CONHECER PARA CUIDAR: O PAPEL DA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL NAS SEQUELAS PÓS-COVID

KNOWING TO CARE: THE ROLE OF THE MULTIPROFESSIONAL TEAM IN POST-COVID SEQUELAE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202511201901


Adriana Amarilla Cristaldo1; Catarina Januária Mendes da Costa2; Paulo Alves Bezerra Morais3; Rozinete De Oliveira Tavares Fortes4; Ítala Ferreira de Jesus5; Alessandra Ribeiro Freitas6; Betania De Oliveira Freitas7; Eliane Bergo De Oliveira De Andrade8; Rosilene da Silva Oliveira9; Ilana Maria Brasil Do Espírito Santo10


Resumo

A COVID-19 gerou um desafio de saúde pública sem precedentes, deixando um legado de sequelas físicas, cognitivas e emocionais em muitos indivíduos. O manejo dessas condições complexas exige uma abordagem que transcende as especialidades médicas isoladas, necessitando de um cuidado abrangente e contínuo para restaurar a qualidade de vida dos pacientes. Este estudo teve como objetivo analisar como as instituições hospitalares podem programar medidas preventivas eficazes e construir uma cultura de apoio para reduzir o risco de suicídio em profissionais de saúde, assim como delinear o papel essencial da equipe multiprofissional no diagnóstico, manejo e reabilitação das diversas sequelas pós-COVID-19. Realizou-se uma revisão integrativa da literatura. A busca por artigos relevantes foi conduzida em maio de 2025, utilizando as bases de dados SciELO, PubMed e Web of Science, com descritores focados em saúde mental de profissionais de saúde, prevenção do suicídio, sequelas da COVID-19 e atuação da equipe multiprofissional. A seleção final compreendeu 15 textos considerados aptos para a análise. A revisão evidenciou que a complexidade das sequelas pós-COVID-19 exige uma atuação integrada da equipe multiprofissional para um diagnóstico preciso e um plano de tratamento abrangente. A colaboração entre diferentes especialistas é fundamental para o manejo físico, cognitivo e psicossocial. Identificou-se que a capacitação contínua e a coordenação eficaz são desafios a serem superados para aperfeiçoar o cuidado. Conclui-se que o papel da equipe multiprofissional é indispensável no enfrentamento das sequelas da COVID-19, proporcionando um cuidado holístico e personalizado. A implementação de protocolos claros, o fomento de uma cultura de apoio e o investimento na coordenação de serviços são cruciais para aprimorar a reabilitação, garantindo que o “Conhecer para Cuidar” se traduza em melhores resultados para os pacientes e para o sistema de saúde.

Descritores: Suicídio; Profissionais de Saúde; Prevenção; Saúde Mental; Sequela Pós-COVID-19; Equipe Multiprofissional.

Abstract

COVID-19 created an unprecedented public health challenge, leaving a legacy of physical, cognitive, and emotional sequelae in many individuals. Managing these complex conditions requires an approach that goes beyond isolated medical specialties, demanding comprehensive and continuous care to restore patients’ quality of life. This study aimed to analyze how hospital institutions can implement effective preventive measures and build a supportive culture to reduce the risk of suicide in healthcare professionals, as well as to outline the essential role of the multiprofessional team in the diagnosis, management, and rehabilitation of the various post-COVID-19 sequelae. An integrative literature review was conducted. The search for relevant articles was performed in May 2025, using the SciELO, PubMed, and Web of Science databases, with descriptors focusing on healthcare professionals’ mental health, suicide prevention, COVID-19 sequelae, and the role of the multiprofessional team. The final selection included 15 texts suitable for analysis. The review showed that the complexity of post- COVID-19 sequelae demands an integrated approach from the multiprofessional team for accurate diagnosis and a comprehensive treatment plan. Collaboration among different specialists is crucial for physical, cognitive, and psychosocial management. Continuous training and effective coordination were identified as challenges to be overcome to optimize care. It is concluded that the role of the multiprofessional team is indispensable in addressing COVID-19 sequelae, providing holistic and personalized care. Implementing clear protocols, fostering a supportive culture, and investing in service coordination are crucial to improving rehabilitation, ensuring that “Knowing to Care” translates into better outcomes for patients and the healthcare system.

Keywords: Suicide; Healthcare Professionals; Prevention; Mental Health; Post-COVID-19 Sequela; Multiprofessional Team.

1. INTRODUÇÃO

A pandemia de COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, transformou drasticamente a saúde global, levando a um número sem precedentes de internações, óbitos e, consequentemente, a um novo desafio para os sistemas de saúde: as sequelas pós-COVID-19, também conhecidas como “COVID longa” ou Síndrome Pós-COVID. Embora o foco inicial tenha sido a fase aguda da doença, rapidamente se tornou evidente que muitos indivíduos, mesmo após a recuperação da infecção inicial, continuavam a apresentar uma gama variada de sintomas persistentes que afetam múltiplos sistemas do corpo.

O impacto da COVID longa não se restringe apenas aos casos graves ou aos pacientes que necessitaram de internação hospitalar. Estudos mostram que indivíduos com infecção leve ou moderada também podem desenvolver sintomas duradouros, que comprometem significativamente a qualidade de vida (Hanson et al., 2023). Essa realidade impõe uma carga considerável tanto para os pacientes, que enfrentam limitações em suas atividades diárias, quanto para os sistemas de saúde, que precisam adaptar-se para oferecer cuidados contínuos e abrangentes.

As manifestações das sequelas pós-COVID-19 são extremamente diversas e podem incluir fadiga persistente, dispneia (falta de ar), dores musculares e articulares, problemas cognitivos como “névoa cerebral”, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e até complicações cardíacas ou neurológicas (Akintoye et al., 2022; Davis et al., 2023). Essa amplitude de sintomas exige uma compreensão aprofundada para que o diagnóstico e o manejo sejam precisos, evitando que o paciente seja subdiagnosticado ou receba tratamento inadequado.

A complexidade e a variedade dessas sequelas demandam uma abordagem de cuidado que transcende as especialidades médicas isoladas. Não há uma única intervenção ou um único profissional que possa atender a todas as necessidades de um paciente com COVID longa. Por essa razão, a equipe multiprofissional emerge como o pilar central para o manejo eficaz dessas condições, promovendo uma visão holística e integrada do paciente (Patel et al., 2022).

O papel de uma equipe multiprofissional é crucial porque permite que diferentes perspectivas e conhecimentos sejam combinados para oferecer um plano de cuidado abrangente. Médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, nutricionistas e assistentes sociais, entre outros, colaboram para atender às diversas sequelas físicas, cognitivas e psicossossociais (Maestri; Carneiro; Oliveira, 2023). Essa sinergia garante que nenhuma dimensão do bem-estar do paciente seja negligenciada.

A reabilitação, em particular, assume um protagonismo nesse cenário. Seja para a recuperação pulmonar, neurológica ou para o manejo da fadiga e da dor, a fisioterapia e a terapia ocupacional são essenciais (Brasil, Ministério da Saúde, 2021; Rezende et al., 2022). Guias clínicos, como os da Fiocruz (2022), reforçam a importância de programas de reabilitação personalizados, que considerem a gravidade dos sintomas e as necessidades individuais de cada paciente.

Além dos aspectos físicos, a saúde mental é uma preocupação crescente para os pacientes com COVID longa. A persistência dos sintomas, a incerteza sobre a recuperação e o impacto nas atividades diárias podem levar a quadros de ansiedade, depressão e estresse pós- traumático (Carvalho et al., 2022). Nesse contexto, o apoio psicológico e psiquiátrico se torna um componente indispensável da equipe multiprofissional, ajudando os pacientes a lidar com as consequências emocionais da doença.

A nutrição também desempenha um papel significativo na recuperação. Pacientes com sequelas podem apresentar perda de peso, desnutrição ou dificuldades alimentares, exigindo o suporte de nutricionistas para a elaboração de planos alimentares adequados que visem à recuperação da força e da energia. A abordagem nutricional, aliada às demais terapias, contribui para a melhoria da qualidade de vida e para a restauração da funcionalidade.

É fundamental que haja uma comunicação eficiente e uma coordenação entre os membros da equipe multiprofissional. As informações sobre o paciente precisam ser compartilhadas de forma contínua e as intervenções devem ser alinhadas para evitar redundâncias e garantir que o cuidado seja coeso. Essa coordenação é a chave para otimizar os resultados da reabilitação e garantir uma jornada de recuperação mais fluida para o paciente.

As diretrizes de organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) e o National Institute for Health and Care Excellence (Nice, 2021), têm enfatizado a importância de uma abordagem integrada e personalizada no manejo das sequelas da COVID-19. Esses documentos fornecem orientações valiosas para os sistemas de saúde sobre como estruturar os serviços de reabilitação e como as equipes multiprofissionais devem atuar para maximizar a recuperação dos pacientes.

Diante do exposto, o presente artigo tem como objetivo discutir a relevância das sequelas pós-COVID-19 e, principalmente, detalhar o papel fundamental e interconectado da equipe multiprofissional na identificação, avaliação e manejo dessas condições. Acreditamos que o “Conhecer para Cuidar” é o princípio que deve guiar a prática assistencial, permitindo que a saúde seja restaurada de forma integral e eficaz.

Com base na literatura revisada, este trabalho busca evidenciar a necessidade de um modelo de cuidado colaborativo e centrado no paciente, onde cada membro da equipe multiprofissional contribui com sua expertise para oferecer um suporte completo. Espera-se que este artigo contribua para o aprimoramento das práticas clínicas e para a conscientização sobre a importância de investimentos e políticas públicas que fortaleçam a atuação dessas equipes no enfrentamento das sequelas da COVID-19.

2. MÉTODO

O presente artigo foi elaborado por meio de uma revisão integrativa da literatura, um método robusto que permite explorar e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre um tema específico. Essa abordagem metodológica, ao combinar dados de estudos teóricos e empíricos, proporciona uma visão abrangente e detalhada sobre o impacto das sequelas da COVID-19 e o papel crucial da equipe multiprofissional em sua reabilitação. É um método particularmente eficaz para consolidar o conhecimento e identificar lacunas, oferecendo uma base sólida para a prática clínica e futuras pesquisas.

A busca por estudos para esta revisão foi cuidadosamente conduzida em maio de 2025, abrangendo diversas bases de dados especializadas e de grande relevância na área da saúde. As plataformas consultadas incluíram o Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE) via PubMed, a Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e a Base de Dados em Enfermagem (BDENF), ambas acessíveis pela Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Adicionalmente, foram explorados o Index to Nursing and Allied Health Literature (CINAHL) e o Google Acadêmico para ampliar o escopo da pesquisa e garantir uma cobertura abrangente.

Na etapa inicial do processo de revisão, foi realizada uma seleção rigorosa dos estudos para identificar aqueles que atendiam aos critérios de inclusão estabelecidos para o nosso tema, que é o manejo das sequelas pós-COVID-19 pela equipe multiprofissional. Dois revisores independentes examinaram cuidadosamente os títulos e resumos dos artigos, avaliando sua pertinência ao contexto do estudo. Quando os resumos não ofereciam informações suficientes ou estavam ausentes, os textos completos dos artigos foram acessados e analisados para confirmar a conformidade com os critérios de inclusão. Qualquer divergência entre os revisores foi prontamente resolvida por consenso, com a intervenção de um terceiro revisor, garantindo a objetividade e a precisão na seleção final dos estudos.

Para a organização eficiente e a gestão das referências bibliográficas encontradas, relativas às sequelas da COVID-19 e ao trabalho multiprofissional, empregou-se o software Mendeley. Esta ferramenta demonstrou ser indispensável para uma revisão sistemática e organizada dos materiais selecionados. Subsequentemente, procedeu-se a uma extração detalhada dos dados utilizando uma ferramenta de coleta adaptada especificamente para este propósito. Essa fase envolveu a minuciosa compilação de informações cruciais, como os autores, período de realização do estudo, ano de publicação, país de origem, as metodologias empregadas, as características das amostras científicas e as principais contribuições de cada pesquisa incorporada à revisão. Este processo meticuloso assegurou uma análise abrangente e precisa das evidências, aprofundando a compreensão sobre o papel da equipe multiprofissional.

A análise dos dados coletados foi o passo final e fundamental para sintetizar e interpretar as evidências sobre o papel da equipe multiprofissional no cuidado das sequelas da COVID-19. As informações foram cuidadosamente organizadas por temas comuns, como a identificação das sequelas mais frequentes, a eficácia das diferentes intervenções multiprofissionais, a qualidade de vida dos pacientes e os desafios enfrentados no processo de reabilitação. Essa análise permitiu identificar padrões, convergências e divergências nas evidências, oferecendo uma visão crítica sobre as melhores práticas e o impacto da colaboração multiprofissional na otimização do cuidado pós-COVID-19.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A revisão dos estudos analisados revela que as sequelas da COVID-19 representam um desafio complexo e multifacetado, exigindo uma resposta coordenada e abrangente da equipe de saúde. Como a pergunta norteadora buscou explorar, a atuação integrada da equipe multiprofissional é fundamental para o diagnóstico, manejo e reabilitação eficazes dessas condições. A persistência de sintomas variados, que vão desde a fadiga extrema e dispneia até problemas cognitivos e distúrbios emocionais, sublinha a necessidade de uma abordagem que transcenda as especialidades isoladas (Akintoye et al., 2022; Davis et al., 2023).

Um ponto crucial evidenciado pelas pesquisas é a diversidade das manifestações pós- COVID-19, o que demanda um diagnóstico preciso para guiar o plano de tratamento. A equipe multiprofissional, ao reunir conhecimentos de diferentes áreas, facilita a identificação de sintomas sutis e a correlação entre eles. Por exemplo, enquanto um fisioterapeuta pode avaliar a capacidade pulmonar e a força muscular, um psicólogo pode investigar o impacto na saúde mental, e um neurologista, possível sequelas cognitivas. Essa colaboração é essencial para montar o quebra-cabeça de cada caso (Carvalho et al., 2022).

Para o manejo e a reabilitação, a intervenção multiprofissional é insubstituível. Estudos destacam a eficácia de programas de reabilitação personalizados, onde fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos atuam para restaurar funções físicas, cognitivas e de comunicação (BRASIL, Ministério da Saúde, 2021; Rezende et al., 2022). O guia da Fiocruz (2022) reforça que essas abordagens devem ser customizadas para cada paciente, evidenciando que uma “receita de bolo” não se aplica à heterogeneidade das sequelas.

Além das sequelas físicas, o impacto na saúde mental dos pacientes com COVID longa é uma preocupação crescente. Profissionais como psicólogos e psiquiatras desempenham um papel vital no apoio a esses indivíduos, que frequentemente lidam com ansiedade, depressão e estresse decorrentes da cronicidade dos sintomas e das incertezas sobre a recuperação (Hanson et al., 2023). A colaboração com outras áreas da saúde garante que o sofrimento psicológico não seja negligenciado e que o paciente receba um suporte completo.

A coordenação e a comunicação efetiva entre os membros da equipe são desafios, mas também oportunidades para aperfeiçoar o cuidado. Patel et al. (2022) e Maestri, Carneiro e Oliveira (2023) ressaltam que a troca contínua de informações e a discussão de casos permitem que o plano terapêutico seja constantemente ajustado. Isso evita a fragmentação do cuidado e garante que todas as necessidades do paciente sejam atendidas de forma coesa, resultando em uma jornada de recuperação mais eficiente e menos estressante.

Um dos principais desafios identificados na literatura é a necessidade de treinamento e capacitação contínua da equipe multiprofissional. Dada a natureza emergente e em constante evolução do conhecimento sobre a COVID longa, é fundamental que os profissionais estejam atualizados sobre as novas descobertas, diretrizes de tratamento e tecnologias de reabilitação. A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023) e o NICE (2021) oferecem diretrizes importantes que servem como base para essa atualização e para a padronização das práticas de cuidado.

As estratégias para aperfeiçoar o cuidado incluem a criação de centros especializados para o manejo da COVID longa, que funcionem como hubs para a coordenação multiprofissional. Esses centros facilitariam o encaminhamento dos pacientes para as especialidades corretas e promoveriam a integração dos planos de tratamento. Além disso, a utilização de plataformas de telemedicina e telessaúde pode aprimorar o acompanhamento remoto e a comunicação, especialmente para pacientes em áreas com acesso limitado a serviços especializados.

Em síntese, a atuação integrada da equipe multiprofissional é o pilar para o enfrentamento das sequelas pós-COVID-19. As evidências demonstram que, ao combinar diferentes expertises e promover a comunicação eficaz, é possível oferecer um diagnóstico preciso, um manejo abrangente e uma reabilitação mais completa e centrada no paciente. A superação dos desafios reside no investimento em capacitação, na coordenação de serviços e na valorização do trabalho colaborativo para “Conhecer e Cuidar” efetivamente daqueles que carregam as marcas da pandemia.

4. CONCLUSÃO

Os resultados desta revisão integrativa confirmam que as sequelas da COVID-19 representam um desafio complexo e persistente, exigindo uma abordagem de cuidado que transcende as especialidades médicas isoladas. Nosso estudo demonstrou que, para responder à pergunta sobre como a atuação integrada da equipe multiprofissional contribui para o diagnóstico, manejo e reabilitação das diversas sequelas da COVID-19, é imprescindível reconhecer a vasta gama de sintomas que afetam múltiplos sistemas do corpo, desde fadiga e dispneia até problemas cognitivos e de saúde mental. A diversidade dessas manifestações torna o cuidado individualizado e a colaboração entre diferentes profissionais elementos centrais.

A atuação integrada da equipe multiprofissional emergiu como a estratégia mais eficaz para lidar com essa complexidade. A combinação de conhecimentos de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e outros especialistas permite um diagnóstico mais preciso e um plano de tratamento abrangente, que atende às necessidades físicas, cognitivas e psicossociais dos pacientes (Patel et al., 2022; Maestri; Carneiro; Oliveira, 2023). Essa colaboração garante que todas as dimensões do bem-estar do paciente sejam consideradas e abordadas de forma coesa.

Um dos pontos fortes dessa abordagem colaborativa é a capacidade de oferecer uma reabilitação personalizada e contínua. Seja na recuperação da função pulmonar com a fisioterapia respiratória, no manejo da fadiga e da dor com terapias ocupacionais, ou no suporte psicológico para lidar com a ansiedade e a depressão, cada membro da equipe contribui com sua expertise específica (BRASIL, Ministério da Saúde, 2021; Hanson et al., 2023). Esse cuidado coordenado é fundamental para a recuperação funcional e para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes com COVID longa.

No entanto, a otimização desse cuidado ainda enfrenta desafios significativos, como a necessidade de capacitação contínua dos profissionais e a coordenação eficaz entre os diferentes níveis de atenção à saúde. A literatura aponta para a importância de diretrizes claras e atualizadas, como as da OMS (2023) e do NICE (2021), que servem de guia para a implementação de programas de reabilitação e para a atuação integrada das equipes, garantindo que o “Conhecer para Cuidar” seja uma realidade.

Portanto, para responder à nossa pergunta norteadora, fica evidente que a equipe multiprofissional não apenas contribui, mas é a base para o diagnóstico, manejo e reabilitação das sequelas da COVID-19. Sua atuação integrada permite uma abordagem holística, essencial para a complexidade desses casos. As estratégias para otimizar esse cuidado incluem o fortalecimento da formação profissional, a criação de redes de referência e o investimento em tecnologias que facilitem a comunicação e o monitoramento contínuo dos pacientes.

Em última análise, investir na capacitação e na valorização da equipe multiprofissional é um compromisso com a saúde pública e com a qualidade de vida de milhões de pessoas afetadas pela COVID longa. Ao reconhecer e apoiar o papel vital desses profissionais, os sistemas de saúde estarão mais bem preparados para enfrentar os desafios atuais e futuros, garantindo que o cuidado seja verdadeiramente abrangente, humano e eficaz.

REFERÊNCIAS

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1Enfermeira Assistencial CASSEMS. Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. e-mail: amarilla.adriana@gmail.com

2Fonoaudióloga do HUPI/EBSERH. Teresina, Piauí, Brasil. Especialista em Linguistica Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa pela FSA – Faculdade Santo Agostinho (e-mail: catarinajanuaria@gmail.com

3Cirurgião Geral e Cirurgião do Aparelho Digestivo. e-mail: paulo.morais@ebserh.gov.br

4Enfermeira Assistencial do Hospital das Clínica da Universidade Federal de Uberlandia (HC – UFU/EBSERH). e-mail: roseneteot@gmail.com

5Enfermeira Assistencial no Hospital Universitário de Lagarto HUL – UFS/EBSERH. Lagarto, Sergipe, Brasil. Especialista em Enfermagem Obstétrica – UNINTER. e-mail: itala_f@hotmail.com

6Especialização em Estomaterapia pela Universidade Potiguar. E-mail: alessandra.huufma@ebserh.gov.br 7Enfermeira Intensivista /Centro De Ensino E Pesquisa Hospital São Marcos. e-mail: betania_o.freitas@hotmail.com

8Enfermeira Assistencial do HUGD/EBSERH. Dourados, Mato Grosso do Sul, Brasil. e-mail: eliane.bergo02@gmail.com

9Enfermeira Especialista em Terapia Intensiva Pediátrica pela HUAC – EBSERH. e-mail: rosilene- enele@hotmail.com

10Mestra em Ciências e Saúde pela UFPI. Enfermeira Assistencial – HUB – UNB/EBSERH. E-mail: ilanabrasyl76@gmail.com