CONTEXTO DE IDOSOS EM CUIDADOS PALIATIVOS

CONTEXT OF ELDERLY PEOPLE IN PALLIATIVE CARE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202510302034


Whendyfer Almeida Silva1; Thamires Victoria Lopes Mamedes Bennesby2; Luiz Fabiano Azevedo de Freitas3; Paulo Henrique Almendra de Andrade4; Eliott Cavalcante de Mesquita5; Lucas Schneider de Carvalho6; Kauanny de Jesus Pantoja7; Brenda Rocha Machado Camurça8; Ioná Gercina Severo da Costa9; Francielle Alba Moraes10


RESUMO  

Objetivo: compreender alguns elementos do contexto de idosos em atendimento paliativo.  Metodologia: foi realizada uma pesquisa do tipo revisão de literatura por meio de artigos  científicos publicados nos últimos dez anos na base de dados online SciElo. Resultados e Discussão: após aplicar os descritores: idosos, cuidados paliativos, saúde pública, profissionais  da saúde e familiares, utilizando o operador booleano AND, inicialmente, foram retornados 192  estudos. Os quais foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão, sendo eleito 08 artigos  para esta revisão. Os dados encontrados nos artigos permitiram entender as percepções dos  idosos em cuidados paliativos (CP), sobre a doença e a morte, além dos sentimentos e  circunstâncias de seus familiares nesse cenário. Também concepções dos profissionais de saúde  pública que lidam com idosos em CP. E os desafios do cuidado paliativo para idosos no sistema  de saúde pública, dentre outros conhecimentos. Considerações finais: é essencial intensificar  as políticas governamentais e os programas destinados à organização da assistência paliativa,  estabelecendo um vínculo entre este tema e os programas e políticas públicas de saúde.  

Palavras-chave: Cuidados paliativos. Idosos. Saúde pública.  

ABSTRACT 

Objective: To understand some elements of the context of elderly individuals receiving  palliative care. Methodology: A literature review was conducted using scientific articles  published in the last ten years in the SciElo online database. Results and Discussion: After  applying the descriptors: elderly, palliative care, public health, health professionals and family  members, using the Boolean operator AND, 192 studies were initially returned. These were  subjected to the inclusion and exclusion criteria, with eight articles being selected for this  review. The data found in the articles allowed us to understand the perceptions of elderly  individuals receiving palliative care (PC) regarding illness and death, as well as the feelings  and circumstances of their family members in this setting. We also gained insights into the  conceptions of public health professionals who work with elderly individuals receiving PC, and  the challenges of palliative care for elderly individuals in the public health system, among other  areas of knowledge. Final considerations: It is essential to strengthen government policies and  programs aimed at organizing palliative care, establishing a link between this topic and public  health programs and policies. 

Keywords: Palliative care. Elderly. Public health.

1. INTRODUÇÃO  

O cuidado paliativo (CP) é destinado a indivíduos com doenças fatais, sem  probabilidade curativa e tem por finalidade oferecer mais qualidade no tempo restante de vida.  Estima-se que, a cada ano, mais de 56,8 milhões de pessoas precisarão desse tipo de cuidado.  Os cuidados paliativos são oferecidos sobretudo às pessoas que estão em fase terminal.  Portanto, o trabalho do profissional de saúde atuante junto a pacientes em assistência paliativa,  deve ser voltado a abrandar a dor e o sofrimento, de forma a melhorar a condição de vida dos  pacientes próximos da finitude, de seus familiares e cuidadores (Beserra; Brito, 2024).  

Neste sentido, alguns dos princípios dos cuidados paliativos são: oferecer alívio da dor  e de outros sintomas, valorizar a vida e encarar a morte como um processo natural, evitar a  busca por postergar ou precipitar a morte. Incorporar elementos sociais, psicológicos e  espirituais no atendimento ao paciente e proporcionar auxílio para que a família possa lidar com  o processo de adoecimento e o luto futuro (Hoffmann; Santos; Carvalho, 2021). 

Em se tratando de idosos, o processo próprio de envelhecimento humano contribui para  o surgimento de doenças como câncer, doenças neurológicas e condições osteomusculares  crônicas, entre outras. Essas enfermidades podem causar mudanças degradantes e resultar em  dependência funcional. Quando isso é combinado com a deterioração da saúde, comumente  demanda cuidados paliativos. A preparação para a morte deve ser um componente essencial  dos cuidados de saúde e uma prioridade para a saúde pública. Sendo que os cuidados paliativos  ao paciente idoso requer uma equipe multiprofissional, permitindo um atendimento que  considere o idoso em sua totalidade (Moura et al., 2021).  

Assim sendo, esta revisão de literatura tem por objetivo geral, compreender alguns  elementos do contexto de idosos em atendimento paliativo. Para alcançá-lo, foram investigadas  as percepções de idosos em CP a respeito do adoecimento e da morte, bem como os sentimentos  e as condições de seus familiares nesse cenário; Foram analisadas as concepções dos  profissionais de saúde pública que atuam com idosos em cuidados paliativos. E os desafios do  atendimento paliativo para idosos na saúde pública. 

A presente pesquisa é justificada por fornecer, entre outros resultados, evidências de que  é imperativo reforçar as políticas públicas e programas de organização do cuidado paliativo  para idosos, de forma a oferecer apoio aos profissionais de saúde e, sobretudo, aos idosos que  necessitam de assistência paliativa e aos seus familiares.

2. METODOLOGIA  

Este artigo foi elaborado por meio de uma pesquisa do tipo revisão de literatura, que se  baseia em fundamentos de estudos já publicados (Gil, 2002). Na contemporaneidade, os artigos  científicos têm sido frequentemente o primeiro recurso pesquisado em revisões de literatura,  devido ao fato de fornecerem conhecimentos atualizados sobre diversos temas (Marconi;  Lakatos, 2017). 

Os dados foram adquiridos por meio de artigos científicos publicados na base de dados  Scientific Electronic Library Online (SciElo), por meio da aplicação dos descritores: idosos,  cuidados paliativos, saúde pública, profissionais da saúde e familiares, mediados pelo operador  booleano AND. 

Foram considerados artigos científicos publicados entre os anos de 2015 a 2025, sendo  o primeiro selecionado para esta revisão, publicado em 2018 e os últimos em 2024. Por outro  lado, foram excluídos estudos como: livros eletrônicos, dissertações de mestrado e teses de  doutorado.  

A avaliação dos dados foi realizada através da leitura integral dos artigos selecionados  para esta revisão, identificando as ideias principais, organizando hierarquicamente e  sintetizando os conceitos. Formando, assim, categorias de análise (Gil, 2002). 

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Ao se aplicar os descritores idosos, cuidados paliativos, saúde pública, profissionais da  saúde e familiares, mediados pelo operador booleano AND, a princípio retornaram 192 estudos,  que foram avaliados de acordo com os critérios de inclusão e exclusão, resultando em 95  artigos. Dos quais, os títulos foram lidos, levando à conclusão que 23 deles poderiam atender  aos objetivos desta revisão. Seus resumos foram lidos e, ao final, oito artigos foram  considerados adequados. Assim, foram selecionados 08 artigos científicos nesta revisão de  literatura. O quadro 01, a seguir, apresenta elementos dos artigos selecionados, organizados em  ordem crescente de acordo com o ano de publicação.

Quadro 01 –  Elementos dos artigos selecionados para a revisão

Ano/Publicação Autoria Títulos Objetivos
2018 RIBEIRO, Mariana dos  Santos; BORGES, Moema da  Silva.Percepções sobre  envelhecer e adoecer: um estudo com idosos em  cuidados paliativosApreender as percepções de  idosos, em cuidados paliativos sobre o enfrentamento do  envelhecer e adoecer.
2019 ALVES, Railda Sabino  Fernandes et al.Cuidados Paliativos:  Alternativa para o Cuidado  Essencial no Fim da VidaApresentar os cuidados  paliativos, numa perspectiva  histórico-conceitual e em  interface com as políticas  públicas de saúde do Sistema  Único de Saúde.
2020 MARQUES, Fernanda  Pasquetti;  BULGARELLI,  Alexandre Fávero.Os sentidos da atenção  domiciliar no cuidado ao  idoso na finitude: a  perspectiva humana do  profissional do SUSCompreender os sentidos da  atenção domiciliar no escopo  das ações da atenção primária  no cuidado a estes idosos pela  perspectiva do profissional da  saúde do SUS.
2020 MATOS, Johnata da  Cruz; GUIMARÃES, Silvia  Maria Ferreira.A aplicação do cuidado  transpessoal e a assistência  espiritual a pacientes  idosos em cuidados  paliativosCompreender a percepção dos  enfermeiros sobre a assistência  espiritual a pacientes idosos em  cuidados paliativos.
2021 HOFFMANN,  Leonardo Bohner;  SANTOS, Ana Beatriz  Brandão;  CARVALHO, Ricardo  Tavares.Sentidos de vida e morte:  reflexões de pacientes em  cuidados paliativosConhecer o sentido de aspectos  transcendentais, como vida e  morte. 
2022 TEIXEIRA, Luciana  Aparecida et al.Cuidadores de idosos em  cuidados paliativos: nível  de sobrecarga e sintomas  depressivosConhecer as características dos  cuidadores informais de idosos  com câncer em cuidados  paliativos, avaliar o seu nível de  sobrecarga e a intensidade de  sintomas depressivos, como  também analisar o grau de  dependência dos idosos para as  atividades básicas e  instrumentais da vida diária.
2024 QUEIROZ, Luciana  Meneguim Pereira de et  al.Representações sociais de  profissionais da Estratégia  Saúde da Família acerca de  cuidados paliativos para a  pessoa idosaCompreender as Representações  Sociais dos profissionais  enfermeiros, médicos e  odontólogos da Atenção  Primária em Saúde (APS) sobre  Cuidados Paliativos (CP) para a  pessoa idosa.
2024 REBOLLEDO SANHUEZA, Jame et  al.Preparando-se para a morte  de idosos: perspectivas das  equipes de atenção  primária à saúde, familiares  e cuidadores primáriosDescrever os significados e as  práticas de preparação para a  morte entre idosos no fim da  vida, a partir das perspectivas de  equipes de atenção primária à  saúde,  Familiares e cuidadores  primários. 
Quadro elaborado pelos autores

3.1 PERCEPÇÕES DE IDOSOS EM CUIDADOS PALIATIVOS SOBRE  ADOECIMENTO E MORTE E OS SENTIMENTOS E CONDIÇÕES DE SEUS  FAMILIARES NESSE CENÁRIO  

Para compreenderem as percepções de 11 idosos oncológicos em cuidados paliativos,  Ribeiro e Borges (2018) realizaram uma pesquisa de natureza qualitativa, por meio de  entrevistas. As autoras constataram que a luta das adversidades moldou a habilidade de lidar de  maneira positiva com os fatores estressores identificados em seus relatos. Isso porque os  conceitos sobre o processo de envelhecimento e adoecimento indicaram que, para eles,  envelhecer representou um privilégio e, mesmo diante dos desafios, estavam agradecidos pela  vida. Por esse motivo, vivenciaram integridade ao invés de desespero. Todos os idosos  participantes do estudo afirmaram que queriam receber informações reais sobre sua condição  de doença. E, para lidar com esses desafios, se apoiaram na espiritualidade, na reorganização  cognitiva e na aprovação. 

Tem-se assim um estudo que demonstrou a resiliência de idosos em se tratando do  envelhecimento, de uma doença terminal e do fato de estarem próximos à morte. Hoffmann, Santos e Carvalho (2021) entrevistaram quatro idosos que estavam em  monitoramento por equipe de cuidados paliativos de um hospital público de nível terciário por  um período mínimo de três meses, haviam recebido informações sobre o diagnóstico,  prognóstico e progresso de câncer e concordaram em participar da pesquisa. Todos os  participantes afirmaram sofrimentos para além dos sintomas da doença, como diminuição da  autonomia e independência, restrições causadas pela enfermidade e sensação de impotência à  medida que começaram a depender de terceiros para os autocuidados. Sob outra perspectiva,  três deles demonstraram a fé religiosa como uma estratégia de enfrentamento própria da esfera  espiritual, juntamente com crenças, valores e esperança. No entanto, afirmaram enfaticamente  que a ansiedade por saberem que seus familiares sofreriam após a partida deles, provocava  tristeza. 

Já neste estudo, os idosos admitiram sofrer para além do fato de estarem doentes, uma  vez que perderam a autonomia, inclusive quanto aos cuidados do próprio corpo. Sendo outra  forma de sofrimento a ansiedade pela tristeza que a morte deles causaria em seus familiares.  Por outro lado, esse grupo de idosos em CP revelou a fé religiosa como uma tática de  enfrentamento inerente à esfera espiritual, aliada a convicções, princípios e confiança. 

Quanto aos significados de se perder um ente querido, Rebolledo-Sanhueza et al.(2024)  apontam que familiares podem ter preconceitos em relação à morte, considerando-a um tema tabu que raramente é discutido. Assim, apesar de estarem cientes da iminência da morte, não  conseguem ou não desejam aceitá-la devido à profundidade da dor da perda, o que os leva a  questionar a possibilidade de se prepararem para isso. Sob outra perspectiva afirmaram também  que, ainda que a perda de um ente querido possa causar muita dor, a morte representa o término  do sofrimento, o que contribui para amenizar a tristeza decorrente da perda. Para eles, a  condição do idoso, sobretudo em cuidados paliativos, os levou a aceitar a morte como um  acontecimento que proporciona alívio à dor. 

Este estudo demonstra sentimentos distintos de familiares face à proximidade da morte  de idosos em cuidados paliativos. Porque a morte ainda é um tema pouco discutido e gera  preconceitos, junto à dor do luto após o falecimento do ente querido. Mas os familiares também  entenderam que morrer significa o fim do sofrimento, principalmente para o enfermado. 

Outro tema relacionado a idosos em cuidados paliativos e familiares é apresentado no  estudo de Teixeira et al. (2022, p. 02), no sentido de parentes que cuidam de idosos em CP e  são denominados “cuidadores informais”. Após entrevistar 20 cuidadores que cuidavam de 20  idosos oncológicos em estado paliativo em suas casas, os autores constataram que os filhos dos  idosos constituíam a maior parte (45%) dos cuidadores. Em relação à idade, a maior parte dos  cuidadores tinha entre 36 e 50 anos. Todavia, os autores destacam que havia também a presença  de cônjuges com idade superior a 65 anos, representando 20% do total. A idade avançada dos  cuidadores de idosos pode afetar a saúde deles, assim como a qualidade do serviço oferecido,  considerando que essas pessoas são menos capazes de realizar os esforços físicos necessários  para a função de cuidador, tornando-os mais suscetíveis ao desenvolvimento de problemas de  saúde.  

Neste sentido, Teixeira et al. (2022) explicam que o processo de cuidar de um idoso que  necessita de cuidados paliativos demanda do cuidador informal comprometimento por tempo  integral e, na etapa de cuidados terminais, os sintomas dos pacientes tendem a se agravar,  exigindo mais atenção, o que intensifica a sobrecarga e a tensão do cuidador. Proporcionar  cuidados paliativos a idosos oncológicos de forma contínua gera sobrecarga psicológica, física  e social, que leva a mudanças psicossomáticas ao cuidador, afetando sua qualidade de vida e  saúde. Portanto, esses cuidadores apresentavam sintomas depressivos leves (35%) e depressão  moderada (10%).  

Considerando o último estudo, entende-se que os cuidados paliativos de idosos em suas  casas, se mostram um problema para esses idosos e para seus familiares. Isso porque os CP  podem ser comprometidos, uma vez que esses idosos recebem cuidados de filhos ou cônjuges (estes últimos também idosos). Além disso, os dois grupos estão intimamente ligados ao  paciente paliativo e sofrem pela exaustão física e emocional.  

3.2 PERCEPÇÕES DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE PÚBLICA QUE ATUAM COM  IDOSOS EM ESTADOS PALIATIVOS  

O estudo de Marques e Bulgarelli (2020) resultou de uma pesquisa compreensivista,  realizada com 12 profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) que ofereciam cuidados  domiciliares paliativos a idosos. Neste estudo, os autores afirmam que profissionais do Sistema  único de Saúde (SUS) entendem a atenção domiciliar disponibilizada pela APS, como essencial  e afirmam que ela promove cuidado e confiança, conexão e empatia do profissional. Entretanto,  afirmam a necessidade de uma efetiva rede de assistência à saúde voltada ao CP de idosos. Isso  porque, os modelos de gestão municipal em saúde frequentemente negligenciam considerar os  profissionais como seres humanos que se angustiam. 

O estudo supracitado revela que profissionais da APS atuantes junto a idosos em  cuidados paliativos, por meio da atenção domiciliar, percebem essa forma de cuidado como  essencial. Todavia, queixaram-se por não haver uma rede de assistência em CP, que os  amparem em suas aflições, de forma que eles se sentem negligenciados pela saúde pública  municipal.  

Sequenciando, Matos e Guimarães (2020) elaboraram um estudo descritivo com  abordagem qualitativa, entrevistando 27 enfermeiros atuantes na Atenção Primária em Saúde,  que além dos cuidados em enfermagem, haviam oferecido assistência espiritual a pacientes  idosos em cuidados paliativos. Os profissionais entrevistados destacaram a importância do  apoio espiritual e do envolvimento dos familiares no CP. No entanto, sinalizaram que cabe  principalmente aos voluntários religiosos e à família o papel de intervir na espiritualidade.  

Tem-se no estudo acima, enfermeiros que além dos cuidados em enfermagem,  destacaram oferecer assistência espiritual a idosos em cuidados paliativos. Todavia, esses  profissionais sinalizaram que os cuidados espirituais, deviam ser oferecidos por pessoas  voluntárias religiosas. Reflete-se assim, profissionais da saúde agindo para além de suas  funções.  

Queiroz et al.(2024) realizaram uma pesquisa fundamentada na Teoria das  Representações Sociais, na qual entrevistaram profissionais de saúde pública, para  compreenderem as representações sociais dos profissionais enfermeiros, médicos e  odontólogos da Atenção Primária em Saúde (APS) sobre cuidados paliativos para a pessoa idosa. Os autores confirmaram que as percepções sociais dos profissionais de saúde da APS,  em relação ao CP para idosos estão fortemente ligadas ao que é recomendado pela Organização  Mundial de Saúde (OMS). Isso porque, os referidos profissionais entendem o cuidado paliativo  como o lidar com um diagnóstico sem cura, biopsicossocial e humanizado voltado ao idoso e  sua família, além da instrução em bem-estar. No que diz respeito à execução da assistência  paliativa direcionada a idosos na APS, o grupo destaca iniciativas por meio de visitas  domiciliares, nas quais oferecem atenção biopsicossocial ao idoso e seus familiares. Além de  grupos de atividades, incentivo da qualidade de vida e suporte após o falecimento. 

Nota-se, dessa forma, que os profissionais também atuantes na Atenção Primária em  Saúde, analisados no estudo supracitado, têm percepções e práticas dos cuidados paliativos para  idosos conforme recomenda a Organização Mundial de Saúde. Isto significa conceitos e  práticas assertivas.  

Entretanto, a maioria dos achados apresentados nas duas categorias levam ao  entendimento que o cuidado paliativo ao idoso na saúde pública, enfrenta desafios. Conforme  pode ser observado na próxima categoria de análise.  

3.3 DESAFIOS NO ATENDIMENTO PALIATIVO AO IDOSO NA SAÚDE PÚBLICA  

Após entrevistar 45 profissionais e técnicos da Atenção Primária à Saúde, que prestavam  assistência domiciliar a idosos paliativos, Rebolledo-Sanhueza et al. (2024), constataram que esses profissionais afirmaram a necessidade de incorporar estratégias de preparação para a  morte no contexto dos cuidados paliativos na APS, a fim de promover uma morte digna como  parte essencial de uma vida plena. Bem como que a preparação para a morte é de fundamental  importância no contexto do cuidado domiciliar. Isso porque, além dos fatores médicos, falecer  em casa demanda suporte emocional e espiritual para garantir uma boa morte. Assim, é  essencial disponibilizar recursos adequados para que a APS possa cumprir essa função e  aprimorar a qualidade de vida daqueles que estão próximos à finitude da vida, oferecendo  suporte emocional eficaz.  

O estudo acima revela desafios apontados por profissionais da APS, como falta de  preparação destinada à morte no âmbito dos cuidados paliativos domiciliares a idosos, que  possam assegurar uma morte respeitosa. 

Já o estudo de Ribeiro e Borges (2018) é voltado à percepção de 11 idosos oncológicos  em cuidados paliativos internados em um hospital de Brasília. Baseadas nas narrativas desses  pacientes, as autoras afirmam que além dos sentimentos negativos resultantes do recebimento da confirmação de câncer e os sinais e sintomas da doença, 39% apontaram outro fator estressor  como a dificuldade de acesso ao tratamento, caracterizada como angustiante. Também que o  atendimento nas cidades de origem era impróprio e, portanto, decidiram pela mudança para a  capital do país procurando um diagnóstico confiável e apropriado. 

Conforme a percepção dos idosos em CP, no estudo supramencionado, nota-se o quão  desafiador foi o processo de adoecimento deles, uma vez que para além das muitas questões de  uma doença terminal, parte deles tiveram problemas quanto ao diagnóstico, tratamento e  deslocamentos de suas cidades.  

Considerando as três categorias descritivas, percebe-se que existem diversos desafios  nos cuidados paliativos aos idosos, apesar de também haver cuidados paliativos assertivos a  essa população.  

Neste sentido, Alves et al. (2019) explicam que ainda há um grande desconhecimento e  preconceito em relação aos cuidados paliativos, entre profissionais de saúde, administradores  hospitalares e sistema judiciário. Todavia, o entendimento sobre os cuidados paliativos é cada  vez mais essencial para a eficácia das práticas de saúde. A formação técnica, de nível médio e  superior, assim como a capacitação dos profissionais já em exercício, deve ser o método mais  eficiente para fazer com que esses profissionais estejam melhor preparados para promoverem  as práticas paliativistas. Sendo imprescindível o fortalecimento das políticas públicas e  programas de organização do cuidado no final da vida. Porque não é possível aprofundar essa  questão, sem criar conexões tanto filosóficas quanto teóricas e práticas em relação aos  programas e políticas públicas de saúde do SUS.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Objetivando compreender alguns elementos do contexto de idosos em atendimento  paliativo, foi realizada uma revisão de literatura com base em dados de oito artigos científicos,  publicados nos últimos dez anos, na base de dados online SciElo. Os resultados encontrados  revelam que 35 idosos em cuidados paliativos, eram pacientes oncológicos. Parte deles foram  assistidos em casa por profissionais da saúde e outros por familiares. Enquanto uma terceira  parte foi assistida em hospitais. Todavia, nem todos os artigos enumeraram os pacientes idosos  em CP, ou especificaram suas doenças. Igualmente, nem todos os artigos especificaram  amostras de familiares e profissionais de saúde. Apenas um estudo especificou 20 familiares  que também eram cuidadores informais. Já os profissionais de saúde apontados foram 84,  divididos em técnicos, enfermeiros, médicos e odontólogos, que atendiam na Atenção Primária à Saúde, prestando cuidados paliativos a idosos internados em hospitais ou em atendimentos  domiciliares. 

No que tange às percepções dos idosos em atendimento paliativo, esses demonstraram  resiliência frente ao envelhecimento, a uma enfermidade terminal e à proximidade do óbito.  Grande parte deles evidenciou a crença religiosa como uma tática de resistência vinculada ao  plano espiritual. Por outro lado, sofriam não só por estarem enfermos, mas também pela perda  da autonomia, inclusive no que diz respeito aos cuidados com o próprio corpo. Além disso, a  aflição pela tristeza que a perda deles poderia causar aos familiares, foi outra forma de angústia.  

Concernente às condições familiares face à morte dos idosos em CP, esta revisão  demonstra sentimentos variados de parentes diante da proximidade da finitude da vida. Porque  morrer ainda é um assunto pouco abordado e gera preconceitos, além da dor do luto após o  falecimento de um ente querido. Mas, a morte também foi entendida como o término do  sofrimento, especialmente para aqueles que estavam gravemente doentes e sem chances de cura.  Já os familiares (cônjuges e filhos) que cuidavam de idosos em cuidados paliativos, geralmente  eram profundamente conectados ao paciente, junto a todas as demandas desses cuidados, o que  levou parte considerável deles a problemas físicos e emocionais.  

Referente às percepções dos profissionais de saúde pública que cuidam de idosos em  estados paliativos, eles consideram esse tipo de cuidado fundamental. No entanto, reclamaram  da falta de uma rede de assistência em CP que os apoie em suas dificuldades, fazendo com que  se sintam desprezados pela saúde pública. Outros profissionais indicaram estar trabalhando para  além de suas funções, como por exemplo prestar cuidados espirituais. Todavia, um estudo  demonstrou profissionais com percepções e práticas de cuidados paliativos para idosos, de  acordo com as orientações da Organização Mundial de Saúde, corroborando conceitos e  exercícios assertivos. 

Em se tratando dos desafios no cuidado paliativo a idosos na saúde pública, a ausência  de métodos de preparação para a morte no contexto dos CP domiciliares para idosos, que  garantam uma morte digna, foi apontada por profissionais. Além disso, os problemas desse  contexto, foram sinalizados pelos próprios pacientes ao relatarem que além das inúmeras  questões relacionadas a uma doença terminal, alguns enfrentaram problemas com diagnóstico  e tratamento, sendo processos que demandaram saírem de suas cidades de origem.  

Nota-se, portanto, que geralmente os cuidados paliativos para idosos constituem um  desafio à saúde pública. Portanto, é crucial intensificar as políticas governamentais e os  programas voltados para a organização da assistência no fim da vida. E não é possível discutir  essa questão sem estabelecer vínculos com os programas e políticas públicas de saúde. 

REFERÊNCIAS 

ALVES, Railda Sabino Fernandes et al. Cuidados paliativos: alternativa para o cuidado  essencial no fim da vida. Psicologia: Ciência e Profissão, v. 39, p. e185734, 2019.  Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/a/NSScM87z94MQRGL8RPtBGzJ/?lang=pt.  Acesso em 01 out. 2025.  

BESERRA, Vanessa dos Santos; BRITO, Claudia. Situações difíceis e sentimentos no  cuidado paliativo oncológico. Cadernos de Saúde Pública, v. 40, p. e00116823, 2024.  Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csp/2024.v40n1/e00116823/. Acesso em: 15  set. 2025.  

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo, SP: Atlas,  2002 

HOFFMANN, Leonardo Bohner; SANTOS, Ana Beatriz Brandão; CARVALHO, Ricardo  Tavares. Sentidos de vida y muerte: reflexiones de pacientes en cuidados  paliativos. Psicologia USP, v. 32, p. e180037, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pusp/a/tQ8sz8VyWbGJykWMBLrmv9R/abstract/?lang=es&format=h tml. Acesso em 01 out., 2024. 

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Fundamentos de metodologia  científica. 8. ed. São Paulo, SP: Atlas, 2017. 

MARQUES, Fernanda Pasquetti; BULGARELLI, Alexandre Fávero. Os sentidos da atenção  domiciliar no cuidado ao idoso na finitude: a perspectiva humana do profissional do  SUS. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, p. 2063-2072, 2020. Disponível em:  https://www.scielo.br/j/csc/a/3K7JYrSQmmc79t7nvR5C8YS/?format=html&lang=pt. Acesso  em 30 set. 2025.  

MATOS, Johnata da Cruz; GUIMARÃES, Silvia Maria Ferreira. A aplicação do cuidado  transpessoal e a assistência espiritual a pacientes idosos em cuidados paliativos. Revista  Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 22, p. e190186, 2020. Disponível em:  https://www.scielo.br/j/rbgg/a/qy4WvQxXQYRJRLmzwkDKBdm/?lang=pt. Acesso em 30  set. 2025.  

MOURA, Raquel Bezerra Barbosa et al. Intervenções nutricionais para idosos em cuidados  paliativos: uma revisão de escopo. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v. 24, n.  5, p. e220063, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/HsV4pD8D7w4JYFpKvRsNBYw/?lang=pt. Acesso em: 15  set. 2025.  

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RIBEIRO, Mariana dos Santos; BORGES, Moema da Silva. Percepções sobre envelhecer e  adoecer: um estudo com idosos em cuidados paliativos. Revista Brasileira de Geriatria e  Gerontologia, v. 21, p. 701-710, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgg/a/53qVvXFPrpyNnnW7rrxNbLk/?lang=pt&format=html.  Acesso em 30 set. 2025.  

TEIXEIRA, Luciana Aparecida et al. Cuidadores de idosos em cuidados paliativos: nível de  sobrecarga e sintomas depressivos. Fisioterapia em Movimento, v. 35, p. e35132, 2022.  Disponível em: https://www.scielo.br/j/fm/a/P8Nqj6JFzHNVdkL3xnVybnL/?lang=pt. Acesso  em: 01 out. 2025.


1Graduanda em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das Araras, 241, Bairro: Eldorado,  Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: whendyferalmeida@gmail.com.

2Graduada em Administração pelo Computer System Institute. Graduanda em Medicina na  União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua  das Araras, 241, Bairro: Eldorado, Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: bennesby.t@gmail.com.

3Graduando em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das Araras, 241, Bairro: Eldorado, Porto Velho Rondônia, Brasil. E-mail: luizfabiano2003@gmail.com.

4Graduando em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental  UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das araras, 241, Bairro: Eldorado  Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: henriquealmendra2@gmail.com.

5Graduando em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das araras, 241, Bairro: Eldorado  Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: eliottcavalcante042@gmail.com.

6Graduando em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das araras, 241, Bairro: Eldorado  Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: lukaschneider45@gmail.com.7.

7Graduando em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das araras, 241, Bairro: Eldorado  Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: Kauannypantojasantana@gmail.com.

8Graduanda em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das Araras, 241, Bairro: Eldorado, Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: brendarochamc@gmail.com

9Graduada em enfermagem pela Faculdade São Lucas.Graduanda em Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das Araras, 241, Bairro: Eldorado, Porto Velho- Rondônia, Brasil. E-mail: ionadacosta123@gmail.com.

10Graduada em medicina FIMCA 2010. Pós graduada em ensino médico em 2017. Pós graduada em geriatria e gerontologia 2019. Especialista em infectologia RQE 3576. Docente  no Curso de Medicina na União de Ensino Superior da Amazônia Ocidental – UNNESA/Faculdade Metropolitana. Rua das Araras, 241, Bairro: Eldorado, Porto Velho Rondônia, Brasil. E-mail: francielle.moraes@metropolitana-ro.com.br