CHALLENGES IN EDUCATION POST-PANDEMIC: NA ANALYSIS OF READING AND WRITING DIFFICULTIES IN STUDENTS OF ADULT AND YOUTH EDUCATION (EJA)
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202503211840
Valéria Viana Peixoto1
RESUMO
Este artigo científico aborda a impactante transição para o ensino remoto durante a pandemia de
COVID-19 e os desafios resultantes na educação, com foco especial na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Exploramos a dificuldade crescente enfrentada pelos alunos da EJA em relação à leitura e escrita, analisando fatores como a falta de recursos tecnológicos, a desmotivação e as consequências psicossociais decorrentes do distanciamento social. Propomos estratégias pedagógicas e políticas educacionais para mitigar essas dificuldades e promover a inclusão digital e literária pós-pandemia. A revisão bibliográfica sobre as dificuldades de leitura e escrita dos estudantes da educação de jovens e adultos fundamentam-se em perspectivas teóricas sólidas, com base em autores notáveis como Moura (2008), Rodrigues (2009), Silva (2020), Nascimento, Mansur e Gomes (2020). Ademais, enfatizamos a necessidade de colaboração entre instituições, professores e comunidades para superar os obstáculos e proporcionar uma educação mais inclusiva e significativa para os alunos da EJA.
Palavras-chave: Educação de Jovens e Adultos. Leitura e Escrita. Estratégias Pedagógicas.
ABSTRACT
This scientific article addresses the impactful transition to remote learning during the COVID-19 pandemic and the resulting challenges in education, with a special focus on Adult and Youth Education (EJA). We explore the growing difficulty faced by EJA students in terms of reading and writing, analyzing factors such as the lack of technological resources, demotivation, and psychosocial consequences arising from social distancing. We propose pedagogical strategies and educational policies to mitigate these difficulties and promote post-pandemic digital and literary inclusion. The literature review on the reading and writing difficulties of young and adult education students is grounded in solid theoretical perspectives, based on notable authors such as Moura (2008), Rodrigues (2009), Silva (2020), Nascimento, Mansur, and Gomes (2020). Furthermore, we emphasize the need for collaboration among institutions, teachers, and communities to overcome obstacles and provide a more inclusive and meaningful education for EJA students.
Keywords: Adult and Youth Education. Reading and Writing. Pedagogical Strategies.
INTRODUÇÃO
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha um papel crucial na promoção da inclusão educacional e na redução das disparidades sociais. Voltada para aqueles que não concluíram a educação básica na idade apropriada, a EJA atende a um público diversificado, composto por indivíduos que, por diversos motivos, interromperam ou não tiveram acesso à educação formal em seu momento tradicional.
Essa modalidade educacional reconhece a singularidade de cada aluno, considerando suas experiências de vida, maturidade e motivações individuais. A EJA busca superar barreiras históricas, proporcionando uma segunda chance para a formação acadêmica e o desenvolvimento pessoal, contribuindo assim para a construção de sociedades mais igualitárias e capacitadas. Além disso, a EJA não apenas se concentra na transmissão de conhecimentos acadêmicos, mas também visa o desenvolvimento de habilidades práticas e o fortalecimento da autonomia dos alunos, preparando-os para uma participação mais efetiva na sociedade e no mercado de trabalho.
O desafio contínuo da EJA é adaptar-se às transformações sociais e tecnológicas, garantindo que seus métodos e abordagens estejam alinhados com as necessidades evolutivas de seus alunos, promovendo, assim, uma educação inclusiva, flexível e significativa. A pandemia de COVID-19 representou um ponto de inflexão inegável no cenário educacional global, precipitando uma transição abrupta para o ensino remoto e introduzindo desafios sem precedentes. Esta mudança radical afetou de maneira significativa a dinâmica do ensino em todos os níveis, colocando à prova a adaptabilidade de alunos, professores e sistemas educacionais como um todo.
Dentro desse contexto, os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), já enfrentando desafios singulares relacionados à sua trajetória educacional e às peculiaridades do público-alvo, foram particularmente impactados. Neste artigo, nosso foco recai sobre as implicações específicas dessa transição para os alunos da EJA, com uma análise aprofundada das dificuldades emergentes no âmbito da leitura e escrita, e suas consequências no cenário pós-pandêmico. Essa abordagem visa compreender as nuances desse impacto, identificando as necessidades específicas desse grupo, e fornecendo subsídios para estratégias eficazes que possam promover a recuperação e o avanço educacional nesse contexto desafiador.
Em primeiro lugar, a transição para o ensino remoto amplificou as disparidades de acesso à tecnologia, uma vez que muitos alunos da EJA enfrentaram dificuldades em adquirir dispositivos e conectividade adequados. Esse cenário exacerbou a exclusão digital, impedindo o pleno engajamento dos alunos nas atividades educacionais online, prejudicando assim o processo de aprendizagem.
Além disso, a EJA é frequentemente associada a uma abordagem presencial e flexível, levando em consideração as necessidades específicas desse público diversificado. Com a mudança para o ensino remoto, os alunos da EJA perderam o contato direto com os educadores e seus colegas, o que impactou negativamente a dinâmica de aprendizado, a troca de experiências e o suporte emocional que muitos desses alunos necessitam.
Outro impacto relevante é a desmotivação causada pelo distanciamento social. A EJA muitas vezes lida com alunos que retornam aos estudos após longos períodos afastados da escola, e a pandemia agravou esse cenário ao criar obstáculos adicionais, como preocupações com a saúde, instabilidade financeira e o enfrentamento de desafios familiares relacionados à crise sanitária.
Além disso, a EJA também enfrenta o desafio da evasão escolar, e a pandemia exacerbou esse problema, já que muitos alunos tiveram que lidar com responsabilidades adicionais, como cuidar de familiares doentes, trabalhar para sustentar a família ou simplesmente enfrentar dificuldades emocionais decorrentes do contexto pandêmico.
Em resumo, os impactos da pandemia na EJA são multifacetados, envolvendo desafios tecnológicos, sociais e emocionais. Superar esses obstáculos requer estratégias específicas que levem em consideração a natureza singular da EJA e garantam a continuidade do aprendizado para esse público vulnerável.
A dificuldade de leitura e escrita nos alunos da EJA
A dificuldade de leitura e escrita entre alunos na Educação de Jovens e Adultos (EJA) é um desafio significativo que muitas vezes se origina de diversos fatores. Em primeiro lugar, é importante considerar que muitos desses alunos enfrentam barreiras socioeconômicas que impactam seu acesso à educação desde a infância. A falta de oportunidades educacionais adequadas durante a juventude pode resultar em lacunas no desenvolvimento de habilidades fundamentais, como a leitura e a escrita.
Outro fator relevante está relacionado à descontinuidade no processo de aprendizagem. Muitos alunos da EJA tiveram que abandonar a escola em razão de necessidades financeiras, obrigações familiares ou outras circunstâncias que os afastaram da educação formal. Esse afastamento prolongado pode levar à perda de familiaridade com os processos de leitura e escrita, tornando mais desafiador o retorno aos estudos.
Além disso, a deficiência de materiais didáticos adaptados às necessidades desses alunos também contribui para a dificuldade de aprendizagem. O modelo tradicional de ensino, muitas vezes voltado para crianças e adolescentes, pode não ser adequado para jovens e adultos que possuem vivências e conhecimentos prévios distintos. Assim, é fundamental que a metodologia utilizada na EJA seja diferenciada, contemplando abordagens mais dinâmicas e contextualizadas com a realidade dos estudantes.
A autoestima e a confiança também desempenham um papel crucial no desenvolvimento da leitura e da escrita. Muitos alunos da EJA carregam traumas relacionados ao fracasso escolar anterior, o que pode gerar insegurança e medo de errar. Nesse sentido, a atuação de educadores motivadores e a criação de um ambiente de aprendizado acolhedor são essenciais para estimular a superação dessas dificuldades.
Outro aspecto importante é a influência do contexto familiar e social. Muitos desses alunos não tiveram incentivo para desenvolver o hábito da leitura e da escrita em casa, o que impacta diretamente seu desempenho escolar. Dessa forma, é importante que as políticas públicas incentivem não apenas a escolarização dos jovens e adultos, mas também promovam iniciativas de letramento nas comunidades.
Para enfrentar esses desafios, é necessário investir em estratégias pedagógicas inovadoras, formação continuada dos professores e programas de incentivo à educação de jovens e adultos. Além disso, é essencial que as políticas públicas garantam suporte adequado para esses alunos, proporcionando condições para que possam estudar sem que suas obrigações diárias se tornem um obstáculo intransponível.
Portanto, combater as dificuldades de leitura e escrita na EJA exige uma abordagem integrada, que leve em consideração os diversos desafios enfrentados pelos alunos e ofereça soluções eficazes para possibilitar seu sucesso acadêmico e pessoal.
Desse modo, Rodrigues informa:
Enquanto instituição social, a escola deve cumprir um papel singular na formação do indivíduo, ela tem como uma de suas principais funções formar leitores competentes, incentivando e proporcionando métodos educativos para que esse objetivo seja cumprido. (Rodrigues, 2009, p. 1).
Rodrigues (2009) destaca a importância da escola como uma instituição social responsável pela formação integral dos indivíduos, com um papel essencial no desenvolvimento da competência leitora. A leitura é uma habilidade fundamental para a construção do conhecimento, sendo a base para a aprendizagem em diversas áreas do saber. Dessa forma, cabe à escola não apenas ensinar a decodificação de palavras, mas também estimular a interpretação crítica, a reflexão e a autonomia do leitor, elementos indispensáveis para a formação cidadã.
Para que esse objetivo seja alcançado, a escola deve adotar práticas pedagógicas que incentivem o gosto pela leitura desde os primeiros anos da educação. Criar um ambiente rico em estímulos, com materiais diversificados e acessíveis, é uma estratégia eficaz para despertar o interesse dos alunos. Além disso, a mediação do professor é essencial, pois ele deve atuar como um facilitador do processo de leitura, orientando os estudantes na construção do significado dos textos e no desenvolvimento de habilidades analíticas.
Outro aspecto relevante na formação de leitores competentes é a necessidade de considerar a realidade sociocultural dos alunos. Muitas vezes, dificuldades na leitura estão relacionadas a um afastamento histórico entre o estudante e os textos escritos, seja pela falta de acesso a materiais de qualidade ou pela ausência de incentivo à prática leitora no ambiente familiar. Assim, a escola deve buscar estratégias inclusivas, que valorizem a diversidade e respeitem o ritmo de aprendizagem de cada aluno, promovendo metodologias que tornem a leitura uma prática prazerosa e significativa.
Por fim, a escola não deve se limitar ao ensino técnico da leitura, mas sim fomentar um processo contínuo de letramento, em que os alunos possam utilizar a leitura como uma ferramenta de compreensão do mundo. A formação de leitores críticos é indispensável para a construção de uma sociedade mais reflexiva e democrática. Dessa forma, o compromisso da escola em desenvolver leitores competentes não se restringe ao âmbito acadêmico, mas se estende à preparação do indivíduo para sua atuação social e cidadã.
No contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA), essa missão se torna ainda mais desafiadora, pois muitos alunos chegam à sala de aula com dificuldades acumuladas ao longo da vida. Assim, é fundamental que as estratégias pedagógicas adotadas sejam inclusivas e respeitem as particularidades desse público, promovendo um ambiente acolhedor e motivador. Dessa maneira, a escola pode cumprir seu papel social de garantir o acesso ao conhecimento e à cidadania por meio do letramento e da alfabetização.
Para Moura (2008),
[…] alguns problemas que enfrentamos nas escolas e classes decorrem exatamente dessa organização curricular que separa a pessoa que vive e aprende no mundo daquela que deve aprender e aprender os conteúdos escolares. No caso da EJA um outro agravante se interpõe e se relaciona com o fato de que a idade e vivência social e cultural dos educandos são ignoradas, mantendo-se nestas propostas a lógica infantil dos currículos destinados a crianças que frequentam a escola regular (Moura, 2008, p. 88).
Moura (2008) evidencia um problema estrutural na Educação de Jovens e Adultos (EJA): a desconsideração das experiências e da vivência social dos alunos, resultando em uma abordagem pedagógica que muitas vezes não atende às suas necessidades específicas. A organização curricular tradicional, voltada para crianças e adolescentes do ensino regular, é aplicada de forma inadequada à EJA, desconsiderando a trajetória de vida dos estudantes e impondo um modelo de ensino desconectado de sua realidade. Essa falta de adaptação compromete o aprendizado, tornando a escola um ambiente pouco atrativo e, em muitos casos, levando à desmotivação e à evasão.
Um dos principais desafios enfrentados pelos educadores da EJA é romper com essa lógica infantilizada e estruturar práticas pedagógicas que reconheçam e valorizem o repertório de conhecimentos que os alunos já possuem. Os estudantes da EJA trazem consigo um acúmulo de experiências sociais, profissionais e culturais que devem ser incorporadas ao processo educativo. Quando a escola ignora esse contexto e insiste em métodos tradicionais, baseados na memorização e na repetição de conteúdos distantes da realidade dos alunos, ela dificulta o envolvimento e o desenvolvimento desses estudantes.
Além disso, a falta de flexibilidade curricular na EJA reforça a desigualdade educacional, pois trata como homogêneo um público extremamente diverso. Muitos alunos são trabalhadores, pais de família e pessoas com responsabilidades diárias que influenciam diretamente seu tempo e disponibilidade para os estudos. A manutenção de currículos rígidos, sem considerar essas particularidades, prejudica a aprendizagem significativa e afasta os alunos do processo escolar.
Portanto, é fundamental que a EJA adote uma abordagem pedagógica mais contextualizada e dialógica, que reconheça a vivência dos alunos como parte essencial do processo educativo. A educação de adultos não deve ser apenas uma reprodução do ensino regular, mas sim um espaço de aprendizado que respeite a trajetória de cada indivíduo, promovendo uma formação que realmente contribua para seu crescimento pessoal, profissional e social.
Outro fator relevante é a diversidade de experiências de vida e contextos sociais presentes na EJA. Alunos dessa modalidade de ensino muitas vezes possuem diferentes bagagens culturais, níveis de exposição à leitura e variações no domínio da língua portuguesa. Essa diversidade pode gerar discrepâncias significativas no nível de proficiência em leitura e escrita entre os estudantes, tornando o trabalho do educador mais desafiador ao tentar atender às necessidades individuais de cada aluno.
A falta de recursos didáticos específicos para a EJA também contribui para as dificuldades enfrentadas por esses estudantes. Materiais educacionais adaptados e estratégias pedagógicas diferenciadas são essenciais para superar os obstáculos relacionados à leitura e escrita. A ausência desses recursos pode perpetuar a defasagem no desenvolvimento dessas habilidades, prejudicando o processo de aprendizagem.
Em resposta a esses desafios, é crucial que as instituições de ensino que oferecem a EJA implementem abordagens pedagógicas flexíveis e inclusivas. A conscientização sobre as dificuldades de leitura e escrita na EJA é fundamental para direcionar esforços no sentido de proporcionar uma educação mais equitativa e eficaz para todos os estudantes envolvidos.
O papel da motivação e do acolhimento na permanência dos alunos da EJA
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha um papel fundamental na reintegração de indivíduos ao ambiente escolar, proporcionando-lhes a oportunidade de concluir a educação básica e ampliar suas perspectivas pessoais e profissionais. No entanto, um dos grandes desafios enfrentados nessa modalidade de ensino é a evasão escolar. Muitos alunos abandonam os estudos devido a fatores como dificuldades financeiras, carga horária de trabalho excessiva, responsabilidades familiares e até mesmo traumas educacionais vivenciados no passado. Nesse contexto, a motivação e o acolhimento tornam-se fatores essenciais para garantir a permanência dos estudantes na escola e seu engajamento no processo de aprendizagem.
A motivação para aprender está diretamente relacionada à forma como o aluno percebe a escola e seu próprio potencial de crescimento. Muitos estudantes da EJA retornam ao ambiente escolar com inseguranças e medos decorrentes de experiências anteriores de fracasso acadêmico ou de longos períodos afastados dos estudos.
Por isso, é fundamental que os professores adotem estratégias que incentivem a autoconfiança e a valorização das conquistas individuais. Metodologias ativas, como o ensino baseado em projetos e a aprendizagem colaborativa, podem tornar o processo educacional mais dinâmico e envolvente, despertando nos alunos o interesse pela continuidade dos estudos.
Além da motivação acadêmica, o acolhimento emocional desempenha um papel crucial na construção de um ambiente escolar positivo e inclusivo. Os alunos da EJA trazem consigo trajetórias de vida marcadas por desafios diversos, e a escola precisa ser um espaço de respeito, compreensão e suporte. O estabelecimento de um vínculo afetivo entre professores e alunos pode fazer toda a diferença na permanência dos estudantes. Atitudes como ouvir ativamente as dificuldades enfrentadas pelos alunos, valorizar suas experiências de vida e promover um ambiente de respeito e empatia contribuem para fortalecer sua identidade e autoestima dentro do contexto escolar.
Outra estratégia eficaz para aumentar a motivação e o acolhimento é a personalização do ensino, levando em consideração os interesses e objetivos individuais dos alunos. Quando os conteúdos são apresentados de maneira significativa e conectados à realidade dos estudantes, eles se tornam mais relevantes e estimulantes. Além disso, práticas como rodas de conversa, momentos de troca de experiências e atividades interdisciplinares podem criar um senso de pertencimento e incentivar a participação ativa dos alunos no ambiente escolar.
Por fim, é essencial que a escola conte com uma equipe pedagógica capacitada para lidar com os desafios específicos da EJA, oferecendo suporte não apenas acadêmico, mas também psicológico e social aos estudantes. Parcerias com instituições comunitárias, programas de orientação profissional e ações de incentivo à permanência escolar são algumas das iniciativas que podem contribuir para reduzir a evasão e tornar a experiência educacional mais enriquecedora.
Dessa forma, a motivação e o acolhimento devem ser pilares centrais no planejamento e na execução das políticas educacionais voltadas para a EJA. Ao reconhecer e valorizar a trajetória dos alunos, a escola se torna um espaço de transformação, onde a educação não apenas transmite conhecimento, mas também resgata sonhos, fortalece a autoestima e abre caminhos para novas oportunidades.
REFERENCIAL TEÓRICO
A revisão bibliográfica sobre as dificuldades de leitura e escrita dos estudantes da educação de jovens e adultos fundamenta-se em perspectivas teóricas sólidas, com base em autores notáveis como Moura (2008), Rodrigues (2009), Silva (2020), Nascimento, Mansur e Gomes (2020).
Além das barreiras tecnológicas, a pandemia trouxe consigo consequências psicossociais significativas, que afetaram diretamente o processo de aprendizagem dos estudantes, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento da leitura e da escrita. O isolamento social impôs uma nova dinâmica educacional, limitando a interação entre alunos e professores, fator essencial para o aprendizado, especialmente na Educação de Jovens e Adultos (EJA), onde a troca de experiências e o apoio mútuo são fundamentais.
Além disso, as preocupações com a saúde mental, como o aumento da ansiedade, do estresse e da desmotivação, comprometeram o engajamento dos estudantes, tornando o aprendizado mais desafiador. A falta de um ambiente adequado para os estudos, a sobrecarga emocional e a insegurança quanto ao futuro também contribuíram para a evasão escolar e para dificuldades no desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita.
Assim, o cenário pandêmico não apenas evidenciou as desigualdades educacionais já existentes, mas também reforçou a necessidade de políticas públicas e estratégias pedagógicas que considerem os impactos emocionais e sociais na aprendizagem.
Nesse contexto pandêmico, de acordo com (Silva, 2020) “apud” Santos e Barbosa (2020, p. 178) afirma que:
Segundo matéria publicada no jornal digital Notícias Concursos, os estudantes de EJA são os mais vulneráveis com a suspensão das aulas presenciais e as escolas temem que adultos abandonem estudos após pandemia. Segundo a matéria, a pouca habilidade para lidar com equipamentos eletrônicos, os vínculos frágeis com a vida escolar e o risco de perda significativa de renda familiar são alguns dos fatores que tornam estes alunos mais suscetíveis a não voltar para a escola após a pandemia.
A matéria destaca a vulnerabilidade dos estudantes da EJA diante da suspensão das aulas presenciais durante a pandemia, evidenciando os desafios que dificultam seu retorno ao ambiente escolar. A dificuldade no manuseio de equipamentos eletrônicos reforça a exclusão digital, impedindo que esses alunos acompanhem o ensino remoto de forma eficiente. Além disso, a relação muitas vezes frágil que possuem com a vida escolar contribui para a evasão, pois a falta de vínculo afetivo e acadêmico com a escola pode reduzir sua motivação para continuar os estudos.
Outro fator crucial apontado é o impacto econômico, uma vez que muitos alunos da EJA são trabalhadores que enfrentaram perdas significativas de renda durante a pandemia. A necessidade de buscar empregos e garantir a subsistência da família muitas vezes se sobrepõe à continuidade dos estudos, tornando o abandono escolar uma realidade preocupante.
Diante desse cenário, é essencial que políticas públicas e iniciativas educacionais sejam fortalecidas para garantir a reintegração desses estudantes. Estratégias como flexibilização dos horários, metodologias adaptadas, uso de tecnologias acessíveis e suporte socioeconômico podem ser fundamentais para reduzir a evasão e assegurar que esses alunos tenham a oportunidade de concluir sua formação.
A preocupação com a possível evasão dos estudantes da EJA deve ser abordada de maneira proativa para garantir que esses alunos tenham oportunidades equitativas de educação e desenvolvimento. Para tanto, propomos estratégias pedagógicas específicas para mitigar os desafios enfrentados pelos alunos da EJA. Isso inclui a implementação de programas de apoio emocional, o uso criativo de tecnologias acessíveis e a promoção de métodos de ensino mais flexíveis e personalizados.
A promoção do bem-estar emocional dos alunos da EJA é crucial para superar os desafios psicossociais agravados pela pandemia. A implementação de programas de apoio emocional pode envolver a integração de profissionais de psicologia ou assistência social nas equipes educacionais, criando espaços seguros para a expressão de sentimentos e a resolução de conflitos.
Além disso, atividades extracurriculares focadas no desenvolvimento emocional, como grupos de discussão, sessões de meditação ou workshops sobre gestão do estresse, podem ser incorporadas ao currículo, proporcionando aos alunos ferramentas para lidar com as pressões externas. Para Nascimento, Mansur e Gomes,
Apesar de todos os transtornos apresentados em virtude da pandemia, algo é notório: o surgimento de um movimento reflexivo em toda a comunidade acadêmica, buscando ressignificar a educação no desenvolvimento de novas práticas pedagógicas, novas habilidades, e o desafio de levar o ensino para extramuros escolares. Essas mudanças, e suas novas maneiras de “ensinar”, “aprender”, “interagir” e “avaliar”, tem sido um grande desafio para a escola, professores, estudantes e suas famílias (Nascimento; Mansur; Gomes, 2020, p. 99).
O autor destaca um aspecto positivo em meio aos desafios enfrentados pela educação durante a pandemia: a necessidade de ressignificação das práticas pedagógicas. O contexto pandêmico forçou a comunidade acadêmica a refletir sobre métodos tradicionais de ensino e a buscar novas abordagens para garantir a continuidade da aprendizagem, mesmo fora do ambiente escolar físico.
O ensino remoto emergencial exigiu a adaptação de professores, estudantes e famílias, promovendo inovações tanto no uso da tecnologia quanto na forma de interação entre os agentes educacionais. Esse processo evidenciou a importância da flexibilidade no ensino, da personalização do aprendizado e do desenvolvimento de novas competências digitais. No entanto, também trouxe desafios, como a necessidade de capacitação dos docentes, a desigualdade no acesso às ferramentas tecnológicas e a dificuldade de manter o engajamento dos alunos.
No contexto da Educação de Jovens e Adultos (EJA), essas mudanças se tornaram ainda mais complexas, pois muitos estudantes enfrentaram dificuldades relacionadas à exclusão digital e à conciliação entre trabalho, família e estudos. Apesar dos desafios, essa transformação educacional pode ser vista como uma oportunidade para repensar modelos de ensino, tornando-os mais acessíveis, dinâmicos e alinhados às necessidades dos alunos. A pandemia, portanto, impulsionou uma reflexão essencial sobre o futuro da educação e a importância de torná-la mais inclusiva e equitativa.
Com isso, para superar as barreiras tecnológicas enfrentadas pelos alunos da EJA, é fundamental adotar estratégias inovadoras e acessíveis. Exemplos incluem o uso de plataformas online adaptadas para dispositivos móveis, a criação de recursos educacionais em formatos variados, como vídeos educativos e podcasts, e a disponibilização de materiais impressos para os alunos que têm limitações de acesso à internet. Além disso, a capacitação de professores para utilizar tecnologias de forma inclusiva e a parceria com organizações locais podem facilitar o acesso a dispositivos e conectividade para os estudantes que enfrentam dificuldades nesse aspecto.
A flexibilidade nos métodos de ensino é um fator determinante para garantir o sucesso dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), uma vez que essa modalidade atende a um público extremamente diversificado, com diferentes níveis de escolarização, experiências de vida e desafios individuais. Para que o ensino seja significativo, é fundamental adotar estratégias pedagógicas que permitam a adaptação dos conteúdos à realidade dos estudantes, promovendo um aprendizado mais dinâmico e acessível.
Nesse sentido, o ensino híbrido surge como uma alternativa viável, pois possibilita a combinação entre momentos presenciais e atividades online, permitindo que os alunos conciliem os estudos com outras responsabilidades, como trabalho e família.
A implementação do ensino híbrido na EJA exige um planejamento cuidadoso, que leve em consideração o acesso dos alunos a recursos tecnológicos. Para aqueles que enfrentam dificuldades nesse aspecto, é essencial disponibilizar espaços com equipamentos adequados dentro das próprias instituições de ensino ou garantir materiais impressos complementares. Além disso, o uso de plataformas digitais interativas e metodologias ativas, como a sala de aula invertida e o aprendizado baseado em projetos, pode tornar o ensino mais envolvente, incentivando a autonomia e o protagonismo dos estudantes.
Outro aspecto essencial da flexibilização do ensino é a personalização do aprendizado. Ao identificar as habilidades, dificuldades e interesses individuais dos alunos, os educadores podem desenvolver planos de ensino que respeitem o ritmo e as particularidades de cada um. Dessa forma, o conteúdo pode ser apresentado de maneiras variadas, utilizando diferentes formatos, como textos, vídeos, jogos educativos e atividades práticas. Essa abordagem contribui para que os alunos se sintam mais motivados e reconhecidos no processo de ensino-aprendizagem, reduzindo índices de evasão e aumentando o engajamento.
As avaliações formativas desempenham um papel crucial nesse contexto, pois permitem um acompanhamento contínuo do progresso dos alunos. Diferente das avaliações tradicionais, que muitas vezes têm caráter punitivo, as avaliações formativas são utilizadas como ferramentas de diagnóstico e ajuste das estratégias de ensino. O feedback construtivo dado pelos professores deve enfatizar os avanços dos estudantes e oferecer orientações claras sobre pontos a serem aprimorados. Essa troca contínua fortalece a confiança dos alunos em suas próprias capacidades, incentivando-os a persistir nos estudos.
Em suma, a flexibilização do ensino na EJA é um caminho essencial para garantir uma educação mais inclusiva e eficiente. A adoção de metodologias adaptáveis, como o ensino híbrido, a personalização do ensino e a valorização das avaliações formativas, pode transformar a experiência educacional dos alunos, tornando-a mais significativa e alinhada às suas necessidades.
Dessa forma, a EJA não apenas promove a alfabetização e a qualificação profissional, mas também fortalece a autoestima e a autonomia dos estudantes, contribuindo para sua plena participação na sociedade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando o exposto no artigo, torna-se evidente que a Educação de Jovens e Adultos (EJA) desempenha um papel fundamental na promoção da inclusão educacional e na redução das disparidades sociais. Ao atender um público diversificado, composto por indivíduos que não concluíram a educação básica na idade apropriada, a EJA reconhece a singularidade de cada aluno e busca superar barreiras históricas que dificultam o acesso à educação.
Dessa forma, proporciona não apenas uma segunda chance para a formação acadêmica, mas também oportunidades para o desenvolvimento pessoal e profissional desses estudantes. A pandemia de COVID-19 representou um desafio sem precedentes para a EJA, impondo uma transição abrupta para o ensino remoto.
Essa mudança trouxe dificuldades adicionais para os estudantes, especialmente no que se refere ao desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. A falta de acesso a dispositivos tecnológicos e à internet, somada à desmotivação causada pelo isolamento social, intensificou os desafios já existentes, criando barreiras para o aprendizado. Muitos alunos da EJA, que já enfrentavam dificuldades socioeconômicas e educacionais, viram-se ainda mais distantes da escola, tornando o processo de ensino-aprendizagem ainda mais desigual.
A transição para o ensino remoto não apenas ampliou as desigualdades de acesso à tecnologia, mas também afetou o engajamento dos alunos nas atividades educacionais online. A perda do contato direto com professores e colegas resultou na diminuição da interação e da troca de experiências, elementos essenciais para a aprendizagem colaborativa e o suporte emocional dos estudantes da EJA. Esse afastamento comprometeu a dinâmica de ensino, tornando o aprendizado mais solitário e desafiador, o que, em muitos casos, contribuiu para o aumento da evasão escolar.
Diante desses desafios, torna-se indispensável a implementação de estratégias específicas para mitigar os impactos da pandemia na EJA. A adoção de programas de apoio emocional pode ajudar a reconstruir a motivação dos alunos, promovendo o bem-estar e a resiliência diante das dificuldades. Além disso, a inclusão digital e literária deve ser priorizada no período pós-pandemia, garantindo que todos os estudantes tenham acesso a ferramentas tecnológicas adequadas para acompanhar o ensino híbrido ou remoto, caso necessário.
A flexibilização dos métodos de ensino também é essencial para atender às necessidades individuais dos alunos e facilitar sua permanência e progresso na educação. Para enfrentar essas dificuldades persistentes, é fundamental investir na infraestrutura tecnológica das instituições de ensino, capacitar professores para o uso de metodologias inovadoras e criar ambientes de aprendizagem mais inclusivos e acessíveis. A adaptação dos currículos para uma abordagem mais contextualizada e significativa pode contribuir para que os alunos da EJA se sintam valorizados e engajados no processo educativo.
Além disso, a colaboração entre instituições de ensino, comunidade e políticas públicas é essencial para garantir que a EJA continue cumprindo seu papel social de forma eficaz. A superação desses desafios exige um esforço conjunto e uma abordagem proativa que reconheça as especificidades dos alunos da EJA. Oferecer soluções inovadoras e adaptáveis é um passo essencial para garantir a continuidade da aprendizagem e o avanço educacional, mesmo diante de adversidades.
Apesar dos transtornos causados pela pandemia, esse momento também representa uma oportunidade de repensar práticas pedagógicas, promover mudanças estruturais e tornar a educação mais inclusiva, flexível e significativa para todos os estudantes. Assim, a EJA pode se fortalecer enquanto uma modalidade essencial para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
REFERÊNCIAS
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RODRIGUES, Anderson Patrick. LEITURA EM SALA DE AULA: O DESAFIO DE FORMAR LEITORES COMPETENTES. X Jornada de Estudos Linguísticos e Literários – JELL 2009 ISBN: 978-85-7803-022-3
SANTOS, R. D. S.; BARBOSA, C. S. Desafios da educação de Jovens e Adultos em tempo de pandemia da covid-19. In: INSFRAN, F. et al. Pandemia e suas interfaces no ensino. São Carlos (SP): Pedro & João, v. 1, 2020. Cap. 1, p. 167-181.
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1Mestranda em Ciências da Educação, pela Absoulute Christian University – ACU. E-mail: profvaleriaviana@hotmail.com