PRIMARY HEALTH CARE IN CARDIOVASCULAR DISEASES: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510101529
Aline dos Santos Soares1
Ms Ronaldo Nunes Lima2
Resumo
As doenças cardiovasculares (DCV) representam a principal causa de mortalidade no Brasil, demandando estratégias preventivas eficazes na Atenção Primária à Saúde (APS), cenário que ainda subutiliza o potencial da equipe multiprofissional. O objetivo é analisar, por meio de uma revisão de literatura, a atuação da Atenção Primária à Saúde na prevenção das doenças cardiovasculares no Brasil, considerando suas estratégias, desafios e o papel da equipe multiprofissional, com ênfase na atuação do fisioterapeuta. Trata-se de uma revisão de literatura com buscas sistemáticas realizadas nas bases de dados Web of Science, BVS, PEDro, PubMed e Google Acadêmico, com artigos publicados entre 2020 e 2025, utilizando os descritores “doenças cardiovasculares”, “atenção primária à saúde” e “fisioterapia”. A literatura evidencia que, embora programas como a ESF e o HiperDia sejam fundamentais, persistem lacunas no controle clínico dos fatores de risco. A atuação do fisioterapeuta na prescrição de exercícios, na educação em saúde e na reabilitação cardiovascular na APS emerge como uma intervenção de alto impacto, porém pouco integrada à prática. A efetiva prevenção das DCV na APS depende da superação do modelo focado no manejo farmacológico e da plena integração do fisioterapeuta, cuja atuação é essencial para o controle dos fatores de risco comportamentais e para a consolidação de um cuidado integral.
Palavras-Chave: doenças cardiovasculares; atenção primária à saúde; fisioterapia; prevenção de doenças.
Abstract
Cardiovascular diseases (CVDs) represent the leading cause of mortality in Brazil, demanding effective preventive strategies in Primary Health Care (PHC), a setting that still underutilizes the potential of the multidisciplinary team. The objective is to analyze, through a literature review, the role of Primary Health Care in the prevention of cardiovascular diseases in Brazil, considering its strategies, challenges, and the role of the multidisciplinary team, with an emphasis on the physical therapist’s contribution. Materials and Methods: This is a literature review with systematic searches conducted in the Web of Science, VHL, PEDro, PubMed, and Google Scholar databases, with articles published between 2020 and 2025, using the descriptors “cardiovascular diseases,” “primary health care,” and “physical therapy.” The literature shows that although programs such as the FHS and HiperDia are fundamental, gaps persist in the clinical control of risk factors. The role of the physical therapist in exercise prescription, health education, and cardiovascular rehabilitation in PHC emerges as a high-impact intervention, yet it is poorly integrated into practice. The effective prevention of CVDs in PHC depends on overcoming the model focused on pharmacological management and on the full integration of the physical therapist, whose role is essential for controlling behavioral risk factors and for the consolidation of comprehensive care.
Keywords: cardiovascular diseases; primary health care; physical therapy; disease prevention.
1 Introdução
As doenças cardiovasculares (DCV) configuram-se como o principal desafio de saúde pública no cenário global e nacional, sendo a principal causa de mortalidade no Brasil. Conforme aponta o Ministério da Saúde, as estatísticas demonstram a magnitude do problema: em 2019, as DCV foram responsáveis por 27% de todas as mortes no país, ceifando mais de 360 mil vidas e por cerca de 400 mil mortes no Brasil em 2022, o que representa uma média alarmante de 1.100 óbitos por dia, reforçando a urgência do tema. Globalmente, a prevalência de fatores de risco primordiais, como a hipertensão arterial, dobrou nas últimas três décadas, atingindo mais de 1,2 bilhão de pessoas, o que sinaliza uma crescente e contínua ameaça à saúde populacional.
A mais recente atualização da “Estatística Cardiovascular – Brasil”, publicada em 2024, corrobora a magnitude do problema, detalhando a alta prevalência de fatores de risco na população, como a hipertensão arterial, o diabetes e o sedentarismo, que sustentam essa elevada taxa de mortalidade (OLIVEIRA et al., 2024).
O impacto dessas enfermidades crônicas não transmissíveis transcende os indicadores de mortalidade, impondo uma pesada carga de morbidade, com sequelas que frequentemente resultam em incapacidade funcional, redução da qualidade de vida e custos substanciais para o sistema de saúde. Diante de projeções que indicam um envelhecimento da população brasileira e, consequentemente, um aumento na prevalência de doenças crônicas nas próximas décadas, a implementação de estratégias preventivas eficazes torna-se uma medida de caráter urgente e inadiável.
Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) é reconhecida como o eixo estratégico prioritário para o enfrentamento das DCV. Sendo a porta de entrada preferencial e a ordenadora do cuidado no Sistema Único de Saúde (SUS), a APS possui a capilaridade necessária para atuar diretamente na promoção da saúde, na prevenção de agravos e no controle dos fatores de risco cardiovascular na comunidade. Ações como a estratificação do risco cardiovascular, a educação em saúde e o acompanhamento longitudinal dos usuários são ferramentas essenciais que, quando bem aplicadas, demonstram potencial para modificar o curso natural dessas doenças e reduzir seu impacto devastador.
Apesar da robusta estrutura de políticas e programas voltados à prevenção, a persistência de elevados índices de morbimortalidade por DCV revela que a operacionalização do cuidado na APS ainda enfrenta desafios significativos. A abordagem, muitas vezes centrada em um modelo biomédico focado na consulta médica e na prescrição de medicamentos, demonstra-se insuficiente para modificar fatores de risco comportamentais complexos, como o sedentarismo. Este cenário aponta para um problema central: a subutilização do potencial da equipe multiprofissional para uma abordagem integral e efetiva da prevenção cardiovascular.
A literatura é clara ao preconizar a atuação multiprofissional como um pilar para a qualidade na APS. No entanto, observa-se uma lacuna evidente no que tange à integração do fisioterapeuta nas ações de prevenção primária. Historicamente, a fisioterapia cardiovascular é mais reconhecida em sua fase de reabilitação, ou seja, na prevenção terciária, atuando após a ocorrência de um evento agudo. Contudo, as competências deste profissional em cinesioterapia, fisiologia do exercício e educação em saúde são ferramentas potentes para a prevenção primária, atuando diretamente no controle de fatores de risco como hipertensão, diabetes e obesidade.
A justificativa para o presente estudo emerge, portanto, da necessidade de sistematizar o conhecimento científico sobre o papel do fisioterapeuta como agente de promoção da saúde cardiovascular no âmbito da APS. Compreender e evidenciar como suas intervenções podem fortalecer as estratégias já existentes é fundamental para subsidiar a gestão, qualificar as práticas das equipes e, em última análise, otimizar a resposta do SUS ao principal problema de saúde do país.
Diante do exposto, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de uma revisão de literatura, a atuação da Atenção Primária à Saúde na prevenção das doenças cardiovasculares no Brasil, considerando suas estratégias, desafios e o papel da equipe multiprofissional, com ênfase na atuação do fisioterapeuta.
2 Materiais e Métodos
O presente estudo caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, desenvolvida por meio de uma revisão de literatura. Esta abordagem metodológica foi selecionada por permitir a síntese e a análise crítica do conhecimento científico disponível sobre a atuação da Atenção Primária à Saúde (APS) na prevenção das doenças cardiovasculares (DCV), com foco na inserção do profissional fisioterapeuta.
Para a coleta de dados, foi realizada uma busca sistemática nas seguintes bases de dados eletrônicas: Web of Science, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Physiotherapy Evidence Database (PEDro), PubMed e Google Acadêmico. A estratégia de busca foi construída com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), utilizando-se as seguintes palavras-chave em português e seus correspondentes em inglês e espanhol: “doenças cardiovasculares” (cardiovascular diseases), “atenção primária à saúde” (primary health care) e “prevenção de doenças” (disease prevention). Os termos foram combinados com o uso dos operadores booleanos AND e OR para refinar e ampliar o alcance dos resultados.
Foram estabelecidos os seguintes critérios de elegibilidade para a seleção dos estudos: artigos científicos e diretrizes publicados no período entre janeiro de 2020 e setembro de 2025; nos idiomas português, inglês ou espanhol; e com texto completo disponível para análise. Foram excluídos da revisão: artigos duplicados, editoriais, cartas ao leitor, estudos que não estavam disponíveis em texto completo, para concentrar pesquisas originais monografias, dissertações, teses e estudos que, após a leitura do resumo, não respondiam diretamente à questão de pesquisa.
A busca inicial resultou em 842 artigos, o processo de seleção dos artigos foi conduzido em duas etapas. Primeiramente, após a remoção de 210 duplicatas, 632 artigos foram selecionados para a triagem por título e resumo, desta etapa, 578 foram excluídos por não atenderem ao escopo da pesquisa. Em seguida, 54 artigos restantes foram lidos na íntegra, dos quais 26 foram excluídos por não responderem diretamente à questão de pesquisa, resultando em um total de 28 estudos incluídos na síntese final.
As informações extraídas dos artigos incluídos na revisão final foram organizadas em fichas documentais, contendo dados como: autor(es), ano de publicação, objetivo do estudo, metodologia e principais resultados e conclusões. Essa abordagem permitiu construir um panorama detalhado e baseado em evidências.
3 Referencial teórico
3.1 Epidemiologia e Impacto das Doenças Cardiovasculares (DCV) no Brasil
A análise da literatura epidemiológica recente evidencia que as doenças cardiovasculares (DCV) se mantêm como o mais expressivo desafio para a saúde pública brasileira, sendo a principal causa de morte no país. O impacto se estende para além da mortalidade, uma vez que as DCV também lideram as causas de incapacidade, gerando perda de anos de vida produtiva e uma significativa redução na qualidade de vida dos indivíduos acometidos.
Tabela 1: Perfil Epidemiológico das Principais Doenças Cardiovasculares no Brasil (Dados de 2017)
| Categoria da Doença | Prevalência (Padronizada por Idade, por 100 mil) | Incidência (Padronizada por Idade, por 100 mil) | Óbitos Absolutos (2017) | Taxa de Mortalidade (Padronizada por Idade, por 100 mil) | DALYs (Padronizados por Idade, por 100 mil) | Indicador de Iniquidade (Maior e Menor Taxa de Mortalidade Estadual) |
| DCV Total | 6.036 (Redução de 4,2% desde 1990) | 687,5 | 388.268 (27,3% do total de óbitos) | 185,2 (Redução de 47,9% desde 1990) | 3.735 | Maior: Rio de Janeiro/ Menor: Santa Catarina |
| Doença Arterial Coronariana (DAC) | 1.750 | 84,0 | 175.791 (13% do total de óbitos) | 60,1 | 1.401 | Principal causa de morte em todas as UFs |
| Acidente Vascular Cerebral (AVC) | 1.250 (Redução de 44,2% desde 1990) | Não especificado | 109.491 | 52,6 (Redução de 54% desde 1990) | 1.150 | Variações regionais significativas na mortalidade |
Fonte: Elaborado com base nos dados do relatório “Estatística Cardiovascular – Brasil 2020”.
O panorama brasileiro está inserido em um contexto global de transição epidemiológica, no qual as doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) ganham cada vez mais proeminência. Um dos principais fatores de risco para as DCV, a hipertensão arterial sistêmica (HAS), ilustra essa tendência. Conforme aponta a análise do NCD Risk Factor Collaboration (2021), o número de adultos com hipertensão dobrou globalmente entre 1990 e 2019, alcançando 1,28 bilhão de pessoas. Corroborando a magnitude do problema em âmbito nacional, um estudo de base populacional que estimou o risco cardiovascular em dez anos para a população brasileira sinaliza que uma parcela substancial de adultos se encontra nas categorias de risco moderado a alto, o que os torna vulneráveis a eventos cardiovasculares agudos, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC) (LOTUFO et al., 2021).
A projeção de cenários futuros, elaborada por Barbosa e Ramalho (2021) para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), adverte para uma intensificação desse quadro. Segundo os autores, o processo de envelhecimento populacional no Brasil tende a aumentar a prevalência de DCNT, o que implicará uma maior demanda por serviços de saúde e um crescimento dos custos associados. Nesse mesmo sentido, a análise da “Estatística Cardiovascular – Brasil 2024” aponta que o impacto econômico das DCV já é expressivo, envolvendo despesas diretas com hospitalizações e tratamentos de alta complexidade, e custos indiretos relacionados ao absenteísmo e à concessão de aposentadorias por invalidez, reforçando a necessidade de políticas preventivas mais eficazes e custo-efetivas (OLIVEIRA et al., 2024).
Tabela 2: Perfil Epidemiológico das Principais Doenças Cardiovasculares no Brasil (Dados Pós-2020)
| Categoria da Doença | Mortalidade Absoluta (2021) | Taxa de Mortalidade (Padronizada por Idade, por 100 mil, 2021) | Prevalência (Padronizada por Idade, 2021) | Impacto da Pandemia (Tendência 2020-2022) |
| DCV Total | 382.507 (21% do total de óbitos) | 162,2 (Redução de 53,5% desde 1990) | 6,9% | Aumento do excesso de mortalidade, atingindo 16-23% em 2022 para diferentes subgrupos. |
| Doença Arterial Coronariana (DAC) | Segunda causa de morte em homens (2021) | 67,1 | Não especificado | Redução nas hospitalizações (-13,6% para síndromes agudas), mas aumento da mortalidade hospitalar. |
| Acidente Vascular Cerebral (AVC) | Segunda causa de morte em mulheres (2021) | 31,7 (isquêmico) | Não especificado | Desaceleração na tendência de queda da mortalidade. |
Fonte: Elaborado com base nos dados do relatório “Estatística Cardiovascular – Brasil 2023”
A literatura é unânime em identificar um conjunto de fatores de risco modificáveis como os principais alvos para as ações de prevenção primária na APS. A abordagem desses fatores é crucial, pois seu controle pode reduzir drasticamente a incidência de eventos cardiovasculares. Os principais fatores de risco detalhados na literatura recente incluem:
- Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS): Considerada um dos mais importantes preditores de risco, sendo o principal fator para AVC e um dos mais relevantes para a doença isquêmica do coração.
- Diabetes Mellitus (DM): Potencializa o risco cardiovascular ao acelerar o processo de aterosclerose e frequentemente estar associado a outros fatores de risco, como dislipidemia e obesidade.
- Dislipidemias: As alterações nos níveis de colesterol (LDL e HDL) e triglicerídeos são fundamentais na fisiopatologia da aterosclerose, a base da maioria das DCV.
- Tabagismo: Um fator de risco independente que causa disfunção endotelial e contribui significativamente para o desenvolvimento de eventos trombóticos.
- Obesidade: Particularmente a obesidade central (acúmulo de gordura abdominal), está fortemente associada a um estado inflamatório crônico e ao desenvolvimento de resistência à insulina, HAS e dislipidemia.
- Sedentarismo: A inatividade física regular é um dos fatores de risco comportamentais mais prevalentes e está diretamente ligada ao surgimento e agravamento de outras condições crônicas.
Diante dos achados, fica evidente que o controle eficaz desses fatores de risco por meio de mudanças no estilo de vida e, quando necessário, terapia medicamentosa, é a estratégia mais eficiente para reduzir a morbimortalidade por doenças cardiovasculares na população brasileira. A gestão integrada desses fatores na Atenção Primária, por meio da estratificação de risco e da implementação de planos terapêuticos individualizados, constitui a estratégia mais robusta para mitigar o avanço das DCV no Brasil.
3.2 A Atenção Primária à Saúde como Cenário de Prevenção
A Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil é o alicerce para a organização do cuidado, sendo o espaço privilegiado para a implementação de ações de prevenção e controle das Doenças Cardiovasculares (DCV). A Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV), lançada pelo Ministério da Saúde, reforça a APS como o ponto central para a detecção precoce de fatores de risco e o manejo integral dos usuários, visando reduzir a morbimortalidade e fortalecer a linha de cuidado cardiovascular no SUS. Para operacionalizar essa estratégia, o sistema se apoia em programas e modelos de atenção consolidados, que atuam de forma articulada para garantir a capilaridade e a efetividade das ações.
3.2.1 O Papel da Estratégia Saúde da Família (ESF)
A Estratégia Saúde da Família (ESF) representa a principal via de reorganização da APS no Brasil. Conforme preconiza o Ministério da Saúde, seu desenho conceitual promove uma mudança de paradigma, de um modelo reativo e centrado na queixa para um modelo proativo, com foco na comunidade, na vigilância em saúde e no cuidado longitudinal. Como porta de entrada preferencial do SUS, a ESF é o locus ideal para a implementação de ações de prevenção e controle das DCV, incluindo a busca ativa por pacientes faltosos e a estratificação de risco cardiovascular da população adscrita (SOUZA, 2021).
A evidência científica corrobora o impacto positivo da ESF. Conforme demonstram Pellizzaro, Loch e Gonzalez (2022), a expansão da cobertura da ESF está associada a uma redução significativa nas taxas de hospitalização e mortalidade por condições sensíveis à atenção primária, como a hipertensão e suas complicações cerebrovasculares e cardíacas. A proximidade das equipes com as famílias e o conhecimento do território permitem uma abordagem mais contextualizada dos fatores de risco, que vai além da prescrição de medicamentos e engloba orientações sobre estilo de vida (GOMES et al., 2016). No entanto, conforme apontam Milani et al. (2023), a ESF enfrenta desafios para efetivar um cuidado verdadeiramente integral, pois a sobrecarga de trabalho e a grande demanda por atendimento a condições agudas podem levar a uma fragmentação das ações de promoção da saúde.
3.2.2 Intervenções Focadas: O Programa HiperDia
Para dar sistematicidade ao cuidado de portadores das duas principais condições de risco para DCV, o Ministério da Saúde instituiu o Programa de Cadastramento e Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos (HiperDia). Conforme as diretrizes das linhas de cuidado, este programa funciona como uma ferramenta estratégica para o registro, o monitoramento e o acompanhamento sistemático de indivíduos com hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabetes mellitus (DM). Seu objetivo é garantir a regularidade das consultas, a adesão ao tratamento farmacológico e a prevenção de complicações agudas e crônicas, sendo uma base para a organização do cuidado em grupo (GOMES, 2021).
Uma função central do HiperDia é servir como plataforma para a estratificação do risco cardiovascular. Utilizando ferramentas como o Escore de Risco de Framingham, as equipes de saúde podem classificar os usuários em categorias de risco (baixo, moderado e alto), permitindo que o cuidado seja intensificado e direcionado para aqueles com maior probabilidade de desenvolver eventos cardiovasculares (SILVA et al., 2022). Esta estratificação deve orientar não apenas as decisões clínicas, como a meta pressórica, mas também as intervenções educativas e de estilo de vida (SOUZA, 2021). Na prática, embora o HiperDia forneça uma estrutura crucial, diversos projetos de intervenção na APS partem da constatação de que persistem desafios para alcançar as metas de controle para uma grande parcela dos pacientes, indicando que o acompanhamento, em muitos locais, ainda é insuficiente (SOUZA, 2020; GOMES, 2021).
3.2.3 A Abordagem Multiprofissional: O Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB)
Reconhecendo a complexidade dos determinantes da saúde, foi criado o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), hoje denominado Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB). Conforme aponta a literatura, o Nasf-AB foi concebido para aumentar a capacidade de resolução da ESF por meio de uma matriz de suporte especializado e multiprofissional (ARAÚJO et al., 2021). A equipe do NASF, que pode ser composta por fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, atua por meio do apoio matricial, uma metodologia de trabalho que envolve discussões de caso, atendimentos compartilhados e a construção conjunta de projetos terapêuticos, visando qualificar o cuidado ofertado pelas equipes de referência (ALMEIDA, 2021).
No contexto da prevenção de DCV, o NASF está idealmente posicionado para liderar as intervenções não farmacológicas. Um fisioterapeuta inserido em uma equipe NASF pode capacitar os profissionais da ESF sobre como realizar aconselhamento para atividade física, liderar grupos comunitários de exercícios terapêuticos e auxiliar na elaboração de planos de cuidado para pacientes com múltiplas comorbidades (ARAÚJO et al., 2021). Relatos de experiência confirmam a atuação de equipes NASF em grupos de HiperDia, de controle da obesidade e de prevenção de doenças cardiovasculares, qualificando o cuidado ofertado (TOLEDO, 2022). Contudo, segundo Milani et al. (2023), o modelo de apoio matricial enfrenta barreiras, como dificuldades de integração entre as equipes e formação insuficiente, o que tem limitado seu impacto em muitos municípios.
3.2.4 A Nova Fronteira: A Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV)
Em resposta à persistência do alto fardo das DCV, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2022) instituiu a Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) na APS. Esta iniciativa representa a resposta política mais recente ao problema, com o objetivo de qualificar o cuidado integral, com ênfase especial no controle da HAS e do DM. Conforme detalhado pelo órgão, a ECV introduz a alocação de incentivos financeiros específicos para os municípios que aderirem, vinculando o repasse de recursos ao cumprimento de metas de desempenho (BRASIL, 2022).
A inovação mais transformadora da ECV é a incorporação explícita da telessaúde como ferramenta para ampliar o acesso das equipes da APS a suporte especializado. A estratégia prevê o uso de teleconsultoria e telediagnóstico para conectar as equipes da ESF com especialistas, mencionando nominalmente o suporte de cardiologistas, endocrinologistas, nutricionistas e, de forma significativa, fisioterapeutas (BRASIL, 2022). Essa abordagem ataca diretamente o gargalo logístico do suporte especializado presencial, indicando um amadurecimento no desenho das políticas de saúde do país ao focar em soluções funcionais habilitadas pela tecnologia.
3.3 O Fisioterapeuta na Prevenção Cardiovascular
A literatura recente aponta que a efetividade das ações de prevenção cardiovascular na Atenção Primária à Saúde (APS) está intrinsecamente ligada à capacidade de uma abordagem multiprofissional, que transcenda o modelo biomédico e contemple os múltiplos determinantes do processo saúde-doença (ARAÚJO et al., 2021). Nesse contexto, a inserção do fisioterapeuta nas equipes de saúde é estratégica, pois este profissional detém competências essenciais para atuar sobre fatores de risco modificáveis, especialmente o sedentarismo, por meio de intervenções baseadas no movimento, na educação e na reabilitação como parte de um cuidado integral (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022; MILANI et al., 2023).
O pilar central da atuação fisioterapêutica na prevenção primária e secundária das DCV é a prescrição e supervisão do exercício físico (SOUZA et al., 2022). A fisioterapia, como ciência do movimento, utiliza o exercício como uma ferramenta terapêutica para promover saúde e funcionalidade (ARAÚJO et al., 2021). Conforme sinaliza a literatura, o fisioterapeuta é o profissional qualificado para realizar uma avaliação funcional detalhada, estratificar o risco do paciente para a prática de atividade física e elaborar programas de exercícios individualizados e seguros, considerando as comorbidades e limitações de cada indivíduo, especialmente em populações de alto risco como idosos e portadores de doenças crônicas (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022; SILVA, 2022). Estudos de intervenção corroboram que programas de exercícios supervisionados por fisioterapeutas na APS são eficazes na redução dos níveis pressóricos, no controle glicêmico e na melhora do perfil lipídico, atuando diretamente nas causas-base das DCV (SILVA, 2024).
A atuação do fisioterapeuta, no entanto, não se restringe à prescrição de exercícios. A literatura aponta a educação em saúde como um componente indissociável de sua prática na APS, visando à promoção do autocuidado e à adesão a um estilo de vida ativo (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022). Por meio de grupos educativos, atendimentos compartilhados com a equipe da ESF e visitas domiciliares, o fisioterapeuta orienta os usuários sobre os benefícios do movimento e estratégias para combater o comportamento sedentário (SILVA, 2024). Conforme sinalizam Batista, Bezerra e Souza (2021), esse processo educativo empodera o indivíduo, tornando-o protagonista no seu processo de saúde e aumentando a sustentabilidade das mudanças de comportamento a longo prazo.
É fundamental ressignificar o papel da reabilitação cardiovascular (RCV), compreendendo-a não apenas como uma ação de prevenção terciária (pós-evento), mas como parte de um cuidado contínuo e integral. Segundo Milani et al. (2023), a RCV iniciada na APS, muitas vezes denominada fase II ou III, é uma poderosa estratégia de prevenção secundária, pois visa reduzir o risco de novos eventos em pacientes que já possuem uma DCV estabelecida. Ao atuar na recuperação da capacidade funcional e na promoção da confiança do paciente para a retomada de suas atividades, o fisioterapeuta quebra o ciclo de sedentarismo e incapacidade que frequentemente se instala após um evento cardíaco (ALMEIDA, 2021). Dessa forma, como preconizado por diretrizes internacionais (THOMAS et al., 2024), o profissional na APS conecta as diferentes fases do cuidado, desde a promoção da saúde em indivíduos saudáveis até a reabilitação daqueles com doença manifesta, consolidando o princípio da integralidade do SUS.
A atuação do fisioterapeuta na APS encontra forte respaldo nas diretrizes internacionais de Reabilitação Cardiovascular (RCV). Segundo a atualização de 2024 da American Heart Association (AHA) e da American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation (AACVPR), a RCV é um programa multiprofissional e multifatorial, no qual a prescrição e o treinamento com exercícios (Exercise Training) são um componente central e indispensável para a melhora da capacidade funcional e a redução do risco de novos eventos (THOMAS et al., 2024). Assim, o fisioterapeuta se posiciona como o profissional ideal para liderar este componente no âmbito da APS, alinhando a prática no Brasil com as melhores evidências científicas disponíveis e adaptando os princípios da reabilitação para um contexto de prevenção primária e secundária na comunidade (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022).
A base da intervenção fisioterapêutica na saúde cardiovascular é o exercício físico. A literatura científica é inequívoca ao apontar a atividade física regular como uma das intervenções não farmacológicas mais eficazes para a prevenção e o controle das DCV, recomendando-se um mínimo de 150 minutos semanais de intensidade moderada (UNGER et al., 2020). Conforme aponta a literatura, o exercício atua em múltiplas frentes: auxilia no controle da pressão arterial, melhora a sensibilidade à insulina, contribui para o manejo do peso corporal e otimiza o perfil lipídico (SOUZA et al., 2022). O fisioterapeuta é, por formação, o profissional de saúde com a mais profunda expertise em ciências do movimento, fisiologia do exercício e prescrição de exercícios terapêuticos seguros para populações clínicas, incluindo indivíduos com múltiplas comorbidades e limitações funcionais (ARAÚJO et al., 2021; SILVA, 2022).
A intervenção na APS é um processo fundamental de educação em saúde e mudança comportamental (BATISTA; BEZERRA; SOUZA, 2021). Conforme sinalizam Lima, Alves e Ribeiro (2022), a atuação do fisioterapeuta envolve educar os pacientes sobre suas condições, os benefícios de um estilo de vida ativo e as estratégias para superar barreiras à adesão. Utilizando abordagens de aconselhamento e técnicas motivacionais, o fisioterapeuta capacita os indivíduos a se tornarem agentes ativos em seu próprio cuidado, promovendo a autogestão e o empoderamento, que são pilares para o sucesso do tratamento de doenças crônicas (ALMEIDA, 2021).
Historicamente, a atuação do fisioterapeuta na cardiologia esteve mais associada à Reabilitação Cardiovascular (RCV), aplicada na prevenção secundária e terciária (MILANI et al., 2023). No entanto, os componentes centrais da RCV (manejo de fatores de risco, avaliação funcional e prescrição de exercício supervisionado) são diretamente aplicáveis ao contexto da prevenção primária (THOMAS et al., 2024). O fisioterapeuta na APS pode adaptar esses princípios para atuar “a montante”, prevenindo o primeiro evento. Conforme aponta Milani et al. (2023), ele pode servir como uma ponte crucial no contínuo do cuidado, facilitando a transição de pacientes da fase hospitalar para programas comunitários, um ponto onde atualmente ocorre uma grande perda de seguimento no Brasil.
A inserção do fisioterapeuta na APS, seja em equipes Nasf-AB ou apoiando a ESF, abre um leque de possibilidades práticas (ARAÚJO et al., 2021). Conforme aponta a literatura, sua atuação pode incluir o diagnóstico comunitário, mapeando barreiras e facilitadores para a atividade física no território, e a condução de intervenções em grupo, como caminhadas orientadas e programas de exercícios para usuários do HiperDia (SILVA, 2024). Adicionalmente, realiza o cuidado individualizado para usuários de maior complexidade, incluindo visitas domiciliares para aqueles com mobilidade reduzida, prescrevendo exercícios adaptados e orientando cuidadores (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022).
Uma das contribuições mais significativas do fisioterapeuta é a realização da avaliação funcional, que oferece uma dimensão adicional e crucial para a estratificação do risco cardiovascular (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022). A capacidade funcional de um indivíduo é um poderoso preditor independente de eventos cardiovasculares e mortalidade (OLIVEIRA et al., 2024). Um declínio na capacidade de realizar atividades cotidianas pode ser um sinal de alerta precoce de descompensação cardiovascular. O fisioterapeuta, treinado para medir e interpretar a função por meio de testes de baixo custo e alta aplicabilidade, como o Teste de Caminhada de Seis Minutos, pode identificar esse declínio e acionar a equipe para uma intervenção mais intensiva antes que ocorra um evento agudo (SILVA, 2024).
Apesar deste vasto potencial, a integração do fisioterapeuta na prevenção cardiovascular na APS enfrenta obstáculos significativos. Conforme aponta a literatura, existe um sub-reconhecimento de seu papel preventivo por parte de outros profissionais e da própria população, resultando em um baixo número de encaminhamentos. Adicionalmente, questões sistêmicas, como a escassez de serviços de Reabilitação Cardiovascular (RCV) ambulatorial vinculados ao SUS, e curriculares, que historicamente focaram mais na reabilitação do que na saúde coletiva, contribuem para uma “tímida participação” da profissão neste nível de atenção (MILANI et al., 2023).
A síntese da literatura permite, portanto, articular a lacuna existente. Não se trata de uma ausência de previsão política, pois o arcabouço do Nasf-AB e, mais recentemente, da Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) criam um espaço explícito para o fisioterapeuta (BRASIL, 2022). A lacuna é de implementação e conceitualização: o fisioterapeuta ainda é predominantemente percebido como um especialista em reabilitação que atua após o dano (MILANI et al., 2023). Seu imenso potencial como agente de prevenção primária, atuando para evitar que o primeiro evento cardiovascular aconteça, permanece largamente inexplorado (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022).
A inclusão da fisioterapia no suporte por telessaúde da Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) é um passo fundamental, pois, conforme anunciado pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2022), representa o reconhecimento oficial do papel preventivo do profissional em nível de política nacional. No entanto, para que essa inclusão seja transformadora, sua implementação deve ser guiada pelos princípios do apoio matricial, como discussões de caso conjuntas e capacitações remotas para as equipes da ESF (ALMEIDA, 2021). A tecnologia deve ser uma ferramenta para potencializar a integralidade do cuidado (ARAÚJO et al., 2021), exigindo uma mudança cultural e operacional para que o potencial preventivo da fisioterapia se torne uma realidade no cotidiano da Atenção Primária à Saúde no Brasil (MILANI et al., 2023).
4 Resultados
Esta revisão literária demonstrou o fardo imenso e iníquo imposto pelas doenças cardiovasculares no Brasil, um desafio enfrentado por um arcabouço de políticas públicas sofisticado, porém imperfeito, centrado na Atenção Primária à Saúde. A análise aprofundada revelou o papel crítico, baseado em evidências, mas em grande parte não realizado, do fisioterapeuta na prevenção primária dessas doenças. A principal lacuna identificada não reside na intenção das políticas, mas na integração operacional e conceitual das competências preventivas da fisioterapia na prática cotidiana da APS. O fisioterapeuta permanece confinado a uma visão reabilitadora, enquanto seu potencial para prevenir o primeiro evento cardiovascular é sistemicamente subutilizado.
A análise da literatura publicada entre 2020 e 2025 permitiu a identificação de um panorama claro sobre a prevenção das doenças cardiovasculares (DCV) na Atenção Primária à Saúde (APS) no Brasil. Os achados foram categorizados em quatro eixos principais: a magnitude epidemiológica e os fatores de risco das DCV; a organização e o impacto dos programas da APS; o papel da atuação multiprofissional com ênfase na Fisioterapia; e os desafios e as novas estratégias de políticas públicas.
4.1 Magnitude Epidemiológica e Fatores de Risco das DCV
O impacto econômico e social das DCV é igualmente significativo. Conforme detalhado na “Estatística Cardiovascular – Brasil 2024”, os custos associados a hospitalizações, tratamentos de alta complexidade, absenteísmo no trabalho e aposentadorias por invalidez impõem uma pesada carga ao país, reforçando a necessidade de políticas preventivas mais eficazes e custo-efetivas (OLIVEIRA et al., 2024). Em um contexto global, a hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco, ilustra essa tendência.
Uma análise do NCD Risk Factor Collaboration (2021) demonstrou que o número de adultos com hipertensão dobrou entre 1990 e 2019, alcançando 1,28 bilhão de pessoas. Corroborando a magnitude do problema em âmbito nacional, um estudo de base populacional que estimou o risco cardiovascular em dez anos para a população brasileira aponta que uma parcela substancial de adultos se encontra nas categorias de risco moderado a alto (LOTUFO et al., 2021). Adicionalmente, a projeção de cenários futuros elaborada por Barbosa e Ramalho (2021) para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) adverte para uma intensificação desse quadro, no qual o envelhecimento populacional tende a aumentar a prevalência de DCNT, implicando uma maior demanda por serviços de saúde e um crescimento dos custos associados. O mesmo estudo aponta projeções demográficas e epidemiológicas para 2040 indicam que o envelhecimento da população brasileira resultará em um aumento da carga de doenças crônicas, incluindo as DCV, tornando as ações de prevenção ainda mais cruciais.
4.2 Organização e Impacto dos Programas da APS
As publicações analisadas demonstram que a Estratégia Saúde da Família (ESF) está associada a desfechos positivos na saúde cardiovascular. Conforme aponta um estudo que comparou períodos antes e após a implementação da ESF em um município do Paraná, houve uma redução significativa nas taxas de internação por DCV, especialmente por insuficiência cardíaca e doenças cerebrovasculares. Dentro da ESF, o programa HiperDia é a principal ferramenta para o manejo de hipertensos e diabéticos.
Estudos realizados com usuários do HiperDia em diferentes municípios, no entanto, apontam para uma alta prevalência de risco cardiovascular elevado, identificado por meio de ferramentas de estratificação como o Escore de Framingham. A literatura também revela que, apesar do acompanhamento, uma parcela significativa desses pacientes permanece com os níveis pressóricos e glicêmicos fora das metas de controle, indicando falhas na efetividade do tratamento (GOMES, 2021; SOUZA, 2020).
Tabela 3: Funções Essenciais dos Programas da APS na Prevenção Cardiovascular
| Programa | Objetivo Principal | População-Alvo | Mecanismo/Atividade Chave | Papel da Fisioterapia (Implícito/Explícito) |
| Estratégia Saúde da Família (ESF) | Reorganizar o modelo da APS com foco na promoção, prevenção e cuidado longitudinal. | População adscrita a um território definido geograficamente. | Visitas domiciliares, acompanhamento contínuo, vínculo, ações comunitárias. | Implícito: Como parte do cuidado integral e da promoção de estilos de vida saudáveis. |
| HiperDia | Sistematizar o cadastro e o acompanhamento de pacientes com Hipertensão e Diabetes. | Pacientes com diagnóstico de HAS e/ou DM cadastrados na APS. | Registro em sistema, monitoramento de indicadores, estratificação de risco, grupos educativos. | Implícito: Na condução de grupos e na orientação para o tratamento não farmacológico (exercício). |
| Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) | Ampliar a resolutividade da APS por meio de suporte multiprofissional especializado. | Equipes de Saúde da Família (ESF). | Apoio matricial, discussões de caso, atendimentos compartilhado, projetos terapêuticos singulares. | Explícito: Categoria profissional prevista para compor as equipes NASF. |
| Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) | Qualificar o cuidado integral, prevenir e controlar as DCV e seus fatores de risco. | Indivíduos de alto risco cardiovascular na APS, com foco em HAS e DM. | Incentivos financeiros por desempenho, implementação de linhas de cuidado, telessaúde. | Explícito: Profissional mencionado para fornecer suporte especializado via telessaúde. |
Fonte: Elaborado com base nas normativas e análises da literatura.
4.3 A Atuação Multiprofissional e o Papel do Fisioterapeuta
A abordagem multiprofissional, especialmente por meio dos Núcleos Ampliados de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB), é apontada como essencial para ampliar a resolutividade da APS (ARAÚJO et al., 2021). A literatura destaca o processo educativo realizado pelo Nasf-AB como uma ferramenta para qualificar as ações das equipes da ESF, incluindo o manejo de doenças crônicas (ALMEIDA, 2021).
Nesse contexto, a inserção do fisioterapeuta é fundamentada por sua capacidade de atuar na prevenção e no tratamento não farmacológico das DCV (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022). Conforme demonstra a dissertação de Silva (2024), estudos de intervenção com programas de exercícios físicos supervisionados por fisioterapeutas na APS resultam em melhoras significativas na capacidade funcional, na qualidade de vida e no controle de fatores de risco, como a hipertensão arterial. Além da prescrição de exercícios, Milani et al. (2023) apontam que o papel do fisioterapeuta se estende à reabilitação cardiovascular, atuando como um elo no contínuo do cuidado entre a alta hospitalar e a manutenção da saúde na comunidade.
Tabela 4: Escopo de Atuação do Fisioterapeuta na Saúde Cardiovascular na Atenção Primária
| Nível de Ação | Atividade/Atribuição Específica | Ferramentas de Avaliação/Intervenção | População-Alvo |
| Comunidade/ Território | Mapeamento de barreiras e facilitadores ambientais para a atividade física. | Diagnóstico rápido participativo, mapas da comunidade, observação sistemática. | Comunidade em geral, gestores locais. |
| Organização de eventos comunitários de promoção da saúde (ex: caminhadas, feiras de saúde). | Materiais educativos, palestras, demonstrações práticas. | Comunidade em geral. | |
| Grupo | Liderança de grupos de exercício terapêutico para usuários com HAS e DM. | Exercícios aeróbicos, de força e de flexibilidade adaptados; monitoramento de PA e FC. | Usuários do programa HiperDia. |
| Condução de grupos de educação em saúde sobre fatores de risco cardiovascular e autogestão. | Rodas de conversa, dinâmicas de grupo, materiais visuais. | Usuários com fatores de risco. | |
| Implementação de programas de prevenção de quedas para idosos. | Escalas de avaliação de risco de queda (ex: Timed Up and Go), exercícios de equilíbrio e força. | População idosa da comunidade. | |
| Individual/ Familiar | Avaliação funcional individual para estratificação de risco e prescrição de exercício. | Teste de Caminhada de 6 Minutos, Teste de Sentar e Levantar, Questionário DASI. | Indivíduos de alto risco, frágeis ou com múltiplas comorbidades. |
| Visitas domiciliares para avaliação e orientação de pacientes com mobilidade reduzida. | Avaliação do ambiente domiciliar, prescrição de exercícios adaptados, orientação de cuidadores. | Pacientes acamados ou com dificuldade de locomoção. | |
| Aconselhamento individual para mudança de comportamento relacionado à atividade física. | Entrevista motivacional, estabelecimento de metas conjuntas. | Indivíduos sedentários identificados na APS. | |
| Suporte no contínuo do cuidado para pacientes pós-alta hospitalar por evento cardiovascular. | Articulação com a equipe hospitalar, adaptação das recomendações para o domicílio. | Pacientes na transição hospital-comunidade. |
Fonte: Elaborado com base na síntese da literatura sobre a atuação da fisioterapia na APS.
4.4 Desafios e Novas Estratégias de Políticas Públicas
Apesar do potencial, os achados da literatura, conforme apontam Milani et al. (2023), indicam que a reabilitação cardiovascular no Brasil, especialmente nas fases II e III (ambulatorial e comunitária), enfrenta enormes barreiras de acesso e implementação, com uma baixa taxa de encaminhamento e participação dos pacientes elegíveis. Em resposta a esses desafios persistentes, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2022) lançou, em 2022, a Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV).
Este novo plano de ação visa qualificar o cuidado na APS por meio de incentivos financeiros atrelados ao desempenho das equipes e, de forma inovadora, pela implementação de serviços de telessaúde. A ECV prevê explicitamente o suporte de especialistas via teleconsultoria para as equipes da ESF, incluindo a contribuição de cardiologistas, nutricionistas e fisioterapeutas para a qualificação do cuidado cardiovascular (BRASIL, 2022).
5 Discussão
Os resultados desta revisão de literatura convergem para uma conclusão central: embora o Brasil possua um arcabouço de políticas de Atenção Primária à Saúde (APS) bem estruturado, cujo impacto na redução de desfechos cardiovasculares negativos é documentado, persistem desafios significativos que limitam sua máxima efetividade. A discussão que emerge dos achados não questiona a validade do modelo da APS, mas sim as lacunas em sua implementação, especialmente no que tange à abordagem dos fatores de risco comportamentais e à plena integração da equipe multiprofissional, com destaque para o papel subutilizado do fisioterapeuta.
Conforme demonstram Pellizzaro, Loch e Gonzalez (2022), a efetividade da Estratégia Saúde da Família (ESF) na redução de hospitalizações por DCV é um resultado robusto e consistente, como demonstram estudos que comparam períodos pré e pós-implementação e que identificaram uma redução significativa nas taxas de internação, especialmente por insuficiência cardíaca e doenças cerebrovasculares. Gomos (2021) atribui este sucesso ao modelo de cuidado longitudinal, que permite o vínculo e o acompanhamento contínuo dos usuários, fortalecendo a adesão e a vigilância em saúde no território.
Da mesma forma, o programa HiperDia fornece uma ferramenta essencial para o cadastramento e monitoramento de pacientes com hipertensão e diabetes, condições que representam os pilares do risco cardiovascular na população (BRASIL, 2011). O programa organiza o fluxo do cuidado, promove a dispensação regular de medicamentos e serve como base para ações coletivas de educação em saúde (GOMES, 2021).
Contudo, a discussão se aprofunda ao se constatar a dissonância entre o acompanhamento protocolar e o controle clínico efetivo. Estudos que aplicam escores de estratificação de risco, como os de Silva et al. (2022) e Souza (2021), revelam uma alta prevalência de risco cardiovascular elevado em populações cadastradas no HiperDia. Tal achado sugere que as intervenções, frequentemente focadas no manejo farmacológico, são insuficientes para modificar a trajetória da doença, que é fortemente influenciada por fatores de estilo de vida, como o sedentarismo. A literatura aponta que uma parcela significativa dos pacientes acompanhados não atinge as metas de controle pressórico e glicêmico, indicando falhas na adesão ao tratamento e, sobretudo, na abordagem de fatores de estilo de vida, como o sedentarismo e a alimentação inadequada, que são os verdadeiros motores da progressão das DCV (SOUZA, 2020; GOMES, 2021; SANTOS et al., 2021).
É precisamente nesta lacuna, a abordagem dos fatores de risco comportamentais, que a atuação do fisioterapeuta se torna não apenas relevante, mas necessária. A discussão sobre o papel deste profissional na APS deve transcender a visão tradicional, que o restringe à reabilitação de sequelas. A literatura analisada fundamenta sua atuação como um agente de prevenção primária e secundária, cuja principal ferramenta terapêutica é o exercício físico orientado (LIMA; ALVES; RIBEIRO, 2022; ARAÚJO et al., 2021). Conforme preconizado por diretrizes internacionais, a prática regular de atividade física é uma intervenção não farmacológica de alta eficácia para o controle da pressão arterial e outros fatores de risco (UNGER et al., 2020). Nesse sentido, os estudos de Silva (2022) e Silva (2023) sinalizam que a presença do fisioterapeuta na equipe qualifica o cuidado ao oferecer programas de exercícios seguros e adaptados às necessidades de populações de alto risco, como idosos e portadores de múltiplas comorbidades, algo que o aconselhamento breve generalista muitas vezes não consegue alcançar.
Adicionalmente, a discussão sobre a integralidade do cuidado revela outro ponto crítico: a fragmentação na transição do paciente do ambiente hospitalar para a comunidade. Segundo Milani et al. (2022), a reabilitação cardiovascular, fundamental para a prevenção secundária, enfrenta enormes barreiras de acesso no Brasil, com uma grande perda de seguimento dos pacientes após a alta hospitalar. Almeida (2021) aponta que o fisioterapeuta na APS está em uma posição única para atuar como elo de ligação nesse contínuo, recebendo o paciente pós-evento agudo e garantindo a manutenção da capacidade funcional, o que é crucial para a qualidade de vida e a prevenção de novos eventos. Esta abordagem, alinhada aos princípios da educação em saúde, empodera o paciente para a autogestão de sua condição crônica, um pilar para o sucesso no manejo de doenças crônicas (BATISTA; BEZERRA; SOUZA, 2021).
A atuação do fisioterapeuta já é padronizada e considerada essencial na fase hospitalar aguda, com foco na mobilização precoce para prevenir complicações e iniciar a recuperação funcional, como detalhado em procedimentos operacionais padrão para o cuidado pós-infarto agudo do miocárdio (HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UFTM, 2022). Contudo, essa atuação crucial frequentemente se encerra na alta hospitalar. Argumenta-se que este cuidado precisa ter continuidade na APS para garantir a transição segura, a manutenção dos ganhos e a efetiva prevenção secundária, reforçando a lacuna existente no contínuo assistencial.
A instituição da Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) pelo Ministério da Saúde é o reconhecimento político desta necessidade de qualificar e ampliar o cuidado na APS. A inclusão explícita do suporte de fisioterapeutas via telessaúde nesta nova estratégia é um marco, pois valida formalmente o papel deste profissional para além da reabilitação (BRASIL, 2022). A discussão que se impõe é sobre como operacionalizar essa diretriz. A tecnologia, por si só, não garante a mudança do modelo assistencial. Para que a ECV seja transformadora, é preciso que a telessaúde seja utilizada para fortalecer o apoio matricial, capacitando as equipes locais da ESF e promovendo a corresponsabilização pelo cuidado, em vez de simplesmente “terceirizar” a responsabilidade para um especialista remoto, conforme preconiza o modelo do Nasf-AB (ALMEIDA, 2021; ARAÚJO et al., 2021). A superação da lacuna na prevenção cardiovascular no Brasil passa, portanto, por uma mudança cultural e operacional que reconheça e integre plenamente as competências do fisioterapeuta no cotidiano da Atenção Primária à Saúde (MILANI et al., 2023).
6 Conclusão
Este estudo atingiu seu objetivo de analisar, por meio de uma revisão de literatura, a atuação da Atenção Primária à Saúde (APS) na prevenção das doenças cardiovasculares no Brasil. A pesquisa confirmou que o arcabouço de políticas públicas, centrado na Estratégia Saúde da Família, possui um impacto documentado na redução de desfechos negativos. Contudo, a análise evidenciou que persistem desafios significativos que limitam a máxima efetividade do modelo, revelando uma lacuna crucial entre a intenção das políticas e os resultados clínicos observados na população.
A principal dissonância identificada reside na diferença entre o acompanhamento protocolar dos pacientes e o controle efetivo dos fatores de risco. Programas como o HiperDia são bem-sucedidos em cadastrar e monitorar uma vasta população de hipertensos e diabéticos. No entanto, a literatura aponta que uma parcela expressiva desses indivíduos, mesmo sob o cuidado da APS, não atinge as metas de controle pressórico e glicêmico, permanecendo em uma faixa de risco cardiovascular elevado.
Esta investigação permitiu concluir que a referida lacuna está fortemente associada a uma abordagem ainda excessivamente focada no manejo farmacológico, com menor ênfase na modificação de fatores de risco comportamentais. O sedentarismo, em particular, emerge como um dos principais motores da epidemia de DCV, e sua abordagem requer intervenções mais complexas e contínuas do que o aconselhamento breve, demandando a expertise de profissionais específicos.
Diante desse cenário, a principal conclusão deste trabalho é que a plena integração do fisioterapeuta na equipe multiprofissional da APS representa uma estratégia de alto potencial para superar os desafios existentes. A discussão demonstrou que a subutilização deste profissional no nível primário de atenção é uma oportunidade perdida, confinando sua atuação a uma visão tradicionalmente reabilitadora, quando seu maior impacto poderia residir na prevenção.
A contribuição do fisioterapeuta, conforme fundamentado na literatura, se assenta sobre três pilares essenciais: a prescrição qualificada do exercício físico como ferramenta terapêutica para o controle dos fatores de risco; a educação em saúde para o empoderamento e a autogestão do paciente; e a sua capacidade de atuar como um elo no contínuo do cuidado, conectando a prevenção secundária e terciária (reabilitação) à prevenção primária na comunidade.
As perspectivas futuras apontam para um reconhecimento crescente deste papel, como sinaliza a recente Estratégia de Saúde Cardiovascular (ECV) do Ministério da Saúde, que inclui explicitamente o fisioterapeuta no suporte por telessaúde. Este avanço político é promissor, mas sua efetividade dependerá de uma implementação que fomente a colaboração interprofissional e não apenas a consulta especializada à distância.
Finalmente, conclui-se que a superação das barreiras para a prevenção efetiva das DCV no Brasil passa por uma mudança cultural e operacional que integre plenamente as competências do fisioterapeuta no cotidiano da APS. Como este estudo se baseou em uma revisão de literatura, recomenda-se que pesquisas futuras se dediquem a estudos de campo e de intervenção para mensurar, na prática, o impacto desta integração nos indicadores de saúde cardiovascular da população, validando quantitativamente os achados aqui apresentados.
Referências
ALMEIDA, T. H. S. O papel da fisioterapia na funcionalidade de idosos na atenção primária à saúde: uma revisão integrativa. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Fisioterapia) – Centro Universitário do Planalto Central Apparecido dos Santos, Gama, DF, 2021. Disponível em: https://dspace.uniceplac.edu.br/bitstream/123456789/1172/1/Tais_Hellen_0006323.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.
ARAÚJO, P. M. P. de et al. (org.). A função multiprofissional da fisioterapia. Campina Grande: Amplamente, 2021. E-book. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/bitstream/capes/553954/1/E-BOOK-A-Funcao-Multiprofissional-da-Fisioterapia.pdf. Acesso em: 29 ago. 2025..
BATISTA, J. da S.; BEZERRA, J. C.; SOUZA, M. do S. B. de. Educação em saúde para a prevenção de doenças: uma revisão da literatura. 2021. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/356967169_Educacao_em_saude_para_a_prevencao_de_doencas_uma_revisao_da_literatura. Acesso em: 1 set. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Linhas de cuidado: hipertensão arterial e diabetes. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2011. Disponível em: https://www.saudedireta.com.br/docsupload/1334797429linhas_cuidado_hipertensao_diabetes_parte_001.pdf. Acesso em: 1 set. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Estratégia de Saúde Cardiovascular define ações de prevenção de doenças e cuidados com o coração. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/dezembro/estrategia-de-saude-cardiovascular-define-acoes-de-prevencao-de-doencas-e-cuidados-com-o-coracao. Acesso em: 27 ago. 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Cerca de 400 mil pessoas morreram em 2022 no Brasil por problemas cardiovasculares. Brasília, DF: Biblioteca Virtual em Saúde MS, 2023. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/cerca-de-400-mil-pessoas-morreram-em-2022-no-brasil-por-problemas-cardiovasculares/. Acesso em: 27 ago. 2025.
GOMES, I. G. Controle e estratificação de hipertensão arterial e risco cardiovascular: um projeto de intervenção no programa saúde da família. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2021. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/controle_estratifica%C3%A7ao_hipertensao_e_risco_cardiovascular.pdf. Acesso em: 28 ago. 2025..
HOSPITAL DE CLÍNICAS DA UFTM. Fisioterapia no Infarto Agudo do Miocárdio: abordagem hospitalar. Uberaba, MG: Ebserh, 2022. (Procedimento Operacional Padrão POP.UMULTI.084). Disponível em: https://www.gov.br/ebserh-intensifica-assistencia-a-distancia-como-estrategia-de-combate-a-cov/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-sudeste/hc-uftm/documentos/procedimentos-e-rotinas-operacionais-padrao/pops/POP.UMULTI.084Fisioterapia_no_Infarto_Agudo_do_Miocardioabordagem_hospitalarverso3.pdf. Acesso em: 1 set. 2025.
LIMA, F. G.; ALVES, B. M. F.; RIBEIRO, K. G. O papel da fisioterapia cardiovascular na atenção primária a saúde. Revista Ibero-Americana de Humanidades, Ciências e Educação, v. 8, n. 8, p. 1293-1304, ago. 2022.
MILANI, M. et al. Estado da arte e perspectivas da reabilitação cardiovascular no Brasil. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 120, n. 2, p. e20220372, 2023.
NCD RISK FACTOR COLLABORATION (NCD-RisC). Worldwide trends in hypertension prevalence and progress in treatment and control from 1990 to 2019: a pooled analysis of 1201 population-representative studies with 104 million participants. The Lancet, v. 398, n. 10304, p. 957-980, set. 2021.
OLIVEIRA, G. M. M. de et al. Estatística Cardiovascular – Brasil 2023. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 2, p. e20240079, 2024.
PELLIZZARO, F.; LOCH, M. R.; GONZALEZ, A. D. Doenças cardiovasculares antes e após o programa saúde da família, Londrina, Paraná. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 118, n. 6, p. 1060-1067, 2022.
SANTOS, I. C. dos et al. Preditores de risco cardiovascular na atenção primária à saúde no sul do Brasil. SciELO Preprints, 2021. Disponível em: https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/download/9190/17164. Acesso em: 28 ago. 2025.
SILVA, A. P. L. da. O papel da fisioterapia na saúde do idoso. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2022.
SILVA, D. R. da. Efeitos de um programa de exercícios físicos domiciliares sobre a capacidade funcional, qualidade de vida e sintomas depressivos em idosos da atenção primária à saúde: um ensaio clínico randomizado. 2024. Dissertação (Mestrado em Fisioterapia) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2024.
SILVA, L. V. da et al. Estratificação de risco cardiovascular a partir do Escore de Framingham entre usuários do programa hiperdia no Município de São Caetano do Sul. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 1, p. 2568-2584, jan. 2022.
SOUZA, A. L. B. Classificação de risco cardiovascular na estratégia de saúde da família Sobradinho no município de São Francisco em Minas. 2021. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Atenção Básica em Saúde) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2021. Disponível em: https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/ANA-LUIZA-BARBOSA-SOUZA.pdf. Acesso em: 20 ago. 2025.
SOUZA, G. S. de. Projeto de intervenção para a prevenção de eventos cardiovasculares em pacientes hipertensos da Unidade Básica de Saúde Granjas Bethânia. 2020. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização em Atenção Básica em Saúde) – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2020. Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/12787/1/Gabrielli_Silva_de_Souza.pdf. Acesso em: 28 ago. 2025.
SOUZA, T. S. C. et al. Atuação da fisioterapia na prevenção do infarto agudo do miocárdio em adultos jovens. RevistaFT, 2022. Disponível em: https://revistaft.com.br/atuacao-da-fisioterapia-na-prevencao-do-infarto-agudo-do-miocardio-e-adultos-jovens/. Acesso em: 1 set. 2025.
THOMAS, R. J. et al. Core Components of Cardiac Rehabilitation/Secondary Prevention Programs: 2024 Update: A Scientific Statement From the American Heart Association and the American Association of Cardiovascular and Pulmonary Rehabilitation. Circulation, v. 149, n. 16, p. e2024062631, abr. 2024.
UNGER, T. et al. 2020 International Society of Hypertension Global Hypertension Practice Guidelines. Hypertension, v. 75, n. 6, p. 1334-1357, jun. 2020.
1 Autora principal
2 Co-autor
