KINESIOTHERAPY AND DECONGESTIVE TECHNIQUES IN SHOULDER REHABILITATION AND LYMPHEDEMA CONTROL IN MASTECTOMIZED PATIENTS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510101511
Layza Gabriela Sena Luz Pessoa1
Sarah Batista Miguel1
Suiane de Assis Custodio Silva1
Arthur Rodrigues Neto2
Resumo
O câncer de mama é uma das neoplasias mais prevalentes entre mulheres, causando sérias implicações físicas e emocionais após a mastectomia, incluindo limitações funcionais e linfedema. Este estudo investiga se a implementação de um programa de fisioterapia pós-operatória pode melhorar a reabilitação da amplitude de movimento do ombro e o manejo do linfedema, além de contribuir para a qualidade de vida das pacientes. As hipóteses levantadas consideram que intervenções fisioterapêuticas podem reduzir complicações e melhorar a funcionalidade e o bem-estar das mulheres mastectomizadas. O objetivo do estudo consiste em avaliar o benefício da intervenção fisioterapêutica na recuperação funcional e na qualidade de vida de pacientes submetidos à mastectomia. Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, com coleta de dados nas bases Capes, LILACS, SciELO e PubMed, entre agosto e outubro de 2024. Foram selecionadas publicações em português e inglês, entre 2014 e 2024, com descritores como “fisioterapia”, “mastectomia” e “linfedema”. A análise de 12 artigos demonstrou que a cinesioterapia e as técnicas descongestivas, quando aplicadas precocemente e de forma contínua, promovem significativa melhora na amplitude de movimento do ombro, força muscular, redução do linfedema e impacto positivo na qualidade de vida. A fisioterapia se mostrou essencial na reabilitação de mulheres mastectomizadas, sendo eficaz na recuperação funcional e no alívio de sintomas, evidenciando a importância de programas terapêuticos baseados em evidências para essa população.
Palavras-chave: Câncer de Mama. Mastectomia. Fisioterapia. Linfedema. Reabilitação.
1. INTRODUÇÃO
O câncer de mama se caracteriza por uma doença crônica degenerativa, que tem a proliferação desordenada e sem controle das células epiteliais, na quais ignoram as restrições de crescimento impostas pelas diferentes partes do organismo e invadem tecidos e órgãos de forma destrutiva. Com exceção do sexo feminino, a idade é o fator de risco mais importante no câncer de mama. Cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem em mulheres com mais de 50 anos. Outros fatores como históricos na família, maior densidade do tecido mamário, hiperplasia mamária atípica, exposição à radiação, menarca precoce e menopausa tardia, gestação após 30 anos de idade, ausência ou curtos períodos de amamentação também são fatores de risco para a ocorrência da doença (PETRY et al., 2016; OLIVEIRA et al., 2017; CASASSOLA et al., 2020).
É a neoplasia mais comum entre mulheres, sendo um problema de saúde pública em diversos países. No Brasil, no ano de 2010, a estimativa para casos de câncer de mama foi de 49.240 a cada 100 mil mulheres. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são esperados mais de 73.000 novos casos de câncer de mama para o ano de 2023, refletindo a magnitude da doença no cenário nacional. Globalmente, o número é ainda mais expressivo, com 2,3 milhões de novos casos de câncer de mama anualmente, conforme estimativas do GLOBOCAN 2020, tornando-o o câncer mais incidente em mulheres. As taxas de incidência variam entre as diferentes regiões do país, tendo as regiões Sul (73,0/100 mil) e Sudeste (69,50/100 mil) com as taxas mais altas (OLIVEIRA et al., 2017; OLIVEIRA et al., 2019; SUNG et al., 2021; INCA, 2023).
O recebimento do diagnóstico e o tratamento do câncer de mama, independente da abordagem cirúrgica (radical ou conservadora) impacta negativamente na vida da mulher, gerando alterações de sua autoimagem, sexualidade, feminilidade, relações afetivas e sociais. É de grande importância que equipes multiprofissionais estejam dispostas a acolherem e a minimizar esses efeitos. Um tratamento precoce faz toda a diferença, trazendo benefícios para a recuperação da amplitude articular, sem risco de complicações cicatriciais (FIREMAN et al., 2018; LUCENA et al., 2023).
Nos casos de diagnóstico e tratamento precoce, na maioria das vezes, o câncer de mama tende a ter um prognóstico favorável. O procedimento cirúrgico é o principal tratamento para o câncer de mama, devido a possibilidade de aniquilar o tumor e ter o aumento da sobrevida. Dependendo do estado clínico e psicológico da paciente, é sugerida a mastectomia (OLIVEIRA et al., 2019; ROCHA; LEMOS; RIBEIRO, 2019; CASASSOLA et al., 2020).
A mastectomia consiste na remoção parcial ou total da mama, muitas vezes acompanhada da dissecação axilar para a remoção de linfonodos. No entanto, a remoção de linfonodos pode resultar em complicações do pós operatório como o linfedema, uma condição crônica caracterizada pelo acúmulo de fluido linfático nos tecidos subcutâneos, especialmente nos membros superiores, que afeta aproximadamente 20% das mulheres que passam por essa intervenção. O linfedema causa inchaço, dor, desconforto, disfunções posturais, seroma, aderências teciduais, restrição da amplitude de movimento e diminuição da força muscular do membro superior, afetando diretamente a qualidade de vida dessas pacientes (FABRO et al., 2018; OLIVEIRA et al., 2018; ROCHA; LEMOS; RIBEIRO, 2019; MAJED et al., 2022).
A fisioterapia tem o potencial de minimizar significativamente as complicações do pós-operatório em pacientes submetidos a mastectomia, promovendo uma recuperação mais rápida e eficaz. Considerando que a mastectomia pode resultar em uma série de complicações destacando-se o linfedema e a diminuição da amplitude de movimento do membro superior, que comprometem a funcionalidade e a qualidade de vida das mulheres (CHO et al., 2016).
A cinesioterapia envolve o uso terapêutico de movimentos e exercícios específicos para restaurar a função e promover a mobilidade articular e muscular. No caso das mastectomizadas, os exercícios ativos e passivos auxiliam na recuperação da amplitude de movimento, na força muscular e no alívio da dor, sendo um componente essencial do processo de reabilitação. Aliada a isso, as técnicas descongestivas, como a drenagem linfática manual, compressão e exercícios de respiração, desempenham um papel fundamental na redução do linfedema, ao estimular o sistema linfático e promover o retorno venoso (CHO et al., 2016; SADEGHI; TALEGHANI; FARZI, 2020).
A questão que norteia esta pesquisa é: A implementação de um programa de fisioterapia pós-operatória em mulheres mastectomizadas pode melhorar significativamente a reabilitação da amplitude de movimento do ombro e o manejo do linfedema, contribuindo para uma recuperação mais eficiente e uma melhor qualidade de vida? Essa investigação se justifica pela necessidade de preencher as lacunas existentes sobre a abordagem combinada e por contribuir para o desenvolvimento de protocolos de tratamento baseados em evidências que possam melhorar a qualidade de vida das pacientes pós-mastectomia
Acredita-se que a fisioterapia tem o potencial de minimizar significativamente as complicações do pós-operatório, promovendo uma recuperação mais rápida e eficaz. Considerando que a mastectomia pode resultar em uma série de complicações que comprometem a funcionalidade e a qualidade de vida das mulheres, a introdução de um programa de fisioterapia pós-cirúrgica pode ser fundamental para uma reabilitação mais completa
O objetivo geral deste estudo consiste em analisar o benefício da intervenção fisioterapêutica pós-operatória na recuperação funcional e qualidade de vida de pacientes submetidos à mastectomia, em uma revisão de literatura.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 Câncer de Mama e Mastectomia
O câncer é o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos, estas células ao se dividir rapidamente tendem a ser agressivas e incontroláveis, gerando a formação de tumores que podem se espalhar para outras áreas do corpo. Os tipos de câncer são correspondentes aos diversos tipos de células do corpo. Quando presentes em tecidos epiteliais são chamados de carcinomas, quando nos tecidos conjuntivos são denominados sarcomas (INCA, 2022).
Ele surge por uma mutação genética, uma alteração no DNA da célula recebendo instruções alteradas para realizar suas atividades. As mudanças podem ocorrer nos protooncogenes que são genes inativos em células normais que, quando ativados se tornam oncogenes, sendo responsável pela transformação das células normais em células cancerosas. As células são formadas por três partes: parte mais externa chamada de membrana celular, corpo da célula denominado de citoplasma e o núcleo que contém os cromossomos compostos por genes. Os genes são responsáveis por guardar toda a informação genética no ácido desoxirribonucleico (DNA). E é pelo DNA que os cromossomos passam as informações de funcionamento para a célula (INCA, 2022).
A formação do câncer é nomeada de carcinogênese ou oncogênese, acontece de forma lenta podendo levar anos para que ocorra a proliferação da célula cancerosa dando origem a um tumor visível. O acúmulo de diferentes agentes cancerígenos ou carcinógenos são os responsáveis pelo início, promoção, progressão e inibição do tumor (INCA, 2020).
No estágio de iniciação ocorre a ação dos agentes cancerígenos, que causam modificações em alguns genes. As células encontram-se alteradas, entretanto o tumor ainda não é detectável clinicamente, elas estão iniciadas. O estágio de promoção tem as células geneticamente alteradas e sofrem efeito dos agentes cancerígenos oncopromotores, essa célula será transformada em célula maligna, essa transformação ocorre por um longo e contínuo contato com o agente cancerígeno. Por sua vez, no estágio de progressão o câncer já está instalado, as células alteradas já estão se multiplicando de maneira descontrolada e irreversível. É nesse estágio que surgem as primeiras manifestações clínicas da doença, conforme ilustrado na Figura 1. Os oncoaceleradores ou carcinógenos são fatores que promovem uma iniciação e progressão da carcinogênese (INCA, 2022).
Figura 1 – Câncer de Mama

Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein (2020).
As células são capazes de formar novos vasos sanguíneos para sua nutrição no processo de multiplicação. Sua multiplicação ocorre de maneira desorganizada, rápida e contínua capaz de invadir progressivamente o organismo à sua volta. Quando essas células desordenadas se acumulam, dão origem aos tumores malignos (INCA, 2022).
A metástase acontece quando a célula que possui capacidade de se desprender do tumor e deslocar-se, chega a um vaso sanguíneo ou linfático e dissemina-se para órgãos vizinhos e até mesmo para os mais distantes. Alguns tipos de células dão metástase mais rapidamente e precocemente, outras fazem de forma mais lenta ou não fazem. Células cancerosas geralmente são menos especializadas nas suas funções, de maneira que com seu crescimento e a substituição das células normais, as áreas afetadas vão perdendo suas funções (INCA, 2022).
No Brasil o câncer de mama é o de maior incidência entre mulheres, ocupando a primeira posição com um risco aproximado de 61,61 novos casos a cada 100 mil mulheres. O histórico demonstra uma taxa de mortalidade ascendente, configurando um problema de saúde pública principalmente na região norte que apresenta taxas aceleradas de crescimento. A estimativa para o nordeste apresenta um risco de 44,29 por 100 mil indivíduos. O alto índice de mortalidade é resultado da baixa oportunidade de rastreio e a detecção tardia da doença. Em dados do Instituto Nacional do Câncer do ano de 2022 estimam 74 mil novos casos de câncer de mama no brasil para o triênio 2023-2025, correspondendo a aproximadamente 25% das mulheres atingidas por todos os tipos de câncer (DOMINGOS et al., 2021; INCA, 2022; ALMEIDA et al., 2023; VALENTIM; KAYOKO, 2024).
O principal tratamento é o cirúrgico pela alta possibilidade de erradicar o tumor e aumentar a sobrevida, é dividido em conservador chamado de tumorectomia e quadrantectomia realizado em casos de diagnóstico precoce. E a técnica radical, cirurgia invasiva denominada de mastectomia, para os casos mais avançados (20). Quando o diagnóstico é tardio o número de cirurgias invasivas aumenta (CASASSOLA et al., 2020; DOMINGOS et al., 2021; ALMEIDA et al., 2023).
A mastectomia é uma cirurgia radical e invasiva que corresponde com a retirada parcial ou total das glândulas mamárias e anexos, tendo como objetivo controlar a multiplicação descontrolada das células cancerígenas na região (ALMEIDA et al., 2022).
A abordagem cirúrgica está relacionada a alta prevalência de complicações no membro superior ipsilateral à cirurgia, sendo encontradas algumas alterações no pós-operatório. Entre elas a dor, diminuição da força muscular e redução da amplitude de movimento, parestesia, linfedema. Algumas mulheres podem apresentar lesões musculoesqueléticas e/ou nervosas, complicações cicatriciais, fibrose axilo-peitoral, alterações posturais, síndrome de rede axilar, alteração na percepção da imagem corporal (CASASSOLA et al., 2020).
O ombro é a articulação mais afetada, devido a remoção do músculo peitoral maior quando se trata da cirurgia radical, a possibilidade de trauma no nervo torácico longo, a dor e espasmos da musculatura cervical e de cintura escapular que colaboram para disfunções no membro envolvido. Complicações como as citadas, prejudicam a capacidade funcional interferindo na realização das atividades de vida diária, comprometendo a qualidade de vida destas mulheres (PETRY et al., 2016; DOMINGOS et al., 2021).
O câncer e a mastectomia além dos efeitos físico-funcionais, geram impactos psicológicos como sentimento de perda da feminilidade, alteração de autoimagem e autoestima, mudanças emocionais e sociais que atingem a vida familiar e laboral. O diagnóstico ativa o sentimento de medo da morte e sensações de luto, angústia, depressão e tristeza carregando uma percepção de ameaça à integridade física. O luto é vivenciado por estas mulheres pois a retirada da mama é uma perda que interfere na imagem corporal e percepções de si mesma, a vergonha reverbera sua feminilidade afetando também suas relações, sexualidade e investimentos libidinais. Conforme ilustrado na Figura 2, a cicatriz de uma mastectomia radical exemplifica essas alterações corporais e sua influência sobre a autoimagem e autoestima (ALMEIDA et al., 2022; ALMEIDA et al., 2023; VALENTIM; KAYOKO, 2024).
Figura 2 – Mastectomia para câncer de mama

Fonte: Instituto Oncoguia (2020).
2.2 Linfedema pós-mastectomia
Linfedema é uma das complicações do pós-operatório da mastectomia, sendo a mais frequente devido a dissecção dos linfonodos axilares, podendo surgir logo após a cirurgia ou raramente anos após o tratamento. Sua incidência varia, contudo, é observada em 20% dos casos. Ele se dá pelo acúmulo demasiado e persistente de líquido formado por proteínas extravasculares e extracelulares no espaço intersticial, acarretado pela incapacidade do sistema linfático instigando o aumento da pressão oncótica (DOMINGUES et al., 2021).
É uma doença crônica e progressiva provocada pela insuficiência da drenagem linfática, acarretando alterações teciduais como o edema, que irá iniciar uma inflamação crônica. O desequilíbrio na filtração dos capilares e na drenagem linfática pode acometer qualquer tecido que sofra esse processo, sendo uma patologia crônica e progressiva pode ocasionar em disfunções morfológicas e funcionais ao membro acometido (DOMINGUES et al., 2021). A Figura 3 ilustra essa condição, mostrando um caso de linfedema no membro superior.
Figura 3 – Fisioterapia descongestiva complexa no tratamento do linfedema pós mastectomia.

Fonte: Guirro (2004)
O linfedema gera uma alta morbidade do membro superior devido à dissecção dos linfonodos axilares, sendo esse o maior fator de risco para a ocorrência do mesmo juntamente com a radioterapia axilar. A linfadenectomia quando associada a mastectomia simples ou a radical, a radioterapia, a obesidade e o sobrepeso são fatores de predisposição importantes no desenvolvimento de linfedema em pacientes mastectomizadas. Seus fatores de risco são multifatoriais, entretanto não são muito reconhecidos. Em seu diagnóstico o braço apresenta uma circunferência maior que 2cm ou associado a um aumento do volume do braço com valor maior ou igual a 10% (RIBEIRO, 2019; DOMINGUES et al., 2021).
2.3 Cinesioterapia na reabilitação do ombro em mastectomizadas
A Cinesioterapia é definida por um conjunto de diferentes tipos de exercícios terapêuticos, com números de séries e repetições. Trabalha através dos movimentos do corpo para redução de comprometimentos, melhora e manutenção da funcionalidade do paciente, tendo como principal objetivo reestabelecer sua autonomia e independência para a realização de suas atividades de vida diária (AVDs) (ALMEIDA et al., 2021).
A articulação do ombro é a mais complexa e mais móvel do corpo humano, formada por músculos e articulações que permitem o movimento do membro superior. É composto pelas articulações glenoumeral, esternoclavicular, acromioclavicular e escapulotorácica. Por três sistemas ostemioligamentares de deslizamento (subacromial, umerobicipital e escapulotoráxico), e pelos principais músculos: deltoide, supraespinhal, infraespinhal, subescapular, redondo maior e menor (MERAIO et al., 2019; COSTA; LIVRAMENTO, 2023).
Nos planos sagital, frontal, e transversal, realiza os movimentos de flexão, extensão, abdução, abdução, rotação interna e externa, além dos movimentos combinados, que são chamados de circundação. Com isso, a mobilidade da articulação do ombro, juntamente com todo o membro superior, evita lesões, garante estabilidade articular e mantém o equilíbrio do sistema musculoesquelético (MERAIO et al., 2019; COSTA; LIVRAMENTO, 2023).
A cinesioterapia, constituída de exercícios terapêuticos que trabalha diversos movimentos do corpo, tem resultados positivos em prol da redução de comprometimentos e limitações funcionais. Tendo como benefícios: melhora da função respiratória e da capacidade funcional, aumento de flexibilidade, força e mobilidade articular, melhora da coordenação motora e equilíbrio, e diversas outras (ALMEIDA et al., 2021; DOMINGOS et al., 2021).
Tem um papel de grande importância para a recuperação funcional, englobando o bem estar físico e emocional, trazendo mais autonomia e capacidade de realização de suas atividades de vida diárias (LEAL et al., 2016).
Os autores Almeida et al. (2021), Domingos et al. (2021) e Leal et al. (2016), cujas obras foram utilizadas nessa revisão, apontam para os benefícios da cinesioterapia em diferentes casos clínicos, tendo um resultado positivo em todas as situações.
2.4 Técnicas descongestivas no tratamento do linfedema
2.4.1 Drenagem Linfática Manual
A drenagem linfática manual (DLM) foi criada pelo casal Vodder em 1936, e foi sendo adaptada posteriormente, por outros estudiosos. É definida por uma técnica de massagem com manobras lentas e suaves com duração de 30 a 45 minutos na superfície da pele seguindo os caminhos anatômicos linfático do corpo, estimulando a circulação, nutrindo tecidos, e eliminando toxinas (SOUZA; PILOTO; CIRQUEIRA, 2020; SOUZA et al., 2021).
O sentido do fluxo linfático superficial depende de pressões e forças externas como a contração muscular, e intensidade da manobra que está sendo realizada, pois os capilares linfáticos não são valvulados. A massagem tem o intuito de induzir o líquido intersticial até os gânglios linfáticos para que sejam eliminados pela urina, além de dissolver fibroses linfostáticas presentes em linfedemas (SOUZA; PILOTO; CIRQUEIRA, 2020; SOUZA et al., 2021).
2.4.2 Terapia Compressiva (uso de faixas e malhas)
A terapia compressiva consiste no uso de enfaixamento compressivo funcional (ECF), kinesiotape (K-TAPE), e contenção elástica. É definida por uma aplicação de pressão externa no membro, tendo como objetivo de diminuir a formação de edema e auxiliar na remoção de excesso de fluído linfático. A pressão gerada promove uma pressão diferenciada entre as extremidades, movendo o fluído retido no vaso linfático, diminuindo a pressão interna, e assim, facilitando a entrada do excesso de líquido contido no interstício para o vaso, através da diferença pressórica (CENDRON et al., 2015; SOUZA; PILOTO; CIRQUEIRA, 2020).
2.4.3 Exercícios descongestivos
Os exercícios descongestivos são exercícios terapêuticos, tendo como principal objetivo auxiliar na drenagem da linfa. Pilates, yoga e hidrocinesioterapia são algumas das modalidades benéficas para a circulação linfática, tendo apresentado resultados positivos no tratamento de linfedema, associados com técnicas combinadas, como a drenagem linfática e terapias compressivas (ZAMBORSKY et al., 2019).
2.5 Abordagens combinadas para reabilitação
Um estudo recente conduzido por Cho et al. (2023) investigou os efeitos de um programa de fisioterapia combinado com drenagem linfática manual em pacientes com câncer de mama que desenvolveram síndrome da teia axilar após dissecção axilar. Os autores observaram uma melhora significativa na função do ombro, qualidade de vida e redução da dor, além de uma diminuição na incidência de linfedema. A combinação dessas técnicas mostrou-se eficaz não apenas para a reabilitação funcional do ombro, mas também para o controle do linfedema, contribuindo para a melhoria geral do bem-estar das pacientes. Essa abordagem reforça a importância de intervenções fisioterapêuticas combinadas no tratamento de pacientes mastectomizadas
Um estudo recente de Majed et al. (2020) avaliou o impacto de exercícios terapêuticos na qualidade de vida e na amplitude de movimento do ombro em mulheres após mastectomia. Os resultados mostraram que a implementação de um programa de exercícios foi associada a melhorias significativas na função do ombro e na qualidade de vida das participantes. Essa pesquisa reforça a eficácia da cinesioterapia na reabilitação de pacientes mastectomizadas, sublinhando a importância de intervenções focadas na funcionalidade e bem-estar.
Maués et al. (2018) afirmam que “após a intervenção fisioterapêutica, houve melhora significativa em relação à qualidade de vida. De acordo com os dados apresentados no estudo, pode-se sugerir que a abordagem fisioterapêutica influencia positivamente na qualidade de vida de pacientes após o tratamento cirúrgico do câncer de mama”.
A intervenção precoce na reabilitação de pacientes com câncer de mama tem se mostrado essencial para melhorar a recuperação funcional e a qualidade de vida. Estudos recentes indicam que a implementação de programas de fisioterapia logo após a cirurgia pode reduzir significativamente as limitações funcionais e a incidência de linfedema. Por exemplo, um estudo de Cho et al. (2020) demonstra que a fisioterapia precoce contribui para a melhora da função do ombro e diminui a dor em mulheres após a mastectomia.
Adicionalmente, a pesquisa de Rao et al. (2019) ressalta que as intervenções iniciais não apenas melhoram os indicadores físicos, mas também têm um impacto positivo na qualidade de vida das pacientes, reduzindo a fadiga e aumentando a satisfação geral com a saúde. Sook et al. (2006) também enfatizam a importância da continuidade do tratamento, destacando que programas estruturados de reabilitação levam a melhores resultados a longo prazo, tanto em termos físicos quanto emocionais.
3. METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica realizado como parte de formação do Curso de graduação em Fisioterapia da Universidade Iguaçu, construído para identificar na literatura científica nacional e internacional o melhor método a ser utilizado na realidade em questão fisioterapia oncológica: pós-operatório em pacientes mastectomizadas.
A busca bibliográfica foi realizada entre o período de Agosto de 2024 a outubro de 2025, nas bases de dados do portal da Capes, da Biblioteca Virtual em Saúde (LILACS, SciELO) e Pubmed. Os idiomas utilizados para seleção dos periódicos foram inglês e português, abrangendo artigos com datas de publicação entre 2015 a 2025.
Para busca de periódicos foram utilizados os descritores (ou palavras chaves) na língua inglesa com os termos: physiotherapy, Mastectomy, lymphedema e para língua portuguesa: mastectomia, reabilitação pós operatório, fisioterapia.
Foram utilizados os operadores booleanos AND, OR, e NOT cruzando-se os descritores anteriormente relacionados nas bases de dados citadas (descrição da estratégia em inglês e português) mastectomia AND reabilitação pós operatório, physical therapy and mastectomy and lymphedema.
No estudo foram incluídos artigos originais de revisão bibliográfica, ensaio clínico, caso controle e série de casos que abordassem o tema.
Foram excluídos os artigos duplicados na base de dados, aqueles com apenas exposição de resumo sem possibilidade de recuperação total do arquivo, estudos experimentais com animais e estudos de ensaios clínicos com número de pacientes inferior a 20 pacientes.
4. RESULTADOS
Diante da revisão bibliográfica realizada com materiais publicados entre o período de 2015 a 2025, por meio das bases de dados Portal Capes, Biblioteca Virtual em Saúde (LILACS, SciELO) e PubMed, foi possível identificar uma quantidade significativa de estudos disponíveis na literatura que abordam a temática em questão, indicando seus benefícios e limitações das abordagens analisadas, permitindo uma visão crítica e comparativa entre diferentes metodologias e intervenções.
Figura 4– Bases de dados e estudos selecionados

Fonte: Os autores.
Após avaliação dos artigos e levantamento bibliográfico, realizando uma leitura analítica apresentam-se como resultados 12 artigos que abordam cinesioterapia e técnicas descongestivas na reabilitação do ombro e controle do linfedema em mulheres mastectomizadas. O resultado apresentado refere-se a estudos de diferentes abordagens científicas (Quadro 1).
Quadro 1 – Artigos selecionados para análise
| Autor/ Ano | Título | Revista / Qualis / Fator de Impacto | Desenho de estudo | Metodologia | Resultados | |
| 1 | Rett et al. (2016) | A fisioterapia após cirurgia de câncer de mama melhora a amplitude de movimento e a dor ao longo do tempo | Fisioterapia em Movimento/ B2/ 0.3 | Estudo clínico autocontrolado | 49 mulheres submetidas à cirurgia, avaliadas após 1, 10 e 20 atendimentos de fisioterapia. Mensuração de arco de movimento e algia (escala EVA). | Melhora significativa na amplitude de movimento e redução do quadro álgico com o avanço dos atendimentos fisioterapêutico |
| 2 | Domingos et al. (2021) | Cinesioterapia para melhora da qualidade de vida após cirurgia para câncer de mama. | Fisioterapia Brasil/ B1 / 3.2 | Ensaio clínico não randomizado | 35 mulheres submetidas à cirurgia para câncer de mama, e após a mesma, realizou 10 atendimentos fisioterapêutico focado em cinesioterapia | A cinesioterapia demonstrou ser eficaz na melhoria de diversos aspectos da qualidade de vida de mulheres após cirurgia para câncer de mama. Os resultados sugerem que a intervenção pode contribuir positivamente para a recuperação física dessas pacientes |
| 3 | Bitencou rt et al. (2021) | Atuação da fisioterapia no linfedema neoplásico em paciente com câncer de mama metastático: relato de caso | Revista Brasileira de Cancerologia/ B2/ 0.256 | Estudo de caso | Descreve a evolução clínica de uma paciente com linfedema de membro superior. O tratamento fisioterapêutico foi conduzido com o objetivo de controlar a descompensaçã o linfática | A terapia complexa descongestiva demonstrou eficácia, tendo como resultado uma redução de 1.045,58ml no volume do membro |
| 4 | Melam et al. (2016) | Effect of complete decon-gestive therapy and home program on health-related quality of life in post mastectomy lymphedema patients. | BMC Women´s Health/ A3/ 1.684 | Ensaio clínico randomizado, controlado, longitudinal, com delineado fatorial misto | 60 mulheres com idades entre 50 e 70 anos, pós-mastectomia unilateral. Foi realizado drenagem linfática manual, mobilização glenoumeral, exercícios terapêuticos, uso de bandagens compressivas, e um programa domiciliar diário de hora, 5x/semana | A combinação de terapia complexa descongestiva com um programa domiciliar foi eficaz na redução de quadro álgico e no aumento da qualidade de vida relacionada à saúde em pacientes com linfedema pós- mastectomia |
| 5 | Lucena et al. (2023) | Conhecimento de Fisioterapeuta s não Especializados em Oncologia Mamária sobre Exercícios e Orientações no Pós-operatório do Câncer de Mama | Revista Brasileira de Cancerologia/ B2/ 0.256 | Estudo observacional, descritivo, transversal, de abordagem quantitativa | Estudo com dados coletados por questionário autopreenchido, sobre a atuação do fisioterapeuta em pacientes no período pós-operatório de câncer de mama. | Participaram do estudo 44 profissionais, 50,0% dos quais já haviam atendido pacientes em pós-operatório de câncer de mama, 47,7% acreditam que pacientes devem realizar mobilização ativa de membros superiores em até 90º de amplitude, não ultrapassando a linha do ombro em cirurgias sem reconstrução imediata, e 25% orientaram restrição a qualquer tipo de carga e/ou exercícios resistidos até liberação médica |
| 6 | Pirincci et al. (2024) | Comparing complex decongestive therapy in patients with lymphedema of different causes by measuring: extremity volume, quality of life, and functionality | Revista Médica del Instituto Mexicano del Seguro Social / B5 / 3.68 | Estudo clínico comparativo, prospectivo, sem grupo controle, com avaliação pré e pós-intervenção | Estudo incluiu 90 pacientes, dos quais 28 apresentavam linfedema primário, 30 apresentavam linfedema secundário, 18 apresentavam flebolinfedema e 14 apresentavam lipolinfedema. Um total de 137 extremidades foram tratadas com TCD. Os pacientes que receberam TCD 5 dias por semana durante 3 semanas (15 sessões no total) foram incluídos na amostra | As mudanças na qualidade de vida antes e depois do tratamento diferiram significativamente nos grupos com linfedema primário, flebolinfedema e lipolinfedema (p < 0,05). Os escores LEFS pós-tratamento indicaram uma diminuição significativa nos grupos com flebolinfedema e lipolinfedema em comparação com os escores pré tratamento. |
| 7 | Pirincci et al. (2024) | A comparative evaluation of the efficacy of complete decongestive therapy in the treatment of unilateral breast cancer– related lymphedema with and with-out metabolic syndrome | Supportive Care in Cancer/ A2/ 3.2 | Ensaio clínico comparativo prospectivo | 40 pacientes do sexo feminino com BCRL unilateral, das quais 20 apresentavam SM e 20 não apresentavam SM, foram incluídas no estudo. As participantes receberam TCD 5 dias por semana, durante 3 semanas. O volume dos membros das participantes (PEV) e (PREV) foi determinado com uma fita métrica, e sua qualidade de vida foi avaliada com o questionário de Qualidade de Vida em Linfedema (LYMQoL) antes e após o tratamento | Houve um aumento maior nos valores de PEV e PREV pós-tratamento do grupo controle em comparação ao grupo SM. |
| 8 | Gadvay; Espinosa ; Carrión (2021) | Prevención del linfedema pos quirúrgico em cáncer de mama mediante rehabilitación fisioterapéutic a: estudio comparativo entre drenaje linfático manual y kinesiotape. | Revista Eugenio Espejo / B4 / 1.98 | Estudo quantitativo, observacional e descritivo | 142 pacientes do sexo feminino, diagnosticadas com câncer de mama, atendidas na Unidade Oncológica Solca-Chimborazo, no Equador, entre 2014 e 2019. 65 pacientes submetidas a cirurgia, 59 receberam tratamento com drenagem linfática manual (DLM). Foi realizada uma análise descritiva dos dados coletados para avaliar a incidência de linfedema pós cirúrgico e a eficácia das intervenções fisioterapêutica s aplicadas | Apenas 5 das 142 pacientes desenvolveram linfedema pós cirúrgico. Observou-se que a aplicação de drenagem linfática manual no pós-operatório reduziu a possibilidade de aparecimento de linfedema a longo prazo. |
| 9 | Gaverna et al. (2020) | Análise Biofotométrica de Movimentos de Ombro e Cotovelo Relacionados com o Ganho Funcional e Tipos Cirúrgicos em Mulheres submetidas à Cirurgia Oncológica Mamária | Revista Brasileira de Cancerologia/ B2/ 0.256 | Estudo observacional analítico longitudinal, com avaliação pré e pós-intervenção. | Pesquisa com 30 mulheres mastectomizad as, avaliadas por biofotometria dos membros superiores, questionário DASH e ficha de anamnese, antes e após quatro meses de intervenção fisioterapêutica. | Melhora na ADM e na funcionalidade (DASH ↓ de 38,1 para 32,15) após 4 meses de fisioterapia. |
| 10 | Moreira et al. (2021) | Desempenho funcional do membro superior após cirurgia para câncer de mama de mulheres no menacme | Fisioterapia Brasil/ B2/ 3.2 | Ensaio clínico não-controlado. | Estudo com mulheres submetidas à cirurgia para câncer de mama com linfonodectomia axilar. Foram avaliadas amplitude de movimento (ADM), dor (EVA) e desempenho funcional (DASH). | Melhora significativa da ADM, redução da dor (EVA) e dos escores do DASH após 10 sessões de fisioterapia. |
| 11 | Yang et al. (2017) | Prevalence and risk fac-tors of adhe-sive capsulitis of the shoulder after breast cancer treatment | Supportive Care in Cancer/ A2/ 3.4 | Estudo observacional transversal. | Foram avaliadas 271 mulheres, de 13 a 18 meses após cirurgia de câncer de mama, para identificar capsulite adesiva atual ou passada. Usou-se regressão logística para analisar fatores de risco associados | Entre as 271 pacientes, 10,3% apresentaram capsulite adesiva cumulativa e 7,7% capsulite atual. Maior risco foi observado em mulheres de 50 a 59 anos e naquelas submetidas à mastectomia, com ou sem reconstrução, apresentando oddsratios significativamente elevados. |
| 12 | Teodózio et al. (2020) | Shoulder amplitude move-ment does not influence postoperative wound complications after breast cancer sur-gery: a ran-domized clinical trial | Breast Cancer Research and Treatment/A1/3.4 | Ensaio clínico randomizado. | Ensaio clínico randomizado com 465 mulheres (18 a 79 anos) após cirurgia curativa de câncer de mama. As participantes fizeram exercícios de movimento livre (FAM) ou movimento restrito (RAM) no ombro até o 30º dia pós-operatório. Os desfechos avaliados foram complicações como seroma, deiscência, necrose, infecção, hematoma e equimose | 63,8% das 461 mulheres tiveram complicações na ferida cirúrgica, principalmente necrose e seroma. Não houve diferença significativa entre os grupos de exercícios de amplitude livre e restrita. |
Fonte: Os autores.
O câncer de mama e os tratamentos cirúrgicos subsequentes resultam em complicações que afetam a função e a qualidade de vida das mulheres. A reabilitação física, especialmente por meio da fisioterapia, tem se mostrado uma intervenção essencial no pós-operatório de mastectomias, auxiliando na recuperação funcional e na melhoria da qualidade de vida das pacientes. Diversos estudos recentes destacam a eficácia de abordagens como a cinesioterapia e a Terapia Complexa Descongestiva (TCD) para lidar com as sequelas do tratamento cirúrgico do câncer de mama.
Estudos de Galaverna et al. (2020), Teodózio et al. (2020) e Moreira et al. (2021) demonstram que as cirurgias mamárias comprometem significativamente os movimentos de flexão e abdução do ombro, afetando a funcionalidade do membro superior homolateral e dificultando a realização de atividades de vida diária. A fisioterapia tem papel essencial na restauração dessa funcionalidade, melhorando o desempenho motor e a qualidade de vida dessas pacientes.
Quanto à funcionalidade pós-cirúrgica, Lucena et al. (2023) relatam que a idade, índice de massa corporal, membro afetado, terapia oncológica associada e o tempo pós-operatório são fatores que influenciam na funcionalidade da paciente. Contudo, exercícios de amplitude livre em membros superiores realizados de maneira precoce são benéficos e seguros para a melhora da funcionalidade e qualidade de vida das pacientes submetidas ao tratamento cirúrgico de câncer de mama.
Teodózio et al. (2020) demonstraram um estudo clínico com 46 mulheres onde nota-se que exercícios com amplitude livre realizados desde o primeiro dia de pós-operatório não aumentaram a incidência de complicações como seroma, necrose ou deiscência, e sim que a restrição completa dos movimentos do membro superior favorece para uma limitação funcional, dor crônica e linfedema. Dessa forma, a mobilização precoce e segura, supervisionada por fisioterapeutas, é essencial para a reabilitação e eficaz dessas pacientes.
Domingos et al. (2021) e seus colaboradores reforçam a eficácia da cinesioterapia por meio de um protocolo com 10 atendimentos, resultando em melhora significativa nos domínios de função física, desempenho funcional, dor, fadiga e insônia. Também houve melhora dos sintomas específicos do braço e da mama, destacando os efeitos positivos da cinesioterapia não apenas na recuperação funcional, mas também na qualidade de vida geral das pacientes.
No estudo de Rett et al. (2016) demonstrou melhora significativa na amplitude de movimento (ADM) e redução da dor no membro superior homolateral à cirurgia após 20 atendimentos de fisioterapia. A melhora foi observada principalmente nos movimentos de flexão, rotação externa e, parcialmente, na abdução, com redução dos escores de dor (EVA, PRI e NWC) ao longo dos atendimentos.
Já no estudo de Galaverna et al. (2020) observaram mulheres submetidas à fisioterapia durante quatro meses, no qual houve melhora significativa da flexão e abdução do ombro, com ganhos funcionais medidos por biofotometria e redução nos escores de incapacidade funcional (DASH), independentemente do tipo de cirurgia realizada
Moreira et al. (2021) demonstraram que embora não haja um consenso sobre o número ideal de atendimentos, evidências mostram que mesmo programas curtos, com cerca de 10 sessões, podem gerar melhora significativa na dor, amplitude de movimento e funcionalidade. Isso corrobora a ideia de que a intervenção fisioterapêutica precoce pode prevenir complicações físicas e melhorar a funcionalidade e qualidade de vida dessas mulheres.
Pirincci et al. (2024) dizem que a Terapia Complexa Descongestiva compreende cuidados com a pele, exercícios, compressão e drenagem linfática manual. É dividida em duas fases, sendo a primeira a fase de descongestão envolvendo drenagem linfática manual e bandagens compressivas, e a segunda fase, de manutenção, visando melhorar e preservar os resultados alcançados na primeira fase
Sabendo que a Terapia Complexa Descongestiva é um conjunto de ações para o tratamento de linfedema, a drenagem linfática manual tem como objetivo reduzir a probabilidade do desenvolvimento do linfedema a longo prazo. A drenagem facilita a eliminação de fluídos, diminuindo o risco de dor, infecção e linfedema. Gadvy et al. (2021) destacam que a drenagem linfática manual auxilia na melhora da qualidade de vida, reduz os sintomas pós-operatórios indesejáveis, reduz o nível de linfedema e melhora a força de flexão de ombro, afirmando que a drenagem linfática manual é positiva em seus resultados na redução da dor, parestesias e edema, melhorando também a amplitude de movimento.
Pirincci et al. (2024) abordam que a Terapia Complexa Descongestiva reduz o volume do linfedema, e não apenas o edema, mas também gera um impacto positivo na redução dos hematomas da região causados pelo aumento da resistência e fragilidade capilar. Nos linfedemas secundários, devido ao câncer, a TCD é capaz de melhorar a qualidade de vida e a aparência, uma vez que se tem diminuição do edema.
Yang et al. (2017) demonstraram que “a Terapia Complexa Descongestiva, mesmo em fases iniciais, foi eficaz na redução de volume do linfedema e na melhora da qualidade de vida de mulheres pós-mastectomia”, enfatizando a drenagem linfática manual como uma das estratégias centrais para esse resultado.
Além dos efeitos sobre o linfedema, o estudo de Moreira et al. (2021) mostra que a TCD tem demonstrado impactos positivos sobre a autoimagem e a autoestima da mulher, que também são elementos essenciais na reabilitação oncológica.
Por outro lado, Bitencourt et al. (2021) chamam a atenção para casos mais complexos, como o linfedema neoplásico, comum em pacientes em estágio avançado da doença. Apesar das limitações funcionais severas, a Terapia Complexa Descongestiva (TCD) adaptada, mesmo sem drenagem linfática manual, apresentou resultados expressivos na redução do volume do membro afetado, com perda de mais de 1 litro entre o início e o fim da primeira fase do tratamento. Esses achados reforçam que, mesmo em situações paliativas, a atuação fisioterapêutica é capaz de promover benefícios significativos para o conforto e qualidade de vida da paciente.
Pirincci et al. (2024) em seu estudo, ao submeter 40 mulheres a um total de 15 atendimentos (5 dias por semana durante 3 semanas) de terapia complexa descongestiva, separando em um grupo com síndrome metabólica e outro sem, observou que a TCD melhora os valores de excesso de volume no membro afetado pelo linfedema e a qualidade de vida em ambos os grupos.
Complementando essa abordagem, Melam et al. (2016) demonstraram que a TCD associada a um programa domiciliar de exercícios produziu resultados superiores aos da terapia convencional na melhora da qualidade de vida e na redução da dor em pacientes com linfedema pós-mastectomia. O grupo tratado com TCD apresentou maior evolução nos escores funcionais e menor intensidade de sintomas. Os autores destacam ainda que a adesão ao autocuidado e aos exercícios domiciliares foi fundamental para manter os efeitos terapêuticos ao longo do tempo.
5. CONCLUSÃO
Diante dos dados apresentados evidenciou-se a relevância da intervenção fisioterapêutica no processo de reabilitação de mulheres mastectomizadas, sendo de fundamental importância na melhora funcional e da qualidade de vida dessas mulheres. Os estudos analisados demonstraram que a intervenção fisioterapêutica, quando aplicada de forma precoce, adequada e contínua tem potencial para minimizar as complicações pós-operatórias de forma significativa, promovendo melhora na funcionalidade e bem-estar.
Quanto à eficácia das técnicas fisioterapêuticas na melhoria da amplitude de movimento e força muscular do membro superior, o estudo apresenta resultados positivos e consistentes. No que tange à cinesioterapia na reabilitação do membro superior, demonstra-se indispensável na retomada das atividades de vida diária e na prevenção de disfunções musculoesqueléticas.
Quando trata-se da redução do linfedema, a fisioterapia também possui papel importante no controle e na diminuição desse caso. As técnicas descongestivas, como a drenagem linfática manual, o enfaixamento compressivo e os exercícios específicos, contribuíram diretamente para a redução do volume do linfedema e para o alívio dos sintomas associados.
Além disso, evidencia-se que a fisioterapia desempenha um impacto significativo na prevenção de complicações secundárias, como capsulite adesiva e fibrose do tecido conjuntivo. As técnicas utilizadas para manutenção da mobilidade, prevenção de aderências e estímulo à função muscular é eficaz na redução da aparição dessas complicações, cooperando para um processo de reabilitação mais seguro, eficiente e com melhores prognósticos.
Assim, reforça-se a necessidade de uma atuação fisioterapêutica multidimensional e individualizada, que integre os aspectos físicos e psicossociais das pacientes. Dessa forma, a fisioterapia evidencia-se indispensável na reabilitação oncológica, restaurando a funcionalidade, minimizando complicações e melhorando a qualidade de vida dessas mulheres.
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1Discente do Curso Superior de Fisioterapia da Universidade Iguaçu, Campus Nova Iguaçu. E-mail: layzagabbi@gmail.com | batistasarah.m@gmail.com | suianeassis@gmail.com
2Docente do curso superior de Fisioterapia da universidade Iguaçu- UNIG, campus Nova Iguaçu. Especialista em Terapia Intensiva. E-mail: arthur.rodriguesneto@hotmail.com
