REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510131251
João Henrique Moreira da Silva1
RESUMO
A cirurgia de terceiros molares inferiores impactados é uma das intervenções mais frequentes e está associada ao risco de lesão do nervo alveolar inferior (NAI). A coronectomia surge como uma alternativa conservadora, consistindo na remoção da coroa do dente enquanto os fragmentos radiculares são preservados, com o objetivo de reduzir complicações neurossensoriais. Esta técnica tem sido cada vez mais estudada devido à sua capacidade de minimizar lesões iatrogênicas, especialmente em casos em que a proximidade radiográfica entre raiz e canal mandibular indica alto risco. O objetivo deste artigo é revisar a literatura recente sobre coronectomia, destacando suas indicações, contraindicações, resultados clínicos e principais complicações, bem como avaliar evidências relacionadas à migração radicular, infecção, exposição de fragmentos e necessidade de reintervenção. No desenvolvimento, observou-se que a coronectomia apresenta menor incidência de parestesia em comparação à exodontia completa, sendo fatores como idade, densidade óssea e experiência do cirurgião determinantes para o sucesso do procedimento. Protocolos cirúrgicos padronizados, acompanhamento clínico-radiográfico e utilização de tomografia computadorizada de feixe cônico aumentam a segurança e previsibilidade dos resultados. Apesar de possíveis complicações, a técnica demonstra benefícios significativos para a qualidade de vida e função neurossensorial do paciente. A conclusão indica que a coronectomia é uma opção segura e eficaz para casos selecionados, desde que realizada com planejamento adequado, critérios rigorosos de indicação e seguimento sistemático, constituindo uma abordagem conservadora e fundamentada em evidências para a preservação do NAI.
Palavras-chave: Coronectomia; terceiro molar; nervos; lesão; cirurgia em terceiro molar; complicações pós-operatórias.
ABSTRACT
Surgery for impacted mandibular third molars is one of the most common interventions and is associated with the risk of inferior alveolar nerve (IAN) injury. Coronectomy emerges as a conservative alternative, consisting of removing the tooth crown while preserving the root fragments, with the aim of reducing neurosensory complications. This technique has been increasingly studied due to its ability to minimize iatrogenic injuries, especially in cases where radiographic proximity between the root and mandibular canal indicates a high risk. The objective of this article is to review the recent literature on coronectomy, highlighting its indications, contraindications, clinical outcomes, and main complications, as well as to evaluate evidence related to root migration, infection, fragment exposure, and the need for reintervention. In this study, it was observed that coronectomy has a lower incidence of paresthesia compared to complete extraction, with factors such as age, bone density, and surgeon experience determining the success of the procedure. Standardized surgical protocols, clinical and radiographic monitoring, and the use of cone-beam computed tomography increase the safety and predictability of results. Despite possible complications, the technique demonstrates significant benefits for the patient’s quality of life and neurosensory function. The conclusion indicates that coronectomy is a safe and effective option for selected cases, provided it is performed with adequate planning, strict indication criteria, and systematic follow-up, constituting a conservative and evidence-based approach for preserving the IAN.
Keywords: Coronectomy; third molar; nerves; injury; third molar surgery; postoperative complications.
1. INTRODUÇÃO
A remoção cirúrgica de terceiros molares inferiores impactados representa um dos procedimentos mais rotineiros e desafiadores na prática da cirurgia, dada a elevada prevalência desses dentes inclusos na população adulta. Apesar de sua frequência, a extração desses elementos dentários nem sempre é isenta de riscos, especialmente quando há íntima relação anatômica entre as raízes e estruturas nobres da mandíbula, como o nervo alveolar inferior (NAI). A proximidade do ápice radicular com o trajeto do canal mandibular pode resultar em complicações neurossensoriais, incluindo parestesia temporária, hipoestesia ou, em casos mais graves, parestesia irreversível, comprometendo significativamente a qualidade de vida do paciente. Diante desse cenário, alternativas cirúrgicas que priorizem a preservação neural ganharam espaço na literatura e na prática clínica. Dentre elas, a coronectomia tem se destacado por oferecer uma abordagem conservadora, na qual apenas a coroa do terceiro molar é removida, mantendo-se as raízes em posição a fim de preservar contato com o NAI. Essa técnica tem sido amplamente investigada e considerada uma opção viável em casos selecionados, por minimizar a chance de lesão direta ao NAI e reduzir a morbidade associada à exodontia convencional, configurando-se, portanto, como um tema de crescente interesse em pesquisas e atualizações clínicas.sa (Cosola, 2020).
Nesses cenários, a extração convencional pode ocasionar danos mecânicos ou compressivos ao nervo alveolar inferior, levando a distúrbios sensoriais transitórios ou permanentes. A coronectomia, ao manter os fragmentos radiculares estáveis e afastados do campo cirúrgico ativo, cria uma barreira natural que reduz a manipulação direta sobre o trajeto neural, possibilitando menor incidência de parestesia. Além disso, a técnica tem sido cada vez mais investigada em estudos clínicos e revisões sistemáticas, reforçando sua aplicabilidade em situações de risco elevado, quando criteriosamente indicada e realizada de acordo com protocolos padronizados (Mostafa, 2021).
Embora a coronectomia tenha como propósito principal a preservação da integridade do nervo alveolar inferior (NAI), ela não está isenta de complicações inerentes à manutenção dos fragmentos radiculares no alvéolo. Entre os eventos mais relatados estão a migração gradual das raízes ao longo do tempo, que em alguns casos pode resultar em exposição ao meio bucal; a exposição radicular tardia, que pode gerar dor ou desconforto mastigatório; além de processos infecciosos no alvéolo, associados tanto a restos de esmalte quanto à falha no selamento ósseo da região. Essas intercorrências podem, em determinados pacientes, culminar na necessidade de uma segunda intervenção cirúrgica para remoção dos remanescentes radiculares. Por esse motivo, a indicação da coronectomia deve ser criteriosa, levando em consideração fatores anatômicos, idade, estado periodontal, condições sistêmicas e a ausência de lesões periapicais. Além disso, é imprescindível o acompanhamento clínico e radiográfico em médio e longo prazo, a fim de monitorar possíveis alterações e garantir que a técnica cumpra seu objetivo principal: oferecer segurança ao paciente com risco elevado de lesão neurossensorial (Patel, 2021).
A escolha entre a exodontia total do terceiro molar inferior e a realização da coronectomia deve ser pautada em uma avaliação multifatorial e individualizada. Aspectos anatômicos, como a relação espacial entre as raízes e o canal mandibular, representam um dos principais determinantes na decisão terapêutica, uma vez que a proximidade pode aumentar consideravelmente o risco de danos ao nervo alveolar inferior. Além disso, fatores relacionados ao paciente, como idade que influencia a densidade óssea e o potencial de cicatrização, presença de patologias periapicais ou cistos associados, e as condições periodontais locais, devem ser criteriosamente considerados. A saúde sistêmica, o histórico de infecções na região e até mesmo o grau de ansiedade do paciente frente ao procedimento também podem impactar na escolha da técnica (Raisi. 2022).
O achado tem reforçado a técnica como uma opção terapêutica segura em casos de íntima relação entre raízes dentárias e o canal mandibular, cenário em que a extração tradicional apresenta maior probabilidade de causar parestesia temporária ou permanente. No entanto, a literatura também evidencia um efeito compensatório, frequentemente descrito como trade-off, já que a preservação das raízes está associada a um discreto aumento na incidência de complicações específicas. Entre elas, destacam-se a migração radicular progressiva, a exposição de fragmentos ao meio bucal e a ocorrência de infecções tardias, situações que podem demandar reintervenções cirúrgicas. Apesar dessas limitações, estudos longitudinais indicam que, na maioria dos casos, tais complicações apresentam manejo clínico relativamente simples e não superam o benefício de preservar a função neurossensorial. Assim, a decisão pela coronectomia deve equilibrar o ganho em segurança neural com a necessidade potencial de acompanhamento e tratamento adicional ao longo do tempo (Bernabeu, 2023).
2. REVISÃO DE LITERATURA
Protocolos cirúrgicos bem estabelecidos para a realização da coronectomia são fundamentais para minimizar complicações e garantir resultados previsíveis. Entre os aspectos técnicos mais citados estão a necessidade de remover completamente o esmalte residual da superfície coronária, a fim de evitar a exposição radicular futura, e a manutenção de um limite seguro para a profundidade dos fragmentos radiculares remanescentes, geralmente entre 2 a 3 mm abaixo da crista óssea. Além disso, a utilização de irrigação abundante durante o procedimento contribui para a redução do risco de necrose térmica e inflamação dos tecidos adjacentes, enquanto a aplicação rigorosa de princípios assépticos diminui a chance de infecção pós-operatória. Apesar desses cuidados, observa-se que a literatura científica ainda apresenta divergências quanto à padronização desses protocolos, principalmente em relação à profundidade radicular ideal e ao tempo de acompanhamento pós-operatório necessário para avaliar a estabilidade dos fragmentos remanescentes. Enquanto alguns estudos defendem seguimento radiográfico anual como medida de controle, outros sugerem intervalos menores nos primeiros meses para detecção precoce de possíveis deslocamentos radiculares ou infecções (Peixoto, 2021).
Diante do acúmulo progressivo de evidências científicas acerca da coronectomia, torna-se cada vez mais necessário organizar e sistematizar as informações disponíveis para apoiar a tomada de decisão clínica. A síntese criteriosa das principais indicações e contraindicações da técnica, assim como a análise crítica dos resultados clínicos relatados em diferentes contextos, representa um passo essencial não apenas para orientar a prática do cirurgião-dentista, mas também para fundamentar o processo de consentimento informado junto ao paciente. Essa abordagem garante que o indivíduo compreenda os potenciais benefícios e riscos, favorecendo uma escolha compartilhada e mais segura. Além disso, a consolidação desses dados fornece subsídios valiosos para a construção de protocolos de acompanhamento clínico e radiográfico, capazes de antecipar complicações e melhorar o prognóstico dos casos tratados. Dessa forma, revisões integrativas e sistemáticas da literatura recente assumem papel estratégico, uma vez que reúnem informações dispersas, possibilitando comparações entre diferentes estudos e metodologias. Nesse sentido, a presente revisão tem como objetivo central discutir esses pontos à luz das evidências contemporâneas, oferecendo uma visão abrangente e atualizada que possa auxiliar tanto na prática clínica diária quanto no desenvolvimento de diretrizes futuras (Nowak, 2024).
A coronectomia foi inicialmente introduzida como uma alternativa terapêutica destinada a situações em que a exodontia convencional de terceiros molares inferiores impactados apresentava elevado risco de dano ao nervo alveolar inferior (NAI). Diferentemente da remoção completa do dente, essa abordagem conserva os fragmentos radiculares intencionalmente, de modo a criar uma barreira anatômica natural que protege a integridade do feixe neurovascular. Por essa razão, é considerada uma técnica de caráter conservador, com foco não apenas na preservação da função neurossensorial, mas também na redução de complicações incapacitantes associadas à parestesia permanente ou transitória. Ao longo dos últimos anos, o interesse científico pela coronectomia tem aumentado, especialmente à medida que estudos clínicos de médio e longo prazo passaram a demonstrar que, quando corretamente indicada e conduzida sob protocolos técnicos padronizados, a técnica apresenta índices elevados de segurança e previsibilidade. Os relatos de seguimento evidenciam baixas taxas de complicações graves, com a maioria dos pacientes apresentando recuperação pós-operatória favorável e preservação da sensibilidade neurológica. Esses achados consolidam a coronectomia como uma opção viável e eficaz para casos específicos, em que o risco de lesão nervosa supera os potenciais benefícios da exodontia total (Kostares, 2021).
A principal indicação clínica da coronectomia está relacionada à proximidade ou contato radiográfico entre as raízes do terceiro molar mandibular e o canal mandibular, situação que representa risco elevado de lesão do nervo alveolar inferior durante a extração convencional. Essa avaliação é realizada por meio de exames radiográficos bidimensionais, como radiografias panorâmicas, ou tridimensionais, como a tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT), que permitem identificar sinais de alto risco, incluindo descontinuidade da cortical do canal mandibular, superposição das raízes sobre o trajeto nervoso e estreitamento do espaço ósseo circundante. A identificação precisa desses sinais radiográficos é crucial, pois permite que o cirurgião selecione pacientes em que a coronectomia é a opção mais segura, reduzindo significativamente a probabilidade de complicações neurossensoriais. Além disso, a análise detalhada da relação raiz-canal possibilita um planejamento cirúrgico mais criterioso, incluindo a definição da profundidade de seção da coroa, a orientação do corte e a preservação adequada do fragmento radicular. Dessa forma, a técnica não apenas protege o nervo alveolar inferior, mas também contribui para resultados clínicos mais previsíveis e seguros, sendo reconhecida como prática recomendada em casos de alto risco conforme a literatura recente (Gaballah, 2020).
Entre as contraindicações amplamente reconhecidas para a realização da coronectomia, destacam-se situações em que a preservação das raízes não é viável ou segura. Isso inclui dentes que apresentam mobilidade radicular significativa, uma condição que compromete a estabilidade dos fragmentos remanescentes e aumenta o risco de deslocamento ou extrusão durante o período pós-operatório. Além disso, a presença de patologias periapicais, cáries extensas ou fraturas radiculares que atinjam a estrutura dental de forma significativa também contraindica a técnica, pois essas condições podem predispor a infecção ou dificultar a cicatrização óssea adequada. Dentes que se encontram sintomáticos ou com infecção ativa representam outro cenário em que a coronectomia não é indicada, uma vez que a manutenção dos fragmentos radiculares poderia perpetuar o processo inflamatório ou infeccioso. Nesses contextos clínicos, a exodontia completa torna-se a abordagem preferencial, oferecendo maior previsibilidade na resolução do quadro patológico e reduzindo o risco de complicações tardias associadas à permanência de raízes comprometidas (Kurita, 2020).
A execução correta da coronectomia depende de uma série de cuidados técnicos específicos, que são determinantes para a segurança e eficácia do procedimento. Entre esses cuidados, destaca-se a remoção completa de todo o esmalte residual da coroa, medida fundamental para evitar a exposição precoce das raízes e reduzir a formação de focos de infecção. A perfilagem adequada da região radicular também é essencial, garantindo que os fragmentos remanescentes estejam suavizados e acomodados de forma estável no alvéolo, sem bordas afiadas que possam irritar os tecidos circundantes. Outro aspecto crítico consiste em manter os fragmentos radiculares a uma profundidade segura em relação à cortical alveolar, geralmente entre 3 a 5 mm abaixo da crista óssea, o que minimiza a probabilidade de exposição radicular tardia e favorece a cicatrização óssea. A combinação desses cuidados técnicos tem sido associada a redução significativa da incidência de complicações, como infecção alveolar e necessidade de reintervenção, reforçando a importância de protocolos cirúrgicos padronizados e da experiência do cirurgião na obtenção de desfechos clínicos positivos (Simons, 2023).
Estudos recentes, incluindo revisões sistemáticas e metanálises, demonstram que a coronectomia está associada a uma redução significativa na incidência de lesões do nervo alveolar inferior (NAI) quando comparada à exodontia completa de terceiros molares inferiores impactados. Esse achado reforça o papel da técnica como uma alternativa segura e eficaz em casos considerados de alto risco, nos quais a proximidade anatômica entre as raízes e o canal mandibular torna a extração tradicional mais propensa a causar parestesia transitória ou permanente. Contudo, os resultados relatados variam consideravelmente entre estudos, refletindo diferenças nas populações avaliadas, nos critérios radiográficos de inclusão, na experiência do cirurgião e no desenho metodológico das pesquisas. Essas variações evidenciam a importância de contextualizar os achados de acordo com o perfil dos pacientes e com protocolos clínicos específicos, além de reforçar a necessidade de seguimento pós-operatório padronizado para monitorar possíveis complicações e validar os benefícios da técnica em diferentes cenários clínicos (Royal, 2021).
A migração progressiva dos fragmentos radiculares constitui uma das observações mais frequentemente relatadas após a realização da coronectomia. Estudos de acompanhamento clínico e radiográfico indicam que, na maioria dos pacientes, esse movimento é fisiológico e benéfico, afastando gradualmente as raízes do canal mandibular e, assim, reduzindo ainda mais o risco de lesão do nervo alveolar inferior. Em muitos casos, essa migração ocorre de forma lenta e assintomática, sem repercussões clínicas significativas. No entanto, há situações em que o deslocamento radicular pode levar à exposição da raiz ao meio bucal, ao surgimento de desconforto local ou ao aumento do risco de infecção alveolar, exigindo eventualmente uma reintervenção cirúrgica para remoção dos fragmentos. Por isso, o acompanhamento radiográfico periódico é considerado uma prática indispensável, permitindo a detecção precoce de alterações relevantes, a avaliação da estabilidade dos fragmentos e o planejamento de eventuais procedimentos corretivos, garantindo a segurança e o sucesso clínico da técnica (Hassan, 2020).
As taxas de infecção pós-coronectomia apresentam variações significativas entre os diferentes estudos, refletindo não apenas diferenças populacionais, mas também divergências nos protocolos cirúrgicos e nos critérios de acompanhamento. A literatura indica que a adoção de uma técnica cirúrgica rigorosa, que inclui remoção completa do esmalte residual, irrigação abundante do alvéolo e preservação adequada dos fragmentos radiculares, é fundamental para reduzir a incidência de complicações infecciosas. Além disso, alguns estudos sugerem que a profilaxia antibiótica preventiva, quando indicada em pacientes com fatores de risco específicos, pode contribuir para minimizar a ocorrência de infecções e, consequentemente, a necessidade de reintervenções cirúrgicas. Contudo, a decisão sobre o uso de antimicrobianos deve ser cuidadosamente avaliada, levando em conta a saúde geral do paciente, o risco de resistência bacteriana e as recomendações de protocolos clínicos baseados em evidências, de modo a equilibrar eficácia e segurança terapêutica (Hamad, 2022).
Em uma pequena proporção de coronectomias, pode ocorrer falha intraoperatória, caracterizada pela mobilização inadvertida ou extração acidental das raízes que deveriam ser preservadas. Quando isso acontece, o procedimento deixa de ser uma coronectomia e se converte efetivamente em uma exodontia completa, o que pode aumentar significativamente o risco de lesão do nervo alveolar inferior e de complicações neurossensoriais. A ocorrência desse evento está frequentemente associada a fatores anatômicos específicos, como raízes fusionadas, curvaturas radiculares complexas ou densidade óssea elevada, que dificultam a separação controlada da coroa dos fragmentos radiculares. Além disso, a experiência do cirurgião desempenha papel crucial: profissionais com maior familiaridade com a técnica apresentam menor incidência de falhas, devido ao domínio das manobras cirúrgicas, do controle de força e da precisão no corte da coroa. Esse cenário reforça a importância de uma avaliação pré-operatória detalhada, planejamento cuidadoso e treinamento adequado para minimizar eventos adversos e assegurar que a coronectomia permaneça uma alternativa segura para preservação neural (Oliveira, 2023).
A necessidade de reintervenção após coronectomia, que geralmente envolve a remoção tardia de fragmentos radiculares, ocorre principalmente em decorrência de exposição radicular ao meio bucal, infecção alveolar persistente ou dor crônica localizada associada aos fragmentos remanescentes. Embora estudos recentes indiquem que a taxa de reintervenções seja relativamente baixa, ela não pode ser negligenciada, especialmente considerando o impacto clínico e psicológico que um segundo procedimento pode gerar no paciente. Esse cenário ressalta a importância de um seguimento clínico e radiográfico sistemático, que permita identificar precocemente sinais de migração radicular, infecção ou complicações ósseas, possibilitando intervenções oportunas e minimizando riscos adicionais. Além disso, o acompanhamento regular oferece ao cirurgião a oportunidade de avaliar a evolução da cicatrização óssea, a estabilidade dos fragmentos e a recuperação neurossensorial, consolidando a coronectomia como uma técnica segura quando associada a protocolos de monitoramento bem estruturados (Caggiano, 2020).
Estudos que avaliam qualidade de vida e sintomas pós-operatórios sugerem que a coronectomia pode proporcionar vantagens significativas em comparação à exodontia completa de terceiros molares inferiores impactados. Entre os benefícios relatados estão a redução da incidência de alterações neurossensoriais, como parestesia ou hiposensibilidade temporária do nervo alveolar inferior, e uma recuperação funcional mais rápida, incluindo retorno precoce à mastigação e menor desconforto durante os primeiros dias após o procedimento. Entretanto, os resultados observados variam conforme os protocolos cirúrgicos adotados, a experiência do cirurgião e os métodos utilizados para mensurar sintomas e qualidade de vida, como questionários padronizados ou avaliações objetivas da sensibilidade. Esses achados reforçam que, embora a coronectomia seja uma técnica promissora para pacientes de alto risco, a interpretação dos desfechos deve considerar o contexto clínico, a padronização das medidas avaliadas e o acompanhamento longitudinal, de modo a fornecer evidências confiáveis sobre os benefícios funcionais e neurológicos da técnica (Haskan, 2024).
Diversos estudos indicam que fatores individuais do paciente, como idade e densidade óssea, exercem influência significativa sobre a velocidade e a magnitude da migração radicular após a coronectomia. Pacientes mais jovens, cuja regeneração óssea é mais ativa e cuja densidade óssea tende a ser menor, frequentemente apresentam deslocamento mais rápido e pronunciado dos fragmentos radiculares, fenômeno que pode facilitar o afastamento das raízes em relação ao canal mandibular, mas também gerar maior probabilidade de exposição ao meio bucal em determinados casos. Em contrapartida, indivíduos mais velhos ou com densidade óssea aumentada podem apresentar migração mais lenta, o que exige monitoramento prolongado e maior atenção ao planejamento do seguimento clínico e radiográfico. O reconhecimento desses fatores é essencial para personalizar o acompanhamento pós-operatório, ajustar intervalos de controle e antecipar possíveis intervenções corretivas, garantindo que a coronectomia permaneça uma abordagem segura e previsível em diferentes perfis de pacientes (Tamer, 2020).
A tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) desempenha um papel central no planejamento pré-operatório da coronectomia, ao fornecer uma visão tridimensional detalhada da anatomia dentoalveolar e da relação entre as raízes do terceiro molar inferior e o canal mandibular. Essa avaliação tridimensional permite ao cirurgião identificar com maior precisão o risco de lesão do nervo alveolar inferior, definir a profundidade e a orientação do corte coronário e antecipar eventuais desafios técnicos, reduzindo significativamente a probabilidade de surpresas intraoperatórias. Embora nem todos os casos exijam exame tridimensional, recomenda-se a utilização da CBCT quando os achados radiográficos convencionais são inconclusivos ou indicam proximidade crítica entre raiz e canal, garantindo uma decisão terapêutica mais segura e fundamentada. Além disso, a CBCT possibilita mensurar a espessura óssea residual, avaliar a presença de curvaturas radiculares complexas e detectar alterações periapicais que possam contraindicar a técnica, fortalecendo o planejamento clínico individualizado e a previsibilidade dos resultados da coronectomia (Diago, 2023).
Diversas sociedades profissionais e diretrizes clínicas reconhecem a coronectomia como uma alternativa válida e segura para casos selecionados em que o risco de lesão do nervo alveolar inferior (IAN) é elevado. No entanto, essas recomendações enfatizam a necessidade de critérios rigorosos de seleção de pacientes, incluindo avaliação detalhada da relação raiz-canal, condições dentárias e sistêmicas, bem como a ausência de contraindicações locais ou sistêmicas que comprometam a técnica. Além disso, destaca-se a importância de adotar protocolos cirúrgicos padronizados, que englobam remoção completa do esmalte residual, perfilagem adequada dos fragmentos radiculares e manutenção da profundidade segura em relação à cortical alveolar. O consentimento informado é outro componente essencial, garantindo que o paciente compreenda os riscos, benefícios e possíveis complicações do procedimento. Por fim, as diretrizes recomendam a manutenção de registros detalhados e seguimento clínico-radiográfico sistematizado, possibilitando monitoramento da migração radicular, detecção precoce de complicações e avaliação longitudinal dos resultados, consolidando a técnica como uma opção confiável e baseada em evidências para casos de alto risco (Martins, 2021).
3. MATERIAL E MÉTODOS
Trata-se de uma revisão da literatura, onde será realizada uma busca eletrônica de publicações na base de dados PubMed e Scielo considerando os últimos 5 anos, foram adotados como critérios de inclusão para a busca dos estudos e critérios de exclusão, não foram utilizados artigos não relacionados ao tema, trabalhos de conclusão de cursos, tese e dissertações, não foram inclusos ao final, após a aplicação dos critérios de eleição para a seleção dos artigos para o desenvolvimento do estudo, foram excluídos os artigos que não se enquadrarem nos critérios pré-estabelecidos e os artigos selecionados de maior relevância sobre o tema serão utilizados.
4. RESULTADOS
A análise da literatura demonstra que a coronectomia de terceiros molares inferiores impactados apresenta redução significativa no risco de lesão do nervo alveolar inferior (NAI) em comparação à exodontia completa. Estudos relatam que a técnica preserva os fragmentos radiculares em posição, permitindo o afastamento gradual do canal mandibular, o que diminui a incidência de parestesia transitória ou permanente. A migração radicular, embora frequente, ocorre na maioria dos casos de forma assintomática, sendo monitorada por acompanhamento radiográfico sistemático.
As taxas de complicações, como infecção, exposição radicular tardia e necessidade de reintervenção, são relativamente baixas, mas não desprezíveis. Protocolos cirúrgicos padronizados, incluindo remoção completa do esmalte residual, irrigação adequada, manutenção de fragmentos a 3–5 mm abaixo da cortical alveolar e técnicas assépticas, estão associados a desfechos mais favoráveis. A experiência do cirurgião e fatores anatômicos, como curvaturas radiculares e densidade óssea, influenciam diretamente a ocorrência de eventos adversos, reforçando a importância de avaliação individualizada do paciente.
A coronectomia de terceiros molares inferiores impactados se consolidou como uma opção terapêutica conservadora e segura em casos de alto risco para lesão do nervo alveolar inferior. As evidências disponíveis indicam que a técnica, quando adequadamente indicada, planejada e executada, reduz significativamente a incidência de complicações neurossensoriais, mantendo os fragmentos radiculares em posição e favorecendo a preservação da função neural. Entretanto, a coronectomia apresenta um perfil próprio de intercorrências, como migração radicular, exposição tardia, infecção e necessidade ocasional de reintervenção, o que reforça a importância de protocolos cirúrgicos padronizados, consentimento informado e acompanhamento clínico-radiográfico sistemático.
5. DISCUSSÃO
Embora a coronectomia tenha como objetivo central preservar a integridade do nervo alveolar inferior (NAI), a técnica apresenta um perfil de complicações específicas, relacionadas à manutenção dos fragmentos radiculares no alvéolo. Patel (2021) destaca que eventos como migração gradual das raízes, exposição radicular tardia e infecção alveolar são os mais frequentemente relatados. A migração, na maioria dos casos, é assintomática e contribui para o afastamento das raízes em relação ao canal mandibular, porém pode resultar em exposição ao meio bucal em algumas situações. Já Raisi (2022) enfatiza que a exposição radicular tardia pode gerar dor ou desconforto mastigatório, enquanto a presença de restos de esmalte e falha no selamento ósseo favorece processos infecciosos, que eventualmente exigem reintervenção cirúrgica. Assim, ambos os autores concordam que a seleção criteriosa dos casos e o acompanhamento clínico-radiográfico a médio e longo prazo são essenciais para maximizar a segurança do procedimento e alcançar o objetivo principal da coronectomia: minimizar o risco de lesão neurossensorial em pacientes de alto risco.
Por outro lado, a decisão entre exodontia total e coronectomia deve ser orientada por uma avaliação multifatorial individualizada. Patel (2021) destaca que fatores anatômicos, como a relação entre raízes e canal mandibular, são determinantes para a escolha da técnica, enquanto Raisi (2022) reforça que idade, densidade óssea, presença de patologias periapicais ou cistos, condições periodontais e estado sistêmico influenciam significativamente os desfechos. Além disso, a participação ativa do paciente, com conhecimento sobre riscos e benefícios, é essencial para a tomada de decisão compartilhada. Comparativamente, a literatura aponta que a coronectomia reduz a incidência de lesão neurossensorial, embora mantenha risco residual associado aos fragmentos radiculares, enquanto a exodontia total elimina complicações relacionadas às raízes remanescentes, mas aumenta o potencial de danos ao NAI. Dessa forma, o equilíbrio entre segurança, previsibilidade clínica e qualidade de vida pós-operatória deve orientar a escolha terapêutica.
A remoção cirúrgica de terceiros molares inferiores impactados é reconhecida como um dos procedimentos mais comuns e desafiadores na cirurgia, em razão da alta prevalência desses dentes inclusos na população adulta. Cosola (2020) ressalta que, apesar da rotina da prática clínica, a extração desses elementos não é isenta de riscos, especialmente quando existe proximidade anatômica entre as raízes e estruturas nobres, como o nervo alveolar inferior (NAI). A literatura aponta que a íntima relação entre ápices radiculares e canal mandibular pode resultar em complicações neurossensoriais, incluindo parestesia, hipoestesia e, em casos mais graves, anestesia permanente, comprometendo a qualidade de vida do paciente. Diante desse cenário, técnicas cirúrgicas conservadoras que priorizam a preservação neural têm ganhado destaque, sendo a coronectomia uma das principais abordagens estudadas. Segundo Cosola (2020), a técnica envolve a remoção apenas da coroa do terceiro molar, mantendo as raízes em posição, o que minimiza o risco de lesão direta ao NAI e reduz a morbidade associada à exodontia convencional.
Mostafa (2021) reforça que a coronectomia baseia-se na preservação das raízes assintomáticas sem sinais patológicos, especialmente em casos de contato radiográfico com o canal mandibular. O procedimento cria uma barreira natural, afastando os fragmentos radiculares do campo cirúrgico ativo e reduzindo a manipulação direta sobre o trajeto neural. Comparativamente, a literatura evidencia que, quando realizada de forma criteriosa e seguindo protocolos padronizados, a coronectomia apresenta menor incidência de parestesia em relação à exodontia completa, sendo uma alternativa segura para pacientes de alto risco, alinhando eficácia clínica e preservação da função neurossensorial (Mostafa, 2021; Cosola, 2020).
Evidências recentes provenientes de revisões sistemáticas e metanálises indicam que a coronectomia é uma alternativa eficaz para reduzir significativamente o risco de lesão neurossensorial do nervo alveolar inferior (NAI) quando comparada à exodontia completa. Bernabeu (2023) destaca que essa técnica se mostra particularmente vantajosa em situações de íntima proximidade entre raízes dentárias e canal mandibular, cenário em que a extração tradicional apresenta maior probabilidade de causar parestesia temporária ou permanente. No entanto, a preservação das raízes não é isenta de limitações; a literatura aponta um trade-off, evidenciando aumento discreto na incidência de complicações específicas, como migração radicular progressiva, exposição dos fragmentos ao meio bucal e infecções tardias, que podem necessitar de reintervenções cirúrgicas. Apesar disso, estudos longitudinais demonstram que, na maioria dos casos, essas intercorrências podem ser manejadas clinicamente sem comprometer os benefícios da coronectomia, mantendo a preservação da função neurossensorial como principal vantagem (Bernabeu, 2023; Peixoto, 2021).
A adoção de protocolos cirúrgicos padronizados é apontada por Peixoto (2021) como fator crítico para minimizar complicações e garantir resultados previsíveis. Entre as recomendações técnicas mais citadas estão a remoção completa do esmalte residual para evitar exposição radicular futura, e a manutenção dos fragmentos radiculares a uma profundidade segura, geralmente entre 2 e 3 mm abaixo da crista óssea. A irrigação abundante durante o procedimento contribui para reduzir necrose térmica e inflamação, enquanto a adesão rigorosa a princípios assépticos diminui a incidência de infecção. Entretanto, observa-se divergência na literatura quanto à profundidade ideal dos fragmentos e ao tempo de seguimento pós-operatório. Alguns autores sugerem acompanhamento radiográfico anual, enquanto outros defendem intervalos menores nos primeiros meses para detecção precoce de migração radicular ou infecção (Peixoto, 2021; Bernabeu, 2023).
A coronectomia é indicada principalmente em situações de proximidade ou contato radiográfico entre as raízes do terceiro molar mandibular e o canal mandibular, cenário que aumenta consideravelmente o risco de lesão do nervo alveolar inferior (NAI) durante a exodontia convencional. Gaballah (2020) enfatiza que a avaliação adequada deve ser feita por meio de exames radiográficos bidimensionais, como panorâmicas, ou tridimensionais, como a tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT), permitindo a identificação de sinais de alto risco, incluindo descontinuidade da cortical do canal, superposição radicular sobre o trajeto do nervo e estreitamento do espaço ósseo circundante. Hassan (2020), por sua vez, reforça que a detecção precisa desses sinais é fundamental para selecionar pacientes em que a coronectomia representa a abordagem mais segura, reduzindo significativamente a incidência de complicações neurossensoriais. Ambos os autores destacam que a análise detalhada da relação raiz-canal possibilita um planejamento cirúrgico criterioso, incluindo a profundidade da seção da coroa, a orientação do corte e a preservação adequada dos fragmentos radiculares, resultando em maior previsibilidade e segurança clínica da técnica.
A migração gradual dos fragmentos radiculares é um achado frequentemente relatado na literatura como consequência da coronectomia. Segundo Hassan (2020), na maioria dos casos, esse movimento é fisiológico e benéfico, afastando gradualmente as raízes do canal mandibular e diminuindo ainda mais o risco de lesão do NAI. Gaballah (2020) complementa que, geralmente, essa migração ocorre de forma lenta e assintomática, sem repercussões clínicas significativas. Entretanto, em algumas situações, o deslocamento radicular pode causar exposição da raiz ao meio bucal, desconforto local ou aumento do risco de infecção alveolar, podendo exigir reintervenção cirúrgica. Por esse motivo, ambos os autores concordam que o acompanhamento radiográfico periódico é indispensável, permitindo identificar alterações precocemente, avaliar a estabilidade dos fragmentos e planejar intervenções corretivas quando necessário, garantindo a segurança e o sucesso do procedimento.
Entre as contraindicações reconhecidas para a coronectomia, Kurita (2020) destaca situações em que a preservação das raízes não é viável ou segura. Dentre elas, encontram-se dentes com mobilidade radicular significativa, condição que compromete a estabilidade dos fragmentos e aumenta o risco de deslocamento ou extrusão pós-operatória. Além disso, a presença de patologias periapicais, cáries extensas ou fraturas radiculares que comprometem de forma relevante a estrutura dental constitui contraindicação, pois essas alterações podem predispor à infecção ou dificultar a cicatrização óssea adequada. Hassan (2020) complementa que dentes sintomáticos ou com infecção ativa também não devem ser submetidos à coronectomia, já que a manutenção dos fragmentos poderia perpetuar processos inflamatórios ou infecciosos. Nesses cenários, a exodontia completa torna-se a abordagem preferencial, garantindo maior previsibilidade na resolução do quadro clínico e diminuindo o risco de complicações tardias relacionadas a raízes comprometidas.
A execução adequada da coronectomia depende de cuidados técnicos rigorosos, determinantes para a eficácia e segurança do procedimento. Simons (2023) reforça que a remoção completa do esmalte residual da coroa é fundamental para prevenir exposição precoce das raízes e reduzir focos de infecção. Gaballah (2020) acrescenta que a profilagem da região radicular é essencial, assegurando que os fragmentos estejam estáveis e acomodados no alvéolo sem bordas afiadas que possam irritar tecidos adjacentes. Manter os fragmentos radiculares a uma profundidade segura, geralmente entre 3 a 5 mm abaixo da crista alveolar, minimiza a probabilidade de exposição tardia e favorece a cicatrização óssea. A combinação desses cuidados técnicos, aliados à experiência do cirurgião, tem sido associada à redução de complicações, como infecção alveolar e necessidade de reintervenção, destacando a importância de protocolos padronizados.
Estudos recentes, incluindo revisões sistemáticas e metanálises, indicam que a coronectomia reduz significativamente a incidência de lesões do nervo alveolar inferior (NAI) quando comparada à exodontia completa de terceiros molares inferiores impactados (Royal, 2021). Kostares (2021) observa que, embora os resultados evidenciem a segurança da técnica em casos de alto risco, a magnitude dos achados varia entre estudos, refletindo diferenças populacionais, critérios radiográficos, experiência do operador e delineamento metodológico. Essas variações reforçam a necessidade de contextualizar os achados de acordo com o perfil do paciente, aplicar protocolos clínicos bem definidos e manter seguimento pós-operatório sistemático para monitorar possíveis complicações e validar os benefícios da coronectomia em diferentes cenários clínicos.
Com o aumento progressivo das evidências sobre a coronectomia, torna-se fundamental organizar e sistematizar os dados disponíveis para apoiar a tomada de decisão clínica. Nowak (2024) enfatiza que a síntese criteriosa das indicações e contraindicações da técnica, aliada à análise crítica dos resultados clínicos reportados, é essencial para orientar a prática do cirurgião-dentista e fundamentar o consentimento informado. Essa abordagem permite que o paciente compreenda claramente os potenciais benefícios e riscos, promovendo decisões compartilhadas mais seguras. Além disso, a consolidação desses dados fornece subsídios importantes para a construção de protocolos de acompanhamento clínico e radiográfico, permitindo identificar precocemente possíveis complicações e melhorar o prognóstico. Comparativamente, diferentes revisões integrativas e sistemáticas oferecem a oportunidade de analisar metodologias e resultados heterogêneos, favorecendo uma visão mais abrangente sobre a eficácia e segurança da coronectomia (Nowak, 2024; Kostares, 2021).
As taxas de infecção pós-coronectomia apresentam variações entre diferentes estudos, refletindo não apenas diferenças populacionais, mas também divergências nos protocolos cirúrgicos e nos critérios de acompanhamento. Hamad (2022) enfatiza que a adoção de uma técnica cirúrgica meticulosa, incluindo remoção completa do esmalte residual, irrigação abundante e preservação adequada dos fragmentos radiculares, é crucial para reduzir complicações infecciosas. Peixoto (2021) complementa que a profilaxia antibiótica preventiva, quando indicada em pacientes com fatores de risco específicos, pode diminuir a ocorrência de infecções e, consequentemente, a necessidade de reintervenção, embora o uso de antimicrobianos deva sempre ser ponderado quanto à saúde do paciente, risco de resistência bacteriana e diretrizes baseadas em evidências.
Em uma pequena proporção de casos, a falha intraoperatória, caracterizada pela mobilização ou extração acidental das raízes, transforma a coronectomia em exodontia completa, aumentando o risco de lesão do nervo alveolar inferior. Oliveira (2023) observa que esse evento está frequentemente relacionado a fatores anatômicos, como raízes fusionadas, curvaturas radiculares complexas ou densidade óssea elevada, enquanto a experiência do cirurgião é determinante para minimizar falhas. A avaliação pré-operatória detalhada e o planejamento cuidadoso são, portanto, essenciais para preservar a segurança neural.
A necessidade de reintervenção ocorre principalmente devido à exposição radicular, infecção persistente ou dor associada aos fragmentos remanescentes. Caggiano (2020) ressalta que, embora a incidência seja baixa, o acompanhamento clínico e radiográfico sistemático é fundamental para identificar precocemente migração radicular ou complicações, garantindo intervenções oportunas e preservação da função neurossensorial.
A qualidade de vida pós-operatória também é impactada positivamente pela coronectomia. Haskan (2024) destaca que a técnica reduz alterações neurossensoriais e promove recuperação funcional mais rápida, embora os resultados variem conforme protocolos cirúrgicos, experiência do cirurgião e métodos de avaliação.
Fatores individuais do paciente, como idade e densidade óssea, influenciam a velocidade e magnitude da migração radicular, sendo pacientes mais jovens mais propensos a deslocamento rápido, enquanto indivíduos mais velhos apresentam migração mais lenta, demandando monitoramento prolongado (Tamer, 2020).
A tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT) desempenha papel central no planejamento pré-operatório, fornecendo visão tridimensional da relação raiz-canal, permitindo definição precisa da profundidade do corte e antecipação de desafios técnicos (Diago, 2023).
Por fim, sociedades profissionais e diretrizes reconhecem a coronectomia como alternativa segura em casos selecionados de alto risco, enfatizando critérios rigorosos de seleção, protocolos cirúrgicos padronizados, consentimento informado e seguimento clínico-radiográfico sistematizado (Martins, 2021).
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