A IMPORTÂNCIA DE DIAGNOSTICAR AS MANIFESTAÇÕES BUCAIS DO LATENTE VÍRUS HIV: UMA REVISÃO DE LITERATURA

THE IMPORTANCE OF DIAGNOSING ORAL MANIFESTATIONS OF LATENT HIV VIRUS: A LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202507301852


Gabriel Carvalho Barbosa de Sousa1; Fernanda Araújo Viol2; Luiz Eduardo Meireles Mayrink3; Helon Bonfim Lisboa4; Antônio José Araújo Pereira Júnior5; Thayla de Oliveira Assis6; Ellen Rocha de Andrade7; Beatriz Bernardo Passos8; Beatriz Oliveira da Silva9; Rhuann Ayran Castro Borburema10


Resumo

As manifestações orais estão presentes em grande parte dos indivíduos infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), podendo representar os primeiros sinais clínicos da infecção, especialmente em sua fase latente. Nesse contexto, a atuação do cirurgião-dentista na Atenção Primária à Saúde (APS) é essencial, uma vez que esse profissional está em posição estratégica para identificar alterações orais sugestivas da infecção e encaminhar o paciente para diagnóstico e tratamento oportunos. Este estudo tem como objetivo compreender as principais manifestações bucais relacionadas ao HIV e destacar a importância do cirurgião-dentista no processo diagnóstico dentro da equipe multiprofissional de saúde. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados PubMed e Google Acadêmico, com foco em publicações relevantes dos últimos anos. A valorização da atuação odontológica na triagem e reconhecimento precoce dessas alterações contribui para o controle da doença, redução da transmissibilidade e melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Palavras-chave: Manifestações Bucais. Síndrome da imunodeficiência Adquirida – AIDS. Soropositividade para HIV.

Abstract

Oral manifestations are present in most individuals infected by the human immunodeficiency virus (HIV), and may represent the first clinical signs of infection, especially in its latent phase. In this context, the dental surgeon’s role in Primary Health Care (PHC) is essential, since this professional is in a strategic position to identify oral changes suggestive of infection and refer the patient for timely diagnosis and treatment. This study aims to understand the main oral manifestations related to HIV and highlight the importance of the dental surgeon in the diagnostic process within the multidisciplinary health team. This is a narrative review of the literature, carried out through searches in PubMed and Google Scholar databases, focusing on relevant publications of recent years. The appreciation of dental performance in screening and early recognition of these changes contributes to the control of the disease, reduction of transmissibility and improvement of patient’s quality of life.

Keywords: Oral Manifestations. Acquired immunodeficiency syndrome – AIDS. Seropositivity for HIV.

1 INTRODUÇÃO

A pandemia do vírus da imunodeficiência humana (HIV) marcou muitas vidas, surgindo ao final do século XX e persistindo durante o século XXI, afetando a saúde da população em diversos países. Como consequência, houve problemas sanitários e sociais em diferentes níveis de classe. Após a contaminação pelo vírus, o paciente pode demorar anos para apresentar sintomas (Gomes; Soares; Felipe, 2020).

Os sintomas de um paciente podem advir da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), que é provocada pela infecção pelo vírus HIV. O agente viral pertence ao gênero Lentivirus, da família Retroviridae, e se manifesta no organismo causando uma perda gradual de leucócitos, especialmente dos linfócitos T CD4+, o que pode desencadear uma ineficiência progressiva do sistema imunológico. Quando não tratada, essa condição pode originar danos ao sistema imunológico do indivíduo, tornando-o suscetível a infecções oportunistas (Filho et al., 2021)

A transmissão do vírus HIV ocorre através do sangue, de relações sexuais (anal, oral, vaginal) e do contato com instrumentais infectados. Além disso, pode ocorrer de forma congênita (de mãe para filho) durante a gestação, no momento do parto e durante a amamentação (Albarelo; Scotti, 2021).

As manifestações orais atingem a maior parte da população infectada pelo HIV. Segundo Motta et al. (2014), as principais lesões podem ser advindas de vírus, bactérias, fungos ou até mesmo neoplásicas. Sendo as principais candidíase, nas suas mais diversas formas, doenças periodontais, doenças gengivais, sarcoma de kaposi, linfoma não Hodgkin, herpes simples, papilomavírus e leucoplasia pilosa. De acordo com o estudo de Linhares e Queiroz (2021), a lesão bucal que acomete com maior frequência indivíduos com HIV/Aids é a candidíase apresentando uma prevalência entre 10,3% e 59,1%.

Portanto, observar os sinais clínicos e investigar a presença da doença é de suma importância. Através da detecção do vírus investiga-se a carga viral presente no organismo e inicia-se a terapia antirretroviral. Esta, por sua vez, traz muitos benefícios à qualidade de vida do paciente, contribui para a melhoria da cavidade oral e previne a infecção do vírus (Linhares; Queiroz, 2021).

O objetivo deste trabalho é compreender as manifestações orais causadas pelo vírus HIV e a importância do cirurgião dentista no diagnóstico dessas manifestações.

2 METODOLOGIA

Esta pesquisa trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com abordagem qualitativa, cujo objetivo é compreender as manifestações orais causadas pelo vírus HIV e a importância do cirurgião dentista no diagnóstico dessas manifestações. A construção da metodologia baseou-se no desenvolvimento da seguinte pergunta norteadora: “”Quais são as principais manifestações bucais associadas à infecção pelo HIV em sua fase latente e qual a relevância do seu diagnóstico precoce na prática odontológica?” A busca dos artigos foi realizada nas seguintes bases de dados eletrônicas: U. S. National Library of Medicine (PubMed) e o Google Acadêmico. A pesquisa bibliográfica utilizou dos seguintes critérios de inclusão: Artigos disponíveis na íntegra; Publicações nos idiomas português e inglês; Estudos realizados entre 2019 e 2024; Estudos que abordem sobre a origem odontológica das manifestações orais do HIV. Foram utilizados os descritores controlados DeCS/MeSH, combinados por operadores booleanos (“AND”, “OR” e “NOT”). Os critérios de exclusão incluíram: Estudos duplicados nas bases; Artigos que não abordassem diretamente o tema; Trabalhos indisponíveis na íntegra.

Os dados foram interpretados de forma descritiva e reflexiva, possibilitando uma análise integrada e fundamentada sobre as manifestações orais causadas pelo vírus HIV e a importância do cirurgião dentista no diagnóstico dessas manifestações.

3 REFERENCIAL TEÓRICO

A infecção pelo HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) pode ocorrer por via sexual, contato sanguíneo e transmissão vertical, quando é passado de mãe para filho. O número de linfócitos CD4, quando abaixo de 200/mm3, indica uma diminuição significativa da imunidade, tornando o organismo suscetível ao aparecimento de diversas enfermidades, como a da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), infecções oportunistas e até mesmo neoplasias malignas (Motta et al., 2014).

Existem diferentes tipos de manifestações desencadeadas pelo vírus HIV, incluindo as bucais, que têm grande prevalência em pessoas contaminadas pelo vírus. A evolução do HIV não acontece de forma isolada; ele instala-se como um parasita e enfraquece as células T, diminuindo a resistência contra infecções, esse vírus tem a capacidade de infectar qualquer tipo de célula expressa o CD4 com alta afinidade, especialmente os linfócitos T. O número de células CD4+ (normalmente entre 1.000 a 1.200/mm) sofre degradação para menos de 200/mm3 nos estágios mais avançados da doença (Linhares; Queiroz, 2021).

Com a tentativa de reduzir a epidemia do HIV, a ONU estabeleceu três metas para atingir até 2020, sendo elas o diagnóstico de 90% das pessoas infectadas pelo HIV, o tratamento com TARV em 90% das pessoas que são diagnosticadas e o alcance da supressão viral também em 90% dos casos (Tappuni, 2020).

A cavidade oral abriga microrganismos que podem proliferar-se devido à degradação do sistema imunológico, facilitando o desenvolvimento de várias condições como as fúngicas, que são candidíase pseudomembranosa, candidíase eritematosa, candidíase hiperplásica e queilite angular. E infecções virais (herpes simples, papilomavírus e leucoplasia pilosa) e bacterianas (gengivite e periodontite), além de lesões neoplásicas como Sarcoma de Kaposi, carcinoma epidermóide e linfoma não-Hodgkin. Essas condições destacam, por fim, a importância da saúde oral na gestão geral da saúde (Motta et al., 2014).

Nos primeiros 10 dias de contaminação, fase denominada eclipse, o RNA não é detectável no plasma. O vírus se multiplica por uma pequena população de células infectadas e dissemina- se para os linfonodos regionais, provocando uma dispersão sistêmica. O pico de sua viremia aparece entre 21 e 28 dias, momento em que ocorre a exibição do vírus, que é associada ao declínio evidenciado nos linfócitos T CD4. O próximo ciclo apresenta-se com a expansão e disseminação sistêmica do vírus, impulsionada pelo aumento da resposta imunológica, que não é suficiente para conter a infecção viral (Seerig et al., 2022).

Neste processo há o aumento na produção dos linfócitos T CD4, que tornam-se alvos para novas infecções. A quantidade de Linfócitos T CD8 aumenta na tentativa de controlar a infecção, porém suas respostas mostram-se insuficientes para conter o avanço da doença. O início de uma resposta celular HIV-específica e a produção de anticorpos levam a uma redução da carga viral até atingir um nível denominado set point, que varia de acordo com cada indivíduo. A resposta imune celular tem mais importância que a resposta humoral, mas os anticorpos também desempenham papel crucial na redução da disseminação do HIV durante a fase crônica (Seerig et al., 2022).

A fase assintomática da infecção evolui para uma fase inicial sintomática, tida como um pré-desenvolvimento da AIDS e marcada por sinais e sintomas como febre crônica, perda de peso e diarreia (Wanderley et al., 2021). O HIV compromete a composição e função salivar, reduzindo a produção de IgA salivar e citocinas defensivas. Isso pode aumentar a patogenicidade de microrganismos na cavidade oral e favorecer a disbiose da microbiota, aumentando o risco de infecções oportunistas (Shuang et al., 2021).

As lesões bucais e peribucais podem ser os primeiros sinais de pessoas que estão infectadas pelo vírus do HIV, antes mesmo de ocorrer alguma manifestação sistêmica. Portanto, é de suma importância o cirurgião dentista ter conhecimento de manifestações orais para obter um bom e precoce diagnóstico da doença e realizar o encaminhamento ao infectologista o mais breve possível (Oliveira, 2021).

Os pacientes pediátricos com o sistema imunológico imaturo (crianças infectadas pelo HIV) estão expostos a condições graves, como o acometimento de doenças multissistêmicas e também o desenvolvimento mais rápido e grave do HIV, quando se comparados aos adultos. É muito comum detectar lesões na cavidade oral de crianças com HIV e, grande parte das vezes, são as primeiras manifestações da doença. A má saúde bucal pode reduzir a qualidade de vida e a prevalência de cárie em crianças com HIV/AIDS é maior do que em crianças imunocompetentes (Lauritano et al., 2020).

As lesões orais são frequentes em pacientes HIV positivos, sendo descritas mais de 40 tipos dentro da literatura, muitas vezes manifestando-se como os primeiros sinais da doença. Entre as mais comuns estão a candidíase, leucoplasia pilosa, sarcoma de Kaposi, linfoma não- Hodgkin, gengivite ulcerativa necrosante aguda e a periodontite. Pacientes portadores de HIV positivo podem apresentar diversos fatores que contribuem para o desenvolvimento precoce de lesões, tais como a contagem de linfócitos T CD4+ abaixo de 200 células/mm³, carga viral elevada (acima de 10.000 cópias/ml), xerostomia, higiene bucal precária e uso de tabaco (Guimarães et al., 2023).

Devido a existência de diversas manifestações bucais associadas a infecção pelo vírus HIV, em 2009 foi estabelecida uma classificação nova das lesões, padronizando o diagnóstico clínico. Essa classificação é utilizada até os dias atuais como padrão clínico e para os demais estudos epidemiológicos. A classificação é dividida em 5 grupos de lesões bucais, subdivididas da seguinte forma: primeiro grupo, referente às infecções fúngicas, que envolvem queilite angular e candidíase; o segundo grupo, que são as infecções virais, herpes simples, (intra oral ou labial), verrugas bucais e leucoplasia pilosa; terceiro grupo, que representa condições idiopáticas, como úlceras aftosas de recorrência; quarto grupo, que são as infecções bacterianas caracterizadas por periodontite e gengivite; quinto grupo, que são as lesões neoplásicas como linfoma não Hodgkin e o sarcoma de Kaposi oral (Moura et al., 2022).

3.1 Manifestações orais

A Candidíase, que são as leveduras detectadas em patologia humana, limitam-se em relação ao grupo do mundo fúngico. Os demais são agentes oportunistas com biologias diferentes, que não se manifestam sem a presença de fatores de risco. Sendo assim, são as principais associadas a presença do vírus do HIV, podendo levar a um diagnóstico inicial (Rayssac, 2019).

Mais de 50% dos pacientes pode apresentar algum tipo de manifestação na fase inicial da candidíase. Na fase aguda e crônica identificam-se como uma estomatite eritematosa com desenvolvimento acelerado em 2-3 dias, com placas brancas confluentes destacáveis, que podem revelar um eritema mucoso (Figura 1). A fase aguda pode levar à Candidíase pseudomembranosa e à Candidíase eritematosa. Já na fase crônica apresenta-se como Candidíase hiperplásica e queilite angular, com aparecimento de máculas vermelhas semelhantes à estomatite protética (Figura 2) (Rayssac, 2019).

Figura 1– Candidíase Pseudomembranosa

Fonte: Rayssac (2019, p.22).

Figura 2– Candidíase Eritematosa

Fonte: Rayssac (2019, p.32).

A Candidíase é uma infecção fúngica que ocorre com maior frequência em imunossuprimidos, sendo considerada um marcador para expressar a progressão da SIDA (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). A presença da leucoplasia e xerostomia é comum nesses pacientes (Santos et al., 2022).

A Queilite angular é uma infecção que afeta a região de comissura labial, desenvolvendo- se em meio úmido, podendo ser precipitada por infecções fúngicas como cândida. Possui aspecto eritematoso e esporadicamente pode apresentar-se ulcerada, na forma de fissuras (Figura 3). Essa condição pode se estender pela mucosa retro comissural na face interna (Rayssac, 2019).

Figura 3– Queilite Angular

Fonte: Rayssac (2019, p.24).

A Herpes Simples é uma infecção viral causada pelo vírus herpes simples tipo 1 (HSV-10), que é caracterizada por lesões vesiculares que ocorrem principalmente ao redor da boca e nos lábios, conhecidas como oro labiais ou herpes labial (Figura 4). Suas lesões quando expostas são extremamente contagiosas. Esse vírus pode infectar diferentes tipos de hospedeiros, marca que estabelece a sua latência, conservando-se nas células do hospedeiro por toda vida e podendo ser reativado por quedas de imunidade. Pode ser encontrada em pacientes HIV co-infectados com o vírus da herpes (Rezende; Junior; Oliveira, 2020).

A diferença da predominância do vírus em pacientes imunocompetentes e em imunossuprimidos está relacionada à resistência viral natural. Em pacientes imunocompetentes, há uma resposta imunológica eficaz, controlando a replicação viral. Por outro lado, em pacientes portadores de HIV/AIDS, a resposta imunológica é comprometida, resultando na menor capacidade de controle viral, ou seja, maior propensão a mutações virais (Rezende; Junior; Oliveira, 2020).

Figura 4– Herpes Labial

Fonte: Motta (2014, p.24).

O Papilomavírus Humano (HPV), assim como o HIV, é um vírus cuja transmissão pode ocorrer por contato cutâneo e relações sexuais. Ele infecta principalmente os queratinócitos basais da pele e mucosas. A transmissão ocorre quando há um microtrauma que permite o contato do vírus com essas células. Apresentam-se em diferentes formatos de lesões na cavidade oral (Figura 5 e 6) como: verruga vulgar, condiloma acuminado, hiperplasia epitelial multifocal e papiloma escamoso. A imunossupressão provocada pelo HIV pode ser prejudicial no contexto do HPV, aumentando a prevalência e prolongando o ciclo de persistência das lesões associadas ao vírus. É comum haver um maior risco de displasias nas lesões provocadas pelo HPV, devido ao estado comprometido da resposta imunológica causada pelo HIV/AIDS (Wanderley et al., 2021).

Figura 5– Verrugas Orais na Gengiva

Fonte: Rayssac (2019, p.28).

Figura 6– Infecção pelo Papilomavírus Humano Associado ao HIV

Fonte: Motta (2014, p.20).

As Úlceras Aftosas Recorrentes são as feridas bucais não traumáticas mais frequentes. A frequência pode variar de 5% em pacientes sem tratamento antirretroviral a 10% em pacientes sob tratamento. Essas lesões estão fortemente associadas a uma contagem de linfócitos T CD4+ inferior a 200 células/mm³. As úlceras aftosas menores e maiores apresentam-se com halo eritematoso simples (Figura 7), são dolorosas e revestidas por uma pseudomembrana amarelo- acinzentada com diâmetros de 2 a 5 mm. São mais comuns na membrana mucosa oral não queratinizada e podem permanecer por 7 a 10 dias, cicatrizando sem deixar marcas (Martínez et al., 2022).

Figura 7– Úlcera Aftosa Menor em Mucosa do Vestíbulo Inferior

Fonte: Martínez et al. (2022, p.05).

A Gengivite e Periodontite são lesões fortemente associadas ao HIV. São infecções bacterianas e ocorrem devido às alterações na microbiota oral de pacientes imunossuprimidos, o que facilita o surgimento de lesões gengivais e periodontais. O HIV age diretamente no patógeno da doença periodontal e as manifestações apresentam-se como as primeiras observadas em pacientes com o sistema imunológico comprometido, tendo rápida evolução. A gengivite (Figura 8), pode apresentar-se por uma faixa linear de eritema ao longo da gengiva marginal livre, estendendo-se de 2 a 3 mm apicalmente, com eritema difuso na gengiva e mucosa alveolar. A Periodontite (Figura 9) pode manifestar-se através de ulceração gengival com necrose associada, resultando em uma perda rápida e significativa da inserção periodontal (Gomes; Soares; Felipe, 2020) e (Motta et al., 2014).

Figura 8– Gengivite Marginal

Fonte: Rayssac (2019, p.34).

Figura 9– Periodontite Crônica de Arcada Superior e Inferior

Fonte: Martínez et al. (2022, p.05).

O linfoma não-Hodgkin é um câncer que atinge principalmente as células do sistema linfático, especificamente os linfócitos B. Esse tipo de câncer é mais comum em adultos e manifesta-se clinicamente por um aumento de volume indolor na região linfática, com um crescimento lento. Na cavidade oral (Figura 10), o tecido mole pode mostrar um aumento de volume indolor e difuso no vestíbulo oral, palato duro ou gengiva. O tratamento do linfoma não-Hodgkin depende de diversos fatores e deve ser realizado por um profissional médico especializado (Ferrarez et al., 2022).

Figura 10– Linfoma Não-Hodgkin Primário Extranodal

Fonte: Rayssac (2019, p.32).

O aparecimento das lesões orais podem estar relacionadas à progressão do HIV/AIDS, servindo como um importante indicador do prognóstico. Portanto, a conduta deve ser interdisciplinar, envolvendo dentistas e profissionais da saúde trabalhando em equipe para oferecer o tratamento ideal, monitorar o progresso da doença e implementar medidas preventivas eficazes. É importante realizar um diagnóstico precoce por meio de uma avaliação clínica detalhada da saúde bucal do paciente, identificando lesões previamente, o que permite intervenções mais eficientes. O impacto causado por essas manifestações orais não se limita somente a saúde bucal, prejudicando também a capacidade funcional e deteriorando significativamente a qualidade de vida dos pacientes (Gannepalli et al., 2020) e (Sousa et al., 2024).

4 CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise dos estudos revisados evidencia a relevância de uma abordagem integrada e multiprofissional na identificação precoce das manifestações bucais associadas ao HIV, especialmente durante sua fase latente. Essas manifestações, frequentemente os primeiros sinais clínicos da infecção, representam uma oportunidade crucial para o diagnóstico antecipado, possibilitando intervenções terapêuticas mais eficazes e contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.

O cirurgião-dentista desempenha papel estratégico nesse contexto, atuando na triagem, diagnóstico e encaminhamento adequado dos casos suspeitos. Para isso, é imprescindível que esses profissionais estejam capacitados e atualizados quanto às manifestações orais do HIV, reforçando a necessidade de educação continuada em Odontologia.

Apesar dos avanços no tratamento do HIV/AIDS, persistem desafios relacionados ao estigma social e à desinformação, tanto na população geral quanto entre profissionais da saúde. Campanhas educativas e ações de conscientização são fundamentais para superar essas barreiras e promover um ambiente de cuidado mais humanizado e eficiente.

Conclui-se, portanto, que o diagnóstico das manifestações bucais do HIV representa uma estratégia essencial para a detecção precoce da infecção e o controle da sua propagação. Investir na formação continuada dos profissionais de saúde bucal e fortalecer a articulação entre as diferentes áreas da saúde são medidas imprescindíveis para ampliar o acesso ao diagnóstico, garantir o tratamento oportuno e, consequentemente, melhorar os desfechos clínicos e a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/AIDS.

REFERÊNCIAS

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1 Graduado do Curso Superior de Odontologia pela Unipac – Barbacena, MG gabriel-carvalho01@hotmail.com
2 Docente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos – Barbacena, MG
3 Docente do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Presidente Antônio Carlos – Barbacena, MG
4 Discente do Curso Superior de Odontologia pela União Metropolitana de Educação e Cultura, UNIFAS
5 Docente do Curso Superior de Odontologia pela Unipac – Barbacena, MG e Staff do Serviço de Cirurgia Bucomaxilofacial do HRBJA/Fhemig – MG
6 Especialista em Implantodontia e Prótese Dentária pela Faculdade do Centro Oeste Paulista – FACOP
7 Discente do 12° período do Curso Superior de Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Campus Poços de Caldas
8 Especialista em Prótese Dentária e Implantodontia pela Ipesp – Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação
9 Graduada do Curso Superior de Odontologia pela Universidade Estácio de Sá – Unesa, RJ
10 Discente do Curso Superior de Odontologia pela Faculdade Maurício de Nassau de Campina Grande

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