AVANÇOS NO TRATAMENTO DE PERFURAÇÕES DE FURCA: DA FORMULAÇÃO ORIGINAL DO MTA AOS NOVOS BIOMATERIAIS¹

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511111950


João Pedro Oliveira Monteiro2
Michele Alves Londono3


RESUMO

O tratamento de perfurações de furca evoluiu significativamente, passando da formulação original do MTA a novos biomateriais que aprimoram selamento, biocompatibilidade e regeneração tecidual. O objetivo geral foi abordar sobre a perfuração de furca. Enquanto os objetivos específicos foram discorrer sobre o histórico dos materiais de selamento, abranger para MTA – formulação original e propriedades, salientar sobre novos biomateriais no tratamento de perfurações e discorrer sobre abordagens clínicas e técnicas de aplicação. O presente trabalho trata-se de uma revisão bibliográfica buscado em bases de dados online com o tempo recorte de 10 anos. Concluiu-se que os avanços nos biomateriais utilizados no reparo de perfurações de furca, do MTA às novas formulações biocerâmicas, proporcionaram maior eficácia clínica, melhor selamento, biocompatibilidade e estímulo à regeneração tecidual. A evolução desses materiais contribuiu significativamente para a preservação do dente, a redução de complicações periodontais e o aumento da previsibilidade do tratamento endodôntico, evidenciando a importância da escolha adequada do material e da técnica aplicada.

Palavras chaves: Perfurações de furca; MTA; Biodentine; Biomateriais; Endodontia.

ABSTRACT

The treatment of furcation perforations has evolved significantly, moving from the original formulation of MTA to new biomaterials that enhance sealing, biocompatibility, and tissue regeneration. The general objective was to address furcation drilling. While the specific objectives were to discuss the history of sealing materials, to cover MTA – original formulation and properties, to highlight new biomaterials in the treatment of perforations and to discuss clinical approaches and application techniques. The present work is a bibliographic review searched in online databases with a time of 10 years. It was concluded that advances in the biomaterials used in the repair of furcation perforations, from MTA to new bioceramic formulations, provided greater clinical efficacy, better sealing, biocompatibility and stimulation of tissue regeneration. The evolution of these materials has contributed significantly to tooth preservation, the reduction of periodontal complications and the increase in the predictability of endodontic treatment, highlighting the importance of the appropriate choice of material and the technique applied.

Keywords: Furcation drilling; MTA; Biodentine; Biomaterials; Endodontics.

1 INTRODUÇÃO

As perfurações de furca são comunicações patológicas entre a câmara pulpar e o periodonto, localizadas na região de bifurcação ou trifurcação radicular, podendo ocorrer de forma iatrogênica, por processos cariosos extensos ou traumas dentários. Quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, essas lesões comprometem a estrutura dentária, causam inflamação dos tecidos periodontais e, em casos mais graves, podem levar à perda do elemento dental (ALSHEHRI et al., 2024).

O tratamento precoce e a escolha do material de reparo adequado são fundamentais para preservar o dente e a função periodontal, reduzindo a infiltração bacteriana e minimizando danos teciduais (PANCHAL et al., 2024). Historicamente, materiais como amálgama, cimentos de óxido de zinco e resinas compostas apresentavam limitações de biocompatibilidade e selamento, enquanto o MTA trouxe avanços significativos. Mais recentemente, a introdução da biodentine e de cimentos biocerâmicos melhorou propriedades como tempo de presa, manuseio e estética, ampliando a eficácia do tratamento de perfurações de furca (DONG & XU, 2023).

Mediante ao exposto, levantou-se a seguinte questão norteadora: De que forma os avanços nos biomateriais, do MTA às formulações mais recentes, influenciaram o sucesso do tratamento das perfurações de furca?

Para responder a problemática o objetivo geral foi abordar sobre a perfuração de furca. Enquanto os objetivos específicos foram discorrer sobre o histórico dos materiais de selamento, abranger para MTA – formulação original e propriedades, salientar sobre novos biomateriais no tratamento de perfurações e discorrer sobre abordagens clínicas e técnicas de aplicação.

Este trabalho foi justificado pela necessidade de analisar a evolução dos materiais utilizados no reparo de perfurações de furca, avaliando a eficácia do MTA e dos novos biomateriais, como a Biodentine e os cimentos biocerâmicos. A escolha do tema se fundamentou na relevância clínica do assunto, uma vez que a adoção de materiais mais eficientes contribuiu para a preservação do dente, a regeneração tecidual e o aumento da previsibilidade do tratamento endodôntico, oferecendo subsídios teóricos e práticos para profissionais da área odontológica.

2 MATERIAL E MÉTODOS

Este trabalho consistiu em uma revisão de literatura baseada na análise de produções acadêmicas disponíveis em bases de dados e plataformas digitais, com o objetivo de reunir e examinar contribuições teóricas e científicas relevantes sobre o tratamento de perfurações de furca e a evolução dos biomateriais utilizados, do MTA às novas formulações biocerâmicas. Foram utilizadas como fontes de pesquisa o Google Acadêmico, Scielo e Lilacs.

Foram incluídos artigos científicos, monografias, dissertações e trabalhos de conclusão de curso publicados em português e inglês entre os anos de 2015 e 2025, desde que abordassem de forma direta temas relacionados ao reparo de perfurações radiculares, propriedades do MTA, Biodentine, cimentos biocerâmicos e técnicas de aplicação clínica.

Os critérios de inclusão envolveram a relevância temática, a disponibilidade gratuita e integral do texto, e a clareza quanto aos objetivos e resultados apresentados. Foram excluídos trabalhos duplicados, incompletos, que não tratassem diretamente do tema ou que, após leitura completa, não apresentassem contribuições significativas para a análise proposta.

O processo de seleção envolveu a triagem por título, resumo e texto completo, priorizando aqueles que apresentavam dados recentes, discussões críticas sobre materiais de reparo e abordagens clínicas, além de estudos comparativos entre MTA e novos biomateriais.

3 RESULTADOS

Os resultados obtidos neste trabalho evidenciaram que o tratamento das perfurações de furca apresentou melhores desfechos clínicos e prognósticos quando realizados com biomateriais de última geração. Observou-se que o MTA, apesar de consolidado como referência, apresentou limitações relacionadas ao tempo de presa e ao manuseio, enquanto a Biodentine e os cimentos biocerâmicos demonstraram desempenho superior em termos de selamento, biocompatibilidade e indução à regeneração tecidual. Assim, verificou-se que a evolução dos materiais contribuiu significativamente para o aumento da previsibilidade e da taxa de sucesso no reparo de perfurações radiculares.

De modo geral, os dados analisados mostram que escolher o material obturador certo faz toda a diferença no resultado do tratamento. Ele é fundamental para a recuperação dos tecidos e para manter a função do dente. Além disso, usar as técnicas corretas e contar com materiais de alta qualidade ajuda a estimular a regeneração dos tecidos ao redor do dente e a restabelecer sua funcionalidade. Isso demonstra que o sucesso do procedimento depende não só da qualidade do material utilizado, mas também da habilidade do profissional na sua aplicação.

4 DESENVOLVIMENTO
4.1 Histórico dos materiais de selamento

Antes do surgimento do MTA, diferentes materiais foram empregados no reparo de perfurações radiculares e de furca, como o amálgama, o cimento de fosfato de zinco e os compósitos resinosos. Apesar de terem sido soluções largamente utilizadas, apresentavam desempenho limitado devido à ausência de bioatividade, à baixa adesão aos tecidos dentários e à possibilidade de corrosão ou infiltração marginal, o que comprometia o prognóstico a longo prazo (COSME-SILVA et al., 2016).

Essas limitações eram especialmente críticas em relação à biocompatibilidade, uma vez que o contato direto desses materiais com os tecidos periodontais frequentemente gerava respostas inflamatórias adversas. Além disso, a dificuldade em promover um selamento eficaz contra a infiltração bacteriana e a limitada resistência mecânica em ambientes úmidos reduziam ainda mais sua previsibilidade clínica, tornando necessário o desenvolvimento de alternativas mais adequadas para o reparo (CARDOSO et al., 2018).

Foi nesse contexto que o MTA foi introduzido como um avanço significativo na endodontia. Sua formulação original trouxe características inéditas, como excelente biocompatibilidade, indução à regeneração tecidual e capacidade superior de selamento, mesmo em contato com fluidos biológicos. Além disso, demonstrou potencial em estimular a formação de cemento e de tecido periodontal saudável, fatores decisivos para o sucesso do tratamento de perfurações. Esses atributos transformaram o MTA em referência para reparos radiculares, abrindo caminho para a pesquisa e o desenvolvimento de novos biomateriais que buscassem superar suas limitações (VALENTE & PASSOS, 2025).

4.2 MTA – formulação original e propriedades

O Agregado Trióxido Mineral foi introduzido na década de 1990 como uma inovação para a endodontia, rapidamente se tornando referência no reparo de perfurações radiculares e de furca. Sua composição inclui óxidos minerais, principalmente óxido de cálcio e óxido de silício, que em contato com a umidade formam hidróxido de cálcio, responsável por sua bioatividade. Essa característica permite que o MTA apresente elevada compatibilidade com os tecidos periodontais, além de estimular a formação de cemento e favorecer a cicatrização dos tecidos perirradiculares (SURYAWANSHI et al., 2024).

Entre as principais vantagens do MTA destacam-se seu excelente selamento marginal, mesmo em condições úmidas, sua capacidade antimicrobiana decorrente do pH alcalino e o estímulo à regeneração tecidual. Estudos relatam ainda que o material apresenta potencial para induzir a deposição de matriz mineralizada, o que amplia suas indicações clínicas. No entanto, algumas limitações foram identificadas ao longo do tempo, como o longo tempo de presa, dificuldade de manipulação, possibilidade de descoloração dentária em formulações mais antigas e custo relativamente elevado (ASHWIJA et al., 2025).

Apesar dessas desvantagens, o MTA permanece como um marco no tratamento de perfurações, representando o primeiro material verdadeiramente bioativo capaz de oferecer resultados consistentes em termos de reparo e regeneração. Sua introdução estabeleceu novos parâmetros de qualidade, influenciando diretamente o desenvolvimento de alternativas posteriores, como a Biodentine e os cimentos biocerâmicos de última geração, que buscam superar suas limitações mantendo as propriedades biológicas desejáveis (VALENTE & PASSOS, 2025).

4.3 Novos biomateriais no tratamento de perfurações

A introdução de novos biomateriais representou um avanço importante na endodontia, especialmente no reparo de perfurações de furca. Entre eles, a Biodentine ganhou destaque por apresentar propriedades semelhantes ao MTA, mas com melhorias significativas, como tempo de presa mais rápido, maior facilidade de manipulação e menor risco de descoloração. Além disso, possui excelente biocompatibilidade e potencial bioativo, favorecendo a regeneração dos tecidos perirradiculares e a formação de dentina reparadora (ASHWIJA et al., 2025b).

Outro grupo de materiais que vem se consolidando são os cimentos biocerâmicos, desenvolvidos com foco em superar as limitações do MTA. Esses materiais apresentam características de bioatividade, selamento superior, liberação controlada de íons cálcio e propriedades antimicrobianas. Além de proporcionarem um ambiente favorável à regeneração tecidual, destacam-se pela estabilidade dimensional e pela capacidade de promover uma adesão íntima às paredes dentinarias, fatores essenciais para a longevidade clínica do reparo (DONG & XU, 2023).

Estudos recentes também investigam outros materiais inovadores, como cimentos à base de silicato de cálcio modificados, que buscam reunir as vantagens do MTA e da Biodentine, mas com performance ainda mais otimizada em termos de manuseio, resistência mecânica e estética. Essas inovações representam uma tendência promissora, ampliando as possibilidades de escolha clínica e tornando o tratamento de perfurações de furca cada vez mais previsível e eficiente (ASHWIJA et al., 2025).

4.4 Abordagens clínicas e técnicas de aplicação

O sucesso do tratamento das perfurações de furca depende não apenas da escolha do biomaterial, mas também da correta execução da técnica clínica. O primeiro passo consiste no diagnóstico precoce da perfuração, realizado por meio de exame clínico, testes de sondagem periodontal e exames radiográficos. A partir da confirmação, é indispensável garantir isolamento absoluto do campo operatório, geralmente com o uso de dique de borracha, para evitar contaminação bacteriana durante o reparo (ALSHEHRI et al., 2024).

Após o isolamento, a cavidade da perfuração deve ser cuidadosamente limpa, removendo-se restos de tecido necrótico e debris contaminantes. A irrigação abundante com soluções antimicrobianas auxilia na descontaminação da área, preparando-a para receber o material de reparo. Em seguida, o biomaterial escolhido seja MTA, biodentine ou cimento biocerâmico é inserido na perfuração e compactado de forma controlada, garantindo o preenchimento completo da comunicação e o adequado selamento marginal (PANCHAL et al., 2024).

O acompanhamento pós-operatório é fundamental para avaliar a resposta dos tecidos e a manutenção do selamento. Consultas periódicas com exames radiográficos e clínicos permitem verificar a ocorrência de cicatrização óssea e periodontal, além da ausência de sinais de infiltração ou inflamação. Dessa forma, a associação entre diagnóstico precoce, técnica adequada e seleção criteriosa do biomaterial aumenta significativamente as taxas de sucesso no tratamento das perfurações de furca (SURYAWANSHI et al., 2024).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Concluiu-se que os avanços nos biomateriais utilizados no reparo de perfurações de furca, do MTA às novas formulações biocerâmicas, proporcionaram maior eficácia clínica, melhor selamento, biocompatibilidade e estímulo à regeneração tecidual. A evolução desses materiais contribuiu significativamente para a preservação do dente, a redução de complicações periodontais e o aumento da previsibilidade do tratamento endodôntico, evidenciando a importância da escolha adequada do material e da técnica aplicada.

Além disso, observa-se que o MTA continua sendo amplamente utilizado e estudado, devido às suas propriedades físicas e químicas favoráveis, como a capacidade de induzir formação de cemento e promover a regeneração dos tecidos periodontais. Contudo, as biocerâmicas mais recentes têm demonstrado resultados promissores, com manipulação facilitada, tempo de presa reduzido e melhor adaptação marginal.

Esses avanços refletem o constante progresso da odontologia regenerativa e o impacto positivo da pesquisa científica na prática clínica. A seleção adequada do material deve considerar não apenas suas propriedades físico-químicas, mas também o tipo e a extensão da perfuração, o tempo decorrido até o reparo e a condição periodontal do dente afetado.

Dessa forma, é fundamental que o cirurgião-dentista mantenha-se atualizado quanto às inovações nos materiais e técnicas disponíveis, visando garantir resultados mais previsíveis e duradouros. Estudos clínicos de longo prazo ainda são necessários para consolidar a eficácia das novas biocerâmicas em comparação ao MTA, ampliando o embasamento científico e fortalecendo a tomada de decisão na prática endodôntica.

6 REFERÊNCIAS

ALSHEHRI, M. et al. O tratamento da perfuração radicular: uma revisão da literatura. Cereu, v. 16, n. 10, p. 1-8, 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11500726/pdf/cureus-0016-00000072296.pdf. Acesso em: 18 set. 2025.

ASHWIJA, S. et al. Avaliação comparativa do potencial de selamento do agregado de trióxido mineral, biodentina e reparo bio-C em perfurações de furca: um estudo de penetração de glicose. Revista de Odontologia Conservadora e Endodontia. V. 28, n. 2, p. 144-149, 2025. Disponível em: https://journals.lww.com/jcde/fulltext/2025/02000/comparative_evaluation_of_sealing_potential_of.7.aspx?utm_source. Acesso em: 18 set. 2025.

ASHWIJA, S. et al. Capacidade de selamento de materiais biocerâmicos para reparo de perfuração de furca – Uma revisão sistemática. Endodontologia. v. 37, n. 1, p 10-15, 2025. Disponível em: https://journals.lww.com/eddt/fulltext/2025/01000/sealing_ability_of_bioceramic_furcation.3.aspx?utm_source. Acesso em: 18 set. 2025.

CARDOSO, M. et al. Biodentine para reparo de perfuração de furca: um estudo animal com avaliação histológica, radiográfica e microtomográfica computadorizada. Irã Endod J. v. 13, n. 3, p. 323-330, 2018. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6064015/?utm_source. Acesso em: 18 set. 2025.

COSME-SILVA, L. et al. Reparo de perfuração radicular com agregado de trióxido mineral: relato de caso com acompanhamento de 10 anos. Dente Aberto J. v. 10, p. 733-738, 2016. Disponível em: https://revista.cromg.org.br/index.php/rcromg/article/download/41/27. Acesso em: 20 set. 2025.

DONG, X.; XU, X. Biocerâmica em Endodontia: Atualizações e Perspectivas Futuras. Bioengineering, v. 10, n. 354, p. 1-30, 2023. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10045528/pdf/bioengineering-10-00354.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.

PANCHAL, S. et al. Reparo de perfuração furcal iatrogênica com agregado de trióxido mineral: relato de caso. Cureu. v. 16, n. 6, p. 1-7, 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11235408/pdf/cureus-0016-00000062035.pdf. Acesso em: 20 set. 2025.

SURYAWANSHI, T. et al. Gestão de um Caso de Reparo de Grande Perfuração com Biodentine. Cureu, v. 16, n. 6, p. 1-4, 2024. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11233276/pdf/cureus-0016-00000062020.pdf. Acesso em: 22 set. 2025.

VALENTE, K.; PASSOS, M. O uso de Agregado Trióxido Mineral (MTA) em perfurações radiculares. Research, Society and Development, v. 14, n. 2, p. 1-7, 2025. Disponível em: https://rsdjournal.org/rsd/article/view/48330/37988. Acesso em: 22 set. 2025.


1Artigo apresentado como quesito avaliativo para obtenção do diploma de Graduação em Odontologia

2Acadêmico do 8° período do Curso de Odontologia das Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA

3Orientadora, Esp. em Endodontia