EDUCAÇÃO EM SAÚDE BUCAL EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA NO INTERIOR DA BAHIA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

HEALTH EDUCATION IN A QUILOMBOLA COMMUNITY IN STATE OF BAHIA: EXPERIENCE REPORT

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202512111040


Jamile da Silva Carvalho; Ana Clara Santana Silva; Maria Isabel Alves de Souza; Raissa Rodrigues da Guirra Silva; Pedro Henrique Menezes Albuquerque; João Victor Ferreira de Goes; Wagner Gabriel de Moura Fernandes; Rogério Paulino de Morais; Marcus Vinicius Moraes de Lira; Tâmara Trindade de Carvalho Santos.


Resumo

A saúde bucal faz parte integrante e indissociável da saúde geral do indivíduo. O presente relato de experiência descreve uma ação educativa desenvolvida por estudantes de medicina sobre saúde bucal realizada em uma escola quilombola. Em comunidades quilombolas, marcadas por desigualdades históricas e estruturais, a educação em saúde representa um instrumento estratégico de transformação social. A intervenção buscou promover autonomia e protagonismo infantil por meio de uma abordagem contextualizada, iniciada com um diálogo sobre a importância e a frequência da escovação, seguido da demonstração da técnica correta de escovação com uso de um modelo anatômico da boca e linguagem acessível. Em seguida, foi realizada uma escovação supervisionada, na qual cada criança recebeu um kit individual e foi acompanhada em todas as etapas, em um ambiente lúdico e acolhedor com uso de música. Observou-se engajamento significativo das crianças, que assimilaram adequadamente a técnica e demonstraram maior autonomia no cuidado de sua saúde bucal. A experiência evidenciou que ações extensionistas sensíveis ao contexto sociocultural local e centradas na criança podem contribuir para a melhoria das práticas de saúde, reduzir desigualdades e fortalecer a integração entre universidade e comunidade, promovendo cuidado contínuo e emancipador.

Palavras-chave: Saúde bucal. Educação em saúde. Comunidade quilombola. Crianças. Prevenção.

Abstract

Oral health is an integral and inseparable component of an individual’s overall health. This experience report describes an educational activity on oral health carried out by medical students in a quilombola school. In quilombola communities, which are marked by historical and structural inequalities, health education serves as a strategic tool for social transformation. The intervention aimed to promote children’s autonomy and protagonism through a contextualized approach, beginning with a dialogue on the importance and frequency of toothbrushing, followed by a demonstration of the proper brushing technique using an anatomical mouth model and accessible language. Subsequently, a supervised brushing session was conducted, during which each child received an individual kit and was guided through all steps in a playful and welcoming environment enhanced by the use of music. Significant engagement was observed, as the children assimilated the technique appropriately and demonstrated increased autonomy in caring for their oral health. The experience highlighted that extension activities sensitive to the local sociocultural context and centered on the child can contribute to improved health practices, reduce inequalities, and strengthen the integration between university and community, promoting continuous and emancipatory care.

Keywords: Oral Health. Health Education. Quilombola Community. Children. Prevention.

1 INTRODUÇÃO

O Ministério da Saúde do Brasil (2023), definiu a saúde bucal como parte integrante e indissociável da saúde geral do indivíduo. Isso significa que cuidar da boca vai muito além de manter os dentes limpos: envolve também a preservação de todo o sistema estomatognático (que compreende dentes, gengivas, língua, bochechas, lábios, palato e as estruturas associadas), garantindo o bom funcionamento de atividades vitais como mastigação, deglutição, fala, respiração e até mesmo a estética e a expressão facial. 

A falta de higiene adequada está diretamente relacionada ao surgimento de cáries, gengivites e outras doenças capazes de comprometer significativamente a qualidade de vida, especialmente na infância, fase em que hábitos e práticas de cuidado são formados (ARAÚJO et al., 2022). Estudos recentes demonstram que a ausência de escovação regular e o uso inadequado de creme dental fluoretado favorecem o acúmulo de biofilme dental, aumentando a produção de ácidos por microrganismos cariogênicos, como Streptococcus mutans e Lactobacillus spp., resultando em desmineralização progressiva do esmalte (FERNANDES; LIMA, 2021).

A população negra quilombola, em virtude de processos históricos de exclusão, apresenta piores indicadores de acesso e qualidade nos serviços de saúde. Essa disparidade não é aleatória, mas um reflexo direto de desigualdades socialmente construídas, que demandam políticas de equidade para seu enfrentamento e superação, incluindo a saúde bucal (ALMEIDA, 2019).

Em contextos marcados por vulnerabilidade social, esses agravos são potencializados pela dificuldade de acesso a insumos básicos de higiene e a serviços odontológicos regulares, agravando desigualdades já existentes (CUNHA; BARROS, 2023). Soma-se a isso a influência de fatores comportamentais e ambientais, como o consumo frequente de alimentos ultraprocessados ricos em açúcares livres, que contribuem para a acidificação da cavidade oral e aceleram o processo de deterioração dentária (SOUZA et al., 2022).

A literatura atual reforça que a saúde bucal não pode ser dissociada dos determinantes sociais de saúde: crianças em territórios socialmente marginalizados apresentam maior risco de cárie precoce não apenas pela higiene insuficiente, mas pela interação entre pobreza, escolaridade reduzida dos responsáveis, insegurança alimentar e racismo estrutural, que historicamente limita o acesso dessa população a cuidados preventivos de qualidade (BATISTA; MENDONÇA; SANTOS, 2023; BRASIL, 2012; SILVA et al., 2022).

A saúde bucal infantil merece atenção especial, por ser nessa fase que se formam os principais hábitos de higiene, que acompanharão o indivíduo ao longo da vida. Durante a infância, a boca passa por processos de desenvolvimento essenciais, como a erupção dos dentes decíduos (os dentes de leite), a troca para os dentes permanentes, iniciada entre 5 e 7 anos, e a formação da arcada dentária definitiva. Esses eventos, se acompanhados por cuidados adequados, podem prevenir uma série de problemas futuros (LAGE, 2024).

A troca de dente de leite ocorre porque os dentes decíduos têm um papel temporário no desenvolvimento da cavidade oral ao preparar o espaço para os dentes permanentes. Eles substituem os dentes de leite após o desenvolvimento das raízes, que ocorrem com o crescimento da mandíbula. Dessa forma, para que essa troca ocorra de forma saudável e segura é importante que os hábitos de higiene bucal sejam criados desde novos, assim garantimos a prevenção dessas doenças bucais, evitando que as inflamações e infecções se agravem em uma doença periodontal (FADC, 2022).

Com o surgimento dos primeiros dentes, a escovação deve ser iniciada com regularidade, preferencialmente após refeições e, sobretudo, antes de dormir, momento em que a saliva, que atua naturalmente na proteção dentária, tem sua produção reduzida. Para essa fase, recomenda-se o uso de escovas infantis, que possuem cabeça pequena e cerdas ultramacias, adequadas à boca da criança (SBP, 2022). 

Sobre o creme dental, o flúor é indispensável para a prevenção da cárie, devendo ser utilizado em quantidades reduzidas, a uma porção adequada para essa faixa etária é equivalente a um grão de ervilha. Além disso, quando os dentes de leite estiverem muito próximos, é importante introduzir o uso do fio dental (SBP, 2022). 

Um dos principais desafios relacionados à saúde bucal na infância é a cárie dentária, considerada pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) a doença crônica mais comum em crianças no mundo. No Brasil, cerca de 53% das crianças de até 5 anos apresentam experiência de cárie (SB Brasil, 2010). Além da dor e do desconforto, as cáries não tratadas podem causar infecções, dificuldade de mastigação, prejuízo no desenvolvimento da fala e até afetar a autoestima da criança. 

Outra questão recorrente é a doença periodontal, que envolve inflamações nas gengivas e pode evoluir para condições mais graves se não for tratada (OMS,2022). Segundo o levantamento Nacional de Saúde Bucal, a doença periodontal é uma das principais causas da perda total dos dentes, ainda que mais comum em adultos, o cuidado deve começar cedo, pois a má higiene bucal infantil pode gerar gengivite precoce (SB Brasil, 2010).

Em comunidades quilombolas, frequentemente marcadas por desigualdades sociais e menor acesso a serviços de saúde, a educação em saúde se torna um instrumento fundamental de transformação social (FURTADO, 2014).

Para pedagogos como Maria Montessori (1965), é essencial que crianças aprendam desde cedo a cuidar do próprio corpo, desenvolvendo autonomia e senso de responsabilidade. Quando o aprendizado é dirigido à criança, ela sente-se protagonista do cuidado com a própria saúde, e não apenas dependente dos pais.

A educação infantil contemporânea tem reconhecido, com o crescente apoio da neurociência, que a aprendizagem depende de fatores emocionais, sociais e cognitivos, apontando que a centralidade da criança no processo educativo e a participação ativa são princípios de base para o desenvolvimento humano e reforçando que o vínculo afetivo, a autonomia e a ação concreta estruturam a aquisição de novos conhecimentos (SILVA, 2025).

Jean Piaget (1976), ao compreender a criança como sujeito ativo que constrói o conhecimento a partir das interações com o meio, influenciou profundamente as teorias educacionais centradas no estudante. Segundo o autor, a aprendizagem ocorre pela ação, pela reorganização mental e pelos processos de assimilação e acomodação.

A saúde bucal de crianças quilombolas configura-se como um retrato sensível da vulnerabilidade histórica e social destas populações, o que evidencia a urgência de intervenções extensionistas que atuem na promoção de saúde de forma contextualizada e emancipatória, combatendo a invisibilidade a que estas comunidades foram historicamente submetidas (OLIVEIRA; SOUZA, 2022).

Com isso, o objetivo do presente trabalho foi promover a educação em saúde bucal das crianças de uma comunidade quilombola no interior da Bahia, atuando tanto na prevenção quanto na conscientização sobre hábitos de higiene oral, estimulando a compreensão sobre a importância de práticas simples, como a escovação correta e o uso do fio dental. 

Por se tratar de um relato de experiência, não houve a aplicação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Entretanto, foi solicitada a autorização prévia da diretoria da escola para realização da intervenção. Não será divulgado algum dado que possibilite identificar a escola ou os alunos, respeitando o preconizado pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP).

2 METODOLOGIA

A atividade de educação em saúde bucal foi desenvolvida com 23 crianças entre 6 e 7 anos, estudantes de uma escola municipal situada em uma comunidade quilombola, e teve sua execução orientada por princípios da educação afetiva e por evidências advindas da neurociência. No momento da chegada da equipe de estudantes de medicina, as crianças encontravam-se em sala de aula e foram conduzidas ao pátio para o início das ações. Observou-se elevada curiosidade e disposição para participar, características que favoreceram a dinâmica da oficina e ampliaram a responsividade das crianças às orientações apresentadas.

Reconhecendo que a aprendizagem infantil é permeada por dimensões emocionais, sociais e cognitivas, e que a centralidade da criança constitui princípio estruturante do processo educativo (SILVA, 2025), realizou-se inicialmente um questionário oral simples, interativo e adaptado à faixa etária, destinado a identificar hábitos de higiene bucal, frequência de escovação e consumo de alimentos açucarados. As perguntas, tais como “Quem já escovou os dentinhos hoje?” ou “O que acontece com o dente quando comemos doce e não escovamos?” Tais questionamentos favoreceram a expressão espontânea das crianças e serviram como diagnóstico situacional prévio.

Posteriormente, foi demonstrada a técnica correta de escovação em um macromodelo de arcada dentária com o uso de uma escova de “gigante”. A observação das crianças evidenciou entusiasmo e iniciativa espontânea delas em reproduzir os movimentos no modelo e em seguida, si mesmas, reforçando o caráter lúdico e motivador da atividade.

Foram distribuídos kits de higiene bucal compostos por escova infantil e creme dental, a cada criança. A reação das crianças foi marcada por curiosidade, alegria e desejo imediato de explorar os materiais. A etapa seguinte consistiu em uma escovação supervisionada, realizada ainda no pátio da escola e acompanhada da música “Escove os Dentes”, da cantora Xuxa, estratégia utilizada para promover ambiente acolhedor, rítmico e estimulante.

A escola forneceu copos individuais com água para todos os participantes. Cada extensionista ficou responsável por uma dupla de crianças, garantindo correções individualizadas de técnica e reforçando orientações de forma cuidadosa e não punitiva. Observou-se heterogeneidade prévia nos hábitos: algumas crianças já demonstravam domínio da escovação, enquanto outras realizavam o procedimento de forma técnica pela primeira vez.

Ao término da atividade, as crianças retornaram à sala de aula em fila, relatando espontaneamente satisfação tanto com o aprendizado quanto com o recebimento dos kits.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A intervenção em educação em saúde bucal demonstrou impacto expressivo na assimilação e no fortalecimento dos hábitos de higiene entre crianças quilombolas, evidenciando a importância de práticas educativas contextualizadas, contínuas e culturalmente sensíveis.

Realizada no pátio da escola, a ação permitiu observar que diversas crianças já dominavam etapas da escovação, resultado de experiências anteriores que, somadas à oficina atual, sustentam o argumento de que a repetição sistemática de práticas preventivas no ambiente escolar favorece a formação de hábitos duradouros, conforme aponta Moura (2022). Esse cenário reforça a necessidade de políticas educacionais e sanitárias que valorizem intervenções frequentes e progressivamente ampliadas em territórios socialmente vulnerabilizados.

Em dimensão subjetiva, a atividade foi marcada por entusiasmo, acolhimento e genuíno sentido de pertencimento, favorecendo uma troca afetiva profunda entre extensionistas e crianças. Essa experiência converge com bell hooks (2013), que defende uma pedagogia baseada na ética do cuidado, na presença afetiva e na educação como ato de liberdade. Ao mesmo tempo, dialoga com Paulo Freire (1996), cujo pensamento enfatiza o diálogo, o respeito ao saber prévio dos sujeitos e a construção coletiva do conhecimento como eixo norteador do processo educativo. A atividade, ao privilegiar a escuta sensível, a participação ativa e a valorização das vivências das crianças, reafirmou a necessidade de práticas pedagógicas libertadoras.

A proposta pedagógica promoveu um ambiente de aprendizagem afetivo, interativo e responsivo às necessidades da infância. No diagnóstico situacional inicial, caracterizado por um questionário oral lúdico adaptado, observou-se elevada receptividade das crianças, o que confirmou a adequação de instrumentos interativos para avaliação de comportamentos em faixas etárias iniciais (SILVA, 2025).

A teoria piagetiana também fundamentou a intervenção, especialmente ao considerar que crianças entre 6 e 7 anos se encontram em transição para o estágio operatório concreto, período no qual a aprendizagem é favorecida pela ação prática, pela experimentação e pela manipulação de objetos (PIAGET, 1975).

A utilização do macromodelo de arcada dentária, e a simulação de escovação nesse modelo, permitiu que as crianças assimilassem e acomodassem conceitos por meio da ação direta, promovendo envolvimento ativo e reorganização cognitiva significativa. A manipulação do modelo reduziu ansiedade, ampliou motivação e estimulou mesmo crianças mais tímidas, aspecto compatível com as teorias do desenvolvimento e com estudos neurocientíficos recentes que indicam que o engajamento ativo otimiza a plasticidade neural e o aprendizado duradouro (Immordino-Yang, 2016; Tokuhama-Espinosa, 2018).

A entrega dos kits de higiene bucal (escova dental infantil e creme dental) intensificou o engajamento das crianças e favoreceu a continuidade da aprendizagem fora da escola. A ação dialoga diretamente com Montessori (1965), que destaca que o desenvolvimento infantil depende do ambiente preparado e de oportunidades de manipulação concreta que promovam autonomia e responsabilidade.

Crianças que tiveram dificuldade para abrir as embalagens solicitaram auxílio aos extensionistas, evidenciando confiança, vínculo afetivo e cooperação. A interação entre pares também emergiu: notou-se que crianças ajudavam umas às outras espontaneamente, reforçando solidariedade, protagonismo e aprendizagem colaborativa.

A escovação supervisionada, acompanhada da música “Escove os Dentes” (Xuxa, XSPB 8), foi fundamentada em princípios da neurociência da aprendizagem. Estudos de Benasich (2002) demonstram que estímulos auditivos rítmicos fortalecem o processamento temporal cerebral, favorecendo atenção, memória e consolidação de novos comportamentos. Associar ritmo, movimento e repetição à prática de escovação otimizou a integração sensório-motora e intensificou o engajamento afetivo, fatores essenciais para a formação de hábitos de autocuidado (Goswami, 2015; Andrade, 2023). Assim, o uso da música não apenas tornou o momento prazeroso, mas potencializou a neuroplasticidade e contribuiu para a incorporação do hábito de escovar os dentes de forma regular.

No contexto quilombola, os resultados tornam-se ainda mais significativos. Comunidades quilombolas enfrentam desigualdades estruturais profundas, maiores barreiras de acesso aos serviços de saúde e índices elevados de doenças bucais (SILVA et al., 2020). Pesquisas mostram que problemas odontológicos afetam dimensões emocionais, sociais e escolares, comprometendo não só a saúde física, mas também a autoestima, o rendimento escolar e o bem-estar geral de crianças e adolescentes (COSTA et al., 2020). Nesse cenário, ações educativas participativas e culturalmente sensíveis, como a desenvolvida no projeto, são fundamentais para reduzir desigualdades, promover autonomia e fortalecer a cidadania sanitária das crianças.

As crianças não apenas seguiram as orientações, como também reforçaram entre si as técnicas aprendidas, continuaram explorando o macromodelo e demonstraram protagonismo na organização coletiva da atividade. Esses achados reforçam a importância de práticas educativas que integrem afeto, ludicidade e metodologias ativas, princípios defendidos por Freire, hooks e pela neurociência moderna.

A articulação entre neurociência, pedagogia crítica, educação infantil e promoção da saúde demonstrou ser um caminho potente para a construção de hábitos de autocuidado e para o fortalecimento da saúde bucal em comunidades quilombolas. Ao valorizar o protagonismo das crianças, reconhecer suas potencialidades e promover experiências de aprendizagem sensíveis e inclusivas, o projeto contribuiu para romper estigmas, ampliar oportunidades e fortalecer o direito à saúde, reafirmando a educação como prática de liberdade e instrumento de transformação social.

A participação de estudantes de medicina nessa iniciativa, ainda nos períodos iniciais da sua formação, revelou-se essencial para o desenvolvimento de competências humanísticas, comunicacionais e ético-profissionais. A literatura internacional tem demonstrado que o engajamento precoce em cenários reais de prática contribui para a consolidação da identidade profissional, para o reconhecimento da diversidade sociocultural e para o fortalecimento da responsabilidade social do futuro médico (BMC Medical Education, 2024). O contato direto com a comunidade quilombola possibilitou aos estudantes compreender a complexidade das determinantes sociais da saúde, ampliando a visão sobre o processo saúde-doença e sobre o papel transformador da promoção e da educação em saúde.

4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O projeto de extensão “Sorriso Saudável” cumpriu o papel de promoção e educação em saúde bucal, focando na prevenção e no desenvolvimento de autonomia em crianças de comunidades quilombolas. As ações lúdicas, o ensino prático e a distribuição de kits visam estabelecer hábitos saudáveis de longa duração, combatendo a alta prevalência de cárie na infância. O desfecho favorável das ações é motivado por todos envolvidos no projeto, dessa forma se fez essencial a dedicação e o empenho de todos. 

A proposta de acompanhamento futuro é imprescindível e a interação com as crianças devem ser encorajadas, construindo um vínculo gradativamente mais intenso, com maior confiança, humanização e acolhimento, para resultados mais significativos. Além de quantificar a efetividade dessa intervenção na rotina das crianças, consolidando o papel da universidade na redução de desigualdades. Ademais, o estudo é relevante para o desenvolvimento do estudante de graduação das áreas de saúde, especialmente em relação ao ensino, pesquisa e extensão, impulsionando uma formação mais humanizada e consciente,

REFERÊNCIAS

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