BRUCELOSE: UMA REVISÃO DE LITERATURA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202506222238


Caroline Bastos De Marins; Flávia Dos Santos Caetano Antunes; Mylena Almeida De Oliveira; Rosiel Gonçalves Pires; Marcela Santana Corrêa; Patrícia De Oliveira; Talita Priscila Abreu Vieira; Orientadora – Drª Alana Camargo Poncio


Resumo:

A brucelose é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Brucella sp., as quais são capazes de acometer várias espécies domésticas e silvestres, além do homem. Se apresenta como uma enfermidade de grande impacto na saúde pública e no setor econômico, capaz de gerar problemas significativos no comércio internacional de animais, abortos e baixa fertilidade nas propriedades rurais, altos custos com programas de controle e erradicação e principalmente por comprometer os produtos de origem animal tornando-os vulneráveis as barreiras sanitárias. Apesar dos programas voltados ao controle e erradicação da doença, devido à sua natureza zoonótica, a doença permanece endêmica em muitos países, principalmente naquele sem desenvolvimento, causando perdas econômicas significativas aos sistemas de produção e graves efeitos na saúde animal e pública. A doença pode ser transmitida por contato direto ou indireto com animais infectados e anexos fetais, bem como pela ingestão de produtos animais contaminados (principalmente leite não tratado termicamente e seus derivados). Também pode ser transmitida através do manuseio de carcaças e vísceras durante o abate.

Palavras chaves : Brucella ; erradicação ; zoonóticas ; baixa fertilidade

1. Introdução

A brucelose possui vasta distribuição mundial, sendo endêmica no Brasil. Doença que provoca graves perdas na produção animal, chegando a causar 20% de diminuição na produção de leite e 5% na de carne, sem contar com a perda de bezerros ocasionada por abortamentos. Além disso, a sua presença torna o país vulnerável a barreiras sanitárias internacionais. É uma antropozoonose de evolução preferencialmente crônica e caráter granulomatoso difuso, caracterizada pela infecção das células do sistema mononuclear fagocitário, provocada por uma bactéria intracelular facultativa pertencente ao gênero Brucella (PAULIN & FERREIRA, 2003).

Segundo a Organização Mundial da Saúde classifica a brucelose como uma das sete zoonoses endêmicas negligenciadas que contribuem para a perpetuação da pobreza nos países em desenvolvimento. Embora a maioria dos países desenvolvidos esteja livre dessa importante zoonose, a brucelose ainda tem ampla distribuição na região do Mediterrâneo, Oriente Médio, Ásia Central e partes da América Latina, tornando-se um problema global.(Cardoso, 2022).

A transmissão desta zoonose entre rebanhos estão relacionados à aquisição de animais infectados, proximidade a rebanhos infectados, que compartilham pastagem e água, e animais que se alimentam de outros em decomposição. Dentro do rebanho, a transmissão da enfermidade é influenciada pelo nível l de vacinação, tamanho do rebanho, condições de instalações, uso de piquetes maternidade e densidade populacional (Crawford et al. 1990).

A sua ocorrência num país e/ou determinada região pode ocasionar perdas econômicas, tais como: a imposição de barreiras sanitárias e tarifárias ao comércio internacional de produtos de origem animal, provocar perdas no rendimento industrial com a condenação do leite e da carne provenientes de animais infectados, bem como o elevado número de abortos, nascimento de bezerros fracos, baixa fertilidade nas propriedades rurais e, principalmente o declínio na produção de leite e carne (Poester et al. 2009).

A imunização de animais geralmente resulta na eliminação do principal quadro clínico da brucelose, que é o aborto, e na redução do número de micro-organismos excretados por animais infectados (Corbel 2006).Sendo assim, a vacinação promove uma diminuição da prevalência e da incidência da doença, propiciando um avanço do programa de controle em direção à erradicação da doença (Lage et al.2005; Olsen & Stoffregen 2005).O controle da brucelose é fundamentado em ações de vacinação de fêmeas de 3 a 8 meses, diagnóstico e sacrifício dos animais positivos. Os programas de desinfecção e utilização de piquetes de parição são iniciativas simples que trazem como resultado a diminuição da quantidade de brucelas vivas presentes no ambiente. Isso representa diminuir a dose de desafio, o que, por sua vez, Significa aumentar os índices de proteção da vacina e diminuir a chance de a bactéria infectar um novo suscetível (Brasil, 2006).

2. Definição e etiologia

2.1 Definições:

A brucelose é uma doença bacteriana infecciosa, cuja etiologia é determinada por bactérias Gram negativas, do gênero Brucella (SILVA, 2011).

A brucelose é uma antropozoonose, sendo caracterizada como uma enfermidade de evolução crônica, sendo que parasita preferencialmente células do sistema mononuclear fagocitário (METCALF, 1994).

As principais manifestações nos animais, como abortos, nascimentos prematuros, esterilidade e baixa produção de leite são contribuintes para uma considerável baixa na produção de alimentos (BRASIL, 2006).

A enfermidade ocorre com maior prevalência na América Latina, África, oeste da Ásia, Oriente Médio e região Mediterrâneo (YOUNG, 1995). É considerada uma doença rara no Canadá, no entanto em 2011, um caso de brucelose foi registrado em uma mulher de 68 anos que contraiu a bactéria, em uma viagem realizada na Itália, por meio do consumo de leite cru e seus derivados, vindo a manifestar a sintomatologia no Canadá. Este fato evidência a importância da globalização de epidemiologia da doença (PIERDOMENICO, 2011).

2.2 Etiologia:

Dentro do gênero Brucella, podem ser descritas seis espécies independentes, cada uma com seu hospedeiro preferencial: Brucella abortus (bovinos e bubalinos), Brucella melitensis (caprinos e ovinos), Brucella suis (suínos), Brucella ovis (ovinos), Brucella canis (cães) e Brucella Neotomae (rato do deserto). Duas novas espécies de mamíferos marinhos recentemente isoladas estão sendo estudadas (POESTER, 2013).

Embora os bovinos e bubalinos sejam suscetíveis à B. suis e B. melitensis sem dúvidas a espécie mais importante é a B. abortus, responsável pela grande maioria das infecções (ACHA, SZYFRES, 2001).

3. Patogenia

A patogenicidade das bactérias do gênero Brucella está diretamente relacionada com os mecanismos que permitem sua invasão, sobrevivência e multiplicação intracelular nas células do hospedeiro, mantendo-as protegidas da ação do sistema imune (ARÉSTEGUI et al.,2001). A infecção natural se inicia Principalmente pelas mucosas oral, nasal, conjuntival ou pela pele, sendo que a porta de entrada principal da B. abortus em bovinos é a mucosa oral (BISHOP et al.,1994). Após a penetração na mucosa, as bactérias são fagocitadas principalmente por macrófagos, sendo levadas até os linfonodos regionais, onde se multiplicam e podem permanecer por semanas a meses, levando à hiperplasia e linfadenite (BISHOP et al., 1994). Localização inicial nos linfonodos satélites difusão para os tecidos linfáticos (baço e linfonodos retromamários e ilíacos). Fêmea adulta vazia: Localização no úbere – gestação: bacteriémias periódicas que infectam o leite e o útero. Fêmea adulta gestante: Aborto ocorre nos últimos 3 meses de gestação sendo o período de incubação inversamente proporcional ao desenvolvimento do feto quando infectado.

3.1 Transmissão

A bactéria acantona-se nos linfócitos, nódulos linfáticos e células percursoras da medula óssea, esperando pela gestação – quando o animal atinge a maturidade, desperta. Há colonização da placenta, provocando aborto. É considerada uma doença de maturidade sexual. Durante a gestação há produção de açúcares; a Brucella sai e migra para a placenta onde destrói as aderências e provoca aborto.Pode ser denominada como ondulante, nome este que provém da variação da temperatura que lhe está associada.(ARÉSTEGUI et al.,2001)

Portas de entrada (múltiplas para aumenta a probabilidade de entrada no hospedeiro) Ingestão por exemplo leite/derivados de leite cru, Ocular, Congénita ,venérea (evitada por inseminação artificial), na pele devemos usar luvas. A Brucella produz hialuronidase que degrada o ácido hialurónico facilitando a entrada pela pele. No Teto as moscas são importantes, porque podem funcionar como vector de infecção, disseminando o leite.(ARÉSTEGUI et al.,2001)

4. Impacto na saúde animal

No período de duplicação celular, estas bactérias causam modificações inflamatórias e anatomopatológicas caracterizadas por granulomas diferentes e, transporta à hiperplasia linfóide, esplenomegalia e até hepatomegalia (Campos et al.,2019). Portanto, nem todos os órgãos e tecidos acometidos por microrganismos do gênero Brucella apresentam modificações aparentese áreas de necrose (Matrone Et al., 2019).A disseminação da B.abortusocorre nos tecidos, especialmente no trato reprodutivo dos machos e das fêmeas. Nessas últimas, ainda acontece nas glândulas mamárias. Inicialmente essa invasão ocorre nos vasos linfáticos e posteriormente avança para os órgãos (Mello et al., 2022).

5. Diagnóstico

Segundo Poester (2013), todo aborto deve ser considerado como suspeita da brucelose e por isso deve ser pesquisado. O diagnóstico direto da brucelose é feito pelo isolamento e identificação da bactéria. Entretanto, quando houver situações onde este tipo de exame não é possível de ser realizado, o diagnóstico deve ser baseado em métodos sorológicos.(POESTER, 2013).

Com relação às brucelas rugosas (B. canis e B. ovis), o diagnóstico sorológico não pode ser efetuado com os testes de rotina empregados para brucelas lisas, pois as espécies rugosas apresentam a cadeia de lipopolissacarídeos (LPS) incompleta. Nestes casos, emprega-se um antígeno solúvel termo extraído de amostras rugosas, sendo a prova de imunodifuão em gel a mais comumente empregada na rotina. (POESTER, 2013).

Nos humanos, toda sintomatologia febril deve ser pesquisada para descartar a brucelose, ainda mais se o paciente é proveniente de área rural ou tiver contato frequente com animais.

Na fase subaguda e crônica da enfermidade, torna-se difícil o diagnóstico clínico pois os sintomas são bastante indeterminados e se confundem com outras doenças. O diagnóstico sorológico pode ajudar a confirmar a suspeita (POESTER, 2013).

5.1 Diagnóstico sorológico

Segundo Afonso, 2010 o diagnóstico sorológico é utilizado para detectar a presença de anticorpos específicos contra agentes patogênicos, sendo essencial em programas de erradicação e controle de doenças. São apresentados os principais testes sorológicos usados no contexto de vigilância sanitária e programas de erradicação para brucelose. (Afonso et al ., 2010).

Rosa bengala (Pv. Aglutinação rápida) teste oficial de rastreio, falsos positivos raros distingue anticorpos vacinais de infecção natural. (Afonso et al ., 2010).

5.2 Diagnóstico por Elisa

O Teste elisa ,Alta sensibilidade e especificidade: O teste elisa é utilizado tanto como teste de rastreio quanto como complementar e amplamente utilizado na fase final de programas de erradicação para confirmar a ausência de infecção e detectar possíveis falsos negativos. (Afonso et al ., 2010).

6. Epidemiologia

A brucelose bovina apresenta distribuição mundial, com exceção do Japão, Canadá, Austrália e de vários países europeus onde foi erradicada, com a adoção de medidas iniciadas há mais de vinte anos. (MONTEIRO, 2004).

A Brucelose no homem é de caráter ocupacional, já que estão mais sujeitos a infectar-se pessoas que trabalham diretamente com os animais contaminados (tratadores, proprietários e médicos veterinários) ou aqueles que trabalham com produtos e subprodutos de origem animal (funcionários de matadouros, laticínios e laboratórios) (RIBEIRO, 2000). A principal via de infecção de Brucella spp. No organismo é a oral, além do trato respiratório, pele, conjuntivas e trato genital (ACHA, SZYFRES, 2001). Os animais infectados transmitem as bactérias do gênero Brucella através do parto ou aborto, sendo que as fêmeas após abortarem pela primeira vez, se tornam portadoras crônicas, eliminando a Brucella spp., nos dejetos que seguem o aborto ou o parto, ou através do colostro e do leite (PACHECO, 2007; MIYASHIRO et Al, 2007).

7. Controle e prevenção

A vacinação é uma atividade de suma importância, bastante utilizada atualmente em animais de produção, é uma medida de prevenção contra as doenças, de certa forma reduz os custos com tratamentos e diminui resíduos nos produtos de origem animal, ou seja, carne e leite. Ela tem como objetivo o controle e erradicação

das doenças, melhoria na saúde pública e aumento dos índices produtivos e reprodutivos dos rebanhos (GASPAR; MINHO; SANTOS, 2015).

8. Sinais clínicos

Os sinais clínicos em vacas gestantes é o nascimento de animais fracos ou mortos e aborto no qual ocorre geralmente na segunda metade da gestação, causando metrite, retenção de placenta e ocasionalmente esterilidade. Após um ou dois abortos pode não ter mais sinais clínicos, mas continua contaminando o ambiente. (RIBEIRO, 2000; PAULA et al, 2014).Já nos touros ocorre orquite, infertilidade e baixa de libido. Os testículos podem ter ainda aderência, fibrose e degeneração. Às vezes pode se observar higromas, artrites, queda na produção de leite e desenvolvimento), a brucelose ainda permanece como doença preocupante para os profissionais da área da saúde (ACHA; SZYFRES, 2003). Ocasionalmente a brucelose pode causar uma reação inflamatória na glândula mamária, levando à mastite e consequente eliminação de bactérias no leite, o que Normalmente não resulta em sinais clínicos visíveis, mas tem importância na disseminação da doença, visto que o leite será ingerido pelos bezerros e até pelo homem (OLSEN et al., 2004).

A grande quantidade do agente eliminado pela vaca infectada durante o parto ou aborto pode contaminar alimentos, água e fômites. Isso faz com que a porta de entrada mais importante para o agente seja o trato digestivo. A principal fonte de infecção em um rebanho livre é a introdução de animais infectados. Além disso, as estimativas mostram que a cada cinco vacas infectadas uma se torna permanentemente estéril (BRASIL, 2006).

A suspeita da doença pode ser fundamentada nos sinais clínicos, entretanto, o diagnóstico definitivo sempre deverá ser realizado através da detecção de anticorpos contra Brucella Abortus por métodos indiretos, uma vez que os sinais clínicos de brucelose bovina não são patognomônicos (CONCEIÇÃO, 2005). A infecção causada pela Brucella Abortus pode ser constatada, por meio de diagnóstico bacteriológico, sorológico e molecular, embora um diagnóstico definitivo e incontestável de brucelose seja um procedimento, demorado que exige recursos laboratoriais nem sempre disponíveis (MATHIAS, MEIRELLES, BUCHALA, 2007).

8.1 Animais reagentes positivos

Os animais reagentes positivos para brucelose ou para tuberculose deverão ser marcados, pelo médico veterinário responsável pelo exame, a ferro candente ou nitrogênio líquido, no lado direito da cara, isolados do rebanho, afastados da produção leiteira e abatidos no prazo máximo de trinta dias após o diagnóstico, em estabelecimento sob serviço de inspeção oficial. Na impossibilidade de abate sanitário em estabelecimento sob serviço de inspeção oficial, os animais serão submetidos à eutanásia no estabelecimento de criação, conforme normatizado pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária. O médico veterinário habilitado que realizou o diagnóstico deverá notificar os resultados inconclusivos e positivos para brucelose ou tuberculose ao serviço veterinário oficial em até um dia útil.(PNCEBT, 2017).

9. Vacinação

Reduz a frequência de abortos 65-75% são refractários à infecção, induz títulos acima do limiar da positividade até – 18 meses, 6% dos bovinos mantêm títulos persistentes ao longo da vida produtiva vacinação de bovinos adultos. Vacinas vivas B19 – Vacinação de bovinos jovens (3-8meses). Vacinas vivas RB51 – vacinação de bovinos jovens e adultos .(BATHKE, 1988).

Surto de abortos na Vacaria, induz títulos persistentes de anticorpos ,% reduzida de bovinos pode: infectar-se (com estirpe B19) abortar, nos casos de gestação avançada não se vacinam touros perigo de orquite e de eliminação das brucella no sémen. Brucella no sémen vacinas vivas RB51. (BATHKE, 1988).

Mutante rugoso sem lipopolisacarídeo O, estirpe resistente à rifampicina potencial risco de Saúde Pública, não forma anticorpos aglutinantes apenas protectores, por isso não ocorrem falsos positivos nos meses que se seguem à vacinação quando se fazem testes de aglutinação, pode-se vacinar jovens e adultos.(BATHKE, 1988).

Pode causar abortos se aplicada em vacas com gestações avançadas as falhas de vacinação estão relacionadas principalmente a altas doses de contato com o agente e não a um aumento na virulência do microorganismo (CRAWFORDet al., 1988). Admite-se que fêmeas vacinadas com a vacina B19 na idade correta estarão protegidas por um período de sete anos após a vacinação (BATHKE, 1988).

A B19 é atenuada para fêmeas bovinas, vacinadas até determinada idade e pode ser patogênica para machos e quaisquer outras espécies incluindo o homem, devido à virulência residual que conserva. Leva os machos a permanecerem com títulos vacinais por toda vida, além de haver a possibilidade de desenvolverem orquite (ORGANIZACIÓN MUNDIAL DE LA SALUD,1986).

10. Perdas Econômicas

Nos bovinos e bubalinos, a brucelose acomete, de modo especial, o trato reprodutivo, gerando perdas diretas devido, principalmente, a abortos, baixos índices reprodutivos, aumento do intervalo entre partos, diminuição da produção de leite, morte de bezerros e interrupção de linhagens genéticas. As propriedades onde a doença está presente têm o valor comercial de seus animais depreciado; as regiões onde a doença é endêmica encontram-se em posição desvantajosa na disputa de novos mercados. Estimativas mostram ser a brucelose responsável pela diminuição de 25% na produção de leite e de carne e pela redução de 15% na produção de bezerros. Mostram ainda que, em cada cinco vacas infectadas, uma aborta ou tornase permanentemente estéril. (PNCEBT, 2006).

A produção de leite de bovinos é extremamente relevante para a economia global, tendo apresentado um crescimento de 50% nas últimas 30 anos, sendo que o Brasil ocupa a quinta posição entre os maiores produtores de leite do mundo, atrás apenas da Índia, Estados Unidos, China e Paquistão (JÚNIOR, 2016).

A pasteurização é um método eficiente de destruição de Brucella sp, assim como as radiações ionizantes .A sobrevivência de Brucella sp em esterco líquido é inversamente proporcional à temperatura dele, pois pode sobreviver nesse material por 8 meses a 15ºC, enquanto que só resiste por 4horas se a temperatura do material for de 45º – 50ºC. (PNCEBT, 2006).

A pecuária fornece alimento, abastece o mercado e gera empregos para a população, posicionando o Brasil como o quarto maior produtor de leite no cenário mundial (PAULIN; FERREIRA NETO, 2003). O Brasil vem registrando um aumento em sua produtividade, o que torna necessário melhorar a qualidade dos produtos oferecidos. Para alcançar isso, são implementados programas voltados para a segurança alimentar e sanidade animal, garantindo um controle eficaz em todas as cadeias produtivas (RADOSTIS et al., 1994).

A brucelose bovina traz várias consequências econômicas para o país, uma vez que é uma zoonose de notificação obrigatória. Isso inclui restrições ao comércio internacional, resultando em uma desvalorização do mercado, perdas na indústria, queda nos preços da carne e leite, além de altos custos para programas de controle e erradicação de doenças (JARDIM et al., 2006).

Segundo Radostits et al. (2000), a brucelose pode afetar bovinos leiteiros de todas as idades, especialmente os que já atingiram a maturidade sexual. A infecção ocorre através de animais contaminados, por isso, é essencial que o produtor verifique as condições sanitárias dos rebanhos ao adquirir gado.(JARDIM et al., 2006).

No Brasil, não existem estudos concretos sobre os prejuízos econômicos ocasionados pela brucelose bovina ou bubalina.Nos Estados Unidos, estimou-se, em 1983, que as perdas por brucelose bovina foram da ordem de 32 milhões de dólares, apesar do programa americano ter-se iniciado há mais de 40 anos. (PNCEBT, 2006).

11. Regulamentação e Legislação

Controle do Trânsito de Animais Destinados à Reprodução, e Normas Sanitárias para a Participação em Exposições, Feiras, Leilões e em outras Aglomerações de Animais.

A emissão de Guia de Trânsito Animal (GTA) será também condicionada à comprovação da vacinação das fêmeas da propriedade contra a brucelose, qualquer que seja a finalidade do trânsito animal.(PNCEBT, 2006).

O PNCEBT estabelece exigências de diagnóstico para efeito de trânsito interestadual de animais destinados à reprodução. Animais que participam de exposições também devem ser submetidos a teste de diagnóstico, ou ser provenientes de propriedade livre. (PNCEBT, 2006).

11.1 Certificação de propriedades monitoradas para brucelose

As propriedades certificadas ficam obrigadas a repetir os testes anualmente. É importante ressaltar a exigência de dois testes negativos para o ingresso de animais na propriedade, se eles não forem provenientes de outra propriedade livre. Os testes de diagnóstico para brucelose são realizados exclusivamente em fêmeas de idade igual ou24 superior a 24 meses, desde que vacinadas entre 3 e 8 meses; em machos e fêmeas não vacinadas, realizam-se a partir dos 8 meses de idade. Serão submetidos a testes de diagnóstico para tuberculose todos os animais com idade igual ou superior a 6 semanas (PNCEBT, 2006).

Se forem encontrados animais positivos, os animais não incluídos na amostragem serão submetidos a testes de diagnóstico, e todos os animais positivos serão sacrificados. Somente após essa etapa a propriedade receberá o certificado de monitorada para brucelose e tuberculose (PNCEBT, 2006).

11.2 Legislação PNCEBT

No 141Art.1º Instituir o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e da Tuberculose Animal. Art. 2º Atribuir ao Secretário de Defesa

Agropecuária a incumbência de baixar o Regulamento Técnico do Programa e expedir as instruções necessárias à plena implementação das atividades de combate às supracitadas doenças no País. Art.3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. Art.4º Fica revogada a Portaria nº 23, de 20 de janeiro de 1976.

Publicada no DOU nº MARCUS VINICIUS PRATINI DE MORAES 08, de 11 de janeiro de 2001, Seção I, p. 5. Normativa DAS n•06,de 08 de Janeiro de 2004: (PNCEBT, 2006).

12. Avanços e pesquisa

12.1 Análise de Amostras de Soro Sanguíneo Bovino

Segundo pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul um método desenvolvido por professores e estudantes utiliza espectroscopia óptica e algoritmos avançados para analisar amostras de soro sanguíneo bovino. O método identifica alterações químicas no sangue devido à infecção por Brucella abortus.

Utiliza espectroscopia UV-vis ou FTIR e Máquinas de Vetores de Suporte (SVM). (PNCEBT,2025). Análises mostraram que amostras secas têm 100% de especificidade e amostras líquidas apresentaram 91,7% de precisão. O procedimento é econômico, rápido e fácil de implementar, ideal para programas como o de controle e erradicação da brucelose no Brasil. (PNCEBT,2025).

A pesquisa destaca a importância da ciência brasileira em resolver problemas de saúde pública e a integração de tecnologia e ciência de dados no enfrentamento de desafios. (PNCEBT,2025).

13. Conclusão

De acordo com as pesquisas abordadas em nossa revisão de literatura, o nosso grupo concluiu-se que a brucelose bovina é uma doença infecciosa causada por bactérias do gênero Brucella, que afeta principalmente os bovinos, mas também pode ser transmitida para seres humanos, conhecida como “febre de malta”. Essa doença tem um grande impacto econômico nas indústrias de carne e leite devido à queda na produção, abortos espontâneos, infecções em rebanhos e necessidade de descarte de animais afetados.

A transmissão ocorre principalmente através do contato com fluidos corporais de animais infectados, como abortos, secreções vaginais e sêmen. A prevenção da brucelose inclui programas de controle, como vacinação de bovinos e a implementação de medidas sanitárias rigorosas nas propriedades rurais.

A erradicação da brucelose bovina é uma meta de saúde pública e de produção agropecuária em vários países, mas exige uma abordagem integrada que combine a vacinação, a rastreabilidade dos rebanhos e a educação dos produtores. O diagnóstico precoce é essencial para limitar a disseminação da doença e minimizar os impactos econômicos.

Em resumo, a brucelose bovina é uma doença importante tanto do ponto de vista sanitário quanto econômico, e seu controle eficaz depende de medidas preventivas, diagnóstico precoce e educação contínua dos produtores rurais.

Referências

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