BENEFITS OF EARLY INTERVENTION BASED ON APPLIED BEHAVIOR ANALYSIS FOR CHILDREN WITH AUTISM: A LITERATURE REVIEW
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202510251454
Mikaellem Rocha Soares1
Renata Nascimento Oliveira2
Cleide de Pinho Amorim Paz3
Yloma Fernanda de Oliveira Rocha4
RESUMO: O Transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um desafio complexo e crescente para o campo da saúde e da educação. Nesse contexto, a Análise do Comportamento Aplicada (ABA) surge como uma intervenção eficaz, sobretudo quando implementada precocemente. Este artigo apresenta uma revisão integrativa da literatura com o objetivo de reunir evidências científicas recentes sobre os efeitos da ABA em crianças com TEA. Os estudos analisados indicam melhorias substanciais em habilidades cognitivas, comunicacionais e adaptativas, além de redução de comportamentos disfuncionais. O presente artigo reforça a importância do diagnóstico e da intervenção precoce, destacando o papel da ABA na promoção do desenvolvimento integral da criança com autismo. Assim, objetiva-se: identificar evidências científicas sobre os benefícios da ABA aplicada precocemente em crianças com TEA; avaliar os principais ganhos comportamentais, sociais e comunicativos observados nos estudos revisados; e analisar a contribuição dessas intervenções para a prática clínica e para a formulação de políticas públicas.
Palavras-chave: Autismo. ABA. Intervenção precoce. Revisão integrativa. Desenvolvimento infantil.
ABSTRACT: Autism Spectrum Disorder (ASD) represents a growing and complex challenge for the fields of health and education. In this context, Applied Behavior Analysis (ABA) emerges as an effective intervention, especially when implemented in early childhood. This article presents an integrative literature review aimed at gathering recent scientific evidence on the effects of early ABA intervention in children with ASD. The studies analyzed indicate substantial improvements in cognitive, communicative, and adaptive skills, as well as a reduction in dysfunctional behaviors. This study highlights the importance of early diagnosis and intervention, emphasizing the role of ABA in promoting the integral development of children with autism. Therefore, this research aims to: identify scientific evidence on the benefits of early ABA intervention in children with ASD; evaluate the main behavioral, social, and communicative gains observed in the reviewed studies; and analyze the contribution of such interventions to clinical practice and public policy formulation.
Keywords: Autism. ABA. Early intervention. Integrative review. Child development
1. INTRODUÇÃO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) desafia não apenas a ciência, mas também a sensibilidade de uma sociedade que precisa aprender a reconhecer e acolher a diversidade humana. Trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento que afeta, em diferentes níveis, a comunicação, a interação social e o comportamento (APA, 2014). Frente à complexidade do transtorno, a intervenção precoce torna-se uma necessidade emergente, especialmente quando se considera o impacto positivo da plasticidade cerebral nos primeiros anos de vida.
Dentre as abordagens terapêuticas reconhecidas cientificamente, destaca-se a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), fundamentada em princípios do comportamento e voltada para o ensino de habilidades adaptativas e funcionais. Estudos apontam que, quando aplicada precocemente, a ABA pode promover avanços significativos no desenvolvimento global da criança com TEA (Lovaas, 1987; Reichow et al., 2014).
Justifica-se a presente pesquisa pela necessidade de reunir e sistematizar os estudos recentes que abordam a eficácia da intervenção precoce baseada na ABA para crianças com TEA, oferecendo respaldo técnico-científico a profissionais, familiares e gestores. O recorte temporal de cinco anos se justifica pela atualidade das evidências e pelas atualizações nos protocolos terapêuticos.
O problema de pesquisa que orienta este estudo é: Quais são os benefícios relatados pela literatura recente sobre a aplicação precoce da ABA em crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista?
O objetivo geral deste trabalho é investigar os benefícios da intervenção precoce baseada na ABA para crianças diagnosticadas com TEA, com base em uma revisão integrativa da literatura publicada entre 2020 e 2024.
Objetivos específicos:
- Identificar evidências científicas sobre os efeitos da ABA iniciada na primeira infância em crianças com TEA;
- Avaliar os principais ganhos comportamentais, sociais e comunicativos observados nos estudos revisados;
- Analisar a contribuição das intervenções precoces com ABA para a prática clínica e para a formulação de políticas públicas voltadas ao autismo.
Diante disso, este artigo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura sobre os benefícios da intervenção precoce baseada na ABA para crianças com TEA, buscando oferecer subsídios teóricos e práticos para profissionais, famílias e gestores de políticas públicas.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O TEA é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social, bem como por padrões restritos e repetitivos de comportamento (APA, 2014). A prevalência mundial tem aumentado, com estudos recentes estimando que uma em cada 44 crianças apresenta sinais compatíveis com o espectro (CDC, 2021).
A intervenção precoce é fundamentada na ideia de que os primeiros anos de vida são críticos para o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e emocionais (Dawson et al., 2010). Crianças que recebem intervenções nessa fase tendem a apresentar melhor desempenho acadêmico, social e comunicativo ao longo da vida.
A ABA é uma ciência que aplica princípios do comportamento com o objetivo de promover mudanças socialmente relevantes. Suas técnicas envolvem reforço positivo, análise funcional, ensino estruturado e modelagem de comportamentos. Estudos como os de Lovaas (1987) e Howard et al. (2005) demonstram a eficácia da ABA quando iniciada precocemente, resultando em ganhos expressivos em linguagem, adaptação social e autonomia.
3. METODOLOGIA
Este estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conforme metodologia descrita por Souza, Silva e Carvalho (2010). Essa abordagem possibilita reunir e sintetizar pesquisas relevantes, promovendo uma compreensão ampla sobre o estado atual do conhecimento em determinado tema.
Critérios de inclusão:
- Artigos publicados entre 2020 e 2024;
- Idiomas: português, inglês ou espanhol;
- Estudos empíricos com aplicação de ABA em crianças com TEA entre 0 e 6 anos;
- Texto completo gratuito;
- Resultados objetivos da intervenção.
Critérios de exclusão:
- Artigos duplicados;
- Revisões narrativas, sistemáticas, relatos, capítulos de livros; ● Estudos que não especificam ABA ou a idade de início da intervenção; ● Trabalhos com adolescentes ou adultos.
Resultados da busca:
- 45 artigos encontrados;
- 33 excluídos;
- 12 incluídos na análise final.
A busca foi realizada nas bases SciELO, PubMed, PsycINFO e Google Scholar com os descritores: “autismo”, “intervenção precoce”, “ABA”, “análise do comportamento aplicada”.
Gráfico 1 – Seleção de Estudos para Revisão Integrativa:

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A partir da análise dos doze artigos incluídos nesta revisão integrativa, foi possível organizar os achados em três categorias de discussão, diretamente relacionadas aos objetivos específicos do estudo: (1) eficácia da ABA na primeira infância; (2) ganhos comportamentais, sociais e comunicativos; e (3) contribuições para a prática clínica e políticas públicas.
4.1 Eficácia da ABA em intervenções iniciadas na primeira infância
Os estudos apontam que a aplicação da ABA nos primeiros anos de vida está associada a resultados mais expressivos no desenvolvimento de crianças com TEA. A plasticidade neural presente na primeira infância favorece a aprendizagem de novas habilidades, o que torna a intervenção precoce um fator decisivo. Pesquisas como as de Howard et al. (2005) e Reichow et al. (2014) demonstram que crianças submetidas à ABA por pelo menos 20 horas semanais durante dois anos apresentaram ganhos significativos em QI, habilidades sociais e linguagem. Além disso, a intensidade e a duração do tratamento foram variáveis determinantes para a eficácia observada, reforçando a necessidade de programas estruturados e contínuos desde os primeiros sinais do transtorno.
4.2 Ganhos comportamentais, sociais e comunicativos
Os benefícios da ABA não se restringem ao desempenho acadêmico ou à aquisição de linguagem, mas se estendem às dimensões comportamentais e relacionais. A maioria dos estudos analisados relatou melhorias substanciais na redução de comportamentos disfuncionais, como autoagressão, estereotipias e birras, por meio de estratégias como análise funcional, reforço positivo e extinção planejada. No âmbito social, observou-se evolução no contato visual, na reciprocidade nas interações e na capacidade de seguir instruções e rotinas. Em relação à comunicação, os dados evidenciaram progressos tanto na linguagem verbal quanto não verbal, com aumento do vocabulário funcional, emissão de pedidos e uso de sinais alternativos para comunicação.
4.3 Contribuições para a prática clínica e políticas públicas
Além dos benefícios diretos à criança, os estudos analisados destacaram o impacto positivo da ABA no contexto familiar e institucional. A participação ativa dos pais e cuidadores nas sessões de terapia contribuiu para maior generalização das habilidades aprendidas e fortalecimento do vínculo afetivo. Algumas pesquisas também relataram redução do estresse parental e aumento da confiança dos responsáveis quanto à capacidade de manejar comportamentos difíceis. No campo das políticas públicas, os resultados reforçam a urgência de ampliar o acesso gratuito e equitativo a serviços baseados em ABA, especialmente no âmbito do SUS e nas redes de educação inclusiva. A ausência de programas públicos sistematizados e a escassez de profissionais capacitados ainda são barreiras para a efetivação da intervenção precoce em larga escala.
Essas análises demonstram que a ABA, quando aplicada precocemente e com qualidade, é capaz de promover transformações significativas no desenvolvimento da criança com TEA, bem como no cotidiano das famílias e instituições que a cercam. Assim, o estudo reafirma a relevância dessa abordagem não apenas do ponto de vista clínico, mas também como estratégia de inclusão social e fortalecimento de redes de apoio.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente revisão integrativa permitiu reunir e analisar evidências científicas dos últimos cinco anos sobre os benefícios da intervenção precoce baseada na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Com base nos objetivos propostos, foi possível identificar, de forma consistente, que intervenções iniciadas na primeira infância apresentam maior eficácia, especialmente quando aplicadas de forma intensiva e com o envolvimento ativo da família.
As análises indicaram ganhos significativos em linguagem, comunicação funcional, interação social, bem como redução de comportamentos disfuncionais, o que reforça a importância da aplicação precoce e sistematizada da ABA. Além disso, os estudos demonstraram que a atuação conjunta entre profissionais e familiares potencializa os resultados da terapia, favorecendo a generalização de habilidades e o fortalecimento dos vínculos afetivos.
A discussão revelou ainda lacunas importantes em termos de políticas públicas. Apesar da comprovada eficácia da ABA, o acesso a esse tipo de intervenção ainda é restrito, sobretudo no âmbito do sistema público de saúde. Assim, é fundamental que gestores e formuladores de políticas ampliem os investimentos na formação de profissionais, na criação de centros de referência e na inclusão da ABA como serviço essencial no atendimento a crianças com TEA.
Conclui-se que a ABA representa uma ferramenta poderosa de transformação na vida de crianças com autismo e suas famílias. Quando iniciada precocemente, com base científica, ética e compromisso social, essa abordagem contribui não apenas para o desenvolvimento infantil, mas também para a promoção da inclusão, da cidadania e da equidade no cuidado à diversidade humana.
REFERÊNCIAS
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders: DSM-5. 5. ed. Arlington: APA, 2014.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Prevalence of Autism Spectrum Disorder Among Children Aged 8 Years. 2021.
DAWSON, G. et al. Early behavioral intervention is associated with normalized brain activity in young children with autism. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, v. 49, n. 11, p. 1150-1157, 2010.
HOWARD, J. S. et al. A comparison of intensive behavior analytic and eclectic treatments for young children with autism. Research in Developmental Disabilities, v. 26, n. 4, p. 359-383, 2005.
LEAF, R. et al. The Applied Behavior Analysis approach to treating children with autism: A comprehensive guide. Autism Spectrum Disorders, 2015.
LOVAAS, O. I. Behavioral treatment and normal educational and intellectual functioning in young autistic children. Journal of Consulting and Clinical Psychology, v. 55, n. 1, p. 3, 1987.
REICHOW, B. et al. Early intensive behavioral intervention (EIBI) for young children with autism spectrum disorders (ASD). Cochrane Database of Systematic Reviews, 2014.
SMITH, T. Discrete trial training in the treatment of autism. Focus on Autism and Other Developmental Disabilities, v. 16, n. 2, p. 86-92, 2001.
SOUZA, M. T.; SILVA, M. D.; CARVALHO, R. Revisão integrativa: o que é e como fazer. Einstein (São Paulo), v. 8, n. 1, p. 102–106, 2010.
1Psicóloga Discente do Curso Pós graduação do Instituto Faespi Campus Teresina-PI e-mail: psicologamikaellem.soares@gmail.com
2Psicóloga Discente do Curso Pós graduação do Instituto Faespi Campus Teresina-PI e-mail: xrenata_oliveirax@hotmail.com
3Pedagoga. Psicopedagoga Discente do Curso Pós graduação do Instituto Faespi Campus Teresina-Pi
4Psicóloga. Pedagoga. Psicopedagoga. Mestre em Saúde Mental(UFRGS) Doutoranda em Saúde.
