CONTEXTO DA ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE AOS IDOSOS COM HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202510081312


Allan Martins De Oliveira; Ana Carolina Xavier Araújo Gualda; Cindy Mayumi Bezerra Yamanaka; Davi Moura De Lacerda; Leonardo Antunes Fuzari; Liz Nayara Macedo Ferreira; Lorenna Francielly Miller Almeida; Nájime Aline Macedo Nicaretta; Nikla Nathashy Rozo; Ruan Medeiros Nóbrega; Yan Victor Roque Rodrigues.


RESUMO 

Considerando o aumento da população idosa, bem como os desafios característicos desta fase,  este estudo teve por objetivo: compreender o contexto da Atenção Básica em Saúde aos  idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Metodologia: Foi realizada uma revisão  de literatura, formada por nove artigos científicos escritos nos idiomas inglês e português,  publicados na base de dados online SciELO. Sendo esses materiais obtidos por estratégias de  busca constituídas pelos descritores: Atenção Básica, Idoso e Hipertensão Arterial Sistêmica,  mediados pelo booleano AND. Resultados e Discussão: Os achados possibilitaram identificar  os fatores de risco para a hipertensão arterial sistêmica, em idosos assistidos nas UBSs. Como  também que há idosos hipertensos que apresentam pressão arterial descontrolada, síndrome  metabólica e sintomas severos de depressão. Os dados demonstraram ainda a desconexão  entre a prática de assistência e as demandas da população idosa, que enfrenta dificuldades  para marcar consultas, obter resultados de exames laboratoriais e conseguir medicamentos nas  referidas unidades. Caracterizando falhas significativas de atendimentos na Atenção Primária  em Saúde. Considerações Finais: o contexto da Atenção Básica em Saúde aos idosos  diagnosticados com HAS, evidenciou-se preocupante. Portanto, é crucial elaborar estratégias  específicas para a prevenção e o controle da hipertensão arterial sistêmica e condições  associadas, nessa população. Para isso, é necessário organizar sessões de educação em saúde  que promovam conhecimentos sobre estilos de vida saudáveis, incentivem o acompanhamento  da pressão arterial (PA) em casa, além de consultas médicas frequentes. Por fim, recomenda se mais estudos sobre este tema de grande relevância. 

Palavras- chave: Atenção Básica em Saúde. Idosos. Hipertensão Arterial Sistêmica. 

ABSTRACT 

Considering the increase in the elderly population, as well as the challenges characteristic of  this phase, this study objective: understand the context of Primary Health Care for elderly  people with Systemic Arterial Hypertension (SAH). Methodology: A literature review was  carried out, consisting of nine scientific articles written in English and Portuguese, published  in the online database SciELO. These materials were obtained through search strategies  consisting of the descriptors: Primary Care, Elderly and Systemic Arterial Hypertension,  mediated by the Boolean AND. Results and Discussion: The findings made it possible to  identify the risk factors for systemic arterial hypertension in elderly people assisted in UBSs.  As well as that there are hypertensive elderly people who have uncontrolled blood pressure,  metabolic syndrome and severe symptoms of depression. The data also demonstrated the  disconnection between the practice of care and the demands of the elderly population, who  face difficulties in scheduling appointments, obtaining laboratory test results and obtaining  medications in these units. Characterizing significant failures in Primary Health Care services.  Final Considerations: The context of Primary Health Care for elderly individuals diagnosed  with hypertension has proven to be worrying. Therefore, it is crucial to develop specific  strategies for the prevention and control of systemic arterial hypertension and associated  conditions in this population. To this end, it is necessary to organize health education sessions that promote knowledge about healthy lifestyles, encourage monitoring of blood pressure  (BP) at home, and frequent medical appointments. Finally, further studies on this highly  relevant topic are recommended. 

Keywords: Primary Health Care. Elderly. Systemic Arterial Hypertension. 

1 INTRODUÇÃO  

Dentre as diversas mudanças ocorridas no século XX, tem-se a redução da natalidade  e o aumento da longevidade em razão das alterações sociais e ao desenvolvimento científico,  de modo a possibilitar o envelhecimento populacional em todo o mundo. Em nosso país, esse  processo tem acontecido de maneira crescente e célere, ao ponto das estimativas apontarem  que em 2050 os idosos formarão um terço da população. Constituindo uma realidade social  que demanda criação de políticas públicas e a promoção de cuidados e proteção exclusivos  para idosos. Concernente ao subsídio à saúde, advém uma exigência crescente por mais  recursos e atendimento especializado, especialmente de média e alta complexidade. Sendo a  Atenção Básica a principal entrada para essas assistências (Farias et al., 2021).  

O envelhecimento traz consigo alterações fisiológicas próprias da idade, bem como o  desenvolvimento de enfermidades recorrentes não transmissíveis, havendo a necessidade de  uso contínuo medicamentoso, por ser um recurso terapêutico essencial para tratar e controlar  essas enfermidades. Dentre elas, a hipertensão arterial sistêmica (HAS), tem se destacado  como fator significativo para doenças cardiovasculares, as quais constituem a causa principal  de óbitos em todo o mundo. No Brasil, inquéritos populacionais demonstram que a HAS  atinge cerca de aproximadamente 25% da população brasileira adulta e progride com o  avanço da idade, atingindo índices superiores a 60% em pessoas idosas (Luz; Silva-Costa;  Griep, 2021).  

Considerando o exposto, entende-se o quão importante é o atendimento e  acompanhamento de idosos na atenção básica em saúde, com destaque para aqueles que  enfrentam problemas como a hipertensão arterial sistêmica (HAS). 

Sendo assim, a pergunta norteadora deste estudo consiste em: Quais as condições dos  idosos hipertensos atendidos na atenção básica de saúde e como ocorre esse atendimento? Logo, o objetivo geral deste estudo consiste em compreender o contexto da Atenção  Básica em Saúde aos idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS). Assim sendo,  apresenta como objetivos específicos: HAS e fatores relacionados a essa condição em idosos  atendidos em UBSs; Hipertensão arterial em idosos assistidos na Atenção Primária e doenças  associadas; E, atendimento oferecido aos idosos diagnosticados com hipertensão arterial  sistêmica, nas unidades de atenção básica à saúde. 

A explanação acima justifica estudos com essa temática, pois o processo de envelhecer  pode ser entendido como uma dádiva, mas também pode ser caracterizado por muitos  desafios, os quais aumentam ainda mais quando os idosos não se sentem acolhidos. Além disso, eles podem se tornar mais sensíveis em diversos aspectos e enfrentar solidão, estigmas,  preconceitos, dificuldades de acesso à saúde, adoecimento, comprometimento da qualidade de  vida, entre outras condições. Portanto, a população idosa necessita ser amparada em diferentes  esferas.  

2 REFERENCIAL TEÓRICO 

2.1 DETERMINADAS CARACTERÍSTICAS DA POPULAÇÃO IDOSA  

Em países em desenvolvimento, como o Brasil, consideram-se idosos aqueles  indivíduos com idades equivalentes a 60 anos ou mais. Já nos países desenvolvidos, essa faixa  etária aumenta para 65 anos (OMS, 2015). Conforme o Censo de 2022, a população idosa em  nosso país alcançou 32.113.490, representando 15,6% dos brasileiros e um aumento de 56,0%  em relação a 2010, quando formavam 20.590.597 (IBGE, 2022).  

O envelhecimento é um processo natural do organismo, mas geralmente apresenta  diferentes formas, as quais são constituídas também por diferentes estilos de vida, bem como  pelos determinantes sociais de saúde, aos quais indivíduos se expõem ao longo da vida. Sendo  que idosos podem ter excelentes condições de saúde, todavia, parte deles pode desenvolver  diferentes doenças e, portanto, usar diversas medicações, bem como ser avaliada e  acompanhada por médicos e outros profissionais da saúde, de forma mais frequente. Cabe  destacar que os atendimentos em saúde não devem ser restritos aos idosos adoecidos, mas  também aplicados no sentido de prevenção, tanto para idosos saudáveis como à população em  geral (Licoviski et al., 2025). 

2.2 IDOSOS E HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS)  

Como afirmado na subseção acima, idosos geralmente desenvolvem doenças. Neste  sentido, Oliveira, Duarte e Zanetta (2025, p. 07) discutem sobre a hipertensão arterial  sistêmica (HAS), afirmando tratar-se de uma doença que atinge um percentual abundante da  população adulta mundial, sobretudo em contextos desfavorecidos socioeconomicamente.  Formando um cenário que representa um importante desafio para a saúde pública em razão  das baixas percentualidades de acompanhamento em saúde de pessoas idosas. Entre os  motivos que requerem atenção, tem-se que: 

[…] Aproximadamente 60% da população mundial com 60 anos ou mais tenha hipertensão, sendo essa prevalência maior que 70% nos octogenários. No Brasil, as  principais características associadas à HA são o sexo feminino, ter 70 anos ou mais,  cor da pele não branca e ter doenças crônicas preexistentes […]. 

Sendo um cenário de condições preocupantes, pois os estados elevados de pressão  arterial (PA) estão relacionados ao acréscimo de risco para desfechos de saúde fatais  (Oliveira; Duarte; Zanetta, 2025). 

Oliveira et al. (2021) apontam os fatores associados à hipertensão arterial sistêmica  (HAS), como: ter mais de 60 anos, diagnóstico de enfermidades recorrentes, consumo de  bebidas alcoólicas e tabaco, obesidade, inatividade física, bem como demais hábitos de vida  não saudáveis. Ademais, a procura por serviços de saúde somente diante do advento de  sintomas e complicações sutis, são condições que podem esclarecer a alta prevalência da  HAS. Tais condições são ainda mais evidentes entre homens, que notoriamente buscam  atendimentos médicos com menor frequência que as mulheres e, sobretudo em casos de  urgência e emergência. 

2.3 ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE AOS IDOSOS HIPERTENSOS  

Antes de escrever sobre o tema específico desta subseção, convém apresentar alguns  dados históricos, bem como conceitos referentes à Atenção Básica em Saúde (ABS).  No ano de 1990, o Sistema Único de Saúde (SUS) foi regulamentado pela Lei n.º  8.080 de 19 de setembro de 1990, que seguiu os preceitos dispostos na Constituição Federal,  no sentido do Estado ter o dever de oferecer condições a fim de promover, proteger e  recuperar a saúde, e dispor o desempenho dos serviços correspondentes, além de outras  determinações. Durante a década de 1990, a política de saúde em nosso país ofereceu  mudança relevante e significativa, pois, após vários anos dispondo de privilégios para a  atenção hospitalar, a Atenção Básica passou a ser o espaço de centralização de empenhos,  investimentos e programas, graças a criação de incentivos financeiros governamentais que  foram avaliados e transferidos com base na renda per capita (Brasil, 1990). Neste sentido, Faria (2020, p. 21) destaca que a territorialização da Atenção Básica à  Saúde, é um processo social e político relevante para que os princípios constitucionais do  SUS, sejam concretizados. “A localização dos serviços no território precisa corresponder aos  princípios essenciais da resolutividade e da economia de escala, sendo tanto mais  concentrados quanto mais especializados e vice-versa”. Desta forma, a ABS consiste no único nível de saúde disponível em todo o território nacional e por meio dela e de acordos  intermunicipais e sistemas regionais, os brasileiros poderão ter acesso aos níveis  denominados: secundário e terciário de cuidados.  

Todavia, a atenção aos idosos hipertensos nos serviços de atenção básica demanda  atuações inovadoras, pois só há possibilidades de tratar a hipertensão arterial sistêmica na  população idosa, ao reconhecer as necessidades características dessa população. A HAS é  uma condição frequente em idosos e o uso de anti-hipertensivos constitui a classe de fármacos  mais usada por eles. Tal cenário representa sérios problemas em primeiro lugar aos idosos e  secundariamente à saúde pública, uma vez que, independentemente do estado de saúde, a  polifarmácia1 aumenta as chances de quedas, internação e morte em indivíduos com mais de  60 anos (Sangaleti et al., 2023).  

3 METODOLOGIA 

3.1 TIPO DE PESQUISA  

Para a elaboração deste artigo, foi realizada uma pesquisa de revisão de literatura, tipo  de pesquisa que se fundamenta em elementos de literaturas já elaboradas e apresenta como  vantagem principal a descoberta de fenômenos relacionados a um tema específico, de forma  mais ampla. As principais fontes de pesquisa nesta área são os livros e artigos científicos (Gil,  2002). Marconi e Lakatos (2021) apontam que, atualmente, a revisão de literatura é composta,  sobretudo, por artigos científicos, pois estes oferecem conhecimentos atualizados sobre  diversos tópicos. 

3.1.1 Coleta de dados  

Os dados foram coletados de artigos científicos publicados nas bases de dados:  Biblioteca Virtual Scientific Electronic Library Online (SciElo), por meio da aplicação do  termo de busca: Atenção Básica ao Idoso AND Hipertensão Arterial Sistêmica.  

3.1.2 Critérios de inclusão e exclusão de materiais  

Foram incluídos nove (09) artigos oriundos de estudos transversais,  transversal/analítico, descritivo/quantitativo, qualitativo/descritivo e relato de experiência,  publicados entre os anos de 2019 a 2024, nos idiomas inglês e português.  

Exclui-se deste estudo artigos procedentes de revisões de literatura, artigos publicados  em blogs, livros digitais, trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de  doutoramento.  

3.2 METODOLOGIA DA ANÁLISE DE DADOS 

Os dados presentes em cada artigo foram separados por temas e posteriormente,  analisados e agrupados em categorias analíticas temáticas, conforme preconizado por Gil  (2002). 

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO  

Ao utilizar os termos de pesquisa mencionados no ponto 3.1.1, foram retornados 725  resultados, os quais foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão previamente  definidos no ponto 3.1.2. Obteve-se 128 resultados, dos quais foram lidos os títulos. Destes,  61 foram escolhidos para a leitura de seus resumos, resultando na conclusão de que 09 (nove)  deles se adequaram a este estudo. No quadro 1, a seguir, são fornecidas informações sumárias  dos artigos selecionados, classificados pelo ano de publicação, em ordem crescente.  

Quadro 1- Breves informações dos artigos eleitos

Ano  publicação Autoria Título Objetivo Tipo de Pesquisa 
2019 SANTANA,  Breno de Sousa  et al.Hipertensão arterial em idosos acompanhados na atenção primária:
Perfil e fatores associados
Analisar o controle da pressão arterial de idosos hipertensos acompanhados por uma Unidade Básica de Saúde do
Distrito Federal, determinando o perfil sociodemográfico e os fatores de risco associados.
Transversal.
2019 SILVA, Líliam  Barbosa et al. Estratos de risco e qualidade do cuidado à pessoa idosa na Atenção Primária à SaúdeIdentificar padrões de  associações entre o grau de  conformidade às  solicitações de exames laboratoriais por estratos de  risco e os parâmetros de  resultados da qualidade do  cuidado na Atenção  Primária à Saúde (APSTransversal.
2020 COSTA,  Manoela Vieira  Gomes da et al.Risco cardiovascular aumentado e o papel da síndrome metabólica em idosos hipertensosAvaliar a síndrome  metabólica e o risco  cardiovascular de idosos  hipertensos atendidos na  atenção primária.Transversal.
2020 SILVA, Letícia  Gonçalves;  NUNES,  Marilene Rivany.Idosos acometidos pela Hipertensão Arterial Sistêmica: nível de depressão, adesão ao tratamento e avaliação da qualidade de vidaAvaliar sintomas de  depressão, adesão ao  tratamento e qualidade de  vida dos idosos com HAS  de uma Unidade  Básica de Saúde do  município de Patos de  Minas-MG.Descritiva com  abordagem  quantitativa.
2020 LUZ, Alyne Leal  de Alencar;  SILVA-COSTA,  Aline; GRIEP. Pressão arterial não controlada entre pessoas idosas hipertensas
assistidas pela Estratégia Saúde da Família
Investigar a prevalência de  pressão arterial (PA) não  controlada e fatores  associados em pessoas  idosas hipertensas  assistidas pela Estratégia  Saúde da Família  em um município do Piauí,  Brasil. Transversal 
2021 FARIAS,  Andrezza Duarte  et al.Prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos: um estudo na Atenção Primária à Saúde.Avaliar os MPI prescritos  na Atenção Primária à  Saúde (APS) e seus fatores  associados.Transversal/Analítico 
2023 SANGALETI,  Carine Teles et  al.Polifarmácia,  medicamentos  potencialmente  inapropriados e  fatores  associados  entre idosos  com  hipertensão na  atenção básicaIdentificar a prevalência e as associações da polifarmácia e uso de medicamentos potencialmente inapropriados entre idosos com hipertensão atendidos na atenção básica.Transversal 
2024 GUIMARÃES, Ademara Pedroso et al.Estratégias de  prevenção e controle da  hipertensão em  idosos na UBS Panorama XXI:  Um relato de  experiênciaAvaliar a eficácia dos  tratamentos e estratégias de prevenção da hipertensão  arterial em idosos no  ambiente da UBS.Relato de experiência
2024 RIBEIRO, Amanda Maria Vilas Boas; VILASBÔAS, Ana Luiza Queiroz; DE ALMEIDA, Patty Fidelis.Experiências de acesso e uso da Atenção Primária à Saúde por usuários
Com hipertensão arterial sistêmica
Identificar e analisar a  percepção dos usuários  quanto ao acesso e uso dos  serviços e ações de saúde  para acompanhamento da  Hipertensão Arterial  Sistêmica (HAS) na  Atenção Primária à Saúde  (APS).Qualitativo/Descritivo.

Fonte: elaborado pelas autoras  

4.1 CONTEXTO DE IDOSOS HIPERTENSOS E UNIDADES BÁSICAS DE SAÚDE  

A hipertensão arterial sistêmica, em idosos atendidos nas Unidade Básica de Saúde,  pode ser relacionada a alguns fatores. A este respeito, Santana et al. (2019) conduziram uma  pesquisa transversal para avaliar o controle da pressão arterial de 133 idosos hipertensos  assistidos por uma UBS no Distrito Federal. Eles avaliaram variáveis ligadas a fatores  sociodemográficos, hábitos de vida, fatores clínicos e dificuldades de adesão ao tratamento  medicamentoso. Assim, os autores descobriram uma forte correlação entre os fatores de risco  mencionados e a ausência de controle da pressão arterial em idosos hipertensos,  especialmente em relação à idade avançada, o consumo de álcool e a obesidade. 

Nesta direção, Luz, Silva-Costa e Griep (2020) realizaram um estudo transversal para  investigar a prevalência de pressão arterial não controlada e fatores correlacionados em 384  idosos hipertensos assistidos em uma unidade básica de saúde. A pressão arterial foi aferida  através de um método padronizado com o uso de dispositivos digitais. Essas autoras  verificaram que 61,7% tinham a pressão arterial descontrolada, enquanto 51,8% tinham baixa  adesão ao tratamento anti-hipertensivo. Além disso, a prevalência de pressão arterial não  controlada foi maior entre os participantes com baixa adesão ao tratamento, em comparação  com os que tinham alta adesão. Assim, as autoras ressaltam a ausência de intervenções  eficazes na mencionada UBS para um controle mais eficaz da hipertensão, além da falta de  estratégias para o gerenciamento correto da doença no contexto da Atenção primária, que vão  desde medidas preventivas até planos de tratamento adequados para cada pessoa. 

A hipertensão arterial em idosos pode ser diagnosticada junto a outras condições de  doenças, neste seguimento, Costa et al. (2020) realizaram um estudo transversal para  analisarem a síndrome metabólica2 e o risco cardiovascular de 154 idosos hipertensos  registrados em uma unidade básica de saúde do Distrito Federal. Chegando à conclusão de  que 64,9% dos idosos hipertensos eram obesos e 70,8% apresentavam a síndrome metabólica,  condição que apresenta 7,19 vezes mais probabilidade de risco cardiovascular elevado.  

Já, Silva e Nunes (2020) realizaram uma pesquisa descritiva e quantitativa para avaliar  os sintomas de depressão, a adesão ao tratamento e a qualidade de vida de 60 idosos com  hipertensão arterial sistêmica atendidos em uma unidade básica de saúde. Desses, 43,3% eram  homens e 56,7% mulheres. Os pacientes que apresentaram sintomas severos de depressão  apresentaram uma adesão de 50% ao tratamento da HAS. Estas autoras chegaram à conclusão  de que os idosos hipertensos enfrentam diversas situações de vulnerabilidade. E essa situação  requer uma assistência completa e focada na saúde da população idosa. 

Os achados corroboram a seriedade da hipertensão arterial em idosos. Portanto,  considera-se crucial apresentar alguns estudos voltados aos atendimentos a este público em  unidades básicas de saúde.  

4.1.1 Atendimento oferecido aos Idosos Hipertensos em Unidades Básicas de Saúde.  

Silva et al. (2019) conduziram uma pesquisa transversal com 108 idosos hipertensos  assistidos em uma unidade básica de saúde, com o objetivo de identificar a qualidade do  atendimento na Atenção Primária à Saúde. Estes autores compreenderam uma baixa  consonância da prática assistencial e disparidades entre as ações de saúde oferecidas e as  necessidades dos usuários, apontando deficiências no processo de atendimento na APS.  

Neste sentido, por meio de um estudo qualitativo e descritivo, Ribeiro, Vilasbôas e  Almeida (2024) analisaram a percepção de 38 idosos acerca do acesso e utilização de serviços  e medidas de saúde para o controle da hipertensão arterial sistêmica. Eles foram selecionados  em Unidades Básicas de Saúde, localizadas em um município do estado do Rio de Janeiro. Os  autores concluíram que os pacientes enfrentavam dificuldades para marcar consultas, obter os  resultados de exames laboratoriais e conseguir medicamentos nas referidas unidades. Bem  como que existiam poucas ações de educação em saúde, e a supervisão da equipe de saúde era restrita. 

Condizente ao uso inadequado de medicamentos, Sangaleti et al. (2023, p. 21)  realizaram um estudo observacional analítico, do tipo transversal, com a finalidade de  identificar a prevalência e as associações da polifarmácia e o uso de medicamentos  potencialmente inapropriados para idosos (MPI) com hipertensão, atendidos em unidades  básicas de saúde. Esses autores constataram que houve o predomínio de 39,09% de  polifarmácia e 28,57% de uso de MPI. Sendo que a relação entre polifarmácia , uso de MPI e  sono perturbado se mostrou elevada. Desta forma, os autores destacam que a prevalência de  polifarmácia e uso de MPI entre idosos com hipertensão é elevada, particularmente entre  aqueles com perfil social mais fragilizado. Assim, apontam que tal cenário requer  atendimento de qualidade das equipes de atenção básica. 

Neste sentido, Farias et al. (2021), através de uma pesquisa transversal e analítica,  discutem a prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos (MPI) na  Atenção Primária à Saúde. Após analisarem 458 idosos com hipertensão, asseguraram que  detectaram a prescrição de pelo menos um MPI para 44,8% dos idosos, e 54,4% se ajustavam  à polifarmácia. Face a esses achados, os autores destacam a necessidade de medidas que  aperfeiçoem o uso de medicamentos para idosos, garantindo acesso aos medicamentos de  forma segura.  

O exposto revela que o contexto envolvendo idosos hipertensos e atendimentos em  unidades básicas de saúde é marcado por desafios. Logo, considera-se importante apresentar  formas de estratégias voltadas à prevenção da hipertensão arterial e amenização deste quadro.  

4.2 ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL 

Após analisarem a eficácia dos tratamentos e estratégias de prevenção da hipertensão  arterial em idosos no ambiente da UBS, Guimarães et al. (2024) destacam a importância de se  elaborar estratégias particulares de prevenção e controle da HAS na população idosa, para  diminuir a probabilidade de complicações oriundas dessa condição. Bem como promover  sessões de educação em saúde para a terceira idade e oferecer conhecimentos sobre práticas  de vida saudáveis, como a importância da alimentação balanceada, prática regular de  atividades físicas, diminuição do consumo de sal, controle do peso, cessação do consumo de  tabaco. Bem como, incentivar o acompanhamento e a anotação da pressão arterial em casa,  além de manter visitas médicas frequentes. Isso porque, as estratégias não farmacológicas, como a prática de exercícios físicos e a alimentação apropriada, são também eficazes em se  tratando de prevenção e controle da hipertensão arterial sistêmica.  

Nesta direção, Santana et al. (2019) destacam ser imprescindível redirecionar o  planejamento e as táticas de promoção da saúde e prevenção de complicações, direcionadas a  idosos hipertensos no contexto da atenção primária à saúde. 

Ribeiro, Vilasbôas e Almeida (2024) destacam a importância de expandir o acesso a  medicamentos básicos e resultados de exames nas Unidades Básicas de Saúde. E atuações de  promoção, prevenção e clínica em saúde, por meio da colaboração interprofissional. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS  

Esta pesquisa apresentou os fatores de risco para a Hipertensão Arterial Sistêmica  (HAS) em pessoas idosas, atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBSs). Tais como:  fatores sociodemográficos, hábitos de vida, aspectos clínicos e dificuldades de adesão ao  tratamento anti-hipertensivo, idade avançada, consumo de álcool, obesidade, dentre outros.  Além disso, demonstrou que parte dos idosos hipertensos, apresenta pressão arterial  descontrolada, síndrome metabólica e sintomas graves de depressão. 

No que diz respeito aos cuidados disponibilizados para idosos hipertensos, em  Unidades Básicas de Saúde, observou-se uma falta de sintonia entre a prática assistencial e as  necessidades dos usuários. Isso apontou falhas no processo de atendimento na Atenção  Primária à Saúde. Dado que idosos enfrentam desafios para agendar consultas, obter  resultados de exames laboratoriais e conseguir medicamentos em UBSs. Havendo escassez de  atividades de educação em saúde e baixa supervisão por equipes de saúde. Assim, constatou se a predominância da polifarmácia e o uso de medicamentos potencialmente inapropriados  para idosos (MPI).  

Portanto, o objetivo geral deste estudo, qual seja: compreender o contexto da Atenção  Básica em Saúde aos idosos com Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), foi alcançado,  demonstrando ser um contexto preocupante. Face a isto, destacou-se a relevância de  desenvolver estratégias específicas para prevenção e controle da HAS em pessoas idosas, para  reduzir o risco de complicações decorrentes dessa condição; conduzir sessões de educação em  saúde para a população idosa e fornecer informações sobre hábitos de vida saudáveis;  promover o monitoramento e o registro da pressão arterial em casa e em consultas médicas  regulares. Para isto é crucial melhorar o planejamento e as estratégias de promoção em saúde  e prevenção no âmbito da APS e ampliar o acesso a medicamentos essenciais e resultados de testes laboratoriais nas Unidades Básicas de Saúde. Isto é, oferecer aos idosos atendimentos  adequados. Diante da importância da temática aqui apresentada, sugere-se mais estudos neste  sentido.  


1Uso de cinco ou mais medicamentos por um paciente, que pode aumentar o risco de interações, efeitos  colaterais e complicações. 
2Grupo de alterações metabólicas e hormonais que, juntas, aumentam o risco de desenvolver doenças  cardiovasculares, diabetes tipo 2 e outros problemas de saúde. 


REFERÊNCIAS 

BRASIL. Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990 – Dispõe sobre as condições para a  promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços  correspondentes e dá outras providências. Brasília, v. 128, n. 182, 20 set. 1990. Disponível  em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 21 mar. 2025.  

COSTA, Manoela Vieira Gomes da et al. Risco cardiovascular aumentado e o papel da  síndrome metabólica em idosos hipertensos. Escola Anna Nery, v. 25, p. e20200055, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ean/a/jWcmp9HfM5my9H5n4p5KKTQ/. Acesso em:  25 abr. 2025 

FARIAS, Andrezza Duarte et al. Prescrição de medicamentos potencialmente inapropriados  para idosos: um estudo na Atenção Primária à Saúde. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, p.  1781-1792, 2021. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csc/2021.v26n5/1781- 1792/pt/. Acesso em 20 mar. 2025.  

FARIA, Rivaldo Mauro de. A territorialização da atenção básica à saúde do Sistema Único de  Saúde do Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, v. 25, p. 4521-4530, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/csc/a/jSZ7b65YpPSTwLfYWpRhg5z/?format=html.  Acesso em 21 mar. 2025. 

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