DIAGNÓSTICO LABORATORIAL E ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DE INFECÇÕES BACTERIANAS EM UMA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA DO CENTRO-OESTE MINEIRO

LABORATORY DIAGNOSIS AND ANALYSIS OF THE INCIDENCE OF BACTERIAL INFECTIONS IN AN INTENSIVE CARE UNIT IN CENTRAL-WEST MINAS GERAIS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202511070921


Ana Flávia Aparecida Martins1
Emanuelly De Oliveira Alvarenga2
Lorena Laís Silva3
Maria Fernanda Pessoa Alves4
Me. Flávia Mesquita Costa5


RESUMO

As infecções hospitalares, também conhecidas como infecções relacionadas à assistência à saúde, constituem uma importante causa de morbidade e mortalidade no meio hospitalar, representando um dos mais graves problemas no âmbito da saúde. O presente estudo tem por objetivo analisar o perfil de incidência de infecções hospitalares de uma Unidade de Terapia Intensiva de um Hospital do Centro Oeste Mineiro. Trata-se de um estudo descritivo quantitativo, o qual foi realizado por meio do banco de dados da CCIH do hospital em questão, tendo por período de corte janeiro de 2023 a junho de 2025. Foram realizados 534 pedidos de exames de cultura, totalizando 1.186 amostras, das quais 495 obtiveram resultado positivo e 691 negativo. Dessas amostras 472 foram de hemocultura, 393 foram de uroculturas, 266 eram de secreção traqueal e por fim, 55 amostras eram de materiais diversos. As três mais incidentes foram Staphyloccus Aureus (95 casos, 19,19%), Klebsiella Pneumoniae (92 casos, 18,6%) e Pseudomonas Aeroginosa (45 casos, 9,09%).

Palavras chave- Infecção. Incidência. Hospitalar.

1 INTRODUÇÃO

As infecções hospitalares, também conhecidas como infecções relacionadas à assistência à saúde, constituem uma importante causa de morbidade e mortalidade no meio hospitalar, representando um dos mais graves problemas no âmbito da saúde (LEITE et.al., 2021; SOUZA et.al., 2014).

Em meio às possibilidades de infecção, há de compreender-se que existem aquelas que decorrem de um quadro prévio à internação, ou seja, o paciente já entra na unidade de saúde infectado. Assim como há, aquelas que acontecem após a internação, as quais são chamadas de nosocomiais (GOMES et.al., 2020), sendo estas as que mais se destacam nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI), visto a fragilidade em que os pacientes se encontram e o alto grau de complexidade e invasividade da assistência prestada nesses ambientes (HESPANHOL et.al., 2019).

Ressalta-se que visto a enorme possibilidade de exposição do paciente à patógenos diversos, a infecção hospitalar torna-se cada vez mais frequente, e dentro deste cenário a internação em uma UTI eleva esse grau de risco de 5 a 10 vezes (BARROS et.al., 2012).

Estima-se que ao menos 30% dos pacientes em UTIs são afetados por ao menos um episódio de infecção relacionada à assistência em saúde. Sendo que, quanto maior o prazo de permanência na UTI, maior o risco de sua incidência (LEITE et.al., 2021).

Além de elevar os riscos de morbidade e mortalidade, as infecções hospitalares são responsáveis pelo aumento no tempo de internação e no custo dos procedimentos diagnósticos e terapêuticos, acarretando repercussões negativas sobre o cenário biopsicossocial do paciente e de seus familiares (BARROS et.al., 2012).

Tais aspectos tornam plausível a realização frequente de exames de culturas no ambiente de terapia intensiva, seja a hemocultura, a urocultura ou até mesmo a cultura de aspirado e de tecido desbridado (SOUZA et.al., 2014).

É por meio da realização de culturas e da avaliação do antimicrobiano que se pode definir as melhores formas de tratamento e minimização de riscos. Destaca-se também, que, os dados provenientes dos exames de cultura é que permitem o setor de auditoria e vigilância epidemiológica do hospital traçar estratégias de controle infeccioso e profilático na instituição (MENEZES et.al., 2007).

O presente trabalho tem por objetivo analisar o perfil de incidência de infecções hospitalares de uma Unidade de Terapia Intensiva de um Hospital do Centro Oeste Mineiro, por meio de um estudo retrospectivo a fim de constatar-se dados que subsidiem a construção de protocolos de profilaxia.

2. METODOLOGIA

Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo quantitativo, realizado por meio de dados fornecidos pelo setor epidemiológico da UTI de um hospital situado no centro oeste mineiro.

Foram coletados os dados referentes ao período de janeiro de 2023 a junho de 2025. Emitiu-se previamente para o hospital, uma carta de solicitação de permissão para realização do estudo (anexo I), após autorizado, seguiu-se a emissão de uma nova carta (anexo II), está, entregue à Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH), tendo por intuito a solicitação de acesso aos dados referentes às infecções investigadas.

Em sequência foi realizado o levantamento das informações, fase a qual foi realizada por meio de pesquisa no banco de dados da CCIH. Posteriormente, os achados epidemiológicos foram analisados, separou-se a quantidade de solicitação de culturas, as infecções identificadas, o número de pacientes internados no período em questão e as faixas etárias dos infectados.

Os dados foram organizados em uma tabela de Excel idealizada para essa finalidade, os resultados foram expressos por meio de estatística descritiva em frequência absoluta e relativa, sendo apresentados por meio de tabelas e gráficos.

Após a compilação dos dados, realizou-se uma análise comparativa dos achados com aqueles descritos na literatura existente. Identificou- se as três infecções mais incidentes. Novamente tais dados foram correlacionados com a literatura. Para tanto, foi utilizada a base de dados Google Acadêmico com os descritores: incidência, infecção, bacteriana e UTI.

3. RESULTADOS

3.1 Resultados epidemiológicos

No período em questão houveram 1.170 internações na UTI. Foram realizados 534 pedidos de exames de cultura, sendo esses: uroculturas, hemoculturas, cultura de aspirado traqueal e cultura de materiais diversos, totalizando 1.186 amostras coletadas. Ressalta-se, no entanto, que o setor de CCIH não contava com o registro preciso do número de pedidos e amostras para o mesmo paciente. Logo, os dados referentes a infecção por paciente ficam obscurecidos.

Das 1.186 amostras, 495 (41,70%) tiveram resultado positivo e 691 (58,3%) resultado negativo. Dessas amostras 472 (39,8%) foram de hemocultura, das quais 128 (27,11%) era positivas e 344 (72,9%) negativas; 393 (33,1%) foram de urocultura, das quais 106 (27%) eram positivas e 287 (73%) negativas ; 266 (22,5%) por sua vez eram de secreção traqueal, sendo 224 (84%) positivas e 42 (16%) negativas; por fim, 55 (4,6%) amostras eram de materiais diversos (ponta de cateter, tecido biológico, dentre outros), das quais 37 (67%) testaram positivo para infecção e 18 (33%) negativo (FIGURA 1).

Figura 1: Quantidades de culturas realizadas (em porcentagem).

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Dos 534 pedidos, 287 foram feitos para pacientes do sexo masculino e 247 para o sexo feminino (FIGURA 2), destes pedidos 495 tiveram resultado positivo.

Figura 2: Porcentagem de pedidos de cultura por gênero.

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Dentre os resultados positivos de infecção, observa-se que de hemocultura 72 foram do sexo masculino e 56 do sexo feminino; de urocultura 55 foram do sexo feminino e 51 masculino, das culturas de secreção traqueal 117 foram do sexo masculino e 107 do sexo feminino, por fim, das culturas de materiais diversos (tecidos, ponta de cateter, dentre outros) 18 foram do gênero masculino e 19 do gênero feminino.

Figura 3: Faixa etária dos pacientes da UTI submetidos a exames de cultura em porcentagem.

Fonte: Elaborado pelas autoras.

Dentre as 1.186 amostras analisadas foram identificadas 33 espécies diferentes de bactérias (TABELA 1). As três mais incidentes foram Staphyloccus Aureus (95 casos, 19,19%), Klebsiella Pneumoniae (92 casos, 18,6%) e Pseudomonas Aeroginosa (45 casos, 9,09%.

TABELA 1- Incidência de espécie de bactérias por infecção.

Espécie de bactéria Incidência no nº de infecções
Achromobacter Xylosoxidans5
Acinetobacter Baumanni24
Citobacter Freundii1
Citrobacter Koseri1
Enterobacter Aerogenes2
Enterobacter Cloacae15
Escherichia Coli39
Klebsiella Aerogenes18
Klebsiella Oxytoca23
Klebsiella Ozanae6
Klebsiella Pneumoniae92
Kluyvera Acorbata1
Pantoa Agglomerans1
Proteus Mirabilis9
Proteus Vulgaris1
Pseudomonas Aerugionosa45
Serratia Marcescens1
Serratia Odorifera1
Staphyloccus Aureus95
Staphyloccus Auricularis13
Staphyloccus Capitis2
Staphyloccus Cohnii17
Staphyloccus Epidermides15
Staphyloccus Haemolyticus38
Staphyloccus Hominis6
Staphyloccus Hyicus1
Staphyloccus Lugdunensis1
Staphyloccus Scheleifei7
Staphyloccus Sciuri10
Staphyloccus Simulans2
Staphyloccus Xylosus1
Tatumolla Ptyseos1
Vibrio Especie1
Total de bactérias: 33 Nº total de infecções: 495

Fonte: Elaborado pelas autoras.

A respeito da espécie de bactéria por tipo de material de análise, denota-se que nas hemoculturas os microrganismos mais incidentes foram Staphylococcus aureus (36 casos- 28%), Klebsiella pneumoniae (33 casos- 25,8%) e Staphylococcus haemolyticus (12 casos- 9,4%). Já nas uroculturas os mais incidentes foram Escherichia coli (37 casos- 34,9%), Klebsiella pneumoniae (12 casos- 11,32%) e Pseudomonas aeruginosa (10 casos- 9,43%). Nas culturas de secreção traqueal os mais incidentes foram Staphylococcus aureus (48 casos- 21,42%), Klebsiella pneumoniae (44 casos- 19,65%) e Pseudomonas aeruginosa (26 casos- 11,6%). Por fim, na cultura de materiais diversos, as bactérias mais incidentes foram Staphylococcus aureus (5 casos- 13,5%), Staphylococcus haemolyticus (5 casos- 13,5%), Staphylococcus epidermides (4 casos- 10,8%) e Staphylococcus schleiferi (4 casos- 10,8%).

3.2 Discussão

Neste estudo foi evidenciado que dentre os 534 pedidos de cultura, 53,75% foram feitos para indivíduos do sexo masculino, enquanto 46,25% para o sexo feminino. Sendo que, dentre as 495 amostras positivas, 237 eram do gênero feminino (47,9%) enquanto 258 eram do gênero masculino (52,1%).

Por sua vez, o estudo realizado por Espanhol et.al. (2019) evidenciou uma maior incidência de infecção em pacientes do sexo feminino (60%). Já no estudo realizado por Sousa et.al. (2014), dos 81 pacientes infectados, 45 eram do sexo masculino. O estudo de Abegg e Silva (2011), evidenciaram uma maior incidência em indivíduos do sexo masculino (73%). No estudo de Trindade et.al. (2020), observou- se também maior ocorrência de infecções na UTI em mulheres (47,25%).

Das amostras coletadas nota-se que de 1.186, 495 foram positivas para infecção e 691 negativas. Das amostras positivas, a secreção traqueal representou maior incidência de contaminação com 84%, os materiais diversos 67%, a hemocultura 27,11% e a urocultura 27%. No trabalho de Meneguin (2020) também foi evidenciado maior número de infecção em amostras do trato respiratório, representando 93%. Acredita-se que isso ocorra devido à complexidade do atendimento e manejo de vias aéreas, além da realização de procedimentos altamente invasivos nesse sitio de colonização, como a implementação de ventilação mecânica, traqueostomia e as aspirações, predispondo a formação de colônias bacterianas (MENEGUIM et.al., 2020; PERNA et.al., 2015; GONÇALVES, GOULART, 2021).

Quanto a idade observa-se que o perfil com maior incidência é aquele em que os indivíduos apresentam idade entre 61 e 70 anos (25,47%). Em análise na literatura nota-se que no trabalho de Barros et.al. (2012) também há uma predominância desse perfil demográfico, assim como no trabalho de Trindade et.al. (2020). Isso se deve provavelmente em decorrência das comorbidades e da diminuição da atividade imunológica deste grupo de indivíduos, além de uma maior necessidade de abordagens invasivas, e, do exponencial envelhecimento populacional, tornando os idosos mais susceptíveis a quadro infecciosos (TRINDADE et.al., 2020).

Dentre as bactérias mais incidentes evidencia-se Staphyloccus Aureus (95 casos, 19,19%), Klebsiella Pneumoniae (92 casos, 18,6%) e Pseudomonas Aeroginosa (45 casos, 9,09%). Ao correlacionar tais achados com a literatura observa- se que em vários estudos os resultados são similares. No estudo de Mesquita et.al. (2023) os microrganismos predominantes foram Klebsiella Pneumoniae e Pseudomonas Aeroginosa. No estudo de Abegg e Silva (2011) os microrganismos com maior incidência foram Pseudomonas aeruginosa/sp. e Staphylococcus epidermidis.

Já no estudo de Gaspar et.al. (2012) As bactérias mais prevalentes nas unidades de terapia intensiva foram: Escherichia coli (23,2%); Staphylococcus aureus (15,5%); Pseudomonas aeruginosa (11,8%); Klebsiella pneumoniae (10,3%); Staphylococcus não produtor de coagulase – SNPC (10,0%); Enterobacter aerogenes (10,0%); e Acinetobacter baumannii (4,1%).

Por sua vez, o estudo de Barros et.al. (2012) identificou que os principais microrganismos responsáveis por infecções na UTI eram Pseudomonas aeruginosa (33,8%), Staphylococcus aureus (25,2%), Acinetobacter sp. (12,6%), Enterobacter agglomerans (8,6%), Pseudomonas sp. (7,3%), Escherichia coli (4,6%), Klebsiella pneumoniae (4,6%) e Candida sp. (3,3%).

Na pesquisa desenvolvida por Menezes et.al. (2007) as bactérias mais frequentes do aspirado traqueal foram Pseudomonas aeruginosa (16%) e Klebsiella pneumoniae (15%). Em cateteres, houve maior frequência de Staphylococcus coagulase negativa (SCN) (25%) e Staphylococcus aureus (25%); na urina, predominaram Klebsiella pneumoniae (16%) e Pseudomonas aeruginosa (14%). Em hemoculturas, as bactérias mais isoladas foram SCN (41%) e Staphylococcus aureus (17%).

Sabe-se que o Staphyloccus aureus é um dos principais agentes de infecção hospitalar, colonizando naturalmente a microbiota natural da pele, tornando-se um patógeno após romper a barreira cutânea ou em decorrência de uma redução do sistema imunológico do hospedeiro (BARROS et.al., 2012).

A contaminação por esse microrganismo está associada a um maior período de internação e ao aumento dos índices de morbidade e mortalidade. Isso se deve principalmente à resistência meticilina que essa bactéria apresenta (MENEGUIN et.al., 2019).

Trata-se de um coco Gram-positivo com catalase positiva, imóveis não esporulados, que podem apresentar arranjos diversos (em pares, cadeias curtas o até mesmo agrupamentos irregulares), possuem cápsula de polissacarídeo (que podem inibir a fagocitose bacteriana e encobrir as opsoninas, aumento sua virulência), além de uma membrana bacteriana constituída por um complexo de proteínas, lipídeos e carboidratos (LIMA et.al., 2015).

O diagnóstico laboratorial ocorre inicialmente por meio do teste de coloração de Gram, feito a partir de amostras de aspirado traqueal, secreções, sangue ou tecido. Seguido pelo teste da catalase, para diferenciar estafilococos de estreptococos, e, por um teste de coagulase, sendo, o Staphyloccus Aureus uma bactéria Gram positiva- catalase positiva – coagulase positiva (LIMA et.al., 2015).

Por sua vez a Klebsiella pneumoniae é uma bactéria gram-negativa, imóvel pertencente à família Enterobacteriaceae, apresentando colonização em diversas regiões do corpo humano como axila, trato intestinal e nasofaringe (DAI; HU, 2022). Esse microrganismo oportunista é responsável por alto índice de comorbidade e mortalidade dentro das unidades de terapia intensiva (BARROS et.al., 2012).

Nos últimos anos tem sido crescente os registros de infecção por Klebsiella pneumoniae, gerando consequências graves aos ambientes hospitalares, como aumento do tempo de internação, escassez terapêutica e alto índice de mortalidade. Além de ocorrer por meio de contaminação cruzada, esta bactéria é responsável por quadros de infeções urinárias, infeções no trato respiratório, na corrente sanguínea, abscesso hepático, meningite e sepse.

Sua virulência é associada à presença de uma cápsula de polissacarídeo na sua conformação, assim como um sistema de captação de ferro, fenótipo mucoide e lipossacarídeo tóxico (PERNA et.al., 2015).

Destaca-se que a Klebsiella pneumoniae pode produzir várias enzimas, sendo elas a Beta-lactamase, Beta-lactamase de espectro estendido e a Carbapenemase, além da uréase. Tal condição interfere diretamente no processo terapêutico, logo, para tratamento desta bactéria faz-se necessário um diagnóstico diferencial (TAVARES, 2019).

Seu processo de análise laboratorial tem início por meio da cultura e crescimento em ágar MacConkey, visto que as colônias de Klebsiella são tipicamente róseo-amareladas. São feitas provas bioquímicas, como reação de oxidase (negativa), Indol (negativa), Ornitina (negativa), Fermentação de glicose (positiva), redução à nitrato (positiva), lisina (positiva), citrato (positiva), metabolização de lactose (positiva), tríplice açúcar e ferro (positiva) e hidrolise de ureia positiva (TAVARES, 2019).

A Pseudomonas aeroginosa é um microrganismo oportunista, que afeta em sua maioria indivíduos com o sistema imunológico debilitado, sendo mais prevalente em idosos ou pessoas com comorbidades, evidenciada com mais frequência no ambiente de terapia intensiva (BOMFIM; KNOB, 2013).

Trata-se de um dos principais agentes etiológicos em casos de infecção urinária, pneumonia, pneumonia associada a ventilação mecânica, bacteremias, infecções cirúrgicas, além de complicações em pacientes queimados e com fibrose cística (LOPES et.al., 2020).

Devido ao crescente número de infecções por Pseudomonas aeroginosa no ambiente hospitalar, tem sido notada grande preocupação no meio científico, visto o perfil de resistência antimicrobiana deste patógeno, levando a sequelas graves e um índice considerável de mortalidade (BOMFIM; KNOB, 2013).

Tal bactéria é classificada como gram-negativa, aeróbia, móvel e não fermentadora, que apresenta versatilidade genética e adaptabilidade a diferentes nichos (CORREA, 2023).

Sua patogênese decorre de um processo multifacetado que vai desde a produção da exotoxina e de toxinas mais potentes até alterações no processo de resposta imune que levam a citotoxicidade, além da presença de flagelos e pilii que permitem motilidade e adesão para uma posterior formação de um biofilme que permite resistência e persistência bacteriana (CORREA, 2023).

O diagnóstico envolve um protocolo microbiológico escalonado, que inclui: processamento da amostra, cultura seletiva e diferencial, caracterização macro e microscópica, painel de testes bioquímicos, testes de sensibilidade antimicrobiana e, em casos específicos, métodos moleculares (GONÇALVES; GOULART, 2021).

Nota-se que na coloração de Gram apresentam a formação de bastonetes rosa, podendo ter odor frutado na análise, é oxidase positiva, não fermentadora de glicose, com uréase negativa, além disto as colônias podem apresentar pigmentação piocianina e pioverdina (GONÇALVES; GOULART, 2021).

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O presente estudo evidenciou que dentre as infecções mais incidentes no período referente a pesquisa estão aquelas relacionadas a Staphyloccus Aureus (95 casos, 19,19%), Klebsiella Pneumoniae (92 casos, 18,6%) e Pseudomonas Aeroginosa (45 casos, 9,09%). Observa-se também o predomínio de indivíduos contaminados do sexo masculino e idosos com idade superior. Nota-se que os dados encontrados em parte vão de encontro aqueles achados na literatura, porém, em vários trabalhos o sexo predominante era feminino, assim foi possível observar um padrão de associação de infeções, porém o motivo para tal padrão ainda é obscuro.

Devido a incompletude do banco de dados da instituição pesquisada não foi possível determinar o número específico de pacientes contaminados, visto que os dados disponibilizados referem-se somente a contaminação, deixando em dúvida se um mesmo paciente poderia ter tido no período de internação mais de uma infecção. Portanto, sugere-se que um novo estudo seja realizado, tendo por base de análise não o compilado de dados disponibilizado pela CCIH, mas a averiguação de cada prontuário.

Diante do exposto, denota-se a importância de produções científicas como esta, a fim de proporcionar ferramentas de análises para a instauração de protocolos de vigilância sanitária e controle de infecções.

REFERÊNCIAS

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1 Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Una de Bom Despacho e-mail:
anafmartins2004@icloud.com
2 Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Una de Bom Despacho e-mail:
emanuellyolialvarenga@gmail.com
3 Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Una de Bom Despacho e-mail:
lorenalaissilva00@gmail.com
4 Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Una de Bom Despacho e-mail: mariaferalves08@gmail.com
5 Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Una de Bom Despacho Mestre em Ciências e Tecnologia das Radiações, Minerais e Materiais. PPG/CDTN e-mail:
flaviabiomedica@yahoo.com.br