonstram que a HBO deve ser utilizada nos estágios iniciais, tendo bons resultados, como apontado por Dieleman et al., 2017 que constatou sua eficácia em lesões de estágios inferiores da ORN (I e II). A ORN em estágio III geralmente requer uma ressecção segmentar da parte afetada da mandíbula. Após o processo cirúrgico utilizado em casos avançados, a OHB é indicada para promover a revascularização dos tecidos afetados e auxiliar na cicatrização da ferida após a reconstrução.  

Corroborando com os achados, o estudo de Jenwitheesuk et al (2018), em que a HBO teve um papel significativo na melhora da cicatrização de feridas em pacientes com ORN nos estágios 1 e 2, e esses pacientes necessitaram de maior número de mergulhos de OHB em comparação com outros tipos de ORN para promover a cicatrização de feridas. Já pacientes do estágio 3, que são mais avançados, necessitaram de desbridamento ósseo, resultando assim, de um número menor de mergulhos de OHB. 

Após o tratamento radioterápico, o diagnóstico da ORN pode ser tardio e seus efeitos a médio e longo prazo. Nesse estudo, foram comparados pacientes com diagnósticos tardios de ORN, nível de dor, comprometimento da qualidade de vida e ORN em outros períodos do tempo (curto e médio prazo após cirurgias reparadoras nos maxilares). Foi constatado que os pacientes que fizeram as intervenções com a HBO tiveram menos sintomas agudos mas não houve diferença na dor tardia ou na qualidade de vida entre os grupos (SHAW et al., 2019). 

A cirurgia reconstrutiva realizada pelo cirurgião bucomaxilofacial trabalha em conjunto com cirurgiões plásticos para realizar a reconstrução dos maxilares em lesões com ossos necróticos em estágios 1, 2 e 3. A HBO funciona nesses casos como terapia coadjuvante, melhorando a cicatrização e densidade vascular do osso reconstruído, sendo comprovada em estudos que a junção de HBO pré e pós cirúrgica mais uma abordagem cirúrgica agressiva melhora drasticamente a taxa de recuperação dos pacientes pós radioterapia (NIINOSKI; HUNT; DUNPHY, 1972), tendo uma taxa de aproximadamente 94% no osso mandibular, além disso também foi constatado que a identificação precoce da isquemia no osso e o tratamento hiperbárico antes da osteorradionecrose já estabelecida (SAHNI; SINGH; JOHN, 2003; KORAMBAYIL et al., 2020). 

Embora a literatura acima demonstre que a OHB é coadjuvante no tratamento pré e pós cirúrgico, o estudo de Palma et al (2021) demonstrou um caso clínico em que o paciente com osteorradionecrose severa e presença de fratura apresentou uma melhora clínica visível na erosão óssea e na cicatrização constatada pela tomografia computadorizada, não necessitando mais do procedimento cirúrgico. O estudo ainda destaca que o paciente passou por 30 sessões de OHB com duração de 90 minutos sob pressão de 2,5 ATA, um protocolo já preconizado pela resolução 1457/95 do Conselho Federal de Medicina (BRASIL, 1995).  

Corroborando com os achados acima, o estudo de Pioli e Franzi (2013) afirmou a cirurgia só deve ser priorizada após 30 sessões de OHB pois há real possibilidade que as sessões na câmara hiperbárica melhorem a angiogênese e a cicatrização óssea. Resultado similar também foi obtido por Dequanter e colaboradores (2013) em que 16 pacientes foram tratados exclusivamente com OHB e cerca de 14 deles apresentaram cura total das feridas no tecido mole dos maxilares. Estudos também destacam a necessidade de um protocolo bem padronizado em relação a HBO, visto que a maior número de sessões foi visto como promissor na melhora ou cura da erosão óssea promovida pela osteorradionecrose (ANNANNE et al., 2004; BENNETT et al., 2016; MEZRI et al., 2025).  

Este estudo apresenta limitações que devem ser consideradas na interpretação dos resultados. A principal limitação refere-se à heterogeneidade metodológica dos estudos incluídos, que apresentaram delineamentos diversos (ensaios clínicos, estudos retrospectivos e relatos de caso) e protocolos de oxigenoterapia hiperbárica variáveis em relação à pressão, duração e número de sessões, dificultando a comparação direta dos resultados e a padronização de recomendações clínicas. Adicionalmente, o número limitado de estudos selecionados (n=8) e as amostras pequenas dos estudos individuais restringem a generalização dos achados. A ausência de avaliação sistemática da qualidade metodológica dos estudos incluídos também representa uma limitação importante. Por fim, a maioria dos estudos foi conduzida em países com maior disponibilidade de recursos tecnológicos, o que pode limitar a aplicabilidade dos resultados ao contexto brasileiro, especialmente considerando as limitações de acesso e custo da oxigenoterapia hiperbárica no Sistema Único de Saúde. 

7. CONCLUSÃO 

Diante dos estudos incluídos na presente revisão podemos concluir que a oxigenoterapia hiperbárica desempenha um papel relevante na terapia da osteorradionecrose dos maxilares, mais bem documentada em estágios iniciais e como terapia coadjuvante aos procedimentos cirúrgicos de ressecção e reconstrução óssea após radioterapia. Embora alguns casos citados apresentem melhoras clínicas com a OHB isolada, a literatura ainda apresenta resultados divergentes quanto à sua efetividade como tratamento isolado. Assim, a OHB deve ser considerada uma ferramenta terapêutica complementar e ressalta-se a necessidade de maiores estudos de caráter multicêntricos, randomizados e com protocolos padronizados a fim de consolidar sua aplicabilidade clínica no manejo da osteorradionecrose dos maxilares visto que o manejo da terapia pode se tornar inviável pelo seu alto custo, necessidade de uma infraestrutura específica e carência do equipamento na rede pública de saúde. 

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