BENEFITS OF NUTRITIONAL THERAPY IN TYPE 2 DIABETES MELLITUS IN THE ELDERLY
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202510242212
FERNANDES, Debora de Sena¹
PINTO, Isis Gabrielly Roberto¹
SERRA, Rosana Maria Pereira¹
FREITAS, Francisca Marta Nascimento de Oliveira²
LOBO, Rosimar Honorato3
RESUMO
Introdução: O envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida trazem desafios complexos para a saúde de idosos, sendo o Diabetes Mellitus Tipo 2 (DM2) uma condição crônica prevalente nessa faixa etária. A terapia nutricional constitui recurso utilizado para o controle glicêmico e a prevenção de complicações, mas ainda encontra-se subutilizada. Objetivo: analisar a influência da alimentação saudável no controle glicêmico em pacientes idosos com diabetes mellitus tipo 2 com foco na prevenção de complicações crônicas, garantindo bem estar e a promoção de um envelhecimento saudável. Metodologia: A pesquisa trata-se de uma revisão de literatura, realizando as consultas nas seguintes bases de dados Medline, Scielo, Web of Science, Lilacs e BVS, considerando publicações dos últimos cinco anos em português e inglês. Resultados: Os estudos analisados mostraram que a terapia nutricional em idosos com diabetes tipo 2, baseada em dietas de baixo índice glicêmico, fracionamento das refeições e maior consumo de fibras, proteínas magras e alimentos integrais, reduziu hemoglobina glicada, glicemia de jejum e resistência à insulina. Intervenções específicas, como o uso da farinha da casca de maracujá, também melhoraram perfil lipídico e parâmetros inflamatórios. De modo geral, a personalização do plano alimentar associou-se a maior controle glicêmico, prevenção de complicações e promoção de melhor qualidade de vida. Considerações finais: a alimentação saudável exerceu influência no controle glicêmico de idosos com diabetes mellitus tipo 2, consolidando-se como estratégia para a prevenção de complicações crônicas.
Palavras-chave: Diabetes Mellitus tipo 2, Terapia Nutricional, Envelhecimento Saudável.
1 INTRODUÇÃO
A sociedade passou por intensas transformações em função do avanço tecnológico, da circulação ampliada de informações e do ritmo acelerado da vida. Tais fatores, aliados à redução do tempo disponível e ao agravamento das condições econômicas, tornaram os desafios cotidianos mais complexos, sobretudo diante do aumento da expectativa de vida. As exigências demandaram adaptações que nem sempre ocorreram na velhice, resultando em dificuldades sociais para parcela significativa da população idosa (Ceccon et al., 2021).
O envelhecimento representou a etapa natural do ciclo humano, marcada por mudanças físicas, psicológicas e sociais, vividas de modo singular por cada pessoa com longevidade ampliada. Nesse período, ao refletir sobre a trajetória percorrida, o idoso reconheceu conquistas e perdas, sendo a saúde um dos aspectos mais comprometidos (Silva et al., 2021).
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considerou idosa a população com 65 anos ou mais em países desenvolvidos e com 60 anos ou mais em países em desenvolvimento. Alterações fisiológicas e econômicas interferiram tanto na qualidade quanto na quantidade de alimentos consumidos, afetando o estado nutricional, com o excesso de peso como uma das condições mais recorrentes na faixa etária (Santos et al., 2020).
Entre consumidores idosos brasileiros com maior escolaridade e acesso à informação, verificou-se associação mais expressiva entre alimentação saudável e prevenção de doenças (Dorna, 2022). Mudanças nos hábitos alimentares, como a introdução de dietas equilibradas e a redução da ingestão de sal e açúcar, ocorreram com maior frequência em indivíduos que, durante parte da vida, consumiram quantidades elevadas de carboidratos e gorduras. Em algumas situações, constatou-se resistência à adoção de novos padrões alimentares, influenciada pela valorização cultural de práticas consolidadas. A escolha alimentar envolveu três dimensões: o alimento, o consumidor e o contexto de consumo, fatores que influenciaram o processo decisório relacionado à alimentação (Costa et al., 2023).
A avaliação do estado nutricional de indivíduos acima de 60 anos contribuiu para o direcionamento de políticas públicas de saúde voltadas à população idosa, além de subsidiar estratégias específicas. Diante do cenário socioepidemiológico brasileiro, o Ministério da Saúde instituiu a Política Nacional da Pessoa Idosa (PNPI) por meio da Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006. O objetivo central da norma consistiu em recuperar, preservar e promover autonomia e independência, mediante ações de saúde em âmbito individual e coletivo, de acordo com princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (Brasil, 2006; Bessa et al., 2020).
A educação nutricional buscou promover a autonomia do indivíduo, possibilitando a assunção de responsabilidade sobre decisões relacionadas à alimentação, em consonância com a proposta de autocuidado. Adotou-se um conceito pedagógico que valorizou o autocuidado, especialmente entre idosos, contemplando decisões, ações e condutas voltadas à preservação ou melhoria da saúde. Indivíduos comprometidos com o cuidado próprio buscaram preparo e capacitação para intervir nos fatores que influenciaram o funcionamento e o desenvolvimento (Lima et al., 2021).
Na terceira idade, o controle glicêmico configurou desafio diante de alterações fisiológicas, uso de múltiplos medicamentos e hábitos alimentares inadequados. A ausência de estratégias específicas para a faixa etária comprometeu a qualidade de vida e intensificou complicações relacionadas à doença. A terapia nutricional apresentou-se como recurso fundamental, embora ainda pouco utilizada em diversos contextos de cuidado. Tornou-se necessário compreender os impactos da intervenção na saúde metabólica de idosos com diabetes tipo 2 (Souza et al., 2020).
O objetivo geral da pesquisa foi analisar a influência da alimentação saudável no controle glicêmico em pacientes idosos com diabetes mellitus tipo 2 com foco na prevenção de complicações crônicas, garantindo bem estar e a promoção de um envelhecimento saudável.
2 METODOLOGIA
2.1 Tipo de estudo
A pesquisa trata-se de uma revisão de literatura. De acordo com Camargo Júnior et al. (2023), a revisão de literatura caracteriza-se pela coleta e análise de materiais vinculados ao tema investigado, abrangendo livros, artigos científicos, publicações jornalísticas, documentos históricos, relatórios institucionais, teses, dissertações e outras produções. O processo reúne contribuições que auxiliam na compreensão do objeto estudado e permitem a formulação de referencial teórico fundamentado em perspectivas diversas e evidências registradas.
2.2 Coleta de dados
A pesquisa foi realizada nas seguintes bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Scientific Electronic Library Online (Scielo), Web of Science, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).
A pesquisa utilizou os seguintes descritores de acordo com a Descritores em Ciências da Saúde (DeCS): Diabetes Mellitus tipo 2 / Type 2 Diabetes Mellitus, Idoso / Aged, Terapia Nutricional / Nutritional Therapy, Alimentação Saudável / Healthy Eating e Qualidade de Vida / Quality of Life. De acordo com as combinações dos operadores boleanos and e or.
Os critérios de elegibilidade definidos abrangeram artigos com recorte temporal de até cinco anos, textos científicos completos do tipo original, revisões narrativas e sistemáticas, relatos de experiência, estudos descritivos, randomizados, transversais, ensaios teóricos e reflexões, publicados nos idiomas português e inglês.
Os critérios de inelegibilidade aplicados incluíram artigos com data de publicação superior a cinco anos, publicações classificadas como crônicas, cartas, resenhas, editoriais, livros, capítulos de livros, documentos governamentais, boletins informativos, estudos duplicados, artigos incompletos ou indisponíveis em formato digital.
2.3 Análise de dados
Após a revisão de literatura, realizou-se a seleção de artigos, teses, dissertações e documentos. Os materiais foram dispostos por tema em conformidade com a relação ao objeto de investigação. Na sequência, procedeu-se à leitura integral dos textos escolhidos para permitir análise criteriosa do conteúdo.
Figura 1 – Fluxograma de inclusão e exclusão de artigos.

Fonte: acadêmicas, 2025.
A seleção iniciou com a identificação de 741 trabalhos. Após a análise, 349 foram excluídos por duplicidade de título e resumo, permanecendo 392 estudos. Dos, 381 foram retirados por não atenderem aos critérios de elegibilidade. Assim, 11 relatos compuseram a amostra incluída na revisão.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Os métodos identificados nos estudos incluíram duas revisões narrativas, duas revisões sistemáticas (uma com meta-análise), duas investigações do tipo estudo de caso, além de pesquisas qualitativa, quantitativa e transversal. Também foram observados um estudo descritivo de caráter narrativo e uma revisão da literatura de ensaios clínicos randomizados, totalizando 11 métodos distintos.
Quadro 1 – Principais resultados do estudo.
| Autor/Ano | Título | Método | Principais resultados |
| Peres et al.(2023). | Os efeitos na saúde de intervenções de baixo índice glicêmico e baixa carga glicêmica em pré-diabetes e diabetes mellitustipo 2 | Revisão da literatura de ensaios clínicos randomizados | A inclusão de alimentos de baixo índice glicêmico em dietas de idosos com diabetes tipo 2 contribuiu para melhor controle glicêmico de curto prazo, redução de hemoglobina glicada (HbA1c), insulina de jejum e resistência à insulina, além de efeitos positivos no peso corporal e composição da microbiota intestinal. Os benefícios foram consistentes em diferentes contextos de intervenção e sugerem papel relevante para prevenção de complicações metabólicas. |
| Gadó et al.(2024) | Tratamento do diabetes mellitus tipo 2 em idosos – Considerações especiais | Revisão narrativa | O tratamento dietético destinado a idosos com diabetes tipo 2 baseou-se na terapia nutricional, contemplando controle das porções, manutenção de horários regulares para as refeições, redução de açúcares simples e maior ingestão de carboidratos complexos e alimentos ricos em fibras. Também incluiu restrição de gorduras saturadas e estímulo ao consumo de proteínas magras e gorduras monoinsaturadas. O planejamento alimentar considerou adaptações relacionadas a hábitos culturais, limitações mastigatórias e risco de desnutrição. |
| Martins et al. (2022) | Acompanhamento nutricional de um paciente com Diabetes Mellitus tipo 2: estudo de caso | Estudo de caso | A dieta prescrita foi organizada com base em um plano de aproximadamente 1800 kcal, estruturado por equivalentes, com ênfase no controle da carga glicêmica das refeições. A intervenção contemplou a diminuição da ingestão de carboidratos simples, o incremento de fibras alimentares, a distribuição adequada das refeições ao longo do dia e a adaptação às condições clínicas individuais. Como resultado, observou-se melhora significativa nos parâmetros glicêmicos, maior estabilidade no peso corporal e mudanças consistentes no padrão alimentar. |
| Silva e Corrêa (2021) | Estudo de caso: uso da farinha da casca do maracujá no controle do diabetes mellitus tipo 2 em paciente idoso | Estudo de caso | O tratamento alimentar consistiu na ingestão de 20 g/dia da farinha da casca de maracujá, fracionada em duas porções com água. Houve redução de 8,75% da hemoglobina glicada, diminuição de 36 μmol/L da frutosamina, queda de 34% nos triglicerídeos e redução de 57% na leptina, sugerindo melhora do controle glicêmico e do perfil lipídico |
| Silva et al.(2024), | Diabetes Mellitus Tipo 2 em Idosos:Um Estudo Sobre Prevalência e Medidas de Controle | Estudo descritivo, decaráter narrativo, | O manejo dietético dos idosos com diabetes tipo 2 foi delineado como recurso não farmacológico, centrado em práticas alimentares equilibradas, manutenção do peso corporal, priorização de carboidratos complexos em substituição aos simples, incremento do consumo de fibras, restrição de gorduras saturadas e acompanhamento dos níveis glicêmicos. |
| Rodrigues et al. (2024) | Dietoterapia na alimentação dos idosos com diabetes tipo 2 . | Pesquisa qualitativa e descritiva | O tratamento alimentar indicado consistiu em dieta equilibrada, fracionada em 5 a 6 refeições diárias, com predominância de carboidratos complexos, fibras, proteínas magras e gorduras saudáveis. A organização evitou picos de glicemia e preveniu episódios de hipoglicemia. A estratégia incluiu ainda a redução de açúcares simples, gorduras saturadas e incentivo ao consumo de frutas, vegetais e grãos integrais . |
| Azevedo e Amorim (2022) | Qualidade de vida e cuidados com os pés em pacientes com Diabetes Mellitus e pé ulcerado: um estudo de caso | Pesquisa quantitativa, exploratória e descritiva | A conduta dietética recomendada consistiu em plano alimentar balanceado, prescrito por profissional médico, distribuído em cinco a seis refeições ao dia, priorizando preparações grelhadas, cozidas ou assadas e restringindo açúcares simples. Entre os participantes, 75% mantiveram adesão ao regime de quatro a sete dias semanais, com relato de ingestão frequente de frutas in natura, hortaliças e produtos integrais. Essa prática esteve relacionada à melhora do controle glicêmico e à redução do risco de complicações decorrentes do diabetes. |
| Chiavaroli et al. (2021) | Efeito de padrões alimentares de baixo índice glicêmico ou de baixa carga no controle glicêmico e nos fatores de risco cardiometabólico no diabetes: revisão sistemática e meta análise de ensaios clínicos randomizados | Revisão sistemática e meta-análise | O tratamento nutricional foi baseado em dietas de baixo índice e carga glicêmica, com substituição de carboidratos de rápida absorção por alimentos de menor IG/CG, incremento no aporte de fibras e controle da ingestão calórica. Essa intervenção promoveu redução da hemoglobina glicada em −0,31% e contribuiu para a melhora da glicemia de jejum, do perfil lipídico (LDL-C, não-HDL-C e triglicerídeos), do peso corporal e de marcadores relacionados ao processo inflamatório. |
| Silva, Pereira e Rocha (2023) | A atuação do nutricionista na educação alimentar de idosos com diabetes mellitustipo 2 | Revisão narrativa | O plano alimentar proposto consistiu em dieta balanceada, organizada em refeições fracionadas, com substituição de carboidratos simples por complexos, estímulo ao consumo de fibras e proteínas de baixo teor de gordura, além da restrição de gorduras saturadas. A intervenção teve como objetivos o controle dos níveis glicêmicos, a diminuição do risco cardiovascular e a promoção da qualidade de vida, articulando-se ao monitoramento nutricional contínuo. |
| Kheriji et al. (2022) | O Papel da Ingestão Alimentar no Diabetes Mellitus Tipo 2: Importância dos Macro e Micronutrientes na Homeostase da Glicose | Pesquisa Transversal | O regime alimentar analisado foi composto por dietas hipercalóricas, com alta ingestão de gorduras e carboidratos simples, associada à baixa oferta de fibras, vitaminas e minerais, além do consumo excessivo de sódio e iodo. Verificou-se que a deficiência de vitaminaD esteve relacionada ao maior risco de desenvolvimento de diabetes, enquanto a ingestão proteica apresentou efeito benéfico na regulação glicêmica. Em contrapartida, a elevada ingestão de vitamina |
| Doucet et al. (2023) | Gestão da terapia de redução de glicose em idosos com diabetes tipo 2: desafios e oportunidades | Revisão sistemática de literatura | O tratamento alimentar foi descrito como parte do manejo não farmacológico, priorizando dieta balanceada com energia adequada (~30 kcal/kg/dia), proteínas (1,2–1,5 g/kg/dia), vegetais, peixes, vitamina D e ácidos graxos ômega-3, além da restrição de carnes, grãos refinados, açúcares e lanches. A estratégia reduziu HbA1c, pressão arterial sistólica, risco de fragilidade e declínio cognitivo |
Fonte: acadêmicas, 2025.
Do ponto de vista da conduta nutricional estruturada, Martins et al. (2022) ressaltaram que a intervenção para idosos com diabetes tipo 2 mostrou impacto na redução da glicemia de jejum e da hemoglobina glicada, aumentando a adesão ao tratamento. O acompanhamento regular e a adaptação individual do plano alimentar ampliaram a eficácia da intervenção.
Contudo, dificuldades socioculturais e resistência a mudanças foram apontadas como barreiras ao processo de adesão.
Sob a perspectiva da adesão a dietas fracionadas, Azevedo e Amorim (2022) destacaram que a prática de um plano alimentar saudável e distribuído em várias refeições foi determinante para a melhora da qualidade de vida de idosos com diabetes tipo 2. Os autores ressaltaram que a dieta estruturada, alinhada ao acompanhamento médico, reduziu complicações metabólicas e trouxe estabilidade glicêmica. O estudo também apontou que a prática alimentar adequada deve estar integrada ao tratamento medicamentoso e ao cuidado fisioterapêutico.
No campo da terapia alimentar organizada, Silva, Pereira e Rocha (2023) enfatizaram que a estruturação da dieta representou pilar no manejo do diabetes mellitus tipo 2 em idosos. Os autores observaram que a combinação de dieta balanceada, orientação profissional e educação alimentar aumentou o controle glicêmico e preveniu complicações metabólicas. Ressaltaram ainda que a adesão é influenciada por fatores socioeconômicos e culturais, considerados na elaboração do plano dietético.
Em relação à dietoterapia individualizada, Rodrigues (2024) apontou que a intervenção voltada para idosos com diabetes tipo 2 mostrou importância para a manutenção do controle glicêmico e redução de complicações metabólicas. O fracionamento das refeições ao longo do dia permitiu maior estabilidade na glicemia, diminuindo episódios de hiperglicemia pósprandial e hipoglicemia em períodos prolongados de jejum. A literatura também indica a relevância do consumo de fibras e proteínas magras como estratégia protetiva cardiovascular. Ressalta-se que a adesão depende de orientação nutricional contínua e apoio familiar. Assim, a personalização do plano alimentar tornou-se indispensável para resultados em longo prazo.
No contexto das dietas de baixo índice glicêmico, Peres et al. (2023) mostraram que o padrão alimentar foi eficaz no manejo metabólico de idosos com diabetes tipo 2, promovendo maior sensibilidade à insulina e redução de marcadores inflamatórios. A diversidade metodológica e a curta duração de grande parte das intervenções limitaram a possibilidade de generalização dos resultados. Ensaios clínicos prolongados mostraram necessidade de avaliar desfechos cardiovasculares e mortalidade. Outro aspecto observado relacionou-se à baixa adesão ao padrão alimentar, condição que reduziu a efetividade em longo prazo.
Em termos de consistência científica, Chiavaroli et al. (2021) destacaram que a adoção de padrões alimentares de baixo índice e carga glicêmica gerou melhorias no controle glicêmico e em fatores cardiometabólicos em indivíduos com diabetes tipo 2. Em pacientes sob tratamento com fármacos hiperglicemiantes ou insulina, a dieta apresentou efeito adicional positivo. Os autores observaram que a redução da HbA1c e de marcadores inflamatórios contribuiu para prevenção de complicações crônicas.
No âmbito dos alimentos funcionais, Silva e Corrêa (2021) verificaram que o consumo da farinha da casca de maracujá apresentou efeito adjuvante no controle do diabetes mellitus tipo 2 em idoso, refletido na melhora de parâmetros glicêmicos e lipídicos. O resultado reforçou o potencial de alimentos funcionais como estratégia complementar ao tratamento medicamentoso, sobretudo em idosos com longo histórico da doença.
Sob a ótica do envelhecimento saudável, Gadó et al. (2024) observaram que a alimentação teve papel central no manejo do diabetes tipo 2 em idosos, não apenas no controle glicêmico, mas também na prevenção de sarcopenia, fragilidade e declínio cognitivo. A dieta equilibrada com carboidratos de baixo índice glicêmico, fibras e proteínas magras mostrou relevância para reduzir complicações metabólicas e cardiovasculares. Fatores como diminuição do apetite, alterações no paladar, problemas dentários e condições socioeconômicas limitaram a adesão ao plano alimentar. A individualização da dieta e o envolvimento de familiares ou cuidadores foram fundamentais para a efetividade terapêutica.
No cenário das estratégias integradas, Silva et al. (2024) reforçaram que a alimentação equilibrada constituiu medida necessária no manejo do diabetes tipo 2 em idosos, associada a práticas de autocuidado e controle do peso corporal. A literatura indica que a dieta deve priorizar carboidratos complexos e fibras, ajustando a ingestão calórica às condições clínicas do paciente. A adesão às orientações alimentares pode ser comprometida por fatores socioculturais, limitações físicas e baixa percepção de risco. A integração entre dieta, atividade física e acompanhamento multiprofissional ampliou a efetividade da terapêutica.
Do ponto de vista da qualidade dos nutrientes, Kheriji et al. (2022) destacaram que o padrão alimentar observado entre idosos com diabetes mellitus tipo 2, marcado por excesso de gorduras e açúcares simples e carência de micronutrientes, comprometeu a homeostase glicêmica. Os autores ressaltaram que a deficiência de vitamina D aumentou o risco da doença, ao passo que o aporte adequado de proteínas auxiliou na regulação da glicemia. Evidenciaram também que o excesso de vitamina A e sódio agravou a descompensação metabólica, reforçando a necessidade de ajuste dietético.
Finalmente, no campo das recomendações multidimensionais, Doucet et al. (2023) ressaltaram que a adoção de padrões alimentares saudáveis, ricos em proteínas e micronutrientes, foi determinante para reduzir complicações do diabetes tipo 2 em idosos. Os autores destacaram que a adequação energética e a limitação de açúcares simples e grãos refinados estiveram associadas ao melhor controle glicêmico e menor incidência de fragilidade.
Também apontaram que a ingestão de vitamina D e ácidos graxos ômega-3 exerceu papel protetor sobre cognição e mortalidade.
3.1 Diabetes
De acordo com o Ministério da Saúde, o Diabetes Mellitus corresponde a uma síndrome metabólica de causas múltiplas, originada pela deficiência na produção de insulina ou pela incapacidade do hormônio de atuar de forma eficaz no organismo. Quando ocorrem falhas na secreção ou na ação da insulina, a glicose permanece em excesso na corrente sanguínea, resultando em hiperglicemia, principal condição associada ao diabetes (Quintanilla et al., 2023).
O Diabetes Mellitus é caracterizado por alterações nos níveis de glicemia devido à disfunção de um hormônio produzido pelo pâncreas. A insulina tem como função permitir a entrada da glicose proveniente dos alimentos nas células, onde será convertida em energia. Em situações de deficiência de insulina, a glicose, mesmo absorvida pelo intestino, não consegue ser utilizada pelas células (Vera-Ponce et al., 2022).
A OMS e a Associação Americana de Diabetes (ADA) adotam critérios semelhantes para o diagnóstico do Diabetes Mellitus, das condições classificadas como pré-diabetes e de outras formas comuns da doença, como o diabetes gestacional. O quadro clínico do Diabetes Mellitus abrange quatro categorias: tipo 1 (DM1), tipo 2 (DM2), Diabetes Gestacional (DMG) e outros tipos específicos (Gonsales et al., 2023).
Há ainda quadros identificados como pré-diabetes, definidos por valores de glicemia em jejum entre 100 mg/dL e 125 mg/dL ou pela diminuição da tolerância à glicose. Ambas as condições são reconhecidas como indicadoras de risco elevado para o surgimento do Diabetes Mellitus, exigindo acompanhamento clínico e intervenções preventivas voltadas à contenção da progressão da doença (Quintanilla et al., 2023). A definição diagnóstica baseia-se na realização de exames laboratoriais, fundamentais para identificar alterações nos níveis de glicose e iniciar o tratamento adequado com a maior brevidade, a fim de evitar complicações futuras (Vera-Ponce et al., 2022).
Os métodos utilizados para o diagnóstico do Diabetes Mellitus incluem: glicemia em jejum, obtida a partir da análise da glicose no sangue venoso após período de jejum entre 8 e 12 horas; teste de tolerância à glicose (TTOG), realizado por meio da administração oral de glicose anidra (1,75 mg/kg em crianças) ou dextrose (82,5 g), diluída em 300 mL de água e ingerida em até cinco minutos. Após 120 minutos, realiza-se a coleta sanguínea para mensuração da glicemia. A glicemia casual corresponde à medição da glicose em qualquer momento do dia, sem a necessidade de jejum prévio, sendo considerada válida para diagnóstico apenas em pacientes com sintomas clínicos (Fernandes et al., 2020).
A hemoglobina glicada (HbA1c) representa a fração da hemoglobina ligada à glicose e expressa a média das concentrações glicêmicas dos últimos três meses, equivalente ao tempo de vida das hemácias (Gonsales et al., 2023).
Tabela 1 – Valores de referenciais adotadas pela sociedade brasileiras de diabetes e pela associação americana de diabetes.

Legenda: <: abaixo; ≥: Acima ou igual; %: porcentagem; Mg/dL: miligrama por decilitro. Fonte: SBD (2019).
A etiopatogenia do Diabetes Mellitus envolve múltiplos fatores ainda não completamente compreendidos, os quais provocam aumento dos níveis de glicose no sangue. Embora seja uma condição reconhecida há décadas, seu desenvolvimento pode estar relacionado a aspectos genéticos, biológicos e ambientais. Na forma tipo 1, o processo constitui o principal mecanismo de origem da doença (Oliveira et al., 2020).
O Diabetes Mellitus tipo 1 corresponde a uma condição autoimune que provoca a destruição das células beta pancreáticas, responsáveis pela síntese de insulina, ocasionando deficiência completa do hormônio. Nos casos de diabetes tipo 1, o tratamento exige a administração de insulina. Nas manifestações do tipo 2, utiliza-se terapia medicamentosa por via oral associada a mudanças nos hábitos alimentares e na rotina física. A identificação das formas clínicas da enfermidade permite a escolha de intervenções terapêuticas mais adequadas a cada situação (Amaro et al., 2023).
Entre os sintomas mais relatados por pessoas com Diabetes tipo 1 estão sede intensa, aumento da frequência urinária, alterações no apetite, fadiga, perda de peso, visão turva e sensação de fraqueza (Ribeiro et al., 2020).
A incidência de diabetes mellitus tipo 1 situa-se, em média, em uma ocorrência para cada 500 pessoas com menos de 20 anos, com taxa estimada de 10 casos por 100.000 indivíduos nessa faixa etária. A doença pode manifestar-se em qualquer período da vida, com maior concentração entre 5 e 15 anos. A Sociedade Brasileira de Diabetes informa que mais de 13 milhões de brasileiros convivem com diabetes, aproximadamente 6,9% da população do país.
Entre os registros, o tipo 1 corresponde a 5%–10% dos diagnósticos de diabetes no território nacional (SBD, 2019; Oliveira et al., 2020).
O diabetes gestacional é uma condição que acomete mulheres durante a gestação e pode gerar complicações à saúde materna e fetal. Quando não tratado ou monitorado de forma adequada, pode evoluir para diabetes mellitus tipo 2, especialmente na ausência de alimentação equilibrada e de mudanças no estilo de vida (Marques et al., 2022).
O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) constitui um problema de saúde pública em expansão, relacionado à resistência à insulina e à disfunção das células beta do pâncreas, cuja origem envolve fatores genéticos e ambientais. Nos últimos anos, observou-se aumento na prevalência da doença (Macedo et al., 2021).
Em 2019, as estimativas indicaram a existência de 463 milhões de adultos com idades entre 20 e 59 anos diagnosticados com Diabetes Mellitus. As projeções para 2045 apontam um aumento do número para aproximadamente 700 milhões de pessoas. A enfermidade também foi relacionada a cerca de 4,2 milhões de óbitos no ano de 2019, com maior ocorrência entre indivíduos de 40 a 59 anos (Cabral et al., 2024).
O diabetes mellitus tipo 2 apresenta alta incidência entre pessoas idosas, com prevalência crescente ao longo do envelhecimento. A adoção de hábitos de vida saudáveis contribui para a prevenção da doença, favorecendo a manutenção da qualidade de vida e da autonomia na velhice (Marques et al., 2022). Trata-se de uma condição crônica que representa preocupação no contexto da saúde pública. Dados do IBGE indicam que aproximadamente 19,5% da população idosa brasileira possui diagnóstico da enfermidade, e a proporção tende a aumentar com o avanço da idade (Rocha; Bohrer, 2023).
O tipo 2, mais frequente na faixa etária, está relacionado a fatores como obesidade, inatividade física e histórico familiar. A doença pode provocar complicações graves, como comprometimento da função renal, amputações e perda progressiva da visão, com impactos diretos sobre a autonomia e o bem-estar da população idosa (Cabral et al., 2024).
Entre os fatores que contribuem para a resistência estão a redução da produção de insulina pelas células beta, a presença de substâncias que interferem nos receptores de insulina e a resposta inadequada do hormônio nos tecidos-alvo. A atividade da insulina também sofre influência de hormônios como o hormônio do crescimento e o IGF-1, especialmente no período pós-prandial. Durante o jejum, a ação da insulina é inibida por hormônios como glucagon, glicocorticoides e catecolaminas, os quais atuam na manutenção da glicemia por meio da modulação da fosforilação das enzimas envolvidas nas vias metabólicas (Silva et al., 2020).
A escolha do tratamento medicamentoso varia conforme o estágio da doença, definindo a classe apropriada de antidiabéticos orais e o momento adequado para iniciar a insulinoterapia. As recomendações sobre alimentação equilibrada, prática de atividade física e mudanças no estilo de vida permanecem fundamentais para a eficácia do tratamento (Sousa et al., 2020).
O tratamento não medicamentoso abrange ações como educação em diabetes, orientação nutricional e prática de atividade física. O controle do diabetes mellitus tipo 2 pode ser alcançado por meio de alimentação equilibrada com baixo índice glicêmico, realização regular de exercícios físicos e uso dos hipoglicemiantes orais prescritos para a condição (Rocha et al., 2023). A adoção de uma dieta saudável contribui para a manutenção da glicemia em níveis adequados, com ênfase no consumo de frutas, grãos integrais, legumes e alimentos ricos em fibras (Paiva; Benito, 2023).
Fatores como urbanização acelerada, envelhecimento populacional, obesidade, inatividade física, aumento da longevidade e maior acesso a produtos industrializados contribuem para o surgimento do diabetes mellitus. Dados de pesquisa do Ministério da Saúde indicaram que a maior parte das pessoas diagnosticadas com a doença correspondia a idosos com 75 anos ou mais, do sexo feminino, de cor branca, com nível de escolaridade até o ensino fundamental incompleto e residentes nas regiões mais desenvolvidas do país (Almeida; Veiga, 2020).
3.2 Pessoa idosa
Segundo o Estatuto do Idoso, considera-se idoso o indivíduo com idade igual ou superior a sessenta anos. O envelhecimento é reconhecido como etapa natural e integrante do ciclo da vida, caracterizada por experiências e atributos próprios, resultantes da trajetória individual, cuja complexidade pode variar entre os sujeitos, contribuindo para a constituição da identidade na velhice (Bomfim et al., 2022).
A definição de envelhecimento varia conforme a área do conhecimento. Para a biologia molecular e celular, trata-se de alterações que ocorrem ao longo do tempo em componentes como ácidos nucleicos, proteínas, membranas, citosol e núcleo. Sob a ótica do desenvolvimento biológico, corresponde a qualquer fase do ciclo vital ou às transformações associadas à passagem do tempo. Na embriologia, é compreendido como mudanças observadas em períodos curtos, como horas ou dias. Já na gerontologia, o envelhecimento é entendido como o conjunto de modificações que, com o tempo, resultam na perda gradual da função orgânica e, eventualmente, na morte (Montezeli et al., 2022).
O envelhecimento populacional constitui fenômeno de alcance global, iniciado inicialmente em países desenvolvidos como consequência da redução da mortalidade, avanços da medicina, urbanização estruturada, melhoria do estado nutricional, aumento dos padrões de higiene pessoal e ambiental, tanto em ambientes domiciliares quanto laborais, além do progresso tecnológico. Tais transformações começaram a ocorrer entre o final da década de 1940 e o início dos anos 1950 (Bomfim et al., 2022).
No Brasil, a articulação entre o desenvolvimento dos serviços de saúde e a elevação das condições socioeconômicas acelerou o envelhecimento da população. Apesar de a expansão do contingente idoso ocorrer em escala mundial, a transição demográfica brasileira avança com maior rapidez. Enquanto a França levou cerca de 140 anos para que a parcela de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos passasse de 10% para 20%, a expectativa no Brasil é de que tal transformação se complete em aproximadamente 25 anos. Para o ano de 2060, projeta-se que mais de um quarto dos habitantes do país tenha 60 anos ou mais (Montezeli et al., 2022).
O envelhecimento populacional provoca mudanças nas capacidades individuais e nas exigências sociais, refletindo-se em distintas esferas da vida econômica e coletiva. A modificação da estrutura etária afeta a composição da força de trabalho e amplia os custos relacionados à saúde, intensificando a demanda sobre os sistemas previdenciário e assistencial responsáveis pela proteção social dos cidadãos (Mrejen et al., 2023).
A incidência de doenças crônicas não transmissíveis apresenta-se de forma mais elevada entre indivíduos idosos, sendo os cuidados com a população frequentemente atribuídos aos familiares (Moreira et al., 2022).
Para que o envelhecimento ocorra de forma estruturada e sustentável, torna-se necessário que os responsáveis pela formulação de políticas públicas compreendam o cenário atual e as projeções. O presente estudo busca contribuir com a análise do fenômeno ao examinar o envelhecimento da população brasileira e os impactos sobre o sistema de saúde e as famílias (Andrade, 2023).
3.3 Benefício da terapia nutricional
O acompanhamento nutricional integra o tratamento do diabetes mellitus e tem como objetivo prevenir e tratar complicações em diferentes prazos, bem como comorbidades associadas. Estudos indicam que a prática pode reduzir entre 1% e 2% os níveis de hemoglobina glicada. A intervenção ocorre em etapas, sendo a anamnese a fase inicial, na qual o profissional coleta informações sobre o paciente. Nessa etapa, são registrados dados antropométricos, como peso, altura, circunferência abdominal e outras medidas corporais consideradas pertinentes (Calheiros et al., 2021).
Também é avaliado o padrão alimentar, incluindo alimentos preferidos e evitados, quantidades consumidas, número e horários das refeições. A fase seguinte consiste na orientação nutricional, momento em que são definidas metas relacionadas à alimentação (Knobloch et al., 2021).
O plano alimentar deve conter objetivos específicos, como manter a glicemia em níveis adequados, corrigir o peso corporal e deficiências nutricionais, regularizar parâmetros bioquímicos e atender metas estabelecidas em conjunto pelo paciente e pelo profissional (Calheiros et al., 2021).
As orientações destinadas ao controle do diabetes incluem a redução do consumo de sal proveniente de produtos industrializados, como temperos e molhos prontos, a preferência por condimentos naturais, como salsinha, orégano e manjericão, a manutenção da hidratação adequada e a evitação de longos períodos sem alimentação. O acompanhamento nutricional tem como finalidade promover a saúde, preservar o estado nutricional, melhorar a qualidade de vida e prevenir possíveis complicações (Knobloch et al., 2021).
A alimentação equilibrada representa elemento central no tratamento do diabetes mellitus, assim como a prática regular de atividade física e o uso adequado de medicamentos. Por essa razão, torna-se necessário que a pessoa com diabetes desenvolva habilidades voltadas ao autocuidado, a fim de alcançar o controle metabólico da condição. A combinação entre dieta adequada e atividade física diária exerce impacto direto sobre o bem-estar (Freitas et al., 2023).
No contexto clínico, a conduta profissional requer atenção a diversos fatores, como os níveis de glicemia, o histórico da doença, o tipo de suporte nutricional (enteral ou parenteral) e os recursos disponíveis para monitoramento, o que amplia a demanda de trabalho das equipes envolvidas no tratamento (Silva et al., 2020).
O estudo demonstrou a importância do controle metabólico para a prevenção e a progressão das complicações crônicas do diabetes. Contudo, a intensificação do controle glicêmico e o aumento da longevidade entre pessoas com diabetes contribuíram para o crescimento das taxas de mortalidade por doenças cardiovasculares, especialmente em casos associados à nefropatia diabética (Freitas et al., 2023).
A alimentação exerce função essencial no manejo de doenças crônicas. Intervenções nutricionais podem apresentar bons resultados com menor ocorrência de efeitos adversos em comparação aos tratamentos farmacológicos. Quando amplamente disseminadas, as estratégias podem contribuir para a redução dos custos em saúde e do impacto econômico gerado por as condições. A compreensão adequada sobre nutrição favorece hábitos mais saudáveis e pode refletir na melhoria da qualidade de vida e da produtividade coletiva (Silva et al., 2020).
A terapia nutricional compõe um dos principais elementos da abordagem terapêutica voltada ao tratamento do diabetes mellitus. O plano alimentar, em conjunto com a prática de atividade física e o uso de medicamentos hipoglicemiantes, constitui a base do cuidado. Entre as condutas recomendadas, destacam-se a manutenção do peso corporal em níveis adequados, a inclusão de alimentos com baixo índice glicêmico, como maçã e pera com casca, e a restrição do consumo excessivo de carboidratos (Costa; Nishiyama, 2022).
O principal objetivo da terapia nutricional no manejo do diabetes mellitus é garantir parâmetros metabólicos adequados e controlar a homeostase glicêmica, visando prevenir ou reduzir as complicações associadas à doença. Para isso, é necessário modificar a ingestão de nutrientes e, principalmente, adotar mudanças no estilo de vida, especialmente no tratamento da obesidade (Rocha et al., 2023). A dietoterapia é essencial para o controle da glicemia e das complicações macro e microvasculares. Tais fatores de risco podem ser gerenciados por meio de ajustes nutricionais e mudanças no estilo de vida, o que contribui para a prevenção de complicações relacionadas ao diabetes mellitus. Orientações e planos de cuidados individualizados, elaborados pelo nutricionista, são indispensáveis no tratamento dos pacientes (Xavier et al., 2021).
O aconselhamento nutricional constitui estratégia eficaz para adoção de hábitos alimentares saudáveis, pois configura ação educativa na qual ocorre compartilhamento de conhecimento entre paciente e profissional de saúde. O programa de orientação deve priorizar educação voltada ao autocuidado, com foco no controle da doença e na prevenção de complicações (Rocha et al., 2023).
Seguir as orientações é fundamental para o sucesso da educação alimentar. A adoção de mudanças no estilo de vida, incluindo as relacionadas à alimentação, não deve ser vista como um processo punitivo ou de restrição, pois as modificações não se limitam apenas à dieta e à prática de atividades físicas, mas envolvem também a transformação de significados associados ao comer, ao corpo e à vida (Xavier et al., 2021).
A terapia nutricional constitui parte do tratamento indicado para indivíduos com diagnóstico de diabetes mellitus tipo 1, tipo 2, pré-diabetes e diabetes gestacional, com vistas ao alcance das metas clínicas propostas. A obtenção de informações detalhadas sobre a condição do paciente representa etapa indispensável, envolvendo aspectos como histórico de oscilações de peso, rotina de cuidados e condições sociais. A alimentação exerce influência direta sobre o desenvolvimento do diabetes mellitus. Para pessoas com sobrepeso ou obesidade, recomenda-se a redução de, no mínimo, 5% do peso corporal, medida que pode contribuir para o aprimoramento do controle glicêmico e lipídico, além de proporcionar melhora na qualidade de vida (Prates et al., 2021).
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada evidenciou que a alimentação saudável exerceu influência no controle glicêmico de idosos com diabetes mellitus tipo 2, consolidando-se como estratégia para a prevenção de complicações crônicas. O conjunto de estudos avaliados indicou que a adoção de dietas com baixo índice glicêmico, associadas ao consumo de fibras, proteínas magras e redução de gorduras saturadas, contribuiu para a diminuição de hemoglobina glicada, glicemia de jejum e resistência à insulina.
Foram identificados efeitos sobre peso corporal, perfil lipídico e composição da microbiota intestinal, reforçando o papel da nutrição no cuidado integral. O tratamento alimentar demonstrou resultados quando adaptado às condições do idoso, com fracionamento das refeições, adequação calórica, respeito a preferências culturais e atenção a limitações mastigatórias. A personalização da dieta mostrou-se necessária para garantir adesão ao plano nutricional e prevenir risco de desnutrição, visto que idosos com diabetes apresentam maior vulnerabilidade a complicações relacionadas ao desequilíbrio metabólico.
Intervenções acompanhadas de forma regular promoveram melhora do perfil glicêmico e controle do peso, representando avanço para a qualidade de vida da população estudada. Observou-se impacto de estratégias alimentares específicas, como o uso da farinha da casca de maracujá ou dietas de baixo índice glicêmico e carga glicêmica, que apresentaram benefícios adicionais sobre triglicerídeos, leptina, lipídios plasmáticos e marcadores inflamatórios.
Os resultados apontaram que a inclusão de alimentos funcionais e o controle da qualidade dos carboidratos ingeridos contribuíram para a regulação da glicemia e prevenção de desfechos cardiovasculares. O manejo nutricional foi entendido como parte integrante e complementar ao tratamento farmacológico, ampliando a efetividade das intervenções clínicas.
A alimentação saudável, estruturada em padrões equilibrados e sustentada por educação nutricional, configurou-se como determinante para a promoção do envelhecimento saudável em idosos com diabetes tipo 2. As evidências reunidas reforçaram a atuação multiprofissional e a continuidade do acompanhamento dietético como instrumentos de prevenção de complicações e manutenção da autonomia. Assim, políticas públicas de saúde devem ampliar o acesso a orientações nutricionais individualizadas, assegurando o controle glicêmico e o bem-estar físico, funcional e social da população idosa.
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¹ Graduandas do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. E-mail: dsenna7666@gmail.com, isisgabriellyroberto@gmail.com, rosana.rs16@gmail.com
² Francisca Marta Freitas do TCC, Esp. Psicopedagogia, pela Estácio Doutora em Biotecnologia pela Universidade Federal do Amazonas. Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. Email: francisca.freitas@fametro.edu.br
3 Rosimar Honorato Lobo, Docente do Curso de Bacharelado em Nutrição do Centro Universitário FAMETRO. Rosimar.lobo@fametro.edu.br
