REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510081312
Allan Martins De Oliveira; Ana Carolina Xavier Araújo Gualda; Cindy Mayumi Bezerra Yamanaka; Davi Moura De Lacerda; Leonardo Antunes Fuzari; Liz Nayara Macedo Ferreira; Lorenna Francielly Miller Almeida; Nájime Aline Macedo Nicaretta; Nikla Nathashy Rozo; Ruan Medeiros Nóbrega; Yan Victor Roque Rodrigues.
RESUMO
Considerando o aumento da população idosa, bem como os desafios característicos desta fase, este estudo teve por objetivo: compreender o contexto da Atenção Básica em Saúde aos idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Metodologia: Foi realizada uma revisão de literatura, formada por nove artigos científicos escritos nos idiomas inglês e português, publicados na base de dados online SciELO. Sendo esses materiais obtidos por estratégias de busca constituídas pelos descritores: Atenção Básica, Idoso e Hipertensão Arterial Sistêmica, mediados pelo booleano AND. Resultados e Discussão: Os achados possibilitaram identificar os fatores de risco para a hipertensão arterial sistêmica, em idosos assistidos nas UBSs. Como também que há idosos hipertensos que apresentam pressão arterial descontrolada, síndrome metabólica e sintomas severos de depressão. Os dados demonstraram ainda a desconexão entre a prática de assistência e as demandas da população idosa, que enfrenta dificuldades para marcar consultas, obter resultados de exames laboratoriais e conseguir medicamentos nas referidas unidades. Caracterizando falhas significativas de atendimentos na Atenção Primária em Saúde. Considerações Finais: o contexto da Atenção Básica em Saúde aos idosos diagnosticados com HAS, evidenciou-se preocupante. Portanto, é crucial elaborar estratégias específicas para a prevenção e o controle da hipertensão arterial sistêmica e condições associadas, nessa população. Para isso, é necessário organizar sessões de educação em saúde que promovam conhecimentos sobre estilos de vida saudáveis, incentivem o acompanhamento da pressão arterial (PA) em casa, além de consultas médicas frequentes. Por fim, recomenda se mais estudos sobre este tema de grande relevância.
Palavras- chave: Atenção Básica em Saúde. Idosos. Hipertensão Arterial Sistêmica.
ABSTRACT
Considering the increase in the elderly population, as well as the challenges characteristic of this phase, this study objective: understand the context of Primary Health Care for elderly people with Systemic Arterial Hypertension (SAH). Methodology: A literature review was carried out, consisting of nine scientific articles written in English and Portuguese, published in the online database SciELO. These materials were obtained through search strategies consisting of the descriptors: Primary Care, Elderly and Systemic Arterial Hypertension, mediated by the Boolean AND. Results and Discussion: The findings made it possible to identify the risk factors for systemic arterial hypertension in elderly people assisted in UBSs. As well as that there are hypertensive elderly people who have uncontrolled blood pressure, metabolic syndrome and severe symptoms of depression. The data also demonstrated the disconnection between the practice of care and the demands of the elderly population, who face difficulties in scheduling appointments, obtaining laboratory test results and obtaining medications in these units. Characterizing significant failures in Primary Health Care services. Final Considerations: The context of Primary Health Care for elderly individuals diagnosed with hypertension has proven to be worrying. Therefore, it is crucial to develop specific strategies for the prevention and control of systemic arterial hypertension and associated conditions in this population. To this end, it is necessary to organize health education sessions that promote knowledge about healthy lifestyles, encourage monitoring of blood pressure (BP) at home, and frequent medical appointments. Finally, further studies on this highly relevant topic are recommended.
Keywords: Primary Health Care. Elderly. Systemic Arterial Hypertension.
1 INTRODUÇÃO
Dentre as diversas mudanças ocorridas no século XX, tem-se a redução da natalidade e o aumento da longevidade em razão das alterações sociais e ao desenvolvimento científico, de modo a possibilitar o envelhecimento populacional em todo o mundo. Em nosso país, esse processo tem acontecido de maneira crescente e célere, ao ponto das estimativas apontarem que em 2050 os idosos formarão um terço da população. Constituindo uma realidade social que demanda criação de políticas públicas e a promoção de cuidados e proteção exclusivos para idosos. Concernente ao subsídio à saúde, advém uma exigência crescente por mais recursos e atendimento especializado, especialmente de média e alta complexidade. Sendo a Atenção Básica a principal entrada para essas assistências (Farias et al., 2021).
O envelhecimento traz consigo alterações fisiológicas próprias da idade, bem como o desenvolvimento de enfermidades recorrentes não transmissíveis, havendo a necessidade de uso contínuo medicamentoso, por ser um recurso terapêutico essencial para tratar e controlar essas enfermidades. Dentre elas, a hipertensão arterial sistêmica (HAS), tem se destacado como fator significativo para doenças cardiovasculares, as quais constituem a causa principal de óbitos em todo o mundo. No Brasil, inquéritos populacionais demonstram que a HAS atinge cerca de aproximadamente 25% da população brasileira adulta e progride com o avanço da idade, atingindo índices superiores a 60% em pessoas idosas (Luz; Silva-Costa; Griep, 2021).
Considerando o exposto, entende-se o quão importante é o atendimento e acompanhamento de idosos na atenção básica em saúde, com destaque para aqueles que enfrentam problemas como a hipertensão arterial sistêmica (HAS).
Sendo assim, a pergunta norteadora deste estudo consiste em: Quais as condições dos idosos hipertensos atendidos na atenção básica de saúde e como ocorre esse atendimento? Logo, o objetivo geral deste estudo consiste em compreender o contexto da Atenção Básica em Saúde aos idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Assim sendo, apresenta como objetivos específicos: HAS e fatores relacionados a essa condição em idosos atendidos em UBSs; Hipertensão arterial em idosos assistidos na Atenção Primária e doenças associadas; E, atendimento oferecido aos idosos diagnosticados com hipertensão arterial sistêmica, nas unidades de atenção básica à saúde.
A explanação acima justifica estudos com essa temática, pois o processo de envelhecer pode ser entendido como uma dádiva, mas também pode ser caracterizado por muitos desafios, os quais aumentam ainda mais quando os idosos não se sentem acolhidos. Além disso, eles podem se tornar mais sensíveis em diversos aspectos e enfrentar solidão, estigmas, preconceitos, dificuldades de acesso à saúde, adoecimento, comprometimento da qualidade de vida, entre outras condições. Portanto, a população idosa necessita ser amparada em diferentes esferas.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 DETERMINADAS CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO IDOSA
Em países em desenvolvimento, como o Brasil, consideram-se idosos aqueles indivíduos com idades equivalentes a 60 anos ou mais. Já nos países desenvolvidos, essa faixa etária aumenta para 65 anos (OMS, 2015). Conforme o Censo de 2022, a população idosa em nosso país alcançou 32.113.490, representando 15,6% dos brasileiros e um aumento de 56,0% em relação a 2010, quando formavam 20.590.597 (IBGE, 2022).
O envelhecimento é um processo natural do organismo, mas geralmente apresenta diferentes formas, as quais são constituídas também por diferentes estilos de vida, bem como pelos determinantes sociais de saúde, aos quais indivíduos se expõem ao longo da vida. Sendo que idosos podem ter excelentes condições de saúde, todavia, parte deles pode desenvolver diferentes doenças e, portanto, usar diversas medicações, bem como ser avaliada e acompanhada por médicos e outros profissionais da saúde, de forma mais frequente. Cabe destacar que os atendimentos em saúde não devem ser restritos aos idosos adoecidos, mas também aplicados no sentido de prevenção, tanto para idosos saudáveis como à população em geral (Licoviski et al., 2025).
2.2 IDOSOS E HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS)
Como afirmado na subseção acima, idosos geralmente desenvolvem doenças. Neste sentido, Oliveira, Duarte e Zanetta (2025, p. 07) discutem sobre a hipertensão arterial sistêmica (HAS), afirmando tratar-se de uma doença que atinge um percentual abundante da população adulta mundial, sobretudo em contextos desfavorecidos socioeconomicamente. Formando um cenário que representa um importante desafio para a saúde pública em razão das baixas percentualidades de acompanhamento em saúde de pessoas idosas. Entre os motivos que requerem atenção, tem-se que:
[…] Aproximadamente 60% da população mundial com 60 anos ou mais tenha hipertensão, sendo essa prevalência maior que 70% nos octogenários. No Brasil, as principais características associadas à HA são o sexo feminino, ter 70 anos ou mais, cor da pele não branca e ter doenças crônicas preexistentes […].
Sendo um cenário de condições preocupantes, pois os estados elevados de pressão arterial (PA) estão relacionados ao acréscimo de risco para desfechos de saúde fatais (Oliveira; Duarte; Zanetta, 2025).
Oliveira et al. (2021) apontam os fatores associados à hipertensão arterial sistêmica (HAS), como: ter mais de 60 anos, diagnóstico de enfermidades recorrentes, consumo de bebidas alcoólicas e tabaco, obesidade, inatividade física, bem como demais hábitos de vida não saudáveis. Ademais, a procura por serviços de saúde somente diante do advento de sintomas e complicações sutis, são condições que podem esclarecer a alta prevalência da HAS. Tais condições são ainda mais evidentes entre homens, que notoriamente buscam atendimentos médicos com menor frequência que as mulheres e, sobretudo em casos de urgência e emergência.
2.3 ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE AOS IDOSOS HIPERTENSOS
Antes de escrever sobre o tema específico desta subseção, convém apresentar alguns dados históricos, bem como conceitos referentes à Atenção Básica em Saúde (ABS). No ano de 1990, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi regulamentado pela Lei n.º 8.080 de 19 de setembro de 1990, que seguiu os preceitos dispostos na Constituição Federal, no sentido do Estado ter o dever de oferecer condições a fim de promover, proteger e recuperar a saúde, e dispor o desempenho dos serviços correspondentes, além de outras determinações. Durante a década de 1990, a política de saúde em nosso país ofereceu mudança relevante e significativa, pois, após vários anos dispondo de privilégios para a atenção hospitalar, a Atenção Básica passou a ser o espaço de centralização de empenhos, investimentos e programas, graças a criação de incentivos financeiros governamentais que foram avaliados e transferidos com base na renda per capita (Brasil, 1990). Neste sentido, Faria (2020, p. 21) destaca que a territorialização da Atenção Básica à Saúde, é um processo social e político relevante para que os princípios constitucionais do SUS, sejam concretizados. “A localização dos serviços no território precisa corresponder aos princípios essenciais da resolutividade e da economia de escala, sendo tanto mais concentrados quanto mais especializados e vice-versa”. Desta forma, a ABS consiste no único nível de saúde disponível em todo o território nacional e por meio dela e de acordos intermunicipais e sistemas regionais, os brasileiros poderão ter acesso aos níveis denominados: secundário e terciário de cuidados.
Todavia, a atenção aos idosos hipertensos nos serviços de atenção básica demanda atuações inovadoras, pois só há possibilidades de tratar a hipertensão arterial sistêmica na população idosa, ao reconhecer as necessidades características dessa população. A HAS é uma condição frequente em idosos e o uso de anti-hipertensivos constitui a classe de fármacos mais usada por eles. Tal cenário representa sérios problemas em primeiro lugar aos idosos e secundariamente à saúde pública, uma vez que, independentemente do estado de saúde, a polifarmácia1 aumenta as chances de quedas, internação e morte em indivíduos com mais de 60 anos (Sangaleti et al., 2023).
3 METODOLOGIA
3.1 TIPO DE PESQUISA
Para a elaboração deste artigo, foi realizada uma pesquisa de revisão de literatura, tipo de pesquisa que se fundamenta em elementos de literaturas já elaboradas e apresenta como vantagem principal a descoberta de fenômenos relacionados a um tema específico, de forma mais ampla. As principais fontes de pesquisa nesta área são os livros e artigos científicos (Gil, 2002). Marconi e Lakatos (2021) apontam que, atualmente, a revisão de literatura é composta, sobretudo, por artigos científicos, pois estes oferecem conhecimentos atualizados sobre diversos tópicos.
3.1.1 Coleta de dados
Os dados foram coletados de artigos científicos publicados nas bases de dados: Biblioteca Virtual Scientific Electronic Library Online (SciElo), por meio da aplicação do termo de busca: Atenção Básica ao Idoso AND Hipertensão Arterial Sistêmica.
3.1.2 Critérios de inclusão e exclusão de materiais
Foram incluídos nove (09) artigos oriundos de estudos transversais, transversal/analítico, descritivo/quantitativo, qualitativo/descritivo e relato de experiência, publicados entre os anos de 2019 a 2024, nos idiomas inglês e português.
Exclui-se deste estudo artigos procedentes de revisões de literatura, artigos publicados em blogs, livros digitais, trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutoramento.
3.2 METODOLOGIA DA ANÁLISE DE DADOS
Os dados presentes em cada artigo foram separados por temas e posteriormente, analisados e agrupados em categorias analíticas temáticas, conforme preconizado por Gil (2002).
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Ao utilizar os termos de pesquisa mencionados no ponto 3.1.1, foram retornados 725 resultados, os quais foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão previamente definidos no ponto 3.1.2. Obteve-se 128 resultados, dos quais foram lidos os títulos. Destes, 61 foram escolhidos para a leitura de seus resumos, resultando na conclusão de que 09 (nove) deles se adequaram a este estudo. No quadro 1, a seguir, são fornecidas informações sumárias dos artigos selecionados, classificados pelo ano de publicação, em ordem crescente.
Quadro 1- Breves informações dos artigos eleitos
| Ano publicação | Autoria | Título | Objetivo | Tipo de Pesquisa |
| 2019 | SANTANA, Breno de Sousa et al. | Hipertensão arterial em idosos acompanhados na atenção primária: Perfil e fatores associados | Analisar o controle da pressão arterial de idosos hipertensos acompanhados por uma Unidade Básica de Saúde do Distrito Federal, determinando o perfil sociodemográfico e os fatores de risco associados. | Transversal. |
| 2019 | SILVA, Líliam Barbosa et al. | Estratos de risco e qualidade do cuidado à pessoa idosa na Atenção Primária à Saúde | Identificar padrões de associações entre o grau de conformidade às solicitações de exames laboratoriais por estratos de risco e os parâmetros de resultados da qualidade do cuidado na Atenção Primária à Saúde (APS | Transversal. |
| 2020 | COSTA, Manoela Vieira Gomes da et al. | Risco cardiovascular aumentado e o papel da síndrome metabólica em idosos hipertensos | Avaliar a síndrome metabólica e o risco cardiovascular de idosos hipertensos atendidos na atenção primária. | Transversal. |
| 2020 | SILVA, Letícia Gonçalves; NUNES, Marilene Rivany. | Idosos acometidos pela Hipertensão Arterial Sistêmica: nível de depressão, adesão ao tratamento e avaliação da qualidade de vida | Avaliar sintomas de depressão, adesão ao tratamento e qualidade de vida dos idosos com HAS de uma Unidade Básica de Saúde do município de Patos de Minas-MG. | Descritiva com abordagem quantitativa. |
| 2020 | LUZ, Alyne Leal de Alencar; SILVA-COSTA, Aline; GRIEP. | Pressão arterial não controlada entre pessoas idosas hipertensas assistidas pela Estratégia Saúde da Família | Investigar a prevalência de pressão arterial (PA) não controlada e fatores associados em pessoas idosas hipertensas assistidas pela Estratégia Saúde da Família em um município do Piauí, Brasil. | Transversal |
| 2021 | FARIAS, Andrezza Duarte et al. | Prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: um estudo na Atenção Primária à Saúde. | Avaliar os MPI prescritos na Atenção Primária à Saúde (APS) e seus fatores associados. | Transversal/Analítico |
| 2023 | SANGALETI, Carine Teles et al. | Polifarmácia, medicamentos potencialmente inapropriados e fatores associados entre idosos com hipertensão na atenção básica | Identificar a prevalência e as associações da polifarmácia e uso de medicamentos potencialmente inapropriados entre idosos com hipertensão atendidos na atenção básica. | Transversal |
| 2024 | GUIMARÃES, Ademara Pedroso et al. | Estratégias de prevenção e controle da hipertensão em idosos na UBS Panorama XXI: Um relato de experiência | Avaliar a eficácia dos tratamentos e estratégias de prevenção da hipertensão arterial em idosos no ambiente da UBS. | Relato de experiência |
| 2024 | RIBEIRO, Amanda Maria Vilas Boas; VILASBÔAS, Ana Luiza Queiroz; DE ALMEIDA, Patty Fidelis. | Experiências de acesso e uso da Atenção Primária à Saúde por usuários Com hipertensão arterial sistêmica | Identificar e analisar a percepção dos usuários quanto ao acesso e uso dos serviços e ações de saúde para acompanhamento da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) na Atenção Primária à Saúde (APS). | Qualitativo/Descritivo. |
Fonte: elaborado pelas autoras
4.1 CONTEXTO DE IDOSOS HIPERTENSOS E UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE
A hipertensão arterial sistêmica, em idosos atendidos nas Unidade Básica de Saúde, pode ser relacionada a alguns fatores. A este respeito, Santana et al. (2019) conduziram uma pesquisa transversal para avaliar o controle da pressão arterial de 133 idosos hipertensos assistidos por uma UBS no Distrito Federal. Eles avaliaram variáveis ligadas a fatores sociodemográficos, hábitos de vida, fatores clínicos e dificuldades de adesão ao tratamento medicamentoso. Assim, os autores descobriram uma forte correlação entre os fatores de risco mencionados e a ausência de controle da pressão arterial em idosos hipertensos, especialmente em relação à idade avançada, o consumo de álcool e a obesidade.
Nesta direção, Luz, Silva-Costa e Griep (2020) realizaram um estudo transversal para investigar a prevalência de pressão arterial não controlada e fatores correlacionados em 384 idosos hipertensos assistidos em uma unidade básica de saúde. A pressão arterial foi aferida através de um método padronizado com o uso de dispositivos digitais. Essas autoras verificaram que 61,7% tinham a pressão arterial descontrolada, enquanto 51,8% tinham baixa adesão ao tratamento anti-hipertensivo. Além disso, a prevalência de pressão arterial não controlada foi maior entre os participantes com baixa adesão ao tratamento, em comparação com os que tinham alta adesão. Assim, as autoras ressaltam a ausência de intervenções eficazes na mencionada UBS para um controle mais eficaz da hipertensão, além da falta de estratégias para o gerenciamento correto da doença no contexto da Atenção primária, que vão desde medidas preventivas até planos de tratamento adequados para cada pessoa.
A hipertensão arterial em idosos pode ser diagnosticada junto a outras condições de doenças, neste seguimento, Costa et al. (2020) realizaram um estudo transversal para analisarem a síndrome metabólica2 e o risco cardiovascular de 154 idosos hipertensos registrados em uma unidade básica de saúde do Distrito Federal. Chegando à conclusão de que 64,9% dos idosos hipertensos eram obesos e 70,8% apresentavam a síndrome metabólica, condição que apresenta 7,19 vezes mais probabilidade de risco cardiovascular elevado.
Já, Silva e Nunes (2020) realizaram uma pesquisa descritiva e quantitativa para avaliar os sintomas de depressão, a adesão ao tratamento e a qualidade de vida de 60 idosos com hipertensão arterial sistêmica atendidos em uma unidade básica de saúde. Desses, 43,3% eram homens e 56,7% mulheres. Os pacientes que apresentaram sintomas severos de depressão apresentaram uma adesão de 50% ao tratamento da HAS. Estas autoras chegaram à conclusão de que os idosos hipertensos enfrentam diversas situações de vulnerabilidade. E essa situação requer uma assistência completa e focada na saúde da população idosa.
Os achados corroboram a seriedade da hipertensão arterial em idosos. Portanto, considera-se crucial apresentar alguns estudos voltados aos atendimentos a este público em unidades básicas de saúde.
4.1.1 Atendimento oferecido aos Idosos Hipertensos em Unidades Básicas de Saúde.
Silva et al. (2019) conduziram uma pesquisa transversal com 108 idosos hipertensos assistidos em uma unidade básica de saúde, com o objetivo de identificar a qualidade do atendimento na Atenção Primária à Saúde. Estes autores compreenderam uma baixa consonância da prática assistencial e disparidades entre as ações de saúde oferecidas e as necessidades dos usuários, apontando deficiências no processo de atendimento na APS.
Neste sentido, por meio de um estudo qualitativo e descritivo, Ribeiro, Vilasbôas e Almeida (2024) analisaram a percepção de 38 idosos acerca do acesso e utilização de serviços e medidas de saúde para o controle da hipertensão arterial sistêmica. Eles foram selecionados em Unidades Básicas de Saúde, localizadas em um município do estado do Rio de Janeiro. Os autores concluíram que os pacientes enfrentavam dificuldades para marcar consultas, obter os resultados de exames laboratoriais e conseguir medicamentos nas referidas unidades. Bem como que existiam poucas ações de educação em saúde, e a supervisão da equipe de saúde era restrita.
Condizente ao uso inadequado de medicamentos, Sangaleti et al. (2023, p. 21) realizaram um estudo observacional analítico, do tipo transversal, com a finalidade de identificar a prevalência e as associações da polifarmácia e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI) com hipertensão, atendidos em unidades básicas de saúde. Esses autores constataram que houve o predomínio de 39,09% de polifarmácia e 28,57% de uso de MPI. Sendo que a relação entre polifarmácia , uso de MPI e sono perturbado se mostrou elevada. Desta forma, os autores destacam que a prevalência de polifarmácia e uso de MPI entre idosos com hipertensão é elevada, particularmente entre aqueles com perfil social mais fragilizado. Assim, apontam que tal cenário requer atendimento de qualidade das equipes de atenção básica.
Neste sentido, Farias et al. (2021), através de uma pesquisa transversal e analítica, discutem a prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI) na Atenção Primária à Saúde. Após analisarem 458 idosos com hipertensão, asseguraram que detectaram a prescrição de pelo menos um MPI para 44,8% dos idosos, e 54,4% se ajustavam à polifarmácia. Face a esses achados, os autores destacam a necessidade de medidas que aperfeiçoem o uso de medicamentos para idosos, garantindo acesso aos medicamentos de forma segura.
O exposto revela que o contexto envolvendo idosos hipertensos e atendimentos em unidades básicas de saúde é marcado por desafios. Logo, considera-se importante apresentar formas de estratégias voltadas à prevenção da hipertensão arterial e amenização deste quadro.
4.2 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL
Após analisarem a eficácia dos tratamentos e estratégias de prevenção da hipertensão arterial em idosos no ambiente da UBS, Guimarães et al. (2024) destacam a importância de se elaborar estratégias particulares de prevenção e controle da HAS na população idosa, para diminuir a probabilidade de complicações oriundas dessa condição. Bem como promover sessões de educação em saúde para a terceira idade e oferecer conhecimentos sobre práticas de vida saudáveis, como a importância da alimentação balanceada, prática regular de atividades físicas, diminuição do consumo de sal, controle do peso, cessação do consumo de tabaco. Bem como, incentivar o acompanhamento e a anotação da pressão arterial em casa, além de manter visitas médicas frequentes. Isso porque, as estratégias não farmacológicas, como a prática de exercícios físicos e a alimentação apropriada, são também eficazes em se tratando de prevenção e controle da hipertensão arterial sistêmica.
Nesta direção, Santana et al. (2019) destacam ser imprescindível redirecionar o planejamento e as táticas de promoção da saúde e prevenção de complicações, direcionadas a idosos hipertensos no contexto da atenção primária à saúde.
Ribeiro, Vilasbôas e Almeida (2024) destacam a importância de expandir o acesso a medicamentos básicos e resultados de exames nas Unidades Básicas de Saúde. E atuações de promoção, prevenção e clínica em saúde, por meio da colaboração interprofissional.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa apresentou os fatores de risco para a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) em pessoas idosas, atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Tais como: fatores sociodemográficos, hábitos de vida, aspectos clínicos e dificuldades de adesão ao tratamento anti-hipertensivo, idade avançada, consumo de álcool, obesidade, dentre outros. Além disso, demonstrou que parte dos idosos hipertensos, apresenta pressão arterial descontrolada, síndrome metabólica e sintomas graves de depressão.
No que diz respeito aos cuidados disponibilizados para idosos hipertensos, em Unidades Básicas de Saúde, observou-se uma falta de sintonia entre a prática assistencial e as necessidades dos usuários. Isso apontou falhas no processo de atendimento na Atenção Primária à Saúde. Dado que idosos enfrentam desafios para agendar consultas, obter resultados de exames laboratoriais e conseguir medicamentos em UBSs. Havendo escassez de atividades de educação em saúde e baixa supervisão por equipes de saúde. Assim, constatou se a predominância da polifarmácia e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI).
Portanto, o objetivo geral deste estudo, qual seja: compreender o contexto da Atenção Básica em Saúde aos idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), foi alcançado, demonstrando ser um contexto preocupante. Face a isto, destacou-se a relevância de desenvolver estratégias específicas para prevenção e controle da HAS em pessoas idosas, para reduzir o risco de complicações decorrentes dessa condição; conduzir sessões de educação em saúde para a população idosa e fornecer informações sobre hábitos de vida saudáveis; promover o monitoramento e o registro da pressão arterial em casa e em consultas médicas regulares. Para isto é crucial melhorar o planejamento e as estratégias de promoção em saúde e prevenção no âmbito da APS e ampliar o acesso a medicamentos essenciais e resultados de testes laboratoriais nas Unidades Básicas de Saúde. Isto é, oferecer aos idosos atendimentos adequados. Diante da importância da temática aqui apresentada, sugere-se mais estudos neste sentido.
1Uso de cinco ou mais medicamentos por um paciente, que pode aumentar o risco de interações, efeitos colaterais e complicações.
2Grupo de alterações metabólicas e hormonais que, juntas, aumentam o risco de desenvolver doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros problemas de saúde.
REFERÊNCIAS
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