DESENVOLVIMENTO FARMACOTÉCNICO DE PIRULITO A BASE DE DIPIRONA DE 250mg PARA USO EM PEDIATRIA

PHARMACEUTICAL DEVELOPMENT OF A 250 MG DIPYRONE-BASED LOLLIPOP FOR PEDIATRIC USE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511302017


Eva Pereira Brito1
Maria Gomes de Freitas1
Romer Antônio Carneiro de Oliveira Junior2
Sinara de Fátima Freire dos Santos3


Resumo

A administração de medicamentos em pacientes pediátricos representa um desafio significativo, principalmente devido à resistência causada por sabores desagradáveis e à dificuldade de deglutição de formas farmacêuticas convencionais. A dipirona, fármaco amplamente utilizado por suas propriedades analgésicas e antipiréticas, apresenta limitações quanto à aceitação pelas crianças, especialmente nas formas sólidas ou soluções orais de sabor amargo. Diante desse cenário, torna-se essencial o desenvolvimento de formas farmacêuticas inovadoras que proporcionem melhor adesão ao tratamento e conforto ao paciente. O presente estudo tem como objetivo desenvolver uma formulação de pirulito medicamentoso à base de dipirona 250mg, buscando otimizar a palatabilidade, a estabilidade e a liberação adequada da dose terapêutica. A proposta envolve uma abordagem farmacotécnica criteriosa, considerando aspectos relacionados à segurança, eficácia e aceitação do produto. Espera-se que o desenvolvimento dessa forma farmacêutica proporcione uma alternativa terapêutica mais atrativa e eficaz no alívio da dor e da febre em crianças, contribuindo para a melhoria da adesão ao tratamento e para o avanço das formulações pediátricas no contexto farmacêutico.

Palavras-chave: Dipirona. Pirulito medicamentoso. Pediatria. Adesão ao tratamento. Desenvolvimento farmacotécnico.

1 INTRODUÇÃO

A administração de medicamentos em crianças enfrentam desafios únicos, resultantes de particularidades fisiológicas, comportamentais e psicológicas dessa faixa etária. O gosto desagradável de medicamentos, a dificuldade de deglutição de formas farmacêuticas tradicionais (como comprimidos) e até mesmo a rejeição a xaropes por textura ou sabor compromete a adesão ao tratamento. Nesse sentido, torna-se imprescindível buscar formas farmacêuticas alternativas que aliam eficácia terapêutica à aceitação sensorial no público pediátrico.

A dipirona é amplamente empregada como agente analgésico e antipirético em crianças, apresentando eficácia reconhecida para controle de dor e febre. Estudos relacionam seu uso seguro e eficaz, embora ressaltem limitações práticas quanto à administração em crianças mais novas, especialmente devido a sabor amargo ou tolerância reduzida à forma líquida ou sólida (Wong, 2001). Ademais, a literatura aponta que doses e formas de administração devem considerar variáveis de idade, peso corporal e aceitação para garantir eficácia e segurança (Ziesenitz, 2019).

Contudo, mesmo com a eficácia comprovada da dipirona, há lacunas quanto à apresentação de formas farmacêuticas que facilitem sua administração em crianças sem comprometer a estabilidade, a liberação do fármaco e a segurança terapêutica. Entre essas lacunas, destaca-se a escassez de formas lúdicas, fixas em dose e que permitam administração controlada e mais amigável para pacientes pediátricos. A rejeição ou dificuldade de adesão ocasiona riscos terapêuticos, como subdosagem ou abandono do tratamento, que podem agravar o quadro clínico ou prolongar sintomas indesejados.

 Uma Proposta promissora para enfrentar esse problema é o desenvolvimento de um  pirulito com ação medicamentosa  contendo dipirona uma forma farmacêutica que combina apelo sensorial (sabor, formato lúdico), dose fixa e liberação controlada. Esse tipo de formulação farmacotécnica exige análises criteriosas de pré-formulação, estabilidade físico-química, organoléptica, liberação do princípio ativo, e compatibilidade de excipientes, de modo a assegurar segurança e eficácia do produto final.

Diante desse cenário, o presente estudo propõe investigar a viabilidade técnica e farmacêutica de um pirulito contendo dipirona 250mg voltado ao uso pediátrico, com o propósito de promover maior aceitação pelo paciente e, consequentemente, melhorar a adesão terapêutica. Por meio de avaliações de estabilidade, testes sensoriais e de liberação do fármaco, pretende-se desenvolver uma formulação que una desempenho farmacêutico e conforto ao usuário.

Objetivo geral: Desenvolver uma formulação farmacotécnica inovadora de pirulito medicamentoso à base de dipirona 250mg, adaptada ao público pediátrico, visando melhorar a aceitação e adesão ao tratamento.

Objetivos específicos:

  • Realizar pré-formulação para seleção de excipientes compatíveis com dipirona que garantam estabilidade e boa palatabilidade.
  • Estabelecer parâmetros de processo que assegurem uniforme distribuição da dose, liberação adequada do fármaco e integridade do produto final.
  • Conduzir estudos de estabilidade (acelerada e prolongada) para estimar a vida útil da formulação.
  • Realizar testes sensoriais para avaliar aceitabilidade (sabor, textura, aparência).
  • Avaliar parâmetros físico-químicos e organolépticos da formulação desenvolvida.
  • A expectativa é que este trabalho represente um avanço no campo da farmacotécnica pediátrica, oferecendo uma forma de administração de dipirona mais amigável à criança — com reflexos positivos na adesão, segurança de dose e eficácia clínica.

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA

2.1 A Dipirona: Propriedades e Uso na Pediatria

A dipirona, também denominada metamizol sódico, é um fármaco pertencente ao grupo dos anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs), dotado de propriedades analgésicas, antipiréticas e espasmolíticas. Desenvolvida pela empresa Hoechst AG, atual Sanofi-Aventis, em 1920, a substância consolidou-se como um dos medicamentos mais empregados no controle da dor e da febre em diversos países (NIKOLOVA, 2018).

Seu mecanismo de ação baseia-se na inibição da enzima ciclooxigenase, reduzindo a síntese de prostaglandinas, associada à modulação central dos estímulos nociceptivos, o que justifica sua ampla eficácia terapêutica (PATEL, 2020). No Brasil, a dipirona é considerada um medicamento essencial e amplamente acessível por meio do programa Farmácia Popular, sendo indicada inclusive no manejo sintomático de doenças virais, como a dengue (KNAPPMANN, 2010).

Apesar de sua ampla utilização e segurança clínica comprovada, o fármaco apresenta restrições em alguns países, decorrentes de relatos de agranulocitose reação adversa rara, porém potencialmente grave (PESTANA, 2007). Do ponto de vista físico-químico, a dipirona se apresenta como um sólido cristalino, altamente solúvel em água, porém sensível à luz e à umidade, exigindo cuidados específicos durante o processo de formulação e armazenamento (ALLEN, 2013).

2.2 Desafios na Administração de Medicamentos em Pediatria

A farmacoterapia pediátrica apresenta particularidades que demandam atenção específica. A população infantil é heterogênea, abrangendo desde recém-nascidos até adolescentes, com significativas diferenças anatômicas, fisiológicas e metabólicas que interferem na farmacocinética e farmacodinâmica dos medicamentos (PADILLA, 2016).

A via oral é a mais utilizada nessa faixa etária, mas apresenta diversos desafios. Crianças geralmente rejeitam medicamentos com sabor amargo, têm dificuldade para engolir comprimidos ou cápsulas e demonstram resistência ao uso de soluções orais de sabor desagradável (ROSE, 2014). Tais fatores afetam diretamente a adesão ao tratamento e, consequentemente, a eficácia terapêutica.

Diante desse contexto, surge a necessidade do desenvolvimento de formas farmacêuticas adaptadas às preferências infantis. Estratégias como o uso de formulações que remetem a alimentos incluindo chocolates, gomas, gelatinas e pirulitos têm mostrado resultados promissores por aliar eficácia e aceitabilidade (MOREIRA, 2020). No entanto, desafios éticos e legais limitam a realização de estudos clínicos com crianças, dificultando o avanço tecnológico e a validação de formulações pediátricas (IVANOVSKA, 2014).

A escolha da forma farmacêutica ideal deve considerar a idade e a condição clínica do paciente. Em geral, soluções e suspensões são preferidas devido à facilidade de administração e ajuste da dose (TROFIMIUK, 2019). Já as formas sólidas, como comprimidos, oferecem menor aceitação, podendo gerar desconforto e risco de engasgo (ALI, 2014; PADILLA, 2016).

2.3 Formas Farmacêuticas Alternativas: Pirulitos Medicamentosos

Entre as inovações mais promissoras no campo da farmacotécnica pediátrica destacam-se os pirulitos medicamentosos, que aliam funcionalidade terapêutica e apelo lúdico. Essa forma farmacêutica sólida moldada é especialmente vantajosa para fármacos com sabor desagradável, pois permite mascarar o gosto e facilitar a aceitação pela criança (MOREIRA, 2020).

Os pirulitos medicinais possibilitam uma liberação gradual do princípio ativo na cavidade oral, o que favorece uma absorção mais rápida e um início de ação potencialmente mais eficaz em comparação com comprimidos convencionais (RAZAVI, 2018). Além disso, o aspecto visual e o sabor agradável tornam o tratamento menos estressante, reduzindo a resistência à administração do medicamento.

O desenvolvimento dessa forma farmacêutica requer uma seleção criteriosa de excipientes que garantam estabilidade, palatabilidade e uniformidade de dose. A escolha de adoçantes, flavorizantes e corantes deve priorizar substâncias seguras e aprovadas para uso infantil, assegurando tanto a eficácia quanto a aceitabilidade do produto final.

2.4 Aspectos Farmacotécnicos do Desenvolvimento

O processo de formulação de pirulitos medicinais demanda controle rigoroso dos parâmetros tecnológicos, especialmente temperatura de fusão, homogeneidade da massa e compatibilidade do fármaco com os excipientes. Como a dipirona apresenta sensibilidade à umidade e à luz, é essencial adotar estratégias que assegurem sua estabilidade físico-química durante o armazenamento e o prazo de validade (ALLEN, 2013).

Estudos de pré-formulação, estabilidade acelerada e de liberação do princípio ativo são indispensáveis para garantir a segurança e a eficácia do produto. Além disso, testes sensoriais são fundamentais para avaliar parâmetros como sabor, aroma e textura, que influenciam diretamente na aceitação do medicamento pelo público-alvo (KAYE, 2011).

Outras formas farmacêuticas alternativas, como gelatinas medicamentosas, também têm sido exploradas como opções eficazes para pacientes pediátricos, por apresentarem boa estabilidade, controle de liberação e facilidade de administração. Essas formulações, reconhecidas oficialmente pela 16ª edição da Farmacopeia Japonesa, são definidas como preparações gelatinosas não fluidas com formas e tamanhos característicos (KAKINO, 2017; ALMURISI, 2020).

O avanço na pesquisa e no desenvolvimento de formas farmacêuticas inovadoras, como pirulitos e gelatinas medicinais, representa uma evolução significativa no cuidado farmacêutico pediátrico, promovendo maior adesão, segurança e conforto no tratamento.

3 METODOLOGIA

3.2 Materiais e Equipamentos

Matérias-primas:

Dipirona sódica 250 mg (princípio ativo);

Base pronta Lik Pop® (excipiente principal), composta por polyethylene glycol 1500, polyethylene glycol 4000, lecitina de soja, sílica, ácido cítrico e gluconato de sódio;

Acessulfame de potássio (edulcorante não calórico);

Aromatizante e corante sabor laranja;

Chemyunion GA® (agente corretor de sabor), utilizado para mascarar o gosto amargo da dipirona e melhorar a palatabilidade;

Palitos plásticos para suporte do pirulito.

Equipamentos e utensílios:

Balança analítica calibrada, 3.1 Tipo de Pesquisa

O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, de natureza experimental e abordagem quantitativa, desenvolvida em ambiente laboratorial. O objetivo principal foi formular e avaliar o desempenho farmacotécnico de um pirulito com ação medicamentosa contendo dipirona sódica 250 mg, visando melhorar a adesão terapêutica em pacientes pediátricos. A pesquisa aplicada visa propor soluções práticas para desafios da farmacotécnica pediátrica, enquanto o caráter experimental se dá pela manipulação controlada de variáveis como temperatura, homogeneidade, estabilidade e aceitabilidade sensorial.

Chapa aquecedora, termômetro digital, espátulas metálica e de silicone, becker de vidro, haste flexível, moldes de silicone e embalagens plásticas individuais.

Todos os materiais e equipamentos foram utilizados conforme as Boas Práticas de Manipulação (BPM), seguindo as diretrizes da Farmacopeia Brasileira (6ª edição).

3.3 Formulação e Procedimento Experimental

O desenvolvimento farmacotécnico do pirulito medicamentoso foi conduzido conforme as etapas abaixo:

Pesagem dos componentes:   

As matérias-primas foram pesadas conforme a formulação proposta, utilizando balança analítica devidamente calibrada.

Fusão da base:

A base Lik Pop® foi aquecida até aproximadamente 45 °C, sob agitação contínua, até a fusão completa, evitando degradação térmica.

Incorporação dos adjuvantes:

Após a fusão, foram adicionados o acessulfame de potássio, o aromatizante e corante sabor laranja, e o Chemyunion GA®, promovendo homogeneização completa da mistura.

O Chemyunion GA® atua como modulador sensorial, reduzindo o amargor e conferindo suavidade ao sabor final, aspecto essencial para o uso pediátrico.

Adição do fármaco:

A dipirona sódica (250 mg) foi incorporada lentamente à massa líquida, garantindo dispersão homogênea do princípio ativo e manutenção da estabilidade térmica.

Moldagem:

A massa fundida foi vertida em moldes de silicone lubrificados, com inserção prévia dos palitos plásticos.

Resfriamento e desmoldagem:

Os moldes foram mantidos em temperatura ambiente por 30 minutos, até a total solidificação. Em seguida, os pirulitos foram desmoldados e acondicionados em embalagens plásticas individuais seladas, protegidas da umidade e da luz.

3.4 Parâmetros de Avaliação

Após a fabricação, os pirulitos foram submetidos às seguintes análises:

Avaliação físico-química: cor, brilho, homogeneidade, peso médio, uniformidade de massa e pH superficial;

Resistência mecânica: verificação empírica da dureza e integridade;

Aceitabilidade sensorial: observação indireta quanto ao sabor e aroma, considerando o impacto do uso do Chemyunion GA® como corretor de sabor.

Esses parâmetros permitiram avaliar a estabilidade, aparência e aceitabilidade do produto final.

3.5 Análise e Tratamento dos Dados

Os resultados obtidos foram registrados e analisados em planilhas eletrônicas, com tratamento estatístico descritivo (média e desvio-padrão), permitindo avaliar a reprodutibilidade e uniformidade dos lotes formulados.

A interpretação dos resultados foi conduzida à luz dos critérios estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira (6ª edição) e pela RDC nº 67/2007 da ANVISA.

RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS

Os resultados obtidos referem-se às análises físico-químicas, organolépticas e de uniformidade da formulação de pirulito contendo dipirona sódica 250 mg. A discussão foi construída com base nos achados do presente estudo e sua relação com a literatura científica.

pH da formulação

O pirulito apresentou pH de 6,2, valor compatível com a faixa considerada segura para mucosa oral (5,5–7,0). Essa característica favorece o uso pediátrico, reduz o potencial irritativo e contribui para a estabilidade do princípio ativo. Estudos prévios demonstram que a dipirona apresenta maior estabilidade química em pH neutro, enquanto ambientes muito ácidos ou alcalinos aceleram sua degradação (ROCHA et al., 2011; FERREIRA et al., 2014). Assim, o pH encontrado indica adequada harmonização entre o fármaco e a base anidra Lik Pop®, favorecendo a durabilidade da formulação.

Características organolépticas

A avaliação organoléptica revelou cor alaranjada uniforme, odor característico suave e sabor cítrico adocicado, com mascaramento eficaz do amargor da dipirona. Essa boa aceitação sensorial é atribuída tanto ao aromatizante de laranja quanto ao edulcorante acessulfame de potássio, amplamente utilizados para contornar sabores amargos em medicamentos pediátricos. A literatura demonstra que a palatabilidade é um dos principais fatores que determinam a adesão ao tratamento em crianças (LOPES, 2017; MOREIRA, 2020). Portanto, os resultados sugerem que a formulação apresenta aceitabilidade potencialmente superior às formas tradicionais de dipirona líquida ou sólida.

Uniformidade de peso

O teste de peso médio, realizado em dez unidades, demonstrou média de 5,0 g, com variação máxima de 4,8%, atendendo aos limites estabelecidos pela Farmacopeia Brasileira (6ª edição). A conformidade deste parâmetro indica adequada homogeneização da massa medicamentosa e precisão no processo de moldagem, aspectos essenciais em formas sólidas unitárias. A literatura destaca que bases anidras com ponto de fusão controlado, como a Lik Pop®, favorecem a uniformidade e reduzem a migração ou sedimentação do fármaco durante o resfriamento (ALLEN, 2013).

Estabilidade física inicial

Não foram observadas alterações na cor, odor, dureza ou brilho da formulação durante o período de avaliação inicial, indicando estabilidade física adequada. A ausência de escurecimento ou recristalização sugere que o processamento térmico foi realizado dentro da faixa ideal (≈45 °C), evitando reações de degradação térmica tanto da base quanto do fármaco. Estudos de estabilidade demonstram que a dipirona mantém melhor estabilidade em matrizes sólidas e anidras, quando comparada às soluções aquosas (MIRCO; ROCHA, 2015). Assim, os resultados ressaltam a compatibilidade entre a dipirona e a base Lik Pop®, reforçando sua adequação para formulações moldadas.

Discussão integrada dos achados

De modo geral, a formulação desenvolvida demonstrou viabilidade farmacotécnica, apresentando conformidade nos parâmetros avaliados e características favoráveis ao uso pediátrico. A boa aceitabilidade sensorial, a estabilidade inicial e a uniformidade de massa convergem para um produto potencialmente seguro, estável e bem aceito por crianças — aspectos fundamentais para melhorar a adesão terapêutica.

Os resultados também se alinham à tendência crescente de utilização de formas farmacêuticas lúdicas, como pirulitos medicinais, cuja eficácia em aumentar a aceitação infantil já foi descrita em estudos internacionais (RAZAVI, 2018; MOREIRA, 2020). Além disso, a liberação gradual proporcionada pela matriz sólida favorece ação terapêutica mais confortável para o paciente, contribuindo para uma experiência de tratamento mais positiva.

Portanto, os achados deste estudo reforçam que o pirulito com ação medicamentosa contendo dipirona 250mg constitui uma alternativa tecnológica promissora para o manejo de dor e febre em pediatria, podendo representar avanço relevante na busca por formas farmacêuticas mais seguras, eficazes e aceitáveis para o público infantil.

4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desenvolvimento do pirulito medicamentoso contendo 250 mg de dipirona demonstra que essa forma farmacêutica apresenta viabilidade técnica para aplicação pediátrica. A formulação elaborada permite a incorporação adequada do fármaco, mantém integridade físico-química e apresenta características sensoriais compatíveis com as necessidades de aceitação infantil. Esses achados respondem positivamente ao problema inicial da pesquisa, indicando que o pirulito medicamentoso constitui uma alternativa capaz de melhorar a adesão ao tratamento e tornar a administração da dipirona mais confortável para crianças.

Os objetivos estabelecidos no estudo são atingidos, uma vez que a formulação apresenta estabilidade inicial, palatabilidade satisfatória e parâmetros de qualidade compatíveis com as exigências para formas farmacêuticas pediátricas. A pesquisa confirma que a base Lik Pop® contribui para a estabilidade do produto, favorece a moldagem e auxilia no mascaramento do sabor característico da dipirona. O trabalho amplia o entendimento sobre a aplicação de formas farmacêuticas lúdicas no contexto pediátrico, evidenciando sua relevância como estratégia para melhorar a aceitação e a adesão terapêutica.

Como limitação, o estudo não inclui análises aprofundadas de dissolução, avaliações microbiológicas e estudos de estabilidade prolongada, etapas necessárias para validar a formulação em condições reais de uso. Para pesquisas futuras, recomenda-se ampliar os testes físico-químicos, desenvolver estudos comparativos com outras formas farmacêuticas pediátricas e avaliar a aceitação sensorial em amostras maiores.

O trabalho contribui para a inovação em farmacotécnica pediátrica e reforça a importância de desenvolver formulações que considerem a experiência do paciente infantil, promovendo segurança, eficácia e maior adesão ao tratamento.

REFERÊNCIAS

Acesso em: 10 de janeiro de 2013. ALLEN, Loyd V. The Art, Science, and Technology of Pharmaceutical Compounding. 3. ed. Washington: American Pharmaceutical Association, 2013.

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1 Discente do Curso Superior de Farmácia do Instituto Centro Universitário UNITOP Campus Palmas – To e-mail: evinha0709@gmail.com; mariagomesdefreitas1@gmail.com .
2 Bacharel em Farmácia Especialista em Biotecnologia, docente do Centro Universitário UNITOP Campus Palmas – TO, romer.junior.1998@gmail.com.
3 Doutora em Ciências pelo Instituto de Química de São Carlos IQSC/USP, profasinarafreire@gmail.com.