DIAGNÓSTICO LABORATORIAL: IMPACTOS NA PREVENÇÃO E NO CONTROLE DO HIV

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511052002


 Lana Miranda Farias
Iziane Lima De Souza
Patricia Santos De Souza Moreira
Orientadora: Gabrielle Sales de Medeiros


RESUMO 

Este trabalho analisa o papel do biomédico no enfrentamento do vírus da imunodeficiência humana (HIV) com ênfase nas técnicas laboratoriais aplicadas ao diagnóstico, controle e monitoramento da infecção. Destacam-se métodos como a quantificação da carga viral, contagem de linfócitos CD4+, testes sorológicos e moleculares, além do acompanhamento de usuários das profilaxias pré e pós-exposição (PrEP e PEP). A atuação biomédica é abordada como essencial não apenas no aspecto técnico, mas também na orientação e aconselhamento dos pacientes, contribuindo para a prevenção da infecção e a promoção da qualidade de vida. O trabalho também discute os avanços recentes no desenvolvimento de vacinas experimentais e terapias profiláticas de longa duração, como os injetáveis de ação estendida, ressaltando a importância do biomédico na avaliação da eficácia e segurança dessas novas abordagens. Por fim, apresenta dados epidemiológicos atualizados, com foco na realidade brasileira, evidenciando a relevância da atuação laboratorial para o controle da epidemia.

Palavras-chave: HIV,  Síndrome  da  Imunodeficiência  Adquirida,  Diagnóstico  laboratorial,  Prevenção, Carga Viral, AIDS, Biomédico.

ABSTRACT

This study  analyzes  the role  of  biomedical  professionals  in  tackling  Human  Immunodeficiency  Virus  (HIV),  with  emphasis  on  laboratory  techniques  used  for  diagnosis,  control,  and  infection  monitoring.  Key  methods  include  viral  load  quantification,  CD4+  T  lymphocyte  counting,  serological  and  molecular  testing,  and  monitoring  of  users  of pre- and post-exposure prophylaxis (PrEP and PEP). The biomedical professional plays a vital role not only in technical procedures but also in patient guidance and counseling, contributing to infection prevention and the promotion of quality of life. The research also discusse recent advances in experimental vaccine development and long-acting prophylactic therapies, such as extended-release injectables, highlighting the biomedical scientist’s role in evaluating the effectiveness and safety of these innovations. Finally, updated epidemiological data from Brazil are presented, reinforcing the importance of laboratory work in controlling the HIV epidemic.

Keywords:  HIV,  Acquired  Immunodeficiency  Syndrome,  Laboratory  Diagnosis,  Prevention,  Viral  Load, AIDS, Biomedical Scientist.

RESUMEN

Este trabajo  analiza el  papel  del  biomédico  en  el  enfrentamiento  del  Virus  de  la  Inmunodeficiencia  Humana  (VIH),  con  énfasis  en  las  técnicas  de  laboratorio  utilizadas  para  el  diagnóstico,  control  y  monitoreo  de  la  infección.  Se  destacan  métodos  como  la  cuantificación  de  la  carga  viral,  el  conteo  de  linfocitos  CD4+,  las  pruebas  serológicas  y  moleculares,  así  como  el  seguimiento  de  los  usuarios  de  las  profilaxis  pre  y  post-exposición  (PrEP  y  PEP).  La  actuación  del  biomédico  se  considera  fundamental  tanto  en  el  aspecto  técnico  como  en  la  orientación  y  consejería  de  los  pacientes,  contribuyendo  a  la  prevención  del  virus  y  a  la  promoción  de  la  calidad  de  vida.  Además,  se  abordan  los  avances  recientes  en  el  desarrollo  de  vacunas  experimentales  y  terapias  profilácticas  de  acción  prolongada,  como  los  inyectables  de  liberación  extendida,  destacando  el  papel  del  biomédico  en  la  evaluación  de  la  eficacia  y  seguridad  de  estas  nuevas  tecnologías.  Finalmente,  se  presentan  datos  epidemiológicos  actualizados  de  Brasil,  resaltando  la  relevancia  del  trabajo de laboratorio en el control de la epidemia.

Palabras  clave:  VIH.  Síndrome  de  Inmunodeficiencia  Adquirida.  Diagnóstico  de  laboratorio.  Prevención. Carga viral. SIDA. Biomédico.

1 INTRODUÇÃO

1.1 Contextualização e Problematização

A  infecção  pelo  Vírus  da  Imunodeficiência  Humana  (HIV),  agente  etiológico  da  Síndrome  da  Imunodeficiência  Adquirida  (AIDS ),  permanece  como  um  dos  principais  desafios  globais  de  saúde  pública,  com  cerca  de  38  milhões  de  pessoas  vivendo  com  o  vírus  em  2022  (UNAIDS,  2023).  Apesar  dos  significativos  avanços  no  diagnóstico,  tratamento  e  prevenção,  a  epidemia  do  HIV  ainda  apresenta  alta  incidência  em  diversas  regiões  do  mundo,  incluindo  o  Brasil,  exigindo  ações  integradas  de  saúde  pública,  vigilância  epidemiológica  e  educação  em  saúde.  No  país,  especialmente  no  estado  do  Amazonas,  persistem  elevados  índices  de  novos  casos,  impulsionados  por  desigualdades  sociais,  limitações  no  acesso  aos  serviços  de  saúde  e  dificuldades  na  adesão  ao  tratamento antirretroviral (BRASIL, 2023).

Nas  últimas  décadas,  a  infecção  pelo  HIV  deixou  de  ser  considerada  uma  condição  fatal  e  passou  a  ser  manejada  como  uma  doença  crônica  tratável,  graças  aos  avanços  terapêuticos,  especialmente  com  a  introdução  da  terapia  antirretroviral  (TARV)  e  o  fortalecimento  do  diagnóstico  precoce  (Fernandes  &  Bruns,  2021).  Nesse  contexto,  o  profissional  biomédico  tem  desempenhado  um  papel  cada  vez  mais  estratégico,  atuando  na  linha  de  frente  das  ações  laboratoriais  voltadas  ao  diagnóstico, controle e monitoramento da infecção, bem como no suporte à prevenção.

O  biomédico  exerce  funções  essenciais  na  quantificação  da  carga  viral  e  na  contagem  de  linfócitos  CD4+  —  parâmetros  indispensáveis  para  o  acompanhamento  clínico  —,  além  de  participar  diretamente  da  realização  de  testes  rápidos,  sorológicos  e  moleculares.  Sua  atuação  também  se  estende  à  testagem,  aconselhamento  e  ao  monitoramento  de  usuários  da  Profilaxia  Pré-Exposição  (PrEP)  e  Pós-Exposição  (PEP),  estratégias  fundamentais  de  prevenção  combinada,  cuja efetividade depende de uma abordagem laboratorial precisa e constante (BRASIL, 2022).

Adicionalmente,  a  atuação  biomédica  contribui  de  forma  significativa  para  o  fortalecimento das  políticas  públicas  de  enfrentamento  ao  HIV,  integrando  equipes  multidisciplinares,  promovendo  ações  de  educação  em  saúde  e  atuando  na  vigilância  epidemiológica,  aspectos  cruciais  para  o  alcance  das  metas  globais  estabelecidas  pelo  Programa  Conjunto  das  Nações  Unidas  sobre  HIV/AIDS  (UNAIDS,  2022).  Estudos  recentes,  como  os  de  Oliveira  et  al.  (2024)  e  Bernardes,  Bonani  e  Soares  (s.d.),  destacam  a  importância  do  trabalho  biomédico  tanto  na  esfera  técnica  quanto na humanização do cuidado às pessoas vivendo com HIV.

Dessa  forma,  compreender  a  atuação  do  biomédico  diante  da  epidemia  de  HIV  no  Brasil  é fundamental  para  ampliar  a  efetividade  das  estratégias  de  prevenção,  melhorar  a  qualidade  de  vida  dos  pacientes  e  reforçar  o  compromisso  com  a  eliminação  da  AIDS  como  ameaça  à  saúde  pública  até  2030.  Considerando  o  papel  essencial  do  diagnóstico  laboratorial  na  detecção  precoce,  monitoramento  clínico  e  avaliação  da  resposta  terapêutica  em  pessoas  vivendo  com  HIV,  torna-se  indispensável  o  incentivo  à  produção  científica  voltada  a  essa  área.  A  ampliação  de  estudos  e  publicações  sobre  o  diagnóstico  laboratorial  contribui  não  apenas  para  o  aprimoramento  das  técnicas  e  da  atuação  biomédica,  mas  também  para  o  fortalecimento  das  políticas  públicas  de  saúde  e  o  alcance  das  metas  globais  de  eliminação  da  AIDS  até  2030.  Assim,  fomentar  novos  artigos  e  pesquisas  sobre  o  tema  é  fundamental  para  consolidar  o  protagonismo  do  profissional  biomédico  e  aprimorar as estratégias de enfrentamento à epidemia do HIV no Brasil.

2 JUSTIFICATIVA

O  enfrentamento  ao  vírus  da  imunodeficiência  humana  (HIV)  continua  sendo  um  grande desafio  para  a  saúde  pública  brasileira,  especialmente  nas  regiões  que  enfrentam  desigualdades  sociais  e  dificuldades  de  acesso  aos  serviços  de  saúde,  como  o  estado  do  Amazonas.  O  aumento  constante  de  novos  casos  nessa  região  demonstra  a  necessidade  de  fortalecer  as  ações  de  prevenção,  diagnóstico  e  acompanhamento  clínico,  promovendo  estratégias  mais  eficazes  de  controle da infecção.

A  realidade  amazônica  apresenta  características  que  agravam  o  cenário  epidemiológico, como  a  limitação  de  recursos  laboratoriais,  a  escassez  de  profissionais  especializados  e  as  barreiras  geográficas  que  dificultam  o  acesso  da  população  aos  centros  de  diagnóstico  e  tratamento.  Esses  fatores  contribuem  para  a  subnotificação  e  para  a  continuidade  da  transmissão  do  HIV,  reforçando  a  importância  de  um  trabalho  biomédico  estruturado  e  comprometido  com  a  ampliação  da  cobertura  e  da qualidade dos serviços.

A  atuação  do  biomédico  é  essencial  no  contexto  da  infecção  pelo  HIV,  uma  vez  que  esse profissional  participa  de  todas  as  etapas  do  processo  diagnóstico  e  de  monitoramento  da  doença.  O  uso  de  tecnologias  laboratoriais  modernas,  como  a  quantificação  da  carga  viral  e  a  contagem  de  linfócitos  CD4+,  é  indispensável  para  acompanhar  a  evolução  clínica  do  paciente  e  orientar  a  eficácia  do  tratamento  antirretroviral.  Dessa  forma,  o  trabalho  biomédico  contribui  diretamente  para  a  melhoria  da  qualidade  de  vida  dos  indivíduos  soropositivos  e  para  a  redução  da  transmissão  do  vírus.

Além  do  aspecto  técnico,  a  atuação  biomédica  envolve  dimensões  sociais  e  educativas.  O  profissional  desempenha  papel  importante  nas  ações  de  aconselhamento,  educação  em  saúde  e  sensibilização  da  comunidade,  buscando  reduzir  o  estigma  e  promover  o  acesso  equitativo  aos  serviços  de  saúde.  A  integração  entre  conhecimento  científico,  responsabilidade  social  e  ética  profissional  torna-se,  portanto,  fundamental  para  o  fortalecimento  das  políticas  públicas  voltadas  ao  controle do HIV.

Diante  desse  contexto,  o  estudo  justifica-se  pela  relevância  de  compreender  e  valorizar  o papel  do  biomédico  nas  estratégias  de  enfrentamento  ao  HIV.  Tal  compreensão  é  essencial  para  aprimorar  as  práticas  laboratoriais,  fortalecer  a  prevenção  combinada  e  contribuir  para  o  alcance  da  meta global de eliminação da AIDS como ameaça à saúde pública nas próximas décadas.

3  OBJETIVOS

3.1  Objetivo Geral

Analisar  o  papel  do  biomédico  no  enfrentamento  do  vírus  da  Imunodeficiência  Humana  (HIV),  enfatizando  as  técnicas  laboratoriais  aplicadas  no  diagnóstico,  controle  e  monitoramento  da  infecção,  destacando  sua  contribuição  para  a  prevenção  e  promoção  da  qualidade  de  vida  dos  pacientes,  conforme  apontam  estudos  recentes  sobre  o  impacto  da  atuação  laboratorial  no  manejo  de infecções.

3.2 Objetivo Específicos

– Descrever  a  importância  da  quantificação  da  carga  viral  no  diagnóstico  e  no  acompanhamento clínico do HIV.

– Discutir  estratégias  de  prevenção  do  HIV  com  ênfase  na  atuação  do  biomédico  na  testagem, aconselhamento e monitoramento laboratorial de usuários da PEP e da PrEP.

– Investigar  a  incidência  e  a  prevalência  do  HIV  no  estado  do  Brasil,  com  base  nos  boletins  epidemiológicos mais recentes

4 REFERENCIAL TEÓRICO

Estudos  recentes  com  grupos  de  minorias  sexuais  no  Brasil  indicam  que,  embora  exista  elevado  nível  de  conhecimento  sobre  as  formas  de  transmissão  do  HIV,  ainda  há  significativa  variação  na  compreensão  e  aceitação  do  conceito  “Indetectável  =  Intransmissível  (U=U)”,  especialmente  entre  pessoas  que  vivem  com  HIV  e  outras  populações-chave.  Essa  lacuna  evidencia  a  importância  de  estratégias  educativas  mais  direcionadas,  que  reforcem  o  papel  da  supressão  viral  como forma eficaz de prevenção (Silva, Kayser Rogério Oliveira da).

4.1 Histórico do HIV e avanços terapêuticos

O  HIV  é  um  vírus  que  causa  a  imunodeficiência  humana/síndrome  da  imunodeficiência  adquirida  (HIV/AIDS).  Foi  descoberto  em  1983-1984  por  pesquisadores  liderados  por  Françoise  Barré-Sinoussi  e  Luc  Montagnier,  posteriormente  Robert  Gallo.  Trata-se  de  um  retrovírus  que  ataca  o  sistema  imunológico,  especificamente  os  linfócitos  T  CD4+,  comprometendo  a  capacidade  do  organismo  de  combater  infecções  e  doenças.  A  transmissão  ocorre  principalmente  por  relações  sexuais  desprotegidas,  contato  com  sangue  contaminado,  compartilhamento  de  agulhas  e  seringas,  e  de  mãe  para  filho  durante  a  gravidez,  parto  ou  amamentação  (Fernandes  &  Alves  de  Toledo  Bruns,  2021).  A  meta  da  Organização  das  Nações  Unidas  (ONU)  de  eliminar  o  HIV  como  problema  de saúde  pública até  2030  é factível  do  ponto  de  vista  teórico  e  científico.  Diferentes  estudos  mostram  que  o  binômio  tratamento  oportuno  de  pessoas  vivendo  com  HIV  e  prevenção  de  novos  casos,  com  as  tecnologias  de  saúde  disponíveis,  é  altamente  eficaz  para  reduzir  significativamente  a  incidência e mortalidade por HIV (Rev Saúde Pública, 2024).

Os  avanços  dos  antirretrovirais  (ARVs)  contribuíram  efetivamente  para  a  redução  da morbi-mortalidade  de  HIV/AIDS,  alterando  a  natureza  e  a  frequência  das  doenças  oportunistas  e  aumentando  significativamente  a  expectativa  e  qualidade  de  vida  das  pessoas  vivendo  com  HIV/AIDS.  Entretanto,  surgiram  desafios  como  a  adesão  ao  tratamento  medicamentoso  ((Rodrigues  et  al.,  2021).  A  Terapia  Antirretroviral  (TARV)  é  o  tratamento  padrão  para  o  HIV,  com  objetivos  de  suprimir  a  replicação  viral,  preservar  a  função  imunológica,  prevenir  a  progressão  para  AIDS  e  prolongar  a  sobrevida.  As  principais  classes  de  medicamentos  incluem  inibidores  de  transcriptase  reversa,  inibidores  de  protease,  inibidores  de  integrase  e  outros,  atuando  em  diferentes  estágios do ciclo de replicação viral (Oliveira et al., 2024).

4.2 Métodos laboratoriais de diagnóstico

 Ao  longo  da  próxima  década,  a  resposta  global  ao  HIV  enfrentará  desafios  significativos.  Além  de  manter  os  avanços  alcançados  na  prevenção  e  no  tratamento,  lacunas  substanciais  nos  cuidados  de  saúde  precisam  ser  preenchidas,  especialmente  para  populações  carentes.  Os  diagnósticos  têm  papel  fundamental  no  controle  e  prevenção  da  infecção  pelo  HIV,  com  destaque  para  novas  tecnologias,  soluções  digitais  e  inovações  na  prestação  de  serviços  integrados,  incluindo  o  ELISA,  testes  rápidos,  Western  blot/imunoblot  e  técnicas  de  biologia  molecular,  como  a  PCR  (THE LANCET HIV, 2025).

Os  testes  de  HIV  mais  amplamente  utilizados  detectam  anticorpos  produzidos  como  parte da  resposta  imunológica  do  organismo  ao  vírus.  Na  maioria  dos  casos,  os  indivíduos  desenvolvem  anticorpos  para  o  HIV  dentro  de  28  dias  após  a  infecção.  Durante  esse  período,  denominado  “janela  imunológica”,  os  níveis  de  anticorpos  são  baixos  e  podem  não  ser  detectados  por  muitos  testes, embora o indivíduo já possa transmitir o vírus (BEPA, 2023).

4.3 Carga viral e linfócitos CD4+

 A  contagem  de  linfócitos  CD4+  é  utilizada  para  avaliar  o  estado  imunológico,  definir estágios  da  infecção  e  estimar  o  risco  de  infecções  oportunistas.  A  infecção  pelo  HIV  é  dividida  em  três  períodos  clínicos:  infecção  aguda,  fase  de  latência  e  AIDS.  No  período  de  infecção  aguda,  que  se  inicia  no  primeiro  contato  com  o  vírus,  ocorre  redução  significativa  dos  linfócitos  T  CD4+.  Nesse  período,  o  indivíduo  infectado  pode  ser  sintomático  ou  assintomático,  apresentando  sintomas inespecíficos. Além disso, observa-se  intensa  replicação  viral,  resultando  no  aumento  da  carga  viral  plasmática,  o  que  eleva  a  possibilidade  de  transmissão  (BERNARDES;  BONANI;  SOARES, 2021)    .

O  tratamento  da  infecção  pelo  HIV  evoluiu  significativamente  desde  a  introdução  da zidovudina  (AZT)  em  1987.  Atualmente,  a  terapia  antirretroviral  (TARV)  utiliza  esquemas  potentes  e  de  alta  barreira  genética,  capazes  de  promover  supressão  viral  sustentada,  restaurar  a  função  imunológica e reduzir drasticamente a transmissão do vírus (OLIVEIRA et al., 2023).

4.4 Estratégias de prevenção: PEP, PrEP

A  profilaxia  pré-exposição  (PrEP,  do  inglês  pre-exposure  prophylaxis ),  atualment disponível  no  Sistema  Único  de  Saúde  (SUS),  consiste  no  uso  oral  de  antirretrovirais  em  dose  fixa  combinada  (tenofovir/entricitabina)  para  reduzir  o  risco  de  transmissão  do  vírus  da  imunodeficiência  humana  (HIV).  No  entanto,  a  adesão  à  PrEP  continua  aquém  da  meta  da  ONUSIDA  de  2.000.000  de  pessoas  até  2025,  a  utilização  da  PEP  permanece  largamente  limitada  às  exposições  ocupacionais e o declínio da incidência do HIV atingiu um patamar insuficiente (UNAIDS, 2022).

A  PEP  é  a  única  opção  de  prevenção  para  adultos  que  pode  ser  iniciada  após  uma exposição  de  alto  risco.  Com  base  em  dados  humanos  e  modelos  animais,  a  PEP  apresenta  eficácia  após  exposições  por  picadas  de  agulha  ou  contato  sexual  e  deve  ser  iniciada  em  até  72  horas.  As  exposições  ao  risco  de  HIV  frequentemente  não  são  planejadas  nem  previstas,  sendo  dinâmicas  e  variáveis  ao  longo  do  tempo  para  cada  indivíduo  (AYIEKO;  PETERSEN;  KAMYA;  HAVLIR,  2021).

A  PrEP  de  segunda  geração,  composta  por  agentes  de  ação  mais  prolongada  que  exigem  doses  menos  frequentes,  pode  superar  esses  desafios.  Produtos  com  eficácia  comprovada  em  ensaios  clínicos  incluem  anel  vaginal  mensal  e  injetáveis  administrados  a  cada  8  semanas,  enquanto  produtos  em  desenvolvimento  incluem  injetáveis  semestrais,  terapia  oral  com  comprimidos  mensais,  implantes e imunização passiva de ação prolongada (BEKKER; PIKE; HILLIER, 2021).

A/  PEP  oral  é  uma  estratégia  emergencial  de  prevenção  do  HIV,  baseada  na  administraço de  antirretrovirais  por  28  dias  consecutivos. Seu  início  deve  ocorrer  preferencialmente  nas  primeiras  duas  horas  após  a  exposição,  sendo  o  limite  máximo  de  72  horas.  O  principal  objetivo  da  PEP  é  evitar  a  progressão  para  infecção  crônica,  entretanto,  um  dos  maiores  desafios  associados  à  sua  efetividade  é  o  manejo  de  efeitos  adversos  agudos,  que  podem  comprometer  a  adesão  ao  tratamento (FROIS, 2020).

A  PEP  é  indicada  para  situações  de  exposição  recente  ao  HIV.  Pessoas  que  repetidamente recorrem  à  PEP,  ou  que  apresentam  alto  risco  por  exposições  contínuas,  devem  ser  avaliadas  para uso  diário  de PrEP, após exclusão  da  infecção  pelo  HIV.  Quando  há  indicação  de  PEP  nas  últimas  72  horas,  o  indivíduo  deve  iniciar  a  PEP  imediatamente  e,  ao  término  do  ciclo  de  28  dias,  iniciar  a  PrEP  diária,  evitando  lacunas  entre  as  profilaxias.  É  necessário  realizar  teste  rápido  ou  sorologia  para  HIV  e  outros  exames  laboratoriais  indicados  no  início  da  PrEP,  caso  ainda  não  tenham  sido  realizados durante a PEP (BRASIL, 2022).

As  profilaxias  pré-exposição  (PrEP)  e  pós-exposição  (PEP)  constituem  medidas  essenciais nas  políticas  nacionais  de  prevenção  do  HIV.  Seu  sucesso  depende  de  uma  abordagem  integrada,  incluindo  testagem  antecipada,  aconselhamento,  adesão  e  monitoramento  laboratorial  para  garantir  eficácia  e  segurança.  Nesse  contexto,  o  biomédico  desempenha  papel  decisivo  na  realização  de  exames  laboratoriais,  interpretação  de  resultados,  educação  em  saúde  e  acompanhamento  do  uso  dessas profilaxias (BRASIL, 2021).

4.5 Avanços recentes em vacinas experimentais

No  ano  de  2021,  a  agência  reguladora  americana  FDA  ( Food  and  Drug  Administration ) aprovou  o  uso  do  primeiro  antirretroviral  injetável  para  profilaxia  pré-exposição  (PrEP),  chamado  cabotegravir.  Este  medicamento  age  por  meio  da  ligação  ao  sítio  ativo  da  integrase,  bloqueando  a  integração  do  DNA  viral  ao  da  célula  hospedeira.  De  forma  rara,  o  cabotegravir  pode  gerar  resistência  ao  inibidor  da  integrase.  Atualmente,  está  sendo  testado  para  uso  como  implante  subdérmico  ou  adesivo  de  microagulhamento  aplicado  topicamente,  com  farmacocinética  aprimorada  e  em  nova  formulação,  ainda  em  fases  iniciais  do  desenvolvimento  clínico  (SOBRAL;  SILVA; LIMA FILHO, 2021).

O  lenacapavir  é  um  fármaco  de  uso  profilático,  desenvolvido  nos  Estados  Unidos,  considerado  uma  das  ferramentas  de  prevenção  mais  promissoras  na  resposta  ao  HIV,  oferecendo  proteção  com  apenas  duas  injeções  por  ano  (ALMEIDA,  2025).  Ensaios  clínicos  de  fase  1  demonstram  avanços  promissores  no  desenvolvimento  de  vacinas  contra  o  HIV  utilizando  tecnologia  de  mRNA,  com  indução  de  anticorpos  em  alta  proporção  dos  imunizados,  embora  ainda  em  estágios iniciais de pesquisa (Redação VivaBem, 2025).

As  vacinas  não-vivas  testadas  até  o  momento  reduziram  a  carga  viral,  mas  não  impediram  a infecção  nem  eliminaram  o  vírus  do  organismo.  Modelos  matemáticos  indicam  que  a  redução  de  até  1  log  (uma  cópia  do  vírus  por  mililitro  de  sangue)  pode  gerar  benefícios  substanciais,  melhorar  a  qualidade  de  vida,  controlar  a  doença  e  reduzir  a  transmissão.  Entre  os  desafios  para  a  criação  e  uso  em  larga  escala  do  imunizante  estão  a  variabilidade  genética  do  vírus,  considerando  que  o  HIV-1,  principal  causador  da  AIDS,  é  subdividido  em  três  grupos:  M  ( Major ),  O  ( Outlier )  e  N  ( non  M/non  O).  O HIV-2  está  associado  a  infecções  na  África  Central e  Ocidental  e  na  Europa (CECCON; FLORES; PERONDI, 2025).

4.6  Epidemiologia do HIV/AIDS

O  Boletim  Epidemiológico  HIV  e  Aids,  do  Departamento  de  HIV,  Aids,  Tuberculose,  Hepatites  Virais  e  Infecções  Sexualmente  Transmissíveis  da  Secretaria  de  Vigilância  em  Saúde  e  Ambiente  do  Ministério  da  Saúde  (DATHI/SVSA/MS),  é  publicado  anualmente  (UNAIDS,  2023).

Entre  2007  e  junho  de  2024,  foram  notificados  no  Sistema  de  Informação  de  Agravos  de  Notificação  (SINAN)  541.759  casos  de  infecção  pelo  HIV  no  Brasil.  A  distribuição  regional  ocorreu  da  seguinte  forma:  Sudeste,  222.262  casos  (41,0%);  Nordeste,  118.431  (21,9%);  Sul,  101.441  (18,7%);  Norte,  56.229  (10,4%);  e  Centro-Oeste,  43.396  (8,0%).  Em  setembro  de 2023 , foram notificados 46.495 casos de infecção pelo HIV no país (UNAIDS, 2024).

Mais  de  770  mil  pessoas  vivendo  com  HIV  estavam  em  tratamento  antirretroviral  –  5%  a mais  do  que  o  registrado  em  2022.  Dessas,  49  mil  iniciaram  o  tratamento  em  2023.  Atualmente,  quase  200  mil  pessoas  sabem  que  têm  HIV,  mas  não  recebem  tratamento.  As  diferenças  regionais  no  padrão  da  epidemia  podem  ser  explicadas  por  fatores  como  a  evolução  da  epidemia,  o  grau  de  implementação  das  medidas  de  prevenção,  o  nível  de  conhecimento  da  população  sobre  a  AIDS,  o  nível de escolaridade e outros fatores socioeconômicos.

Apesar  dos  avanços  nas  pesquisas  voltadas  para  a  cura  da  infecção  pelo  HIV,  ainda  há  um longo  caminho  a  percorrer.  A  prevenção  continua  sendo  a  estratégia  mais  eficaz  para  evitar  a  exposição ao vírus (AZEVEDO et al., 2023).

4.7 Papel do biomédico no enfrentamento

O  profissional  biomédico  habilitado  em  Análises  Clínicas  pode  atuar  em  diversas  etapas  do diagnóstico  laboratorial  do  HIV,  desde  a  coleta  de  amostras  biológicas  até  a  execução  de  testes  sorológicos  e  moleculares,  incluindo  a  leitura  de  lâminas  citológicas  e  a  interpretação  dos  resultados.  A  atuação  também  se  estende  à  contagem  de  linfócitos  CD4+  e  à  quantificação  da  carga  viral,  essenciais  para  o  acompanhamento  clínico  de  pacientes  vivendo  com  HIV.  Essas  competências  estão respaldadas pela legislação profissional, garantindo diagnósticos precisos e confiáveis.

Além  das  atividades  laboratoriais,  o  biomédico  participa  de  pesquisas  científicas,  contribuindo  para  o  desenvolvimento  de  novas  metodologias  diagnósticas  e  para  o  estudo  da  resistência  viral  do  HIV,  reforçando  a  importância  dessa  categoria  profissional  no  controle  da  epidemia.  Segundo  a  Resolução  CFBM  nº  391/2025,  o  biomédico  pode  atuar  em  análises  moleculares  e citopatológicas,  exceto  em  procedimentos  invasivos,  como a  punção  aspirativa  por  agulha fina (CFBM, 2025).

O  biomédico  também  desempenha  papel  estratégico  na  educação  em  saúde  e  na  prevenção  da  transmissão  do  HIV,  participando  de  palestras,  campanhas  de  conscientização,  ações  comunitárias  e  treinamentos  voltados  a  outros  profissionais  de  saúde.  Ele  pode  atuar  em  programas  de  vigilância  epidemiológica,  orientar  sobre  a  profilaxia  pré-exposição  (PrEP)  e  pós-exposição  (PEP),  além  de  coordenar  ou  colaborar  em  campanhas  de  testagem  comunitária  e  ações  de  promoção  da  saúde.  Nessas  atividades,  o  profissional  contribui  para  o  combate  ao  estigma,  o  incentivo  à  testagem  precoce  e  à  adesão  ao  tratamento  antirretroviral,  fortalecendo  as  políticas  públicas de enfrentamento da infecção.

Dessa  forma,  a  atuação  do  biomédico  integra  diagnóstico,  pesquisa,  educação  e  prevenção, ampliando  significativamente  o  impacto  de  seu  trabalho  e  reforçando  seu  papel  como  agente  de  saúde  integral,  fundamental  para  a  melhoria  da  qualidade  de  vida  das  pessoas  vivendo  com  HIV  e  para o controle efetivo da epidemia.

5 METODOLOGIA

 Este  trabalho  tratou-se  de  uma  revisão  sistemática  da  literatura,  cujo  objetivo  foi  identificar, reunir  e  analisar  publicações  científicas  que  abordam  o  papel  do  biomédico,  as  técnicas  laboratoriais  e  as  estratégias  de  prevenção  no  enfrentamento  da  infecção  pelo  HIV.  A  seleção  dos  estudos  foi  realizada  conforme  os  princípios  da  metodologia  PRISMA  (Preferred  Reporting  Items  for  Systematic  Reviews  and  Meta-Analyses,  2024),  que  orienta  revisões  sistemáticas  quanto  à  transparência  e  ao  rigor  no  processo  de  triagem  e  elegibilidade  das  publicações,  totalizando  30  estudos incluídos na revisão.

A  estratégia  de  busca  baseou-se  no  emprego  de  palavras-chave  relacionadas  ao  HIV,  como “HIV”,  “Síndrome  da  Imunodeficiência  Adquirida”,  “Diagnóstico  laboratorial”,  “Prevenção”,  “Carga  Viral”  e  “AIDS”,  combinadas  por  meio  dos  operadores  booleanos  AND  e  OR  para  ampliar  e  refinar  a  pesquisa  em  bases  de  dados,  tais  como  PubMed,  SciELO,  LILACS,  Google  Acadêmico,  DataSUS,  Organização  Mundial  da  Saúde  (OMS),  Instituto  Adolfo  Lutz  (IAL)  e  Biblioteca  Virtual  em  Saúde  (BVS).  Foram  utilizadas  combinações  como  (“HIV”  OR  “AIDS”)  AND  (“Diagnóstico  laboratorial”  OR  “Carga  Viral”)  AND  (“Prevenção”).  Em  seguida,  aplicaram-se  filtros  para  tipo  de  estudo, idioma, período de publicação e população-alvo.

Inicialmente,  realizou-se  uma  leitura  exploratória  dos  resumos  para  selecionar  os  artigos  que atendiam  aos  critérios  estabelecidos.  Posteriormente,  os  estudos  foram  avaliados  de  forma  seletiva  para  verificar  a  relevância  e  a  correlação  com  o  tema  proposto.  Por  fim,  conduziu-se  uma  análise  detalhada  para  organizar  e  sintetizar  os  resultados,  garantindo  que  estes estivessem  alinhados  aos  objetivos da revisão.

Os  artigos  selecionados  evidenciaram  a  importância  da  atuação  do  biomédico  na quantificação  da  carga  viral,  na  contagem  de  linfócitos  CD4+  e  na  participação  em  estratégias  de  prevenção,  como  a  profilaxia  pré-exposição  (PrEP)  e  pós-exposição  (PEP).  Além  disso,  ressaltaram  a  relevância  do  diagnóstico  precoce  e  do  acompanhamento  contínuo  como  pilares  fundamentais para o controle da infecção pelo HIV.

6 RESULTADOS E DISCUSSÃO

 Após  a  triagem  com  base  nos  critérios  de  inclusão  e  exclusão  estabelecidos,  foram escolhidos  os  artigos  mais  relevantes  e  recentes  para  compor  a  fundamentação  deste  estudo.  Foram  identificados  3.710  registros  nas  bases  de  dados.  Após  a  triagem  com  base  nos  critérios  de  inclusão  e  exclusão  e  a  remoção  de  duplicatas,  3.680  registros  foram  excluídos  por  não  atenderem  aos  critérios  definidos.  Ao  final,  30  estudos  foram  incluídos  na  revisão  sistemática,  compondo  a  fundamentação deste estudo.

Os  estudos  analisados  afirmam  que  o  diagnóstico  laboratorial  precoce  é  determinante  para conter  a  disseminação  do  HIV  e  promover  o  início  rápido  da  TARV.  Porém,  ainda  ocorre  de  forma  tardia,  principalmente  no  Amazonas,  onde  2019  e  2023  registraram-se  7.533  casos,  com  aumento  anual  de  8%  e  uma  taxa  de  mortalidade  de  6,9%  (De  Azevedo  et  al .,  2024).  Conforme  Santos  et  al .  (2023),  a  determinação  da  carga  viral  e  a  contagem  de  CD4+  permitem  identificar  infecções  recentes,  embora,  isoladamente,  não  suficientes  para  o  controle  da  epidemia.  A  profilaxia  pré-exposição  (PrEP)  e  a  pós-exposição  (PEP)  apresentam  barreiras  expressivas  quanto  à  adesão  e ao acesso.

Frois  (2025)  identificou  que,  das  41.477  pessoas  elegíveis  para  PEP,  somente  66,8% receberam  prescrição  adequada,  indicando  fragilidades  na  assistência  em  saúde.  Pesquisas  sobre  a  PrEP  ressaltam  seu  potencial  de  impacto  na  diminuição  da  incidência  do  HIV  entre  adolescentes  e  grupos  vulneráveis,  como  homens  que  fazem  sexo  com  homens,  travestis  e  mulheres  trans.  A  TARV  combinada  tem  alterado  significativamente  o  prognóstico  da  infecção,  tornando-a  uma  condição  crônica  controlável.  No  entanto,  a  resistência  viral  e  as  dificuldades  de  adesão  ao  tratamento  continuam  sendo  desafios  consideráveis  (Sobral;  Silva;  Lima;  Filho,  2025).  Estudos  clínicos  recentes  com  vacinas  baseadas  em  mRNA  têm  demonstrado  a  capacidade  de  induzir  respostas  imunológicas  potentes  de  células  B  e  T,  oferecendo  perspectivas  promissoras  na  imunoprofilaxia  e  na  prevenção  do HIV.

A  atuação  do  biomédico,  regulamentada  pela  Resolução  CFBM  nº  391/2025,  fortalece  as práticas  de  diagnóstico  laboratorial,  citologia  oncótica,  histotecnologia  e  biologia  molecular,  desempenhando  função  estratégica  nas  ações  de  prevenção,  vigilância  e  atenção  integral  à  saúde  dos  pacientes.  Sendo  assim,  a  literatura  aponta  desafios,  como  o  acesso  desigual  aos  serviços  laboratoriais,  a  necessidade  de  aprimoramento  profissional  e  o  estigma  social  que  ainda  constitui  barreira  à  testagem  voluntária.  A  articulação  entre  diagnóstico  laboratorial  e  as  políticas  de  prevenção  combinada,  juntamente  com  a  ampliação  da  cobertura  e  da  qualidade  dos  serviços  de  saúde, representa uma medida fundamental para o enfrentamento da epidemia no país.

7 CONCLUSÃO

Embora  o  estudo  tenha  evidenciado  o  papel  essencial  do  biomédico  no  enfrentamento  do  HIV,  especialmente  no  diagnóstico  e  monitoramento  laboratorial,  os  resultados  apontam  para  desafios  significativos  que  ainda  persistem.  A  quantificação  da  carga  viral  e  a  contagem  de  linfócitos  CD4+,  embora  indispensáveis,  não  têm  sido  suficientes  para  controlar  a  epidemia  em  regiões  críticas, como o Amazonas, onde os índices de infecção permanecem elevados.

Além  disso,  a  testagem  e  o  suporte  laboratorial  para  PEP  e  PrEP  ainda  enfrentam  limitações  de  acesso  e  adesão,  comprometendo  a  eficácia  dessas  estratégias  preventivas.  Esses  achados  indicam  que,  apesar  dos  avanços,  há  lacunas  importantes  na  vigilância  e  no  diagnóstico  que  necessitam  de  maior  atenção.  Portanto,  torna-se  imprescindível  a  realização  de  estudos  futuros  que  aprofundem  o  entendimento  dessas  barreiras  e  promovam  inovações  na  atuação  biomédica,  buscando  fortalecer  as  ações  integradas  de  prevenção,  diagnóstico  e  cuidado  para  enfrentar  eficazmente a epidemia de HIV no Brasil.

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9 ANEXO

ANEXO A: Quadro com todas publicações incluídas na revisão sistemática de acordo com o  autor, ano, título, objetivo, critério de inclusão e resultados.

Fonte: Autores, 2025

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