CONTRIBUIÇÕES DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM NA EDUCAÇÃO INFANTIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202506201227


Leliane Maria Barroso Pantoja1
Jaqueline Mendes Bastos2


RESUMO

O presente artigo traz para discussão a importância da contribuição da família no que concerne ao processo de aprendizagem da criança, bem como, para a formação do indivíduo enquanto cidadão. Assim sendo, por ser a família a primeira instituição da qual a criança participa, a mesma, tem uma significativa contribuição no acompanhamento do processo de aprendizagem do indivíduo, que em parceria com a escola, instituição que proporciona os conhecimentos sistematizados, irão juntos fortalecer o processo de aprendizagem. Dessa forma, o principal objetivo com este estudo é analisar como tem sido a contribuição da família no processo de aprendizagem na educação infantil, sendo a família a primeira instituição social em que a criança participa. Este é um estudo de cunho estritamente bibliográfico, embasado em autores, como, Andrade (1998), Antunes (2006), Chraim (2009), Prado (1981), Ceccon (1997), Kramer( 2002), Piletti (1991) e amparado ainda por documentos legais como ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), visando a sustentação teórica para este estudo, para assim ter chegado aos resultados almejados que foi compreender de fato a importância que tem a família para uma boa formação e desenvolvimento do indivíduo.

Palavras-Chave:   Família; Criança; Aprendizagem; Desenvolvimento.

1. INTRODUÇÃO

É notório que no transcorrer dos tempos as relações família-escola vem sofrendo profundas modificações, haja vista que o papel e as funções sociais dessas duas instituições vem sendo aos poucos redefinidos e delimitados de acordo com as necessidades que são estabelecidas socialmente. Na atualidade tem sido cada vez maior o número de defensores da ideia de que a participação das famílias nas escolas contribui de maneira significativa para a melhoria da qualidade do ensino. Ao longo da história evidenciou-se que os cuidados com a educação dos jovens e crianças estavam a cargo das famílias, que orientavam seus filhos para desenvolver papéis específicos na sociedade.

Ao passar o tempo essa concepção de educação foi sendo alterada, e com isso se desenvolveu e cresceu um movimento em prol da criação de instituições educacionais que atuasse na formação dos filhos enquanto os pais ocupavam novos postos de trabalho para o sustento dos filhos em idade escolar, que eram levados para as creches pré-escolas ou escolas infantis para serem cuidados enquanto os pais trabalhavam.

A educação infantil consiste no desenvolvimento do trabalho em prol da formação de crianças, cujo objetivo é que elas se tornem aptas para viver numa sociedade democrática, multidiversificada e em constantes transformações. Neste sentido, a família contribui de forma significativa para que a criança se desenvolva nos mais diversos aspectos, como o social, o afetivo, o intelectual.

Logo, por ser a Educação Infantil, a primeira etapa do processo educacional da vida da criança, esta precisa das contribuições da família no seu processo de aprendizagem, pois, nesta fase, é de suma importância que a família esteja engajada junto à escola em seu desenvolvimento e aprendizagem, norteando e auxiliando.

O presente artigo, é fruto de uma pesquisa bibliográfica, embasado em autores, estudiosos que discutem a temática desenvolvida, Contribuições da Família no Processo de Aprendizagem na Educação Infantil, associado as minhas experiências pessoais enquanto mãe, bem como, enquanto profissional, sendo professora/educadora da educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental a alguns anos.

Nesse sentido o artigo traz como objetivos significativos levantamentos inerentes ao tema: como objetivo geral o estudo busca analisar como tem sido a contribuição da família no processo de aprendizagem na educação infantil, sendo a família a primeira instituição social em que a criança faz parte. Como objetivos específicos; compreender o papel da família no desenvolvimento cognitivo, social e emocional da criança na Educação Infantil; Analisar a influência do ambiente familiar no desempenho e na motivação da criança para a aprendizagem e identificar práticas familiares que favorecem o aprendizado e o desenvolvimento infantil.

Para que pudesse chegar aos objetivos propostos foi de suma importância que se construísse uma abrangente busca bibliográfica, girado em torno de averiguação em diversas literaturas que dão suporte para a formação da discussão sobre o tema.

Desta forma, o artigo está estruturado em tópicos e sub tópicos, sendo que no primeiro tópico, farei uma breve abordagem sobre o conceito de família, bem como, o desenvolvimento, pelo qual, a mesma vem passando ao longo da história, enfatizando, assim, as configurações, e as transformações ocorridas no grupo familiar, sendo este o primeiro grupo social do qual a criança participa, ressaltando que a família é e sempre será a principal responsável pela formação da criança, independentemente de como esta está constituída ou estruturada.

Em seguida, abordarei o conceito de Educação Infantil, procurando fazer definições acerca desta etapa da vida, a infância, caracterizando como esta foi concebida por longos períodos da história, e como é concebida hoje, sendo que nos dias atuais é garantida e amparada em diversas leis que se fazem presentes como por exemplo, na Constituição Federal, no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), nos Referencias para Educação Infantil, dentre outros.

Ainda com relação à educação Infantil, em outro tópico, farei um discurso a respeito do Desenvolvimento Infantil, sendo este denominado como a primeira forma de socialização da criança, ou, socialização primária, onde a criança começa a formar sua personalidade que irá subsidiá-la por toda a vida. Apresentado algumas formas de como acontece o desenvolvimento infantil, bem como, este tem contribuições positivas e ou negativas para o futuro da criança.

Sequenciando as discussões, em um outro tópico abordarei sobre a Relação Família e Escola na Educação Infantil, tecendo comentários de como pode ser essa relação à medida que a família possa estar contribuindo positivamente para o desenvolvimento e aprendizagem da criança. Ainda com relação a família, primeiro grupo social do qual a criança participa, será enfatizado a importância desta no Processo de Aprendizagem da Criança.

2. COMPREENDENDO O CONCEITO DE FAMÍLIA E SEU DESENVOLVIMENTO AO LONGO DA HISTÓRIA.

Por família, compreende-se, o primeiro grupo social do qual fazemos parte, onde cada um começa a construir sua história de vida, e sua identidade cultural. Através da família o indivíduo recebe influências de valores e convivência no grupo, o que é essencial para o desenvolvimento individual de cada cidadão. É na infância que o indivíduo começa a construir sua personalidade. 

Assim sendo,

A base familiar representa um porto que precisa ser seguro, capaz de transformar essa criança em um ser humano, cada vez mais confiante e encorajado, podendo contar com os adultos à sua volta. É fundamental a constante presença física de um adulto para que possa mediar as ações infantis, caso haja necessidade. (CHRAIM, 2009, p. 40).

O autor ressalta a importância da base familiar como um ambiente seguro e acolhedor, funcionando como um “porto seguro” onde a criança pode desenvolver sua autoconfiança e explorar o mundo com segurança. Essa metáfora, comum em estudos de psicologia do desenvolvimento, remete às teorias do apego, que enfatizam a necessidade de uma figura de referência estável para proporcionar suporte emocional e promover a segurança interna da criança.

Além disso, destaca-se a relevância da presença constante de um adulto, que não atua apenas como vigilante, mas sim como um mediador das interações e das experiências cotidianas da criança. Essa mediação é fundamental para ajudar na construção do conhecimento e na compreensão do mundo, remetendo às teorias socioculturais, que atribuem aos adultos um papel decisivo na orientação e na formação dos processos cognitivos e sociais dos pequenos.

Por fim, o texto se insere num contexto que valoriza não somente os vínculos afetivos, mas também o papel ativo da família na formação da personalidade e na promoção do bem-estar infantil. Ao enfatizar a necessidade de uma presença adulta constante e cuidadosa, o texto reforça a ideia de que o desenvolvimento saudável da criança depende do suporte emocional e da orientação oferecidos por um ambiente familiar estável e comprometido com seu crescimento integral.

Dessa forma, a família é para a criança o ponto de sustentação, a base para sua construção, tendo a família um papel importante e decisivo na formação do sujeito enquanto cidadão; assim sendo, a família é o primeiro grupo social do qual a criança participa, logo, esta se faz responsável em proporcionar o desenvolvimento integral da criança, nos mais diversos aspectos como o social, afetivo.

Neste sentido, Prado (1981), afirma que a família como toda instituição social, apesar dos conflitos, é a única que engloba o indivíduo em toda a sua história de vida pessoal. É no contexto familiar que a criança adquire as suas primeiras experiências educativas, aprendendo a interagir nos diferentes ambientes, independente das normas que lhe são impostas, quer seja através da família, da escola ou qualquer outra realidade vivida em sociedade, assim a família é tida como a principal responsável pela educação do cidadão.

A base familiar é essencial para o desenvolvimento emocional e social da criança. Quando a criança encontra um ambiente seguro e acolhedor, onde os adultos oferecem suporte constante, ela desenvolve autoconfiança e a capacidade de explorar o mundo de forma mais segura.

A presença física do adulto, além de proporcionar segurança, também serve como um modelo para o comportamento da criança. A mediação das ações infantis não significa apenas impor limites, mas orientar, apoiar e estimular o aprendizado. Isso vale para aspectos cognitivos, emocionais e sociais.

A família é influência positiva e significativa na medida que transmite valores, afeto, apoio, solidariedade, entretanto, é extremamente negativa quando impõe normas através de leis, logo, uma das principais funções da família é a função educacional, sendo esta a responsável por transmitir à criança os valores e padrões culturais do meio social em que está inserido (CHRAIM, 2009). 

Para tanto, partindo da premissa de que a família é a primeira instituição social do qual a criança participa, bem como, é onde a criança adquire valores, princípios, que serão importantes para sua formação enquanto cidadão, é importante frisar que a família ao longo da história vem passando por inúmeras transformações, tanto de cunho organizacional, estrutural, e até mesmo em sua constituição.

A concepção aceitável de estrutura familiar por muito tempo era apenas aquela formada por pai, mãe e filhos, sendo o pai, o único responsável pelo sustento da família, para a mãe ficava a responsabilidade em cuidar dos filhos e dos afazeres domésticos. 

Contudo, o sistema familiar, a estrutura de família vem se modificando à medida que a sociedade também vem se modificando, pois, aquela estrutura familiar de pai, mãe e filhos, hoje ganha uma nova roupagem de estrutura, podendo ser constituída de diferentes formas, bem como, tendo muitas vezes a figura feminina como principal integrante da família; sendo as relações afetivas- emocionais a sustentação básica das famílias contemporâneas.

Para tanto, em meio às diversas transformações no que concerne a questão de estrutura, de concepção familiar, ainda assim, a família é e sempre será a primeira instituição da qual a criança participa, e é também onde adquire sua primeira formação.

Neste sentido,

A família é o primeiro núcleo social que abriga o homem. É ela quem vai dar condições à criança de construir seus modelos, de aprender e aprender. A família coloca-se como filtro que capta o colorido social, modificando-o, integrando-o ao seu próprio espectro e nesse movimento vai contribuindo para a individuação da criança que abriga no seu ventre.  (ANDRADE, 1998, p. 23).

Embora a concepção, o conceito, a estrutura de família tenha mudado, pois, hoje tem-se diferentes estruturas, com diferentes atores sociais desempenhando diferentes papéis, logo, a família, seja ela formada por pai, mãe e filhos, ou outra estrutura que seja, será sempre a instituição responsável pela formação da criança. 

Sendo a Educação Infantil, a primeira etapa do processo educacional da vida do cidadão, precisa necessariamente ter a participação da família, contribuindo no processo de desenvolvimento da criança e ajudando na formação de sua personalidade.

A educação infantil além de ser a fase na qual a criança irá começar a formar sua personalidade, é também a fase que contribui para o desenvolvimento físico-social, além de proporcionar o amadurecimento das relações socioculturais. 

Nesse sentido, entende que a educação infantil manifesta:

Um conjunto de fenômenos psíquicos que se manifestam sob a forma de emoções que provocam sentimentos. A afetividade se encontra ‘escrita’ na história genética da pessoa humana e deve-se a evolução biológica da espécie. Como o ser humano nasce extremamente imaturo, sua sobrevivência requer a necessidade do outro, e essa necessidade se traduz em amor. (ANTUNES, 2006, p. 05)

Assim sendo, por ser a família o primeiro grupo social que possibilita o desenvolvimento da criança, sem dúvida que é também no meio familiar que o indivíduo encontra afeto, carinho, aprende sobre princípios, valores, respeito, cultura, ética, etc.

Isso reflete a ideia de que a afetividade é um aspecto essencial da natureza humana, enraizado tanto na biologia quanto na experiência social. Desde o nascimento, o ser humano depende do outro para sobreviver, e essa interação inicial molda seu desenvolvimento emocional e cognitivo. O amor, nesse contexto, pode ser entendido como o elo que sustenta essa relação de dependência e cuidado, garantindo não apenas a sobrevivência, mas também a construção da identidade e do bem-estar emocional ao longo da vida (ANTUNES, 2006).

Entretanto, por ser a família o primeiro grupo social do qual a criança participa, é importante que esta esteja sempre presente direcionando, auxiliando, participando assiduamente do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança, norteando e contribuindo principalmente na fase que corresponde a educação infantil.

3. EDUCAÇÃO INFANTIL E SEU APORTE LEGAL.

A educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar, neste sentido é importante que haja a interação e colaboração entre ambas para que aconteça o sucesso do processo de aprendizagem pela criança. De acordo com o artigo 205 da Constituição Federal.

[…] a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (BRASIL, 1998)

É sabido que, é dever do estado assegurar educação de qualidade a todos, sendo este direito assegurado por lei. Contudo, é dever da família o compromisso de manter esse aluno na escola, dando apoio, incentivando, direcionando, contribuindo junto a escola no processo de aprendizagem.

Logo, a participação da família é fundamental para que haja o bom desempenho escolar e social das crianças, assim sendo, em seu artigo 4º o estatuto da criança e do adolescente (ECA) discorre;

É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à liberdade, e à convivência familiar e comunitária. (BRASIL, 1990)

Para tanto, é importante que a família esteja engajada no processo de aprendizagem da criança, pois, esse engajamento tende a favorecer o bom desempenho escolar, sendo que, as contribuições da família se tornam ainda mais necessárias na educação infantil, por ser a primeira etapa do processo de educação escolar da criança.

Conforme a Lei nº 9.394/96, (LDB- Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), a Educação Infantil é a primeira etapa da Educação Básica e tem como finalidade a promoção do desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade.

Para tanto, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96) determinou que a Educação Infantil se constitui na primeira etapa da Educação Básica, se integrando ao Ensino Fundamental e Ensino Médio. Nesse aspecto, considera-se que a Educação Infantil ganhou dimensões mais amplas dentro do sistema educacional, onde a criança passou a ser entendida como sujeito capaz de criar e estabelecer relações, como um ser em desenvolvimento, sócio histórico, produtor de cultura, que necessita de ações pedagógicas voltadas para o seu aprendizado, expandindo a visão assistencialista e que, para além de cuidados, precisa ser educado.

Por um longo período na história a criança foi vista como um adulto em miniatura, tais concepções fundamentaram durante muito tempo a maneira de se pensar a criança e a infância.

Entretanto, os novos paradigmas destacam a criança como sujeito social e histórico que faz parte de uma organização familiar, que está inserida em uma sociedade, com uma determinada cultura, em um determinado tempo histórico. Nesse sentido, a criança é vista como um sujeito que age sobre o meio e sofre as ações deste sobre sua trajetória pessoal (SOUZA 2007).

As crianças possuem uma natureza singular, que as caracteriza como seres que sentem e pensam o mundo de uma forma peculiar. Pois, nas interações que estabelece, com pessoas ou com o meio, a criança revela seu esforço para compreender o mundo em que vive, assim, por meio de brincadeiras, explicita a condição de vida a que está submetida, suas necessidades, suas imaginações, entre outros.

No processo de construção do conhecimento, a criança utiliza diferentes linguagens e exerce a capacidade de questionar e de desvelar situações cotidianas que lhe permitam dar sentido à aprendizagem. A construção do conhecimento na infância acontece por meio da interação com o mundo e da utilização de diferentes linguagens oral, corporal, visual, escrita e, no caso de crianças surdas, a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esse processo é impulsionado pela curiosidade natural da criança, que questiona e experimenta para compreender e dar sentido às suas vivências.

A criança constrói o conhecimento, como já sinalizado, a partir das interações que estabelece com as outras pessoas e com o meio em que vive, logo, o conhecimento não se constitui numa reprodução das situações vividas, mas sim em resultado da criação, significação e ressignificação das mesmas, ou seja, é quando acontece o desenvolvimento infantil.

Esse conceito está alinhado com a perspectiva sociointeracionista do desenvolvimento infantil, especialmente com as ideias de Vygotsky. Segundo ele, o conhecimento é construído socialmente por meio das interações e do uso da linguagem, sendo constantemente ressignificado pela criança. No caso das crianças surdas, a aquisição da Libras desde cedo é fundamental para esse processo, pois possibilita a construção de sentido e a mediação do conhecimento de forma acessível e significativa.

3.1 SOBRE O DESENVOLVIMENTO INFANTIL 

A Educação Infantil, consiste na socialização primária, ou seja, é a etapa em que a criança começa a se socializar através de diversas atividades, logo, se destaca pela importância do desenvolvimento emocional, motor, intelectual e social.

Assim, as atividades oferecidas à criança precisam ser planejadas considerando as características e necessidades de cada faixa etária, buscando a máxima qualidade nas propostas educativas, considerando que, o estímulo, a autonomia, a convivência saudável, o respeito às outras crianças e adultos e a valorização da diversidade cultural devem fazer parte desta etapa que é a educação infantil (BARBOSA 2009).

A socialização primária, é onde a criança aprende a interiorizar a linguagem, as regras básicas da sociedade, a moral e os modelos comportamentais do grupo a que pertence. Logo, socialização primária tem um valor primordial para vida como um todo, deixando marcas profundas, sendo essencial na construção de caráter do indivíduo (BARBOSA 2009). 

O processo de socialização primária é todo e qualquer aprendizado de caráter cognitivo, afetivo, social, moral, que vai desde o primeiro dia de vida até mais aos doze anos de idade. Contudo, dentre as diversas atividades que propiciam a socialização primária, estão principalmente as brincadeiras, os jogos, o desenvolvimento da linguagem oral e da linguagem escrita. 

Nesta fase de socialização primária do indivíduo, os estágios do desenvolvimento humano têm grande importância, sendo influentes aprendizagem, e que auxiliarão por toda a vida.

Assim sendo, Jean Piaget, grande estudioso dessas fases do desenvolvimento cognitivo, considera quatro períodos no processo evolutivo da espécie humana que são caracterizados “por aquilo que o indivíduo consegue fazer melhor” no decorrer das diversas faixas etárias ao longo do seu processo de desenvolvimento, sendo eles, o primeiro estágio, que é o Sensório-motor, este, vai de 0 a 02 anos de idade, em seguida, o pré-operatório, corresponde de 02 a 07 anos, o terceiro estágio que é das operações concretas, que vai de 07 aos 11 ou 12 anos, e o quarto estágio, das operações formais , que vai de 11 ou 12 anos em diante.

Contudo, aqui darei ênfase aos dois primeiros estágios do desenvolvimento humano, sendo o Sensório Motor que corresponde de 0 a 02 anos e o Pré Operatório de 02 a 07 anos, por estar priorizando neste estudo a Educação Infantil.

Então, o primeiro estágio se inicia com o nascimento e se concretiza nas crianças até aproximadamente aos 02 anos de idade, sendo este conhecido como o estágio, Sensório – motor, tem como característica principal, a atividade motora e sensorial da criança; neste estágio, o contato direto com os objetos possibilita a formação dos primeiros esquemas mentais da criança.

O estágio seguinte, denominado como Pré-Operatório corresponde a faixa etária de dois a sete anos de idade, sendo uma das características desse estágio o desenvolvimento da linguagem e o raciocínio pré-lógico. 

Assim, nestas duas etapas do desenvolvimento humano que é o Sensório Motor e o Pré-Operatório a criança precisa de estímulos que ajudem em seu desenvolvimento, e certamente terá o auxílio principalmente da família na primeira etapa do desenvolvimento, tendo mais tarde, já na segunda etapa do desenvolvimento, o apoio da família em consonância com a escola, parceiras no processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança.

4. UMA RELAÇÃO POSSÍVEL: FAMÍLIA E ESCOLA NA EDUCAÇÃO INFANTIL.

Nesse item discute-se inter-relação entre família e escola como sendo condição indispensável para a melhoria da qualidade do ensino oferecido na Educação Infantil. Apresenta-se a relação família-escola como sendo a base elementar para assegurar as condições necessárias para o desenvolvimento integral das crianças/alunos. Discute-se nesse sentido, a importância que tanto a escola como a família desempenham na formação da identidade dos sujeitos. 

A família, por sua vez, tem um papel relevante na educação da criança, pois é ela que a prepara para enfrentar os desafios da vida e ir se descobrindo e se assumindo como cidadão no mundo. Sendo assim, reforçamos a responsabilidade de cada instituição, seja família, seja escola, de assumir a sua função sem precisar de transferências, família para a escola e escola para a família (OLIVEIRA 2023 P 10).

A família e a escola têm papéis complementares na formação da criança, e cada uma deve assumir sua responsabilidade sem delegar totalmente à outra. A família fornece a base emocional, social e cultural, enquanto a escola contribui com o conhecimento acadêmico e o desenvolvimento intelectual. Quando há parceria entre ambas, a criança se beneficia de um ambiente mais equilibrado e estimulante para o seu crescimento.

No caso da educação de crianças surdas, essa colaboração é ainda mais essencial, especialmente no incentivo ao aprendizado da Libras desde cedo, garantindo que a criança tenha acesso à comunicação plena tanto em casa quanto na escola.

4.1 FAMÍLIA E ESCOLA: ENCONTROS E DESENCONTROS 

É fato que a interação entre a escola e a família contribui diretamente para um bom aprendizado dos alunos. No entanto, essa relação é complexa e cheia de lacunas. O estudo dessa relação ganha grandes proporções quando é necessário ver a criança como participante de acontecimentos fora dos muros da escola, se faz necessário percebê-la não apenas como alunos, mas sempre lembrar que fora da escola ela é filho, irmão, sobrinho, neto, amigo, ou seja, que ela tem alguém que pode auxiliá-la.

O envolvimento e a participação da família no ambiente escolar nos dias atuais são considerados componente importante para o desenvolvimento ideal das instituições de ensino, e para a segurança da criança em sua vida escolar. O ambiente escolar tem, sem dúvida, uma função importantíssima, e educadora. Nesse sentido faz-se necessário que a família acompanhe o desenvolvimento da criança em todo o seu processo de aprendizagem, tanto no lar quanto na escola.

A LDB 9394/96 traz o conceito de educação como sendo além da educação formal, pois, é na família que a criança construirá valores que serão incorporados ao longo da vida. Além de ser na família que ocorre o primeiro processo de socialização que lhes permitirá traçar caminhos futuros. Quando a escola consegue trazer a família para escola ela consegue ampliar os conceitos formulados pela criança e ainda permitirá conhecer a sua cultura pessoal para que a escola possa valorizá-la. Nesse sentido, há a necessidade de estarmos estreitando laços entre escola e todos os envolvidos no processo educativo, e só assim poderemos estar formando realmente cidadãos críticos e criativos, pois terão o apoio da base, a família. 

A família, presente em todas as sociedades, é um dos primeiros ambientes de socialização do indivíduo, atuando como mediadora principal dos padrões, modelos e influências culturais. Podemos perceber o papel primordial que a família exerce na construção dos valores que serão incorporados pela criança, no entanto, estamos vivenciando situações onde a família está perdendo a noção de sua importância na contribuição de educar a criança, deixando toda responsabilidade para a escola. Esse acontecimento traz uma série de consequências negativas para o processo ensino aprendizagem e para o desenvolvimento integral do educando, entre eles o desinteresse, aumentando assim o índice de fracasso escolar e o analfabetismo.

De outro lado a escola, que com algumas práticas costuma atribuir apenas à família a responsabilidade pelo fracasso escolar provocando o afastamento justamente das famílias mais desfavorecidas. Portanto, as dificuldades encontradas na relação escola e família são decorrentes de como pais e educadores percebem sua função neste processo. 

Finalmente sabemos que o trabalho conjunto entre escola e famílias é um dos maiores desafios de uma proposta pedagógica, na medida em que reflete uma problemática social mais ampla. De um lado, a população não sente como seu espaço público,

Mas muito ao contrário, considera que a rua, a praça, a praia, o telefone ou a escola pública não são de ninguém. Por outro lado, as pessoas não se sentem responsáveis pelas instituições particulares como uma escola, que assim, “deve ser cuidada pelo seu dono específico”. Nesse sentido, é preciso compreender os fatores sociais e políticos que estão em jogo na relação escola-famílias, não participarem da vida escolar e simultaneamente, buscando as formas de aproximá-las da nossa proposta é de aproximarmo-nos de seus interesses. (KRAMER,2002, p. 13). 

É necessário criar estratégias educacionais e situações cotidianas que viabilizem a presença das famílias no cotidiano escolar das crianças, proporcionando, aos pais e responsáveis, o conhecimento sobre a proposta pedagógica desenvolvida pela escola e assim fornecendo o trabalho pedagógico. No momento em que escola e família realizarem um trabalho coletivo, as instituições de ensino passarão, na figura de seus educadores desenvolver uma prática pedagógica coletiva e crítica, uma vez que essa relação enriquece o trabalho em sala de aula possibilitando que os alunos se apropriem criticamente dos conhecimentos presentes em suas realidades. 

Nesse sentido, a relação escola e família é imprescindível à melhoria dos índices da qualidade da educação. A família como espaço de construção da identidade dos cidadãos firmando parcerias com a escola para juntos promoverem o desenvolvimento pleno da criança e do adolescente, é através dessa participação que se desenvolve a consciência social crítica e também o sentido da cidadania para que juntos, família e escola possam fazer da escola um espaço democrático.

Nesse sentido, pode-se dizer que a educação vista como processo contínuo de relações e conhecimentos, objetivando o amplo desenvolvimento das crianças não pode se desviar de seus verdadeiros objetivos. Nesse sentido, faz se necessário que as duas principais instituições educadoras (família e escola), estejam em constante sintonia, visando uma só meta: educar para a cidadania.

A escola surgiu porque a família não é suficiente para educar, visto que a crescente difusão dos meios de comunicação da imprensa até a televisão retiram da família o título de instituição destinada a transmitir conhecimento e hábitos, e ainda o avanço científico e tecnológico também contribuir para liminar cada vez mais a interação no ambiente familiar e propagar o aumento das dificuldades educativas tanto da família quanto da escola, pois transmitem uma série de informações e conhecimentos às crianças e educandos.

As informações dos meios de comunicação e interação devem ser trabalhadas tanto na esfera familiar quanto escolar, daí a importância de escola e família unirem forças e não se ausentar das responsabilidades educativas que competem a cada uma dessas instituições e, no caso de um aproveitamento escolar não satisfatório ficar procurando o responsável pelo mau rendimento do educando, família acusando escola e vice-versa.

Os pais devem ser conscientes de que a educação escolar não os isenta dessa competência (educação), ou seja, as famílias são indispensáveis que os pais continuem exercendo o papel de principais educadores dos filhos, e se desejam atitude em relação a escola tem que as discutir através de ações sua importância.

Não basta comprar livros e dizer ao filho que leia a pergunta é a seguinte: os pais lêem? Se não lêem o filho não aprendeu em casa uma atitude positiva em relação à leitura. Certos pais preferem ver televisão, assistir algum filme, passear etc., mas nunca pegam um livro para ler. Com tais exemplos, o filho não terá muito interesse em leitura (PILETTI, 1991, p. 276)

A falta de incentivo e iniciativa dos pais pode comprometer o rendimento escolar do educando. Porém, a família pode demonstrar a criança que tem interesse pela sua vida escolar, resolvendo problemas entre família e escola e reforçando sempre a autoestima e comentando com amigos, parentes e familiares os êxitos escolares deles. Dessa forma, a família pode compensar sua negligência particular em outras atividades, como ler livros. A escola para exercer suas atividades com eficácia, precisa ser a ampliação do espaço familiar.

A leitura, como qualquer outro comportamento, é mais efetivamente aprendida por meio do modelo, ou seja, das atitudes que a criança observa em seu convívio diário.

Ao questionar se os pais leem, o texto nos faz refletir sobre a coerência entre o discurso e a prática. Não basta incentivar a leitura verbalmente ou comprar livros, é preciso mostrar, por meio da ação, que ler é algo valorizado e prazeroso. Quando a leitura não faz parte da rotina familiar, e quando os momentos de lazer são sempre ocupados por televisão, passeios ou outras atividades que excluem os livros, a criança dificilmente desenvolverá uma atitude positiva em relação à leitura.

Dessa forma, o texto evidencia a importância do ambiente familiar como espaço de incentivo e formação cultural. Os filhos são mais propensos a se interessar por livros quando veem os pais lendo com frequência, comentando sobre leituras e valorizando esse hábito no cotidiano. Assim, cultivar o gosto pela leitura não depende apenas de oferecer recursos, mas principalmente de construir um ambiente que inspire, motive e valorize o conhecimento e a imaginação proporcionados pelos livros.

Compreender é preferível a julgar (…). O essencial é compreender o comportamento da criança. É compreender que não apenas os pais que influenciam esse comportamento. É preciso que o professor analise o comportamento, veja os fatores que estão interferindo e, na medida do possível, tente agir sobre esses fatores. Não se pode tentar corrigir apenas o efeito, o comportamento sem analisar suas causas (PILETTI, 1991, P. 280).

Assim a escola se configura num lugar que ensina, num ambiente de educação, em que estejam presentes todas as atividades e iniciativas que ajudem as pessoas a se educarem melhor. A família precisa reconhecer que a tarefa da escola não se limita a uma simples transmissão de conhecimentos, proporcionando, uma experiência de vida variada e importante.

Essa perspectiva propõe uma mudança de postura tanto para pais quanto para educadores: ao invés de reagir impulsivamente diante de comportamentos considerados inadequados, é necessário buscar entender o que está por trás dessas ações. Essa abordagem está em sintonia com práticas pedagógicas mais humanas e reflexivas, que reconhecem a complexidade do desenvolvimento infantil (PILETTI, 1991).

A educação disposta pelos pais deve ter continuidade na escola, visando a um só objetivo. Fazer a criança se desenvolver em todos os aspectos e ter sucesso na aprendizagem. Portanto, pais e educadores necessitam compreender que cada um, em planos diferentes e com métodos também diferentes contribuem para a educação da criança e, consequentemente, formam a identidade social, cultural, política, profissional do homem da sociedade de amanhã.

4.2 FAMÍLIA E ESCOLA PASSOS PARA CONSTRUÇÃO DE UM ENSINO DE QUALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

É na família que a criança tem sua primeira formação, logo, é imprescindível principalmente na etapa que corresponde a educação infantil, a parceria entre família e escola, para que juntas possam contribuir significativamente no processo de desenvolvimento da criança.

Assim sendo, para que aconteça de fato a relação entre família e escola, desencadeando no sucesso escolar da criança, se faz importante que a escola abra suas portas, facilite a presença assídua da família no âmbito escolar, bem como, também que a família esteja disposta a contribuir na árdua tarefa junto a escola. Nesse sentido, entende-se que:  

[…] é função dos educadores mostrar que eles não são responsáveis pelo processo de aquisição do conhecimento, de fazer toda diferença. […] o aluno evolui com mais facilidade quando percebe que os responsáveis valorizam o aprendizado, por outro lado, os professores se sentem sobrecarregados e desvalorizados em seu trabalho. Suas condições de trabalho são de fato, muito ruim: classes superlotadas, falta de material didático, etc…. (CECCON, 1993 p. 11),

Embora os educadores tenham um papel fundamental no ensino, a aquisição do conhecimento não depende exclusivamente deles. O envolvimento da família e o incentivo ao aprendizado em casa são essenciais para que o aluno se desenvolva de forma mais eficaz. Quando os responsáveis demonstram interesse e valorizam a educação, isso reflete diretamente na motivação e no desempenho da criança.

Por outro lado, as condições precárias de trabalho dos professores, como salas superlotadas e falta de recursos, dificultam ainda mais o processo educativo. Isso pode gerar sobrecarga e desvalorização, afetando a qualidade do ensino. No contexto da educação de surdos, esses desafios são ainda mais intensos, já que a falta de acessibilidade, intérpretes e materiais específicos muitas vezes compromete a inclusão real.

Dessa forma, família e escola precisam estar de mãos dadas, uma vez que são as mais importantes instituições da sociedade contemporânea, por isso, devem unir forças em busca de objetivos em comum, que é a formação de bons cidadãos.

Assim sendo, 

A aprendizagem começa na base familiar onde os pais formam o caráter, os valores, o respeito pelas leis, a hierarquia; agora, é a vida escolar que vai complementar esse crescimento, ao informar, transmitir conhecimentos, reforçar o sentido de cidadania, dando reforços as responsabilidades sociais por meio da vida acadêmica. (CHRAIM, 2009, p. 45).

Entretanto, família e escola são parceiros fundamentais no desenvolvimento de ações que favorecem o sucesso escolar e social do cidadão. Logo, é fundamental que ambas sigam a mesma direção em relação aos objetivos que desejam alcançar, sendo que, a educação perpassa tanto o ambiente escolar quanto o familiar, assim, a interação entre ambos é muito importante para a formação do cidadão, bem como para o sucesso do processo ensino-aprendizagem.

A família é responsável legal e moral pela educação do indivíduo, é a família o primeiro grupo social do qual a criança participa, logo, é também onde adquire seus primeiros ensinamentos, que mais tarde na escola serão aprofundados e sistematizados.

Entretanto, a partir do momento que a criança ingressa na escola, não isenta a família de sua participação junto a esta instituição na formação da criança, muito pelo contrário, com a entrada da mesma para outro grupo social, agora a escola, é fundamental que os pais continuem exercendo o papel de formadores dessa criança apoiando e dando suporte a escola, e assim, juntos família e escola serão essenciais para o desempenho e desenvolvimento da criança.

4.3 A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM DA CRIANÇA.

A família representa o espaço de socialização, de busca coletiva de estratégias de sobrevivência, local para o exercício da cidadania, possibilidade para o desenvolvimento individual e grupal de seus membros, independentemente dos arranjos apresentados ou das novas estruturas que vêm se formando, a família tem e sempre terá forte importância e contribuições significativas no que concerne ao processo de aprendizagem da criança.

É sempre notório perceber quando a família auxilia a criança em seu desenvolvimento no processo de aprendizagem. Assim sendo, a participação, o envolvimento da família da criança, quando da sua entrada na escola, tem grande influência no comportamento e no sentimento dessa criança em relação ao novo espaço de convivência. 

Para tanto, o Referencial Curricular para a Educação Infantil faz alusão às competências, responsabilidades e papel da família na adaptação e compreensão do novo momento da criança. Assim sendo, “A maneira como a família vê a entrada da criança na instituição de educação infantil tem uma influência marcante nas reações e emoções da criança durante o processo inicial. ” (BRASIL, 1998, p. 80). 

A família é o primeiro espaço de convivência social que a criança tem antes de sua entrada na escola, por isso é natural que na maioria das vezes lhe cause estranheza a rotina escolar e as práticas desenvolvidas na mesma. Dessa forma, entende-se que seja natural que a criança tenha dificuldade em se adaptar logo em um primeiro momento na escola, assim sendo é importante que a família esteja juntamente com a comunidade escolar engajada na adaptação da criança, bem como, auxiliando positivamente no seu desenvolvimento, pois, com a contribuição da família o processo de aprendizagem certamente será muito mais eficaz. 

É imprescindível ter a família como protagonista no processo de formação e aprendizagem da criança, sendo que, é na família onde a mesma passa a maior parte de seu tempo, assim sendo, compete à família acompanhar consequentemente o processo de aprendizagem pelo qual passa a criança na escola, tendo a família colaboração ativa junto a escola no que concerne às atividades escolares, entende-se dessa forma pelo fato de se conceber a família como responsável pela formação dos hábitos, vivências culturais e sociais e a escola como um espaço de socialização do conhecimento científico e de acesso à cultura letrada.

5. RESULTADOS

A família desempenha um papel crucial no desenvolvimento infantil, servindo como o primeiro ambiente de socialização e aprendizado da criança. É no seio familiar que os pequenos absorvem valores, normas e comportamentos que moldarão sua interação com o mundo. A presença ativa e afetiva dos pais ou responsáveis é fundamental para proporcionar um ambiente seguro e estimulante, favorecendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e social da criança. 

A colaboração entre família e escola potencializa o processo educacional. Quando os pais participam ativamente da vida escolar, estabelecendo uma comunicação eficaz com os educadores, cria-se uma parceria que beneficia o desempenho acadêmico e o bem-estar emocional dos alunos. Essa sinergia contribui para a construção de uma base sólida para o aprendizado contínuo e para a formação de cidadãos conscientes e participativos. ​

As transformações nas estruturas familiares, como o aumento de lares monoparentais, famílias reconstituídas e uniões homoafetivas, refletem as mudanças socioculturais contemporâneas. Independentemente da configuração, o essencial é que o ambiente familiar ofereça suporte emocional, estabilidade e estímulo ao desenvolvimento da criança. A qualidade das relações e o apoio mútuo são determinantes para o crescimento saudável dos pequenos.

A afetividade é um componente essencial no desenvolvimento infantil. Desde o nascimento, a interação amorosa com os cuidadores influencia diretamente a formação da autoestima, da segurança emocional e das habilidades sociais da criança. Um ambiente familiar que valoriza e expressa afeto contribui significativamente para o bem-estar e para a capacidade da criança de estabelecer relações saudáveis ao longo da vida. ​

Diante das mudanças nas estruturas familiares e dos desafios contemporâneos, é fundamental que as famílias estejam engajadas e colaborativas no processo educacional. A parceria entre família e escola, pautada no respeito mútuo e na comunicação aberta, é essencial para promover o desenvolvimento integral da criança. Ao reconhecer e valorizar a diversidade familiar, as instituições educacionais podem criar ambientes mais inclusivos e acolhedores, refletindo positivamente no aprendizado e na formação dos alunos

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS.

Os estudos e debates em torno de um processo educacional crítico e transformador tem crescido e voltado suas atenções para a base educacional, hoje chamada de Educação Infantil. A educação infantil é vista hoje como a base fundamental para o desenvolvimento de todas as potencialidades humanas de maneira integral, sendo assim, quando a criança não tem uma boa base e nem as condições necessárias para o desenvolvimento de suas aprendizagens, o seu processo de crescimento físico, social, emocional e cultural encontra-se comprometido. 

Partindo desses pressupostos que se defendeu ao longo desse artigo a importância da relação família e escola para que as condições básicas para o desenvolvimento infantil tenha suas garantias legais. Não se pode negar que historicamente a participação das famílias nas práticas escolares estiveram restritas, principalmente na educação infantil, pois o surgimento desse nível de ensino se deu a partir da necessidade dos pais deixarem seus filhos na escola enquanto iam realizar diferentes tipos de trabalhos nas fábricas. 

Essa falta de tempo criada pelo sistema capitalista aos pais, fez com a escola e seus profissionais fossem sobrecarregados por uma responsabilidade que não podiam suprir, pois suas ações estavam restritas ao ato de educar e criar possibilidades para construção do conhecimento, entretanto, a questão do acompanhamento, a afetividade e o cuidar é responsabilidade primeira da família. 

Nos dias atuais passou-se a construir uma nova concepção sobre a responsabilidade educacional das crianças, passando a conceber tanto a escola como a família peças fundamentais para que os direitos da criança em desenvolvimento sejam assegurados. Isso se deve ao fato de que a escola e a família passaram por transformações que interferem diretamente nas práticas sociais e escolares. 

Assim, verifica-se que ao longo dos tempos a família, primeira instituição social por qual o indivíduo passa, vem se modificando, sendo que, tais modificações se dão principalmente no aspecto estrutural, que se deve pelo fato do surgimento de diferentes modelos de famílias, resultado de transformações históricas, econômicas e sociais que ocorrem na sociedade. 

Assim sendo, a família o primeiro grupo social da qual pertencemos, sempre foi e continua sendo referência e influência positiva e/ou negativa na vida do sujeito, logo, esta é a base para o desenvolvimento do indivíduo, tendo sua personalidade formada com forte influência de sua família.

O indivíduo que tem seu desenvolvimento num ambiente familiar com estímulos, com afetividade, com incentivos possivelmente terá um bom desenvolvimento intelectual, entretanto, quando há a falta de incentivo por parte da família, logo, este poderá apresentar dificuldades e problemas ao longo do processo da aprendizagem escolar.

Ao longo desse artigo foi possível perceber que a relação família e escola configura-se como uma condição básica para que o sucesso na vida escolar da criança/aluno esteja assegurado, o papel de educar a criança não reside numa função exclusiva da família, e muito menos da escola, mas é produto de uma ação coletiva, já que de nada adianta ter uma escola de boa qualidade e comprometida se a família não participa e não contribui com aquilo que lhe compete. 

O desenvolvimento pleno das potencialidades das crianças se deve a um conjunto de fatores no qual encontram-se entrelaçadas família e escola como instituições parceiras que buscam sempre oferecer as condições necessárias para que a criança de maneira autônoma possa produzir conhecimentos e consequentemente sua identidade sociocultural. 

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Márcia Siqueira de. Psicopedagogia Clínica Manual de aplicação Prática para Diagnóstico do Aprendizado. 1ª edição. São Paulo: Pólus Editorial, 1998.

ANTUNES, Celso. A afetividade na escola: Educando com firmeza. Londrina: Maxiprint, 2006.

BRASIL, Estatuto da Criança e do Adolescente 8069/90. Brasília. MEC 2004.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Diário Oficial da União. Brasília: Imprensa Oficial, 1996.

BRASIL. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: Secretaria de Educação Básica, 1998.

CECCON, C. Oliveira, M. & OLIVEIRA, R. A vida na escola e a escola da vida. Petrópolis: Editora Vozes, 1997. 

CHRAIM, Albertina de Matos. Família e escola: a arte de aprender para ensinar. Rio de Janeiro, Wak Ed, 2009.

KRAMER, Sonia. Formação de profissionais de educação infantil: questões e tensões. In: MACHADO, Maria Lúcia de A. (Org.). Encontros e desencontros em educação infantil. São Paulo: Cortez, 2002.

PILETTI, Nelson. Sociologia da Educação. São Paulo. 10ª Ed; Ática, 1991.

PRADO, Danda. O que é família. 1ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1981. (Coleção Primeiros Passos).


1Pedagoga pela Universidade Leonardo da Vinci (UNIASSELVI), Especialista em Educação Infantil  pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Especialista em Educação Especial Inclusiva pela Faculdade Educamais (UNIMAIS), Mestranda pela Universidade de Ciencias Sociales (FICS).
2Professora e Doutora