REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511302335
Nélio Henrique Do Carmo Azevedo
Raoni Da Costa Leal
Orientadora: Natalia De Souza Neves
RESUMO
A pesquisa tem como escopo o uso de tecnologias na topografia, considerando-a como uma área do conhecimento responsável pela representação e compreensão do espaço geográfico. Frente a isso, para o desenvolvimento da pesquisa foi proposto o problema: quais são os principais desafios e as potencialidades decorrentes da relação entre topografia e tecnologia na atualidade? A partir desse questionamento, foi traçado como objetivo geral: Analisar os desafios e as potencialidades decorrentes da integração entre topografia e tecnologia, destacando os impactos na prática profissional e nas áreas de aplicação. Já os objetivos específicos são: a) Identificar as principais tecnologias atualmente utilizadas na topografia e suas contribuições para o aprimoramento dos levantamentos topográficos; b) Investigar os principais obstáculos enfrentados pelos profissionais na adoção dessas tecnologias, como custos, manutenção e capacitação e c) Avaliar as perspectivas futuras da relação entre topografia e tecnologia, considerando tendências e novas possibilidades de aplicação em diferentes setores. A metodologia adotada baseia-se em revisão bibliográfica, contemplando produções científicas recentes que tratam da evolução tecnológica aplicada à topografia, com análise crítica dos avanços e das transformações observadas no setor. Os resultados demonstram que a modernização tecnológica promove ganhos expressivos de produtividade, reduz o tempo de coleta e processamento de dados e diminui riscos operacionais, ao mesmo tempo em que aumenta o nível de detalhamento e confiabilidade dos levantamentos. No entanto, o estudo também evidencia desafios, como a necessidade de qualificação contínua dos profissionais e os custos de aquisição de equipamentos de maior complexidade.
Palavras Chave: Tecnologia. Topografia. Revisão bibliográfica. Desafios. Potencialidades.
1 INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o avanço tecnológico na sociedade tem se intensificado de forma acelerada, provocando transformações significativas em diversos setores, e na seara da topografia não é diferente. Nesse contexto, as demandas por precisão, eficiência e atualização de dados geográficos tornaram-se cada vez mais presentes, destacando a importância da topografia como ferramenta fundamental para o mapeamento, a demarcação e a gestão do território.
Dessa forma, no âmbito da topografia, o uso de tecnologias mostra-se indispensável, uma vez que exerce influência decisiva em todas as etapas relacionadas ao levantamento e à interpretação de dados geoespaciais. Por isso, a incorporação de recursos tecnológicos pode contribuir significativamente na coleta de informações minuciosas e confiáveis acerca da configuração, localização e atributos físicos da superfície terrestre (Sousa et al., 2020).
Cabe dizer, que tais dados são essenciais para uma variedade de finalidades, incluindo o planejamento e projeto de infraestrutura, o monitoramento de mudanças ambientais, a gestão de recursos naturais e o estudo de fenômenos geológicos (Carneiro, 2018). Por meio de tecnologias como por exemplo: Estações Totais,
Sistemas de Posicionamento Global (GPS), LiDAR (Light Detection and Ranging – Detecção e Alcance de luz) e sistemas de informações geográficas (SIG), os topógrafos podem coletar dados de forma eficiente e precisa em uma ampla gama de condições e ambientes (Paiva; Silva, 2015).
Importa dizer, que essas tecnologias permitem a medição precisa de distâncias, ângulos e elevações, bem como a georreferenciação dessas informações em relação a sistemas de coordenadas globais. Sendo que, a posse ou melhor o conhecimento dessas informações pode proporcionar uma base sólida para a criação de mapas, modelos digitais de elevação e outras representações espaciais utilizadas em diversas aplicações práticas (Fernandes et al., 2019).
Freitas e Silva (2024) afirmam que as tecnologias exercem um papel essencial na constante evolução da topografia, possibilitando aos profissionais coletar e analisar dados geoespaciais com maior rapidez, precisão e abrangência. Em outras palavras, essas inovações tecnológicas não apenas aumentam a eficiência e a exatidão dos levantamentos topográficos, como também ampliam as possibilidades de utilização dessas informações em diversos campos e setores.
Diante desse cenário, a contínua evolução tecnológica tem desempenhado um papel determinante no avanço e na consolidação da topografia como área estratégica na sociedade contemporânea. Deste modo, as inovações no campo da tecnologia da informação, sensoriamento remoto, geoprocessamento e inteligência artificial vêm transformando profundamente as práticas topográficas, tornando-as mais precisas, dinâmicas e acessíveis.
Sendo assim, essa integração, contudo, também suscita reflexões sobre as condições de adaptação profissional, o acesso aos recursos tecnológicos e os impactos socioeconômicos dessas mudanças. Nesse contexto, emergiu a seguinte problemática de pesquisa: quais são os principais desafios e as potencialidades decorrentes da relação entre topografia e tecnologia na atualidade?
A partir desse questionamento, foi traçado como objetivo geral: Analisar os desafios e as potencialidades decorrentes da integração entre topografia e tecnologia, destacando os impactos na prática profissional e nas áreas de aplicação. Já os objetivos específicos são: a) Identificar as principais tecnologias atualmente utilizadas na topografia e suas contribuições para o aprimoramento dos levantamentos topográficos; b) Investigar os principais obstáculos enfrentados pelos profissionais na adoção dessas tecnologias, como custos, manutenção e capacitação e c) Avaliar as perspectivas futuras da relação entre topografia e tecnologia, considerando tendências e novas possibilidades de aplicação em diferentes setores.
Para o desenvolvimento deste estudo, adotou-se a metodologia de revisão bibliográfica, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar produções científicas relevantes acerca da relação entre topografia e tecnologia. A pesquisa foi conduzida de forma qualitativa, contemplando artigos, livros e outras fontes acadêmicas que abordam as inovações tecnológicas aplicadas à topografia e suas implicações práticas e teóricas. Inicialmente, foram definidos os termos de busca e os critérios de inclusão e exclusão, a fim de garantir a pertinência e a atualidade das publicações selecionadas.
Posteriormente, procedeu-se à consulta em bases de dados acadêmicas reconhecidas (Google Acadêmico, Scielo, BDTD, Capes e outros), buscando trabalhos que apresentassem contribuições significativas para o entendimento dos desafios e potencialidades decorrentes da incorporação tecnológica na área. Por fim, os resultados foram analisados criticamente, considerando-se a qualidade metodológica, a relevância científica e a contribuição de cada estudo para a compreensão do tema proposto. No item a seguir apresentamos o referencial teórico e discussões acerca do tema proposto.
2 CONCEITUANDO A TOPOGRAFIA
A topografia é uma ciência que tem como objeto de estudo as formas e a relação dos espaços territoriais. Nas palavras de Ladeira e Lima (2014) explicam que etimologicamente, o termo TOPOS, em grego, significa lugar e GRAPHEN descrição, assim, de uma forma bastante simples, a topografia significa descrição do lugar.
A par disso, conforme a NBR13133, que é a Norma Brasileira para execução de Levantamento Topográfico, o levantamento topográfico é conceituado como:
Conjunto de métodos e processos que, através de medições de ângulos horizontais e verticais, de distâncias horizontais, verticais e inclinadas, com instrumental adequado à exatidão pretendida, primordialmente, implanta e materializa pontos de apoio no terreno, determinando suas coordenadas topográficas. A estes pontos se relacionam os pontos de detalhe visando a sua exata representação planimétrica numa escala pré-determinada e à sua representação altimétrica por intermédio de curvas de nível, com eqüidistância também pré-determinada e/ou pontos cotados (ABNT, 1991, p. 3)
O conceito fornecido, detalha de forma técnica a topografia evidenciando que essa ciência não se limita a simples medição de espaços e /ou terrenos, mas envolve um conjunto de métodos científicos que permitem representar o espaço geográfico com precisão e fidelidade. Corroborando, Veiga, Zanetti e Faggion (2012) explicam que o principal objetivo da topografia é efetuar o levantamento (executar medições de ângulos, distâncias e desníveis) que permita representar uma porção da superfície terrestre em uma escala adequada.
Frente a isso, os mesmos autores destacam que no que diz respeito ao trabalho prático, a topografia pode ser dividida em cinco etapas:
Quadro 1. Etapas do trabalho prático da topografia.
| Etapa | Ação |
| Tomada de decisão | definição dos métodos de levantamento, escolha dos equipamentos e determinação dos pontos ou posições a serem medidos. |
| Trabalho de campo ou aquisição de dados | realização das medições e registro preciso das informações coletadas no terreno. |
| Cálculos ou processamento | tratamento e análise dos dados obtidos, com a realização de cálculos para determinar coordenadas, áreas, volumes, entre outros. |
| Mapeamento ou representação | elaboração de mapas, plantas ou cartas com base nas medições e cálculos realizados. |
| Locação | materialização em campo dos elementos criados no projeto. |
Dessa forma, compreende-se que a topografia constitui uma ciência de natureza técnica e aplicada, que alia conhecimentos teóricos e práticos para representar com precisão as características físicas de uma determinada porção do espaço terrestre. Ao integrar métodos de medição, cálculos matemáticos e representações gráficas, ela permite não apenas descrever o relevo, mas também subsidiar a execução de obras de engenharia, arquitetura, geoprocessamento e planejamento territorial.
Em síntese, a topografia se consolida como uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento de projetos que demandam precisão espacial, contribuindo significativamente para o avanço das áreas que dependem da representação fiel do terreno.
2.1 Uso das Tecnologias na Topografia
A topografia tem passado por intensas transformações impulsionadas pela evolução tecnológica, as quais têm fortalecido sua capacidade de representar o espaço geográfico com elevada precisão e agilidade.
Silva (2017) explica que a incorporação de instrumentos modernos e sistemas digitais tem ampliado o alcance e a eficiência dos levantamentos topográficos, reduzindo limitações antes impostas pelos métodos exclusivamente tradicionais. Nesse cenário, tecnologias como equipamentos de medição automatizados, sensores de sensoriamento remoto e softwares especializados desempenham um papel decisivo na qualificação dos processos de coleta, processamento e interpretação de dados geoespaciais ( Silva, 2018).
Nesse contexto, a modernização tecnológica consolida-se como vetor essencial para o fortalecimento da topografia contemporânea, contribuindo para sua maior funcionalidade em diversas áreas do conhecimento e setores da sociedade.
Assim sendo, no quadro 2, apresento as principais tecnologias empregadas na topografia conforme estudo proposto por Almeida et al., (2024):
Quadro 2. Principais tecnologias utilizadas na topografia.
| Tecnologia/Equipamento | Funcionalidade | Benefícios Identificados |
| Estação Total | Mede ângulos, distâncias e coordenadas com precisão | Alta acurácia; integração automática de dados; agilidade na coleta |
| GNSS (GPS) | Determinação de coordenadas georreferenciadas | Precisão planialtimétrica; rapidez; amplitude de cobertura territorial |
| Drones (VANTs) | Levantamento aéreo e captura de imagens de alta resolução | Segurança operacional; rapidez no mapeamento; detalhamento visual ampliado |
| LiDAR | Varredura laser para obtenção de nuvens de pontos tridimensionais | Mapeamento preciso em áreas de difícil acesso; alto nível de detalhamento |
| Softwares de Geoprocessamento e Fotogrametria | Processamento, modelagem e análise de dados topográficos | Modelos digitais precisos; melhor interpretação e comunicação dos resultados |
As tecnologias apresentadas se integram de modo complementar, fortalecendo o caráter estratégico da topografia para o planejamento, a organização e a compreensão do território, importa dizer, que não se pretende apagar o papel do profissional da topografia, pelo contrário, as tecnologias por si só, não geram resultados, é crucial alinhar os recursos tecnológicos aos conhecimentos do topógrafo, pois dessa maneira será possível extrair os benefícios de forma significativa dos recursos tecnológicos.
2.2 Achados da pesquisa: desafios e possibilidades da aplicação de ferramentas tecnológicas na topografia
Para elaboração deste item foi realizado um levantamento bibliográfico onde foram selecionadas três pesquisas, a saber: “Topografia e suas tecnologias” desenvolvida por Medeiros (2022), “O avanço da tecnologia dos drones e a sua utilização na topografia apoiando as técnicas tradicionais da topografia na engenharia civil” desenvolvida por Oliveira e Freitas (2020) e “Análise das tecnologias utilizadas na topografia”, desenvolvida por Gonçalves et al., (2024).
Medeiros (2022) em sua pesquisa apresenta um olhar técnico sobre a importância da topografia no campo da engenharia e da agronomia, destacando-a como uma ciência indispensável para a compreensão e transformação do espaço geográfico. O autor parte da necessidade de se comprovar a localização de uma extensão de terra, mostrando que a topografia vai muito além da simples medição do solo: “ela se constitui como uma linguagem que descreve o território, revelando suas formas, limites e potencialidades” (Medeiros, 2022, p. 16).
Salienta-se, que o autor por meio de uma metodologia bibliográfica, percorre os fundamentos teóricos da topografia, explicando suas divisões, como por exemplo a topometria, voltada para as medições de ângulos, distâncias e desníveis, e a topologia, responsável pelo estudo das formas e do relevo e demonstra como essas áreas se complementam na construção de um olhar técnico e preciso sobre o espaço (Medeiros, 2022).
Em sua análise, o autor evidencia que a evolução tecnológica tem sido um fator decisivo para o aprimoramento da prática topográfica. Medeiros (2022) destaca que ferramentas como os sistemas GNSS, as estações totais, os veículos aéreos não tripulados (VANTs) e a fotogrametria digital têm revolucionado a forma de coletar, processar e representar os dados, permitindo um nível de exatidão e rapidez que antes seria inimaginável, deste modo, a tecnologia tem sido importante aliada no desenvolvimento deste ramo.
No entanto, Medeiros (2022) não ignora os desafios que acompanham esse avanço, que conforme o autor um dos principais entraves apontados em sua pesquisa diz respeito a execução de levantamentos em áreas de difícil acesso, onde barreiras físicas ou restrições ambientais dificultam o trabalho de campo. Soma-se a isso a necessidade de constante atualização e capacitação profissional, uma vez que o domínio das novas tecnologias exige conhecimentos específicos e uma postura aberta à inovação.
Medeiros (2022) salienta que apesar dos desafios a tecnologia também proporciona importantes avanços como a utilização de drones, sistemas georreferenciamento, softwares, que são ferramentas impulsionadoras de uma topografia mais precisa e consequentemente eficaz nos diferentes ramos que a empregam.
Posto isso, sobre o uso de drones e sistemas o autor explica que essas ferramentas ampliam a capacidade de observação e análise do espaço, tornando o trabalho topográfico mais seguro e preciso. Por fim, Medeiros (2022) conclui que a topografia contemporânea, fortalecida pela incorporação de recursos digitais e automatizados, não apenas mede e representa o terreno, mas traduz a relação entre o ser humano, a ciência e o território.
Ademais disso, na pesquisa de Oliveira e Freitas (2020) os autores a partir de uma pesquisa bibliográfica demonstram a rápida incorporação dos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) nos processos de mapeamento e levantamento planialtimétrico, favorecendo maior precisão, rapidez e redução de custos operacionais. As pesquisas reunidas pelos autores destacam que a evolução tecnológica dos sensores embarcados, aliada a softwares de fotogrametria e georreferenciamento, amplia significativamente a qualidade da representação digital do terreno, contribuindo para modelos mais densos e detalhados, como MDT e MDS.
O estudo proposto evidencia que os drones não surgem para substituir a topografia tradicional, o que marca uma perspectiva integradora. A complementaridade entre métodos convencionais e tecnologias digitais é apontada como caminho para a melhoria dos processos, sobretudo em obras de médio e grande porte. Embora predominem os aspectos positivos, o estado da arte evidencia alguns desafios, entre eles destaca-se a necessidade de formação especializada para o correto planejamento de voo, processamento de dados e análise dos resultados, já que a quantidade de informações geradas pelos drones é elevada.
O texto apresenta que outro desafio recorrente é o custo inicial de aquisição dos equipamentos mais avançados, que ainda pode dificultar a adesão por pequenos empreendimentos.Como potencialidades, os autores ressaltam a precisão métrica ampliada, a eficiência operacional e a segurança no canteiro de obras, sobretudo ao reduzir a exposição de trabalhadores a terrenos irregulares. Tais elementos demonstram que o uso de drones representa uma tendência consolidada na topografia contemporânea, com forte impacto na modernização da Engenharia Civil.
A pesquisa desenvolvida por Gonçalves et al., (2024) trata-se de uma pesquisa bibliográfica acerca das tecnologias aplicadas à topografia, destacando a transição de práticas tradicionais para sistemas automatizados de alta precisão . Os autores demonstram que o avanço tecnológico tem promovido uma mudança significativa na forma como informações geoespaciais são coletadas, processadas e utilizadas em diversas áreas da engenharia e das geociências.
Importante dizer, que a evolução tecnológica e sua aplicação na topografia decorre principalmente da incorporação de instrumentos modernos como GNSS, Estações Totais Robóticas, LiDAR, drones e softwares especializados, os quais asseguram maior precisão métrica, produtividade operacional e melhor custo-benefício nos levantamentos topográficos.
No decorrer do estudo Gonçalves et al., (2024) destaca que ao integrar sensores sofisticados ao campo da topografia, as equipes conseguem realizar medições em tempo menor e com maior detalhamento, reduzindo riscos ocupacionais e a necessidade de mão de obra numerosa. Os autores citam tecnologias como o LiDAR, que ampliam a possibilidade de mapeamento em terrenos acidentados ou áreas de difícil acesso, enquanto drones permitem captação aérea em alta resolução com precisão centimétrica.
Almeida et al., ao revisar o conhecimento científico disponível, identificaram expressivos benefícios práticos: aumento de até 30% na produtividade, redução de aproximadamente 50% no tempo de coleta de dados e diminuição expressiva da ocorrência de falhas humanas. Tais resultados confirmam que as tecnologias digitais qualificam a tomada de decisão em projetos de infraestrutura, gestão territorial, agricultura de precisão, exploração de recursos naturais e diagnósticos ambientais.
Mesmo diante dessas potencialidades, o estudo reconhece desafios que ainda demandam atenção, um deles consiste na necessidade de formação contínua de profissionais capazes de operar equipamentos avançados, interpretar grandes conjuntos de dados e dominar técnicas de geoprocessamento e modelagem espacial. Outro obstáculo refere-se ao alto custo de aquisição de certos dispositivos, sobretudo para empresas de pequeno porte ou para administrações públicas com restrições orçamentárias.
Frente às pesquisas aqui apresentadas nota-se que a rápida transformação tecnológica provoca uma discussão importante sobre o equilíbrio entre habilidades tradicionais, como interpretação manual de instrumentos, e competências digitais emergentes. Assim sendo, destaco a partir dos dados apresentados na pesquisa que a topografia deixa de ser apenas uma atividade de coleta de dados e passa a assumir um papel ampliado de análise integrada, comunicação visual e gestão estratégica do território, por isso, torna-se crucial que o perfil profissional deste ramo se reconfigure continuamente.
Além disso, as pesquisas demonstram ainda um cuidado em apresentar as implicações sociais e ambientais dessa modernização, tendo em vista, que o uso adequado das tecnologias favorece decisões mais responsáveis sobre o espaço urbano e ambiental, possibilitando monitoramentos mais precisos de riscos, uso sustentável do solo e conservação de ecossistemas. Assim, a topografia tecnológica se consolida como uma aliada do desenvolvimento sustentável nas cidades e no campo.
Em síntese, o estado da arte apresentado reforça que a modernização da topografia representa uma evolução, já que desencadeia um potencial expressivo para otimização de processos, redução de custos e valorização da qualidade técnica dos levantamentos. Portanto, os avanços tecnológicos ampliam as fronteiras dessa ciência, tornando-a mais dinâmica, segura e estratégica para a sociedade contemporânea.
Contudo, para que tais tecnologias sejam plenamente incorporadas ao cotidiano profissional, torna-se indispensável investir em capacitação, infraestrutura digital e políticas que democratizam o acesso a esses recursos inovadores. pois dessa maneira, a topografia poderá caminhar, para um cenário no qual precisão, agilidade e inteligência de dados tornam-se princípios estruturadores da prática técnica e científica na área.
METODOLOGIA
Para o desenvolvimento deste estudo optou-se pela pesquisa bibliográfica, que é uma forma de reunir, analisar e interpretar as produções científicas que tratam sobre a temática proposta. Assim sendo, Gil (2017), explica que a pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento crítico e sistemático de obras já publicadas sobre um determinado tema, com o objetivo de fundamentar teoricamente o estudo, identificar lacunas no conhecimento e situar a pesquisa no contexto acadêmico existente.
Importante dizer, a pesquisa foi conduzida de forma qualitativa, contemplando artigos, dissertações e outras fontes acadêmicas que abordam as inovações tecnológicas aplicadas à topografia e suas implicações práticas e teóricas. Inicialmente, foram definidos os termos de busca e os critérios de inclusão e exclusão, a fim de garantir a pertinência e a atualidade das publicações selecionadas os descritores utilizados foram “topografia AND tecnologia” e “topografia AND desafios AND tecnologia” e “topografia AND tendências AND tecnologia”
Convém dizer, que os descritores foram aplicados bases de dados acadêmicas reconhecidas, como Google Acadêmico, Scielo, BDTD, Capes e outros. Para realização do mapeamento utilizamos como lapso temporal 2019 a 2025, onde localizamos oito pesquisas, contudo após leitura flutuante dos materiais foram aplicados os seguintes critérios para inclusão e exclusão do documentos:
– Inclusão: estar alinhado com a pesquisa, estar dentro do lapso temporal;
– Exclusão: tema contrário a pesquisa e fora do período selecionado (2019-2020);
Com base nesses critérios foram excluídas cinco, a saber: duas que estavam duplicadas, uma que tratava somente da topografia, duas fora do lapso temporal. Assim sendo, foram incluídas três pesquisas, as quais foram analisadas, e, após discutido sobre os principais achados da pesquisa, que diz respeito aos desafios e possibilidades da inserção da tecnologia na topografia.
Por fim, os resultados foram analisados criticamente, considerando-se a qualidade metodológica, a relevância científica e a contribuição de cada estudo para a compreensão do tema proposto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No decorrer deste estudo foi possível verificar por meio das pesquisas que alicerçam este estudo, que os avanços tecnológicos transcendem fronteiras e não se limita a um determinado campo ou ciência, pelo contrário os avanços da tecnologia adentram os mais diversos espaços e no ramo da topografia, não foi diferente.
Assim sendo, a integração entre topografia e tecnologia representa um movimento consolidado e irreversível, marcado por transformações que impactam diretamente as práticas e os resultados obtidos no levantamento e na representação do espaço geográfico.
Nesse contexto, as análises desenvolvidas ao longo da pesquisa evidenciaram que os objetivos estabelecidos foram alcançados, na medida em que se identificaram as principais tecnologias hoje utilizadas, bem como as contribuições e os desafios que permeiam sua adoção no contexto profissional. Sendo que, no que diz respeito aos desafios, os achados apontam que os custos para aquisição e a formação para gerir os equipamentos tecnológicos são as principais questões, ou melhor, desafios que permeiam o uso dos recursos tecnológicos.
Ademais, observou-se que as principais potencialidades associadas às inovações tecnológicas incluem a precisão aprimorada das medições, a agilidade dos processos, o incremento da segurança em atividades de campo e a ampliação das possibilidades de análise e aplicação dos dados espaciais. Assim sendo, tais elementos contribuem para que a topografia se apresenta como uma área cada vez mais dinâmica, capaz de acompanhar as demandas contemporâneas por informações georreferenciadas detalhadas e confiáveis.
Cumpre dizer, que os desafios demonstram que a evolução tecnológica, embora promissora, exige políticas institucionais e investimentos que garantam acesso, atualização e inclusão de profissionais e organizações de diferentes portes. Deste modo, considerando tais aspectos, é possível dizer que a relação entre topografia e tecnologia configura um campo em expansão, que reúne oportunidades expressivas de inovação e desenvolvimento.
Por fim, o fortalecimento dessa integração dependerá do avanço de ações voltadas à qualificação técnica, ao incentivo à pesquisa e à ampliação do acesso a recursos tecnológicos. Assim, a topografia tende a se consolidar como uma área estratégica para o estudo, o planejamento e a gestão do território, contribuindo de forma cada vez mais significativa para o desenvolvimento científico e social.
REFERÊNCIAS
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