NURSING CARE IN THE STABILIZATION AND RECOVERY OF THE POLYTRAUMATIZED PATIENT: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202603022035
Gislaine da Silva Paixão1
RESUMO
Introdução: O politraumatismo é caracterizado por múltiplas lesões decorrentes de forças e eventos mecânicos, químicos, térmicos e elétricos externos ao organismo, podendo acometer órgãos e sistemas de forma grave, com risco de evolução para óbito em casos extremos. Objetivo: Investigar e sintetizar as contribuições científicas recentes sobre os cuidados de enfermagem voltados à estabilização e recuperação de pacientes politraumatizados. Metodologia: Trata-se de uma R da Literatura realizada através de um levantamento bibliográfico nas bases de dados eletrônicas Pubmed, Scielo e Google Acadêmico. Foram incluídos artigos completos, publicados entre 2021 e 2025, no idioma português. O processo de seleção seguiu as diretrizes do protocolo PRISMA. Resultados e discussão: Os achados evidenciam que o paciente politraumatizado é considerado prioridade no atendimento em saúde, em razão do risco elevado de lesões simultâneas em diferentes sistemas do corpo, que variam conforme o mecanismo do trauma e as regiões corporais acometidas. A implementação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) demonstrou ser uma ferramenta indispensável para organizar o cuidado, reduzir o tempo de internação e prevenir sequelas motoras e neurológicas, assegurando uma transição segura para a fase de reabilitação. Conclusão: Os cuidados de enfermagem são vitais para a sobrevivência do paciente politraumatizado. O sucesso da estabilização e recuperação depende da agilidade da equipe, do domínio técnico sobre protocolos internacionais e da capacidade de oferecer um cuidado humanizado e contínuo. Conclui-se que a educação permanente e o treinamento simulado são estratégias essenciais para que o enfermeiro possa enfrentar os desafios da alta complexidade no trauma, mitigando erros e elevando a segurança do paciente.
Palavras-chave: Cuidados de Enfermagem; Traumatismo múltiplo; Politrauma.
ABSTRACT
Introduction: Polytrauma is characterized by multiple injuries resulting from mechanical, chemical, thermal, and electrical forces and events external to the body, potentially affecting organs and systems severely, with a risk of death in extreme cases. Objective: To investigate and synthesize recent scientific contributions on nursing care focused on the stabilization and recovery of polytrauma patients. Methodology: This is an Integrative Literature Review conducted through a bibliographic survey in the electronic databases PubMed, SciELO, and Google Scholar. Full articles published between 2021 and 2025, in Portuguese, were included. The selection process followed the PRISMA protocol guidelines. Results and discussion: The findings show that polytrauma patients are considered a priority in healthcare due to the high risk of simultaneous injuries to different body systems, which vary according to the mechanism of trauma and the affected body regions. The implementation of the Nursing Care Systematization (SAE) proved to be an indispensable tool for organizing care, reducing hospitalization time, and preventing motor and neurological sequelae, ensuring a safe transition to the rehabilitation phase. Conclusion: Nursing care is vital for the survival of polytrauma patients. The success of stabilization and recovery depends on the team’s agility, technical mastery of international protocols, and the ability to provide humanized and continuous care. It is concluded that continuing education and simulated training are essential strategies for nurses to face the challenges of high-complexity trauma, mitigating errors and increasing patient safety.
Keywords: Nursing Care; Multiple Trauma; Polytrauma.
1 INTRODUÇÃO
Ao longo das últimas décadas, a definição e a classificação do politrauma passaram por sucessivas mudanças. A primeira definição formal foi descrita na literatura inglesa em 1975, na qual o politraumatizado era caracterizado pela presença de duas ou mais lesões clinicamente relevantes. Posteriormente, em 1984, o conceito foi ampliado ao estabelecer que o politrauma corresponde à ocorrência de duas ou mais lesões, sendo que ao menos uma delas, de forma isolada ou em associação com as demais, representam risco de vida (Moura et al. 2024).
Atualmente, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, define o politraumatismo como múltiplas lesões decorrentes de eventos externos de natureza mecânica, química, térmica ou elétrica, que podem comprometer órgãos e sistemas de forma grave, aumentando o risco de evolução para óbito (Lazzeroni et al., 2024).
Anualmente, cerca de 5,8 milhões de pessoas sofrem traumas graves no mundo, sendo os acidentes de trânsito responsáveis pela maior parte dos casos e por aproximadamente 10% das mortes globais (Ramos, Aguiar e Lopes, 2023). No Brasil, em 2022, registraram-se 1.544.266 mortes por eventos externos, um aumento de 29,18% em relação a 2000 (Castiglioni, 2024). Considerando os acidentes de trânsito como um problema relevante de saúde pública, devido ao impacto na vida das vítimas e aos elevados custos para o governo, que abrange desde internações até a reabilitação (Oliveira et al., 2021).
O politraumatismo pode ser classificado pelo número de regiões corporais afetadas, com acometimento mínimo de duas regiões, geralmente resultando em alterações fisiológicas. Pode ocorrer em decorrência de acidentes de trânsito, atropelamentos, quedas, lesões por arma branca e ferimentos por arma de fogo, entre outros tipos de acidentes (Figueiredo et al., 2022).
Diante da evolução conceitual e das atualizações no manejo do paciente traumatizado, consolidou-se o método mnemônico ABCDE do trauma, posteriormente introduzido o X para complementar o protocolo, sendo uma abordagem sistematizada de avaliação e atendimento inicial, em que temos o manejo sequencial de Controle de Hemorragias exsanguinantes, Via Aérea, Respiração, Circulação, Avaliação Neurológica e Exposição (Moura et al. 2024).
No contexto da saúde, a equipe de enfermagem desempenha funções importantíssimas nas unidades de urgência e emergência, em razão da proximidade com os pacientes e da prestação de assistência humanizada, seguindo diretrizes e protocolos estabelecidos (Custódio et al., 2022). O cuidado contínuo de enfermagem antecipa alterações clínicas, viabilizando intervenções imediatas que preveem a deterioração do quadro e reduzem a necessidade de procedimentos invasivos (Souza e Serra, 2025).
Diante da relevância do atendimento ao paciente politraumatizado, torna-se essencial compreender as condutas da enfermagem nesse contexto, com destaque para os cuidados iniciais ao paciente com múltiplas fraturas, a identificação das lesões mais frequentes e as intervenções necessárias à recuperação.
2 OBJETIVO
2.1 Objetivo geral
Investigar e sintetizar as contribuições científicas recentes sobre os cuidados de enfermagem voltados à estabilização e recuperação de pacientes politraumatizados.
2.2 Objetivos específicos
- Identificar o perfil epidemiológico e as lesões mais frequentes em pacientes politraumatizados;
- Evidenciar a importância da atuação do enfermeiro no atendimento inicial ao paciente politraumatizado;
- Discutir o papel da enfermagem na recuperação do paciente politraumatizado.
3 METODOLOGIA
Neste estudo, adotou-se uma Revisão Sistemática da Literatura, de abordagem qualitativa, um método que viabiliza a análise de múltiplas pesquisas publicadas para gerar conclusões abrangentes sobre um fenômeno específico, fundamentando a prática clínica baseada em evidências. Para garantir a transparência e o rigor científico, o estudo foi estruturado em seis fases distintas, conforme preconizado pela literatura metodológica: identificação do tema e seleção da questão norteadora; estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão; busca em bases de dados; categorização dos estudos; análise dos resultados e síntese do conhecimento. A pergunta central foi delineada por meio da estratégia PICO, resultando no questionamento: “Quais são os cuidados de enfermagem realizados para a estabilização e a recuperação do paciente politraumatizado?
A pesquisa foi conduzida em bases de dados reconhecidas, incluindo a National Library of Medicine (Pubmed), a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e o Google Acadêmico. Foram adotadas as seguintes palavras-chave: “Cuidados de Enfermagem”, “Traumatismo múltiplo” e “Politrauma”, conforme os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS). Os descritores foram combinados com operadores booleanos (AND e OR) para ampliar os resultados pertinentes à temática.
Os critérios de inclusão contemplaram artigos publicados em língua portuguesa entre 2021 e 2025. Foram excluídos monografias, dissertações, teses, artigos duplicados, estudos com conteúdo irrelevante para a questão central da pesquisa e aqueles com ano de publicação fora do recorte temporal estabelecido. Após a leitura criteriosa e a categorização dos estudos, selecionaram-se os artigos que atenderam aos critérios estabelecidos, totalizando 15 publicações. O processo de seleção ocorreu entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
As etapas do processo de seleção seguiram as recomendações do protocolo PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), contemplando as fases de identificação, triagem, elegibilidade, inclusão e exclusão. Os artigos selecionados são apresentados em uma tabela.
Na discussão, os achados foram organizados em quatro categorias: 1) Epidemiologia e lesões associadas; 2) Importância da Enfermagem para o paciente politraumatizado; 3) Atendimento Inicial e Intervenções de Enfermagem; 4)Enfermagem na recuperação do paciente politraumatizado.
4 RESULTADOS
As buscas nos bancos de dados foram realizadas com base nos critérios estabelecidos, identificando-se 4.888 artigos: 4.760 no Google Acadêmico, 60 na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e 68 na Pubmed. Após a aplicação dos critérios de inclusão, 78 artigos foram selecionados para análise de títulos e resumos, dentre eles, apenas 15 foram selecionados para a leitura integral, compondo o corpus analítico desta revisão. A síntese quantitativa das etapas é apresentada na Figura 1.
Figura 1. Fluxograma do processo de busca, elegibilidade e inclusão, na moldagem do Prisma.

A Figura 1 evidencia o processo de seleção do corpus analítico empregado nesta revisão. Os resultados obtidos a partir dos descritores são apresentados na Tabela 1, em ordem crescente de publicação.
Tabela 1: Distribuição das características dos artigos de acordo com autores, anos, títulos, periódicos e resultados encontrados





Conforme observado, dos 15 artigos utilizados, dois foram publicados em 2021, dois em 2022, quatro artigos publicados em 2023, quatro em 2024 e três artigos publicados em 2025. Quanto aos periódicos: RECIMA21, Revista Brasileira Interdisciplinar em Saúde, Cuidarte Enfermagem, Brazilian Journal of Development, Revista Ibero-Americana de Humanidade, Ciências e Educação, Brazilian Journal of Review, Revista Eletrônica Acervo Saúde, Revista Foco, Research, Society and Development, Unipar – Universidade Paranaense e Revista de Pesquisa Cuidado é Fundamental Online.
Os conceitos teóricos dos artigos selecionados são apresentados na discussão e organizados em quatro tópicos.
5 DISCUSSÃO
Esta discussão visa integrar os achados da revisão, apresentados na Tabela 1, aos conceitos teóricos e às condutas de enfermagem para o paciente politraumatizado. Os estudos selecionados abordam diversos aspectos do cuidado, como o perfil epidemiológico das vítimas, os protocolos de atendimento, a atuação da enfermagem, a humanização do cuidado e os desafios enfrentados pela equipe.
5.1 Epidemiologia e lesões associadas
A literatura demonstra que a maioria das vítimas envolvidas no trauma é composta por adultos jovens do sexo masculino, com idade entre 18 e 40 anos, e os acidentes de trânsito são os principais causadores de politraumatismo e óbitos no Brasil (Oliveira et al., 2021; Santos et al., 2023; Zirr, Lenz e Tressoldi, 2025).
De acordo com a pesquisa, as lesões mais frequentes incluem o Traumatismo Cranioencefálico (TCE), as lesões torácicas, abdominais e pélvicas, as lesões medulares e fraturas de membros. O TCE destaca-se como a principal causa de morbimortalidade, sendo responsável por aproximadamente 30% a 70% dos óbitos e, nos casos de sobrevivência, por sequelas neurológicas e importante comprometimento funcional (Santos et al., 2023). O trauma torácico (TT) é a segunda maior causa de morte entre pacientes politraumatizados, devido ao comprometimento de órgãos torácicos decorrente de fraturas de costelas (Pereira et al., 2024).
As lesões abdominais correspondem a cerca de 30% das ocorrências (Pereira et al., 2024; Neto et al., 2024). Diversos mecanismos fisiopatológicos estão envolvidos, como o aumento da pressão intra-abdominal. Esses mecanismos podem levar ao rompimento de vísceras ocas, à ruptura esplênica e à formação de hematomas retroperitoneais (Neto et al., 2024). Pereira et al. (2024) aprofundam a discussão ao afirmar que o trauma abdominal que cursa com lesão retroperitoneal representa um desafio no manejo, pois está associado a elevadas taxas de morbidade e mortalidade.
Além disso, destacou-se que as lesões medulares representam 70% dos casos (Pereira et al., 2024; Santos et al., 2023). Essas lesões causam alterações fisiológicas nos sistemas neurológico, cardiovascular e respiratório (Ramos, Aguiar e Lopes, 2023). No âmbito cardiovascular, podem ocorrer hipovolemia, choque hemorrágico e disfunção cardíaca; no respiratório, pneumotórax e contusão pulmonar; e, no neurológico, as lesões cranioencefálicas podem levar ao desenvolvimento de edema cerebral, hematomas e ao aumento da pressão intracraniana (Ramos, Aguiar e Lopes, 2023).
O trauma pélvico associado a fraturas ou luxações apresenta alta probabilidade de provocar lesões vasculares, especialmente de origem venosa, podendo resultar em hemorragias graves (Neto et al., 2024).
Segundo Neto et al (2024), o choque hemorrágico é a principal causa de morte passível de prevenção no pós-trauma. Assim, o reconhecimento precoce dessas lesões é fundamental para as intervenções necessárias.
A avaliação detalhada das lesões em pacientes politraumatizados é fundamental para a elaboração de estratégias terapêuticas, visto que esses pacientes apresentam elevada complexidade assistencial (Zirr, Lens e Tressoldi, 2025). Tal condição exige manejo criterioso e a implementação de protocolos assistenciais específicos, de acordo com o tipo e a gravidade das lesões, para reduzir riscos e garantir uma recuperação eficaz (Zirr, Lens e Tressoldi, 2025).
5.2 Importância da enfermagem ao paciente politraumatizado
A literatura evidencia a importância da atuação da equipe de enfermagem. Os estudos de Oliveira et al (2021); Martins, Pimentel e Rodrigues (2021); Zaparoli et al (2022); Oliveira et al (2024) e Giombeli et al (2025), enfatizam a importância de um cuidado humanizado e acolhedor, fundamentado em um amplo conhecimento técnico-científico e na padronização da assistência por meio de protocolos. A prática da enfermagem deve ser pautada em princípios científicos e atuação baseada em evidências, colaborando para um atendimento qualificado e otimizado (Custódio et al., 2022; Santos et al., 2023; Oliveira et al., 2024; Giombeli et al., 2025).
São atribuições do enfermeiro a supervisão e a gestão dos cuidados, sendo a formação contínua crucial para o aperfeiçoamento deste profissional (Zaparoli et al., 2022; Oliveira et al., 2024; Menezes et al., 2025). A sistematização dos cuidados de enfermagem é apontada como uma ferramenta fundamental para alcançar a excelência no trabalho (Menezes et al., 2025).
Apesar da importância da enfermagem, a literatura também evidencia desafios significativos. Custódio et al. (2022) e Giombeli et al. (2025) evidenciam desafios associados à sobrecarga de trabalho, ao estresse profissional, às divergências entre os membros da equipe e à deficiência de conhecimento científico. Essa deficiência reforça a importância da educação permanente para capacitação e aprimoramento contínuo, como ressaltado por (Zaparoli et al., 2022; Oliveira et al. 2024), assegurando que as decisões do enfermeiro sejam sempre pautadas em princípios científicos.
5.3 Atendimento Inicial e Intervenções de Enfermagem
O atendimento inicial ao paciente politraumatizado desempenha papel decisivo no prognóstico. Nesse sentido, a utilização de protocolos estabelecidos, como o Advanced Trauma Life Support (ATLS), mostra-se essencial para orientar a conduta dos profissionais de saúde (Zaparoli et al., 2022). O exame primário, fundamental para avaliação rápida e eficaz, emprega o protocolo XABCDE do trauma, uma sequência padronizada destinada à identificação e ao manejo das lesões com maior potencial de letalidade(Zirret al., 2025).
O protocolo XABCDE no manejo do trauma segue uma padronização baseada nas lesões de maior risco de mortalidade, sendo composto por: X (Controle de hemorragia exsanguinantes); A (Airway) – vias aéreas e controle da coluna cervical; B (Breathing) – respiração e ventilação; C (Circulation) – domínio da circulação; D (Disability) – avaliação neurológica; e E (Exposure) – exposição e controle da temperatura (Zirr et al., 2025).
Giombeli et al. (2025) esclarecem as responsabilidades da enfermagem no contexto do atendimento inicial. Tais atribuições incluem a implementação rigorosa de protocolos, a monitorização contínua de parâmetros vitais, a obtenção de acesso venoso periférico calibroso, a passagem de sonda gástrica e vesical quando necessário, a oferta de oxigenoterapia e a realização de curativos. Ademais, o manejo eficaz da dor, por meio da quantificação e da administração de medicações, constitui elemento essencial para evitar alterações indesejadas nos sinais vitais e promover o conforto (Giombeli et al., 2025).
O exercício da enfermagem abrange, ainda, a coleta de amostras sanguíneas para exames laboratoriais, a obtenção de dados clínicos relevantes e a comunicação efetiva, visando acalmar o paciente e oferecer suporte emocional durante a fase de estabilização (Dio et al., 2022). É amplamente reconhecido que os cuidados de enfermagem são fundamentais não apenas para a prevenção de agravos secundários e para o alívio da dor, mas também para a melhora do quadro clínico geral e para a detecção precoce de quaisquer lesões adicionais que possam representar risco iminente de morte (Dio et al., 2022). Esses cuidados são intrinsecamente planejados, sistematizados e individualizados, refletindo a consideração das necessidades específicas de cada paciente (Giombeli et al., 2025).
5.4 Enfermagem na recuperação do paciente politraumatizado
O enfermeiro é o profissional que atua de forma contínua nos processos de diagnóstico, tratamento e reabilitação, participando ativamente como membro da equipe multiprofissional (Oliveira et al., 2024). Sua atuação envolve intervenções que contribuem de forma eficiente para a motivação e a recuperação do paciente (Martins, Pimentel e Rodrigues, 2021).
O Processo de Enfermagem (PE) tem como finalidade planejar, diagnosticar e implementar, de forma organizada, as etapas das condutas de enfermagem, além de estabelecer normas práticas que promovam maior resolutividade e qualidade no cuidado. (Martins, Pimentel e Rodrigues, 2021). Esse processo favorece a qualificação da assistência prestada ao paciente, promovendo o uso racional dos insumos disponíveis no atendimento, seja no âmbito pré-hospitalar ou intra-hospitalar, com o objetivo de suprir integralmente as necessidades humanas básicas do paciente (Martins, Pimentel e Rodrigues, 2021).
A assistência de enfermagem ao paciente politraumatizado é fundamental, pois esse indivíduo demanda cuidados especiais de grande complexidade (Menezes et al., 2025; Oliveira et al., 2024). Nesse contexto, cabe ao enfermeiro avaliar continuamente o nível de consciência, a presença ou ausência de incapacidades e registrar quaisquer queixas apresentadas pelo paciente. Deve, ainda, assegurar a oxigenação e a circulação sanguíneas adequadas, bem como avaliar e manejar a dor por meio de intervenções farmacológicas e não farmacológicas (Souza, Silva e Oliveira, 2023).
Da mesma forma, é responsabilidade do enfermeiro executar os cuidados com curativos, adotando técnicas assépticas e utilizando o tipo de curativo mais apropriado para cada situação clínica, além de prevenir complicações decorrentes do repouso prolongado no leito, como lesões por pressão e trombose venosa profunda (Menezes et al., 2025). Esses cuidados são componentes fundamentais para o tratamento e a recuperação do paciente (Souza, Silva e Oliveira, 2023).
A abordagem de longo prazo inclui a gestão de sequelas e o acompanhamento periódico, como forma de minimizar a incapacidade física e emocional decorrente do trauma (Oliveira et al., 2024).
Em suma, a literatura analisada reforça a natureza complexa e multifacetada do cuidado ao paciente politraumatizado, sublinhando o papel insubstituível da enfermagem. A importância de conhecimento aprofundado, implementação de protocolos, humanização do cuidado e aprimoramento contínuo são temas centrais que permeiam todos os estudos, culminando em uma assistência de excelência desde o primeiro atendimento até a recuperação do paciente
6 CONCLUSÃO
Com base nos achados da pesquisa, a assistência de enfermagem evidencia-se como essencial no cuidado ao paciente politraumatizado. Nesse contexto, a equipe deve estar adequadamente preparada para o atendimento inicial, realizando intervenções oportunas e procedimentos conforme a fase do trauma.
Os dados analisados demonstram a necessidade de implementar ações voltadas à prevenção de acidentes, com destaque para os acidentes de trânsito, bem como de desenvolver estratégias que garantam uma assistência em saúde sistematizada, resolutiva e fundamentada em evidências científicas.
Os resultados também indicam que o traumatismo cranioencefálico configura-se como um problema de saúde pública relevante, apresentando elevada incidência entre adultos jovens e sendo responsável por altos índices de mortalidade e de sequelas. A identificação precoce dessas lesões mostra-se fundamental para direcionar intervenções adequadas e reduzir a ocorrência de complicações.
Dessa forma, o enfermeiro deve manter-se capacitado e continuamente atualizado para prestar assistência qualificada, com vistas à redução de agravos, à prevenção de óbitos decorrentes de complicações do trauma e à contribuição efetiva para o processo de reabilitação, promovendo melhor qualidade de vida ao paciente.
REFERÊNCIAS
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1Enfermeira Especialista em Urgência e Trauma do Centro Universitário Maurício de Nassau – UNINASSAU Vilhena/RO. E-mail: gislainesp.enf@gmail.com.
