EFFECT OF MULTICHANNEL COMMUNICATION STRATEGIES ON VACCINE UPTAKE: AN EMPIRICAL STUDY IN THE DISTRICT OF NAMPULA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512091254
Agostinho José Pedro Mauire1
Toni Andre Scharlau Vieira2
Longo Pedro Chuva3
Resumo
O presente estudo tem por finalidade analisar o efeito das estratégias multicanais de comunicação na adesão vacinal no Distrito de Nampula. Reconhecendo que a comunicação em saúde desempenha um papel determinante na formação de atitudes e na tomada de decisão, investigou-se como diferentes canais, rádio comunitária, activações presenciais e mensagens móveis, contribuem para influenciar a intenção de vacinação. Adoptou-se uma abordagem qualitativa de carácter exploratório, recorrendo a entrevistas semiestruturadas e a grupos focais com residentes de três bairros, bem como com profissionais de saúde envolvidos em campanhas vacinais e actividades de Vacinação de Rotina. A selecção dos participantes foi intencional, atendendo à diversidade de exposição aos canais de comunicação utilizados localmente. Os dados foram tratados mediante análise temática, permitindo identificar padrões de percepção, barreiras comunicacionais e factores facilitadores da adesão vacinal. Os resultados sugerem que a combinação de múltiplos canais aumenta a confiança na informação recebida e reforça a intenção declarada de vacinar, sobretudo quando as mensagens são consistentes e culturalmente adaptadas. Contudo, persistem constrangimentos ligados à literacia em saúde, à circulação de desinformação e à desigualdade no acesso aos meios de comunicação. O estudo contribui para uma compreensão aprofundada da eficácia comunicacional no contexto moçambicano e oferece subsídios para optimizar estratégias de sensibilização, reforçando políticas públicas orientadas para a melhoria da cobertura vacinal no Distrito de Nampula.
Palavras-Chave: Comunicação em saúde; Multicanalidade; Adesão vacinal, Literacia em saúde; Estratégias de sensibilização.
Abstract
The purpose of this study is to analyze the effect of multichannel communication strategies on vaccine uptake in the District of Nampula. Recognizing that health communication plays a decisive role in shaping attitudes and decision-making, we investigated how different channels, community radio, faceto-face activations, and mobile messages contribute to influencing vaccination intentions. An exploratory qualitative approach was adopted, using semi-structured interviews and focus groups with residents of three neighborhoods, as well as with health professionals involved in vaccination campaigns. Participants were selected intentionally, given the diversity of exposure to locally used communication channels. The data were processed using thematic analysis, allowing the identification of patterns of perception, communication barriers, and factors facilitating vaccination adherence. The results suggest that combining multiple channels increases trust in the information received and reinforces the stated intention to vaccinate, especially when messages are consistent and culturally adapted. However, constraints related to health literacy, the circulation of misinformation, and unequal access to the media persist. The study contributes to a deeper understanding of communication effectiveness in the Mozambican context and provides insights for optimizing awareness strategies, reinforcing public policies aimed at improving vaccination coverage in the District of Nampula.
Keywords: Health communication; Multichannel communication; Vaccination adherence; Health literacy; Awareness strategies.
Introdução
A adesão vacinal constitui um dos pilares fundamentais da saúde pública. Este debate ganha ainda mais relevo em contextos onde persistem desafios socioculturais, económicos e estruturais que condicionam o acesso aos serviços de imunização.
Em Moçambique, e particularmente no Distrito de Nampula, têm sido observadas variações significativas nos níveis de cobertura vacinal, revelando a necessidade de estratégias de comunicação mais eficazes e culturalmente ajustadas. A comunicação em saúde, quando estruturada de forma clara, multicanal e contextualizada, desempenha um papel decisivo na formação de atitudes, na construção de confiança e na mobilização comunitária para a vacinação.
Com o advento de novas tecnologias e a crescente diversificação dos meios de difusão de informação, a utilização de estratégias multicanais, tornou-se uma abordagem cada vez mais relevante para alcançar públicos distintos e reduzir assimetrias informativas. Esta prática combina rádio comunitária, activações presenciais, redes sociais, mensagens móveis e intervenções interpersonais.
Todavia, a eficácia destas estratégias depende da coerência das mensagens, da credibilidade das fontes e da capacidade de alcançar populações com diferentes níveis de literacia em saúde.
Apesar dos esforços já empreendidos pelas autoridades sanitárias e actores comunitários, subsiste uma lacuna de conhecimento empírico sobre como os diferentes canais de comunicação influenciam efectivamente a intenção e a prática da vacinação em Nampula.
Assim, o presente estudo procura analisar o efeito das estratégias multicanais de comunicação na adesão vacinal, contribuindo para o desenvolvimento de modelos comunicacionais mais eficientes e para o reforço das políticas públicas de imunização no contexto moçambicano. Deste modo, emerge a seguinte questão de investigação que orienta o presente estudo: de que forma as estratégias multicanais de comunicação influenciam a adesão vacinal no Distrito de Nampula?
1. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
1.1. Conceitos fundamentais
A comunicação em saúde tem sido conceptualizada como um processo social orientado para a produção, circulação e interpretação de mensagens capazes de influenciar conhecimentos, atitudes e comportamentos relacionados com a saúde (Rimal & Lapinski, 2009). Esta definição enfatiza que comunicar em saúde não é apenas transmitir informação, mas gerar significado num contexto sociocultural específico.
De forma convergente, Schiavo (2013) e de Matos (2015) sustentam que a comunicação efectiva depende da capacidade de adaptação das mensagens às características cognitivas, linguísticas e simbólicas dos públicos, sublinhando a importância da sensibilidade cultural e da escuta activa.
O conceito de estratégias de comunicação, por seu turno, refere-se ao conjunto organizado de acções que procuram orientar o fluxo informacional para objectivos de mudança comportamental (Nutbeam, 2000; Duarte, 2020). A multicanalidade surge, neste quadro, como uma extensão operacional da lógica estratégica: utilizar diversos meios, formais e informais, para reforçar a consistência e a amplitude das mensagens.
A combinação de canais revela-se especialmente relevante em contextos onde diferentes níveis de literacia em saúde coexistem, permitindo alcançar públicos que, por limitações socioeconómicas ou tecnológicas, ficariam excluídos caso se recorresse a um único meio. Esta abordagem multicanal amplia o alcance, diversifica formatos de recepção e reduz desigualdades de acesso à informação, tornando-se essencial para intervenções comunicacionais eficazes em saúde (Kotler, Roberto & Lee, 2002; Peres, Rodrigues & Lacerda, 2021).
A adesão vacinal, conceito central deste estudo, tem sido definida como a decisão voluntária de aceitar ou recusar vacinas com base numa avaliação cognitiva, emocional e social (MacDonald, 2015; Luz, Nadanovsky & Leask, 2020). Esta decisão depende não apenas da percepção de risco individual, mas também da confiança nas instituições sanitárias e na credibilidade das fontes de informação.
A literacia em saúde revela-se um elemento estruturante na forma como indivíduos e comunidades interpretam e respondem às mensagens sobre vacinação. Enquanto capacidade de aceder, compreender e aplicar informação de modo a sustentar decisões informadas, ela funciona como um catalisador de autonomia e de resiliência sociocultural perante os desafios sanitários contemporâneos (Nutbeam, 2008; Moreira, & Martins, 2020).
Nesse sentido, quando a literacia é limitada, torna-se mais fácil a circulação e enraizamento de rumores, narrativas distorcidas e desinformação, criando um terreno fértil para a hesitação vacinal. Esta combinação de fragilidades informacionais torna ainda mais evidente a importância de estratégias comunicacionais multicanais que promovam clareza, proximidade e confiança, pilares indispensáveis para contrariar incertezas e fortalecer a adesão às vacinas (Larson et al., 2014).
1.2. Modelos e teorias de comunicação em saúde
Os modelos e teorias de comunicação em saúde fornecem lentes interpretativas para compreender como as mensagens são produzidas, transmitidas e apropriadas pelos diferentes públicos. O clássico modelo de Lasswell, sintetizado na conhecida fórmula “Quem diz o quê, por qual canal, a quem e com que efeito?”, continua a ser um ponto de partida fundamental (Lasswell, 1948).
Embora simplificado, o modelo destaca a necessidade de coerência entre emissor, conteúdo, canal e impacto esperado, algo que permanece relevante quando se analisam estratégias multicanais de promoção vacinal.
MODELO DE COMUNICAÇÃO DE LASSWELL

Fonte: Autores, 2025. adaptado do Lasswell, 1948.
Ao longo das décadas, contudo, a comunicação passou a ser entendida como um processo mais interactivo. A Teoria da Comunicação Persuasiva, inspirada em Hovland e colaboradores, argumenta que a eficácia da mensagem depende da credibilidade da fonte, da estrutura argumentativa e da capacidade de provocar envolvimento cognitivo (Hovland, Janis, & Kelley, 1953; Ruão, 2020); Nogueira, Pereira & Damásio, 2023).
Esta perspectiva aproxima-se da noção de “confiança comunicacional”, frequentemente mencionada em estudos sobre hesitação vacinal, onde a percepção de fiabilidade do emissor condiciona fortemente a aceitação da informação (Betsch et al., 2018).
A difusão das inovações, proposta por Rogers (2003), oferece outra chave interpretativa particularmente pertinente para o contexto vacinal. Rogers explica que a adopção de uma inovação, como uma vacina ou campanha, depende de características como vantagem relativa, compatibilidade cultural e simplicidade. Ademais, os “líderes de opinião” desempenham papel essencial ao acelerar a difusão, dialogando directamente com conceitos de multicanalidade e comunicação comunitária.
O Modelo de Crenças em Saúde, formulado por Rosenstock (1974) e posteriormente expandido por Janz e Becker (1984), continua a oferecer uma estrutura conceptual robusta para compreender como percepções de susceptibilidade, gravidade, benefícios e barreiras influenciam a decisão de vacinar.
Brewer et al. (2017), confirmam que estas dimensões permanecem fortemente associadas à intenção vacinal, especialmente em contextos onde circulam informações contraditórias e onde a percepção de risco da doença é baixa.
Ao mesmo tempo, a Teoria Social Cognitiva de Bandura (1986), centrada na aprendizagem social e na auto-eficácia, dialoga de forma pertinente com investigações actuais que demonstram o papel das dinâmicas comunitárias na formação de atitudes pró-vacinais. Schmid et al., (2024), por exemplo, evidenciam que a observação de comportamentos de pares, sobretudo figuras de referência e líderes comunitários, exerce impacto acrescido na confiança colectiva e no reforço da norma social favorável à vacinação.
A convergência entre estes modelos e o debate actual sugere que a decisão vacinal não é apenas um cálculo individual baseado em percepções de risco, mas um processo socialmente ancorado, no qual auto-eficácia, influência social e coerência comunicacional se entrelaçam.
Assim, tanto o Modelo de Crenças em Saúde como a Teoria Social Cognitiva convergem para demonstrar que intervenções eficazes devem articular mensagens claras, canais múltiplos e actores credíveis capazes de gerar confiança pública (Larson, 2022).
O diálogo entre estas teorias sugere que comunicar para promover a vacinação exige mais do que disseminar mensagens: requer alinhamento entre credibilidade, contexto sociocultural, líderes de influência e múltiplos pontos de contacto comunicacional. Assim, os modelos não actuam isoladamente, mas complementam-se ao iluminar diferentes dimensões da adesão vacinal: cognitiva, social, emocional e comportamental.
1.3. Multicanalidade na Comunicação em Saúde
A multicanalidade, enquanto estratégia comunicacional, assenta na premissa de que diferentes públicos acedem, interpretam e valorizam a informação de modos distintos. Em contextos de saúde pública, esta diversidade de canais torna-se especialmente relevante para garantir amplitude e profundidade na circulação de mensagens essenciais, como aquelas relacionadas com vacinação.
Segundo Schiavo (2013), a combinação de meios tradicionais, digitais e interpessoais permite reforçar a coerência das mensagens e criar múltiplos pontos de contacto com o público, aumentando as probabilidades de compreensão e engajamento.
Por seu turno Noar (2006) acrescenta que campanhas multicanal tendem a ser mais eficazes porque exploram as forças singulares de cada formato: a rádio alcança grandes audiências de forma rápida; as mensagens móveis oferecem personalização; as interacções face a face promovem diálogo e confiança; e os meios digitais ampliam a participação e o debate.
Esta complementaridade reduz limitações individuais de cada canal, criando um ecossistema comunicacional mais robusto. Na mesma linha, Hornik (2002) sustenta que os canais não actuam apenas como veículos de conteúdo, mas como mediadores simbólicos que moldam a forma como a informação é recebida, legitimada e incorporada no repertório cultural da comunidade.
Em contextos de baixa literacia em saúde, a multicanalidade não é apenas desejável, mas estruturalmente necessária. A observação de Kreps e Thornton (1992), de que a diversidade de formatos facilita a superação de barreiras cognitivas e interpretativas, dialoga de forma directa com investigações recentes que demonstram como públicos com diferentes níveis de escolaridade e competências digitais beneficiam de mensagens repetidas e complementares, difundidas por meios distintos. Kim e Xie (2017), por exemplo, mostram que a exposição multissensorial, combinando texto, áudio, imagem e interacção interpessoal, melhora a compreensão e reduz ambiguidades, sobretudo em intervenções de saúde pública.
Paralelamente, a noção de Beck (2024) sobre o papel dos líderes de opinião mantém-se surpreendentemente actual. Os influenciadores comunitários, líderes religiosos, agentes de saúde locais, professores e figuras de referência, continuam a actuar como mediadores críticos na interpretação das mensagens de campanhas vacinais, particularmente em zonas onde a confiança nas instituições formais é frágil.
Esta mediação reforça a ideia de que canais informais, longe de serem meros complementos, funcionam como “traduções culturais” das mensagens oficiais, contribuindo para a sua legitimação social.
Em linha com isso, Hornik et al (2022) rebatem que campanhas multicanal eficazes dependem não apenas da repetição da mensagem, mas da sua circulação por redes sociais, formais e informais, capazes de gerar coerência e reduzir dissonâncias informativas. A integração estratégica entre rádio comunitária, encontros presenciais, mensagens móveis e líderes de opinião cria, assim, um ecossistema comunicacional mais resiliente, apto a competir com a desinformação e a fortalecer a confiança pública.
Assim, a multicanalidade não é apenas uma opção técnica, mas uma abordagem sociocultural que reconhece a complexidade dos processos de recepção e tomada de decisão. A convergência entre diferentes meios, ao invés de fragmentar a comunicação, contribui para uma narrativa consistente, capaz de fortalecer a confiança e sustentar práticas de adesão vacinal.
1.4. Comportamento vacinal
O comportamento vacinal é um fenómeno complexo, moldado por factores cognitivos, emocionais, sociais e contextuais, que interagem de forma dinâmica na decisão individual e colectiva de aceitar ou recusar imunizações.
MacDonald (2015) define-o como a manifestação concreta da adesão ou hesitação vacinal, resultante de uma avaliação subjectiva dos riscos, benefícios e confiança nos serviços de saúde (Cunegundes, Machado & Vieira, 2025). Esta perspectiva é complementada por Betsch et al. (2018), que destacam que a decisão de vacinar não depende apenas do conhecimento técnico, mas também de percepções de segurança, normas sociais e experiências anteriores com o sistema sanitário.
As teorias do comportamento em saúde ajudam a compreender estas interacções. O Modelo de Crenças em Saúde, por exemplo, sugere que a intenção de vacinar é influenciada pela percepção de susceptibilidade a uma doença, gravidade do risco, benefícios da vacinação e barreiras percebidas (Rosenstock, 1974; Janz & Becker, 1984; Silva, et al., 2018). Quando aplicado em contextos de vacinação infantil, este modelo evidencia como receios acerca de efeitos adversos ou desinformação podem sobrepor-se à percepção racional do benefício, moldando comportamentos de hesitação.
A Teoria Social Cognitiva de Bandura (1986) acrescenta uma dimensão social crucial: o comportamento vacinal é também aprendido e reforçado através da observação de pares e líderes de opinião. De facto, comunidades com forte coesão social e redes de referência confiáveis apresentam maior adesão vacinal, mesmo em contextos de limitada literacia em saúde (Larson et al., 2014; World Health Organization, 2022). Por outro lado, a presença de mitos e rumores pode ser amplificada por canais informais, interferindo com a perceção de risco e, consequentemente, com a decisão vacinal.
Neste sentido, comunicar para influenciar o comportamento vacinal exige mais do que disponibilizar informação factual. É necessário compreender o contexto sociocultural, integrar múltiplos canais de comunicação e fortalecer a confiança nas fontes, de modo a transformar conhecimento em intenção e intenção em prática. Pois, o comportamento vacinal emerge como resultado de uma interacção contínua entre percepções individuais, normas sociais e estratégias comunicacionais eficazes.
2. METODOLOGIA
Para compreender de forma aprofundada o efeito das estratégias multicanais de comunicação na adesão vacinal, este estudo adoptou uma abordagem qualitativa, adequada para explorar percepções, significados e experiências dos participantes (Creswell & Poth, 2016). A opção pelo desenho exploratório justifica-se pela necessidade de mapear padrões emergentes e compreender fenómenos ainda pouco estudados no contexto do Distrito de Nampula, permitindo flexibilidade e adaptação às especificidades locais (Stebbins, 2001).
A selecção dos participantes seguiu critérios intencionais, privilegiando indivíduos directamente expostos às campanhas vacinais ou envolvidos na sua implementação de rotina, incluindo residentes de três bairros distintos e profissionais de saúde locais. Este método de amostragem, segundo Patton (2015), é eficaz em estudos qualitativos por permitir aprofundamento de experiências relevantes, em detrimento da representatividade estatística.
No total, participaram 12 entrevistados em entrevistas individuais e 24 participantes distribuídos por 3 grupos focais (um por cada bairro estudado). A amostra incluiu ainda 3 profissionais de saúde envolvidos nos processos de vacinação e mobilização comunitária. A distribuição geográfica dos participantes foi a seguinte: Bairro A (12 participantes), Bairro B (13 participantes) e Bairro C (14 participantes), assegurando a recolha de percepções diversificadas provenientes de diferentes realidades sociocomunicacionais do Distrito de Nampula.
A recolha de dados foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e grupos focais. As entrevistas possibilitaram captar narrativas individuais, percepções e motivações, enquanto os grupos focais estimularam a discussão colectiva e a identificação de consensos e divergências sobre a comunicação vacinal (Krueger, 2014). Para garantir anonimato e facilitar a organização dos dados durante a análise, todos os participantes foram codificados de forma sistemática:
- Entrevistas Individuais (EI) receberam códigos do tipo EI-A1, EI-B2 ou EI-C3, em que EI indica entrevista individual, a letra identifica o bairro (A, B ou C) e o número indica a ordem da participação;
- Grupos Focais (GF) foram codificados como GF-A1, GF-B3, GF-C2, seguindo a mesma lógica;
- Profissionais de Saúde, quando entrevistados, foram identificados com códigos específicos, como PS-01 ou ENF-02, preservando a confidencialidade sem comprometer a rastreabilidade analítica.
Este sistema de codificação permitiu relacionar excertos das narrativas ao seu contexto de origem, reforçando a coerência e a auditabilidade da análise, sem qualquer risco de identificação dos participantes.
Os procedimentos éticos seguiram recomendações internacionais, incluindo obtenção de consentimento informado, anonimato e confidencialidade, conforme preconizado pelo Conselho de Pesquisa em Ciências Sociais (Babbie, 2020).
A análise dos dados recorreu à análise temática, que permite identificar, organizar e interpretar padrões recorrentes nas narrativas, relacionando-os com os conceitos teóricos de comunicação em saúde e comportamento vacinal (Dias & Mishima, 2023). A utilização das codificações acima referidas foi essencial nesta etapa, possibilitando cruzar perfis, canais de comunicação e percepções, preservando o rigor interpretativo. Este método favorece a articulação entre descrição detalhada e interpretação crítica, assegurando profundidade e consistência na compreensão do fenómeno estudado.
3. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
A análise temática das entrevistas semiestruturadas e dos grupos focais permitiu identificar quatro categorias nucleares que elucidam a forma como as estratégias multicanais de comunicação influenciam a adesão vacinal no Distrito de Nampula.
A integração dos testemunhos de diversos participantes, mulheres e homens, jovens e adultos, residentes de bairros periurbanos e comunidades rurais, reforçou a consistência dos padrões observados e conferiu maior densidade interpretativa aos resultados.
- Confiança nas fontes de informação
- Preferência por canais de comunicação específicos
- Barreiras e motivadores à vacinação
- Impacto da multicanalidade na intenção vacinal
3.1. Confiança nas fontes de informação
A confiança consolidou-se como eixo interpretativo central na compreensão das dinâmicas de adesão vacinal, revelando que a credibilidade atribuída ao emissor pesa mais do que o próprio conteúdo da mensagem. Este dado confirma a literatura clássica e contemporânea, que destaca a confiança como mediadora crítica na comunicação em saúde, sobretudo em contextos de baixa literacia e elevada circulação de desinformação (Katz & Lazarsfeld, 1955; Larson et al., 2014; Betsch et al., 2018).
Os dados empíricos mostram que os participantes tendem a validar informações provenientes de actores com presença física e legitimidade social. Profissionais de saúde locais foram descritos como fontes “seguras”, o que se evidencia em depoimentos como: “Quando o enfermeiro da minha aldeia explica sobre a vacina, fico mais descansado; ele fala connosco e tira as dúvidas.” (EI-A1). Este tipo de narrativa dialoga directamente com Bandura (1986), que sublinha o papel da interacção directa e da confiança relacional na aprendizagem social e na adopção de comportamentos de saúde.
Líderes comunitários também surgiram como mediadores essenciais, particularmente em zonas rurais, funcionando como validadores culturais das mensagens institucionais. Um participante afirmou: “Na rádio falam muitas coisas, mas só acredito mesmo quando o líder da comunidade confirma.” (EI-B2). Este padrão é coerente com o modelo de “influência a dois níveis” de MacDonald (2015), reforçado por estudos recentes que mostram que líderes locais continuam a ser elos fundamentais na circulação de mensagens sanitárias (Peres, Rodrigues & Lacerda, 2021).
Em contrapartida, as redes sociais e o WhatsApp foram frequentemente associados a dúvidas e desconfiança, em linha com a literatura sobre infodemia. Como refere outra participante: “No WhatsApp aparecem mensagens confusas; às vezes deixam-me mais receosa do que informada.” (EI-C1). Tal constatação articula-se com investigações que demonstram que, sem mediação por fontes credíveis, canais digitais tendem a amplificar ruído informativo e hesitação (Kim & Xie, 2017).
Assim, o cruzamento entre dados empíricos e literatura indica que a confiança opera simultaneamente como filtro cognitivo e mecanismo social de validação, sendo decisiva para compreender o impacto das estratégias multicanais na adesão vacinal.
Figura 1: Confiança nas fontes de comunicação

Fonte: Autores, 2025.
3.2: Preferência por canais de comunicação específicos
A análise qualitativa revelou uma clara hierarquização dos canais de comunicação considerados mais eficazes pelos participantes. Embora a investigação assuma natureza qualitativa, a utilização de frequências e percentagens não contraria este enquadramento metodológico; pelo contrário, constitui recurso legítimo para descrever padrões de recorrência e comparar a intensidade de determinados discursos, desde que a interpretação permaneça ancorada na profundidade das narrativas e não na quantificação em si. Assim, as percentagens apresentadas não representam dados estatísticos inferenciais, mas antes indicadores descritivos de densidade temática, amplamente reconhecidos em estudos qualitativos de matriz temática (Braun & Clarke, 2019).
Os resultados evidenciam que a rádio comunitária se destaca como o canal mais mencionado, reflectindo o seu papel histórico como meio acessível e culturalmente integrado em Nampula. A sua força reside no alcance e na familiaridade, especialmente entre participantes de zonas rurais e adultos com menor literacia digital. Como referiu um entrevistado: “A rádio acompanha-nos no campo e em casa; é onde ouvimos as informações que sentimos serem para todos” (EI-C3).
As activações presenciais, por sua vez, foram valorizadas pela possibilidade de diálogo directo e pela confiança no contacto humano, convergindo com o que a literatura descreve como “proximidade comunicacional” essencial em comunidades onde o contacto interpessoal legitima a mensagem (Hornik et al., 2022). Uma participante explicou: “Quando vêm falar connosco na comunidade, podemos perguntar e tirar as dúvidas logo ali” (GF-B3).
As mensagens móveis surgiram como canal intermédio: amplamente utilizadas, mas com eficácia condicionada à clareza da informação. Vários participantes reconheceram utilidade prática, mas alertaram para o risco de mensagens contraditórias. Finalmente, as redes sociais foram pouco mencionadas e frequentemente associadas a confusão ou desinformação, o que está alinhado com estudos sobre infodemia em contextos africanos (Betsch et al., 2018).
Tabela 1: Frequência de menção de canais preferidos (dados qualitativos com recurso a quantificação descritiva de recorrência temática)

Fonte: Autores, 2025.
Assim, a preferência pelos canais reflecte um equilíbrio entre acessibilidade, confiança e possibilidade de interacção, confirmando que estratégias multicanais só são eficazes quando articulam meios massivos, contactos próximos e plataformas móveis de forma coerente com as práticas comunicacionais da comunidade.
3.3: Barreiras e motivadores à vacinação
A análise temática revelou um conjunto interligado de barreiras e motivadores que moldam a decisão vacinal no Distrito de Nampula. Estas dinâmicas, embora identificadas de forma qualitativa, apresentam padrões suficientemente consistentes para permitir um diálogo sólido com a literatura estudada, reforçando a compreensão interpretativa do fenómeno.
A desinformação surgiu como a barreira mais recorrente, particularmente associada a conteúdos circulantes no WhatsApp, rádio informal e redes sociais. Os participantes relataram sentir-se expostos a mensagens alarmistas sobre alegados riscos das vacinas, ecoando o que a literatura caracteriza como “infodemia”, excesso de informação, correcta ou não, que dificulta a tomada de decisão (Larson et al., 2014). Uma participante afirmou: “Recebo áudios no WhatsApp a dizer que a vacina faz adoecer. Depois não sabemos no que acreditar” (ENF-02).
As crenças tradicionais também emergiram como obstáculo adicional, sobretudo em zonas rurais onde práticas curativas ancestrais mantêm forte legitimidade social. Um entrevistado comentou: “Na nossa cultura, muitos ainda procuram primeiro o curandeiro antes de aceitar a vacina” (GF-C2).
O receio de efeitos secundários completou o quadro das principais barreiras, reflectindo tanto experiências individuais quanto rumores ampliados por redes comunitárias. Como referiu uma jovem mãe: “Tenho medo que a vacina dê reacção forte no meu filho; já ouvi histórias que me deixam insegura” (PS-01).
Estas preocupações convergem com estudos que destacam a percepção de risco e a incerteza como determinantes-chave da hesitação vacinal (Brewer et al., 2017).
Entre os principais motivadores, destacaram-se as campanhas multicanal consistentes, capazes de contrabalançar narrativas falsas com informação clara e repetida. Os participantes assinalaram que ouvir a mesma mensagem na rádio, em encontros comunitários e através de mensagens móveis aumentava a confiança e facilitava a compreensão.
As explicações detalhadas fornecidas por profissionais de saúde foram amplamente valorizadas, em sintonia com o papel reconhecido da auto-eficácia e do aconselhamento clínico na mobilização para a vacinação (Bandura, 1986). Uma participante relatou: “Quando o enfermeiro explica direitinho, sentimos que é para o nosso bem” (EI-B2).
Por fim, o incentivo de líderes comunitários mostrou-se decisivo, sobretudo em comunidades rurais onde a autoridade social destes actores funciona como legitimação cultural. Este achado confirma novamente o papel dos “líderes de opinião” descrito por Katz, Lazarsfeld e Roper (2017) e reafirmado por Cunegundes, Machado & Vieira (2025).
No seu conjunto, os resultados evidenciam que barreiras e motivadores não operam como forças isoladas, mas como componentes interdependentes de um ecossistema comunicacional complexo, onde múltiplos factores se articulam de forma dinâmica. A hesitação ou a adesão vacinal não decorrem de um único estímulo informativo, mas do entrelaçamento de elementos cognitivos, culturais, emocionais e relacionais que se activam em simultâneo.
Neste ecossistema, a confiança surge como eixo estruturante. Quando a informação provém de actores legitimados, como profissionais de saúde e líderes comunitários, os participantes demonstram maior abertura para reconsiderar medos, clarificar dúvidas e reinterpretar rumores. Do mesmo modo, a proximidade comunicacional, expressa em interacções face-a-face e na presença física de mediadores reconhecidos, reforça a segurança subjectiva e permite que sentimentos de incerteza sejam trabalhados de forma dialogada.
A coerência informativa aparece igualmente como elemento decisivo. Mensagens consistentes entre rádio comunitária, encontros presenciais e comunicações móveis funcionam como um mecanismo de validação cruzada, reduzindo ambiguidades e neutralizando o impacto de conteúdos contraditórios que circulam em redes sociais e canais informais. Por contraste, quando há dissonância entre fontes, formais ou informais, as barreiras tendem a intensificar-se, alimentando receios e abrindo espaço para a desinformação.
Figura 2: Barreiras e motivadores à adesão vacinal

Fonte: Autores, 2025.
3.4: Impacto da multicanalidade na intenção vacinal
A análise qualitativa evidenciou que a multicanalidade desempenha papel decisivo na formação da intenção vacinal, sobretudo quando os diferentes meios comunicam mensagens coerentes e reforçadas por actores socialmente legitimados.
Embora o estudo adopte uma abordagem qualitativa, a utilização de percentagens é metodologicamente admissível na medida em que não visa produzir inferências estatísticas, mas apenas descrever a densidade de um padrão temático recorrente, recurso amplamente reconhecido na análise temática interpretativa (Braun & Clarke, 2019). Assim, o valor apresentado refere-se à proporção de participantes cujas narrativas convergiram para o mesmo sentido interpretativo, funcionando como indicador descritivo da consistência do discurso, e não como medida quantitativa de generalização.
Nesta linha, verificou-se que cerca de 70% dos participantes relataram um aumento explícito da intenção de vacinar após exposição a mensagens provenientes de múltiplos canais: rádio comunitária, encontros presenciais, mensagens móveis e conversas mediadas por líderes locais.
O factor determinante, porém, não foi a quantidade de canais, mas a coerência intercanal, confirmando o que modelos teóricos recentes têm chamado de “sinergia comunicacional” (Hornik et al., 2022), na qual a repetição convergente reduz incerteza, fortalece a confiança e favorece a tomada de decisão.
As narrativas recolhidas ilustram com clareza este processo. Uma participante relatou: “Depois de ouvir no rádio e depois participar na reunião com o enfermeiro, decidi vacinar os meus filhos. Antes estava indecisa” (GF-A1).
Este testemunho é emblemático de um padrão mais amplo: a combinação entre meios massivos e interacções face-a-face cria um ciclo de validação que permite ao indivíduo alinhar a informação recebida com a confiança construída localmente.
Tal fenómeno também foi observado noutras entrevistas, nas quais os participantes descrevem sentir-se “confirmados” quando a mensagem do rádio coincide com a explicação do enfermeiro ou com a orientação do líder comunitário. Um trabalhador sintetizou esta dinâmica afirmando: “Quando os canais dizem a mesma coisa, aí sim percebemos que a informação é verdadeira” (ENF-03).
Estes achados dialogam directamente com estudos que evidenciam que a intenção vacinal aumenta quando as mensagens circulam de forma convergente por diferentes meios, sobretudo em contextos de literacia limitada e forte influência comunitária (Betsch et al., 2018). Assim, a multicanalidade não apenas amplia o alcance informativo, mas actua como mecanismo de reforço cognitivo e social, transformando hesitação em decisão.
Para além disso, a presença simultânea de mensagens coerentes em canais massivos, interpessoais e móveis contribui para reduzir a sensação de ambiguidade que muitas vezes acompanha as campanhas de saúde pública.
A literatura tem demonstrado que, quando os indivíduos recebem a mesma informação por diferentes vias: rádio, encontros comunitários, profissionais de saúde, mensagens SMS, ocorre um processo de “confirmação cumulativa”, no qual a familiaridade progressiva com o conteúdo diminui a percepção de risco e aumenta a predisposição para confiar na recomendação.
No contexto de Nampula, esta dinâmica foi particularmente evidente entre participantes que inicialmente expressavam receio ou incerteza, mas que, ao reconhecerem convergência entre os distintos emissores, reavaliaram as suas opiniões e se aproximaram da decisão vacinal.
Por outro lado, os resultados remetem para a importância de reconhecer que a multicanalidade não é, por si só, garantia de eficácia; a sua força reside na qualidade das articulações que se conseguem estabelecer entre canais, narrativas e mediadores comunitários. Campanhas multicanais que não dialoguem com as práticas culturais locais, ou que apresentem inconsistências entre os meios, podem não só perder eficácia como gerar desconfiança adicional.
Este ponto reforça o argumento de que a comunicação em saúde deve ser concebida como um processo relacional e contextual, no qual os canais são apenas uma parte do sistema mais amplo que envolve valores, expectativas, autoridade social e histórias acumuladas de interacção entre população e serviços de saúde.
Figura 3: Impacto da exposição multicanal na intenção vacinal

Fonte: Autores, 2025.
A interpretação dos resultados evidencia que a multicanalidade não só aumenta a disseminação de informação, como também fortalece confiança e reduz barreiras cognitivas e culturais à adesão vacinal, confirmando a relevância do alinhamento entre canais, credibilidade da fonte e consistência da mensagem.
Considerações finais
O presente estudo procurou compreender de que modo as estratégias multicanais de comunicação influenciam a adesão vacinal no Distrito de Nampula. A análise empreendida, sustentada numa abordagem qualitativa de carácter exploratório, permitiu evidenciar que a comunicação, quando articulada de forma coerente entre múltiplos canais e actores sociais, desempenha um papel determinante na construção de confiança, na clarificação de dúvidas e na mobilização comunitária para a vacinação.
Os resultados revelaram que a confiança nas fontes de informação, especialmente profissionais de saúde e líderes comunitários, constitui o eixo estruturante de toda a dinâmica comunicacional. Esta confiança emerge como ponto de partida essencial para que as mensagens multicanal possam ser recebidas, interpretadas e transformadas em práticas concretas.
A preferência pelos canais mais próximos da realidade quotidiana da população, como a rádio comunitária, as activações presenciais e as mensagens móveis, evidencia que o impacto comunicacional depende mais da pertinência cultural e da clareza narrativa do que da sofisticação tecnológica.
As barreiras identificadas, desinformação, crenças tradicionais e receios de efeitos secundários, mostram que a adesão vacinal continua condicionada por um ecossistema informacional fragmentado, onde coexistem saberes formais e informais, muitas vezes em tensão. Ao mesmo tempo, os principais motivadores demonstram que, quando a comunicação multicanal é consistente, culturalmente ajustada e sustentada por actores credíveis, ela possui capacidade real de transformar hesitação em decisão informada.
O impacto positivo da exposição multicanal na intenção vacinal, amplamente reconhecido pelos participantes, confirma que a repetição convergente da mensagem, distribuída por canais distintos mas articulados, reforça a confiança e reduz ambiguidades. Este dado sublinha a importância de uma estratégia comunicacional integrada, que considere simultaneamente a diversidade sociocultural da população e a necessidade de combater a circulação de desinformação.
Contudo, o estudo reconhece as suas limitações. A natureza qualitativa e a amostragem intencional não permitem generalizações estatísticas, ainda que ofereçam profundidade interpretativa e compreensão situada do fenómeno. Outrossim, o trabalho concentrou-se em quatro bairros, podendo futuras investigações alargar o alcance geográfico, integrar métodos mistos e aprofundar a análise das dinâmicas digitais emergentes.
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1É doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade Católica de Moçambique, FEC–Nampula. Concluiu o Mestrado em Saúde Pública na Universidade Católica de Moçambique, FCSP–Quelimane, e é licenciado em Psicologia Clínica e Assistência Social pela mesma instituição, FENG–Chimoio. Possui ainda o Bacharelato e o Mestrado em Teologia pela Faculdade Internacional de Teologia Evangélica (FAITEV). O seu perfil académico encontra-se disponível em: https://orcid.org/0009-0001-1722-3134. Conta com mais de 15 anos de experiência na área de Saúde Pública, com destaque para vacinação de rotina, vigilância epidemiológica, estratégias de envolvimento comunitário, promoção da saúde e prevenção de doenças. Para contactos, telefone +258 876 277 508, WhatsApp +258 828 468 008 ou pelo e-mail amauire@gmail.com. – UCM-Faculdade de Educação e Comunicação
2Professor Associado do Curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), com formação acadêmica consolidada na área de Comunicação Social, habilitação em Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1988), e pós-graduação stricto sensu em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo, onde obteve o mestrado (1994) e o doutorado (2000). Sua trajetória acadêmica é marcada por um aprofundado interesse em Teoria e Ética do Jornalismo, actuando principalmente nos temas de jornalismo gráfico, jornalismo eletrônico em rádio e televisão, comunicação digital (WEB), bem como na interface entre comunicação, sociedade, políticas de comunicação e cultura. É membro activo do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFPR, contribuindo para a reflexão sobre diversidade cultural e representatividade na comunicação. Sua produção acadêmica abrange pesquisas que dialogam com os desafios contemporâneos do jornalismo e das mídias, promovendo uma abordagem crítica e ética no exercício da profissão. – UFPR-Universidade Federal do Paraná
3Doutor em comunicação e marketing. E docente da UCM-Faculdade de Gestão de Recursos Naturais e Mineralogia. – UCM-Faculdade de Gestão de Recursos Naturais e Mineralogia
