EFEITOS DO TREINAMENTO FÍSICO REGULAR NA COMPOSIÇÃO CORPORAL DE ADULTOS COM OBESIDADE

EFFECTS OF REGULAR PHYSICAL TRAINING ON THE BODY COMPOSITION OF ADULTS WITH OBESITY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511072201


Luciano Lima Sales1
Leandro Moraes Pinto2


Resumo

A obesidade é um dos principais desafios de saúde pública contemporâneos, associada a diversas comorbidades metabólicas e cardiovasculares. A prática regular de atividade física é amplamente reconhecida como estratégia eficaz tanto na redução quanto na manutenção da composição corporal adequada. Este estudo teve como objetivo analisar as contribuições da prática de atividade física regular no combate da obesidade em adultos. A metodologia consistiu em uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva, com levantamento bibliográfico nas bases SciELO, PubMed, LILACS, BVS Brasil e Google Acadêmico, considerando artigos publicados entre 2019 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. Os estudos selecionados apontam que programas de exercício físico aeróbico, resistido ou combinado promovem redução significativa da massa gorda, melhora do índice de massa corporal (IMC) e, em alguns casos, aumento da massa magra. Conclui-se que o treinamento físico regular é uma intervenção não farmacológica eficaz e acessível para a melhora da composição corporal em adultos com obesidade, devendo ser incentivado de forma contínua e supervisionada por profissionais qualificados.

Palavras-chave: Treinamento físico; Obesidade; Composição corporal.

Abstract

Obesity is one of the main contemporary public health challenges, associated with several metabolic and cardiovascular comorbidities. Regular physical activity is widely recognized as an effective strategy for both reducing and maintaining adequate body composition. This study aimed to analyze the contributions of regular physical activity in combating obesity in adults. The methodology consisted of a qualitative, exploratory, and descriptive study, with a bibliographic survey in the SciELO, PubMed, LILACS, BVS Brasil, and Google Scholar databases, considering articles published between 2019 and 2024 in Portuguese, English, and Spanish. The selected studies indicate that aerobic, resistance, or combined physical exercise programs promote a significant reduction in fat mass, improvement in body mass index (BMI), and, in some cases, an increase in lean mass. It is concluded that regular physical training is an effective and accessible non-pharmacological intervention for improving body composition in adults with obesity and should be encouraged on an ongoing basis and supervised by qualified professionals.

Keywords: Physical training; Obesity; Body composition.

1 INTRODUÇÃO

A obesidade é uma doença multifatorial com incidência e carga crescentes nas sociedades em todo o mundo. A obesidade pode ser gerenciada por meio de mudanças comportamentais diárias envolvendo ingestão e gasto de energia (Christinelli et al., 2020). Relativo ao último, há fortes evidências de que o exercício regular contribui para o peso corporal e perda de gordura, manutenção de peso corporal e redução de gordura e aptidão metabólica na obesidade (Amaro-Galeano; López-Chicharro; Martínez-González, 2020).

Segundo Franzini (2023), o exercício físico (EF) aumenta o gasto energético total nas pessoas, o que pode ajudá-las a manter o equilíbrio energético ou mesmo a perder peso, desde que não comam mais para compensar as calorias extras que queimam e pode diminuir a gordura em volta da cintura e a gordura corporal total, retardando o desenvolvimento da obesidade abdominal.

Programas de exercícios apropriados devem idealmente combinar grande balanço energético negativo, adesão a longo prazo e efeitos benéficos na saúde e no bem-estar. O treinamento de resistência parece ser o mais eficaz a este respeito, embora o treinamento de resistência e de alta intensidade, o treinamento intervalado desempenha papéis distintos na eficácia das intervenções de exercícios (Jayedi et al., 2024).

Com o ganho de peso é cada vez mais comum, a manutenção da perda de peso é provavelmente o maior desafio no sucesso do tratamento da obesidade. Há uma associação estabelecida entre níveis mais elevados de atividade física e maior manutenção da perda de peso, com base na abundância de evidências de estudos observacionais prospectivos e análises retrospectivas. O exercício tem o potencial de aliviar as consequências da obesidade para a saúde, mesmo na ausência de perda de peso, sendo assim, o exercício constitui uma ferramenta indispensável, embora muitas vezes subestimada, na gestão da obesidade (Medeiros, 2021).

Nesse sentido, o problema da pesquisa é: quais são os efeitos do treinamento físico regular na composição corporal de adultos com obesidade? Justifica a escolha pelo estudo por entender-se a redução de peso corporal pode ser alcançada por meio da pratica de atividade física e a possiblidade de estudar programas de exercícios físicos que envolvam pessoas que sofrem com a obesidade.

O objetivo do presente estudo é analisar as contribuições da prática de atividade física regular no combate da obesidade em adultos. Os objetivos específicos são conhecer os conceitos e características da obesidade; identificar a relação entre atividade física e manutenção do peso corporal e compreender os benefícios funcionais e psicossociais associados ao treinamento físico regular em pessoas com obesidade.

A escolha deste tema justifica-se pela crescente prevalência da obesidade no mundo, considerada um dos principais problemas de saúde pública da atualidade. Diante de seus múltiplos fatores determinantes e das graves consequências metabólicas, cardiovasculares e psicossociais associadas, torna-se essencial compreender estratégias eficazes para seu enfrentamento. O treinamento físico regular destaca-se como uma ferramenta acessível, segura e comprovadamente benéfica na melhora da composição corporal e na redução de riscos à saúde em adultos com obesidade. Estudar os efeitos do exercício é importante também porque auxilia na elaboração de programas de intervenção mais eficazes, que considerem diferentes modalidades de treinamento e suas respostas fisiológicas específicas. Dessa forma, a pesquisa contribui para orientar práticas clínicas, ações de saúde pública e o desenvolvimento de políticas voltadas à promoção de estilos de vida saudáveis.

2 OBESIDADE

A obesidade é uma doença multifatorial complexa. A prevalência mundial de sobrepeso e obesidade dobrou desde 1980, a ponto de quase um terço da população mundial ser agora classificada como com sobrepeso ou obesidade (Gomes et al., 2023). As taxas de obesidade aumentaram em todas as idades e em ambos os sexos, independentemente da localidade geográfica, etnia ou status socioeconômico, embora a prevalência de obesidade seja geralmente maior em idosos e mulheres (Zhu et al., 2024).

A prevalência da obesidade aumentou em todo o mundo nos últimos 50 anos, atingindo níveis pandêmicos, representando um grande desafio à saúde porque aumenta substancialmente o risco de doenças como diabetes mellitus tipo 2, doença hepática gordurosa, hipertensão, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, demência, osteoartrite, apneia obstrutiva do sono e vários cânceres, contribuindo assim para um declínio em ambos qualidade de vida e expectativa de vida (Hausmann et al., 2022).

A obesidade também está associada ao desemprego, desvantagens sociais e redução da produtividade socioeconômica, criando cada vez mais um fardo econômico. Até agora, as estratégias de prevenção e tratamento da obesidade – tanto a nível individual como populacional – não tiveram sucesso a longo prazo (Streb, 2019).

Essa tendência foi semelhante em todas as regiões e países, embora as taxas de prevalência absoluta de sobrepeso e obesidade variassem amplamente. Para alguns países desenvolvidos, as taxas de prevalência de obesidade parecem ter se estabilizado nos últimos anos. O índice de massa corporal (IMC) é normalmente usado para definir sobrepeso e obesidade em estudos epidemiológicos (Lottenberg et al., 2022).

No entanto, o IMC tem baixa sensibilidade e há uma grande variabilidade interindividual na porcentagem de gordura corporal para qualquer valor de IMC, parcialmente atribuído à idade, sexo e etnia. Por exemplo, os asiáticos têm maior porcentagem de gordura corporal do que os brancos para o mesmo IMC (Silva, 2023).

Conforme Oppert et al. (2021), maior risco cardiometabólico também foi associado à localização de excesso de gordura no tecido adiposo visceral e depósitos ectópicos (como músculo e fígado), bem como em casos de aumento da proporção de gordura para massa magra (por exemplo, peso normal metabolicamente obeso). Esses dados sugerem que a obesidade pode ser muito mais comum e requer atenção mais urgente do que sugerem grandes estudos epidemiológicos. Simplesmente confiar no IMC para avaliar sua prevalência pode dificultar futuras intervenções destinadas à prevenção e controle da obesidade.

O tecido adiposo representa o maior depósito de energia no corpo do ser humano. Cada vez mais pessoas apresentam deposição excessiva de gordura no tecido adiposo, o que leva à obesidade, uma doença multifatorial com efeitos adversos à saúde e implicações econômicas. Embora a obesidade perturbe a humanidade desde os tempos antigos, ela atingiu proporções epidêmicas apenas nos últimos anos (Safarzade; Alizadeh; Bastani, 2020).

Conforme Ribeiro (2023, p. 18)

Uma vez que sua causa primária é um desequilíbrio crônico entre a ingestão de energia e o gasto de energia em favor da primeira, o caminho para o combate à obesidade (excluindo intervenções farmacêuticas) passa necessariamente pela criação de um equilíbrio de energia negativo.

Um estudo mostrou que a abordagem mais eficaz para alcançar um balanço energético negativo é uma combinação de dieta, exercícios e modificação comportamental. Embora restrição de ingestão de energia por meio de intervenções dietéticas é mais eficiente do que o exercício, a perda de peso é significativa, reduções drásticas na ingestão de energia podem resultar em deficiências nutricionais e diminuição metabólica de repouso e a taxa devido à perda de massa corporal magra, enquanto o ganho de peso ocorre se uma intervenção dietética é interrompida (Gomes et al., 2023).

Intervenções no estilo de vida e comportamento destinadas a reduzir a ingestão de calorias e aumentar o gasto de energia têm eficácia limitada porque adaptações hormonais, metabólicas e neuroquímicas complexas e persistentes defendem contra a perda de peso e promovem a recuperação do peso. A redução da carga da obesidade requer abordagens que combinem intervenções individuais com mudanças no meio ambiente e na sociedade. Portanto, uma melhor compreensão das notáveis diferenças regionais na prevalência e tendências da obesidade pode ajudar a identificar as causas sociais da obesidade e fornecer orientação sobre quais são as estratégias de intervenção mais promissoras (Cavalcante et al., 2024).

3 RELAÇÃO ENTRE ATIVIDADE FÍSICA E MANUTENÇÃO DO PESO CORPORAL

A permanência do peso corporal conquistado após o processo de emagrecimento constitui desafio relevante na prática clínica e epidemiológica. Zhu et al. (2024) apontam que a atividade física regular exerce papel fundamental na prevenção do reganho de peso, que frequentemente ocorre após programas de perda de peso e a prática sistemática de exercícios moderados a intensos, com volume entre 150 a 300 minutos por semana, está associada à manutenção dos resultados alcançados. 

Nesse sentido, Christinelli et al. (2020) ensinam que implementar uma dieta de longo prazo caracterizada por restrição moderada da ingestão de energia, em combinação com exercícios regulares, é importante, além disso, aderir a um programa de exercícios desempenha um papel fundamental na manutenção de uma vida saudável e redução do peso corporal e gordura ao longo do tempo, pois adicionar exercícios à dieta leva a perda de peso sustentada por até 36 meses.

Embora a perda de peso corporal seja a principal preocupação no tratamento da obesidade, a redução do tecido adiposo visceral pode ocorrer independentemente das mudanças no peso corporal e é considerado mais importante do que a redução do peso (Lottenberg et al., 2022). Segundo Cavalcante et al. (2024, p. 8), 

O treinamento físico e a modificação do estilo de vida por meio de programas caracterizados por aumento da atividade física suscitam apreciável reduções na obesidade abdominal; eles ainda tendem a mostrar uma redução maior na gordura visceral em comparação com a restrição alimentar, destacando assim o papel único do exercício no controle da obesidade.

O exercício é creditado com um papel benéfico na saúde de indivíduos obesos, mesmo na ausência de perda de peso, o que significa que o exercício é mais do que apenas um agente queimador de calorias. Programas de atividade física voltados para indivíduos obesos adultos são aplicados para a redução do tempo sedentário e resulta em múltiplos benefícios à saúde para e devem ser incluídos em quaisquer recomendações de estilo de vida (Ramos; Cruz, 2020).

Também é importante incentivar os indivíduos a se exercitarem por períodos mais longos todos os dias pode ajudar a aumentar a perda de peso. No entanto, é desafiador para alguns indivíduos atingir consistentemente até mesmo pequenas sessões diárias de exercícios (Safarzade; Alizadeh; Bastani, 2020). 

Jayedi et al. (2024) explicam que no aconselhamento, é importante não focar no potencial de perda de peso como o único resultado do exercício, mas sim sugerir que o exercício pode contribuir para os esforços de perda de peso e resultar em uma miríade de outros benefícios relacionados à saúde. Esse enfoque reduzirá a probabilidade de os pacientes usarem a falta de perda de peso como motivo para interromper seu programa de exercícios.

4 METODOLOGIA

Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, tendo como procedimento metodológico a realização de uma revisão de literatura. O levantamento dos dados foi realizado por meio de buscas em bases científicas digitais reconhecidas, incluindo Scientific Electronic Library Online (SciELO), PubMed, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS Brasil).

Foram adotados como critérios de inclusão os artigos publicados no período compreendido entre os anos de 2019 e 2024, redigidos em português, inglês ou espanhol, que abordassem intervenções com atividade física (aeróbica, resistida ou combinada) e seus efeitos sobre a composição corporal de adultos com obesidade, considerando variáveis como massa gorda, massa magra, índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal.

Foram excluídos da análise os artigos duplicados, os estudos voltados exclusivamente para crianças, adolescentes ou idosos, bem como revisões sistemáticas, teses, dissertações e estudos que não tratassem diretamente da composição corporal.

A coleta dos dados ocorreu em quatro etapas principais: inicialmente, foi realizado o levantamento bibliográfico com o uso de descritores como “atividade física”, “obesidade”, “composição corporal”, “treinamento físico” e “adultos”, associados por meio de operadores booleanos (AND/OR). 

Em seguida, procedeu-se à seleção dos artigos com base na leitura dos títulos e resumos, de forma a garantir a relevância para os objetivos do estudo. Posteriormente, os artigos selecionados foram lidos na íntegra, com o intuito de aprofundar a análise dos conteúdos. Por fim, os dados foram organizados em quadros de síntese e discutidos com base nos principais achados evidenciados na literatura.

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A prática de atividade física regular tem se mostrado uma estratégia eficaz no enfrentamento da obesidade, com impacto direto na composição corporal, aptidão física e indicadores metabólicos. A convergência dos estudos analisados reforça o entendimento de que tanto exercícios aeróbicos quanto resistidos, ou sua combinação, promovem redução de massa gorda e manutenção ou aumento de massa magra em adultos com sobrepeso e obesidade.

Em ensaio clínico randomizado conduzido por Amaro-Galeano, López-Chicharro e Martínez-González (2020), adultos com sobrepeso ou obesidade submetidos a 3 meses de intervenção combinada (dieta, atividade física e acompanhamento comportamental) foram posteriormente distribuídos em três grupos, com diferentes volumes de exercício (150, 225 e 300 minutos semanais) durante 12 meses. Os pesquisadores observaram que, mesmo sem diferenças estatísticas significativas entre os volumes, todos os grupos evitaram o reganho de peso além de 1 kg em média, sugerindo que volumes modestos de atividade física, associados ao suporte comportamental, são eficazes para manutenção de perda ponderal.

Safarzade, Alizadeh e Bastani (2020) acompanharam adultos com sobrepeso/obesidade por 16 meses. Nos grupos com exercício supervisionado, os participantes mantiveram ou reduziram o peso e a massa gorda, enquanto o grupo controle apresentou ganho médio, especialmente entre as mulheres. Os resultados reforçam o papel da atividade física supervisionada como estratégia eficaz na manutenção dos ganhos conquistados com emagrecimento.

Estudo de Gomes et al. (2023) afirmam que a atividade física com pelo menos 150 minutos semanais de intensidade moderada previne o ganho de peso e também ressalta que não há evidência de superioridade entre modalidades (aeróbica, HIIT, resistência), mas destaca os maiores benefícios quando essas modalidades são combinadas.

No contexto brasileiro, estudo de Silva (2023) destaca que exercícios prolongados de intensidade moderada, mesmo sem intervenções dietéticas estritas, são eficazes na manutenção do peso. O exercício físico regular promove adaptações metabólicas, aumento da taxa de repouso metabólico e melhora da oxidação de gordura, além de reduzir a sensação de fome.

No estudo de Amaro-Galeano, López-Chicharro e Martínez-González (2020), foi observado que programas de treinamento com diferentes modalidades, aeróbico, HIIT e eletroestimulação muscular (WB-EMS), promoveram melhora significativa na composição corporal de adultos sedentários. A intervenção que combinava HIIT com eletroestimulação apresentou os resultados mais expressivos na redução de gordura corporal e aumento de massa magra.

Hausmann et al. (2022) corroboram esses achados ao demonstrarem que um programa estruturado de atividade física de 12 meses, seguido por 18 meses de acompanhamento, foi eficaz na melhora da aptidão física e na manutenção da perda de peso em adultos obesos. O estudo destaca que a continuidade da prática é essencial para a sustentabilidade dos resultados.

Complementarmente, Zhu et al. (2024), em ensaio clínico randomizado, compararam os efeitos de diferentes tipos de treino (aeróbico, resistido e combinado) e identificaram que o treinamento combinado promoveu melhores resultados na redução de gordura corporal e no metabolismo da glicose, reforçando a recomendação de intervenções multidimensionais.

No Brasil, estudos como o de Streb (2019) e Medeiros (2021) apontam para a eficácia tanto de treinos periodizados quanto não periodizados na melhora de variáveis biológicas e hemodinâmicas em adultos com obesidade, destacando também os efeitos positivos sobre a aderência ao programa de exercícios e os aspectos psicossociais envolvidos na perda e manutenção de peso.

Por outro lado, Ribeiro (2023) direciona a análise para os efeitos da intensidade do treino na musculatura inspiratória, também em indivíduos com obesidade mórbida. Embora o foco seja específico, os autores reiteram a importância da prescrição individualizada e da adaptação dos treinos à capacidade funcional do indivíduo.

Christinelli et al. (2020) apresentaram um programa de intervenção que associou reeducação alimentar à prática de exercícios físicos e observaram reduções expressivas em peso corporal e IMC, sugerindo que a associação entre fatores comportamentais e atividade física potencializa os resultados.

No plano epidemiológico, Cavalcante et al. (2024) evidenciaram a elevada prevalência de sobrepeso e obesidade em estudantes universitários, alertando para a inatividade física como fator contribuinte. Esses dados dialogam com as reflexões de Franzini (2023), que destaca a relevância da atividade física não apenas na saúde física, mas na promoção da qualidade de vida como um todo.

Contrapondo essa abordagem, Jayedi et al. (2024), embora reconheçam os benefícios da atividade física para a perda de peso, argumentam que a magnitude do emagrecimento promovido por exercícios aeróbicos isolados é limitada, defendendo que mudanças dietéticas estruturadas são indispensáveis. Esta perspectiva é também compartilhada no Posicionamento da ABESO (Lottenberg et al., 2022), que reforça a necessidade de intervenções multidisciplinares, combinando dieta, atividade física e suporte psicológico para o tratamento eficaz da obesidade.

Assim, Ramos e Cruz (2020) enfatizam que as ações governamentais de combate à obesidade devem articular políticas públicas voltadas à promoção da atividade física, como parte de estratégias municipais de saúde preventiva, o que reforça a importância da integração entre ciência, prática clínica e gestão pública.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essas evidências demonstram que a atividade física regular atua de forma multidimensional na manutenção do peso corporal. Primeiro, promove o aumento do gasto energético e adaptações metabólicas que dificultam o acúmulo de gordura. Segundo, exerce modulação do comportamento alimentar ao reduzir o apetite. Terceiro, beneficia a saúde cardiometabólica, fortalecendo o sistema cardiovascular e reduzindo fatores de risco. A continuidade no longo prazo é fundamental para garantir a sustentabilidade desses resultados.

Dessa forma, programas de intervenção que visem à manutenção do peso devem considerar a prescrição de atividades físicas regulares, com duração mínima de 150 minutos por semana, combinadas com estratégias comportamentais que incentivem a adesão e continuidade do hábito. Só assim será possível consolidar os ganhos na composição corporal e prevenir flutuações que comprometam o sucesso a longo prazo.

Portanto, os estudos analisados apresentam forte concordância quanto aos benefícios do exercício físico regular para a saúde corporal e metabólica de indivíduos com obesidade. As divergências observadas referem-se, sobretudo, à eficácia relativa entre os tipos de treino e à necessidade de associação com intervenções nutricionais e comportamentais. Essa diversidade de abordagens reforça a necessidade de individualização dos programas e da compreensão multidimensional da obesidade.

REFERÊNCIAS

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1Educação física Licenciatura do Unicesumar.  Educação Física Bacharelado UNIFATECIE. E-mail: lulupersonall@gmail.com.

2Professor Doutor em Biotecnologia em Saúde – Universidade Federal do Maranhão. E-mail: leandromoraes.edf@gmail.com