REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511201410
Ana Maria Sampaio Silva1
Dauana do Vale Mecenas2
RESUMO
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é considerada uma das afecções com maior prevalência no mundo, sua incidência no Brasil é de cerca de 12% na população urbana. Ocorre quando o refluxo do conteúdo gástrico provocam sinais e sintomas que afetam o bem-estar do individuo e podem ocasionar complicações. Os principais objetivos do tratamento farmacológico são controlar os sintomas, prevenir complicações, cicatrizar as lesões esofagianas e reestabelecer a qualidade de vida do paciente. O objetivo desse trabalho é abordar as classes farmacológicas utilizadas no tratamento da DRGE visando a melhoria qualidade de vida de cada paciente.
Palavras-chaves: doença do refluxo gastroesofágico, tratamento farmacológico, qualidade de vida.
1. INTRODUÇÃO
A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é considerada uma das patologias mais frequentes do cotidiano médico, sendo classificada como a afecção orgânica mais prevalente do tubo digestivo.
A DRGE é conceituada como sendo a condição que ocorre quando o refluxo do conteúdo oriundo do estômago ocasiona sinais, sintomas e/ou complicações. Essa patologia é capaz de comprometer significativamente a qualidade de vida dos pacientes.
Os sintomas e as lesões teciduais características da DRGE são resultados do contato da mucosa com o conteúdo gástrico refluxado que contém fatores agressores como enzimas pancreáticas, pepsina, sais biliares e ácido.
O tratamento clínico tem por objetivos aliviar os sintomas, cicatrizar as lesões da mucosa esofagiana, prevenir o desenvolvimento de complicações e evitar recidivas. Ele se baseia em medidas não farmacológicas, farmacológicas e cirúrgicas.
O uso de medicamentos deve ser indicado apenas aos pacientes diagnosticados com refluxo patológico. Em alguns casos podem ser utilizados de forma empírica, por pequenos períodos.
É importante destacar que cada paciente deve ser analisado de forma individual, deve ser considerado o tipo de paciente estudado, suas condições socioeconômicas e capacidade de aderência ao tratamento.
2. DESENVOLVIMENTO
Vários fármacos podem ser utilizados no tratamento da DRGE. A possibilidade de cicatrização das lesões esofágicas tem relação direta com o efeito antissecretor do fármaco usado. No esquema terapêutico os fármacos disponíveis são: inibidores da bomba de prótons (IBP), antiácidos, sucralfatos, alginato, bloqueadores dos receptores H2 da histamina e os procinéticos.
Os fármacos alcalinos (antiácidos) e sucralfato tem como efeito a neutralização da secreção ácida gástrica, com finalidade de controlar imediatamente os sintomas. Os antiácidos são bases fracas que ao reagirem com o ácido gástrico originam água e um sal, dessa forma reduzindo a acidez gástrica. O sucralfato (citoprotetor) possuem ações que aumentam os mecanismos de proteção da mucosa, são capazes de prevenir lesões e diminuir inflamação.
As prescrições dos antiácidos e sucralfatos são raras, sendo indicados somente em casos especiais com o intuito de alivio passageiro dos sintomas em pacientes com sintomas esporádicos.
Os antagonistas dos receptores H2 da histamina (famotidina, ranitidina, nizatidina e cimetidina) são eficazes para o tratamento de esofagite erosiva leve, porém não possuem bons resultados na doença moderada e intensa ou quando necessitam ser utilizados por longos períodos. São fármacos com curta duração de ação (entre 4 e 8 h), por isso se faz necessário doses múltiplas para o tratamento da DRGE..
Os antagonistas dos receptores H2 da histamina quando utilizados por mais de duas semanas, podem ocasionar o declínio da inibição da secreção ácida, fenômeno conhecido como taquifilaxia ou tolerância. Isso limita a sua eficácia terapêutica, sendo estes indicados somente quando os inibidores da bomba de prótons não puderem ser prescritos.
Os procinéticos (metoclopramida, bromoprida e domperidona) atuam acelerando o esvaziamento gástrico, porém não agem sobre os relaxamentos transitórios do esfíncter inferior do esôfago. Em pacientes que apresentem quadro de dismotilidade associada à DRGE, esses fármacos só devem ser prescritos em conjunto com IBP.
Os IBPs são considerados o tratamento de primeira linha para a DRGE, pois apresentam resultados superiores aos fármacos citados anteriormente. São medicamentos seguros e eficazes para o tratamento por longos períodos, além de possuírem altos índices de cicatrização.
A terapêutica com IBP reduz significativamente o refluxo duodeno-gastresofágico, que ocorre devido a diminuição do volume da secreção gástrica e do ácido. A supressão do sinergismo negativo entre o ácido, a pepsina e a bile também promove a proteção da mucosa esofágica.
Devido a necessidade da ativação das bombas de prótons pelos alimentos para que ocorra a estimulação da produção de ácido clorídrico, os IBPs devem ser administrados em jejum, 30 a 60 minutos antes da alimentação.
Os IBPs devem ser usados em ciclos de 4 a 8 semanas para o tratamento da fase aguda. Se o paciente não apresentar resolução dos sintomas, a dose pode ser dobrada, isto é, antes do café da manhã e antes do jantar.
Pacientes considerados refratários são aqueles que necessitam usar IBP mais que 2 vezes ao dia e que não apresentam controle dos sintomas associados ao refluxo e/ou com alterações mucosas após 12 semanas ou mais de tratamento.
Pacientes que possuam contraindicações aos IBPs ou aos receptores H2 da histamina, podem utilizar os antiácidos, alginatos e sucralfato, pois estes são capazes de promover alívio sintomático passageiro.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento acerca da terapêutica utilizada na doença do refluxo gastroesofágico é de suma importância devido à alta prevalência, à baixa qualidade de vida e elevados custos que esta patologia confere aos seus portadores.
A terapêutica da DRGE pode ser dividida em medidas não farmacológicas, medidas farmacológicas e cirurgia. O presente trabalho buscou abordar sobre o tratamento farmacológico, sendo possível inferir que os artigos e livros utilizados como base, explanam de forma consensual sobre o tratamento farmacológico da DRGE.
Apresentam como fármacos de primeira escolha os inibidores da bomba de prótons. Os medicamentos classificados como tratamento de segunda linha são antagonistas dos receptores H2 da histamina e os procinéticos. Apontam também que os medicamentos com objetivo de promover alívio sintomático são os antiácidos, sucralfatos e procinéticos.
REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO
CHINSON,D et al. Refluxo Gastroesofágico: Diagnóstico e Tratamento. Projeto diretrizes, 2003. Disponível em: https://diretrizes.amb.org.br/_BibliotecaAntiga/refluxo- gastroesofagico-diagnostico-e-tratamento.pdf. Acessado em: 17 de novembro de 2019.
DANI, R; PASSOS,M.C.F. Gastroenterologia essencial. 4 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.
HENRY, M.A.C. Diagnóstico e tratamento da doença do refluxo gastroesofágico. 2014. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/abcd/v27n3/pt_0102-6720-abcd-27-03-00210. Acessado em: 17 de novembro de 2019.
JUNIOR, L.J.A. Doença do refluxo gastroesofágico. 2014. Disponível em: http://files.bvs.br/upload/S/0047-2077/2015/v102n6/a4558.pdf. Acessado em: 17 de novembro de 2019.
JUNQUEIRA,J. C.F. Doença do refluxo gastroesofágico: diagnóstico e tratamento. Revista de pediatria SOPERJ, 2007. Disponível em: http://revistadepediatriasoperj.org.br/detalhe_artigo.asp?id=106. Acessado em: 17 de novembro de 2019.
LIMA, R.M. Doença de Refluxo Gastroesofágico: métodos de diagnóstico e tratamento. Revista Nascer e crescer, 2008. Disponível em: http://repositorio.chporto.pt/bitstream/10400.16/1159/1/DoencaDeRefluxo_NeC_17-3_Web.pdf. Acessado em: 17 de novembro de 2019.
MARINHO,J.R. et al. Tratado de gastroenterologia: da graduação à pós-graduação. 2 ed. São Paulo: Atheneu, 2016.
NORTON, R.C; PENNA, F.J. Refluxo gastroesofágico. Jornal de pediatria, 2000. Disponível em: http://www.jped.com.br/conteudo/00-76-S218/port.pdf. Acessado em: 17 de novembro de 2019.
WHALEN, K. et al. Farmacologia ilustrada. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
1anamariasampaio12@hotmail.com
2dauvmecenas@hotmail.com
