REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161725
Beatriz Souza de Almeida1
Brenda Daca Gabriel1
Eliseu Vieira de Oliveira1
Orientadora: Silvana Flora de Melo2
Co orientadora: Bianca Caroline Arvani Pereira3
RESUMO
As emergências obstétricas configuram um dos maiores desafios da saúde pública, visto que colocam em risco a vida da gestante e do feto, exigindo intervenções rápidas, eficazes e fundamentadas em competências técnico-científicas e gerenciais. O enfermeiro, por estar diretamente inserido no processo de assistência, assume papel central no reconhecimento precoce, na tomada de decisão e na implementação de condutas que garantam a segurança materno-fetal, o que torna essencial investigar suas competências frente a essas situações críticas. A relevância do tema justifica-se diante dos altos índices de morbimortalidade materna e neonatal ainda presentes no Brasil e em diversos países, sendo a atuação qualificada do enfermeiro um fator determinante para a prevenção de complicações e a melhoria da qualidade da assistência. Nesse contexto, a presente pesquisa buscou identificar e analisar as competências do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas, discutindo dimensões técnicas, assistenciais, gerenciais e humanizadas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida entre agosto e setembro de 2025, realizada nas bases SciELO, LILACS, BDENF, MEDLINE, Google Acadêmico e ResearchGate, com o uso dos descritores “enfermagem obstétrica”, “emergências obstétricas”, “competências profissionais” e “cuidados de enfermagem”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis em texto completo, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem a atuação do enfermeiro em situações de urgência e emergência obstétrica. Excluíram-se teses, monografias, capítulos de livros, artigos duplicados e aqueles que não respondiam à questão norteadora. Após a aplicação dos critérios, sete artigos compuseram a amostra final, os quais foram analisados de forma descritiva e interpretativa. Os resultados apontaram que o enfermeiro deve possuir competências técnicas voltadas à monitorização materno-fetal, manejo de complicações como hemorragia e eclâmpsia, realização de procedimentos emergenciais e reanimação neonatal; competências gerenciais relacionadas à liderança de equipe, organização de fluxos assistenciais, tomada de decisão rápida e implementação de protocolos; além de competências humanizadas, que envolvem acolhimento, comunicação eficaz e suporte emocional às gestantes e familiares. Observou-se que a capacitação contínua e o investimento em treinamentos específicos são estratégias fundamentais para assegurar a qualidade da assistência e reduzir riscos em situações emergenciais. Conclui-se que o enfermeiro é peça-chave no enfrentamento das emergências obstétricas, sendo necessário fortalecer sua formação e prática profissional para garantir maior resolutividade, segurança e integralidade do cuidado, contribuindo diretamente para a diminuição dos índices de morbimortalidade materna e neonatal.
Palavras-chave: Enfermagem obstétrica; Emergências obstétricas; Competências profissionais; Cuidados de enfermagem; Segurança materno-fetal.
1. INTRODUÇÃO
As emergências obstétricas representam um desafio constante para os sistemas de saúde, pois configuram situações críticas que ameaçam diretamente a vida da gestante e do feto. Embora a gestação seja considerada um processo fisiológico, intercorrências como hemorragias, síndromes hipertensivas, sepse puerperal, complicações hemorrágicas e distúrbios hipertensivos podem evoluir rapidamente para quadros graves, exigindo resposta imediata da equipe multiprofissional. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 830 mulheres morrem todos os dias no mundo em decorrência de complicações gestacionais e puerperais, sendo a maioria desses óbitos evitáveis mediante assistência qualificada e oportuna (OMS, 2018). No Brasil, a mortalidade materna permanece como um importante problema de saúde pública, refletindo desigualdades regionais e fragilidades nos serviços de atenção obstétrica.
Diante desse contexto, o papel do enfermeiro se destaca como fundamental, visto que este profissional frequentemente constitui a porta de entrada para o atendimento das gestantes em situações de urgência. Cabe a ele realizar o acolhimento, proceder à classificação de risco, identificar sinais de gravidade e adotar condutas imediatas que garantam estabilização materno-fetal, além de articular encaminhamentos ágeis para níveis de maior complexidade quando necessário (NERY et al., 2024). A prática da enfermagem obstétrica em emergências exige não apenas domínio técnico científico, mas também competências que envolvem liderança, comunicação eficaz, capacidade de julgamento clínico e postura humanizada, considerando a vulnerabilidade da gestante diante de situações críticas (SILVA et al., 2021).
O acolhimento e a classificação de risco, instituídos como diretrizes na Rede Cegonha desde 2011, configuram ferramentas indispensáveis no manejo de emergências obstétricas, uma vez que possibilitam hierarquizar o atendimento conforme a gravidade do quadro clínico (BRASIL, 2017). Contudo, a literatura aponta obstáculos à efetividade desse processo, como a elevada demanda espontânea, a escassez de recursos humanos e materiais e as dificuldades na interpretação dos protocolos de classificação (MELO; FERREIRA, 2018). Nessa perspectiva, o enfermeiro deve estar preparado para lidar com múltiplos cenários, que vão desde complicações comuns como pré-eclâmpsia e eclâmpsia até condições menos frequentes, mas igualmente graves, como hemorragias pós-parto, infecções puerperais e distúrbios cardiológicos.
Estudos apontam que a assistência de enfermagem em emergências obstétricas deve ser pautada na integralidade e na humanização, assegurando à gestante não apenas cuidados técnicos, mas também apoio emocional e informações claras sobre sua condição e os procedimentos a serem realizados (REIS et al., 2015; FIGUEIROA et al., 2017). Nesse sentido, a prática holística defendida pela enfermagem contribui para a diminuição de danos, a prevenção de complicações e a promoção de desfechos positivos para mãe e bebê. Ainda assim, persistem lacunas quanto à capacitação profissional, à padronização de protocolos e à integração multiprofissional, o que reforça a necessidade de discutir e fortalecer as competências do enfermeiro nesse campo de atuação (SILVA et al., 2021).
Considerando que grande parte dos óbitos maternos e neonatais poderia ser evitada mediante assistência qualificada, este estudo justifica-se pela relevância em compreender e analisar as competências do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas.
A reflexão acerca dessa temática contribui não apenas para o fortalecimento da prática profissional, mas também para o aprimoramento das políticas públicas de saúde, alinhando-se aos esforços nacionais e internacionais para a redução da mortalidade materna e perinatal. Assim, a pesquisa busca analisar as competências do enfermeiro frente às emergências obstétricas, destacando a importância da formação contínua, da humanização do cuidado e da adoção de práticas baseadas em evidências, como estratégias fundamentais para assegurar atendimento seguro, resolutivo e humanizado às gestantes em situações críticas.
2. OBJETIVO
Analisar a competência do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas, considerando os aspectos técnico-científicos, assistenciais e humanísticos, com a finalidade de compreender seu papel na redução da morbimortalidade materna e neonatal e na promoção de uma assistência segura e humanizada.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método que permite reunir e sintetizar evidências disponíveis em diferentes pesquisas, favorecendo uma análise crítica e abrangente sobre determinada temática. A opção por este delineamento justifica-se pela necessidade de identificar, avaliar e sistematizar as competências do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas, reunindo produções científicas de distintas abordagens e contextos.
A elaboração da revisão seguiu seis etapas: identificação do tema e da questão norteadora, definição dos critérios de inclusão e exclusão, seleção das bases de dados, coleta dos estudos, análise crítica e interpretação dos resultados e síntese final do conhecimento produzido. A questão norteadora foi construída a partir da estratégia PICo: P (profissionais de enfermagem), I (competências no manejo de emergências obstétricas) e Co (contexto hospitalar e pré-hospitalar).
A busca foi realizada no período de agosto a setembro de 2025, contemplando as bases de dados SciELO, LILACS, BDENF, MEDLINE, Google Acadêmico e ResearchGate. Foram utilizados os descritores combinados pelos operadores booleanos AND e OR: “enfermagem obstétrica”, “emergências obstétricas”, “competências profissionais” e “cuidados de enfermagem”.
Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos originais disponíveis em texto completo, publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem diretamente a atuação do enfermeiro em situações de urgência e emergência obstétrica. Foram definidos como critérios de exclusão: teses, dissertações, monografias, capítulos de livros, documentos institucionais, artigos duplicados, textos sem acesso integral e estudos que não respondessem à questão norteadora.
Após a busca inicial, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para triagem preliminar, seguida da leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. Ao final do processo, treze artigos atenderam aos critérios estabelecidos e compuseram a amostra final. Os dados foram organizados em fichamento contendo: autor, ano, objetivo, tipo de estudo, principais resultados e contribuições para a temática.
A análise dos estudos foi realizada de forma descritiva e interpretativa, permitindo agrupar as evidências em categorias relacionadas às competências técnicas, gerenciais, assistenciais e humanizadas do enfermeiro.
4. RESULTADOS
Foram selecionados vinte e cinco artigos publicados entre 2015 e 2025 que abordam as competências e a atuação do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas nas bases SciELO, LILACS, BVS, PubMed e Google Acadêmico; contudo, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas treze foram considerados elegíveis para compor a amostra final. A busca utilizou os descritores “enfermagem obstétrica”, “emergências obstétricas” e “competências do enfermeiro”, incluindo artigos completos, disponíveis em português, que tratassem da atuação do enfermeiro em situações de urgência e emergência obstétrica.
Quadro 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa São Paulo, SP, Brasil, 2025.
| Título do Artigo | Autor / Ano | Objetivo | Metodologia | Conclusão |
| Assistência de enfermagem em situações críticas na obstetrícia: táticas para prestação de socorro | Rodrigues et al., 2025 | Descrever as ações do enfermeiro em situações críticas obstétricas e propor estratégias de intervenção rápida. | Revisão de literatura descritiva. | Evidencia a importância do preparo técnico, da padronização de protocolos e do suporte emocional à gestante; reforça o protagonismo do enfermeiro na prevenção de agravos. |
| Atuação do enfermeiro na prevenção e manejo da hemorragia pós-parto: uma revisão integrativa | Nunes et al., 2025 | Identificar as ações do enfermeiro na prevenção e manejo da hemorragia pós-parto. | Revisão integrativa. | A hemorragia pós-parto é uma das principais emergências obstétricas; o enfermeiro atua na detecção precoce, controle de sangramento e coordenação da equipe. |
| Emergências obstétricas: identificação de perfis de atendimento para melhores conduções preventivas | Rondelli et al., 2024 | Analisar o perfil das pacientes atendidas em emergências obstétricas e propor medidas preventivas. | Estudo observacional , quantitativo e transversal. | Mostra que o acompanhamento pré-natal adequado e a presença de enfermeiros qualificados reduzem complicações e mortalidade materna. |
| O enfermeiro na assistência às emergências obstétricas: revisão de literatura | Santos et al., 2024 | Compreender o papel do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas. | Revisão de literatura qualitativa. | Destaca a liderança e a tomada de decisão do enfermeiro, enfatizando a capacitação contínua e o trabalho multiprofissional. |
| Competências essenciais para a prática da enfermagem obstétrica: revisão integrativa | Souza et al., 2023 | Identificar as competências essenciais do enfermeiro na prática obstétrica segura e humanizada. | Revisão integrativa. | Aponta autonomia, raciocínio clínico, comunicação e humanização como competências fundamentais. |
| Gestão estratégica de emergências obstétricas pela enfermeira: implementação o e acompanhamento | Costa et al., 2023 | Discutir a atuação da enfermeira na gestão e liderança de emergências obstétricas. | Revisão integrativa. | A gestão da enfermeira fortalece a segurança assistencial e a aplicação de protocolos baseados em evidências. |
| O papel do enfermeiro frente às emergências obstétricas | Silva et al., 2022 | Compreender as competências do enfermeiro em situações emergenciais obstétricas. | Revisão de literatura. | Reforça a importância do conhecimento técnico, da agilidade e da decisão assertiva; destaca a atuação preventiva e humanizada. |
| O perfil da equipe de enfermagem no atendimento em urgências e emergências obstétricas | Ferreira et al., 2022 | Identificar o perfil e as qualificações da equipe de enfermagem nas emergências obstétricas. | Estudo descritivo bibliográfico. | Mostra lacunas na capacitação e propõe treinamentos periódicos; evidencia a importância da atuação multiprofissional. |
| Atendimento ao usuário e triagem de risco em emergência obstétrica | Nery et al., 2021 | Avaliar a atuação do enfermeiro na triagem de risco em emergências obstétricas. | Estudo qualitativo descritivo. | Demonstra que a classificação de risco realizada por enfermeiros garante atendimento prioritário e redução de complicações. |
| Emergência obstétrica pós parto: revisão integrativa | Almeida & Carvalho, 2021 | Descrever as principais intervenções do enfermeiro em emergências obstétricas no pós-parto. | Revisão integrativa. | Aponta a necessidade de capacitação técnic e protocolos clínicos para o manejo da hemorragia e da eclâmpsia. |
| O papel do enfermeiro frente às emergências obstétricas | Souza et al., 2020 | Analisar as atribuições e desafios do enfermeiro nas emergências obstétricas. | Revisão narrativa. | Enfatiza a importância da atualização profissional e da tomada de decisão baseada em evidências. |
| Enfermagem e segurança na assistência obstétrica: desafios e perspectivas | Silva et al., 2020 | Descrever os desafios enfrentados pela enfermagem na assistência obstétrica de urgência. | Revisão bibliográfica. | Destaca a humanização, o acolhimento e a segurança do paciente como pilares da assistência. |
| O perfil da equipe de enfermagem no atendimento em urgências e emergências obstétricas | Ferreira et al., 2015 | Identificar o perfil e a qualificação dos profissionais de enfermagem nas emergências obstétricas. | Estudo descritivo bibliográfico. | Ressalta a necessidade de educação permanente e de protocolos institucionais padronizados. |
5. DISCUSSÃO
A análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidência que o enfermeiro exerce papel essencial e multifuncional no manejo das emergências obstétricas, atuando desde o acolhimento e triagem até a execução de condutas clínicas e gerenciais que assegurem a segurança materno-fetal. De acordo com Nery et al. (2021), a competência técnica do enfermeiro é expressa na capacidade de realizar a classificação de risco de forma ágil e precisa, assegurando o atendimento prioritário das gestantes em situações críticas. Essa constatação converge com os achados de Rodrigues et al. (2025), que reforçam a importância da padronização de protocolos e do preparo técnico da equipe para o sucesso do atendimento em contextos de urgência.
A competência técnica, segundo Silva et al. (2022), envolve a tomada de decisão rápida e segura diante de quadros de alta complexidade, como eclâmpsia e hemorragia pós-parto, situações que exigem raciocínio clínico apurado e destreza na execução dos procedimentos. Os autores complementam que, além do conhecimento técnico, o enfermeiro deve possuir equilíbrio emocional e postura resolutiva para garantir a estabilidade da paciente. Esses resultados corroboram os de Almeida e Carvalho (2021), que destacam a necessidade de preparo técnico e científico para o manejo das emergências obstétricas no período pós-parto, reforçando que a intervenção precoce é determinante para evitar a mortalidade materna.
De modo semelhante, Nunes et al. (2025) destacam que a hemorragia pós-parto permanece entre as principais causas de morte materna, e que o enfermeiro, por sua atuação direta e constante, é peça-chave na detecção precoce e no controle do sangramento. Essa perspectiva se relaciona aos achados de Costa et al. (2023), que enfatizam a importância da gestão estratégica e do trabalho em equipe coordenado para a eficácia do atendimento. Assim, evidencia-se que a competência técnica e a competência gerencial são complementares e interdependentes na atuação em situações emergenciais.
A importância da qualificação profissional e da padronização dos processos é amplamente abordada por Ferreira et al. (2015), que identificaram lacunas na formação dos profissionais de enfermagem e ressaltaram a necessidade de programas de educação permanente. Essa constatação é reafirmada por Souza et al. (2025), ao apontarem que a atualização constante e o aperfeiçoamento técnico são essenciais para o desempenho competente e seguro do enfermeiro nas emergências obstétricas. A correlação entre os estudos demonstra que a educação continuada é um instrumento estratégico para fortalecer a autonomia profissional e reduzir falhas assistenciais.
Santos et al. (2024) reforçam que o enfermeiro desempenha papel de liderança na equipe multiprofissional, sendo responsável por articular ações, supervisionar procedimentos e garantir a adesão aos protocolos institucionais. Essa atuação se conecta aos achados de Costa et al. (2023), que descrevem a liderança como uma competência gerencial essencial para o gerenciamento de riscos e a segurança do paciente. Dessa forma, observa-se que o enfermeiro atua não apenas como executor, mas também como gestor do processo assistencial, contribuindo para a organização e fluidez do atendimento.
Rondelli et al. (2024) complementam essa análise ao demonstrarem que o acompanhamento pré-natal adequado, aliado à presença de enfermeiros capacitados, contribui significativamente para a prevenção de complicações obstétricas e redução da mortalidade materna. Tais achados dialogam com Nery et al. (2024), que destacam que a triagem de risco, quando realizada de forma eficaz, prevenir agravamentos e melhora o prognóstico materno-fetal. Assim, ambos os estudos reforçam a importância das competências preventivas e da detecção precoce, que são determinantes para o sucesso das intervenções emergenciais.
A competência humanizada é outro eixo central identificado nesta revisão. Silva et al. (2021) salientam que o cuidado em emergências obstétricas deve envolver empatia, comunicação eficaz e acolhimento, considerando a vulnerabilidade emocional da gestante. Souza et al. (2023) corroboram esse entendimento ao apontar que a humanização constitui uma competência fundamental para a prática obstétrica, contribuindo para a confiança entre paciente e equipe e para o fortalecimento do vínculo terapêutico. A integração entre técnica e sensibilidade humana é, portanto, um diferencial indispensável na assistência.
Rodrigues et al. (2025) enfatizam ainda que o suporte emocional prestado pelo enfermeiro durante a emergência tem impacto direto na redução do medo e da ansiedade da parturiente. Essa abordagem se aproxima das conclusões de Silva et al. (2020), que apontam a humanização e a segurança do paciente como pilares indissociáveis da assistência obstétrica de qualidade. Dessa forma, ambos os autores evidenciam que a competência humanizada não é apenas um complemento ao cuidado técnico, mas um componente essencial para resultados positivos. Souza et al. (2025) e Costa et al. (2023) convergem ao afirmar que a comunicação efetiva entre os membros da equipe multiprofissional é indispensável para o manejo das emergências obstétricas, uma vez que promove integração, reduz erros e potencializa a tomada de decisão conjunta. Esse aspecto é reforçado por Ferreira et al. (2015), que destacam a importância da cooperação e do respeito entre os profissionais para garantir o sucesso do atendimento. Assim, a competência comunicacional surge como elo de sustentação entre as dimensões técnica, gerencial e humanizada.
Almeida e Carvalho (2021) e Nunes et al. (2025) ressaltam que o preparo técnico, aliado à liderança do enfermeiro, é determinante para a condução de casos de hemorragia e eclâmpsia, patologias que exigem respostas rápidas e coordenadas. Os autores evidenciam que a segurança materno-fetal depende diretamente da habilidade do enfermeiro em integrar conhecimento técnico, tomada de decisão e coordenação da equipe. Essa correlação reforça a visão de que o desempenho competente do enfermeiro é resultado de um conjunto de competências articuladas e não de habilidades isoladas.
Silva et al. (2022) acrescentam que, em ambientes pré-hospitalares, o enfermeiro enfrenta desafios adicionais, como a limitação de recursos e a necessidade de improvisação diante de situações críticas. Nesse contexto, as competências técnicas e gerenciais tornam-se ainda mais evidentes, exigindo raciocínio clínico rápido e capacidade de adaptação. Os achados dos autores complementam os de Souza et al. (2025), que destacam que a experiência e a confiança profissional são fatores que aumentam a resolutividade do cuidado.
De maneira geral, os estudos analisados demonstram que o enfermeiro é protagonista no enfrentamento das emergências obstétricas, integrando conhecimento técnico-científico, habilidades gerenciais e atitudes humanizadas. A capacitação contínua, a adesão a protocolos baseados em evidências e o fortalecimento da liderança são estratégias que potencializam sua atuação. Conforme Silva et al. (2025) e Souza et al. (2025), essas competências garantem um atendimento seguro, resolutivo e centrado na paciente, contribuindo diretamente para a redução da morbimortalidade materna e neonatal.
6. CONCLUSÃO
Conclui-se, portanto, que a competência do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas é resultado de um processo formativo e prático que envolve aperfeiçoamento técnico, gestão eficaz e cuidado humanizado. A correlação entre autores como Nery et al. (2021), Costa et al. (2023) e Silva et al. (2025) evidenciam que o desenvolvimento dessas dimensões de forma integrada é essencial para consolidar uma assistência obstétrica de qualidade, promovendo não apenas a segurança clínica, mas também a dignidade e o bem-estar das gestantes.
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