CASAS DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO: CUSTO-BENEFÍCIO E EFICIÊNCIA CONSTRUTIVA

CAST-IN-SITU CONCRETE HOUSES: COST-BENEFIT AND CONSTRUCTION EFFICIENCY

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202512121449


Sérgio Henrique Carvalho Vieira
Regina Coeli Barquete Santos Gama


RESUMO

O presente artigo tem como objetivo analisar o custo-benefício e a eficiência construtiva do sistema de construção com concreto moldado in loco, com ênfase em habitações de interesse social. A pesquisa aborda aspectos técnicos, econômicos e operacionais dessa tecnologia, comparando-a a métodos convencionais e industrializados. Por meio de revisão bibliográfica e estudo de casos aplicados, identificam-se vantagens como a redução de desperdícios, maior controle de qualidade e diminuição do tempo de execução. Além disso, destaca-se a viabilidade econômica desse sistema em projetos de grande escala, devido à padronização e à otimização de processos. O estudo também discute os desafios associados à mão de obra especializada e ao planejamento logístico. Conclui-se que o concreto moldado in loco, quando bem planejado e executado, representa uma alternativa eficiente e economicamente viável, principalmente em contextos onde há necessidade de agilidade e racionalização de recursos na construção civil. 

PALAVRAS-CHAVE: Sustentabilidade; Produtividade; Racionalização; Planejamento; Durabilidade.

ABSTRACT

This article examines the cost–benefit relationship and constructive efficiency of cast-in-place concrete systems, with a particular focus on social housing projects. Through a combination of bibliographic review and applied case studies, the research analyzes the technical, economic, and operational dimensions of this construction method, contrasting it with conventional and industrialized techniques. The findings indicate significant advantages, including reduced material waste, enhanced quality control, and shorter execution times. The study also highlights the economic feasibility of cast-in-place concrete in large-scale developments, where process standardization and optimization contribute to greater productivity. Additionally, it discusses challenges related to the need for specialized labor and careful logistical planning. Overall, the results suggest that, when properly planned and executed, cast-in-place concrete represents an efficient and cost-effective alternative, particularly in contexts that demand agility and resource rationalization within the construction sector.

KEYWORDS: Sustainability; Productivity; Rationalization; Planning; Durability.

1 INTRODUÇÃO

 A construção civil brasileira, ao longo das últimas décadas, tem enfrentado a crescente necessidade de modernização, principalmente no que diz respeito à eficiência produtiva, à racionalização de recursos e à ampliação do acesso à moradia de qualidade. Estima-se que o déficit habitacional no Brasil atinja aproximadamente 5,8 milhões de moradias, segundo dados da Fundação João Pinheiro (FJP, 2021). Diante desse cenário, torna-se essencial buscar soluções construtivas que aliam rapidez de execução, redução de custos e garantia de desempenho técnico adequado às condições de uso.

Entre as tecnologias construtivas que têm se destacado nesse contexto está o sistema de concreto moldado in loco, também conhecido como sistema monolítico. Este método consiste na execução de estruturas e vedação ao mesmo tempo, por meio do uso de fôrmas modulares metálicas ou plásticas e do lançamento de concreto diretamente na obra, dispensando o uso de alvenaria convencional. De acordo com a Associação Brasileira da Construção Industrializada (ABCI, 2020), essa técnica permite maior padronização e controle de qualidade, além de oferecer significativa redução no tempo total da obra.

Diferente das construções em alvenaria tradicional, em que os processos são segmentados e realizados por etapas distintas, o concreto moldado in loco propõe a execução simultânea de lajes, paredes e vigas, otimizando a mão de obra e diminuindo as interferências no canteiro. Para Cordeiro et al. (2020), essa tecnologia tem grande aplicabilidade em empreendimentos habitacionais de grande escala, como os realizados no âmbito do programa “Minha Casa, Minha Vida”, especialmente nas faixas de renda mais baixa, onde o custo por metro quadrado é um fator determinante.

A análise do custo-benefício desse sistema tem sido amplamente discutida por pesquisadores e profissionais da área. Segundo estudo realizado por Freitas e Carvalho (2018), em um empreendimento com 500 unidades habitacionais, o uso do concreto moldado in loco permitiu uma redução de 18% no custo global da obra em comparação com a alvenaria convencional, além de um ganho de 25% em produtividade. Esses resultados foram atribuídos principalmente à eliminação de etapas de acabamento interno, como reboco e chapisco, e à diminuição de retrabalho.

Outro fator relevante é a sustentabilidade. Em um setor amplamente reconhecido pelo elevado índice de geração de resíduos, a tecnologia do concreto moldado in loco aparece como uma alternativa ambientalmente mais responsável. Santos e Medeiros (2020) destacam que esse sistema reduz em até 40% os resíduos sólidos gerados, quando comparado aos métodos tradicionais. A redução de perdas de materiais, aliada à possibilidade de reutilização das fôrmas e ao menor consumo de água e energia, contribuem significativamente para a melhoria do desempenho ambiental da construção.

Contudo, é importante ressaltar que a adoção dessa tecnologia exige uma mudança significativa nos processos gerenciais e operacionais das construtoras. A execução eficiente do concreto moldado in loco depende de um planejamento detalhado, cronograma rigoroso, logística eficiente para transporte e armazenamento de materiais, além da necessidade de capacitação específica da mão de obra envolvida. Conforme Oliveira e Farias (2018), a ausência de treinamento adequado pode resultar em patologias nas estruturas, comprometendo o desempenho e a durabilidade das edificações.

Além disso, o investimento inicial em fôrmas metálicas reutilizáveis pode representar um custo elevado, especialmente para pequenas construtoras. No entanto, em obras de grande escala, esse custo tende a ser diluído ao longo das unidades produzidas, tornando-se economicamente vantajoso. Gonçalves e Rocha (2021) argumentam que, quando bem aplicado, o sistema se mostra mais eficiente e competitivo a partir da repetição de pelo menos 100 unidades, o que reforça seu potencial para programas habitacionais com produção em massa.

A literatura recente também aponta para a melhoria nas condições de trabalho e segurança no canteiro de obras com o uso desse sistema. A padronização dos processos e a redução da quantidade de entulho e materiais dispersos contribuem para a organização do espaço e mitigam riscos de acidentes. Segundo relatório do SindusCon-SP (2021), obras com uso de fôrmas modulares e concretagem in loco apresentaram índices 30% menores de acidentes em comparação com obras de alvenaria convencional.

Portanto, diante da relevância social da habitação, da necessidade de eficiência no uso dos recursos públicos e da busca por soluções tecnológicas mais sustentáveis e produtivas, a análise aprofundada do sistema de concreto moldado in loco torna-se imprescindível. O tema se insere em um campo estratégico da engenharia civil, dialogando com questões urbanas, econômicas e ambientais.

O objetivo geral deste estudo é analisar o custo-benefício e a eficiência das casas de concreto moldado in loco, comparando esse método com outras técnicas tradicionais da construção civil e destacando suas vantagens em termos de economia, rapidez e qualidade estrutural.

2 METODOLOGIA

2.1 CARACTERIZAÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO

Este trabalho tem como objeto de estudo o sistema construtivo de casas com concreto moldado in loco, também conhecido como sistema monolítico. A análise se concentra especificamente na avaliação do custo-benefício e da eficiência construtiva desta técnica, em comparação com métodos tradicionais de construção civil, especialmente na aplicação em habitações populares e projetos habitacionais de grande escala. O estudo é fundamentado em contextos urbanos brasileiros, com destaque para empreendimentos similares aos realizados no âmbito do programa habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, devido à relevância social e econômica desse tipo de construção.

2.2 TIPOS DE PESQUISA

Para o desenvolvimento desta pesquisa, adotou-se uma abordagem qualitativa e quantitativa, combinando características de pesquisa bibliográfica e estudo de caso. A pesquisa qualitativa foi realizada por meio da revisão de literatura especializada, consultando artigos científicos, relatórios técnicos, dissertações, teses e normativas técnicas pertinentes ao tema. Já a abordagem quantitativa foi empregada na análise comparativa de dados numéricos relacionados a custos, produtividade, desperdício e eficiência construtiva, obtidos de estudos de casos reais e previamente documentados em publicações técnicas da área.

2.3 ETAPAS METODOLÓGICAS

A metodologia do estudo foi estruturada nas seguintes etapas sequenciais:

  1. Revisão bibliográfica aprofundada sobre o tema, envolvendo levantamento de publicações recentes em bases de dados como SciELO, Google Acadêmico, periódicos especializados e relatórios técnicos de entidades representativas como a ABCI (Associação Brasileira da Construção Industrializada) e o SindusCon-SP.
  2. Seleção e análise de casos práticos documentados na literatura técnica, com destaque para obras de construção habitacional utilizando concreto moldado in loco, identificando aspectos econômicos, operacionais e de desempenho técnico desses empreendimentos.
  3. Comparação dos dados obtidos com métodos tradicionais e industrializados de construção, analisando variáveis como custos diretos e indiretos, tempo de execução, índice de desperdícios, eficiência no uso de materiais e mão de obra, além de segurança e desempenho ambiental.
  4. Avaliação crítica dos desafios técnicos e operacionais encontrados nas experiências estudadas, com ênfase em fatores como planejamento logístico, capacitação técnica da mão de obra, gerenciamento de processos e investimento inicial em equipamentos e fôrmas.
  5. Sistematização das conclusões preliminares baseadas nos resultados obtidos, destacando os principais pontos fortes e limitações identificadas para o uso do concreto moldado in loco.

2.4 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS

Os instrumentos utilizados para a coleta de dados foram essencialmente documentais, contemplando fontes bibliográficas e técnicas, relatórios de pesquisa e estudos de caso previamente publicados. Além disso, foram considerados relatórios e estatísticas oficiais disponibilizados por instituições relevantes, como a Fundação João Pinheiro, SindusCon-SP, ABCI e Ministério do Desenvolvimento Regional, responsáveis por documentar e acompanhar programas habitacionais e iniciativas técnicas inovadoras no setor da construção civil.

Esses dados permitiram uma análise abrangente e detalhada, fundamentando as discussões técnicas e econômicas deste trabalho e garantindo uma avaliação robusta e contextualizada do sistema construtivo em questão.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO 

A presente seção apresenta os resultados obtidos a partir da revisão bibliográfica, documental e da análise comparativa de estudos técnicos, normas, relatórios institucionais e pesquisas aplicadas que abordam o uso do sistema de paredes de concreto moldado in loco em habitações, com foco em custo-benefício, eficiência construtiva, desempenho técnico e sustentabilidade, em consonância com os objetivos e os procedimentos metodológicos estabelecidos. A discussão está organizada em eixos temáticos, de forma a evidenciar as vantagens, limitações e condicionantes de aplicação do sistema frente aos métodos tradicionais, sobretudo à alvenaria convencional e estrutural.

3.1 Produtividade, racionalização e prazo de execução

Os estudos analisados apontam que a adoção do concreto moldado in loco está diretamente associada à racionalização do processo construtivo, à padronização de etapas e à integração entre estrutura e vedação. Em empreendimentos com elevada repetitividade de unidades, especialmente habitações de interesse social, esse sistema possibilita uma cadência de execução mais estável e previsível, em ciclos de concretagem planejados, o que reduz o tempo global da obra quando comparado à alvenaria convencional.

Macêdo (2015) e Mariano (2016) destacam que, em conjuntos habitacionais onde são aplicadas fôrmas metálicas ou modulares reutilizáveis, é possível reduzir significativamente o número de etapas intermediárias, como erguer alvenarias, executar cintas, vergas, contravergas e revestimentos espessos. A eliminação dessas fases, somada à antecipação da condição de “estrutura e vedação concluídas”, permite a sobreposição organizada de serviços internos (instalações, esquadrias, acabamentos), favorecendo o encurtamento de prazos.

Freitas e Carvalho (2018) verificaram, em estudo comparativo de empreendimentos residenciais, redução de aproximadamente 20% no tempo de execução quando utilizado o sistema de paredes de concreto moldado in loco, em relação à alvenaria convencional, sem prejuízo ao desempenho estrutural. Souza (2021) reforça que o ganho de produtividade é maximizado quando há planejamento detalhado do ciclo de fôrmas, controle rigoroso do fornecimento de concreto, compatibilização prévia de projetos e treinamento das equipes.

Dessa forma, observa-se que a eficiência temporal desse sistema não é inerente apenas à tecnologia, mas ao modelo de gestão adotado. Onde há organização, padronização e volume suficiente de unidades, o concreto moldado in loco se mostra claramente mais competitivo em termos de produtividade. Em contextos de poucas unidades, com baixa repetitividade ou deficiência de planejamento, parte desse potencial se perde, aproximando-o ou mesmo tornando-o menos vantajoso que a alvenaria estrutural.

3.2 Análise de custo-benefício em relação aos sistemas tradicionais

O custo-benefício do concreto moldado in loco deve ser avaliado considerando não apenas o custo direto de materiais e serviços, mas também os custos indiretos, o prazo de execução, a necessidade de mão de obra, o índice de retrabalho, as perdas de materiais e a vida útil da edificação.

Estudos de caso compilados por Barbosa Junior (2019), Freitas e Carvalho (2018), Gonçalves e Rocha (2021) e Souza (2021) indicam que, em empreendimentos com grande número de unidades padronizadas, as economias globais podem situar-se na faixa de 8% a 20% em relação à alvenaria convencional. As principais fontes de redução de custos são:

  • diminuição de etapas de revestimento interno e externo, devido à maior precisão dimensional das superfícies;
  • menor índice de retrabalho, em função da monoliticidade do sistema;
  • redução de perdas de materiais (cimento, areia, blocos, argamassas);
  • menor tempo de obra, reduzindo despesas com canteiro, administração e encargos financeiros.

Gonçalves e Rocha (2021) enfatizam que o custo inicial mais elevado relacionado à aquisição ou locação de fôrmas metálicas é diluído à medida que aumenta o número de reutilizações, tornando o sistema particularmente atrativo para programas habitacionais de grande porte. Em empreendimentos de pequena escala, onde o número de reaproveitamentos é limitado, o custo do sistema pode igualar-se ou superar o da alvenaria estrutural, exigindo análise criteriosa para evitar inviabilidade econômica.

Além disso, quando comparado à alvenaria estrutural em blocos de concreto, parte da literatura aponta custos diretos semelhantes ou ligeiramente superiores para as paredes de concreto moldadas in loco, porém compensados por ganhos em prazo, padronização, redução de patologias e menor necessidade de manutenção ao longo da vida útil (MARIANO, 2016; FREITAS; CARVALHO, 2018). Assim, o sistema revela melhor relação custo-benefício quando a avaliação considera o empreendimento como um todo, e não apenas o custo imediato por metro quadrado.

3.3 Sustentabilidade, resíduos e eficiência no uso de recursos

A sustentabilidade do sistema de concreto moldado in loco está associada à redução de desperdícios, ao uso racional de materiais e à organização do canteiro. Ao concentrar estrutura e vedação numa única etapa, com fôrmas industrializadas e planejamento prévio, há significativa diminuição da geração de resíduos sólidos quando comparado à construção em alvenaria convencional, que envolve cortes, quebras, sobras de blocos e múltiplos revestimentos.

Santos e Medeiros (2020) apontam reduções expressivas na quantidade de entulho em obras que utilizam paredes de concreto, variando em muitos casos acima de 30%, o que implica menor impacto ambiental e menor custo de transporte e disposição final. Resultados semelhantes são discutidos por Souza (2021), que destaca ainda a maior organização do canteiro, com áreas de armazenamento definidas e menor risco de perdas por manejo inadequado.

Essa racionalização descrita pela literatura pode ser observada na prática através do registro fotográfico apresentado no Anexo B. Ao analisar as imagens das etapas de fundação e montagem das fôrmas, verifica-se um canteiro de obras com nível de organização visualmente superior aos métodos tradicionais. Embora ainda se note a presença pontual de resíduos inerentes à atividade construtiva, o volume de entulho disperso e de materiais desperdiçados no solo mostra-se inferior ao comumente encontrado em obras de alvenaria convencional, corroborando a eficiência do sistema quanto à limpeza e redução de perdas no ambiente de trabalho.

Do ponto de vista ambiental, reconhece-se que o concreto possui significativa pegada de carbono associada ao cimento. No entanto, estudos recentes indicam que a maior durabilidade, a redução de retrabalhos, a eliminação de camadas espessas de revestimento e a possibilidade de incorporar adições minerais (como escória e cinza volante) podem mitigar parte desse impacto ao longo do ciclo de vida (JIANG et al., 2024). A correta especificação de traços, cobrimentos, controle de cura e proteção contra agentes agressivos reforça o atendimento aos requisitos de vida útil previstos na ABNT NBR 15575:2013.

Assim, o sistema apresenta potencial alinhamento com diretrizes de sustentabilidade na construção, especialmente quando integrado a estratégias de gerenciamento de resíduos, uso de concretos otimizados e planejamento que evite desperdícios.

3.4 Desempenho estrutural, conforto e atendimento às normas técnicas

Quando projetado e executado em conformidade com a ABNT NBR 16055:2012, combinado às prescrições da ABNT NBR 6118:2014 e aos requisitos de desempenho da ABNT NBR 15575:2013, o sistema de paredes de concreto moldado in loco apresenta comportamento estrutural satisfatório para edificações de pequeno e médio porte, garantindo estabilidade, segurança e rigidez global.

Sacht (2008) e Macêdo (2015) evidenciam que a monoliticidade do conjunto reduz a formação de fissuras em juntas, comuns em alvenarias, contribuindo para melhor estanqueidade e menor incidência de infiltrações. Esse aspecto é especialmente relevante em habitações de interesse social, nas quais a ocorrência de patologias precoces compromete a qualidade de vida dos usuários e gera custos adicionais de manutenção.

No campo do conforto térmico e acústico, os resultados da literatura são condicionados a fatores como espessura das paredes, propriedades do concreto, soluções de cobertura, presença de sombreamento, ventilação cruzada e contexto climático. Estudos aplicados ao clima brasileiro indicam que, embora paredes maciças de concreto tendam a apresentar maior inércia térmica, o atendimento às exigências mínimas da ABNT NBR 15575 é possível mediante projeto adequado, uso de cores claras, adoção de beirais, elementos de sombreamento e ventilação natural (MARIANO, 2016; BARBOSA JUNIOR, 2019).

Quanto ao desempenho acústico, a densidade das paredes monolíticas favorece a atenuação sonora entre unidades, desde que as ligações com esquadrias, lajes e demais elementos sejam corretamente executadas. Em síntese, o sistema mostra-se tecnicamente compatível com os requisitos normativos, condicionando seu desempenho final à qualidade de projeto, materiais e execução.

3.5 Desafios operacionais, limitações e riscos na adoção do sistema

Apesar das vantagens identificadas, a literatura e os casos analisados apontam desafios importantes para a difusão do concreto moldado in loco, especialmente entre pequenas e médias construtoras:

a) Dependência de planejamento detalhado – A eficácia do sistema exige cronogramas rígidos, fornecimento contínuo de concreto, compatibilização prévia de projetos e logística bem definida para montagem, concretagem, desforma e limpeza das fôrmas. Falhas nesses aspectos podem resultar em atrasos, patologias e elevação de custos (FREITAS; CARVALHO, 2018).

b) Qualificação da mão de obra – A montagem inadequada das fôrmas, erros no posicionamento de armaduras, falhas de adensamento e no embutimento de instalações podem comprometer a segurança estrutural e o desempenho de estanqueidade. Assim, o sistema demanda equipes treinadas, supervisão técnica constante e cultura de controle tecnológico.

c) Investimento inicial em fôrmas – O custo de aquisição ou locação de fôrmas metálicas ou plásticas é significativo. A viabilidade econômica depende de elevado número de reutilizações; em empreendimentos de baixa escala, esse fator constitui barreira relevante.

d) Rigidez tipológica – A elevada padronização favorece a produção em massa, porém restringe alterações de layout durante a obra e reformas futuras que demandem remoção de paredes estruturais. Isso exige que o projeto arquitetônico seja criteriosamente elaborado, considerando funcionalidade, acessibilidade e flexibilidade de uso.

e) Barreiras culturais e institucionais – A adoção do sistema ainda enfrenta resistência de alguns profissionais e usuários, seja por desconhecimento, seja por percepção de risco quanto a tecnologias menos difundidas. A superação dessa barreira envolve divulgação de resultados, demonstração de obras de referência, capacitação técnica e alinhamento com órgãos financiadores e agentes públicos.

Tais desafios não anulam as potencialidades do sistema, mas reforçam que o concreto moldado in loco não é solução universal. Sua aplicação demanda ambiente organizacional maduro, gestão profissionalizada e rigor técnico em todas as etapas.

3.6 Síntese dos resultados em relação aos objetivos do estudo

À luz dos dados discutidos, verifica-se que:

  • o sistema de paredes de concreto moldado in loco proporciona ganhos expressivos de produtividade e redução de prazos em empreendimentos com alta repetitividade e escala adequada;
  • o custo-benefício é favorável quando considerados custos diretos e indiretos, redução de retrabalhos, diminuição de resíduos, padronização construtiva e potencial aumento de durabilidade;
  • o sistema atende aos requisitos normativos de segurança estrutural, desempenho e vida útil, desde que devidamente projetado e executado conforme ABNT NBR 16055, ABNT NBR 6118 e ABNT NBR 15575;
  • há contribuição relevante para a sustentabilidade do processo construtivo, pela redução de entulho e racionalização de recursos;
  • persistem limitações ligadas ao investimento inicial, à necessidade de qualificação, à rigidez tipológica e às barreiras culturais, que condicionam a viabilidade do sistema.

Dessa forma, os resultados obtidos confirmam a hipótese central do trabalho: o concreto moldado in loco configura alternativa tecnicamente consistente e economicamente competitiva para edificações habitacionais, sobretudo de interesse social, desde que inserido em contexto de planejamento integrado, escala adequada e gestão orientada à qualidade.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 

O estudo teve como objetivo analisar o custo-benefício e a eficiência construtiva das casas em concreto moldado in loco, considerando aspectos de produtividade, racionalização, desempenho técnico e sustentabilidade, com ênfase em empreendimentos habitacionais. Com base na revisão bibliográfica e na análise de experiências documentadas, verificou-se que o sistema de paredes de concreto moldado in loco apresenta-se como solução compatível com as demandas contemporâneas da construção civil por rapidez executiva, controle tecnológico e melhor aproveitamento de recursos.

Os resultados indicam que, em empreendimentos com número expressivo de unidades padronizadas, o sistema permite a redução do prazo de obra, a diminuição de perdas de materiais e a integração de etapas construtivas, contribuindo para um canteiro mais organizado e economicamente eficiente. Quando avaliados os custos diretos e indiretos de forma global, o concreto moldado in loco tende a apresentar relação custo-benefício favorável em comparação à alvenaria convencional, especialmente em programas habitacionais de larga escala.

Constatou-se, ainda, que o sistema pode atender de maneira satisfatória aos requisitos normativos de segurança, durabilidade e desempenho, desde que observados o correto dimensionamento estrutural, o controle da qualidade do concreto, a adequada execução das fôrmas e o planejamento das interfaces com instalações e esquadrias. A redução da geração de resíduos e a racionalização dos processos reafirmam seu potencial alinhamento com princípios de sustentabilidade na construção civil.

Entretanto, a adoção dessa tecnologia não é isenta de desafios. O investimento inicial em fôrmas, a necessidade de mão de obra qualificada, a rigidez tipológica e as barreiras culturais constituem fatores que podem limitar sua difusão, sobretudo entre empreendimentos de pequena escala e empresas com menor capacidade de gestão. Nesse sentido, a consolidação do concreto moldado in loco como solução amplamente adotada depende de ações integradas de capacitação profissional, difusão de informações técnicas confiáveis, incentivo à inovação e estímulo à industrialização da construção.

Como encaminhamento para trabalhos futuros, recomenda-se a realização de estudos empíricos comparativos em diferentes regiões e tipologias habitacionais, envolvendo análises quantitativas de custos, prazos, desempenho térmico e acústico, impactos ambientais ao longo do ciclo de vida e percepção dos usuários. Investigações sobre o uso de concretos com adições minerais, soluções de menor emissão de carbono e estratégias de flexibilização arquitetônica em sistemas monolíticos também se apresentam como campos promissores para aprofundar o conhecimento e ampliar a aplicabilidade do concreto moldado in loco na habitação brasileira.

REFERÊNCIAS 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA CONSTRUÇÃO INDUSTRIALIZADA. Manual técnico de alvenaria. São Paulo: ABCI, 1990.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 16055:2012 – Parede de concreto moldada no local para a construção de edificações – Requisitos e procedimentos. Rio de Janeiro, 2012. 

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15575:2013 – Edificações habitacionais – Desempenho. Rio de Janeiro, 2013.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118:2014 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento. Rio de Janeiro, 2014.

BARBOSA JUNIOR, R. R. Sistema construtivo de paredes de concreto moldado in loco aplicado em habitação de interesse social: estudo de caso na região metropolitana de Goiânia. 2019. Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Civil) – Instituto Federal de Goiás, Goiânia.

CAMPOS, S. A. et al. Como melhorar o conforto do usuário no ambiente construído: modelo para seleção de sistemas construtivos em habitações de interesse social. Revista Produção Online, Florianópolis, v. 21, n. 2, p. 312-331, 2021. 

CORDEIRO, F. R. F. S. Orçamento e controle de custos na construção civil. 2007. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte. 

FREITAS, A. P.; CARVALHO, M. L. Análise comparativa de custo e produtividade entre paredes de concreto moldadas in loco e alvenaria convencional em empreendimentos habitacionais. Revista Técnico-Científica da Construção Civil, v. 12, n. 1, p. 55-70, 2018.

FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO. Déficit habitacional no Brasil: 2016-2019. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 2021. 

GONÇALVES, R. F.; ROCHA, L. M. Critérios de viabilidade econômica para adoção de paredes de concreto em programas habitacionais. Revista Habitar, v. 9, n. 2, p. 22-35, 2021.

JIANG, X. et al. Carbon emissions of cast-in-place and prefabricated residential buildings: comparative research and reduction strategy. E3S Web of Conferences, v. 498, 01009, 2024.

MACÊDO, J. S. Um estudo sobre o sistema construtivo formado por paredes de concreto moldadas no local. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Engenharia Civil) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa.

MARIANO, P. F. M. Painéis de concreto moldados in loco aplicados à habitação social. 2016. Trabalho de Conclusão de Curso (Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade Assis Gurgacz, Cascavel. 

OLIVEIRA, S. H.; FARIAS, E. A. A gestão dos resíduos da construção civil no Vale do São Francisco: uma proposta de governança pública como ferramenta de desenvolvimento sustentável. Revista Opara – Ciências Contemporâneas Aplicadas, Petrolina, v. 9, n. 2, p. 63-77, 2019.

SACHT, H. M. Painéis de vedação de concreto moldados in loco: desenvolvimento tecnológico e avaliação de desempenho. 2008. Tese (Doutorado em Engenharia de Construção Civil) – Universidade de São Paulo, São Paulo.  

SANTOS, R. A.; MEDEIROS, F. L. Redução de resíduos e impactos ambientais com o uso de paredes de concreto em habitações populares. Ambiente Construído, Porto Alegre, v. 20, n. 4, p. 155-170, 2020.

SINDUSCON-SP. Boletim técnico: segurança do trabalho e racionalização de canteiro em sistemas industrializados. São Paulo, 2021.

SOUZA, C. S. Viabilidade do concreto moldado in loco nas habitações unifamiliares. Revista Mundo Tecnológico, v. 12, n. 14, p. 7-18, 2021.

APÊNDICES 

APÊNDICE A – ROTEIRO DE AVALIAÇÃO TÉCNICO-ECONÔMICA DO SISTEMA DE PAREDES DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO

Este apêndice apresenta o roteiro utilizado para a análise técnico-econômica comparativa entre o sistema de paredes de concreto moldado in loco e os sistemas convencionais adotados em habitações de interesse social.

  1. Identificação do empreendimento
    1.1 Localização
    1.2 Tipologia das unidades habitacionais
    1.3 Número total de unidades
    1.4 Padrão construtivo e diretrizes do contratante
  2. Caracterização do sistema convencional de referência
    2.1 Sistema estrutural e de vedação empregado
    2.2 Sequência executiva
    2.3 Principais materiais utilizados
    2.4 Produtividade média das equipes
    2.5 Custos diretos e indiretos registrados
  3. Caracterização do sistema de paredes de concreto moldado in loco
    3.1 Tipo de fôrmas utilizado
    3.2 Número estimado de reutilizações
    3.3 Sequência executiva adotada
    3.4 Equipe envolvida e nível de capacitação
    3.5 Controle tecnológico do concreto
  4. Levantamento de indicadores de desempenho
    4.1 Prazo total de execução (dias ou meses)
    4.2 Produtividade (m² de parede/dia, unidades/ciclo)
    4.3 Custos diretos (R$/m² e R$/unidade)
    4.4 Custos indiretos (administração, canteiro, equipamentos, encargos)
    4.5 Taxa de retrabalho e ocorrência de patologias
    4.6 Volume de resíduos gerados
  5. Análise comparativa
    5.1 Aplicação dos indicadores aos estudos selecionados
    5.2 Identificação de ganhos ou perdas em prazo
    5.3 Identificação de ganhos ou perdas em custo global
    5.4 Síntese dos fatores condicionantes para a viabilidade do sistema

Este roteiro foi utilizado como base para sistematizar e comparar os dados encontrados na literatura, possibilitando a discussão apresentada ao longo do trabalho.

APÊNDICE B – INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO QUALITATIVA DO DESEMPENHO EM OBRAS COM PAREDES DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO

Este apêndice reúne um instrumento de avaliação qualitativa aplicado, de forma hipotética e/ou adaptada a partir da literatura, para analisar o desempenho do sistema de paredes de concreto moldado in loco em empreendimentos habitacionais.

  1. Organização do canteiro
    ( ) Elevada organização, com fluxos definidos de materiais e equipes
    ( ) Organização mediana, com interferências pontuais
    ( ) Baixa organização, com conflitos frequentes de frente de serviço
  2. Execução das fôrmas
    ( ) Fôrmas bem montadas, sem vazamentos de nata, bom prumo e alinhamento
    ( ) Pequenos ajustes necessários, sem prejuízo significativo ao resultado
    ( ) Ocorrência de falhas relevantes, exigindo retrabalho e correções
  3. Lançamento e adensamento do concreto
    ( ) Lançamento contínuo, adensamento adequado, ausência de ninhos
    ( ) Ocorrência pontual de falhas, corrigidas em tempo hábil
    ( ) Falhas recorrentes de adensamento e preenchimento das fôrmas
  4. Desempenho das paredes após desforma
    ( ) Superfícies regulares, poucas fissuras, mínima necessidade de reparos
    ( ) Presença moderada de fissuras ou imperfeições, tratáveis com correções simples
    ( ) Fissuras significativas, falhas de cobrimento ou exposição de armaduras
  5. Integração com instalações
    ( ) Eletrodutos e caixas corretamente posicionados, sem necessidade de cortes
    ( ) Ajustes pontuais necessários em algumas unidades
    ( ) Necessidade recorrente de cortes, embutidos e adaptações pós-concretagem
  6. Percepção geral de qualidade
    ( ) Sistema considerado satisfatório e replicável
    ( ) Sistema considerado viável, com necessidade de ajustes de gestão
    ( ) Sistema considerado pouco vantajoso nas condições analisadas

A consolidação das respostas permite avaliar, de forma qualitativa, a aderência do sistema aos objetivos de racionalização, qualidade e redução de retrabalho discutidos no estudo.

ANEXO A – PLANTA BAIXA TIPO DE UNIDADE HABITACIONAL EM PAREDES DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO

Neste anexo apresentam-se as plantas baixa de uma unidade habitacional unifamiliar executada com paredes de concreto moldado in loco, utilizada como referência na análise do sistema.

Fonte: Acervo da empresa Construtora Inovativa (2025).

As representações contemplam:

– Disposição dos ambientes;
– instalações sanitárias;
– instalações hidráulicas;
– instalações elétricas;

As plantas ilustram a necessidade de compatibilização prévia entre arquitetura, estrutura e instalações para o adequado desempenho do sistema.

ANEXO B – FOTOREGISTRO ILUSTRATIVO DO PROCESSO EXECUTIVO DAS PAREDES DE CONCRETO MOLDADO IN LOCO

Fonte: Fotografias tiradas pelo autor na obra visitada.

Este anexo reúne registros fotográficos ilustrativos das principais etapas do processo executivo:         

– Execução da fundação tipo radier;
– posicionamento das armaduras;
– montagem das formas;
– desforma e aspecto final das paredes;

As imagens têm caráter demonstrativo, reforçando os aspectos de planejamento, controle tecnológico e organização do canteiro apontados na discussão do trabalho.

EQUAÇÕES, FIGURAS E TABELAS

Para o desenvolvimento deste trabalho, foram utilizadas equações, figuras e tabelas com a finalidade de sintetizar os resultados da análise comparativa entre o sistema de paredes de concreto moldado in loco e os sistemas convencionais.

Figura 1 – Fluxo esquemático do processo executivo do sistema de paredes de concreto moldado in loco

Fonte: Elaborado pelo autor (2025).

A Figura 1 representa, de forma esquemática, as principais etapas do processo: posicionamento das armaduras e instalações, montagem das fôrmas, lançamento e adensamento do concreto, cura, desforma e eventuais acabamentos necessários. Esse fluxo evidencia a integração entre estrutura e vedação e a importância do planejamento de ciclos contínuos.

Figura 2 – Comparação qualitativa da geração de resíduos entre sistemas construtivos

Fonte: Elaborado pelo autor (2025).

A Figura 2 apresenta uma comparação ilustrativa da geração relativa de resíduos entre a alvenaria convencional, a alvenaria estrutural e o sistema de paredes de concreto moldado in loco, destacando a redução obtida pela eliminação de cortes excessivos, sobras de blocos e múltiplas camadas de revestimento.

Tabela 1 – Síntese comparativa entre sistemas construtivos

IndicadorAlvenaria Convencional (Vedação)Alvenaria EstruturalParedes de Concreto Moldado in loco
Prazo de ExecuçãoLongo. Processo sequencial e fragmentado (estrutura; vedação; instalações; revestimento).Médio. Otimizado pela eliminação de etapas (estrutura e vedação simultâneas), mas ainda depende de assentamento manual.Curto. Processo industrializado. Permite ciclos diários de concretagem (estrutura, vedação e instalações simultâneas).
Custo Global EstimadoAlto. Elevada incidência de mão de obra, maior tempo de canteiro e desperdício de materiais.Médio/Baixo. Redução de fôrmas de madeira e aço. Competitivo para obras de médio porte.Baixo (em escala). Diluição do alto custo inicial das fôrmas pelo número de repetições. Altamente rentável em grandes volumes.
Geração de ResíduosAlta. Entulho gerado por rasgos para embutir instalações, quebra de blocos e perdas de argamassa.Média. Redução de rasgos (uso de blocos canaleta/furos), mas ainda há perdas por quebra e argamassa.Mínima. Elimina rasgos (instalações embutidas). As fôrmas são reutilizáveis e não geram entulho de madeira/tijolo.
Necessidade de RetrabalhoAlta. Correções frequentes de prumo e esquadro através de espessas camadas de emboço/reboco.Média. Exige mão de obra qualificada; erros de modulação são difíceis de corrigir posteriormente.Baixa. A precisão dimensional das fôrmas garante superfícies prontas para acabamento fino, dispensando reboco grosso.

Fonte: Elaborado pelo autor.

A Tabela 1 organiza os principais indicadores levantados na literatura quanto a prazo de execução, custo global estimado, geração de resíduos e necessidade de retrabalho, permitindo visualizar de forma objetiva as vantagens e limitações de cada sistema analisado.

Tabela 2 – Relação entre escala do empreendimento e viabilidade do sistema de paredes de concreto moldado in loco

Escala do Empreendimento (Nº de Unidades Repetitivas)Nível de Reaproveitamento das FôrmasImpacto da Amortização do Jogo de FôrmasTendência do Custo Unitário GlobalViabilidade Econômica Comparada (vs. Tradicional)
Pequena Escala
(Ex: Poucas dezenas de unidades ou casas isoladas)
Baixo. O número de giros (usos) é insuficiente para pagar o investimento no kit de fôrmas.Negativo. O custo elevado das fôrmas pesa desproporcionalmente sobre cada unidade construída.Alto. O custo por m² ou por unidade tende a ser superior aos sistemas convencionais.Baixa/Inviável. Geralmente não se justifica financeiramente, a menos que o prazo seja o único fator crítico.
Média Escala(Ex: Centenas de unidades, condomínios médios)Médio/Alto. As fôrmas atingem um número significativo de giros, aproximando-se do ponto de equilíbrio.Moderado. O custo inicial começa a ser diluído de forma eficiente entre as unidades.Decrescente. O custo unitário torna-se competitivo, empatando ou superando ligeiramente a alvenaria.Competitiva. O sistema se torna atrativo pelo equilíbrio entre custo razoável e ganho de velocidade.
Grande Escala
(Ex: Milhares de unidades, grandes conjuntos habitacionais)
Máximo. Utilização plena da vida útil do equipamento (ex: fôrmas de alumínio podem ultrapassar 400-500 giros).Excelente. O custo das fôrmas por unidade torna-se marginal (quase desprezível) no orçamento total.Otimizado (Mínimo). Atinge-se a máxima eficiência econômica do sistema, com o menor custo unitário possível.Altamente Viável. Torna-se imbatível em custo e prazo, sendo a solução padrão para habitação de interesse social em massa.

Fonte: Elaborado pelo autor.

A Tabela 2 apresenta a relação entre número de unidades produzidas, reaproveitamento de fôrmas e tendência de redução de custo unitário, evidenciando a importância da repetitividade e da escala para a consolidação do sistema como alternativa economicamente competitiva.

Esses elementos gráficos e numéricos integram e reforçam a análise desenvolvida nas seções de resultados e discussão, contribuindo para a compreensão dos efeitos do sistema de paredes de concreto moldado in loco sobre custo-benefício, eficiência construtiva e desempenho.

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