EFEITOS DE EXERCÍCIOS MULTICOMPONENTES SOBRE A COMPOSIÇÃO CORPORAL E A FUNCIONALIDADE DE MULHERES 40–70 ANOS 

MULTICOMPONENT EXERCISE EFFECTS ON  ANTHROPOMETRIC AND FUNCTIONAL PARAMETERS  IN ADULT AND ELDERLY WOMEN 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511121551


Marcela Cristiane Cardozo Barroso1
Lívia Maria Costa Roma2
Prof. Me. Yvan Fernandes Vilas Boas3


RESUMO

O presente artigo analisa os efeitos de um programa de exercícios físicos multicomponentes sobre parâmetros antropométricos e funcionais de mulheres com idades entre 40 e 70 anos, participantes do Programa Academia da Saúde no município de Campos Gerais, Minas Gerais. O estudo caracteriza-se como pesquisa de campo, de natureza quantitativa e delineamento quase experimental, conduzido durante seis semanas de intervenção supervisionada. Foram avaliadas variáveis de composição corporal (peso, índice de massa corporal, percentual de gordura e circunferências corporais) e de capacidade funcional (flexibilidade e mobilidade). A amostra foi composta por doze mulheres, submetidas a sessões de 60 minutos, cinco vezes por semana, combinando exercícios de força, resistência, equilíbrio e flexibilidade. Os resultados evidenciaram reduções significativas no peso corporal (−1,8 kg; p = 0,03), no IMC (−0,8 kg/m²; p = 0,04), no percentual de gordura (−2,3%; p = 0,01) e nas circunferências corporais, principalmente na abdominal (−3,4 cm; p = 0,02). Houve melhora na flexibilidade (+4,4 cm; p = 0,01) e na mobilidade funcional, com diminuição do tempo no teste Timed Up and Go (−1,3 s; p = 0,02). Conclui-se que o programa de exercícios físicos multicomponentes aplicado em contexto comunitário é eficaz para promover melhorias significativas na composição corporal e na capacidade funcional de mulheres de meia-idade e idosas, representando uma estratégia viável e acessível de promoção da saúde e envelhecimento ativo. 

Palavras-chave: Exercício físico. Envelhecimento. Mulheres. Capacidade funcional. Composição corporal. 

1 INTRODUÇÃO 

O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial que tem despertado crescente atenção por parte das áreas da saúde, ciências humanas e políticas públicas. Estima-se que, até 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos ultrapassará 2 bilhões em todo o mundo (KINGSTON et al., 2010). No Brasil, a transição demográfica ocorreu de forma acelerada, com aumento expressivo da expectativa de vida e redução da taxa de natalidade, resultando em uma população idosa cada vez mais numerosa e heterogênea (SILVA & GOMES, 2018). Esse cenário impõe novos desafios à saúde pública, especialmente quanto à promoção da autonomia, prevenção de doenças crônicas e manutenção da capacidade funcional (CARVALHO et al., 2010). 

O processo de envelhecimento é natural e inevitável, porém está frequentemente associado à diminuição da massa muscular, da força e da flexibilidade, além de prejuízos no equilíbrio e na mobilidade (NOGUEIRA & RAMOS, 1987). Essas alterações podem comprometer a independência e a qualidade de vida, elevando o risco de quedas e de limitações nas atividades de vida diária (LOUSADA, 1976). Entretanto, estudos demonstram que a prática regular de exercícios físicos é capaz de atenuar significativamente esses declínios funcionais, promovendo benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais (ARAÚJO, NOGUEIRA & RAMOS, 1997; LIMA, 1995). 

Programas de exercícios físicos direcionados a mulheres de meia-idade e idosas têm mostrado efeitos positivos sobre variáveis antropométricas e funcionais, como índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal, flexibilidade e equilíbrio (VIEIRA, SILVA & BORGES, 1995; GOBBO et al., 2012). Além dos efeitos físicos, essas atividades contribuem para o bem-estar emocional e social, reforçando o papel do exercício como estratégia de promoção da saúde integral (SANTOS & FONSECA, 2019). A literatura recente destaca que a adoção de rotinas de treinamento multicomponente — combinando exercícios de força, resistência, equilíbrio e flexibilidade — é especialmente eficaz para essa população (KINGSTON et al., 2010; RODRIGUES et al., 2020). 

Apesar dos avanços científicos, ainda são escassos os estudos que analisam o impacto de programas comunitários de exercícios físicos oferecidos pelo sistema público de saúde, como o Programa Academia da Saúde, em municípios de pequeno porte. Essas iniciativas têm o potencial de promover a inclusão e ampliar o acesso da população a práticas corporais orientadas, porém carecem de avaliações sistemáticas de seus efeitos sobre a composição corporal e a capacidade funcional (SILVA et al., 2021). Essa lacuna justifica a realização de pesquisas aplicadas que possam subsidiar políticas públicas mais efetivas voltadas à melhoria da qualidade de vida e autonomia de mulheres adultas e idosas. 

Dessa forma, o presente estudo teve como propósito investigar os efeitos de um programa de exercícios físicos aplicado em mulheres de 40 a 70 anos participantes do Programa Academia da Saúde, no município de Campos Gerais, Minas Gerais. Buscou-se compreender de que forma a prática regular, supervisionada e diversificada de atividades físicas é capaz de promover alterações positivas sobre diferentes parâmetros de saúde, a saber: 

a) avaliar as variações de peso corporal, índice de massa corporal e percentual de gordura antes e após o período de intervenção; 

b) verificar as mudanças na flexibilidade e na mobilidade funcional; e 

c) discutir os possíveis impactos do programa sobre a saúde e a qualidade de vida das participantes, à luz das evidências científicas mais recentes. 

Espera-se que os resultados deste estudo possam contribuir para o fortalecimento das políticas públicas de promoção da saúde, fornecendo evidências sobre a importância dos programas de exercícios físicos comunitários no processo de envelhecimento ativo. Além disso, pretende-se estimular novas ações e pesquisas voltadas à população feminina adulta e idosa, reforçando o papel das práticas corporais regulares como ferramenta de inclusão e bem-estar. 

2 REVISÃO DA LITERATURA 

O envelhecimento humano é um fenômeno biológico, social e cultural que vem sendo amplamente discutido nas últimas décadas em virtude do acelerado crescimento da população idosa em todo o mundo. Segundo Kingston et al. (2010), a expectativa de vida global aumentou significativamente nas últimas gerações, e a Organização Mundial da Saúde aponta que o número de pessoas com mais de 60 anos deve dobrar até 2050. No Brasil, esse processo tem ocorrido de maneira particularmente rápida, caracterizando uma transição demográfica intensa, com profundas implicações para as políticas públicas e os sistemas de saúde (CARVALHO et al., 2010). Esse cenário impõe novos desafios à sociedade e evidencia a importância de estratégias voltadas à promoção da saúde, prevenção de doenças e manutenção da capacidade funcional em faixas etárias mais avançadas (SILVA & GOMES, 2018). 

Do ponto de vista fisiológico, o envelhecimento está associado a uma série de transformações estruturais e funcionais que acometem diferentes sistemas do organismo. Entre as alterações mais comuns, destacam-se a perda progressiva de massa muscular (sarcopenia), a diminuição da força e da potência, a redução da flexibilidade e da coordenação motora, além da lentificação dos reflexos e da diminuição da densidade mineral óssea (NOGUEIRA & RAMOS, 1987). Essas mudanças comprometem a autonomia e aumentam a vulnerabilidade para quedas, fraturas e incapacidades funcionais, especialmente em mulheres após o período da menopausa, quando ocorrem alterações hormonais que aceleram a perda de tecido magro e o acúmulo de gordura abdominal (LOUSADA, 1976; ARAÚJO, NOGUEIRA & RAMOS, 1997). O resultado é a elevação do risco de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, hipertensão e obesidade, e um impacto negativo sobre a qualidade de vida (LIMA, 1995). 

Nesse contexto, a prática regular de exercícios físicos tem se mostrado uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes na promoção da saúde e no retardamento dos efeitos deletérios do envelhecimento. Diversos estudos indicam que o exercício atua positivamente sobre o sistema cardiovascular, musculoesquelético e metabólico, promovendo melhora na força, na flexibilidade, na resistência e no equilíbrio, além de contribuir para a regulação do peso corporal e para a saúde mental (VIEIRA, SILVA & BORGES, 1995; SANTOS & FONSECA, 2019). O engajamento em atividades físicas regulares está associado ainda à redução da morbimortalidade, melhora da autoestima e aumento da sensação de bemestar e autonomia (GOBBO et al., 2012). Lousada (1976) já ressaltava que a manutenção da capacidade funcional depende da interação entre fatores biológicos e comportamentais, sendo o exercício físico um elemento essencial para a preservação da independência durante o processo de envelhecimento. 

Programas estruturados de atividade física direcionados a mulheres adultas e idosas têm demonstrado resultados consistentes na melhora de variáveis antropométricas e funcionais. Entre as principais variáveis estudadas, destacam-se o índice de massa corporal (IMC), o percentual de gordura, as medidas de circunferência corporal e indicadores de flexibilidade e mobilidade, como o teste de sentar e alcançar e o Timed Up and Go (TUG) (CARVALHO et al., 2010; RODRIGUES et al., 2020). Intervenções multicomponentes, que combinam exercícios de força, resistência aeróbica, equilíbrio e flexibilidade, são apontadas como as mais eficientes para promover benefícios globais nessa população (KINGSTON et al., 2010). Segundo Santos & Fonseca (2019), esse tipo de programa favorece não apenas as dimensões físicas, mas também a integração social e o bem-estar psicológico, aspectos fundamentais para a qualidade de vida na maturidade. 

A literatura também enfatiza que o exercício físico deve ser orientado e supervisionado por profissionais qualificados, especialmente quando aplicado a grupos populacionais com diferentes níveis de aptidão e condições clínicas. Estudos de Gobbo et al. (2012) e Silva et al. (2021) destacam que a presença de acompanhamento técnico aumenta a segurança das atividades e a adesão dos participantes, além de otimizar os resultados. A supervisão permite ainda a individualização das cargas de treinamento, respeitando limitações articulares, cardiorrespiratórias e musculares que tendem a se acentuar com o avanço da idade (RODRIGUES et al., 2020). Tais programas, quando bem estruturados, têm potencial para reduzir o sedentarismo, controlar o peso corporal, melhorar o equilíbrio e prevenir quedas, além de proporcionar ganhos significativos de autoconfiança e socialização. 

No caso das mulheres entre 40 e 70 anos, os benefícios do exercício físico ganham relevância adicional. Esse período abrange importantes mudanças fisiológicas relacionadas ao climatério e à menopausa, que impactam diretamente a composição corporal, o metabolismo e o desempenho físico. Há uma tendência natural de aumento do tecido adiposo, especialmente na região abdominal, e de redução da massa muscular e da densidade óssea (VIEIRA & SILVA, 1992). Tais alterações, se não forem combatidas por meio de estratégias adequadas, podem predispor ao surgimento de doenças metabólicas e osteoarticulares. Nesse sentido, o exercício físico surge como ferramenta indispensável para a manutenção da saúde feminina, atuando tanto na prevenção quanto no controle de doenças, além de promover o equilíbrio emocional em uma fase de transição marcada por intensas mudanças hormonais e psicossociais (ARAÚJO, NOGUEIRA & RAMOS, 1997; SANTOS & FONSECA, 2019). 

Além dos efeitos fisiológicos, o exercício regular proporciona benefícios psicológicos amplamente reconhecidos. O envolvimento em atividades físicas de grupo, por exemplo, tem sido associado a sentimentos de pertencimento e aumento da autoestima (SILVA et al., 2021). Esses fatores sociais e emocionais são particularmente importantes na adesão a programas de longo prazo, pois favorecem a continuidade do comportamento ativo, condição essencial para a manutenção dos ganhos obtidos. Segundo Gobbo et al. (2012), mulheres que participam de programas comunitários de exercícios apresentam menores índices de depressão e relatam melhor percepção de saúde, o que reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à promoção de espaços acessíveis e acolhedores. 

No Brasil, uma das principais políticas públicas voltadas à promoção da atividade física é o Programa Academia da Saúde, criado pelo Ministério da Saúde em 2011. Essa iniciativa busca ampliar o acesso da população a práticas corporais e atividades de lazer, contribuindo para o enfrentamento do sedentarismo e das doenças crônicas não transmissíveis (SILVA & GOMES, 2018). A implementação de núcleos do programa em municípios de pequeno e médio porte tem se mostrado uma estratégia eficaz para democratizar o acesso ao exercício físico, sobretudo entre mulheres de baixa renda e idosos, populações frequentemente excluídas de programas privados. Entretanto, ainda são escassas as avaliações sistemáticas sobre o impacto dessas iniciativas na composição corporal e na capacidade funcional de seus participantes, especialmente em contextos locais (SILVA et al., 2021). Assim, estudos aplicados, como o desenvolvido em Campos Gerais, tornam-se fundamentais para compreender a efetividade dessas políticas em realidades específicas. 

Do ponto de vista metodológico, a avaliação dos efeitos do exercício físico sobre a saúde envolve o uso de indicadores antropométricos e funcionais amplamente reconhecidos. Medidas como peso corporal, estatura, índice de massa corporal e circunferências são de fácil aplicação e permitem o monitoramento de mudanças relacionadas à composição corporal (CARVALHO et al., 2010). O uso de dobras cutâneas, segundo Jackson & Pollock (apud TCC), oferece estimativas mais precisas da gordura corporal total, sendo um método de baixo custo e boa validade quando aplicado por avaliadores treinados. Já os testes de flexibilidade, como o de Wells e Dillon, e de mobilidade funcional, como o Timed Up and Go, são amplamente empregados em estudos de campo pela sua praticidade e pela capacidade de refletir a funcionalidade cotidiana (GOBBO et al., 2012). Esses instrumentos permitem uma visão integrada do estado físico das participantes, favorecendo a compreensão do impacto real das intervenções sobre a capacidade de movimento e a autonomia. 

Apesar dos avanços científicos e das evidências favoráveis ao exercício físico, ainda existem lacunas importantes na literatura. Muitos estudos apresentam curta duração, amostras reduzidas ou falta de controle rigoroso das variáveis, o que dificulta comparações e generalizações (RODRIGUES et al., 2020). Além disso, são poucos os trabalhos que analisam o impacto de programas públicos, de acesso gratuito, aplicados em comunidades menores. Essa ausência de dados locais reforça a necessidade de investigações que considerem o contexto social e cultural das participantes, os recursos disponíveis e as condições de infraestrutura. O presente estudo, portanto, contribui para preencher parte dessa lacuna ao avaliar os efeitos de um programa de exercícios físicos comunitário em mulheres adultas e idosas de Campos Gerais, Minas Gerais, oferecendo subsídios para a formulação e o aperfeiçoamento de políticas de promoção da saúde. 

Em síntese, a literatura evidencia que a prática regular e supervisionada de exercícios físicos é um instrumento essencial para o envelhecimento saudável, pois atua de forma integrada sobre componentes físicos, metabólicos e psicológicos. Em mulheres de 40 a 70 anos, esse hábito se mostra especialmente relevante, considerando as transformações hormonais e fisiológicas dessa fase da vida. O conjunto de estudos revisados indica que programas multicomponentes, quando realizados em ambiente comunitário e conduzidos por profissionais capacitados, são capazes de promover melhorias significativas na composição corporal e na capacidade funcional. Assim, a investigação proposta neste artigo se justifica pela relevância social e científica do tema, bem como pela possibilidade de oferecer evidências aplicadas que auxiliem na consolidação de programas públicos de promoção da saúde voltados à população feminina adulta e idosa. 

3 METODOLOGIA  

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa de campo, de natureza quantitativa e delineamento quase experimental, realizada com o objetivo de analisar os efeitos de um programa sistematizado de exercícios físicos sobre parâmetros antropométricos e funcionais de mulheres adultas e idosas participantes do Programa Academia da Saúde, no município de Campos Gerais, Minas Gerais. A investigação foi conduzida entre os meses de março e maio de 2025, totalizando seis semanas de intervenção supervisionada. Todas as etapas do estudo foram realizadas em conformidade com os princípios éticos estabelecidos pela Resolução nº 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, tendo sido previamente aprovado por Comitê de Ética em Pesquisa da instituição responsável. Todas as participantes foram informadas sobre os objetivos e procedimentos do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo sua participação voluntária e a confidencialidade das informações. 

A amostra foi composta por mulheres com idades entre 40 e 70 anos, frequentadoras regulares do Programa Academia da Saúde. A seleção ocorreu por conveniência, incluindo apenas as participantes que atendiam aos critérios de elegibilidade, como ter idade dentro da faixa etária estabelecida, apresentar condições físicas que permitissem a execução segura dos exercícios e frequentar pelo menos 75% das sessões durante o período de intervenção. Foram excluídas as mulheres que apresentaram intercorrências médicas ou que não completaram as avaliações iniciais e finais. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, doze mulheres completaram todas as etapas do estudo e compuseram a amostra final analisada. 

O programa de exercícios físicos foi elaborado e conduzido por profissionais de Educação Física, seguindo as diretrizes do American College of Sports Medicine (ACSM) para promoção da saúde de adultos e idosos. As aulas foram realizadas cinco vezes por semana, com duração média de sessenta minutos cada, sempre no turno da manhã, nas dependências do núcleo do Programa Academia da Saúde do município. Cada sessão foi organizada em três momentos: um aquecimento inicial com duração de aproximadamente dez minutos, composto por exercícios leves de mobilidade articular e caminhada; uma parte principal com cerca de quarenta minutos, que incluía atividades multicomponentes de força, resistência, equilíbrio e coordenação, intercaladas em formato de circuito; e uma volta à calma de dez minutos, com exercícios de alongamento e relaxamento. A intensidade das atividades foi monitorada por meio da percepção subjetiva de esforço, conforme a escala de Borg modificada, permitindo a adequação individual e progressiva ao longo das semanas. Essa metodologia garantiu que as sessões fossem seguras, dinâmicas e acessíveis às diferentes condições físicas das participantes, incentivando a adesão e a continuidade. 

A coleta de dados foi realizada antes e após o período de intervenção, em ambiente controlado e por avaliadores treinados, utilizando instrumentos reconhecidos pela literatura científica. As variáveis analisadas compreenderam medidas antropométricas e testes de desempenho funcional. O peso corporal e a estatura foram obtidos com balança mecânica e estadiômetro, respectivamente, com as participantes descalças e vestindo roupas leves. O índice de massa corporal (IMC) foi calculado pela razão entre o peso e o quadrado da estatura. As circunferências corporais foram aferidas com fita métrica inextensível nas regiões da cintura, quadril e abdômen, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde. O percentual de gordura corporal foi estimado a partir das dobras cutâneas tricipital, suprailíaca e da coxa, utilizando o método proposto por Jackson e Pollock (1978). Para a avaliação da flexibilidade, foi aplicado o teste de sentar e alcançar, segundo o protocolo de Wells e Dillon, sendo considerada a melhor de duas tentativas. A capacidade funcional foi avaliada pelo teste Timed Up and Go (TUG), que mensura o tempo, em segundos, que o indivíduo leva para levantar-se de uma cadeira, caminhar três metros, retornar e sentar novamente, constituindo um indicador válido de mobilidade e equilíbrio. 

As análises estatísticas foram realizadas com base nos resultados obtidos nas avaliações pré e pós-intervenção. Os dados foram organizados em planilhas eletrônicas do Microsoft Excel® 2016 e analisados por meio de estatística descritiva, expressa em média e desviopadrão, e estatística inferencial, utilizando o teste t pareado para amostras dependentes, com nível de significância estabelecido em p < 0,05. Os resultados foram posteriormente apresentados em forma de tabelas e gráficos, de modo a facilitar a visualização e a interpretação das alterações ocorridas ao longo do período de treinamento. Todo o processo de coleta e análise de dados foi conduzido com o intuito de garantir a fidedignidade dos resultados e de respeitar as normas éticas e científicas aplicáveis às pesquisas com seres humanos. 

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES  

Os resultados obtidos nesta pesquisa evidenciaram que a participação das mulheres no programa de exercícios físicos proporcionou melhorias consistentes em variáveis antropométricas e funcionais, indicando efeitos positivos sobre a composição corporal e a capacidade funcional após seis semanas de intervenção. As análises foram realizadas com base em doze participantes que completaram todas as etapas do programa, garantindo uma taxa de adesão superior a 80%, o que reforça a validade das comparações pré e pós-treinamento. 

4.1 Resultados Antropométricos 

Na avaliação antropométrica, observou-se redução significativa nas medidas de peso corporal, índice de massa corporal (IMC), percentual de gordura e circunferências corporais, conforme descrito na Tabela 1. O peso corporal médio reduziu de 68,5 ± 7,8 kg antes da intervenção para 66,7 ± 7,5 kg após o programa, representando uma diminuição média de 1,8 kg (−2,6%), com significância estatística (p = 0,03). O IMC apresentou comportamento semelhante, passando de 28,2 ± 3,4 kg/m² para 27,4 ± 3,3 kg/m² (p = 0,04), refletindo a redução ponderal observada. 

O percentual de gordura corporal, estimado a partir das dobras cutâneas (método de Jackson & Pollock), apresentou queda expressiva, de 33,8 ± 4,9% para 31,5 ± 4,7% (p = 0,01), enquanto as circunferências corporais mostraram reduções significativas, principalmente na circunferência abdominal, que passou de 92,3 ± 6,8 cm para 88,9 ± 6,4 cm (p = 0,02). Já as circunferências de cintura e quadril diminuíram de 88,5 ± 7,2 cm para 86,4 ± 6,9 cm (p = 0,04) e de 102,1 ± 8,0 cm para 100,2 ± 7,5 cm (p = 0,05), respectivamente. 

Tabela 1 – Variáveis antropométricas antes e após a intervenção (n = 12) 

Esses resultados confirmam uma tendência de melhora nas variáveis relacionadas à composição corporal, mesmo em um período relativamente curto de intervenção. Essa resposta positiva pode ser explicada pela alta frequência semanal (cinco sessões por semana) e pela combinação de estímulos aeróbicos e de resistência, características do programa multicomponente. Segundo Gobbo et al. (2012), programas com essas características favorecem o aumento do gasto energético e o equilíbrio entre massa magra e adiposa, resultando em melhor perfil corporal em poucas semanas de prática regular. 

Carvalho et al. (2010) e Rodrigues et al. (2020) observaram reduções médias de 1 a 2 kg em intervenções de curta duração (4 a 8 semanas), resultados semelhantes aos obtidos nesta pesquisa, indicando que mesmo programas comunitários de baixo custo e sem controle nutricional rigoroso podem gerar respostas fisiológicas significativas quando aplicados com regularidade e acompanhamento técnico. Além disso, a diminuição da circunferência abdominal, encontrada também por Santos & Fonseca (2019), é um marcador importante de melhora metabólica, visto que o acúmulo de gordura visceral está fortemente associado a doenças cardiovasculares e síndrome metabólica. 

4.2 Resultados Funcionais 

Em relação às variáveis funcionais, os resultados demonstraram ganhos expressivos em flexibilidade e mobilidade, como apresentado na Tabela 2. O desempenho no teste de sentar e alcançar (Wells) melhorou de 24,5 ± 5,1 cm para 28,9 ± 5,4 cm, um aumento médio de 4,4 cm (p = 0,01), indicando ganhos significativos na amplitude de movimento da cadeia posterior e na elasticidade muscular. Já o teste Timed Up and Go (TUG) apresentou redução do tempo médio de 8,9 ± 1,3 s para 7,6 ± 1,1 s (p = 0,02), representando melhora de 14,6% na mobilidade funcional. 

Tabela 2 – Variáveis funcionais antes e após a intervenção (n = 12) 

Esses resultados refletem uma melhora na capacidade funcional das participantes, principalmente na flexibilidade e no equilíbrio dinâmico, o que é fundamental para a prevenção de quedas e para a manutenção da independência nas atividades diárias. Lousada (1976) e Nogueira & Ramos (1987) já destacavam a importância da flexibilidade como componente determinante da autonomia em mulheres mais velhas. Os ganhos observados neste estudo corroboram achados de Lima (1995), que verificou aumentos médios de 3 a 5 cm no teste de Wells em mulheres submetidas a programas similares de alongamento e fortalecimento. 

A melhora no TUG também está em consonância com os resultados de Vieira, Silva & Borges (1995), que identificaram reduções de 1 a 1,5 segundos após oito semanas de exercícios multicomponentes. Essa diminuição no tempo de execução demonstra não apenas maior agilidade, mas também aprimoramento do controle postural e da força de membros inferiores, aspectos essenciais para a mobilidade funcional. Além disso, Gobbo et al. (2012) ressaltam que o TUG é altamente sensível a intervenções curtas e que melhorias superiores a 10% já podem ser consideradas clinicamente relevantes, o que reforça a importância dos ganhos observados no presente estudo. 

4.3 Discussão integrada 

A análise conjunta dos resultados revela que o programa de exercícios físicos desenvolvido no contexto do Programa Academia da Saúde foi eficaz em promover melhorias significativas tanto na composição corporal quanto na funcionalidade das participantes. Embora a redução de peso e IMC tenha sido modesta, as diminuições no percentual de gordura e nas circunferências corporais indicam uma redistribuição positiva da massa corporal, favorecendo o perfil metabólico e a saúde cardiovascular. Paralelamente, os ganhos em flexibilidade e mobilidade demonstram impacto direto na qualidade de vida, permitindo maior independência e segurança nas tarefas cotidianas. 

Esses achados reforçam as evidências já apontadas por Kingston et al. (2010) e Santos & Fonseca (2019), que descrevem o exercício físico regular como fator essencial para o envelhecimento saudável. Mesmo intervenções curtas, quando realizadas com regularidade e supervisão, são capazes de induzir adaptações neuromusculares e metabólicas perceptíveis em poucas semanas. Os resultados também demonstram a relevância de programas comunitários e públicos, pois proporcionam oportunidades acessíveis e seguras para a prática de exercícios, contribuindo para a inclusão social e o bem-estar psicológico, conforme salientado por Silva & Gomes (2018). 

Do ponto de vista fisiológico, o conjunto de exercícios aplicados (força, resistência, equilíbrio e flexibilidade) parece ter promovido adaptações complementares. O treinamento de resistência contribuiu para o aumento do gasto energético e a redução da gordura corporal, enquanto o fortalecimento e as dinâmicas de equilíbrio atuaram sobre o controle motor e a estabilidade postural. Essas adaptações resultam da plasticidade neuromuscular e cardiovascular, conforme descrito por Rodrigues et al. (2020), e justificam as melhorias expressivas nos testes de flexibilidade e TUG. 

Ainda que o tempo de intervenção tenha sido relativamente curto e a amostra limitada, o estudo demonstra resultados consistentes e clinicamente relevantes. A frequência elevada das sessões (cinco vezes por semana), o acompanhamento profissional e a interação social entre as participantes foram fatores decisivos para o sucesso da intervenção, conforme também indicado por Gobbo et al. (2012). Além disso, o programa apresentou caráter acessível e sustentável, com recursos simples e estrutura adequada para aplicação em outros contextos municipais, reforçando seu potencial como modelo de política pública de promoção da saúde. 

Em síntese, os resultados do presente estudo confirmam que a prática regular de exercícios multicomponentes, supervisionados e aplicados em ambiente comunitário, promove ganhos relevantes na composição corporal e na capacidade funcional de mulheres de meiaidade e idosas. Esses achados contribuem para consolidar a importância dos programas públicos de exercício físico como estratégias eficazes de prevenção e promoção da saúde, além de servir como referência para o aprimoramento de futuras ações voltadas ao envelhecimento ativo e à melhoria da qualidade de vida. 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Os resultados obtidos nesta pesquisa permitem concluir que o programa de exercícios físicos implementado no âmbito do Programa Academia da Saúde em Campos Gerais, Minas Gerais, promoveu melhorias significativas na composição corporal e na capacidade funcional de mulheres com idades entre 40 e 70 anos. Após seis semanas de intervenção supervisionada, observou-se redução nos indicadores antropométricos — como peso corporal, índice de massa corporal, percentual de gordura e circunferências corporais — e aumento expressivo na flexibilidade e na mobilidade funcional, evidenciado pela melhora no teste de sentar e alcançar e pela redução do tempo no Timed Up and Go. 

Essas alterações refletem adaptações fisiológicas decorrentes da prática regular de exercícios multicomponentes, que combinam atividades de força, resistência, equilíbrio e flexibilidade, promovendo benefícios simultâneos nos sistemas muscular, cardiovascular e neuromotor. Além dos efeitos físicos mensuráveis, o programa mostrou-se relevante também sob o ponto de vista social, pois favoreceu a interação entre as participantes, o sentimento de pertencimento e a adesão contínua à prática de atividade física. 

Os resultados encontrados corroboram as evidências de diversos autores de que programas comunitários de exercício físico, quando bem estruturados e supervisionados por profissionais capacitados, constituem uma ferramenta eficaz para o envelhecimento ativo e saudável. O presente estudo, portanto, reforça a importância de iniciativas públicas que garantam o acesso regular e gratuito a atividades físicas orientadas, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida, autonomia e bem-estar de mulheres adultas e idosas. 

Recomenda-se, para pesquisas futuras, a ampliação do tempo de intervenção, o aumento do tamanho amostral e a inclusão de grupos controle, a fim de consolidar as evidências apresentadas e permitir análises mais robustas dos efeitos de longo prazo. Além disso, sugerese a incorporação de variáveis psicossociais, de força muscular máxima e de indicadores metabólicos, que possibilitem compreender com maior profundidade os múltiplos benefícios da prática regular de exercícios no contexto do envelhecimento. 

Em síntese, conclui-se que o programa de exercícios físicos desenvolvido no âmbito comunitário representa uma alternativa viável, segura e eficaz para a promoção da saúde, demonstrando que a integração entre políticas públicas, ciência e prática profissional é essencial para a construção de uma sociedade mais ativa e saudável. 

REFERÊNCIAS 

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1Discente do Curso Superior de Bacharelado em Educação Física, Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais. E-mail: macrica2002@gmail.com

2Discente do Curso Superior de Bacharelado em Educação Física, Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais. E-mail: liviacostaroma1533@gmail.com

3Docente do Curso Superior de Bacharelado em Educação Física, Faculdade de Ciências e Tecnologias de Campos Gerais. E-mail: yvan.boas@gmail.com