MATHEMATICS EDUCATION FOR DEAF PEOPLE
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510131655
Diogo Maia Ramos Lopes1
RESUMO
O presente trabalho se trata de uma revisão de literatura com o objetivo geral de apresentar algumas formas de como melhorar a forma de ensino e aprendizagem para surdos na disciplina de matemática, tendo como objetivo específico a apresentação de uma possível solução para solucionar esse problema que é justamente a aplicação de metodologias que acabem deixando a aula mais interativa. Para isso, primeiramente se utilizou da análise de artigos publicados e dissertações de mestrado que evidenciavam o problema na aprendizagem matemática para surdos. Em seguida, são apresentadas possíveis soluções para eles que são técnicas alternativas que deixam a aula mais interativa. Após todas as explanações, é possível perceber que a aplicação de técnicas audiovisuais e softwares deixam de fato a aula mais interativa e interessante para os alunos, porém são recursos que não fazem parte da realidade de muitas escolas, principalmente da rede pública. Assim, defende-se como solução a curto prazo o uso de certos tipos de jogos advindos de materiais de simples que são de fácil acesso pela sociedade.
Palavras-chave: Matemática para surdos; Educação para surdos; Educação inclusiva.
ABSTRACT
This paper is a literature review with the general objective of presenting some ways to improve the way deaf people teach and learn mathematics, with the specific objective of presenting a possible solution to solve this problem, which is precisely the application of methodologies that end up making the class more interactive. To this end, we first analyzed published articles and master’s dissertations that highlighted the problem in learning mathematics for deaf people. Then, possible solutions for them are presented, which are alternative techniques that make the class more interactive. After all the explanations, it is possible to see that the application of audiovisual techniques and software does in fact make the class more interactive and interesting for students, but these are resources that are not part of the reality of many schools, especially in the public network. Therefore, we advocate as a short-term solution the use of certain types of games made from simple materials that are easily accessible to society.
Keywords: Mathematics for deaf people; Education for deaf people; Inclusive education.
1. INTRODUÇÃO
Ainda nos dias atuais, mesmo amparados por lei, ainda há grande dificuldade na transmissão de conhecimento para a comunidade surda em diversas disciplinas escolares. A educação de pessoas com surdez é marcada por lutas constantes, que apresentam progressos lentos, como o acesso e permanência à educação regular inclusiva (CUNHA, 2021, p. 9). A inclusão parte do princípio de que a educação é direito de todos e essencial para o desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária (Dessbesel et al., 2018, p. 482). Muito se discute a respeito das causas desse problema, porém basicamente ela não foge da falta de preparo de grande parte dos profissionais da área da educação para com esses estudantes.
De forma geral, Bomfim Santos (2023, p. 2) pontua que:
A Matemática é tida por muitos como bicho de sete cabeças, como a vilã do currículo escolar. Por que isso acontece? O que tem contribuído para chegar a esse ponto? É certo que existem vários fatores que contribuem para esse panorama, muitos deles inclusive externos à escola e que não podem ser controlados por ela.
No caso do ensino da matemática e em disciplinas de ciências exatas que utilizam a utilizam como ferramenta, o desempenho desses alunos acaba sendo bem inferior, podendo-se encontrar alunos surdos com idades um pouco elevadas sem ter o conhecimento básico sobre operações matemáticas simples. Entende-se que não existe um culpado em si para esse problema, mas sim um conjunto de fatores na estrutura de ensino. Colins e Oliveira (2024, p. 2) defendem que “Esse fato se deve muito à característica tradicional e mecanicista que envolve o ensino de seus conceitos e procedimentos”.
No caso mais específico para o ensino de alunos surdos, Leandro (2023, p. 9) ressalta que: “para que o ensino da matemática de alunos surdos seja efetivo e progressivo, se faz necessário pensar em estratégias e recursos pedagógicos específicos, que considere as particularidades desse público, como por exemplo, a língua utilizada pelos surdos, Língua Brasileira de Sinais”.
Mesmo com a presença de intérpretes em sala de aula, o desempenho desses alunos acaba sendo menor quando comparado a alunos sem deficiência auditiva. Com a finalidade de solucionar esse problema no aprendizado de matemática para surdos, utilizam-se metodologias alternativas em diversas escolas. Muitas dessas técnicas levam em consideração a utilização de materiais simples em sala de aula, obtendo-se jogos através deles e até mesmo recursos audiovisuais e softwares explicativos que deixam a aula mais interativa e atrai mais a atenção do aluno.
O avanço das tecnologias no Brasil e no mundo provocou diversas mudanças na sociedade, gerando a necessidade de constante atualização e busca por habilidades para acompanhar as demandas do mercado de trabalho, da vida cotidiana e, em decorrência disso, do ambiente educacional contemporâneo (SILVA et al., 2023, p. 2).
Os jogos e recursos audiovisuais e até mesmo a utilização de softwares acabam sendo uma ótima alternativa na prática de ensino de matemática para surdos, pois a interatividade ajuda a criar uma certa motivação para a prática da disciplina. Uma aula mais interativa tem como consequência uma maior atenção do aluno e, no caso de alunos surdos, acaba suprindo certas deficiências do professor quanto a comunicação entre ele e o aluno que nem mesmo o intérprete consegue suprir, o que possivelmente ajudaria a melhorar o desempenho escolar desses estudantes, sendo a educação um direito de todos previsto diretamente na Constituição Federal (CF) de 1988.
Quando se fala em educação inclusiva é comum associar a esta o direito das pessoas com deficiência à educação, mas ressaltamos que a inclusão é um movimento mundial que respeita a diferença e garantia de direitos individuais de cada um, e dentre eles estão as pessoas com deficiência. No entanto, as escolas são constituídas pela diversidade, com estudantes de cultura, hábitos, costumes e condições socioeconômicas, religião e ritmos e maneiras diferentes de aprender, decorrentes ou não de deficiência. E, oferecer educação de qualidade, garantir esse direito considerando as necessidades e especificidades de cada um, é o grande desafio do momento, pois na educação inclusiva é a escola que se reorganiza, que se adapta para atender todos os estudantes (VELASCO e BARBOSA, 2022, p. 2).
O Brasil vem se destacando pelos avanços legais com finalidade de amparar e resguardar o direito dos alunos surdos e/ou com surdez no ensino regular, tendo a Constituição Federal de 1988 e Leis Educacionais que resguardam esse direito (PREATO et al., 202, p. 47680). A educação especial vem se desenvolvendo de modo a atender às necessidades específicas de determinados alunos, intensificando a inserção desses dentro das salas regulares de educação, promovendo a inclusão (COSTA e SILVA, 2020, p. 3).
Assim, o objetivo geral deste trabalho se fundamenta em apresentar algumas formas de como melhorar a forma de ensino e aprendizagem para surdos na disciplina de matemática, tendo como objetivo específico a apresentação de uma possível solução para esse problema que é justamente a aplicação de metodologias que acabem deixando a aula mais interativa. França e Barroso (2021, p. 3) defendem que:
É essencial um estudo mais complexo, principalmente, enquanto não houver um direcionamento à proposta de formação do professor para melhor desempenhar esta função e lidar com essas situações. A falta de conhecimento, que seja o básico, prejudica tanto o aprendizado do aluno como o desenvolvimento do professor.
Sabe-se que a matemática é uma das disciplinas mais difíceis da comunidade escolar, sendo mal avaliada por grande parte dos estudantes. Ela tem grande impacto na seleção de estudantes para o ensino superior e para o mercado de trabalho pelo fato de grande parte das áreas de conhecimento dependerem de conceitos matemáticos. Por isso, é importante investir em bons conhecimentos matemáticos, o que impacta diretamente na melhor inserção no mercado de trabalho, onde a comunidade surda ainda tem pouco espaço.
A Matemática é uma disciplina fundamental para viver e sobreviver em um mundo em constante transformação, repleto de informações e cada vez mais influenciado pelos avanços tecnológicos. A aprendizagem e o desenvolvimento de habilidades matemáticas contribuem para a formação do cidadão, uma vez que a Matemática é, ao mesmo tempo, uma ciência formal e uma atividade humana, pois, por meio dela, os indivíduos estabelecem relações entre os objetos do cotidiano (medindo, ordenando, seriando, comparando, classificando), realizam cálculos e operações (somando, subtraindo, multiplicando, dividindo) e resolvem problemas (CAMPOS, 2021, p. 17).
Investir em matemática para surdos é de extrema importância para a sociedade porque acaba criando profissionais mais capacitados que podem contribuir diretamente tanto no mercado quanto no desenvolvimento da ciência. Além disso, segundo Velasco e Barbosa (2022, p. 3), isso ajuda a “impedir que as diferenças sejam determinantes para a garantia de acesso aos direitos, o que por muito tempo excluiu das escolas, espaço formal de educação, negros, mulheres, pessoas com deficiência, dentre outras minorias”.
As características de aprendizagem dos alunos surdos estão relacionadas à influência da língua de sinais, da percepção visual, da leitura labial, entre outros fatores. Essas influências tornam o processo de aquisição de conhecimentos matemáticos dos alunos surdos diferente daquele dos alunos ouvintes. Compreender essas especificidades é essencial para implementar estratégias de ensino eficazes, que considerem a singularidade desse grupo e promovam uma aprendizagem significativa e acessível para todos (COSTA et al., 2024, p. 2).
A revisão de literatura se utilizou de duas etapas:
1) Primeiramente, foi feita a análise de artigos e dissertações que evidenciavam o problema na aprendizagem matemática para surdos.
2) Após a apresentação do problema, são apresentadas possíveis soluções para eles que são técnicas alternativas que acabam deixando a aula mais interativa, como recursos audiovisuais e softwares, por exemplo.
2. MATERIAIS E MÉTODOS
Para a realização desta revisão bibliográfica foram efetuadas pesquisas na plataforma Google acadêmico e acervos da Revista da Sociedade Brasileira de Educação Matemática. A pesquisa se utilizou de todo tipo de artigo publicados em periódicos nacionais reconhecidos, bem como dissertações de mestrado.
A pesquisa envolveu basicamente as seguintes palavras: dificuldades na aprendizagem matemática para surdos e matemática para surdos, sendo a pesquisa voltada basicamente a apresentar as causas da dificuldade no ensino-aprendizagem matemática para surdos e formas de solucionar esse problema.
Os critérios da pesquisa levaram em consideração basicamente a verificação de trabalhos recentes publicados em revistas/jornais da área, trabalhos acadêmicos, indo de 2016 até 2024, sendo que praticamente toda a pesquisa levou em consideração estudos de casos, selecionando-se os trabalhos mais relevantes sobre educação matemática para surdos.
Foram utilizados como critérios de exclusão textos com restrições de acessibilidade, trabalhos publicados antes de 2010 e demais que não tinham relevância com a área da educação, matemática e educação para surdos.
Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 40 trabalhos com temas relevantes a elaboração deste trabalho. Porém, somente 24 entraram como citação direta no trabalho, sendo que o restante serviu como forma de aprendizado e organização do texto.
3. DIFICULDADES NA APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA EM SURDOS
Primeiramente, sabe-se que a matemática é uma das disciplinas com maior dificuldade escolar entre os alunos. Mesmo nos dias de hoje com a aplicação de diferentes tipos de metodologias de ensino, ainda sim esse desempenho consegue ser baixo, evidenciando um grande déficit dos estudantes em relação à matemática e as disciplinas que a usam como ferramenta direta de aplicação (física, por exemplo), principalmente quando se fala em ensino de pessoas surdas.
Falar em Educação Inclusiva permite definir o olhar que existe sobre o outro. Os valores imbuídos na cultura ao longo dos anos contribuem para definir o outro, ou seja, ao pertencer a um determinado grupo com características específicas e particularidades, automaticamente, criam-se novos grupos, pois aquele grupo não tem características dos anteriores. Em Matemática, seria como o complementar de A em B, o que define outras características para o grupo e, ao olhar mais a fundo, é possível criar infinitos grupos com características diferentes (DE VARGAS FORTES e REIS THIENGO, 2021, p. 42).
No Brasil, normalmente o professor está preparado para ministrar a disciplina na língua materna da maioria dos ouvintes que é a língua portuguesa. Isso acaba gerando um problema para pessoas de outras línguas maternas do país que acabam sendo excluídas do processo de transmissão de conhecimento em sala de aula, como acontece com as pessoas que dependem da língua brasileira de sinais (LIBRAS).
Um dos grandes entraves para fornecer um ensino que possa contribuir efetivamente com o desenvolvimento dos alunos surdos esbarra muito na formação inadequada da maioria dos professores, que consideram que adaptações simples ou desenvolvimento de uma comunicação informal serão satisfatórias para dar conta de todas as necessidades do processo de aprendizagem. Estimamos que isso ocorre pela maneira como estes profissionais foram formados, pois na maioria das vezes tiveram pouco ou nenhum contato com a língua de sinais e com a problemática da educação de surdos uma única vez ao longo do ensino superior. (DE OLIVEIRA CRUZ, et al., 2020, p. 33).
Mesmo a LIBRAS já tendo sido reconhecida como uma língua oficial em território brasileiro, ela é muito pouco conhecida pela maioria do público brasileiro, dificultando a inserção da comunidade surda no convívio social.
[…] apesar de ser uma língua oficial pelas legislações brasileiras e se fazer presente em nosso país, algumas dificuldades, tais como, falta de reconhecimento social da necessidade de aprender a língua, falta de incentivo das instituições e um maior movimento da comunidade surda, fazem com que estudos e debates sejam necessários para o desenvolvimento e a divulgação dessa língua. Dentre essas dificuldades, destacamos, também, o dinamismo, pois as variações linguísticas são muito fortes. Tal fato pode fazer com que, muitas vezes, a comunicação não se efetive devido à falta de entendimento dos sinais que estão sendo utilizados (DA COSTA & DA SILVEIRA, 2020, p. 492).
Com isso, os surdos acabam tendo uma dificuldade ainda maior no ensino-aprendizagem escolar, principalmente em disciplinas que envolvem matemática. É sempre importante frisar que os surdos não possuem a capacidade cognitiva reduzida. A grande dificuldade deles é justamente na questão de ensino-aprendizagem, já que o conhecimento é transmitido a eles em uma linguagem de difícil assimilação, consequência do despreparo de grande parte dos profissionais da educação e dos intérpretes na disseminação de conhecimento.
Entende-se que os surdos precisam ser acolhidos e levados a adquirir o avanço cognitivo de forma especial, pois apesar de não haver diminuição da capacidade de raciocínio, há diferenças na forma de se comunicar, o que os prejudicam e pode limitar o acesso ao conhecimento. Eles deverão ser respeitados em sua singularidade e em suas potencialidades. (DE PAIVA et al., 2020, p. 4).
No caso da educação matemática, ou mais amplamente nas ciências exatas, há uma dificuldade ainda maior quanto a questão da aprendizagem para surdos, a inexistência de sinais que traduzam de forma eficaz certos termos científicos estudados. de Oliveira Cruz, et al. (2020) discutem, em seu trabalho, justamente essa inexistência do uso de sinais adequados para os vários conceitos científicos que acabam dificultando a aprendizagem de surdos em disciplinas relacionadas às ciências exatas, servindo como uma forma de exclusão desses alunos. Assim, eles defendem a padronização de sinais para que haja uma futura inserção da comunidade surda nessa área de conhecimento.
O desafio para ensinar alunos surdos é abordado em diferentes áreas, na matemática não é diferente. A busca em adaptar e conhecer sinais específicos em Libras para relacionar aos objetos matemáticos com suas especificidades (símbolos, signos e sinais), além de metodologias e recursos didáticos que auxiliem no processo de ensino-aprendizagem, se torna uma rotina e um grande desafio para quem ensina matemática a surdos. (CRUZ, 2019, p. 21).
Entende-se a matemática como uma linguagem propriamente dita. Ela está inserida em praticamente todas as áreas de conhecimento. Todo o ser humano deve saber pelo menos o conhecimento matemático básico para conseguir um espaço adequado na sociedade. Por isso, há a necessidade de se buscar novos conhecimentos e novas metodologias de ensinos matemáticos para a comunidade surda para que ela consiga se inserir devidamente na sociedade da forma que um portador de deficiência auditiva possa inclusive conseguir um lugar de prestígio no mercado de trabalho.
4. TÉCNICAS DE APRENDIZAGEM MATEMÁTICA PARA SURDOS
De forma geral, a aprendizagem matemática apresenta diversas dificuldades, sobretudo quando se refere à maneira como esse conteúdo curricular é trabalhado na escola (SILVA et al., 2023, p. 3). Essa visão distorcida, muitas vezes, é reforçada na maneira como esse componente curricular é trabalhado nas escolas, pois, apesar de fazer parte do nosso dia a dia, é ensinada, muitas vezes, sem a preocupação de fazer a relação da Matemática com o cotidiano (RODRIGUES et al., 2023, p. 3). Para sanar essa dificuldade no ensino de matemática para surdos, o que se deve fazer é justamente estudar novas metodologias de ensino que possam ajudar a melhorar o desempenho dos alunos e aplicá-las no cotidiano do aluno.
Peixoto & da França Lopes (2016) apostaram em recursos tecnológicos para promover o acesso ao conhecimento matemático. Em uma escola estadual da cidade de Ilhéus-Bahia, eles desenvolveram uma metodologia denominada por eles como “Oficina de Matemática: aprender divisão”, que tinha como objetivo desenvolver nesses alunos conhecimento sobre a divisão, apresentando a eles uma revisão do sistema de numeração decimal, algoritmo e situações-problema.
Para a oficina, Peixoto & da França Lopes (2016) selecionaram 12 jovens surdos, matriculados no Ensino Básico (6º ano do Ensino Fundamental até o 2º ano do Ensino Médio) e com idades de 11 a 24 anos, os quais se submeteram a vídeolição. Era apresentado aos estudantes eles, de forma individual, uma lição no caderno correspondente à vídeoaula que lhes era apresentada a qual eles respondiam e ao mesmo tempo contavam com a ajuda da professora de matemática (pesquisadora) que tiravam dúvidas ou explicavam melhor o conteúdo no quadro quando eles julgavam necessário.
Para finalizar, Peixoto & da França Lopes (2016) apresentavam um vídeo explicativo da seção apresentada, que tinha como finalidade fixar melhor o conteúdo apresentado e também a formulação de novas questões. Eles perceberam que a forma de avaliação apresentada mostrou evolução no desempenho dos estudantes, deixando-os mais motivos, possivelmente devido à experiência visual e a Libras, elementos de uma Pedagogia Surda.
Moreira (2018), em seu trabalho intitulado “Ensino de matemática para surdos: uma abordagem bilíngue”, apresentou uma metodologia que não só auxilia o bom desenvolvimento de alunos surdos, também acrescentando conhecimentos matemáticos para os próprios professores das áreas e intérpretes.
No estudo de Moreira (2018), primeiramente foram feitas entrevistas com professores, intérpretes e alunos surdos do 6º ano sobre qual conteúdo há uma dificuldade maior no ensino e aprendizagem que foi justamente o conteúdo de frações. Então, dando uma atenção maior a esses alunos e trabalhando em conjunto a eles, definiram-se técnicas em língua de sinais, que levam em consideração as atividades em sala de aula, jogos e materiais que utilizam prioritariamente linguagem visual, tudo sobre o conteúdo de frações. Foi possível verificar uma maior assimilação dos alunos quanto ao conteúdo ministrado. Além disso, o autor criou um canal no youtube com aulas sobre frações ministradas em LIBRAS para que tanto profissionais de outros lugares quanto alunos surdos possam ter acesso ao conteúdo e possam evoluir os conhecimentos na área.
Antunes (2020) propõe justamente a utilização de um software, chamado GeoGebra, como uma ferramenta de aprendizado do conteúdo de Geometria Espacial para surdos. No trabalho dele, foram selecionadas duas Escolas Estaduais de Ensino Médio no Município de Colíder/MT, alvos do estudo. A utilização desse software foi de extrema importância no desenvolvimento desses estudantes, uma vez que ele proporciona uma experiência visual muito boa e dinâmica, auxiliando no desenvolvimento da visualização espacial no ensino da Matemática. Essa ferramenta de visualização espacial (Geometria Plana) acabou servindo de grande auxílio no ensino da Geometria Espacial, já que muitos alunos têm certas dificuldades em geometria espacial devido a não compreensão do formato de certos corpos sólidos em superfície. Todos os envolvidos na pesquisa relataram motivação de aprendizagem com a utilização do software, evidenciando-o como uma excelente ferramenta para atrair a atenção do aluno e melhora no ensino-aprendizagem deles.
Teixeira (2019), verificando que os surdos são dotados de cultura e linguagem próprias, apresenta uma metodologia com o objetivo de despertar em professores de matemática uma sensibilidade e disposição para melhorarem sua prática pedagógica com o aluno surdo. O trabalho foi direcionado a professores da disciplina de matemática.
Na pesquisa de Teixeira (2019), foram aplicados questionários entre os professores que lecionam matemática para surdos ou já lecionaram com a finalidade de identificar as dificuldades e obstáculos que eles enfrentaram em sala de aula, com o intuito de buscar ferramentas que ajudem a melhorar a prática pedagógica. Verificou-se que a grande maioria tinha dificuldade com LIBRAS, por não terem nem mesmo o conhecimento básico dessa língua. Assim, foram apresentados aos professores alguns sinais básicos de matemática em Libras, a fim de popularizá-los.
Teixeira (2019) percebeu que o básico acabou servindo de grande suporte no ensino-aprendizagem de matemática, ajudando alunos surdos em uma melhor compreensão do conteúdo ministrado. Contudo, o autor verificou que muitas ferramentas matemáticas ainda carecem de sinais que as identifiquem na linguagem de sinais, o que faz como que eles concluam que para melhorar de fato o ensino-aprendizagem desse grupo da sociedade é necessário a criação e padronização de novos sinais que abarquem o ensino da matemática.
Barroso Moreira & Lima da Costa (2019) apresentam em sua pesquisa as consequências da aplicação de jogos de linguagem (combinação de palavras, atitudes e formas comportamentais que compreendem o processo de uso da língua em sua totalidade) cenário educacional matemático que envolve alunos surdos. A pesquisa evidenciou a existência de jogos de linguagem variados entre os componentes da sala de aula inclusiva e também uma relação de ensino-aprendizagem mais justa para as comunidades surdas quando se tem intérpretes formados nas áreas específicas de conhecimento, neste caso a matemática, tendo assim um melhor reconhecimento linguístico.
Assim, Barroso Moreira & Lima da Costa (2019, p. 60) puderam concluir que:
[…] a linguagem matemática que se apresenta em sala de aula, além de ser fruto do encontro entre manifestações de várias naturezas, possui e se constitui por semelhanças com outras formas de comunicação, como a língua portuguesa, a língua de sinais, a linguagem do matemático profissional, a linguagem das representações pictóricas, etc.
Francisco et al. (2017) apresenta um jogo (software educativo), denominado MatLibras, desenvolvido para exercitar de forma interativa e divertida, na linguagem de sinais brasileira, as quatro operações matemáticas fundamentais (adição, subtração, multiplicação e divisão). A ferramenta foi utilizada com 15 alunos surdos de uma Fundação de Apoio ao Deficiente (FUNAD) durante o primeiro semestre de 2017. Fora verificado que, após a aplicação do MatLibras, os alunos demostraram melhor compreensão dos conteúdos, sentindo-se, inclusive, mais a vontade devido à forma divertida e prazerosa que lhes era transmitido o conteúdo. Inclusive, a professora que aplicou a ferramenta relatou que os alunos participantes da pesquisa alegaram gostar de ter aprendido as quatro operações fundamentais através deste software, sendo que ele tem uma interface agradável e nada mais do que uma forma diferente de aprender o conteúdo que lhes é ministrado.
Sabe-se, contudo, que recursos audiovisuais e softwares fazem parte da realidade de grande parte das escolas do país, principalmente das escolas da rede pública de ensino. Baseando-se nessa realidade, Grutzmann & Bohm (2020) aplicaram uma técnica com a finalidade de ensinar multiplicação para alunos surdos na qual o conceito pode ser visualmente construído e compreendido por eles, utilizando materiais concretos na pesquisa. A pesquisa foi realizada em uma escola bilíngue de surdos na cidade de Pelotas/RS. Os materiais utilizados foram tampinhas, pratinhos, tabuada de botão e quadro de tampas, sendo este uma adaptação da pesquisadora para a tabuada de botão. A partir da utilização dessa técnica com materiais concretos, o aluno pôde perceber que o papel de cada elemento na multiplicação, pratinhos como multiplicador e tampinhas como multiplicando. Verificou-se que a técnica serve de grande auxílio na aprendizagem da multiplicação e os materiais utilizados são baratos e de fácil acesso, servindo, contudo, como uma ferramenta muito boa no ensino de matemática para surdos.
5. CONCLUSÃO
O presente trabalho, de início, basicamente apresentou algumas possíveis causas do baixo rendimento de alunos surdos na disciplina de matemática com o intuito de buscar uma solução para esse problema.
Desta forma, a partir do estudo, é possível perceber que a aplicação de técnicas audiovisuais e softwares que deixam a aula mais interativa servem como uma excelente ferramenta de ensino na matemática para surdos.
Porém, sabe-se que existe uma deficiência tecnológica muito grande nas escolas, principalmente em escolas da rede pública. Para esses casos, defende-se o uso de certos tipos de jogos advindo de materiais de simples acesso que também ajudam a deixar a aula mais interativa e acabam ajudando a melhorar o desempenho desses alunos surdos.
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