EFEITOS DA KINESIO TAPING NA DOR LOMBAR EM IDOSAS NO MEIO AQUÁTICO

EFFECTS OF KINESIO TAPING ON LOW BACK PAIN IN ELDERLY WOMEN IN THE AQUATIC ENVIRONMENT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511182320


Louise Mai de Melo1
Alecsandra Pinheiro Vendrusculo2


Resumo

Objetivo: Avaliar o comportamento da dor lombar de idosas pré e pós fisioterapia aquática com o uso de bandagem elástica (BE). Método: Pesquisa quantitativa, descritiva e quase-experimental, a amostra composta por idosas sedentárias com idade entre 60 a 80 anos de idade, independentes funcionais e foram divididas em dois grupos experimentais: o grupo que realizou o programa de fisioterapia aquática (FA) com BE (GBE) e o grupo que somente realizou o programa sem BE (GSBE).  A BE foi aplicada na região lombar sempre pré sessão de FA. A funcionalidade foi avaliada através do teste Time get up and go (TUG) e do questionário Roland Morris (RM) e a dor por meio da Escala Visual Analógica (EVA). As idosas foram avaliadas pré e pós programa de FA de cinco semanas. Resultados: na análise intragrupos, todas as variáveis mostraram diferenças significativas quando comparadas pré e pós programa de FA. Não foi verificado diferença intergrupos para a funcionalidade, já para a variável dor, foi observado diferença significativa entre os grupos experimentais. Conclusão: a BE é efetiva na diminuição da dor lombar de idosas, tornando-se um recurso fisioterapêutico seguro e que não utiliza medicamentos na sua composição. A FA se confirmou como um meio eficaz para a manutenção da funcionalidade e diminuição da dor, demonstrando que o meio líquido é adequado para a realização de exercícios para idosas e a associação com o uso da BE é efetivo no controle da dor.

Palavras-Chave: Idosas. Hidroterapia. Bandagem elástica. Dor lombar.

Abstract

Objective: To evaluate the behavior of low back pain in elderly people before and after aquatic physiotherapy with the use of elastic bandage (BE). Method: Quantitative, descriptive and quasi-experimental research, a sample composed of sedentary elderly people aged between 60 and 80 years old, independent and divided into two experimental groups: the group that carried out the aquatic physiotherapy (FA) program with BE (GBE) and the group that only carried out the program without BE (GSBE).  BE was applied to the lumbar region always before the AF session. Functionality was assessed using the Time get up and go test (TUG) and the Roland Morris questionnaire (RM) and pain using the Visual analogue scale (EVA). The elderly women were evaluated before and after the five-week FA program. Results: in the intragroup analysis, all variables showed significant differences when compared pre and post FA program. No intergroup difference was found for functionality, while for the pain variable, a significant difference was observed between the experimental groups. Conclusion: BE is effective in reducing low back pain in the elderly, making it a safe physiotherapeutic resource that does not use medications in its composition. FA was confirmed as an effective means for maintaining functionality and reducing pain, demonstrating that the liquid environment is suitable for performing exercises by the elderly and the association with the use of BE is effective in controlling pain.

Keywords: Elderly. Hydrotherapy. Elastic bandage. Low back pain.

INTRODUÇÃO

No ano de 1970, a Kinesio Taping, conhecida como bandagem elástica (BE), foi criada no Japão pelo Dr. Kenzo Kase. É utilizada para atender vários objetivos, um deles é o alívio da dor, e é composta, exclusivamente, por fibra de algodão, o que deixa a fita mais fina e leve, permitindo que os movimentos permaneçam livres1

A BE é usada para ajudar no manejo clínico de pacientes que apresentem dor crônica2 e, segundo Jung et al.3 o uso da BE aumenta os estímulos dos mecanorreceptores que estão localizados na derme e epiderme, resultando na diminuição da dor. 

Outro recurso utilizado para o manejo da dor é a fisioterapia aquática (FA), pois associa as propriedades físicas da água, como o empuxo, a densidade e a pressão hidrostática ao exercício4

A FA é adequada para o público idoso devido a redução da sobrecarga articular, aumento do relaxamento muscular e da circulação periférica, bem como diminuição da dor. Esse meio diminui o risco de quedas e aumenta o tempo de reação, o que também é benéfico para esse público5,6.

Segundo os dados de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, houve um aumento da população idosa (com mais 60 anos) de 14,7% 7, e é de suma importância que se estude alternativas para o manejo das disfunções advindas do envelhecimento. 

Descrito por um declínio na capacidade funcional do organismo, o envelhecimento resulta em alterações como o aumento da rigidez, perda de massa muscular, diminuição da mobilidade articular e força muscular, além de dificuldades no equilíbrio e no aumento da dor6.

Conforme Aguilar-Ferrándiz et al.2 é fato que a dor lombar manifesta-se com o processo de envelhecimento, conhecida também como lombalgia, que é uma das principais causas de incapacidade. Ainda, segundo os mesmos autores, observa-se que a lombalgia é um conjunto de sintomas que são provocados por uma lesão muscular ou ligamentar, causada pela má postura, ausência de atividades físicas diárias, fraturas ósseas, entre outros.

A dor lombar crônica inespecífica pode afetar a estrutura e função do corpo, causando redução da força muscular e diminuição da mobilidade e esses sintomas associados ao processo do envelhecimento podem ser exacerbados8

Após o descrito acima, justifica-se o presente trabalho, visto que bibliografias foram encontradas associando BE e dor, bem como FA e dor em idosos, mas não se verificou publicações que associam FA e BE para o alívio da dor em idosos. No entanto, com o aumento significativo da população alvo, o fisioterapeuta necessita aprofundar seus estudos sobre as técnicas já existentes como a BE e a FA, bem como inovar e enriquecer seu conhecimento técnico-científico com pesquisas que associam esses recursos que são alternativas para o manejo da dor em pessoas idosas.

Além disso, podem surgir ideias de pesquisa para extrapolar esses recursos em outras populações, em diferentes faixas etárias, além dos subsídios já disponíveis. Diante do escrito acima, o objetivo do presente artigo foi avaliar o comportamento da dor lombar de idosas pré e pós fisioterapia aquática com o uso de bandagem elástica.

MÉTODOS 

A presente pesquisa é de caráter quantitativa, descritiva que tem como objetivo descrever e analisar quantitativamente as características, comportamentos e fenômenos da amostra. De acordo com Silvia9 é uma forma sistemática de medir e resumir informações, através da coleta de dados com questionários e testes, os resultados são apresentados em tabelas, gráficos e estatísticas descritivas, permitindo uma compreensão mais profunda das tendências e padrões resultantes dos dados. Ainda, tem caráter quase-experimental, isto é, sem grupo controle, que segundo Gil10 tem como objetivo pesquisar com um grau de controle próximo a pesquisas experimentais.

O projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Franciscana (UFN) conforme os critérios éticos estabelecidos pela resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde (CNS), e foi aprovado sob o número do CAAE: 76451523.9.0000.5306.

A pesquisa foi realizada junto ao Laboratório de Ensino Prático em Fisioterapia (LEP), na UFN na cidade de Santa Maria – RS, entre os meses de março e maio de 2024. A piscina utilizada para a realização do programa de FA também foi do LEP, juntamente com os artefatos aquáticos. A temperatura da água foi mantida em aproximadamente 32º.

A amostra foi aleatória por conveniência, composta por idosas com idade entre 60 e 80 anos, que apresentassem lombalgia inespecífica com diagnóstico médico, sedentárias que na presente pesquisa foi considerado como indivíduos que não realizam ao menos 30 minutos e cinco vezes por semana de exercício físico de leve a moderada ou a pessoa que se mantém muito tempo inativa, sem praticar exercícios físicos11.

Os critérios de inclusão foram idosas que apresentavam marcha independente, sem déficit cognitivo, sensorial, visual ou auditivo que as impedissem de acompanhar instruções verbais e visuais bem como não apresentassem outras patologias que interferissem nas avaliações propostas. 

Os critérios de exclusão foram idosas que apresentassem contraindicação para FA, que estivessem realizando tratamento fisioterapêutico ou outro que interferisse na sua dor, faltassem 2 vezes consecutivas ou 3 vezes ao longo do programa de exercícios ou que tivessem realizado alguma cirurgia nos últimos 3 meses que interferisse na realização dos exercícios. 

Após a aprovação pelo CEP, iniciou-se o processo de divulgação da pesquisa nos campos de prática do curso de fisioterapia da UFN e as idosas que demonstraram interesse em participar, foram convidadas para uma reunião na sede da instituição proponente.

O primeiro encontro com as voluntárias, foi em uma data e horário previamente definida. Nesse dia foi explicado os objetivos da pesquisa, bem como os instrumentos que seriam utilizados e o programa de FA a ser realizado. Quem aceitou participar, assinou o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) em duas vias, sendo uma para o participante e outra para o pesquisador. Em seguida foi agendado um dia e horário individual para cada participante para a aplicação dos instrumentos de coleta de dados. Ainda nesse dia foi aplicado um pequeno pedaço da BE para verificar se alguma das participantes iria apresentar alergia à fita, o que não ocorreu.

Para coleta de dados individuais foi aplicada uma ficha de avaliação elaborada pelas autoras da presente pesquisa. Para avaliação da intensidade da dor foi aplicado uma Escala Visual Analógica (EVA), que possui uma linha horizontal numerada de 0 a 10, em que 0 a 2 indica dor leve, 3 a 7 dor moderada e 8 a 10 dor intensa. O participante deveria marcar a intensidade da sua dor na região lombar, de acordo com a numeração que aparece acima das ilustrações na EVA12

O questionário Roland Morris (RM) compreende 24 perguntas em relação a atividades diárias, e foi dada uma pontuação de 1 para cada questão que o participante concordasse e 0 para aquelas que não concordasse. A soma dos valores fica entre 0 e 24, sendo que quanto mais próximo de 24, maior a incapacidade do usuário com dor lombar 13

Para realizar o Time Get Up And Go (TUG), primeiramente a participante deve estar sentada em uma cadeira, e assim que solicitado deve levantar e caminhar até uma marca estabelecida no chão com uma distância de 3 metros, fazer o retorno e voltar ao local de origem sentando-se novamente. Foi avaliado o tempo de percurso em que a pessoa realizou o trajeto. Com o escore inferior a 10 segundos, o indivíduo é considerado livre e independente, se o tempo estiver entre 11 e 19 segundos considera-se independente, mas apresenta equilíbrio moderado, quando o tempo estiver entre 20 e 29 segundos apresenta alguma dificuldade para as atividades diárias. Com o tempo acima de 30 segundos são totalmente dependentes para as atividades diárias14.

A BE foi aplicada com o indivíduo em bipedestação com flexão de tronco de 45º. Foi colocada duas faixas na forma de “I” maiúsculo ao longo da musculatura paravertebral da região lombar (figura 1). Em seguida foi colocada 2 tiras em forma de “I” sobrepostas formando um X, para realizar a correção de espaço (figura 2)2. Foi aplicada na direção caudal cefálica, com intensidade de 75%.

A BE foi aplicada sempre pela autora da pesquisa anteriormente à sessão de FA e a participante permaneceu com a BE até o início da próxima sessão de FA

Os dados foram coletados pré e pós programa de FA e contou com uma equipe previamente treinada pelas autoras da pesquisa.

Na avaliação pré foi preenchida a ficha de avaliação, em seguida foi aplicado a escala EVA e o questionário de Roland Morris na forma individual em uma sala do LEP. Por último foi realizado o teste TUG em outra sala do LEP. 

Os participantes foram divididos em dois grupos experimentais de forma aleatória, ou seja, as participantes retiravam um papel de um envelope que tinha a cor rosa para o grupo que realizou o programa de FA com BE (GBE) e a cor azul o grupo que realizou o programa de FA sem BE (GSBE).

O programa de FA (quadro 1) foi embasado na literatura clássica da área15,16,17 foi realizado durante 5 semanas, 2 vezes na semana, totalizando 10 sessões de exercícios aquáticos mais 2 sessões para a avaliação pré e pós. A sessão teve a duração de aproximadamente 45 minutos e foi dividida em 3 etapas: aquecimento, parte principal e alongamento. 

Na análise estatística verificou-se a normalidade das variáveis a serem estudadas através do teste de Shapiro-Wilk. Na comparação dos métodos (TUG, RM e EVA) dos grupos GBE e GSBE analisando os momentos pré e pós foi aplicado o teste t para dados pareados. No estudo dos métodos em relação aos grupos em cada momento, foi aplicado o teste t para dados independentes. As diferenças e as associações foram consideradas significativas quando os resultados apresentaram o valor-p < 0,05. O software IBM SPSS Versão 25 foi utilizado como ferramenta computacional para a análise estatística dos dados.

RESULTADOS 

No presente estudo foram avaliadas 25 idosas, sedentárias, com idade mínima de 60 anos e idade máxima de 80 anos, com a média e desvio padrão de 68,92 ± 5,45, respectivamente. O grupo GBE foi composto por 12 idosas e o grupo GSBE foi composto por 13 idosas.

Quando analisado os dados da avaliação pré com a avaliação pós do mesmo grupo, ou seja, uma análise intragrupo, verificou-se diferença estatisticamente significativa para todos as variáveis analisadas (TUG, RM e EVA), nos dois grupos: GBE e GSBE (Tabela 1).

GBE (grupo que realizou o programa de fisioterapia aquática com a bandagem elástica) e GSBE (o grupo que realizou o programa de fisioterapia aquática sem bandagem elástica), TUG (Time Get Up And Go), RM (Roland Morris) e EVA (Escala Visual Analógica). Nível de significância p<0,005.

Na Tabela 2 estão descritos os dados da análise estatística intergrupos para todas as variáveis. Observou-se um comportamento similar para o TUG e o questionário RM, onde não ocorreu diferença estatisticamente significativa nem na avaliação pré e nem na avaliação pós. 

Quando se analisou o comportamento da variável dor, verificou-se que não teve diferença na avaliação pré intergrupos, o que não ocorreu na avaliação pós onde houve diferença estatisticamente significativa, ou seja, o uso da BE influenciou o comportamento da dor durante o programa de FA proporcionando alívio da dor lombar para as participantes. 

Grupo que realizou o programa de fisioterapia aquática com a bandagem elástica (GBE) e o grupo que realizou o programa de fisioterapia aquática sem bandagem elástica (GSBE). Nível de significância p<0,005.

DISCUSSÃO

Após analisar os dados verificou-se que a dor diminuiu após o programa de FA e quando comparados os grupos observou-se que a diminuição foi mais significativa no grupo que usou a BE.

Isso pode ser explicado devido às propriedades físicas da água, como o empuxo, que é uma força de sentido contrário à força de gravidade, que leva a impressão de que o corpo fica mais leve durante a imersão, o que facilita os movimentos dentro da água18.

Também a densidade relativa que é a densidade do corpo em relação a densidade da água, interfere na sua flutuação, portanto esse princípio gera muitas possibilidades de movimentos e resistências durante a imersão, ainda a pressão hidrostática aumenta conforme a profundidade de imersão e provoca uma massagem tecidual na região e o alongamento dos tecidos tensos, bem como a estimulação dos mecanorreceptores levando ao alívio da dor4.

Outra explicação para o alívio da dor no meio aquático é a teoria da comportas, que foi elaborada em 1965 por Melzack e Wall, e descrevem a participação de um mecanismo neural que se comporta como um portão. Consiste na modulação da dor através das fibras nervosas, que pode ampliar ou reduzir a condução de informações ao sistema Nervoso Central (SNC) e explica, como as correntes elétricas promovem a analgesia. Estabelece também a modulação da dor por meio de estímulos de mecanorreceptores de diâmetro largo, inibindo nociceptores através do “fechamento da comporta”, já que os opióides endógenos, também inibitórios da dor, liberam neurotransmissores que realizam esta modulação tanto no componente sensitivo quanto no emocional19

Corroborando com a explicação da teoria das comportas, VITOR et al.20 cita que os nociceptores localizam-se na porção distal dos neurônios de primeira ordem e estão distribuídos pela pele, vasos, articulações e vísceras. Existem três classes, os mecanorreceptores sensíveis à estimulação mecânica, os termorreceptores que são sensíveis à estimulação térmica e os nociceptores que sentem ambos os estímulos, térmicos e mecânicos. Os nociceptores transmitem as informações dolorosas para a medula espinal, pelas fibras rápidas que são responsáveis pela dor rápida, aguda e pontual, enquanto as fibras lentas transmitem a dor difusa e fraca.

O fato do grupo que utilizou a BE apresentar uma maior efetividade na diminuição da dor, pode ser justificado pelo uso dessa medida para aumentar a entrada da sensação proprioceptiva através da tensão da fita e melhorar a percepção do movimento do corpo21. Ainda, o uso da BE aumenta os estímulos dos mecanorreceptores que estão localizados na derme e epiderme, resultando na diminuição da dor e aumento da circulação sanguínea3.

Segundo Azab et al.22 a BE adere de maneira eficaz à pele e exerce pressão local, gera o aumento do espaço entre a derme e a epiderme, promove o aumento da circulação sanguínea subcutânea e auxilia no retorno linfático. Ainda, através da sua tensão acelera a cicatrização do local lesionado, ajudando assim a eliminar substâncias que causam dor. Segundo os mesmos autores, fornece uma entrada neurossensorial contínua aos receptores da pele, suprimindo relativamente a entrada sensorial da dor e melhorando sua capacidade de reduzir a estimulação mecânica dos tecidos moles durante o movimento da coluna lombar. 

O estudo de Senbursa et al.23 revelou que a BE foi muito eficaz na melhora da dor lombar em um curto período, e pode mostrar alívio imediato da dor durante a prática de exercícios sem outras reações adversas, e o uso contínuo da BE pode manter esses benefícios a longo prazo.

A funcionalidade das participantes foi avaliada por meio do TUG e do questionário RM, nos grupos GBE e GSBE e foi observado que não houve diferença significativa entre os dois grupos. Esses testes são considerados um método simples, prático e efetivo para avaliar a funcionalidade da população idosa, visto que esta envolve estruturas e funções do corpo, independência e autonomia do sujeito, bem como a sua participação na sociedade24.

O equilíbrio corporal é um dos primeiros sistemas a sofrer modificações com o processo de envelhecimento, com isso o sistema sensorial é afetado pela própria diminuição da reserva funcional do idoso e pelas alterações que acometem com frequência essa faixa etária como: declínio das capacidades físicas, diminuição da força muscular, flexibilidade, agilidade e coordenação, que levam ao aumento da instabilidade postural25

Outro fator que influencia a funcionalidade é a sarcopenia, que segundo Barajas-Galindo et al26 refere-se à perda gradual de massa muscular, força e função que ocorre com o envelhecimento, é uma parte natural do processo de envelhecimento, normalmente começando por volta da meia-idade, mas acelerando após os 75 anos, com isso vários fatores contribuem para a sarcopenia, incluindo a diminuição da atividade física. 

A falta de exercício físico é um dos principais fatores de risco da sarcopenia e o exercício resistido é a principal ferramenta não farmacológica para o seu tratamento27. O programa de FA da presente pesquisa incluiu exercícios de resistência e isso associado aos princípios físicos da água, podem explicar os resultados encontrados quanto a funcionalidade.

Prevenir e controlar a sarcopenia envolve uma abordagem que abrange atividade física regular, especialmente para manter a massa e força muscular, ingestão adequada de proteínas para apoiar a reparação e crescimento muscular e uma boa nutrição geral28.

O programa de FA foi apropriado para a população estudada devido associar exercícios de fortalecimento, resistência e alongamentos com uma periodização adequada. Segundo Souza e Viana5 abordam que a imersão leva a diminuição da pressão arterial, o aumento do relaxamento muscular e psicológico, a melhora do equilíbrio, da postura e da propriocepção, bem como o aumento da coordenação e da força muscular. 

Flores et al 29 concordam com esses achados e confirmam mais uma vez que a prática de exercícios realizados na água aquecida, contribuem para que essa população melhore a sua condição de saúde, motive para a autonomia e valorize ainda mais as suas capacidades. 

Considerando que idosas frequentadoras de grupo de convivência tem como característica serem mais ativas e com maior independência, a hipótese da melhora no desempenho nos testes funcionais foi confirmada na presente pesquisa30. 

Algumas limitações foram surgindo ao longo do estudo, tais como: artigos que discutem sobre kinesio taping e os fatores climáticos que afetaram nosso estado no mês de maio. 

CONCLUSÃO

Após a análise dos dados e o estudo aprofundado da literatura existente, concluiu-se que a bandagem elástica associada à imersão é efetiva na diminuição da dor lombar de idosas, tornando-se um recurso fisioterapêutico seguro e que não utiliza medicamentos na sua composição.

Ainda, a fisioterapia aquática se confirmou como um meio eficiente e resolutivo para a manutenção da funcionalidade de idosas, visto que apresentou resultados significativos em todos os instrumentos avaliados, ou seja, influenciou na melhora da funcionalidade, da mobilidade e na diminuição da dor.

Verificou-se que não houve diferença significativa na funcionalidade entre os grupos com e sem BE, demonstrando que foi o meio aquático que influenciou o comportamento dessa variável.

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1Discente, Universidade Franciscana, Curso de Fisioterapia. Santa Maria, RS, Brasil.
2Docente, Universidade Franciscana, Curso de Fisioterapia. Santa Maria, RS, Brasil.