REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202512081106
Larissa Maria Volpe1
Beatriz Santana2
RESUMO
A colorimetria pessoal tem como objetivo identificar, por meio de tecidos-drapeados, as nuances de tom e subtom que melhor harmonizam com as características naturais de pele, olhos, sobrancelhas e cabelos. Para isso, aplica-se o método Sazonal Expandido em uma etapa objetiva, que avalia a saturação e a temperatura cutânea, e em uma etapa subjetiva, que considera a personalidade do indivíduo, a formalidade do ambiente profissional e os princípios da psicologia das cores. Os resultados revelam paletas de cores capazes de valorizar traços faciais e alinhar a mensagem visual às intenções pessoais, promovendo maior coerência na percepção de credibilidade, status e afinidade social. A discussão evidencia que, ao conhecer previamente as cores ideais, os indivíduos não apenas otimizam seu consumo de moda, evitando gastos desnecessários e práticas insustentáveis, mas também fortalecem sua comunicação não verbal, já que a escolha cromática reflete humor, objetivos e características de personalidade. Considerando a relevância da imagem no primeiro impacto, a análise de coloração pessoal transcende a estética, posicionando-se como uma ferramenta estratégica de autoconhecimento e construção de identidade visual. Ao integrar técnica, psicologia e sustentabilidade, o processo oferece um guia prático para maximizar o potencial expressivo e comunicativo das cores.
PALAVRAS-CHAVE: Colorimetria pessoal; Cartela de cores; Comunicação visual; Psicologia das cores.
ABSTRACT
Personal colorimetry aims to identify, through draped fabrics, the nuances of tone and undertone that best harmonize with the natural characteristics of skin, eyes, eyebrows, and hair. To achieve this, the Expanded Seasonal method is applied in an objective phase, which assesses saturation and skin temperature, and in a subjective phase, which considers the individual’s personality, the formality of the professional environment, and the principles of color psychology. The results reveal color palettes capable of enhancing facial features and aligning the visual message with personal intentions, promoting greater coherence in the perception of credibility, status, and social affinity. The discussion highlights that, by knowing ideal colors in advance, individuals not only optimize their fashion consumption, avoiding unnecessary expenses and unsustainable practices, but also strengthen their nonverbal communication, as color choice reflects mood, goals, and personality traits. Considering the relevance of the image at first impact, personal color analysis transcends aesthetics, positioning itself as a strategic tool for self-knowledge and visual identity construction. By integrating technique, psychology and sustainability, the process offers a practical guide to maximizing the expressive and communicative potential of colors.
KEYWORDS: Personal color analysis; Color palette; Visual communication; Color psychology.
1 INTRODUÇÃO
A análise de coloração pessoal, ou simplesmente, Colorimetria é uma seleção que, através de tecidos podemos avaliar a saturação e temperatura da pele a fim de descobrir o tom e subtom, e assim encontrar uma cartela de cores perfeita para uma pessoa. Nesse tipo de estudo temos a possibilidade de descobrir – com o auxílio de testes – de forma comparativa, as cores que mais se harmonizam com a pessoa, podendo ver seu contraste com a pele, olhos, sobrancelhas e cabelos, por um método conhecido como Sazonal Expandido (PINTO, 2017).
Com toda a questão das cores, sabemos que elas são elementos primordiais do design, e causam um impacto muito grande na imagem pessoal e profissional, tendo em conta que elas estão diretamente atreladas à comunicação visual (LURIE, 1997; ALVES, 2016).
O processo de verificação ocorre sempre em duas etapas, a coloração pessoal, onde é analisado a pigmentação da pele, e posteriormente uma análise subjetiva, considerando a personalidade do indivíduo, a formalidade do ambiente de trabalho e a psicologia das cores, que tem o objetivo de mostrar a mensagem que as cores passam, conforme a variação dos tons (FISCHER, 2001; PINTO, 2017).
Entende-se assim, a importância da verificação dessas questões, pois, além de trazer uma análise de estilo e personalidade, a cartela de cores que será criada pode auxiliar no consumo consciente, quando já se sabe o que funciona de verdade, não existe a necessidade de gastar valores altos em peças, a fim de encontrar a melhor opção (AGUIAR, 2011; ALVES, 2016).
Imagem é percepção, quando vemos alguém na rua, logo realizamos um pré-julgamento, assim criando uma relação não apenas verbal, mas visual também, onde a linguagem corporal, expressões faciais e aparência impactam diretamente na impressão que criamos, o que influencia na avaliação da personalidade, atração, ocupação, situação financeira, credibilidade e também na afinidade social e intelectual (LURIE, 1997; FISCHER, 2001).
São, enfim, utensílios de comunicação que auxiliam na hora de expressar os aspectos de personalidade, humor e intenções; nesse caso, entende-se que a aparência não diz respeito somente à estética, mas também à forma como nos expressamos e comunicamos (ALVES, 2016; LURIE, 1997).
2 DESENVOLVIMENTO
Neste tópico, apresentam-se os fundamentos teóricos da teoria das cores e a evolução histórica dos métodos de colorimetria pessoal, assim como a estrutura geral da pesquisa.
Parte-se da “Teoria da Cor e Luz” de Newton, apresentado na Figura 1, que demonstrou a composição da luz visível em sete cores básicas ao refratar um raio de luz através de um prisma (NEWTON, 1704).
Figura 1: Teoria das Cores, Newton.

Fonte: https://impressionartetavira.blogspot.com/2013/04/teoria-da-cor.html
Avança-se para a aplicação científica e funcional das cores na Escola Bauhaus, que no início do século XX incorporou rigor teórico à prática artística (GROPIUS, 1919). Em seguida, descrevem-se os aprimoramentos de Suzanne Caygill nos anos 1940, estabelecendo o primeiro método sistemático de análise de cores pessoais (CAYGILL, 1940), e as contribuições de Carole Jackson (1980) e Mary Spillane (1990), que detalharam os critérios de temperatura, profundidade, intensidade e contraste para doze categorias sazonais expandidas (JACKSON, 1980; SPILLANE, 1990).
2.1 Materiais e Métodos
Para conduzir a análise, utilizaram-se retângulos de tecidos, como apresentado na Figura 2, em variações de cor que permitem avaliar:
- Temperatura (quente, fria ou neutra)
- Profundidade (clara ou escura)
- Intensidade (vívida ou opaca)
- Nível de contraste (baixo, médio ou alto)
Figura 2: Teste de Coloração Pessoal.

Fonte: https://www.campograndenews.com.br/lado-b/consumo/atraves-da-coloracao-pessoal-keyla-ajuda-descobrir-sua-estacao-do-ano
O método inicial de quatro estações (Primavera, Verão, Outono, Inverno) foi expandido para doze categorias, a fim de abranger a diversidade de tonalidades da população (JACKSON, 1980). A classificação estacional considerou ainda os padrões observados na íris, cujos desenhos radiais e bordas nítidas indicam subtom frio de Inverno; tramas sutis remetem ao subtom quente de Primavera; redemoinhos e sardas apontam Outono; e anéis coloridos sugerem Verão (SPILLANE, 1990; PINTO, 2017).
2.2 Resultados e Discussões
A aplicação do método refinado permitiu identificar perfis sazonais com definições precisas de paletas, como na Figura 3:
- Verão Puro: pele clara rosada, baixo a médio contraste, cores frias suaves.
- Verão Suave: pele clara rosada, alto contraste, tons frios opacos.
- Verão Claro: contraste variável, tons claros frios, cores vibrantes.
- Inverno Puro: alto contraste, cores frias intensas, presença de preto e branco.
- Inverno Intenso: contraste médio a alto, subtons frios vibrantes.
- Inverno Profundo: alto contraste, tons frios escuros e brilhosos.
- Primavera Pura: subtons quentes, cores saturadas quentes.
- Primavera Clara: tons claros quentes, intensidade média.
- Primavera Intensa: contraste médio a alto, cores vibrantes quentes.
- Outono Puro: contraste alto, cores quentes de profundidade média.
- Outono Suave: contraste baixo, cores quentes de intensidade média.
- Outono Profundo: contraste alto, tons quentes acobreados de profundidade.
Figura 3: Sugestões de Cartelas Pessoais.

Fonte: https://amaro.com/blogs/inspire/o-que-e-coloracao-pessoal?srsltid=AfmBOooOOcPDZRIUUaTzUtTKM8lihCfM_fxOfC_WeAUdzjccvMYBcvwP
Os resultados evidenciam que a análise sazonal expandida aprimora a correspondência entre características biológicas e paleta cromática, favorecendo a expressão pessoal e o consumo consciente ao evitar escolhas por tentativa e erro (ALVES, 2016; AGUIAR, 2011).
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considerando os resultados deste estudo, fica evidente que as vestimentas e suas cores atuam como instrumentos sofisticados de comunicação não verbal, capazes de moldar percepções e reforçar mensagens de caráter pessoal e profissional. A crescente busca por consultoras especializadas reflete a consciência de que um planejamento cromático bem‐estruturado transcende a escolha estética, atuando diretamente na construção da identidade visual, na projeção de autoridade ou simpatia e na consolidação de um branding pessoal coerente.
Adicionalmente, cada cor carrega diversas conotações culturais e situacionais, exigindo que o uso das peças seja planejado conforme o contexto – seja uma reunião corporativa, um evento social ou um momento de introspecção. Elementos como introspecção, refinamento ou distanciamento podem ser enfatizados pela seleção consciente de matizes, contrastes e intensidades, o que demonstra a necessidade de uma análise integrada: técnica, psicológica e contextual.
Portanto, para que as cores expressem fielmente a mensagem desejada, é imprescindível unir a precisão da colorimetria pessoal – que avalia tom, subtom, contraste e intensidade – com a compreensão dos objetivos comunicacionais e das referências culturais do meio em que se atua. Esse olhar holístico não só potencializa a assertividade das escolhas de guarda‐roupa, mas também promove consumo inteligente e sustentável, ao evitar aquisições por tentativa e erro e valorizar peças que dialoguem harmoniosamente com a personalidade e o cenário de cada indivíduo.
REFERÊNCIAS
AGUIAR, Titta. Personal stylist: guia para consultores de imagem. 6. ed. São Paulo: Senac, 2011.
ALVES, Nida. O que é ser um personal stylist? POLLOFASHION, Fortaleza, v. 21, jun. 2016.
CAYGILL, Suzanne. Colour and Style: a practical guide to colour analysis. Londres: George Allen & Unwin, 1940.
FISCHER, Toby. O código do vestir. Rio de Janeiro: Rocco, 2001.
GROPIUS, Walter. Bauhaus manifesto. Weimar: Staatliches Bauhaus, 1919.
JACKSON, Carole. Color Me Beautiful. Nova York: Dell, 1980.
NEWTON, Isaac. Opticks: or, A Treatise of the Reflections, Refractions, Inflections and Colours of Light. Londres: Royal Society, 1704.
PINTO, Yane Araújo. Consultoria de imagem: a linguagem das roupas e a sua relevância na construção da imagem pessoal. 2017. 20 f. Artigo (Graduação em Design-Moda) – Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2017.
SPILLANE, Mary. Looking Your Best: The Ultimate Guide to Seasonal Colour Analysis. Chicago: Probus Publishing, 1990.
1Discente do Curso de Bacharelado em Moda, da Faculdade de Ensino Superior do Interior Paulista – FAIP. Marília/SP
2Docente do Curso de Bacharelado em Moda, da Faculdade de Ensino Superior do Interior Paulista – FAIP. Marília/SP
