COMPETÊNCIA DO ENFERMEIRO NO MANEJO DAS EMERGÊNCIAS OBSTÉTRICAS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511161725


Beatriz Souza de Almeida1
Brenda Daca Gabriel1
Eliseu Vieira de Oliveira1
Orientadora: Silvana Flora de Melo2
Co orientadora: Bianca Caroline Arvani Pereira3


RESUMO 

As emergências obstétricas configuram um dos maiores desafios da saúde pública,  visto que colocam em risco a vida da gestante e do feto, exigindo intervenções rápidas,  eficazes e fundamentadas em competências técnico-científicas e gerenciais. O  enfermeiro, por estar diretamente inserido no processo de assistência, assume papel  central no reconhecimento precoce, na tomada de decisão e na implementação de  condutas que garantam a segurança materno-fetal, o que torna essencial investigar  suas competências frente a essas situações críticas. A relevância do tema justifica-se  diante dos altos índices de morbimortalidade materna e neonatal ainda presentes no  Brasil e em diversos países, sendo a atuação qualificada do enfermeiro um fator  determinante para a prevenção de complicações e a melhoria da qualidade da  assistência. Nesse contexto, a presente pesquisa buscou identificar e analisar as  competências do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas, discutindo  dimensões técnicas, assistenciais, gerenciais e humanizadas. Trata-se de uma  revisão integrativa da literatura, desenvolvida entre agosto e setembro de 2025,  realizada nas bases SciELO, LILACS, BDENF, MEDLINE, Google Acadêmico e  ResearchGate, com o uso dos descritores “enfermagem obstétrica”, “emergências obstétricas”, “competências profissionais” e  “cuidados de enfermagem”, combinados pelos operadores booleanos AND e OR.  Foram incluídos artigos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis em texto completo,  nos idiomas português, inglês ou espanhol, que abordassem a atuação do enfermeiro  em situações de urgência e emergência obstétrica. Excluíram-se teses, monografias,  capítulos de livros, artigos duplicados e aqueles que não respondiam à questão  norteadora. Após a aplicação dos critérios, sete artigos compuseram a amostra final,  os quais foram analisados de forma descritiva e interpretativa. Os resultados  apontaram que o enfermeiro deve possuir competências técnicas voltadas à  monitorização materno-fetal, manejo de complicações como hemorragia e eclâmpsia,  realização de procedimentos emergenciais e reanimação neonatal; competências  gerenciais relacionadas à liderança de equipe, organização de fluxos assistenciais,  tomada de decisão rápida e implementação de protocolos; além de competências  humanizadas, que envolvem acolhimento, comunicação eficaz e suporte emocional  às gestantes e familiares. Observou-se que a capacitação contínua e o investimento  em treinamentos específicos são estratégias fundamentais para assegurar a  qualidade da assistência e reduzir riscos em situações emergenciais. Conclui-se que  o enfermeiro é peça-chave no enfrentamento das emergências obstétricas, sendo  necessário fortalecer sua formação e prática profissional para garantir maior  resolutividade, segurança e integralidade do cuidado, contribuindo diretamente para a  diminuição dos índices de morbimortalidade materna e neonatal. 

Palavras-chave: Enfermagem obstétrica; Emergências obstétricas; Competências  profissionais; Cuidados de enfermagem; Segurança materno-fetal.

1. INTRODUÇÃO  

As emergências obstétricas representam um desafio constante para os sistemas de  saúde, pois configuram situações críticas que ameaçam diretamente a vida da  gestante e do feto. Embora a gestação seja considerada um processo fisiológico,  intercorrências como hemorragias, síndromes hipertensivas, sepse puerperal,  complicações hemorrágicas e distúrbios hipertensivos podem evoluir rapidamente  para quadros graves, exigindo resposta imediata da equipe multiprofissional. De  acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 830 mulheres morrem  todos os dias no mundo em decorrência de complicações gestacionais e puerperais,  sendo a maioria desses óbitos evitáveis mediante assistência qualificada e oportuna  (OMS, 2018). No Brasil, a mortalidade materna permanece como um importante  problema de saúde pública, refletindo desigualdades regionais e fragilidades nos  serviços de atenção obstétrica.  

Diante desse contexto, o papel do enfermeiro se destaca como fundamental, visto  que este profissional frequentemente constitui a porta de entrada para o atendimento  das gestantes em situações de urgência. Cabe a ele realizar o acolhimento, proceder  à classificação de risco, identificar sinais de gravidade e adotar condutas imediatas  que garantam estabilização materno-fetal, além de articular encaminhamentos ágeis  para níveis de maior complexidade quando necessário (NERY et al., 2024). A prática  da enfermagem obstétrica em emergências exige não apenas domínio técnico científico, mas também competências que envolvem liderança, comunicação eficaz,  capacidade de julgamento clínico e postura humanizada, considerando a  vulnerabilidade da gestante diante de situações críticas (SILVA et al., 2021).  

O acolhimento e a classificação de risco, instituídos como diretrizes na Rede  Cegonha desde 2011, configuram ferramentas indispensáveis no manejo de  emergências obstétricas, uma vez que possibilitam hierarquizar o atendimento  conforme a gravidade do quadro clínico (BRASIL, 2017). Contudo, a literatura aponta  obstáculos à efetividade desse processo, como a elevada demanda espontânea, a  escassez de recursos humanos e materiais e as dificuldades na interpretação dos  protocolos de classificação (MELO; FERREIRA, 2018). Nessa perspectiva, o  enfermeiro deve estar preparado para lidar com múltiplos cenários, que vão desde  complicações comuns como pré-eclâmpsia e eclâmpsia até condições menos  frequentes, mas igualmente graves, como hemorragias pós-parto, infecções puerperais e distúrbios cardiológicos.  

Estudos apontam que a assistência de enfermagem em emergências obstétricas  deve ser pautada na integralidade e na humanização, assegurando à gestante não  apenas cuidados técnicos, mas também apoio emocional e informações claras sobre  sua condição e os procedimentos a serem realizados (REIS et al., 2015; FIGUEIROA  et al., 2017). Nesse sentido, a prática holística defendida pela enfermagem contribui  para a diminuição de danos, a prevenção de complicações e a promoção de  desfechos positivos para mãe e bebê. Ainda assim, persistem lacunas quanto à  capacitação profissional, à padronização de protocolos e à integração  multiprofissional, o que reforça a necessidade de discutir e fortalecer as competências  do enfermeiro nesse campo de atuação (SILVA et al., 2021).  

Considerando que grande parte dos óbitos maternos e neonatais poderia ser evitada  mediante assistência qualificada, este estudo justifica-se pela relevância em  compreender e analisar as competências do enfermeiro no manejo das emergências  obstétricas.  

A reflexão acerca dessa temática contribui não apenas para o fortalecimento da  prática profissional, mas também para o aprimoramento das políticas públicas de  saúde, alinhando-se aos esforços nacionais e internacionais para a redução da  mortalidade materna e perinatal. Assim, a pesquisa busca analisar as competências  do enfermeiro frente às emergências obstétricas, destacando a importância da  formação contínua, da humanização do cuidado e da adoção de práticas baseadas  em evidências, como estratégias fundamentais para assegurar atendimento seguro,  resolutivo e humanizado às gestantes em situações críticas.

2. OBJETIVO 

Analisar a competência do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas,  considerando os aspectos técnico-científicos, assistenciais e humanísticos, com a  finalidade de compreender seu papel na redução da morbimortalidade materna e  neonatal e na promoção de uma assistência segura e humanizada.

3. MATERIAIS E MÉTODOS  

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão integrativa da literatura, método  que permite reunir e sintetizar evidências disponíveis em diferentes pesquisas,  favorecendo uma análise crítica e abrangente sobre determinada temática. A opção  por este delineamento justifica-se pela necessidade de identificar, avaliar e  sistematizar as competências do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas,  reunindo produções científicas de distintas abordagens e contextos.  

A elaboração da revisão seguiu seis etapas: identificação do tema e da questão  norteadora, definição dos critérios de inclusão e exclusão, seleção das bases de  dados, coleta dos estudos, análise crítica e interpretação dos resultados e síntese final  do conhecimento produzido. A questão norteadora foi construída a partir da estratégia  PICo: P (profissionais de enfermagem), I (competências no manejo de emergências  obstétricas) e Co (contexto hospitalar e pré-hospitalar).  

A busca foi realizada no período de agosto a setembro de 2025, contemplando as  bases de dados SciELO, LILACS, BDENF, MEDLINE, Google Acadêmico e  ResearchGate. Foram utilizados os descritores combinados pelos operadores  booleanos AND e OR: “enfermagem obstétrica”, “emergências obstétricas”,  “competências profissionais” e “cuidados de enfermagem”.  

Como critérios de inclusão, consideraram-se artigos originais disponíveis em texto  completo, publicados entre 2015 e 2025, nos idiomas português, inglês ou espanhol,  que abordassem diretamente a atuação do enfermeiro em situações de urgência e  emergência obstétrica. Foram definidos como critérios de exclusão: teses,  dissertações, monografias, capítulos de livros, documentos institucionais, artigos  duplicados, textos sem acesso integral e estudos que não respondessem à questão  norteadora.  

Após a busca inicial, procedeu-se à leitura dos títulos e resumos para triagem  preliminar, seguida da leitura na íntegra dos artigos potencialmente elegíveis. Ao final  do processo, treze artigos atenderam aos critérios estabelecidos e compuseram a  amostra final. Os dados foram organizados em fichamento contendo: autor, ano,  objetivo, tipo de estudo, principais resultados e contribuições para a temática.  

A análise dos estudos foi realizada de forma descritiva e interpretativa, permitindo  agrupar as evidências em categorias relacionadas às competências técnicas,  gerenciais, assistenciais e humanizadas do enfermeiro.

4. RESULTADOS 

Foram selecionados vinte e cinco artigos publicados entre 2015 e 2025 que abordam  as competências e a atuação do enfermeiro no manejo das emergências obstétricas nas bases SciELO, LILACS, BVS, PubMed e Google Acadêmico; contudo, após a  aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, apenas treze foram considerados  elegíveis para compor a amostra final. A busca utilizou os descritores “enfermagem  obstétrica”, “emergências obstétricas” e “competências do enfermeiro”, incluindo  artigos completos, disponíveis em português, que tratassem da atuação do enfermeiro  em situações de urgência e emergência obstétrica. 

Quadro 1 – Síntese dos estudos incluídos na revisão integrativa São Paulo, SP, Brasil, 2025.

Título do  Artigo Autor / Ano Objetivo Metodologia Conclusão
Assistência de  enfermagem  em situações  críticas na  obstetrícia:  táticas para  prestação de  socorroRodrigues et  al., 2025Descrever as ações do enfermeiro em  situações  críticas  obstétricas e  propor  
estratégias de  intervenção  rápida.
Revisão de  
literatura descritiva.
Evidencia a  importância do  preparo técnico,  da padronização  de protocolos e  do suporte  emocional à  gestante; reforça  o protagonismo  do enfermeiro na  prevenção de  agravos.
Atuação do  
enfermeiro na  prevenção e  manejo da  
hemorragia  pós-parto:  uma revisão  integrativa
Nunes et al.,  2025Identificar as  ações do  enfermeiro na  prevenção e  
manejo da  
hemorragia pós-parto.
Revisão  integrativa.A hemorragia  pós-parto é uma  das principais  emergências  obstétricas; o  enfermeiro atua  na detecção  
precoce, controle  de sangramento  e coordenação  da equipe.
Emergências  obstétricas:  identificação de perfis de 
atendimento para melhores 
conduções 
preventivas
Rondelli et  al., 2024Analisar o  perfil das  pacientes  atendidas em  emergências  obstétricas e  propor  medidas  preventivas.Estudo 
observacional , quantitativo  e transversal.
Mostra que o  acompanhamento pré-natal  
adequado e a  presença de enfermeiros 
qualificados  
reduzem  
complicações e  mortalidade  
materna.
O enfermeiro  na assistência  às  
emergências  obstétricas: revisão de  literatura
Santos et  al., 2024Compreender  o papel do  
enfermeiro no  manejo das  
emergências  obstétricas.
Revisão de 
literatura qualitativa.
Destaca a liderança e a  tomada de 
decisão do  
enfermeiro,  
enfatizando a 
capacitação 
contínua e o  
trabalho 
multiprofissional.
Competências  essenciais  para a prática  da  
enfermagem  obstétrica:  revisão  integrativa
Souza et al.,  2023Identificar as  competências  essenciais do  enfermeiro na  prática  obstétrica 
segura e  
humanizada.
Revisão  integrativa.Aponta  autonomia,  raciocínio clínico,  comunicação e  humanização  como competências 
fundamentais.
Gestão  estratégica de  emergências  obstétricas  pela  enfermeira:  implementação o e  
acompanhamento
Costa et al.,  2023Discutir a  atuação da  enfermeira na  gestão e  liderança de  emergências  obstétricas.Revisão  integrativa.A gestão da  
enfermeira  
fortalece a  
segurança  
assistencial e a  aplicação de  
protocolos  
baseados em  evidências.
O papel do  
enfermeiro  frente às  emergências  obstétricas
Silva et al.,  2022Compreender  as  competências  do enfermeiro  em situações  emergenciais  obstétricas.Revisão de literatura.Reforça a  importância do  conhecimento  técnico, da  agilidade e da  decisão  assertiva;  destaca a  
atuação  preventiva e  humanizada.
O perfil da  equipe de  enfermagem  no  atendimento  em urgências  e emergências  obstétricasFerreira et  al., 2022Identificar o  perfil e as  qualificações  da equipe de  enfermagem  nas  emergências  obstétricas.Estudo  descritivo  
bibliográfico.
Mostra lacunas  na capacitação e  propõe  treinamentos  periódicos;  evidencia a  importância da  atuação  
multiprofissional.
Atendimento  ao usuário e  triagem de  risco em  
emergência  
obstétrica
Nery et al.,  2021Avaliar a  atuação do  enfermeiro na  triagem de  risco em  emergências  obstétricas.Estudo qualitativo 
descritivo.
Demonstra que a  classificação de  risco realizada  por enfermeiros  garante  
atendimento  
prioritário e  redução de  complicações.
Emergência  
obstétrica pós parto: revisão  integrativa
Almeida &  Carvalho,  2021Descrever as  principais 
intervenções  do enfermeiro  em  emergências  obstétricas no  pós-parto.
Revisão integrativa.Aponta a  
necessidade de  capacitação técnic e  protocolos  clínicos para o  manejo da  hemorragia e da  eclâmpsia.
O papel do  
enfermeiro  frente às  emergências  obstétricas
Souza et al.,  2020Analisar as  
atribuições e  desafios do  
enfermeiro nas  emergências  obstétricas.
Revisão narrativa.Enfatiza a  importância da  atualização  
profissional e da  tomada de  decisão baseada  em evidências.
Enfermagem e  segurança na  assistência 
obstétrica: desafios e perspectivas
Silva et al.,  2020Descrever os  desafios 
enfrentados pela 
enfermagem na assistência  obstétrica de  urgência.
Revisão  
bibliográfica.
Destaca a  humanização, o  acolhimento e a  segurança do  
paciente como  pilares da  
assistência.
O perfil da  equipe de enfermagem  no atendimento  em urgências  e emergências  obstétricasFerreira et  al., 2015Identificar o perfil e a qualificação dos profissionais de enfermagem nas emergências obstétricas.Estudo  descritivo  
bibliográfico.
Ressalta a necessidade de  educação  
permanente e de  protocolos  
institucionais  
padronizados.
Autoria: Elaboração Própria

5. DISCUSSÃO 

A análise dos estudos incluídos nesta revisão integrativa evidência que o enfermeiro  exerce papel essencial e multifuncional no manejo das emergências obstétricas,  atuando desde o acolhimento e triagem até a execução de condutas clínicas e  gerenciais que assegurem a segurança materno-fetal. De acordo com Nery et al.  (2021), a competência técnica do enfermeiro é expressa na capacidade de realizar a  classificação de risco de forma ágil e precisa, assegurando o atendimento prioritário  das gestantes em situações críticas. Essa constatação converge com os achados de  Rodrigues et al. (2025), que reforçam a importância da padronização de protocolos e  do preparo técnico da equipe para o sucesso do atendimento em contextos de  urgência. 

A competência técnica, segundo Silva et al. (2022), envolve a tomada de decisão  rápida e segura diante de quadros de alta complexidade, como eclâmpsia e  hemorragia pós-parto, situações que exigem raciocínio clínico apurado e destreza na  execução dos procedimentos. Os autores complementam que, além do conhecimento  técnico, o enfermeiro deve possuir equilíbrio emocional e postura resolutiva para  garantir a estabilidade da paciente. Esses resultados corroboram os de Almeida e  Carvalho (2021), que destacam a necessidade de preparo técnico e científico para o  manejo das emergências obstétricas no período pós-parto, reforçando que a  intervenção precoce é determinante para evitar a mortalidade materna. 

De modo semelhante, Nunes et al. (2025) destacam que a hemorragia pós-parto  permanece entre as principais causas de morte materna, e que o enfermeiro, por sua  atuação direta e constante, é peça-chave na detecção precoce e no controle do  sangramento. Essa perspectiva se relaciona aos achados de Costa et al. (2023), que  enfatizam a importância da gestão estratégica e do trabalho em equipe coordenado  para a eficácia do atendimento. Assim, evidencia-se que a competência técnica e a  competência gerencial são complementares e interdependentes na atuação em  situações emergenciais. 

A importância da qualificação profissional e da padronização dos processos é  amplamente abordada por Ferreira et al. (2015), que identificaram lacunas na  formação dos profissionais de enfermagem e ressaltaram a necessidade de  programas de educação permanente. Essa constatação é reafirmada por Souza et al.  (2025), ao apontarem que a atualização constante e o aperfeiçoamento técnico são essenciais para o desempenho competente e seguro do enfermeiro nas emergências  obstétricas. A correlação entre os estudos demonstra que a educação continuada é  um instrumento estratégico para fortalecer a autonomia profissional e reduzir falhas  assistenciais. 

Santos et al. (2024) reforçam que o enfermeiro desempenha papel de liderança na  equipe multiprofissional, sendo responsável por articular ações, supervisionar  procedimentos e garantir a adesão aos protocolos institucionais. Essa atuação se  conecta aos achados de Costa et al. (2023), que descrevem a liderança como uma  competência gerencial essencial para o gerenciamento de riscos e a segurança do  paciente. Dessa forma, observa-se que o enfermeiro atua não apenas como executor,  mas também como gestor do processo assistencial, contribuindo para a organização  e fluidez do atendimento. 

Rondelli et al. (2024) complementam essa análise ao demonstrarem que o  acompanhamento pré-natal adequado, aliado à presença de enfermeiros capacitados,  contribui significativamente para a prevenção de complicações obstétricas e redução  da mortalidade materna. Tais achados dialogam com Nery et al. (2024), que destacam  que a triagem de risco, quando realizada de forma eficaz, prevenir agravamentos e  melhora o prognóstico materno-fetal. Assim, ambos os estudos reforçam a  importância das competências preventivas e da detecção precoce, que são  determinantes para o sucesso das intervenções emergenciais. 

A competência humanizada é outro eixo central identificado nesta revisão. Silva et  al. (2021) salientam que o cuidado em emergências obstétricas deve envolver  empatia, comunicação eficaz e acolhimento, considerando a vulnerabilidade  emocional da gestante. Souza et al. (2023) corroboram esse entendimento ao apontar  que a humanização constitui uma competência fundamental para a prática obstétrica,  contribuindo para a confiança entre paciente e equipe e para o fortalecimento do  vínculo terapêutico. A integração entre técnica e sensibilidade humana é, portanto, um  diferencial indispensável na assistência. 

Rodrigues et al. (2025) enfatizam ainda que o suporte emocional prestado pelo  enfermeiro durante a emergência tem impacto direto na redução do medo e da  ansiedade da parturiente. Essa abordagem se aproxima das conclusões de Silva et  al. (2020), que apontam a humanização e a segurança do paciente como pilares  indissociáveis da assistência obstétrica de qualidade. Dessa forma, ambos os autores evidenciam que a competência humanizada não é apenas um complemento ao  cuidado técnico, mas um componente essencial para resultados positivos. Souza et al. (2025) e Costa et al. (2023) convergem ao afirmar que a comunicação  efetiva entre os membros da equipe multiprofissional é indispensável para o manejo  das emergências obstétricas, uma vez que promove integração, reduz erros e  potencializa a tomada de decisão conjunta. Esse aspecto é reforçado por Ferreira et  al. (2015), que destacam a importância da cooperação e do respeito entre os  profissionais para garantir o sucesso do atendimento. Assim, a competência  comunicacional surge como elo de sustentação entre as dimensões técnica, gerencial  e humanizada. 

Almeida e Carvalho (2021) e Nunes et al. (2025) ressaltam que o preparo técnico,  aliado à liderança do enfermeiro, é determinante para a condução de casos de  hemorragia e eclâmpsia, patologias que exigem respostas rápidas e coordenadas. Os  autores evidenciam que a segurança materno-fetal depende diretamente da  habilidade do enfermeiro em integrar conhecimento técnico, tomada de decisão e  coordenação da equipe. Essa correlação reforça a visão de que o desempenho  competente do enfermeiro é resultado de um conjunto de competências articuladas e  não de habilidades isoladas. 

Silva et al. (2022) acrescentam que, em ambientes pré-hospitalares, o enfermeiro  enfrenta desafios adicionais, como a limitação de recursos e a necessidade de  improvisação diante de situações críticas. Nesse contexto, as competências técnicas  e gerenciais tornam-se ainda mais evidentes, exigindo raciocínio clínico rápido e  capacidade de adaptação. Os achados dos autores complementam os de Souza et  al. (2025), que destacam que a experiência e a confiança profissional são fatores que  aumentam a resolutividade do cuidado. 

De maneira geral, os estudos analisados demonstram que o enfermeiro é  protagonista no enfrentamento das emergências obstétricas, integrando  conhecimento técnico-científico, habilidades gerenciais e atitudes humanizadas. A  capacitação contínua, a adesão a protocolos baseados em evidências e o  fortalecimento da liderança são estratégias que potencializam sua atuação. Conforme  Silva et al. (2025) e Souza et al. (2025), essas competências garantem um  atendimento seguro, resolutivo e centrado na paciente, contribuindo diretamente para  a redução da morbimortalidade materna e neonatal.

6. CONCLUSÃO 

Conclui-se, portanto, que a competência do enfermeiro no manejo das emergências  obstétricas é resultado de um processo formativo e prático que envolve  aperfeiçoamento técnico, gestão eficaz e cuidado humanizado. A correlação entre  autores como Nery et al. (2021), Costa et al. (2023) e Silva et al. (2025) evidenciam que  o desenvolvimento dessas dimensões de forma integrada é essencial para consolidar  uma assistência obstétrica de qualidade, promovendo não apenas a segurança  clínica, mas também a dignidade e o bem-estar das gestantes.

7. REFERÊNCIAS 

ALMEIDA, A. L.; CARVALHO, R. C. Emergência obstétrica pós-parto: atuação da  enfermagem. Revista Científica da FAEMA, v. 13, n. 2, p. 1-8, 2022. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção ao pré-natal de baixo risco. Brasília: Ministério  da Saúde, 2012. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde das Mulheres.  Brasília: Ministério da Saúde, 2016. 

COSTA, M. S. et al. Gestão estratégica de emergências obstétricas pela enfermeira:  implementação e acompanhamento. Enfermagem Brasil, v. 24, n. 3, p. 87-96, 2025. 

FERREIRA, L. P. et al. O perfil da equipe de enfermagem no atendimento em  urgências e emergências obstétricas. Revista Fafibe On-Line, v. 8, n. 1, p. 45-54,  2015. 

NERY, J. P. et al. Atendimento ao usuário e triagem de risco em emergência  obstétrica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 3, p. 40-51,  2024. 

SILVA, R. M. et al. O papel do enfermeiro frente às emergências obstétricas. Revista  Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 2, p. 120-135, 2025. 

SILVA, V. P. et al. O papel do enfermeiro nas emergências obstétricas. Id on Line  Revista Multidisciplinar de Psicologia, v. 15, n. 56, p. 85-96, 2021. 

SILVA, C. R. et al. O cotidiano do enfermeiro nas emergências obstétricas no  atendimento pré-hospitalar móvel. Revista e-Acadêmica, v. 3, n. 8, p. 112-123, 2022. 

SOUZA, G. T. et al. O papel do enfermeiro frente às emergências obstétricas. Revista  Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 1, p. 98-109, 2025. 

TANAKA, A. C. D.; MITSUI, M. H. Assistência obstétrica: enfoque multiprofissional.  São Paulo: Atheneu, 2021. 

AFONSO, L. M. F.; FERRARI, F. L. Teorias da administração. Porto Alegre: SAGAH,  2018. E-book. 

OMS – Organização Mundial da Saúde. Recomendações da OMS sobre cuidados  intraparto para uma experiência de parto positiva. Genebra: OMS, 2018. 

OLIVEIRA, D. S.; MARTINS, E. L. Atuação do enfermeiro em urgências obstétricas:  revisão integrativa da literatura. Revista Nursing, v. 24, n. 284, p. 5153-5160, 2021. 

PEREIRA, A. L. F. Práticas de enfermagem em emergências obstétricas: abordagem  baseada em evidências. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 

SANTOS, F. A.; LIMA, E. C. A importância do enfermeiro na redução da mortalidade  materna. Revista de Enfermagem e Saúde Coletiva, v. 10, n. 1, p. 27-34, 2020

SOUZA, M. T.; SILVA, M. D.; CARVALHO, R. Revisão integrativa: o que é e como  fazer. Einstein, v. 8, n. 1, p. 102-106, 2010. 

UNICEF; OPAS; OMS. Panorama da mortalidade materna no Brasil: avanços e  desafios. Brasília: OPAS, 2022. 

ALMEIDA, R. P. et al. A importância do enfermeiro na prevenção e controle das  infecções hospitalares. Revista CPAQV, v. 14, n. 2, p. 1–9, 2022. Disponível em:  https://revista.cpaqv.org/index.php/CPAQV/article/view/1976/1421. Acesso em: 24 out.  2025. 

SOUZA, R. T. Formação e prática do enfermeiro na atenção primária à saúde. 2021.  Disponível em: https://repositorio.ufmg.br/server/api/core/bitstreams/f1f53b99-7fd9-451d b75e-b1dca0fe0d4a/content. Acesso em: 24 out. 2025. 

FERREIRA, J. L.; ALMEIDA, D. P. A atuação do enfermeiro frente à segurança do  paciente. Revista REASE, v. 11, n. 10, p. 1–12, 2025. Disponível em:  https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/19979/12113. Acesso em: 24 out. 2025. 

SILVA, M. C. Atuação do enfermeiro no contexto hospitalar: desafios e perspectivas.  2020. Disponível em:  https://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/45803/1/Atua%c3%a7%c3%a3oDoEnfermeiro .pdf. Acesso em: 24 out. 2025. 

GONÇALVES, T. R.; LIMA, P. C. O papel do enfermeiro na promoção da saúde  pública. Observatório Latino-Americano, v. 3, n. 4, p. 50–61, 2024. Disponível em:  https://ojs.observatoriolatinoamericano.com/ojs/index.php/olel/article/view/7699/4809.  Acesso em: 24 out. 2025. 

BRITO, L. M.; PEREIRA, V. S. Competências essenciais para a prática da  enfermagem. 2020. Disponível em:  https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/97963449/210303907-libre.pdf. Acesso em: 24 out.  2025.