DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO CIRÚRGICO DE CISTO DENTÍGERO ASSOCIADO AO TERCEIRO MOLAR: REVISÃO DE LITERATURA 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511211416


Dante Westphalen Neto
Orientador(a): Prof. Me. Graziano Medeiros


RESUMO 

O cisto dentígero é uma lesão odontogênica de desenvolvimento frequentemente associada a terceiros molares inclusos, podendo provocar reabsorção radicular, deslocamento dentário e infecções. Este estudo teve como objetivo analisar os principais aspectos diagnósticos e terapêuticos do cisto dentígero associado ao terceiro molar. A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, utilizando os descritores “cisto dentígero”, “terceiro molar incluso”, “diagnóstico”, “tratamento cirúrgico”, “dentigerous cyst”, “impacted third molar” e “surgical treatment”. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem especificamente o cisto dentígero relacionado a terceiros molares, contemplando relatos de caso, revisões narrativas, revisões sistemáticas e estudos clínicos. Excluíram-se trabalhos duplicados, sem texto completo disponível ou que não apresentassem relação direta com o diagnóstico ou o tratamento cirúrgico da lesão. Os estudos analisados destacam que a radiografia panorâmica e, principalmente, a tomografia computadorizada de feixe cônico são fundamentais para o diagnóstico, confirmado por exame histopatológico. A enucleação associada à exodontia é o tratamento mais indicado, enquanto abordagens conservadoras, como marsupialização e descompressão, podem ser empregadas em casos selecionados. Conclui-se que a escolha terapêutica adequada, aliada ao acompanhamento pós-operatório, é essencial para o sucesso clínico e estético do paciente. 

Palavras-chave: Cisto dentígero; Terceiro molar incluso; Diagnóstico; Tratamento cirúrgico. 

ABSTRACT 

The dentigerous cyst is a developmental odontogenic lesion frequently associated with impacted third molars and may lead to root resorption, tooth displacement, and infections. This study aimed to analyze the main diagnostic and therapeutic approaches for dentigerous cysts associated with third molars. A literature search was conducted in the PubMed, SciELO, LILACS, and Google Scholar databases using the descriptors “cisto dentígero,” “terceiro molar incluso,” “diagnóstico,” “tratamento cirúrgico,” “dentigerous cyst,” “impacted third molar,” and “surgical treatment.” Articles published between 2015 and 2025, in Portuguese, English, and Spanish, specifically addressing dentigerous cysts related to third molars—including case reports, narrative reviews, systematic reviews, and clinical studies—were included. Duplicated studies, those without full-text availability, and publications not directly related to the diagnosis or surgical treatment of the lesion were excluded. The reviewed literature highlights that panoramic radiography and, especially, cone-beam computed tomography are essential for diagnosis, which must be confirmed histopathologically. Enucleation with tooth extraction is the most recommended treatment, while conservative methods such as marsupialization and decompression may be applied in selected cases. It is concluded that appropriate therapeutic planning and postoperative follow-up are crucial to ensuring favorable functional and aesthetic outcomes. 

Keywords: Dentigerous cyst; Impacted third molar; Diagnosis; Surgical treatment.

1 INTRODUÇÃO 

O cisto dentígero é uma das lesões císticas odontogênicas mais comuns, classificado como um cisto de desenvolvimento associado a dentes não erupcionados. Forma-se a partir da separação do folículo dentário ao redor da coroa de um dente impactado, geralmente relacionado aos terceiros molares inferiores e caninos superiores (Soares et al., 2018). A natureza assintomática da lesão em grande parte dos casos contribui para seu diagnóstico tardio, o que pode levar a complicações clínicas significativas, incluindo expansão das corticais ósseas, deslocamento dentário e, em situações raras, transformação neoplásica (Anjos & Valente, 2024). 

As complicações associadas ao cisto dentígero incluem reabsorção radicular de dentes adjacentes, infecções secundárias e, em casos extremamente raros, transformação maligna. Makkar et al., (2019) aponta que lesões não tratadas podem evoluir para ameloblastoma ou carcinoma mucoepidermoide, reforçando a necessidade de diagnóstico precoce e acompanhamento histopatológico. Ademais, quando há proximidade com estruturas nobres, como o nervo alveolar inferior, lesões volumosas podem ocasionar parestesia devido à compressão neural (Soares et al., 2018). 

O diagnóstico do cisto dentígero é predominantemente baseado em exames de imagem, nos quais a lesão se apresenta como uma radiolucidez unilocular bem delimitada envolvendo a coroa de um dente incluso (França et al., 2022). A radiografia panorâmica é o exame mais utilizado na detecção inicial; contudo, apresenta limitações quanto à avaliação tridimensional. Nesse contexto, a tomografia computadorizada de feixe cônico é recomendada para um estudo mais preciso, possibilitando a diferenciação em relação a outras lesões odontogênicas, como o ceratocisto odontogênico e o ameloblastoma unicístico (Perez, 2022). 

A escolha terapêutica depende do tamanho da lesão, da sua localização e da relação com estruturas anatômicas adjacentes. Os métodos mais utilizados incluem a enucleação associada à exodontia do dente impactado e a marsupialização, que promove a descompressão progressiva do cisto e pode evitar a perda de dentes vizinhos (Silva et al., 2024). Estudos sugerem que a marsupialização pode ser especialmente vantajosa em pacientes jovens, pois favorece a erupção espontânea do dente envolvido, podendo ser realizada como etapa inicial antes da enucleação definitiva (Nahajowski, 2021). 

Nesse sentido, a remoção precoce de terceiros molares impactados pode representar uma estratégia preventiva eficaz, reduzindo o risco de desenvolvimento de cistos dentígeros e suas complicações. Além disso, o acompanhamento radiográfico periódico é fundamental para a detecção precoce dessas alterações, possibilitando intervenções menos invasivas e diminuindo a necessidade de cirurgias extensas (Brito et al., 2021). Portanto, é imprescindível que cirurgiões-dentistas estejam atentos aos sinais clínicos e radiográficos dessa patologia, conduzindo o diagnóstico de forma criteriosa e definindo o tratamento mais adequado de acordo com a idade do paciente, extensão da lesão e relação com estruturas anatômicas adjacentes (Mariano, 2022). 

Diante do exposto, este estudo tem como objetivo geral analisar o diagnóstico e o tratamento cirúrgico do cisto dentígero associado ao terceiro molar. De forma específica, busca-se descrever as características clínicas, radiográficas do cisto dentígero, apresentar a abordagem terapêutica empregada e seus fundamentos clínicos, destacando possíveis complicações e a eficácia do tratamento. 

2 METODOLOGIA 

O presente trabalho trata-se de uma revisão de literatura de caráter descritivo e científico, desenvolvida com o objetivo de analisar o diagnóstico e o tratamento cirúrgico do cisto dentígero associado ao terceiro molar. A pesquisa bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed, SciELO, LILACS e Google Acadêmico, utilizando-se os descritores em português e inglês “cisto dentígero”, “terceiro molar incluso”, “diagnóstico”, “tratamento cirúrgico”, “dentigerous cyst”, “impacted third molar” e “surgical treatment”. Para o refinamento da busca, foram aplicados operadores booleanos (AND e OR), possibilitando maior precisão na seleção dos estudos. 

Foram incluídos artigos publicados entre os anos de 2015 e 2025, disponíveis nos idiomas português, inglês e espanhol, que abordassem especificamente o cisto dentígero em associação a terceiros molares, contemplando relatos de caso, revisões narrativas, revisões sistemáticas e estudos clínicos relacionados ao tema. Foram excluídos da análise os trabalhos duplicados nas bases de dados, aqueles cujo texto completo não estivesse disponível, bem como estudos que não apresentassem relevância direta para o diagnóstico ou tratamento cirúrgico do cisto dentígero. 

A seleção dos artigos ocorreu em três etapas. Inicialmente, realizou-se a leitura dos títulos e resumos para a triagem preliminar. Em seguida, procedeu-se à leitura integral dos textos potencialmente elegíveis, a fim de verificar sua adequação aos critérios de inclusão. Por fim, os estudos selecionados foram analisados criticamente, destacando-se informações referentes às características clínicas, radiográficas e histopatológicas do cisto dentígero, às diferentes modalidades terapêuticas empregadas e aos principais desfechos clínicos relatados. A partir dessa sistematização, buscou-se elaborar uma síntese narrativa e científica capaz de oferecer subsídios à prática clínica odontológica e contribuir para a compreensão abrangente da patologia em questão.

3 REVISÃO DE LITERATURA 
3.1 CISTOS DENTÍGEROS 

O cisto dentígero é uma lesão odontogênica benigna, classificada como um cisto de desenvolvimento, que se forma em torno da coroa de um dente incluso. Geralmente, ocorre devido à separação do folículo dentário durante o processo de erupção dental (Canhoque et al., 2015). 

Essa condição está frequentemente associada ao terceiro molar inferior e pode levar a complicações, como reabsorção radicular e deslocamento dos dentes adjacentes (Staderini et al., 2019).O cisto dentígero é o segundo cisto odontogênico mais comum, correspondendo a aproximadamente 20% de todos os cistos da região maxilomandibular (Canhoque et al., 2015). 

Estudos indicam que sua maior prevalência ocorre entre a segunda e a terceira década de vida, sendo mais comum no sexo masculino (Abramovitz et al., 2021). Em um levantamento epidemiológico realizado entre 2010 e 2013, foi identificado que 37,97% dos casos de dentes inclusos estavam associados ao cisto dentígero, sendo a mandíbula a região mais afetada (Canhoque et al., 2015). 

A incidência do cisto dentígero varia de acordo com a população estudada, mas estima-se que represente aproximadamente 24% dos cistos odontogênicos diagnosticados. Essa condição é mais prevalente em pacientes jovens, entre a segunda e terceira década de vida, sendo frequentemente diagnosticada em indivíduos do sexo masculino. A maioria dos casos envolve terceiros molares inferiores, seguidos pelos caninos superiores e pré-molares inferiores. Estudos epidemiológicos indicam que a taxa de recorrência é baixa quando a abordagem cirúrgica adequada é realizada, com taxas de sucesso elevadas após a remoção completa da lesão (Abramovitz et al., 2021). 

Clinicamente, o cisto dentígero pode expandir-se a ponto de causar deformidades faciais perceptíveis, além de comprometer a integridade estrutural da mandíbula e maxila. A infecção secundária da lesão pode levar à formação de abscessos e quadros de celulite facial, exigindo intervenção cirúrgica de emergência. Em casos extremos, a expansão do cisto pode resultar na reabsorção radicular dos dentes adjacentes, tornando a extração a única alternativa viável para preservar a saúde bucal do paciente (Abramovitz et al., 2021). 

O crescimento progressivo da lesão pode afetar significativamente a função mastigatória e a oclusão dentária, especialmente quando ocorre em pacientes jovens. Em exames clínicos, a palpação pode revelar áreas de flutuação devido à presença de líquido no interior do cisto. Além disso, em situações mais avançadas, o paciente pode relatar sensação de pressão ou desconforto na região afetada, o que pode comprometer a qualidade de vida e a alimentação (Staderini et al., 2019). 

O cisto dentígero é geralmente assintomático e seu crescimento ocorre de maneira lenta e progressiva. Em muitos casos, sua presença é identificada apenas por exames radiográficos de rotina, apresentando-se como uma imagem radiolúcida unilocular bem delimitada em torno da coroa do dente incluso (Staderini et al., 2019). No entanto, quando alcança dimensões significativas, pode provocar sintomas como dor, edema, deslocamento dentário e, em casos raros, parestesia devido à compressão do nervo alveolar inferior (Canhoque et al., 2015). 

3.2 DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO 

O cisto dentígero é uma lesão odontogênica de desenvolvimento que surge da separação do folículo dentário ao redor da coroa de um dente não irrompido, sendo frequentemente associado a terceiros molares inferiores impactados (Buaoud; Musrati). Representa aproximadamente 20% de todos os cistos odontogênicos e pode ser diagnosticado de forma incidental em exames radiográficos rotineiros (Neville et al., 2016). A Organização Mundial da Saúde classifica-o como o segundo cisto odontogênico mais prevalente, sendo predominante em indivíduos do sexo masculino entre a segunda e terceira década de vida (Lotfi et al., 2019). 

No aspecto clínico-radiográfico, o cisto dentígero costuma apresentar-se como uma imagem radiolúcida unilocular bem definida (Figura 1), geralmente localizada na região posterior da mandíbula, com maior frequência de envolvimento do elemento 38 (Terauchi et al., 2019). A tomografia computadorizada de feixe cônico tem sido considerada o exame mais preciso para avaliação da relação da lesão com estruturas adjacentes (Yalçin et al., 2022). A depender da sua evolução, pode provocar deslocamento dentário, reabsorção radicular e até mesmo quadros dolorosos e infecções, o que justifica a importância de uma abordagem terapêutica adequada (Aoki et al., 2022). 

Figura 1 – Áreas radiolúcida unilocular sugestiva de um cisto dentígero associadas a terceiros molares 

Fonte: https://www.odontoup.com.br/cistos-odontogenicos/ 

O tratamento cirúrgico do cisto dentígero é individualizado e depende da idade do paciente, tamanho e localizaçãoda lesão, proximidade de estruturas anatômicas nobres e viabilidade do dente envolvido (Rajae; Karima, 2021). As técnicas clássicas incluem enucleação, marsupialização e descompressão. A enucleação é amplamente adotada quando não há possibilidade de preservação do dente e o cisto é de menor extensão, permitindo a exérese completa da cápsula cística e a realização de análise histopatológica (Diniz et al., 2021). 

A marsupialização, por outro lado, é uma abordagem conservadora indicada principalmente para lesões extensas, especialmente em pacientes jovens, por permitir a redução do cisto e preservação das estruturas adjacentes (Martinelli-Kläy et al., 2019). No entanto, como essa técnica deixa parte do tecido patológico in situ, pode estar associada a risco de transformação para lesões mais agressivas, como ameloblastomas ou carcinomas (Makkar; Kamboj; Narwal, 2019). A descompressão é uma alternativa similar à marsupialização, com o uso de dispositivos que facilitam a drenagem e redução da pressão intracística (Silva et al., 2024). 

O protocolo cirúrgico com enucleação envolve anestesia local, incisão, descolamento de retalho mucoperiosteal, osteotomia, remoção do dente incluso, exérese da cápsula cística e irrigação abundante da cavidade (Chouchene et al., 2021). Estudos demonstram que essa técnica apresenta baixos índices de recidiva, especialmente quando seguida de acompanhamento clínico e radiográfico adequado (Philip et al., 2022). Além disso, em pacientes jovens, é comum observar regeneração óssea espontânea após o procedimento, o que dispensa, na maioria dos casos, a necessidade de enxertos ósseos (Bassetti et al., 2019). 

Por fim, a escolha entre as abordagens conservadora ou radical deve considerar as peculiaridades clínicas e anatômicas de cada caso. Quando o dente envolvido não possui função estética ou mastigatória significativa, como é o caso dos terceiros molares, a extração associada à enucleação do cisto é a conduta preferencial (Henien et al., 2017; Mariano et al., 2022). O sucesso do tratamento está diretamente relacionado à precisão no diagnóstico, técnica operatória adequada e ao seguimento pós-operatório regular, que garante a completa recuperação funcional e estética do paciente (Ying et al., 2018; Araújo et al., 2024). 

4 DISCUSSÃO 

A importância do estudo dos cistos dentígeros se deve à sua elevada prevalência e ao potencial de causar complicações locais quando não diagnosticados precocemente. Embora sejam lesões benignas, podem atingir grandes proporções, acarretando reabsorção radicular, deslocamento dentário e até fraturas mandibulares, o que reforça a necessidade de investigação radiográfica de rotina e conduta clínica adequada (Canhoque et al., 2015; Neville et al., 2016). 

A associação entre o cisto dentígero e terceiros molares inclusos é amplamente documentada, visto que cerca de 65% dos casos ocorrem nessa região (Custódio et al., 2021). Essa relação se confirma nos relatos de casos encontrados, em que a lesão estava associada ao dente 48, reforçando a necessidade de avaliação criteriosa de elementos retidos, especialmente quando há atraso eruptivo ou achados radiográficos sugestivos (Soares et al., 2018; Cruz et al., 2024). 

O diagnóstico precoce se destaca como um fator determinante para evitar complicações, uma vez que a maioria dos cistos dentígeros é assintomática e identificada em exames de imagem de rotina (Staderini et al., 2019). Isso foi observado tanto no caso relatado por Santos et al. (2022), em que a descoberta ocorreu em radiografia panorâmica, quanto no de Soares et al. (2018), em que a paciente foi encaminhada após achado incidental em radiografia odontológica. 

Ao comparar os casos apresentados na literatura, nota-se predominância em pacientes jovens, geralmente entre a segunda e terceira décadas de vida, e com maior frequência no sexo masculino (Abramovitz et al., 2021; Neville et al., 2016). Contudo, Cruz et al. (2024) relataram um caso em paciente idoso, de 62 anos, o que ressalta a possibilidade de ocorrência em diferentes faixas etárias. Já em Soares et al. (2018), o caso envolveu uma paciente do sexo feminino de 44 anos, demonstrando variações epidemiológicas que devem ser consideradas. 

Os aspectos clínicos e radiográficos apontados na literatura são: lesões uniloculares, radiolúcidas, bem delimitadas e associadas à coroa de dentes inclusos (Santos et al., 2022; Soares et al., 2018). No entanto, diferenças quanto à extensão da lesão e proximidade com estruturas nobres, como o nervo alveolar inferior, influenciaram diretamente a conduta terapêutica em cada caso (Caliento; Mannarino; Hochuli-Vieira, 2013). 

O diagnóstico diferencial é etapa fundamental, visto que o cisto dentígero compartilha características clínicas e radiográficas com outras lesões odontogênicas, como o queratocisto odontogênico e o ameloblastoma unicístico (Neville et al., 2016). Nesses casos, o exame histopatológico é indispensável para confirmar o diagnóstico, como evidenciado nos relatos de Soares et al. (2018) e Santos et al. (2022), nos quais a punção aspirativa e a análise microscópica confirmaram a natureza cística da lesão. 

Em relação ao tratamento, a enucleação associada à exodontia do dente incluso foi a técnica mais frequentemente utilizada e considerada padrão pela maioria dos autores (Soares et al., 2018; Santos et al., 2022; Cruz et al., 2024). Contudo, alternativas como marsupialização e descompressão são indicadas em casos de lesões extensas ou quando se busca preservar estruturas adjacentes, como discutido por Caliento; Mannarino; Hochuli-Vieira (2013). 

Na literatura levantada a escolha terapêutica variou de acordo com o tamanho da lesão e condições clínicas do paciente. Santos et al. (2022) optaram por enucleação associada à instalação de miniplaca e enxerto xenógeno devido ao risco de fratura patológica. Já Cruz et al. (2024) associaram a enucleação à instalação de placa de reconstrução prototipada, ressaltando a importância da individualização do tratamento. 

O prognóstico dos cistos dentígeros é geralmente favorável, com baixa taxa de recidiva quando tratados adequadamente (Caliento; Mannarino; Hochuli-Vieira, 2013). Nos casos analisados, o acompanhamento pós-operatório evidenciou cicatrização adequada e ausência de complicações ou recidivas no período observado (Soares et al., 2018; Cruz et al., 2024). Ainda assim, a literatura reforça a necessidade de seguimento clínico-radiográfico periódico para prevenir complicações tardias (Neville et al., 2016). 

Por fim, a análise crítica dos relatos de caso e da literatura evidencia que o cisto dentígero, embora benigno, exige atenção clínica e diagnóstico diferencial criterioso. O manejo adequado, aliado ao acompanhamento pós-operatório, garante prognóstico favorável e preservação das funções estéticas e mastigatórias, sendo essencial que o cirurgião-dentista esteja apto a reconhecer e intervir precocemente diante dessa condição. 

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O cisto dentígero é uma das lesões odontogênicas mais prevalentes, especialmente associado a terceiros molares inclusos, podendo causar reabsorção radicular, deslocamento dentário, infecções e, raramente, transformação neoplásica. O diagnóstico baseia-se principalmente na radiografia panorâmica e na tomografia computadorizada de feixe cônico, sendo imprescindível a confirmação histopatológica. A enucleação com exodontia do dente incluso é a abordagem terapêutica mais indicada, por apresentar baixo índice de recidiva e bom prognóstico. Métodos conservadores, como marsupialização e descompressão, podem ser utilizados em casos selecionados, especialmente em pacientes jovens ou em lesões extensas. Conclui-se que o diagnóstico precoce e a escolha terapêutica adequada são fundamentais para o sucesso clínico e para a preservação funcional e estética do paciente. 

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