DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO HERPES SIMPLES E RECORRENTE: REVISÃO DA LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510310215


Larissa Kalyne Pinheiro
Áquila Vitória Silva Barbosa
Orientador: Alexandre Kraemer


RESUMO

O Herpes Simplex Vírus tipo 1 (HSV-1), pertencente à família Herpesviridae, é um vírus de DNA de fita dupla com alta prevalência mundial, sendo a principal causa do herpes labial. Após a infecção primária, que pode ser assintomática, o vírus estabelece latência nos gânglios sensitivos, principalmente no gânglio trigeminal, podendo reativar-se em situações de estresse, imunossupressão ou exposição solar. A reativação provoca episódios recorrentes de lesões orais, com grande impacto na qualidade de vida dos pacientes.

O objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão integrativa da literatura, visando identificar e analisar estratégias diagnósticas e terapêuticas no manejo do herpes simples recorrente na cavidade oral, com foco na eficácia dos antivirais empregados.

A pesquisa foi realizada na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando o descritor “herpes labial”. Após aplicação de critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 13 estudos para análise.

Os resultados mostraram que 38,5% dos estudos abordaram a laserterapia, que demonstrou eficácia na redução da dor, aceleração da cicatrização e diminuição das recidivas. Produtos naturais como Uncaria tomentosa e pentil galato também apresentaram efeitos promissores. Apenas um estudo abordou antivirais convencionais, destacando a associação entre aciclovir e hidrocortisona como mais eficaz que o placebo.

Conclui-se que o manejo do herpes labial recorrente tem avançado com terapias alternativas como a laserterapia e fitoterápicos, que mostram bons resultados clínicos. No entanto, há necessidade de mais estudos clínicos controlados que consolidem essas abordagens como padrão terapêutico.

Palavras-chave: Herpes Labial, Odontologia.

ABSTRACT

Assim como o título, o resumo e o abstract do seu trabalho é a porta de entrada para o leitor, além de dar uma visão geral do seu trabalho, deve despertar o interesse do mesmo. Como o resumo e abstract possui uma quantidade de texto limitada, muitas pessoas tem dificuldade em elaborar um texto conciso e interessante. Desta forma, vamos apresentar uma técnica para facilitar a elaboração do resumo e o abstract que consiste em dividi-los em cinco partes: contexto, objetivo, método, resultados e conclusão. Para mais informações acesse nosso post sobre Abstract: https://blog.fastformat.co/5-passos-resumo-e-o-abstract/

Keywords: Oral herpes, Dentistry.

1    INTRODUÇÃO

A família dos herpes vírus humanos (HHV), pertencente à Herpetoviridae, é composta por vírus de DNA de fita dupla, sendo o herpes simples (HSV) o mais conhecido entre eles. Este compreende dois subtipos principais: HSV tipo 1 (HSV-1 ou HHV-1) e HSV tipo 2 (HSV-2 ou HHV-2). Todos os oito membros dessa família podem provocar infecção primária e, posteriormente, permanecer em estado de latência em células específicas durante toda a vida do hospedeiro. Quando reativados, podem ocasionar episódios recorrentes, que variam desde quadros assintomáticos até manifestações clínicas evidentes. O HSV-1, por exemplo, pode ser detectado na saliva ou transmitido por gotículas respiratórias, atingindo taxas de infecção próximas a 90% em crianças de até cinco anos nos Estados Unidos (Neville et al., 2016)

A infecção pelo HSV-1 apresenta três fases distintas: a infecção primária, a latência e a recorrência. A infecção primária ocorre quando um indivíduo sem anticorpos contra o vírus entra em contato inicial com o patógeno. Essa fase é mais comum em pacientes jovens, podendo ser assintomática ou manifestar sintomas após um período de incubação de três a nove dias. Uma vez estabelecida, o vírus migra pelos nervos sensitivos e se aloja nos gânglios correspondentes, permanecendo latente, sendo o gânglio trigeminal o local mais frequentemente envolvido.

O vírus utiliza os axônios neuronais para se deslocar até a mucosa ou pele periférica. A reativação, que caracteriza a fase recorrente, pode ser desencadeada por diversos fatores, como idade avançada, exposição à radiação ultravioleta, estresse, fadiga, alterações hormonais, doenças sistêmicas e neoplasias. Dependendo da extensão da infecção nas células epiteliais, as manifestações clínicas podem variar de eliminação viral assintomática a lesões evidentes precedidas ou não por sintomas prodrômicos.

A transmissão do HSV pode ocorrer tanto durante períodos de excreção viral silenciosa quanto por meio de lesões ativas, reforçando sua alta capacidade de disseminação. Além disso, o vírus pode migrar para diferentes regiões do organismo, estabelecendo latência em novos gânglios sensitivos (Neville et al., 2016)

O estudo do herpes labial recorrente é relevante para a Odontologia, pois o cirurgiãodentista desempenha papel fundamental no diagnóstico e no manejo adequado das lesões orofaciais causadas pelo vírus. Estima-se que 3,8 bilhões de pessoas com menos de 50 anos (64%) em todo o mundo tenham infecção pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1), a principal causa do herpes oral.(ORGANIZACÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2025).

Segundo Neville et al. (2016), o diagnóstico constitui a etapa mais essencial no cuidado ao paciente, pois dele dependem o tratamento e o prognóstico adequados. O autor destaca que muitas outras lesões podem apresentar manifestações clínicas semelhantes, apesar de etiologias e mecanismos distintos, tornando o diagnóstico um desafio constante na prática clínica.

Capítulo 1. Introdução

Entre os principais diagnósticos diferenciais, destacam-se úlcera traumática, estomatite aftosa, queimaduras de mucosa, reações alérgicas, eritema multiforme, herpangina, varicela, doença mão-pé-boca, sífilis primária e síndrome de Behçet. Todas essas condições, assim como o herpes simples, podem se manifestar como lesões vesículo-erosivas e ulceradas, de início súbito e curta duração.

Diante disso, o objetivo deste trabalho foi realizar uma revisão integrativa da literatura, a fim de identificar e analisar as estratégias diagnósticas e terapêuticas utilizadas no manejo do herpes simples recorrente na cavidade oral, com ênfase na eficácia dos antivirais mais empregados.

2 MATERIAIS E MÉTODOS

Para elaboração desta revisão de literatura integrativa foi realizada uma busca bibliográfica na base de dados Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) utilizando a palavra-chave “Herpes labial”. Para os critérios de inclusão foram considerados artigos em português que abordem diagnóstico e tratamento do herpes simples recorrente em cavidade oral. Foram utilizados como critério de exclusão os artigos incompletos (sem acesso ao texto na integra) e artigos não relacionados ao tema. Considerando que este trabalho se insere no campo da odontologia, o escopo da revisão foi restrito às manifestações orais, excluídas pesquisas relacionadas ao herpes genital ou a outros sítios anatômicos.

Após a eliminação das duplicatas, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para a identificação dos estudos potencialmente relevantes. Em seguida, os artigos selecionados foram analisados na íntegra e incluídos ou excluídos segundo os critérios previamente estabelecidos.

3    RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1       Resultados

3.1.1        Processo de triagem

Na busca inicial, utilizando os descritores estabelecidos, foram recuperados 18.979 artigos. Após a remoção de 18.846 registros que não atendiam aos critérios de inclusão (assunto principal Herpes Labial e com disponibilidade de texto completo), restaram 33 artigos para a etapa de triagem. Desses, 20 foram excluídos por estarem indisponíveis. Por fim, o processo de triagem resultou em 13 artigos selecionados que atenderam aos critérios previamente estabelecidos.

O processo de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão dos estudos está representado de forma esquemática na Figura 1, por meio do fluxograma PRISMA adaptado. Esse diagrama ilustra as etapas percorridas desde a busca inicial nas bases de dados até a seleção final dos artigos que compuseram a amostra desta revisão integrativa.

Figura 1 – Fluxograma PRISMA

Autoras do trabalho

3.1.2        Perfil dos estudos

Da amostra de 13 estudos analisados, a maioria (38,5%, n=5) concentrou-se na utilização da laserterapia e da fotobiomodulação no tratamento e prevenção do herpes labial, incluindo abordagens com laser de baixa e alta potência, bem como terapia fotodinâmica, que demonstraram efeitos positivos na redução da dor, aceleração da cicatrização e diminuição das recidivas (ZANELLA, 2020; MAROTTI et al., 2020; EDUARDO et al., 2011; CARVALHO et al., 2010; FERREIRA et al., 2011).

Em seguida, 2 estudos (15,4%) exploraram o uso de produtos naturais com propriedades antivirais e anti-inflamatórias, como Uncaria tomentosa e pentil galato, que apresentaram eficácia semelhante ou complementar à de antivirais convencionais (CALDAS, 2010; KELMANN et al., 2016).

Apenas 1 estudo (7,7%) abordou diretamente o uso de terapias farmacológicas, especificamente a associação de aciclovir com hidrocortisona, mostrando benefícios clínicos em comparação ao placebo(ROSA et al., 2015).

Outros 4 artigos (30,8%) tiveram como foco os aspectos clínicos, citopatológicos e condutas profissionais frente ao herpes simples bucal, especialmente em pacientes imunossuprimidos (OCAMPO et al., 2024; MOURA et al., 2019; PEREIRA et al., 2017; CONSOLARO; CONSOLARO, 2009).

Também foi identificado 1 estudo (7,7%) voltado à compreensão dos mecanismos fisiopatológicos de infecção e reativação do HSV-1, reforçando a importância do sistema imunológico na modulação da doença (SOUZA et al., 2017).

3.1.3        Caracterização dos estudos incluídos

As informações extraídas dos estudos selecionados estão organizadas na Tabela 1, onde constam, respectivamente, os autores, o título, os objetivos e os principais resultados.

Tabela 1 – Detalhamento dos artigos utilizados para estudo.

3.2       Discussão

Esta revisão identificou estudos sobre o tema, dos quais: O uso de Uncaria tomentosa parece útil para tratar episódios de herpes labial, mas sua capacidade de prevenir recorrências ou alterar significativamente o curso da doença a longo prazo parece menor ou não tão bem estudada quanto às intervenções com laser. Já os estudos com laser fotobiomodulação mostram de modo consistente um efeito preventivo, reduzindo número de surtos, severidade e duração.

Durabilidade dos efeitos: Os estudos com laser têm conseguido demonstrar efeitos que persistem por anos. Isso é uma vantagem importante comparado a muitos medicamentos ou cremes tradicionais, que agem no surto mas podem não reduzir recorrências com tanta durabilidade.

Nenhum relato forte de efeitos adversos sérios nos estudos com laser ou com Uncaria.

Aplicabilidade: O laser exige equipamento especializado, treinamento, protocolos bem definidos; pode haver custo ou acesso limitado. O creme de Uncaria, sendo tópico, pode ser mais fácil de aplicar em ambientes com menos recursos, mas provavelmente menos potente no efeito preventivo.

O herpes labial é uma infecção viral recorrente causada pelo vírus herpes simplex tipo 1, caracterizada por períodos de latência e reativação que provocam desconforto físico e impacto psicossocial significativo. O tratamento convencional baseia-se no uso de antivirais tópicos ou sistêmicos, porém esses fármacos nem sempre impedem a recorrência das lesões. Nesse contexto, a laserterapia tem se destacado como uma alternativa terapêutica eficaz, segura e não invasiva.

A aplicação do laser de baixa intensidade (LLLT) atua principalmente por meio de efeitos bioestimulantes, anti-inflamatórios e analgésicos. O estímulo luminoso promove aumento da regeneração celular, melhora da circulação local e modulação da resposta imunológica, o que contribui para a redução da dor, do edema e do tempo de cicatrização das lesões. Além disso, o uso profilático do laser tem se mostrado eficiente na diminuição da frequência e da intensidade das recorrências, prolongando os intervalos entre as crises.

Estudos clínicos e experimentais apontam que a laserterapia pode ser aplicada tanto nas fases iniciais do surto herpético quanto como medida preventiva. Em protocolos terapêuticos, o laser é utilizado diretamente sobre a lesão ativa, acelerando a reparação tecidual e proporcionando alívio sintomático imediato. Já em protocolos preventivos, sessões periódicas de baixa intensidade auxiliam na estabilização do vírus em estado de latência, reduzindo o número de episódios recorrentes.

Além da utilização do laser de baixa potência, também têm sido estudadas abordagens com laser de alta intensidade e terapia fotodinâmica, que combinam luz e agentes fotossensibilizadores para inativar o vírus e estimular a regeneração local. Esses métodos mostram resultados promissores, especialmente em casos de recorrência frequente ou resistência ao tratamento convencional.

Na prática odontológica, a laserterapia é valorizada por sua aplicação simples, ausência de efeitos colaterais significativos e excelente aceitação pelos pacientes. Entretanto, a falta de padronização nos parâmetros de energia, frequência e tempo de exposição ainda constitui um desafio, o que reforça a necessidade de mais estudos clínicos controlados para estabelecer protocolos ideais.

De modo geral, a laserterapia representa uma ferramenta complementar de grande potencial para o manejo do herpes labial, promovendo benefícios terapêuticos expressivos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Seu uso integrado aos tratamentos antivirais tradicionais constitui uma abordagem moderna e eficaz, baseada na bioestimulação e na promoção da saúde tecidual.

O tratamento do herpes labial pode ser realizado por meio de terapias convencionais e alternativas. Os antivirais, como o aciclovir e o valaciclovir, continuam sendo o tratamento padrão, atuando na inibição da replicação viral e na redução da duração dos sintomas. No entanto, esses medicamentos não impedem as recorrências, já que o vírus permanece latente nos gânglios nervosos, podendo reativar-se diante de fatores como estresse, exposição solar ou queda de imunidade. Além disso, o uso contínuo de antivirais pode causar efeitos colaterais e favorecer resistência viral em casos prolongados.

Diante dessas limitações, diversas abordagens alternativas vêm sendo estudadas. Entre elas, destaca-se a laserterapia, especialmente com laser de baixa intensidade, que tem demonstrado efeitos positivos na aceleração da cicatrização, redução da dor e prevenção de novas recorrências. O laser atua estimulando o metabolismo celular e a regeneração tecidual, além de modular a resposta inflamatória e aumentar a resistência local do tecido à reativação viral. Estudos clínicos de acompanhamento prolongado apontam redução significativa na frequência dos surtos e melhora na qualidade de vida dos pacientes.

Outros tratamentos alternativos incluem o uso de compostos naturais, como extratos vegetais com propriedades imunomoduladoras e antivirais, e formulações tópicas inovadoras, como nanoemulsões, que favorecem maior penetração do fármaco e efeito terapêutico local. Essas abordagens buscam não apenas tratar as lesões ativas, mas também fortalecer a resposta imunológica local, reduzindo a dependência dos antivirais sintéticos.

Comparando-se as terapias, observa-se que os antivirais tradicionais são eficazes no controle agudo da infecção, mas limitados na prevenção das recorrências. Já as terapias alternativas, como a laserterapia e os fitoterápicos, têm mostrado resultados promissores tanto na fase aguda quanto na prevenção, apresentando baixa taxa de efeitos adversos e boa aceitação pelos pacientes. Assim, a integração entre tratamentos convencionais e alternativas desponta como uma estratégia moderna e mais completa para o manejo do herpes labial, unindo eficácia clínica, conforto e segurança terapêutica.

O herpes labial é uma infecção viral recorrente causada principalmente pelo vírus herpes simplex tipo 1 (HSV-1), caracterizada por episódios de reativação que resultam em lesões dolorosas na região peribucal e, ocasionalmente, na mucosa intraoral. Após a infecção primária, o vírus permanece em estado de latência nos gânglios nervosos trigeminais, podendo ser reativado por estímulos como febre, exposição solar, estresse, trauma local ou imunossupressão.

Clinicamente, a doença apresenta um curso bem definido. A fase prodrômica é marcada por sintomas como ardência, formigamento e coceira no local afetado, seguidos pelo aparecimento de vesículas agrupadas sobre base eritematosa. Essas vesículas se rompem, formando crostas amareladas que evoluem para a cicatrização espontânea em aproximadamente sete a dez dias. Em casos recorrentes, as lesões tendem a ser mais localizadas e de menor duração do que na infecção primária.

O diagnóstico do herpes labial é predominantemente clínico, baseado nas características morfológicas e na localização das lesões. A observação dos sinais prodrômicos e o reconhecimento do padrão de recorrência auxiliam na diferenciação de outras condições orais ulcerativas, como estomatites aftosas, impetigo e lesões traumáticas. O uso de exames laboratoriais, como a reação em cadeia da polimerase (PCR) ou a cultura viral, é reservado para casos atípicos, persistentes ou em pacientes imunocomprometidos, em que a confirmação etiológica é necessária.

Importância do reconhecimento clínico

O reconhecimento precoce e preciso das manifestações clínicas do herpes labial é essencial para o sucesso terapêutico e para a adoção de medidas preventivas adequadas. O diagnóstico clínico rápido permite a instituição de tratamentos antivirais ou terapias complementares logo nos primeiros sinais da doença, o que reduz a severidade dos sintomas, o tempo de cicatrização e a possibilidade de disseminação viral.

Além disso, a correta identificação clínica evita o uso inadequado de antibióticos e previne erros diagnósticos com outras lesões ulcerativas orais. No contexto odontológico, o reconhecimento imediato das lesões é especialmente importante, pois o vírus pode ser transmitido durante procedimentos clínicos caso medidas de biossegurança não sejam adotadas.

Profissionais de saúde bucal devem estar atentos aos sinais precoces da infecção e compreender as formas recorrentes da doença, uma vez que o manejo clínico adequado e a orientação ao paciente sobre fatores desencadeantes podem reduzir significativamente a frequência e a intensidade dos surtos. Dessa forma, o reconhecimento clínico do herpes labial representa não apenas um passo fundamental para o diagnóstico correto, mas também uma medida preventiva e educativa de grande relevância para o controle da infecção e para a qualidade de vida do paciente.

Os estudos analisados sobre o tratamento do herpes labial, embora relevantes, apresentam limitações metodológicas significativas e evidenciam a necessidade de mais pesquisas clínicas de alta qualidade. Entre os principais problemas observados, destacam-se:

Baixa qualidade metodológica em alguns estudos, com falhas na descrição dos critérios de seleção, análise estatística e controle de variáveis.

Amostras pequenas e períodos curtos de acompanhamento, o que compromete a confiabilidade e a generalização dos resultados.

Escassez de ensaios clínicos randomizados e controlados, especialmente multicêntricos, que são fundamentais para estabelecer evidências sólidas.

Grande variação nos protocolos terapêuticos, principalmente em estudos com laserterapia, dificultando a padronização e replicação dos tratamentos.

Falta de estudos comparativos diretos entre diferentes tipos de tratamento, como antivirais tópicos, laserterapia e terapias alternativas.

Ausência de avaliações de custo-efetividade e de estudos voltados a populações específicas (imunossuprimidos, idosos, etc.).

Diante dessas lacunas, é fundamental que futuras pesquisas invistam em ensaios clínicos robustos, com amostras amplas, controle rigoroso e seguimento a longo prazo, a fim de validar a eficácia e segurança dos tratamentos propostos para o herpes labial.

4    CONCLUSÃO

Esta revisão de literatura concluir que o tratamento do herpes labial permanece um desafio clínico, especialmente diante da natureza recorrente da infecção e das limitações dos antivirais tradicionais em prevenir novos surtos. Esta revisão evidenciou que, embora terapias convencionais como o aciclovir sejam eficazes na fase aguda, apresentam eficácia restrita na prevenção de recorrências, além de riscos associados ao uso contínuo.

Entre as abordagens alternativas, a laserterapia de baixa intensidade-se destaca por seus efeitos terapêuticos consistentes e duradouros, demonstrando capacidade de reduzir a frequência, intensidade e duração dos episódios herpéticos. Além disso, mostra-se segura, com baixa taxa de efeitos adversos relatados e boa aceitação pelos pacientes. Ainda assim, sua aplicabilidade pode ser limitada pelo custo e pela necessidade de equipamentos e treinamento específico.

Por outro lado, fitoterápicos como a Uncaria tomentosa têm se mostrado promissores como coadjuvantes no tratamento dos surtos, mas ainda carecem de evidências robustas quanto ao seu papel preventivo e à eficácia a longo prazo.

Apesar dos avanços, os estudos analisados apresentam limitações metodológicas importantes, como amostras reduzidas, falta de padronização nos protocolos terapêuticos e escassez de ensaios clínicos multicêntricos e controlados. Isso evidencia a necessidade de mais pesquisas clínicas bem desenhadas, com amostragens amplas, seguimento prolongado e comparações diretas entre diferentes abordagens terapêuticas.

Assim, conclui-se que a integração entre tratamentos convencionais e terapias alternativas representa uma estratégia promissora, oferecendo uma abordagem mais abrangente e eficaz para o manejo do herpes labial. No entanto, para consolidar essa prática na rotina clínica, é indispensável fortalecer a base científica por meio de estudos de alta qualidade metodológica que confirmem a eficácia, segurança e custo-efetividade dessas intervenções.

REFERÊNCIAS

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KELMANN, R. G. et al. Pentyl Gallate Nanoemulsions as Potential Topical Treatment of Herpes Labialis. Journal of Pharmaceutical Sciences, v. 105, n. 7, p. 2194 – 2203, jun. 2016.

MAROTTI, J. et al. High-intensity laser and photodynamic therapy as a treatment for recurrent herpes labialis. Photomedicine and Laser Surgery, v. 28, n. 3, p. 439 – 333, jun. 2020.

MOURA, L. K. B. et al. Análise da Perspectiva dos Acadêmicos de Odontologia Acerca do Uso da Laserterapia no Tratamento de Lesões Bucais Associadas ao Herpes Tipo 1. Revista Brasileira Odontologia (Online), v. 76, n. 1, p. 1 – 6, jan. 2019.

NEVILLE, B. W. et al. Oral and Maxillofacial Pathology. [S.l.]: Elsevier, 2016.

OCAMPO, J. V. et al. Clinical guidelines for herpes labialis: recommendations and quality evaluation according to AGREE II. Acta odontológica latinoamericana, v. 37, n. 1, p. 13 – 24, abr. 2024.

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ZANELLA, P. A. Avaliação da Terapia Preventiva com Laser de Baixa Potência na frequência de recorrências do herpes labial. Estudo in vivo, randomizado, cego. 2020. Universidade de São Paulo, Faculdade de Odontologia. Disponível em: https://doi:org/10:11606/D:23:2020:tde-24022021-181602. Acesso em: 06/10/2025.

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