MUSCULOSKELETAL PAIN IN UNIVERSITY STUDENTS IN THE INTERIOR OF PARAÍBA: FREQUENCY AND ASSOCIATED FACTORS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202511100946
Ana Carla Inácio da Silva
Prof. Esp. Ana Mayara Pereira Vilar Trigueiro
Prof. Felipe Longo Correia de Araújo
Orientadora: Prof.ª Ma. Samara Campos de Assis
RESUMO
O presente estudo aborda as dores musculoesqueléticas em estudantes acadêmicos de fisioterapia, investigando sua frequência e fatores associados. Na qual essas dores musculoesqueléticas são condições prevalentes que impactam na qualidade de vida, especificamente no desempenho acadêmico, sendo acarretado por posturas inadequadas, excesso de materiais na bolsa, incluindo toda demanda física e psicológica do curso. Tendo como objetivo analisar as principais dores musculoesqueléticas em estudantes de fisioterapia em uma universidade do interior da Paraíba. Tratou-se de uma pesquisa que foi desenvolvida a partir de uma pesquisa de campo exploratória e descritiva com abordagem quantitativa. A população foi formada por discentes do curso de bacharelado de fisioterapia referido Centro Universitário de Patos. A coleta de dados foi realizada online utilizando a ferramenta Google Forms e foram aplicados dois questionários na sequência, o Questionário Nórdico de Sintomas Musculoesqueléticos (QNSM), e a Escala Visual Analógica – EVA. Os dados da amostra foram analisados, tabulados e graficados utilizando o software Microsoft Excel. A amostra foi composta por 40 estudantes do curso de fisioterapia. Os resultados demonstraram que a maioria dos entrevistados foram do sexo feminino, a maioria também apresentou dor na região do pescoço/trapézio, seguida de dor lombar e a parte superior das costas e quanto a maioria dos entrevistados relatou sentir dor com intensidade 5, a qual é classificada como moderada, de acordo com a Escala Visual Analógica (EVA).
Palavras-chaves: Dores Musculoesqueléticas; Estudantes de Fisioterapia.
ABSTRACT
This study addresses musculoskeletal pain in physical therapy students, investigating its frequency and associated factors. In which these musculoskeletal pains are prevalent conditions that impact quality of life, specifically academic performance, being caused by inadequate postures, excess of materials in the bag, including all physical and psychological demands of the course. The objective is to analyze the main musculoskeletal pains in physical therapy students at a university in the interior of Paraíba. This was a research that was developed from an exploratory and descriptive field research with a quantitative approach. The population was formed by students of the bachelor’s degree in physical therapy referred to Centro Universitário de Patos. Data collection was carried out online using the Google Forms tool and two questionnaires were applied in sequence, the Nordic Questionnaire of Musculoskeletal Symptoms (QNSM), and the Visual Analog Scale – VAS. The sample data were analyzed, tabulated and graphed using Microsoft Excel software. The sample consisted of 40 physiotherapy students. The results showed that the majority of respondents were female, the majority also presented pain in the neck/trapezius region, followed by lower back pain and upper back pain, and the majority of respondents reported feeling pain with an intensity of 5, which is classified as moderate, according to the Visual Analogue Scale (VAS).
Keywords: Musculoskeletal Pain; Physiotherapy Students.
INTRODUÇÃO
De acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia tem como perfil do formando egresso/profissional o Fisioterapeuta, com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à saúde, com base no rigor científico e intelectual. Detém visão ampla e global, respeitando os princípios éticos/bioéticos, e culturais do indivíduo e da coletividade. Exercendo os seguintes as competências e habilidades gerais na atenção à saúde: os profissionais de saúde, dentro de seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de prevenção, promoção, proteção e reabilitação da saúde, tanto em nível individual quanto coletivo (Brasil, 2002).
Ressaltando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a qualidade de vida conforme a maneira como cada pessoa percebe sua posição na vida com base em seus valores, cultura, objetivos e preocupações. Relacionadas ao bem-estar psicossocial, à segurança socioeconômica e à saúde, na qual são fatores interdependentes cuja importância pode variar entre as pessoas e as sociedades. Dessa forma se torna um desafio constante, compreender, avaliar e promover as condições que garantem uma boa qualidade de vida (Hora et al., 2022; Paula; Cotrim, 2020)
A rotina acadêmica no campo da saúde envolve uma prática terapêutica intensa, que pode resultar em conflitos devido ao aparecimento de dúvidas e às dificuldades enfrentadas. As exigências dos professores em relação à aplicação dos conhecimentos adquiridos pelos estudantes durante a graduação podem gerar inseguranças quanto à possibilidade de cometer erros, o que pode ocasionar impactos psicoemocionais, como o estresse, detalhadamente ocorre devido à uma sobrecarga de trabalho, envolvendo as dificuldades de lidar com inúmeras responsabilidades que estão associadas às atividades acadêmicas, provocando uma pressão constante para concluir as tarefas designadas, podendo resultar no desenvolvimento de dores musculoesqueléticas, causadas pelo excesso de tarefas, o estilo de vida acelerado, afetando também a biomecânica postural ocasionando dores em diversas articulações (De Sá et al., 2020).
De acordo com Dos Reis Ferreira et al. 2020, em seus estudos relatou que a predominância dessas dores musculoesqueléticas está localizada na região do pescoço com 80%, parte superior das costas com 70%, parte inferior das costas com 60%, em evidências nos seus dados obtidos pelo Questionário Nórdico Padronizado e WHOQOL – bref, realizado no ano de 2020.
O objetivo desse estudo foi avaliar as prevalências desses distúrbios e sua correlação com a qualidade de vida dos universitários. E os objetivos específicos foram: identificar as principais dores musculoesqueléticas, analisar os fatores associados e avaliar a prevalência das dores.
Esse estudo foi de extrema importância, pois além de gerar dados relevantes para a comunidade acadêmica e científica, pode contribuir diretamente para a promoção da saúde e melhoria do ambiente universitário, beneficiando tanto os estudantes quanto os professores.
Diante do exposto indaga-se: quais as dores musculoesqueléticas que afetam os discentes?
METODOLOGIA
O presente estudo tratou-se de uma pesquisa de campo exploratória e descritiva com abordagem quantitativa que foi realizada no Centro Universitário de Patos – UNIFIP, na cidade de Patos-PB.
A população foi formada por discentes do curso de bacharelado de fisioterapia referido Centro Universitário de Patos e a amostragem foi constituída pelos 40 voluntários que aceitaram fazer parte da pesquisa, considerando critério de acessibilidade.
Como critérios de inclusão dos voluntários na pesquisa, foi necessário, como pré-requisito, acadêmicos de ambos os sexos, regularmente matriculados no curso de fisioterapia da UNIFIP, com idade igual ou superior a 18 anos, e que tenham assinado o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE.
Como critério de exclusão estavam os alunos que não tiveram acesso ao questionário a ser aplicado e questionários incompletos.
A coleta de dados foi realizada online utilizando a ferramenta Google Forms. Inicialmente, os participantes receberam uma explicação sobre o objetivo e os procedimentos da pesquisa e, em seguida, puderam assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Foram aplicados dois questionários na sequência, o Questionário Nórdico de Sintomas Musculoesqueléticos (QNSM), e a Escala Visual Analógica – EVA.
Questionário Nórdico de Sintomas Musculoesqueléticos (QNSM), versão traduzida para o português do Nordic Musculoskeletal Questionnaire (NMQ). O QNSM foi criado para avaliar o relato de sintomas musculoesqueléticos e inclui questões de múltipla escolha ou respostas binárias sobre a ocorrência de sintomas em várias regiões anatômicas onde esses problemas são mais comuns. O participante deveria indicar sintomas como dor, desconforto, formigamento ou dormência, considerando os últimos 12 meses e os últimos sete dias antes da entrevista. Além disso, eram solicitadas informações sobre eventuais afastamentos das atividades diárias (trabalho, afazeres domésticos ou lazer) no último ano e sobre consultas realizadas com profissionais de saúde devido a esses sintomas (Cardoso et al., 2022).
E a escala visual analógica de dor EVA que consiste em uma linha horizontal de 10 cm, onde nos extremos apresenta a frase “ausência de dor” que corresponde a zero e, “dor insuportável” correspondendo a 10.
O questionário Nórdico utilizado apresenta uma ilustração do corpo humano dividido em doze regiões anatômicas: cabeça, cervical, ombros, região torácica, cotovelos, antebraços, região lombar, punhos/mãos, coxas, joelhos, pernas e tornozelos/pés. As perguntas são direcionadas a essas doze áreas, e os participantes devem indicar se experimentaram dor ou desconforto em alguma dessas regiões nos últimos 12 meses e se, em algum momento, isso impactou suas atividades da vida diária (AVDs), conforme Figura 3 (De barros et al., 2003).
Figura 3 – Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares

FONTE: De barros et al., 2003.
O segundo questionário é a Escala Visual Analógica (EVA), que permite mensurar a intensidade da dor em uma escala de 0 a 10. Nesse instrumento, 0 representa a ausência de dor, enquanto 10 indica o nível máximo de dor suportável. Durante a aplicação, o aluno será solicitado a apontar seu grau de dor, com 0 indicando “sem dor” e 10 a “pior dor possível” conforme relatado pelo próprio participante (Da Costa Vinholte et al., 2022), conforme Figura 4.
Figura 4 – Escala Visual Analógica de Dor

FONTE: Da Costa Vinholte et al., 2022.
Como análise opinativa, os dados da amostra foram analisados, tabulados e graficados utilizando o software Microsoft Excel.
A realização deste estudo considerou a Resolução n° 510/16 do Conselho Nacional de Saúde que rege sobre a ética da pesquisa envolvendo seres humanos direta ou indiretamente, assegurando a garantia de que a privacidade do sujeito da pesquisa será preservada. Este projeto foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário de Patos. Após a concessão de sua aprovação, todos os sujeitos envolvidos na pesquisa assinaram ao TCLE, que foi impresso em duas vias, uma para o pesquisado e outra para o pesquisador ou todos sujeitos assinaram o item aceito a participar da pesquisa para conseguir ter acesso ao questionário. A preservação da privacidade dos sujeitos foi garantida por meio do Termo de Compromisso do Pesquisador.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa contou com a participação de 40 indivíduos. Em relação à faixa etária, observou-se predominância de jovens entre 21 e 25 anos (77,5%). No que se refere à etnia, prevaleceram participantes pardos (50,0%), seguidos de brancos (42,5%), pretos (5,0%) e amarelos (2,5%), não havendo autodeclaração de indígenas. Quanto às demais variáveis, observou-se que a maioria dos participantes era estudante (82,5%), enquanto (17,5%) conciliavam os estudos com outras ocupações. Em relação ao estado civil, predominou o solteiro (a) (90,0%). Por fim, verificou-se maior participação do sexo feminino (82,5%), em comparação ao masculino (17,5%) (Tabela 1).
Tabela 1 – Perfil sociodemográfico dos participantes.


Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Resultados semelhantes foram encontrados na pesquisa de Gomes-Neto, Sampaio e Santos (2016), na qual 81% dos participantes eram do sexo feminino. Em relação ao estado civil, 167 indivíduos eram solteiros, representando 83,5% da amostra. Quanto ao curso, (100%) eram estudantes de graduação, sendo a maioria pertencente ao curso de fisioterapia (65%). A idade média foi de 27,4 ± 6,4 anos, demonstrando proximidade com a faixa etária predominante em estudos sobre dores musculoesqueléticas em universitários.
Em relação à frequência de dor, metade dos participantes (50,0%) afirmaram sentir dor com frequência, enquanto (37,5%) relataram sentir dor às vezes e apenas. Quanto ao tipo de estrutura corporal associada, prevaleceu a dor de origem muscular (72,5%), seguida por articular (12,5%). Esses resultados podem ser visualizados na Tabela 2.
Tabela 2 – Distribuição dos participantes quanto à frequência e ao tipo de dor.


Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Resultados semelhantes são encontrados no estudo de Morais et al. (2019), no qual quase a totalidade dos estudantes de graduação da área da saúde relataram dor musculoesquelética em alguma região do corpo, evidenciando elevada prevalência desse sintoma entre universitários. Assim como observado nos dados dessa pesquisa, os autores destacaram maior predominância de dores de origem muscular, associadas principalmente a fatores como postura inadequada durante as atividades acadêmicas, tempo prolongado em posição sentada e uso frequente de dispositivos eletrônicos.
Esses achados reforçam que a dor musculoesquelética, em especial a de origem muscular, representa um problema recorrente na população universitária, possivelmente relacionado às demandas acadêmicas e ao estilo de vida adotado nesse período.
Conforme apresentado anteriormente, observou-se que (50,0%) dos participantes relataram sentir dor com frequência, sendo que a maioria dessas queixas estava relacionada à estrutura muscular (72,5%), seguida de articular e óssea em menor proporção. Dando continuidade a essa análise, buscou-se identificar as regiões corporais mais afetadas por dor, desconforto ou dormência nas duas últimas semanas. A Tabela 3 apresenta a distribuição dos participantes em diferentes regiões corporais, evidenciando a intensidade e frequência desses sintomas.
Tabela 3- Considerando as duas últimas semanas, você teve dor, desconforto ou dormência:


Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Ao analisar as regiões corporais mais afetadas nas duas últimas semanas, observou-se que o Pescoço/Trapézio e a região Lombar foram as áreas com maior relato de dor frequente ou sempre, com (30,0%) e (22,5%) para Pescoço/Trapézio e (20,0%) para cada categoria na região Lombar. A região da Cabeça também apresentou incidência significativa de dor, com (27,5%) das respostas indicando ocorrência “frequentemente” e (5,0%) “sempre”. Por outro lado, regiões como Antebraço (47,5%), Tornozelos/Pés (40,0%) e Quadril/Coxas (32,5%) apresentaram maior proporção de respostas “Nunca”, indicando menor impacto nessas áreas. Esses achados sugerem que os sintomas estão fortemente associados a estruturas musculares e regiões relacionadas à postura e esforço físico, corroborando a análise inicial sobre a predominância de dores musculares.
Ao comparar esses resultados com os dados obtidos por Gomes-Neto, Sampaio e Santos (2016), observa-se convergência quanto à prevalência de desconfortos em áreas posturais e musculoesqueléticas. No estudo citado, a região Lombar apresentou os maiores índices de desconforto, com (62,5%) nos últimos 12 meses e (49,5%) nos sete dias precedentes, seguida pelos Ombros (41,0% e 28,5%) e Pescoço/Cervical (40,5% e 29,0%), além da região dorsal (35,0% e 25,0%). Embora a distribuição percentual difira, possivelmente devido à diferença nos períodos de referência e metodologias empregadas, ambos os estudos destacam a Lombar e o Pescoço como áreas críticas de dor musculoesquelética, reforçando o papel do esforço postural e das atividades diárias na gênese desses sintomas.
Além disso, tanto na presente pesquisa quanto no estudo de Gomes-Neto, Sampaio e Santos (2016), regiões como Antebraço, Quadril/Coxas e Tornozelos/Pés apresentaram menores índices de dor, sugerindo menor vulnerabilidade dessas áreas aos desconfortos osteomusculares em comparação com regiões centrais e superiores do tronco.
A seguir é apresentada a distribuição da intensidade da dor, desconforto ou dormência nas diferentes regiões corporais, considerando os relatos dos participantes (Tabela 4).
Tabela 4- Caso sinta dor, desconforto ou dormência qual a intensidade da dor, desconforto ou dormência:


Fonte: Dados da pesquisa (2025).
A análise da intensidade evidencia um padrão diferenciado entre as regiões corporais. Observou-se que áreas como Antebraço, Punhos e Mãos, Quadril/Coxas e Tornozelos/Pés apresentaram predominância de dor muito leve ou leve, com percentuais variando de (40,0%) a (42,5%) para “Muito leve” e de (27,5%) a (40,0%) para “Leve”. Em contrapartida, regiões relacionadas à postura e sobrecarga muscular, como Pescoço/Trapézio, Lombar e Parte superior das costas, apresentaram maior proporção de dor moderada a muito forte, sendo que (62,5%) dos participantes relataram dor de intensidade moderada a muito forte no Pescoço/Trapézio, e (67,5%) na região Lombar.
A Cabeça apresentou distribuição entre as intensidades, predominando de “Muito leve” a “Moderado” (77,5%), sugerindo que, embora as cefaleias sejam frequentes, sua intensidade raramente é extrema. Esses achados reforçam os dados das Tabelas 2 e 3, indicando que a dor relatada pelos participantes é predominantemente muscular e concentrada em regiões associadas à postura e esforço físico, enquanto outras áreas sofrem menor impacto tanto em frequência quanto em intensidade, o que sugere menor relevância clínica destas últimas.
Ao comparar esses resultados com os dados da pesquisa de Vinholte et al. (2021), observa-se concordância quanto à alta prevalência de dores musculoesqueléticas em regiões centrais do tronco e cervical. No estudo citado, a lombalgia apresentou a maior frequência, afetando 93,48% dos estudantes, seguida por cervicalgia (76,09%), dores nos ombros (69,57%) e torácicas (58,70%). Da mesma forma que na presente pesquisa, a intensidade das dores lombares e cervicais foi predominante moderada, enquanto dores em mãos, membros inferiores e tornozelos apresentaram menor frequência e intensidade, sendo majoritariamente leves (entre 65,22% e 76,09%). Essa similaridade reforça a ideia de que regiões associadas a sobrecarga postural, como Pescoço/Trapézio, Lombar e parte superior das costas, são mais suscetíveis a desconforto musculoesquelético e a dores de intensidade significativa, impactando o bem-estar e a funcionalidade dos indivíduos.
Portanto, a integração dos achados evidencia que, tanto na população estudada quanto nos estudantes avaliados por Vinholte et al. (2021), a dor musculoesquelética se concentra principalmente em regiões de alta demanda postural, sendo recorrente e de intensidade moderada a forte, enquanto áreas periféricas, como membros superiores distalizados e inferiores, apresentam menor frequência e intensidade de dor. Esses dados destacam a necessidade de estratégias preventivas voltadas ao fortalecimento muscular, ergonomia e hábitos posturais adequados, especialmente para Pescoço/Trapézio, Lombar e região dorsal superior, a fim de reduzir o impacto da dor na qualidade de vida.
Nesse contexto, a análise da intensidade da dor referida pelos participantes, apresentada na Tabela 5 por meio da Escala Visual Analógica (EVA), permite compreender de forma mais detalhada como os estudantes percebem e classificam suas queixas dolorosas.
Tabela 5: Levando em consideração a escala visual analógica indique seu nível de dor:

Fonte: Dados da pesquisa (2025).
Observou-se que a maioria dos estudantes relatou dor de intensidade moderada na Escala Visual Analógica, concentrando-se principalmente no nível 5, que representou (32,5%) da amostra. Considerando o intervalo entre 4 e 7 pontos, os valores somaram (62,5%) dos participantes, evidenciando que a maior parte vivencia dores em grau intermediário, porém relevantes para sua rotina acadêmica. Já a dor intensa, entre 8 e 10 pontos, esteve presente em (17,5%) dos estudantes, enquanto apenas (12,5%) relataram dor leve (1–3 pontos) e (7,5%) afirmaram não sentir dor (EVA 0). Esses resultados indicam um quadro em que predomina a dor moderada, mas com percentuais expressivos de intensidade elevada, sugerindo impacto significativo na qualidade de vida desses jovens.
Quando comparados aos achados de Lima et al. (2023), nota-se um contraste importante. Na avaliação estática do estudo dos autores, (58,1%) dos estudantes apresentaram dor leve (0–3), proporção consideravelmente maior do que a encontrada nesta investigação (12,5%). Por outro lado, a dor moderada (4–7) foi predominante nos dois trabalhos, embora com maior concentração no presente estudo (62,5%), valor próximo ao identificado por Lima et al. durante movimentos de flexão, extensão e rotações (51,2% a 67,4%). Em relação à dor intensa (8–10), os estudantes do presente estudo relataram maior prevalência (17,5%) em comparação aos (9,3%) em condição estática e até (13,9%) em movimento no estudo comparativo. Dessa forma, embora haja convergência quanto à predominância da dor moderada, percebe-se que, no contexto local, os estudantes apresentam níveis mais elevados de dor, o que pode refletir particularidades ergonômicas, acadêmicas ou de estilo de vida que diferenciam as duas populações.
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os dados obtidos evidenciam que as dores musculoesqueléticas em universitários concentram-se em regiões de maior sobrecarga postural, como Pescoço/Trapézio, Lombar e parte superior das costas, com intensidade predominante moderada. Essa distribuição reforça a relação entre hábitos posturais inadequados, exigências acadêmicas e o surgimento de desconfortos musculoesqueléticos significativos, capazes de afetar a funcionalidade e o bem-estar dos estudantes.
Por outro lado, regiões periféricas, como membros superiores distais e membros inferiores, apresentaram menor frequência e intensidade de dor, indicando menor vulnerabilidade a sobrecarga nessas áreas. Tais achados corroboram a literatura e ressaltam a importância de intervenções direcionadas às regiões mais afetadas.
Diante disso, torna-se evidente a necessidade de estratégias preventivas, como orientações sobre postura correta, alongamentos, pausas ativas e exercícios físicos de baixo impacto, visando minimizar o impacto da dor na vida acadêmica. Essas medidas podem contribuir diretamente para a promoção da saúde física e psicossocial dos estudantes, fortalecendo um ambiente universitário mais saudável e funcional
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