DIRETRIZES CLÍNICAS EASL-EASD-EASO PARA O MANEJO DA DOENÇA HEPÁTICA ESTEATÓTICA ASSOCIADA À DISFUNÇÃO METABÓLICA (MASLD): UMA REVISÃO NARRATIVA

EASL-EASD-EASO CLINICAL GUIDELINES FOR THE MANAGEMENT OF STEATOTIC LIVER DISEASE ASSOCIATED WITH METABOLIC DYSFUNCTION (MASLD): A NARRATIVE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202509290801


Dórica Pereira Martins1
Igor Marcelo Castro e Silva2


RESUMO  

A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) tem se tornado cada vez mais prevalente  globalmente, gerando um grande impacto social e econômico. Recentemente, a DHGNA e a  esteato-hepatite não alcoólica foram reclassificadas como doença hepática esteatótica associada  à disfunção metabólica (MASLD) e esteato-hepatite associada à disfunção metabólica  (MASH), condições que resultam de um desequilíbrio entre estresse metabólico e inflamação.  À medida que a MASLD avança, a eficácia do tratamento diminui, podendo necessitar de  transplante hepático. A detecção precoce e a intervenção, especialmente com mudanças no  estilo de vida, são essenciais para controlar e prevenir a progressão da doença. Nesta  perspectiva, o presente estudo consistiu em uma revisão narrativa que teve como objetivo  revisar e analisar as recomendações das diretrizes clínicas da European Association for the  Study of the Liver (EASL), European Association for the Study of Diabetes (EASD) e European  Association for the Study of Obesity (EASO) no manejo da MASLD. Observou-se que essas  diretrizes oferecem uma abordagem abrangente para o diagnóstico e tratamento do MASLD,  com foco na detecção precoce, avaliação da fibrose hepática e manejo das comorbidades.  Destacam a importância de uma abordagem multidisciplinar, cujas estratégias terapêuticas  envolvem modificações no estilo de vida, tratamentos farmacológicos como o resmetirom e  agentes metabólicos que apresentam resultados promissores, especialmente em estágios mais  avançados. A combinação de terapias farmacológicas e mudanças no estilo de vida é crucial  para evitar a progressão para cirrose e a necessidade de transplante hepático, otimizando o  manejo da MASLD e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. 

Palavras-chave: Doença hepática esteatótica. Disfunção metabólica. Manejo clínico. Estilo  de vida.

ABSTRACT 

Non-Alcoholic Fatty Liver Disease (NAFLD) has been increasingly prevalent globally, posing  a significant social and economic impact. Recently, NAFLD and non-alcoholic steatohepatitis  were reclassified as Metabolic Dysfunction-associated Fatty Liver Disease (MASLD) and  Metabolic Dysfunction-associated Steatohepatitis (MASH), conditions arising from an  imbalance between metabolic stress and inflammation. As MASLD progresses, treatment  efficacy declines, potentially requiring liver transplantation. Early detection and intervention,  particularly with lifestyle changes, are crucial to control and prevent disease progression. In  this context, the present study consisted of a narrative review aimed at examining and analyzing  the clinical guidelines of the European Association for the Study of the Liver (EASL), European  Association for the Study of Diabetes (EASD), and European Association for the Study of  Obesity (EASO) in managing MASLD. These guidelines provide a comprehensive approach to  the diagnosis and treatment of MASLD, focusing on early detection, liver fibrosis assessment,  and management of comorbidities. They emphasize the importance of a multidisciplinary  approach, with therapeutic strategies involving lifestyle modifications, pharmacological  treatments such as resmetirom and metabolic agents that show promising results, particularly  in more advanced stages. The combination of pharmacological therapies and lifestyle changes  is crucial to prevent progression to cirrhosis and the need for liver transplantation, optimizing  MASLD management and improving patient quality of life. 

Keywords: Fatty liver disease. Metabolic dysfunction. Clinical management. Lifestyle.

INTRODUÇÃO 

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD),  anteriormente conhecida como doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA), é  caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado em indivíduos que apresentam pelo menos  um fator de risco cardiometabólico, sem histórico de consumo excessivo de álcool. Seu espectro  clínico abrange desde a esteatose simples até a esteato-hepatite associada à disfunção  metabólica (MASH, previamente chamada de NASH), podendo evoluir para fibrose, cirrose e,  em casos mais graves, carcinoma hepatocelular (HCC) decorrente da MASH.1 

A Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA) é uma condição clínico patológica de amplo espectro e com significativo potencial de progressão. Atualmente, é  reconhecida como uma das principais causas de doenças hepáticas. Embora inicialmente  considerada uma condição benigna, hoje se sabe que representa um dos maiores fatores de  morbidade e mortalidade hepática nos países ocidentais.2 A percepção inicial de sua  benignidade pode estar relacionada ao fato de que medidas simples, como a adoção de hábitos  saudáveis, incluindo mudanças alimentares e a prática regular de atividade física, podem  reverter a esteatose hepática não complicada.3 

Por outro lado, quando fatores como uma alimentação inadequada persistem, a esteatose  hepática simples pode evoluir para a Esteato-Hepatite Não Alcoólica (NASH), caracterizada  por inflamação e fibrose. Essa condição pode progredir para cirrose e, em menor escala, para  carcinoma hepatocelular.4 A NASH representa a forma mais agressiva da DHGNA, com grande  relevância clínica, sendo um dos principais motivos para o encaminhamento de pacientes para  transplante hepático. Sua morfologia é semelhante à da hepatite alcoólica, porém ocorre em  indivíduos sem histórico significativo de consumo de álcool.5 

A DHGNA é altamente prevalente nos EUA e na Europa, enquanto no Brasil há poucos  estudos sobre seu perfil epidemiológico. Em Minas Gerais, a esteatose hepática foi identificada  em 10% dos obesos não alcoolistas, e na Bahia, 65,4% dos pacientes apresentaram critérios  diagnósticos, com predomínio masculino (56,2%).6 A condição afeta 90% dos diabéticos, sendo  que 10 a 20% já são cirróticos, acometendo 50% dos pacientes com diabetes mellitus tipo 2  (DM2) e quase todos os que também possuem obesidade. Entre indivíduos com dislipidemia,  50% têm DHGNA, com forte associação aos níveis de triglicerídeos. Assim, pacientes com  risco cardiovascular, como os com dislipidemia e DM II, apresentam maior predisposição à  doença.7

A maioria dos indivíduos com DHGNA é assintomática, porém alguns podem relatar  fadiga, desconforto no quadrante superior direito, aumento do fígado, acantose nigricans e  lipomatose.2 Com frequência, o diagnóstico de NASH ou DHGNA ocorre de forma incidental,  seja por alterações nos exames de função hepática, como elevação das aminotransferases (ALT  e AST), ou pela identificação de esteatose hepática em exames de imagem abdominal.8,9 

A NASH é a forma progressiva da DHGNA, caracterizada por inflamação hepática  associada ao acúmulo de gordura no fígado. Sua evolução pode levar ao desenvolvimento de  fibrose avançada, cirrose e carcinoma hepatocelular.8 Fatores como obesidade, resistência à  insulina e dislipidemia contribuem para sua progressão. O diagnóstico precoce é essencial, uma  vez que a NASH pode se tornar uma das principais indicações para transplante hepático devido  à falência hepática.10 

O manejo da DHGNA e de condições associadas, incluindo componentes da síndrome  metabólica, envolve diferentes abordagens, sendo as opções conservadoras e cirúrgicas  amplamente reconhecidas. Geralmente, o tratamento é multifatorial, abordando diversos  aspectos, como a redução de peso, mudanças no estilo de vida e a possível adequação do uso  de medicamentos.2,11 

Nesse contexto, a presente revisão narrativa tem como objetivo analisar e discutir as  recomendações das diretrizes clínicas da European Association for the Study of the Liver (EASL), European Association for the Study of Diabetes (EASD) e European Association for  the Study of Obesity (EASO) para o manejo da Doença Hepática Esteatótica Associada à  Disfunção Metabólica (MASLD). 

METODOLOGIA 

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada na análise das diretrizes clínicas  da European Association for the Study of the Liver (EASL), European Association for the Study  of Diabetes (EASD) e European Association for the Study of Obesity (EASO) sobre o manejo  da Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD). Esse desenho  metodológico permite uma abordagem abrangente e atualizada sobre o tema, ressaltando as  principais recomendações para o manejo da MASLD segundo as diretrizes internacionais. 

A pesquisa foi conduzida por meio da consulta a bases de dados científicas, incluindo  PubMed, Science Direct e Embase, utilizando os seguintes descritores em inglês e português:  “steatotic liver disease”, “guidelines”,” e “metabolic dysfunction”, combinados com operadores booleanos (AND/OR). Foram selecionados artigos publicados nos últimos cinco anos, com  ênfase em revisões sistemáticas, ensaios clínicos e recomendações de sociedades médicas. Foram incluídos diretrizes clínicas e consensos publicados por sociedades médicas  internacionais sobre MASLD; artigos de revisão e estudos originais que discutem aspectos  diagnósticos, terapêuticos e prognósticos da MASLD, sendo as publicações em inglês ou português. Foram excluídos estudos de caso, cartas ao editor e relatos isolados sem  embasamento clínico amplo, e artigos não acessíveis em texto completo. Os dados extraídos foram organizados e analisados de forma qualitativa, priorizando  aspectos centrais das diretrizes e sua aplicabilidade na prática clínica. Os resultados foram  categorizados nos seguintes eixos temáticos: critérios diagnósticos e classificação da MASLD,  estratégias terapêuticas, estratégias terapêuticas e complicações em pacientes de alto risco. 

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

Nos últimos anos, a compreensão da Doença Hepática Esteatótica Associada à  Disfunção Metabólica (MASLD) evoluiu significativamente, levando à necessidade de  diretrizes atualizadas para seu manejo clínico. As recomendações da EASL-EASD-EASO  fornecem uma abordagem baseada em evidências para diagnóstico, tratamento e prevenção de  complicações, considerando a complexa interação entre fatores metabólicos e hepáticos. Diante  disso, este estudo analisou as principais orientações dessas diretrizes, enfatizando os critérios  diagnósticos, estratégias terapêuticas e o papel das terapias farmacológicas. A seguir, serão  discutidos os principais aspectos abordados nas diretrizes e suas aplicações na prática clínica. 

Definição e Critérios Diagnósticos da MASLD 

A esteatose hepática associada a distúrbios metabólicos (MASLD) emergiu como a  doença hepática crônica de maior incidência, com tendência de crescimento em sua prevalência.  Essa condição está fortemente relacionada ao diabetes mellitus tipo 2 (DM2), à obesidade e a  outros fatores de risco cardiometabólicos. A MASLD está vinculada a um maior risco de  complicações cardiovasculares, insuficiência renal crônica, desenvolvimento de cânceres  hepáticos e extra-hepáticos, além de desfechos hepáticos graves, como falência hepática e  carcinoma hepatocelular (CHC).12 

Segundo Rinella et al.13, a MASLD é caracterizada pelo acúmulo excessivo de  triglicerídeos no fígado, associado a pelo menos um fator de risco cardiometabólico. Esse termo abrange diversas condições, como esteatose hepática isolada (fígado gorduroso relacionado a  disfunções metabólicas, MASL), esteato-hepatite metabólica (MASH), além de quadros de  fibrose e cirrose. A MASH é identificada por alterações histológicas, como inflamação lobular  e balonização dos hepatócitos. A MASLD substitui a antiga denominação de doença hepática  gordurosa não alcoólica (NAFLD) e está integrada à nova classificação consensual de doença  hepática esteatótica (SLD). 

De acordo com Pouwels et al.2 o diagnóstico muitas vezes ocorre incidentalmente  devido a testes de função hepática alterados. Os exames laboratoriais frequentemente revelam  elevações leves a moderadas das aminotransferases (AST e ALT). No entanto, esses marcadores  séricos podem ser inespecíficos em pacientes com NASH ou condições associadas, podendo  apresentar valores normais ou elevados, sem necessariamente excluir a presença da doença. Em  indivíduos com NASH, a ALT tende a estar mais elevada do que a AST, sendo que níveis mais  altos de ALT são mais comuns na NASH em comparação à esteatose simples. A ferritina sérica  frequentemente se encontra elevada nesses pacientes, enquanto a saturação de transferrina  aumentada é observada em cerca de 6–11% dos casos. Outros parâmetros laboratoriais  relevantes incluem a fosfatase alcalina (ALP) e fatores de coagulação. A ALP pode apresentar  valores acima do normal, podendo atingir até 2–3 vezes o limite superior de referência. Além  disso, algumas alterações laboratoriais podem indicar progressão da doença. Pacientes com  formas mais avançadas podem apresentar níveis elevados de albumina e bilirrubina. Nos casos  de cirrose, são comuns anormalidades nos testes de coagulação, incluindo prolongamento do  tempo de protrombina, além de achados como trombocitopenia e neutropenia.2 

Conforme as diretrizes da EASL-EASD-EASO1, a elevação das enzimas hepáticas,  especialmente das aminotransferases, está relacionada a um maior risco de mortalidade por  causas hepáticas. Recentemente, foram sugeridos valores de referência mais baixos do que os  tradicionalmente utilizados.14 Dessa forma, considera-se que um indivíduo apresenta níveis  elevados de enzimas hepáticas quando a alanina aminotransferase (ALT) excede 33 U/L em  homens e 25 U/L em mulheres. Entretanto, mesmo indivíduos com MASLD e valores normais  de aminotransferases podem apresentar esteato-hepatite significativa e evoluir para fibrose  avançada ou cirrose.15 O risco de desfechos adversos, como mortalidade, necessidade de  hospitalização e desenvolvimento de carcinoma hepatocelular (CHC), aumenta à medida que a  fibrose hepática se agrava.23 

Com base na EASL-EASD-EASO1, o diagnóstico de MASLD exige que o paciente  apresente pelo menos um fator de risco cardiometabólico associado à esteatose hepática  confirmada. A principal característica dessa condição é o acúmulo de gordura no fígado, sendo necessário que a esteatose ocorra em conjunto com pelo menos um fator de risco  cardiometabólico (Tabela 1) e na ausência de outras causas identificáveis.

Tabela 1. Fatores de risco cardiometabólico na definição de MASLD.

Legenda: HbA1c, hemoglobina glicada; HDL, lipoproteína de alta densidade; OGTT, teste oral de tolerância à  glicose. 
Fonte: EASL-EASD-EASO1 

Destaca-se ainda que embora a MASLD não esteja diretamente vinculada a desfechos  hepáticos adversos na população em geral, ela pode estar associada a um risco maior de  complicações extra-hepáticas. Além disso, esse risco tende a se elevar conforme aumenta a  quantidade de fatores de risco cardiometabólicos presentes.1 

De acordo com as declarações da EASL-EASD-EASO1, os fatores de risco metabólicos  desempenham um papel crucial na progressão da MASLD. Entre eles, o diabetes tipo 2 e a  obesidade, especialmente a obesidade abdominal, são os que exercem maior impacto na história  natural da doença, aumentando significativamente o risco de evolução para fibrose avançada,  cirrose e carcinoma hepatocelular. Além disso, determinados grupos populacionais apresentam  um risco ainda mais elevado de progressão da fibrose e suas complicações, incluindo homens  com mais de 50 anos, mulheres na pós-menopausa e indivíduos com múltiplos fatores de risco  cardiometabólico. Essas associações, respaldadas por um nível de evidência 2 e forte consenso robusto, destacam a importância de uma abordagem preventiva e de monitoramento rigoroso  nesses pacientes. 

Além disso, as evidências disponíveis demonstram que tanto o consumo de álcool  quanto os fatores de risco metabólicos desempenham papéis significativos na iniciação e  progressão da doença hepática crônica, com efeitos que são independentes, mas também podem  atuar de forma sinérgica (nível de evidência 2, forte consenso). Quanto aos benefícios  potenciais do consumo moderado de álcool, os resultados dos estudos são inconsistentes, e as  evidências mais recentes não sustentam a ideia de um efeito protetor associado ao consumo de  pequenas a moderadas quantidades de álcool, especialmente em indivíduos com fatores de risco  cardiometabólicos (nível de evidência 3, forte consenso). Assim, o consumo de álcool, mesmo  em quantidades moderadas, pode ter um impacto adverso no curso da doença hepática,  particularmente em pacientes com MASLD e comorbidades metabólicas.1 

De acordo com as diretrizes da EASL-EASD-EASO1, a presença de fibrose avançada  em pacientes com MASLD deve ser considerada em indivíduos com DM2, obesidade  abdominal associada a pelo menos um fator de risco metabólico adicional ou enzimas hepáticas  persistentemente elevadas. Para identificar aqueles com fibrose avançada, recomenda-se um  processo diagnóstico em várias etapas, utilizando pontuações derivadas de biomarcadores  sanguíneos e elastografia, sendo a elastografia a mais adequada para prever fibrose avançada  (nível de evidência 2, forte recomendação, consenso). Contudo, nenhum desses métodos não  invasivos pode avaliar características microscópicas relevantes da MASLD, como balonização  ou inflamação lobular (nível de evidência 2, forte consenso). Algumas pontuações baseadas em  biomarcadores sanguíneos podem ser úteis para identificar indivíduos com esteato-hepatite  associada a risco de progressão da doença (nível de evidência 3, forte consenso).  

Além disso, essas pontuações e a elastografia podem auxiliar na estratificação do risco para desfechos clínicos, uma vez que estudos observacionais associaram limites a resultados  relacionados ao fígado e mortalidade (nível de evidência 3, forte consenso). Na maioria dos  casos, a biópsia hepática não é necessária para o manejo clínico de pacientes com MASLD; no  entanto, ela ainda é essencial para o diagnóstico definitivo de esteato-hepatite e pode ser útil  para excluir outras causas de doença hepática (nível de evidência 1, forte consenso).1 

Estratégias Terapêuticas e Modificação do Estilo de Vida 

De acordo com a EASL-EASD-EASO1, o principal objetivo de qualquer tratamento  para doenças é alcançar benefícios clinicamente significativos. No caso da MASLD, a maior ênfase tem sido nos resultados relacionados ao fígado, como descompensação da cirrose,  declínio da função hepática, desenvolvimento de CHC e necessidade de transplante hepático.  No entanto, o impacto potencial do tratamento também está sendo cada vez mais investigado  em relação a outras condições associadas, como doenças cardiovasculares e malignidades extra hepáticas, além de melhorar a qualidade de vida. Esses aspectos estão sendo explorados em  ensaios clínicos e abordagens terapêuticas mais abrangentes. 

Segundo as recomendações da EASL-EASD-EASO1, em adultos com MASLD, a  abordagem multidisciplinar, envolvendo hepatologistas e outros especialistas, é recomendada  para o tratamento tanto da doença hepática quanto das comorbidades extra-hepáticas. Dada a  interação complexa entre a MASLD e as comorbidades cardiometabólicas, essa abordagem é  essencial para garantir que todos os fatores sejam adequadamente tratados, promovendo a  melhoria dos resultados tanto relacionados ao fígado quanto a condições extra-hepáticas (nível  de evidência 3, forte recomendação, forte consenso). 

O manejo das comorbidades cardiometabólicas pode influenciar a progressão da  MASLD e ajudar na diminuição de eventos associados ao fígado.1 Como mencionado  anteriormente, a obesidade e o DM2 são fatores de risco significativos para o desenvolvimento  e avanço da MASLD, além de estarem associados a desfechos hepáticos adversos, como o  CHC. Além disso, hábitos alimentares inadequados e a falta de atividade física também elevam  o risco de MASLD. Diante disso, existe um grande potencial para a prevenção dessa condição  por meio de mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma dieta saudável e o aumento da  prática de atividades físicas.17 

Conforme as diretrizes da EASL-EASD-EASO1, na população geral, é altamente  recomendado adotar medidas não farmacológicas para prevenir o desenvolvimento de MASLD  e suas complicações, como o CHC. Essas estratégias preventivas devem ser particularmente  enfatizadas em grupos de alto risco, como indivíduos com fatores de risco metabólicos. Tais  medidas incluem mudanças no estilo de vida, como a adoção de uma dieta equilibrada, aumento  da atividade física e controle do peso. Essa recomendação é respaldada por um nível de  evidência 3 e é amplamente apoiada por um forte consenso entre especialistas.1 

Concordando com essas informações, pesquisas prospectivas observacionais indicam  uma correlação negativa entre o desenvolvimento de MASLD e a adesão à dieta mediterrânea  ou a padrões alimentares saudáveis semelhantes17,18, enquanto padrões alimentares inadequados  estão diretamente associados ao aumento do risco da doença.19 Além disso, uma melhoria na  qualidade da alimentação foi relacionada a um risco reduzido de desenvolvimento recente de MASLD.17 Outros estudos prospectivos demonstraram que uma maior adesão a dietas  saudáveis pode diminuir a probabilidade de desenvolvimento de CHC.20,21 Segundo a EASL-EASD-EASO1, em adultos com MASLD, a perda de peso promovida  por terapia alimentar e comportamental é recomendada para melhorar a lesão hepática, tanto  por meio de avaliações histológicas quanto não invasivas (nível de evidência 1, forte  recomendação, forte consenso). Para indivíduos com MASLD e sobrepeso, a meta da perda de  peso deve ser uma redução sustentada de pelo menos 5% para reduzir a gordura hepática, de 7- 10% para melhorar a inflamação hepática e de 10% ou mais para promover a melhora da fibrose  (nível de evidência 2, forte recomendação, forte consenso). 

Além disso, conforme a EASL-EASD-EASO1, há evidências que sugerem que o  tabagismo está relacionado ao desenvolvimento de MASLD, fibrose hepática e câncer de  fígado.22 Em contraste, a prática regular de atividade física está associada à diminuição do risco  de MASLD, CHC e mortalidade por doenças hepáticas.23 De maneira geral, adotar um estilo de  vida saudável tem sido vinculado a uma redução significativa do risco de CHC.24 

Corroborando essas evidências, de acordo com Portincasa et al.25 o aumento da atividade  física traz benefícios significativos para distúrbios metabólicos e condições associadas, como a  esteatose hepática e a doença do cálculo biliar. Esses benefícios incluem a melhoria da  motilidade intestinal, a sinalização dos ácidos biliares por meio de sua circulação entero hepática, além de uma modulação positiva da microbiota intestinal e da redução da  inflamação.26 

Além disso, a ampla disponibilidade de alimentos e bebidas ultraprocessados, de baixo  custo e ricos em açúcar, juntamente com a agressiva comercialização desses produtos, tem sido  identificada como um fator chave na promoção da obesidade e de doenças relacionadas,  incluindo MASLD.1 Portanto, em adultos com MASLD, recomenda-se melhorar a qualidade  da dieta, adotando padrões alimentares semelhantes ao da dieta mediterrânea, limitando o  consumo de alimentos ultraprocessados (ricos em açúcares e gorduras saturadas) e evitando  bebidas adoçadas com açúcar, a fim de melhorar a lesão hepática, avaliada tanto  histologicamente quanto de maneira não invasiva (nível de evidência 2, forte recomendação,  forte consenso). No entanto, há poucas evidências indicando que a melhoria da qualidade da  dieta tenha um impacto benéfico nos resultados clínicos relacionados ao fígado (nível de  evidência 3, consenso).1 

Apesar disso, o estilo de vida continua sendo a abordagem mais bem fundamentada no  tratamento da MASLD, embora ainda apresente limitações quanto à eficácia a longo prazo.27

Ainda nesse contexto, as diretrizes da EASL-EASD-EASO1 ressaltam que em adultos  com cirrose relacionada à MASH, as recomendações alimentares e de estilo de vida devem ser  ajustadas de acordo com a gravidade da doença hepática, o estado nutricional e a presença de  sarcopenia ou obesidade sarcopênica (nível de evidência 2). Para aqueles com sarcopenia,  obesidade sarcopênica ou cirrose descompensada, é recomendado fornecer uma dieta rica em  proteínas, incluindo um lanche noturno (nível de evidência 2). Além disso, para adultos com  cirrose compensada e obesidade, pode ser sugerida uma redução moderada de peso, com foco  na ingestão elevada de proteínas e na prática de atividade física para preservar a massa muscular  e reduzir o risco de sarcopenia (nível de evidência 3). 

Uso de Terapias Farmacológicas e Outras Estratégias 

Embora os benefícios das mudanças no estilo de vida para a MASLD sejam amplamente  reconhecidos, alcançar resultados duradouros no controle de peso apenas com alterações na  dieta e aumento da atividade física tem se mostrado desafiador.28 Nas últimas décadas, uma  série crescente de moléculas, direcionadas a diferentes aspectos da patogênese da MASLD, foi  desenvolvida e testada.29,30, Vários alvos biológicos foram identificados conforme a evolução e  progressão da doença, com foco especial nos diferentes padrões patológicos da doença, que  variam desde a simples esteatose até a inflamação e a fibrose.25 

De acordo com as diretrizes da EASL-EASD-EASO1, Em adultos com MASH, se  aprovado para uso local e conforme o rótulo, o tratamento com resmetirom pode ser  considerado para aqueles com fibrose hepática significativa (estágio ≥2) e MASH não cirrótico,  já que demonstrou eficácia histológica na redução da esteato-hepatite e fibrose em um grande  ensaio de fase III, apresentando um perfil de segurança e tolerabilidade aceitável (nível de  evidência 2, forte recomendação, consenso). Para indivíduos com MASLD não cirróticos, o  resmetirom pode ser uma opção terapêutica em casos de fibrose avançada, esteato-hepatite com  risco de progressão ou risco elevado de desfechos hepáticos adversos, conforme avaliação  histológica, elastografia ou biomarcadores validados (nível de evidência 3, recomendação  aberta, consenso). No entanto, atualmente, nenhuma terapêutica farmacológica direcionada ao  MASH é recomendada para pacientes com MASH cirrótico (nível de evidência 5,  recomendação fraca, consenso forte). Dado a falta de dados robustos de eficácia histológica na  esteato-hepatite e fibrose, bem como os potenciais riscos a longo prazo, a vitamina E não deve  ser indicada como terapia direcionada ao MASH (nível de evidência 2, recomendação fraca,  consenso forte).1

No entanto, Portincasa et al.25 ressaltam que recentemente, houve uma mudança  significativa na longa busca por terapias farmacológicas para MASLD, com o resmetirom se  tornando o primeiro medicamento aprovado pelo FDA em março de 2024 para o tratamento de  MASH com fibrose significativa (F2 ou F3). Embora a aprovação do resmetirom represente um  marco após anos de pesquisa, é importante notar que combinações de medicamentos devem ser  o caminho futuro para o tratamento farmacológico da MASLD, oferecendo maior eficácia,  refletindo a complexa fisiopatologia da doença, além de potencialmente reduzir as taxas de  efeitos adversos. 

Por outro lado, de acordo com a EASL-EASD-EASO1, é válido destacar que, no  momento, as evidências disponíveis se restringem a dados de resultados histológicos após 52  semanas, o que cria uma incerteza quanto à manutenção dos efeitos a longo prazo. Além disso,  não há dados suficientes para oferecer orientações claras sobre o momento apropriado para  interromper o tratamento, especialmente considerando que aproximadamente 70-80% dos  participantes não apresentaram resposta satisfatória ao tratamento, conforme os critérios  histológicos. 

Além disso, devido a MASLD induzir a dislipidemia aterogênica, a terapia com  estatinas é, portanto, frequentemente indicada para prevenir eventos cardiovasculares. E embora os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon 1 (GLP1RA) mostrem  benefícios para o controle de DM 2 e obesidade, e sejam seguros em MASH (inclusive cirrose  compensada), não há evidências suficientes para recomendá-los como terapias direcionadas ao  MASH devido à falta de melhoria histológica em ensaios de fase III (nível de evidência 5). A  pioglitazona também não pode ser recomendada como terapia direcionada ao MASH, devido à  falta de demonstração robusta de eficácia em grandes ensaios, apesar de ser segura em adultos  com MASH não cirrótico. Inibidores do cotransportador de sódio-glicose-2 (SGLT2) e  metformina, embora seguros para o uso em MASLD, devem ser utilizados apenas para suas  indicações específicas, como diabetes tipo 2 e doenças cardíacas ou renais, sem evidências de  benefício para MASH (nível de evidência 3).1 

Ainda de acordo com as diretrizes da EASL-EASD-EASO1, em adultos com cirrose  relacionada à MASH, as intervenções farmacológicas para diabetes, controle lipídico ou  prevenção cardiovascular devem ser ajustadas conforme a gravidade da condição hepática. A  metformina pode ser utilizada em adultos com cirrose compensada e função renal preservada,  mas deve ser evitada em casos de cirrose descompensada, especialmente quando há  comprometimento renal, devido ao risco de acidose láctica (nível de evidência 3). As  sulfonilureias devem ser evitadas em adultos com descompensação hepática devido ao risco de hipoglicemia (nível de evidência 4). Os agonistas do receptor GLP1 podem ser usados em  adultos com cirrose Child-Pugh classe A, conforme sua indicação (nível de evidência 2). Os  inibidores de SGLT2 são apropriados para adultos com cirrose Child-Pugh classe A e B (nível de evidência 4). Já as estatinas podem ser usadas em adultos com doença hepática crônica,  incluindo cirrose compensada, para reduzir eventos cardiovasculares, conforme as diretrizes de  risco cardiovascular (nível de evidência 1). 

Por outro lado, Portincasa et al.25 destacam que o uso de medicamentos antidiabéticos,  especialmente aqueles voltados para neutralizar a resistência à insulina em indivíduos com  fígado esteatótico, tem apresentado resultados variados. Os efeitos farmacológicos da  metformina no armazenamento e no metabolismo da gordura hepática ainda são pouco  compreendidos31, e seu uso para melhorar a esteatose e a esteato-hepatite continua sendo  controverso, devido aos achados contraditórios encontrados.32 

Ademais, quanto a outros tipos de intervenções terapêuticas, de acordo com as  recomendações da EASL-EASD-EASO1, a cirurgia bariátrica deve ser considerada em adultos  com MASLD não cirrótico que atendam aos critérios aprovados, uma vez que pode oferecer  benefícios a longo prazo no fígado, além de contribuir para a remissão do diabetes tipo 2 e  melhoria dos fatores de risco cardiometabólicos (nível de evidência 3). Para adultos com doença  hepática crônica avançada ou cirrose compensada relacionada à MASLD, a cirurgia bariátrica  pode ser considerada, mas requer uma avaliação cuidadosa de diversos fatores, como indicação,  tipo de procedimento e presença de hipertensão portal significativa, por uma equipe  multidisciplinar especializada (nível de evidência 4). Já os procedimentos endoscópicos  metabólicos ou bariátricos necessitam de mais validação como tratamento direcionado ao  MASH e, atualmente, não são recomendados (nível de evidência 4). 

Por fim, as atuais diretrizes da EASL-EASD-EASO1 destacam que apesar dos  significativos avanços no campo, ainda existem várias áreas essenciais no manejo do MASLD  que necessitam de mais evidências para aprimorar nossa prática clínica. 

CONCLUSÃO 

Com base nos achados desta pesquisa, verificou-se que as diretrizes EASL-EASD EASO oferecem uma abordagem abrangente e fundamentada para o diagnóstico e tratamento  do MASLD, destacando a importância da detecção precoce, avaliação da fibrose hepática e  manejo de comorbidades associadas. A implementação de estratégias terapêuticas  multidisciplinares, incluindo modificações no estilo de vida e intervenções farmacológicas específicas, tem mostrado ser eficaz na redução da progressão da doença e na melhoria dos  resultados hepáticos e extra-hepáticos. No entanto, apesar dos avanços substanciais, muitas  áreas do manejo clínico de MASLD ainda necessitam de mais evidências robustas,  especialmente no que diz respeito à eficácia a longo prazo das intervenções e ao papel das  terapias emergentes. O tratamento deve ser personalizado de acordo com a gravidade da doença,  com foco na melhoria da qualidade de vida do paciente, controle das comorbidades e prevenção  de complicações graves, como cirrose e câncer hepático. 

REFERÊNCIAS 

1. European Association for the Study of the Liver (EASL); European Association for the Study of  Diabetes (EASD); European Association for the Study of Obesity (EASO). EASL-EASD-EASO  Clinical Practice Guidelines on the management of metabolic dysfunction-associated steatotic liver  disease (MASLD). J Hepatol. 2024 Sep;81(3):492-542. 

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1Médica residente em Clínica Médica no Hospital Presidente Dutra

2Orientador: Prof. Dr. Igor Marcelo Castro e Silva