REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202511111919
Anielle Miranda Carneiro1
Camila Pâmela da Nóbrega Sousa2
Flávia Elen Macedo Silva3
Gabriela Morais dos Santos4
Jamilly da Silva Mendes5
Pedro Henrique Rodrigues Alencar6
RESUMO
A Síndrome de Fournier, também conhecida como gangrena de Fournier, é uma condição infecciosa rara e de rápida evolução, caracterizada por uma fasciite necrosante que acomete principalmente a região perineal e genital. Trata-se de uma patologia de elevada gravidade, cujo prognóstico depende diretamente do diagnóstico precoce e da adoção de condutas terapêuticas imediatas. Nesse cenário, a atuação do enfermeiro configura-se como elemento central no tratamento, visto que esse profissional desempenha atribuições que vão desde a realização de curativos especializados e o monitoramento contínuo dos sinais vitais até a administração correta da antibioticoterapia prescrita e o suporte emocional prestado ao paciente e sua família. O objetivo deste estudo foi analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, as principais responsabilidades e contribuições da enfermagem na assistência a indivíduos acometidos pela Síndrome de Fournier, identificando práticas efetivas para a prevenção de complicações e promoção da recuperação clínica. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa e exploratória, com levantamento de artigos publicados entre 2019 e 2025 nas bases SciELO, PubMed e LILACS, dos quais 13 estudos compuseram a amostra final após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão. Os resultados evidenciaram que a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) constitui ferramenta indispensável para organizar e qualificar o cuidado, assegurando maior efetividade, segurança e continuidade da assistência. Além disso, destacaram-se desafios como a sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos materiais e humanos, e as lacunas de capacitação profissional, fatores que dificultam a prática baseada em evidências e limitam a efetividade do cuidado. Conclui-se que a enfermagem exerce papel estratégico e insubstituível no manejo da Síndrome de Fournier, sendo imprescindível o investimento em educação continuada, protocolos específicos e práticas humanizadas para garantir a integralidade do tratamento e a qualidade de vida dos pacientes acometidos.
Palavras-chave: Síndrome de Fournier. Enfermagem. Assistência de Enfermagem.
ABSTRACT
Fournier’s Syndrome, also known as Fournier’s gangrene, is a rare and rapidly progressing infectious condition characterized by necrotizing fasciitis that primarily affects the perineal and genital regions. It is a highly severe pathology, whose prognosis directly depends on early diagnosis and the prompt adoption of therapeutic measures. In this context, the role of the nurse is central to treatment, as this professional performs duties ranging from specialized wound care and continuous monitoring of vital signs to the correct administration of prescribed antibiotic therapy and the provision of emotional support to the patient and their family. The aim of this study was to analyze, through an integrative literature review, the main responsibilities and contributions of nursing in the care of individuals affected by Fournier’s Syndrome, identifying effective practices for the prevention of complications and the promotion of clinical recovery. To this end, a qualitative and exploratory bibliographic research was conducted, surveying articles published between 2019 and 2025 in the SciELO, PubMed, and LILACS databases, of which 13 studies comprised the final sample after applying inclusion and exclusion criteria. The results showed that the Nursing Care Systematization (NCS) constitutes an indispensable tool to organize and qualify care, ensuring greater effectiveness, safety, and continuity of assistance. Furthermore, challenges such as work overload, scarcity of material and human resources, and gaps in professional training were highlighted as factors that hinder evidence-based practice and limit care effectiveness. It is concluded that nursing plays a strategic and irreplaceable role in the management of Fournier’s Syndrome, making continuous education, specific protocols, and humanized practices essential to ensure comprehensive treatment and quality of life for affected patients.
Keywords: Fournier’s Syndrome. Nursing. Nursing Care.
1 INTRODUÇÃO
A Síndrome de Fournier, também conhecida como Gangrena de Fournier, trata-se de um tipo grave de fascite necrosante que acomete, principalmente, a região genital e perineal. Essa condição foi descrita pela primeira vez pelo dermatologista francês Jean-Alfred Fournier, em 1883. Especialista em doenças venéreas, ele documentou cinco casos de pacientes jovens que apresentavam gangrena no pênis e no escroto, cuja origem era, até então, desconhecida e considerada rara. Os casos registrados tiveram em comum um início súbito e uma evolução extremamente rápida, levando a um quadro infeccioso severo, caracterizado por sepse, além de elevadas taxas de morbidade e mortalidade (Ferreira Júnior et al, 2022).
Do ponto de vista etiológico, Ferreira Júnior et al (2022) explica que a Síndrome de Fournier é uma infecção polimicrobiana, ou seja, causada por uma variedade de microrganismos, incluindo bactérias aeróbicas e anaeróbicas. Esses agentes patogênicos desencadeiam um processo infeccioso agressivo, que leva à trombose de pequenos vasos subcutâneos, resultando em necrose de tecidos locais. A progressão da doença é rápida e, na ausência de um diagnóstico precoce e tratamento imediato, pode levar ao óbito. Embora seja mais comumente observado em homens adultos, especialmente na faixa etária entre 50 e 60 anos, há relatos de casos, embora raros, em mulheres e também em indivíduos com menos de 15 anos.
A principal porta de entrada para os microrganismos causadores da Síndrome de Fournier é no trato urogenital, no trato digestivo ou em feridas e lesões pré-existentes. A infecção inicia-se, geralmente, no pênis e no escroto, no caso dos homens, e na virilha e vulva, no caso das mulheres, podendo rapidamente se disseminar para o períneo e até mesmo para a parede abdominal. O avanço da tecnologia ocorre de maneira acelerada, o que torna fundamental a adoção de medidas terapêuticas eficazes o mais cedo possível (Souza, et al, 2019).
Diante da gravidade da doença, a assistência prestada pela equipe de enfermagem tem um papel essencial ao longo de todo o processo de tratamento. Os profissionais de enfermagem são responsáveis pela administração dos medicamentos prescritos, realização de medidas preventivas nas áreas afetadas, monitoramento dos sinais específicos e observação contínua da evolução das lesões, a fim de identificar precocemente possíveis complicações (Freitas, et al 2020).
Dessa forma, conforme exposto por Freitas et al,. (2020), a Síndrome de Fournier é uma patologia grave e de progressão rápida, caracterizada por um alto índice de morbidade e mortalidade. Sendo uma forma severa de fascite necrosante, sua identificação precoce e o manejo adequado são fundamentais para garantir a recuperação do paciente e minimizar complicações.
Nesse contexto, a identificação rápida da síndrome, associada a um tratamento adequado e eficaz, é fundamental para aumentar as chances de recuperação do paciente. A enfermagem desempenha um papel crucial nesse processo, exigindo um conhecimento aprofundado sobre a patologia e a necessidade de uma avaliação diária da ferida para verificar sua evolução. Essa prática permite não apenas acompanhar a resposta do organismo ao tratamento, mas também prevenir e intervir precocemente diante de qualquer sinal de agravamento da infecção (Alves et al,. 2022).
Para tanto, o objetivo geral deste artigo é analisar o papel da enfermagem no tratamento da Síndrome de Fournier, destacando a sua importância na prevenção de complicações e promoção na recuperação do paciente diagnosticado com a síndrome. Dessa forma, importa destacar que este estudo busca responder à seguinte questão: “Quais são as principais atribuições do enfermeiro no tratamento da Síndrome de Fournier e como sua atuação pode influenciar na evolução clínica e na qualidade de vida dos pacientes acometidos por essa patologia?”
Diante disso, este estudo se justifica pela necessidade de destacar e fortalecer a importância da assistência de enfermagem no tratamento da Síndrome de Fournier, contribuindo para uma melhor compreensão sobre os procedimentos mais eficazes na recuperação dos pacientes. Ao abordar esse tema, espera-se não apenas ampliar o conhecimento científico sobre a enfermagem no manejo dessa condição, mas também reforçar a relevância da formação e treinamento contínuo dos profissionais da área, promovendo uma assistência mais transmitida e impactando positivamente na sobrevida e na qualidade de vida dos indivíduos acometidos pela doença.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1. Conceito de Síndrome de Fournier
A Síndrome de Fournier (SF), também conhecida como gangrena de Fournier, é uma infecção grave e rara que acomete os tecidos moles da região perineal, genital e áreas adjacentes. Trata-se de uma fasciite necrosante de origem polimicrobiana, caracterizada por uma progressão rápida e agressiva, podendo levar à necrose tissular e, em casos mais severos, ao óbito.
A doença foi descrita pela primeira vez em 1764 por Baurienne, mas recebeu o nome do urologista francês Jean Alfred Fournier, que em 1883 detalhou cinco casos de gangrena genital em homens jovens sem causa aparente. Embora inicialmente associada ao sexo masculino, a SF também pode afetar mulheres e indivíduos de todas as idades, embora seja mais comum em homens entre 40 e 60 anos. (Castro 2021).
A SF é causada por uma combinação de microrganismos aeróbicos e anaeróbicos, que atuam de forma sinérgica para desencadear uma resposta inflamatória intensa. Esses microrganismos provocam trombose dos vasos sanguíneos subcutâneos, resultando em isquemia e necrose dos tecidos afetados. A infecção pode se originar a partir de focos no trato urogenital, região anal ou mesmo de lesões cutâneas, como ferimentos ou abscessos. A rápida disseminação da infecção e a produção de toxinas pelas bactérias contribuem para o agravamento do quadro, tornando a SF uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento imediatos. (Souza et al. 2019)
2.1.1 Características clínicas
As manifestações clínicas da Síndrome de Fournier (SF) caracterizam-se por sinais e sintomas de rápida evolução, podendo progredir em poucas horas ou dias. O quadro inicial geralmente se apresenta com dor intensa na região genital ou perineal, acompanhada de edema, eritema e aumento da temperatura local. Esses sinais inflamatórios precoces refletem o início do processo infeccioso nos tecidos moles da região acometida. (Freitas et al. 2020).
Segundo Silva et al. (2024), com a progressão da infecção, surgem sinais mais específicos e alarmantes. Entre eles, destaca-se a presença de crepitação. Uma sensação tátil de estalidos sob a pele causada pelo acúmulo de gás produzido por bactérias anaeróbicas. Também podem ocorrer bolhas contendo material purulento ou escurecido, além de secreção com odor fétido. Em estágios mais avançados, observa-se a necrose tecidual, evidenciada por áreas da pele com coloração escurecida ou negra, indicando morte celular e agravamento do processo infeccioso.
Somado às manifestações locais, Ferreira Júnior et al. (2022) ainda expõe que os pacientes com SF frequentemente apresentam sintomas sistêmicos decorrentes da resposta inflamatória generalizada. Febre elevada, calafrios, mal-estar generalizado e taquicardia são comuns e, em casos mais graves, pode haver progressão para sepse. Esta, por sua vez, caracteriza-se por uma inflamação sistêmica grave que pode evoluir para falência de múltiplos órgãos e choque séptico.
A toxemia, resultante da liberação de toxinas bacterianas na corrente sanguínea, contribui significativamente para a deterioração clínica. Exames laboratoriais costumam revelar leucocitose, anemia, trombocitopenia e distúrbios eletrolíticos, como hiponatremia e hiperglicemia. Sendo esta última especialmente observada em pacientes com diabetes mellitus. (Souza et al. 2020).
Diante da gravidade do quadro, o diagnóstico precoce é fundamental. Este é predominantemente clínico, baseado na anamnese e no exame físico detalhado. No entanto, exames de imagem, como radiografias, ultrassonografias e tomografias computadorizadas, podem ser utilizados para identificar a presença de gás nos tecidos e avaliar a extensão do comprometimento. Em situações específicas, a realização de biópsia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e identificar os agentes etiológicos. (Castro 2021).
Por fim, o tratamento da Síndrome de Fournier deve ser instituído com urgência. Ele envolve antibioticoterapia de amplo espectro, desbridamento cirúrgico agressivo para remoção do tecido necrótico e suporte clínico intensivo, com o objetivo de estabilizar o paciente e controlar a infecção. A abordagem multidisciplinar é essencial para reduzir a morbimortalidade associada a essa condição potencialmente fatal.
2.1.2. Fatores de risco
Diversos fatores de risco estão associados ao desenvolvimento da Síndrome de Fournier (SF), sendo muitos deles relacionados a condições que comprometem o sistema imunológico ou a vascularização dos tecidos. Entre esses, destaca-se o diabetes mellitus, presente em aproximadamente 32% a 66% dos casos. Pacientes diabéticos apresentam maior predisposição a infecções em virtude da hiperglicemia crônica, a qual prejudica a função dos leucócitos e compromete a circulação sanguínea, favorecendo, assim, a proliferação bacteriana. Ademais, a neuropatia diabética pode atenuar os sintomas iniciais de dor, contribuindo para o atraso no diagnóstico da condição.
Além do diabetes, outros fatores predisponentes incluem o alcoolismo crônico, que afeta negativamente a imunidade e o estado nutricional do indivíduo, e o tabagismo, responsável por comprometer a microcirculação tecidual. Da mesma forma, pacientes imunossuprimidos, como aqueles com infecção pelo HIV/AIDS, em tratamento com quimioterápicos ou em uso prolongado de corticosteroides, encontram-se em maior vulnerabilidade frente ao desenvolvimento da SF. Doenças crônicas, como insuficiência renal ou hepática, bem como condições associadas à má nutrição, como câncer e desnutrição, também figuram como importantes fatores de risco. (Dantas et al. 2019).
Cumpre destacar também que, não apenas os fatores sistêmicos, mas aspectos locais também devem ser considerados. Traumas na região perineal, resultantes de procedimentos cirúrgicos recentes, como hemorroidectomias ou prostatectomias, bem como injeções de drogas ou relações sexuais traumáticas, podem atuar como porta de entrada para microrganismos patogênicos. Paralelamente, infecções pré-existentes, a exemplo de abscessos perianais, infecções do trato urinário e doenças sexualmente transmissíveis, também podem desencadear a síndrome. No caso das mulheres, a SF pode estar associada a abscessos vulvares ou complicações decorrentes do período pós-parto. (Dantas et al. 2019).
Dessa forma, a idade avançada constitui outro fator relevante, visto que o envelhecimento está frequentemente relacionado à redução da eficiência do sistema imunológico e ao aumento da incidência de comorbidades. Soma-se a isso o risco representado por hospitalizações prolongadas e pelo uso de dispositivos invasivos, como sondas vesicais, que elevam a probabilidade de infecções oportunistas e, consequentemente, da evolução para a Síndrome de Fournier.
2.2 papel do enfermeiro no tratamento da síndrome de fournier
A Síndrome de Fournier constitui condição infecciosa grave e de rápida progressão, que requer abordagem multidisciplinar para manejo eficaz. Nesse contexto, o enfermeiro ocupa posição central, atuando desde a identificação inicial até a fase de reabilitação do paciente. Sua participação é essencial não apenas para estabilização clínica e controle da infecção, mas também para cuidado das feridas e suporte emocional, aspectos indispensáveis à recuperação integral do indivíduo. Mais do que executar procedimentos técnicos, o enfermeiro coordena ações voltadas à humanização da assistência e prevenção de complicações.
Dada a complexidade da Síndrome de Fournier, é imprescindível que o enfermeiro esteja capacitado para reconhecer precocemente sinais de agravamento clínico, como febre persistente, dor intensa, edema acentuado, secreções purulentas e odor fétido. O reconhecimento rápido desses sinais possibilita a implementação imediata de medidas terapêuticas, contribuindo para a redução do risco de sepse e de outras complicações potencialmente letais. Não obstante, é possível mencionar que, cabe ao enfermeiro o monitoramento contínuo dos sinais vitais e do estado geral do paciente, com o objetivo de ajustar condutas de acordo com a evolução do quadro clínico. (Silva; Lopes, 2023).
Castro (2021) expõe que no manejo das feridas, a atuação do enfermeiro é determinante. A necrose extensa da Síndrome de Fournier exige curativos especializados e frequentes. O profissional deve dominar técnicas assépticas, conhecer opções de coberturas e manter-se atualizado sobre terapias avançadas, como curativos com prata, pressão negativa (vacuum therapy) e oxigenoterapia hiperbárica. A escolha do tratamento tópico deve considerar extensão da necrose, presença de infecção e potencial de regeneração, visando preservar a integridade da pele e tecidos vizinhos.
Paralelamente aos cuidados físicos, o suporte emocional prestado pelo enfermeiro exerce papel relevante no enfrentamento da doença. Muitos pacientes acometidos pela Síndrome de Fournier vivenciam sentimentos de medo, ansiedade e abalo na autoimagem, especialmente em virtude das lesões localizadas na região genital. (Souza et al. 2020).
Nesse sentido, uma abordagem humanizada, fundamentada na escuta ativa e na oferta de orientações claras e empáticas, contribui significativamente para aumentar a confiança do paciente no tratamento. Além disso, o envolvimento da família é fortemente incentivado, pois o suporte familiar favorece a adesão ao regime terapêutico e colabora para a recuperação emocional do indivíduo.
2.2.1 Principais atribuições e responsabilidades do enfermeiro no tratamento da Síndrome de Fournier
O enfermeiro desempenha um papel fundamental no tratamento da Síndrome de Fournier, assumindo responsabilidades que abrangem atividades clínicas, educativas e de coordenação. Entre elas, destaca-se a realização de curativos, procedimento que deve ser conduzido com rigor técnico e em condições de assepsia, utilizando materiais apropriados para promover a cicatrização e prevenir novas infecções. A higienização adequada da ferida, a remoção de tecidos necróticos e a aplicação de coberturas específicas constituem etapas críticas que demandam conhecimento especializado e precisão técnica. (Ferreira Júnior et al. 2022).
Além dos cuidados minuciosos com as feridas, o profissional de enfermagem é diretamente responsável pela administração correta e segura dos medicamentos devidamente prescritos, com ênfase especial nos antibióticos de amplo espectro, considerados fundamentais e indispensáveis para o controle eficaz da infecção presente no organismo do paciente.
Nesse contexto amplo e desafiador, cabe ao enfermeiro assegurar de maneira consistente a adesão rigorosa aos horários estabelecidos para as doses, monitorar continuamente possíveis reações adversas e relatar de forma imediata à equipe médica qualquer alteração significativa no quadro clínico observado no paciente assistido. O controle adequado da dor também se configura como uma prioridade essencial no processo de cuidado, exigindo não apenas a administração criteriosa de analgésicos conforme prescrição médica, mas também a constante e atenta avaliação da eficácia da terapia instituída, garantindo maior conforto e segurança para o paciente (Silva; Lopes, 2023).
Outro aspecto relevante da assistência de enfermagem refere-se ao monitoramento contínuo dos sinais vitais e dos parâmetros laboratoriais. Alterações em indicadores como pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura corporal e saturação de oxigênio podem sinalizar complicações graves, como sepse ou choque séptico, exigindo intervenções imediatas. Da mesma forma, dados laboratoriais, a exemplo de leucocitose ou hipoalbuminemia, devem ser interpretados em conjunto com a equipe multiprofissional para ajustes no plano terapêutico, contribuindo para uma tomada de decisão mais precisa e segura. (Souza et al. 2019).
No âmbito educativo, Silva e Lopes (2023) argumenta que a atuação do enfermeiro é igualmente essencial. A orientação do paciente e de seus familiares quanto à natureza da doença, aos objetivos do tratamento e aos cuidados necessários no domicílio é um componente central da assistência. Instruções detalhadas sobre higiene íntima, alimentação adequada e reconhecimento precoce de sinais de alerta para possíveis complicações são fundamentais para a prevenção de recidivas. Além disso, o enfermeiro deve estar atento às questões emocionais envolvidas, oferecendo apoio psicológico e auxiliando o paciente a lidar com alterações corporais e a retomar sua rotina com autonomia e segurança.
Dessa forma, a função do enfermeiro como elo integrador entre os diferentes membros da equipe multidisciplinar é indispensável. Essa atuação envolve a comunicação efetiva com médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, bem como a documentação criteriosa das intervenções no prontuário eletrônico ou físico. A sistematização da assistência de enfermagem, baseada em diagnósticos e intervenções padronizadas, garante a continuidade do cuidado e contribui para a excelência no tratamento da Síndrome de Fournier. (Ferreira Júnior et al. 2022).
Por fim, segundo Ferreira Júnior et al. (2022), o enfermeiro é um agente essencial no manejo dessa condição clínica complexa, unindo competência técnica, embasamento científico e sensibilidade humana. Sua atuação abrangente favorece a redução de complicações, promove uma recuperação mais eficaz e impacta positivamente na qualidade de vida dos pacientes acometidos.
2.2.2 Assistência de Enfermagem (SAE) na Síndrome de Fournier
Diante da complexidade clínica da Síndrome de Fournier e da necessidade de cuidados especializados, a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) torna-se uma ferramenta essencial para garantir a qualidade e a segurança na assistência prestada ao paciente. A SAE orienta o enfermeiro na tomada de decisões, permitindo que o cuidado seja planejado, executado e avaliado de forma sistemática, conforme os princípios da prática baseada em evidências.
Assim, a seguir, exemplificam-se duas situações comuns nesse contexto estruturadas com base na NANDA-I (Diagnósticos de Enfermagem), na NOC (Classificação dos Resultados de Enfermagem) e na NIC (Classificação das Intervenções de Enfermagem).
Tabela 01: Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) aplicada ao paciente com
Síndrome de Fournier de acordo com o sistema NANDA, NOC e NIC
| NANDA (Diagnóstico de Enfermagem) | NOC (Resultado Esperado) | NIC (Intervenções de Enfermagem) |
| Integridade da pele prejudicada relacionada à necrose tecidual e presença de feridas na região perineal. | – Ferida apresentará sinais de cicatrização adequada. – Ausência de sinais de infecção ou necrose progressiva. | – Realizar curativos com técnica asséptica e coberturas apropriadas. – Avaliar diariamente a ferida quanto a sinais de infecção ou necrose. – Orientar o paciente sobre cuidados locais e prevenção de complicações. |
| Risco de choque séptico relacionado à infecção polimicrobiana e necrose extensa. | – Paciente permanecerá hemodinamicamente estável. – Sinais vitais dentro dos parâmetros normais. – Ausência de progressão para sepse. | – Monitorar sinais vitais frequentemente (PA, FC, temperatura). – Administrar antibióticos de amplo espectro conforme prescrição médica. – Comunicar imediatamente à equipe médica qualquer alteração hemodinâmica. – Manter hidratação adequada e suporte clínico intensivo. |
Fonte: (autoria própria, 2025)
A aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem, como exemplificado na tabela acima, permite ao enfermeiro direcionar as intervenções de forma eficaz, assegurando a promoção da cicatrização tecidual, a prevenção de complicações infecciosas e o monitoramento constante do estado clínico do paciente. Além disso, reforça a importância da atuação humanizada e crítica do enfermeiro, especialmente frente às situações de risco iminente, como o desenvolvimento de sepse ou choque séptico.
2.3. Desafios enfrentados pela enfermagem na assistência a pacientes acometidos pela Síndrome de Fournier
A assistência de enfermagem prestada a pacientes com Síndrome de Fournier (SF) apresenta desafios complexos que exigem conhecimento técnico-científico, sensibilidade emocional e habilidades organizacionais. Trata-se de uma infecção necrosante de rápida progressão, que demanda intervenções imediatas e eficazes. Nesse contexto, a enfermagem atua em situações críticas que exigem decisões rápidas. Entre os principais desafios estão o diagnóstico precoce, o cuidado com feridas, o controle da dor e da sepse, o suporte emocional e a articulação com a equipe multidisciplinar.
Um dos primeiros obstáculos é identificar precocemente a Síndrome de Fournier, cujos sintomas iniciais, como dor, inchaço e vermelhidão, podem ser confundidos com outras condições. Como a enfermagem está na linha de frente, cabe ao profissional observar atentamente e comunicar qualquer sinal de agravamento. A falta de familiaridade com a doença, especialmente em locais com baixa incidência, pode atrasar o diagnóstico. (Silva et al. 2024)
O cuidado com as feridas necróticas representa outro desafio significativo. A destruição dos tecidos causada pela Síndrome de Fournier exige curativos frequentes, técnicas assépticas rigorosas e, muitas vezes, desbridamentos cirúrgicos. Ademais, o odor fétido característico dessas lesões traz desconforto para o paciente e para a equipe. Nesse sentido, o uso de carvão ativado e antissépticos específicos pode ajudar a reduzir o impacto sensorial. (Campos et al. 2022).
A escassez de enfermeiros em algumas instituições sobrecarrega a equipe geral, dificultando o manejo de feridas mais complexas. Outro ponto crítico é o controle da dor, que costuma ser intensa e constante. A enfermagem deve avaliar a dor com escalas apropriadas, administrar analgésicos conforme prescrição e implementar medidas não farmacológicas. Mudança de posição, distrações e acolhimento emocional também são úteis para aliviar o sofrimento. Contudo, a dor crônica pode gerar exaustão física e emocional.
Ademais, o enfermeiro deve estar atento à administração de antibióticos, garantindo horários corretos, diluições adequadas e observação de efeitos adversos. A manutenção de acessos venosos funcionais e a reposição de fluidos são fundamentais. Tudo isso pode ser dificultado por sobrecarga de trabalho ou falta de recursos materiais e humanos, comuns em muitos serviços. (Campos et al. 2022).
Além dos cuidados físicos, segundo Dantas et al. (2016), o enfermeiro também deve oferecer apoio emocional ao paciente. A Síndrome de Fournier pode afetar a região genital, o que compromete autoestima e imagem corporal. Cirurgias mutilantes e a perda de tecidos geram sentimentos de vergonha, medo e isolamento. A escuta ativa e o acolhimento fazem parte do cuidado humanizado. O encaminhamento para psicólogos e o envolvimento da família também são importantes. Familiares frequentemente assumem os cuidados no domicílio após a alta, e por isso precisam de orientações claras.
Silva e Lopes (2023) explicam que a articulação com a equipe multidisciplinar é essencial no tratamento da SF. O enfermeiro atua como elo entre cirurgiões, infectologistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos. A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) organiza os cuidados e favorece a continuidade da assistência. No entanto, sua aplicação pode ser comprometida por sobrecarga, falta de pessoal ou resistência de colegas. A rotatividade de profissionais também pode fragmentar o cuidado, dificultando o seguimento clínico e prejudicando o vínculo com o paciente.
Outro problema é a escassez de estudos clínicos nacionais sobre a Síndrome de Fournier. A prática de enfermagem muitas vezes se baseia em protocolos estrangeiros, que nem sempre refletem a realidade brasileira. Fomentar pesquisas locais e relatar experiências clínicas contribuem para construir uma base científica mais sólida. Isso fortalece a prática baseada em evidências, qualifica a assistência e amplia a segurança dos pacientes. Instituições de saúde e ensino devem incentivar a produção científica em enfermagem sobre temas como a SF. (Souza et al. 2020).
Dessa forma, é preciso considerar os aspectos éticos e legais envolvidos na assistência. A SF pode evoluir para desfechos fatais, mesmo com tratamento adequado. O enfermeiro precisa estar preparado para lidar com decisões difíceis, como a limitação de esforços terapêuticos e a comunicação de más notícias. A prioridade deve ser sempre o conforto e a dignidade do paciente. Esses esforços são fundamentais para garantir a qualidade da assistência e a segurança jurídica dos profissionais envolvidos. (Campos et al. 2022).
Para tanto, a enfermagem enfrenta desafios técnicos, emocionais e estruturais no cuidado à pessoa com Síndrome de Fournier. Superar esses obstáculos exige capacitação constante, trabalho em equipe e uma abordagem centrada no paciente. O compromisso com o cuidado humanizado, a articulação interdisciplinar e o investimento em formação e pesquisa são pilares fundamentais para melhorar os desfechos e a qualidade de vida desses pacientes.
3 METODOLOGIA
Será descrito nesse item o percurso metodológico escolhido pelo autor, para o desenvolvimento da pesquisa, considerando a adequação à temática de interesse e os princípios éticos da pesquisa. No caso de pesquisas documentais, serão descritos os aspectos para seleção e organização dos estudos, considerando o objetivo da pesquisa.
No que diz respeito à natureza metodológica, trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, exploratória, descritiva e retrospectiva, desenvolvida por meio de uma revisão integrativa da literatura. A abordagem qualitativa busca compreender os fenômenos em sua totalidade, considerando os significados atribuídos no contexto da prática assistencial de enfermagem. Já a abordagem exploratória visa proporcionar maior familiaridade com a temática da Síndrome de Fournier e os cuidados de enfermagem, permitindo um aprofundamento teórico e a sistematização de evidências existentes.
A pesquisa bibliográfica, conforme Fonseca (2002, p. 32), constitui-se a partir do levantamento de referências teóricas publicadas em meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos e revistas especializadas, possibilitando reunir informações ou conhecimentos prévios sobre determinado problema, identificar lacunas e construir novas reflexões.
Para a coleta de dados, foram consultadas as bases Google Acadêmico, SciELO e LILACS, no primeiro semestre de 2025. Utilizaram-se os descritores “Síndrome de Fournier”, “Enfermagem” e “Cuidados de Enfermagem”, combinados por meio dos operadores booleanos “AND” e “OR”, de modo a refinar a busca e garantir maior precisão na identificação de estudos relevantes.
Para tanto, os critérios de inclusão utilizados foram publicações em português, inglês ou espanhol, no período de 2019 a 2025, disponíveis na íntegra e de acesso livre, que abordassem diretamente a atuação da enfermagem na assistência a pacientes com Síndrome de Fournier. Por outro lado, critérios de exclusão incluem estudos fora do recorte temporal definido, duplicados entre as bases, indisponíveis em texto completo, restritos ao acesso pago ou que não apresentassem relação direta com a temática.
Nesse sentido, o processo de seleção ocorreu em duas etapas, sendo a primeira uma triagem inicial incluindo a leitura analítica dos resumos, com pré-seleção dos trabalhos que apresentaram aderência ao tema e a segunda uma avaliação de elegibilidade: leitura integral dos textos completos, assegurando conformidade com os critérios de inclusão e pertinência metodológica.
No total, foram identificados 284 estudos, no entanto, após a aplicação dos critérios de exclusão, permaneceram 13 estudos que atenderam a todos os requisitos metodológicos e compuseram a amostra final desta revisão.
A análise dos materiais selecionados consistiu em uma leitura crítica e interpretativa, buscando evidenciar os objetivos, metodologias e principais achados de cada estudo. Esse processo possibilitou não apenas a consolidação de conhecimentos atualizados sobre a assistência de enfermagem à Síndrome de Fournier, mas também a identificação de lacunas existentes e a construção de reflexões acerca de avanços necessários para a prática profissional.
4 RESULTADOS
Por meio da coleta de dados, foram identificados inicialmente 284 estudos, sendo 160 no SciELO, 75 na base PubMed e 49 na base LILACS. Após a aplicação dos critérios de exclusão, 51 estudos foram eliminados por duplicidade, 158 foram excluídos por não atenderem ao recorte temporal definido, 44 foram descartados por indisponibilidade na íntegra e 18 por exigirem pagamento para acesso. Dessa forma, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, 13 estudos atenderam aos requisitos metodológicos, sendo selecionados para compor a amostra final desta pesquisa, conforme demonstrado na tabela a seguir.

A seguir, apresenta-se uma tabela contendo a relação dos principais estudos selecionados para esta pesquisa, organizada por autor e ano de publicação, título do trabalho, objetivo geral e principais achados. Essa sistematização tem como propósito facilitar a visualização dos artigos analisados, permitindo a identificação dos enfoques abordados por cada autor, bem como a posterior síntese dos resultados.
Tabela 03 – Autoria, ano, título, objetivos e principais achados
| AUTOR/ANO | TÍTULO | OBJETIVO GERAL | PRINCIPAIS CONCLUSÕES |
| ALVES, Anny Michelle Rodrigues da Silva. et al. (2022) | Gangrena de Fournier: conhecimento de enfermeiros sobre a doença e suas experiências no cuidado aos pacientes. | Analisar o conhecimento de enfermeiros de um hospital de ensino sobre a gangrena de Fournier e as suas experiências no cuidado aos pacientes acometidos pela doença. | O estudo aponta a necessidade de programas de capacitação para os enfermeiros, considerando fragilidades de conhecimento identificadas, que implicarão na melhoria da assistência ao paciente com síndrome de Fournier. |
| CAMPOS, Nathália da Silva. et al. (2022) | Assistência de enfermagem ao portador de síndrome de Fournier: um relato de experiência. | Realizar um relato de experiência a partir da assistência de um paciente com Síndrome de Fournier no contexto da Graduação em enfermagem | A enfermagem é necessária para uma assistência adequada ao portador de Síndrome de Fournier, a qual deve ser embasada na rigorosa monitoração dos sinais vitais e a constante avaliação da área lesionada |
| CARVALHO, Ana Lilian Fontenele de. et al. (2022) | A compreensão da clínica da Síndrome de Fournier e a assistência de enfermagem: um estudo de caso. | Analisar a compreensão da clínica na síndrome de Fournier e a assistência de enfermagem. | Percebeu-se a escassez de pesquisa sobre Síndrome de Fournier e a dificuldade de encontrar artigos atualizados sobre o assunto, assim como, por ser uma doença considerada rara, ainda mais incomum no sexo feminino. |
| CASTRO, Karen Silva de. (2021) | Síndrome de Fournier: assistência de enfermagem ao portador pelo uso de tecnologias em saúde. | Relatar a elaboração de Tecnologias em Saúde didáticas para o tratamento de um paciente portador da Síndrome de Fournier | O desenvolvimento de tecnologias educacionais que otimizem o cuidado e as necessidades humanas básicas, a fim de garantir um atendimento de enfermagem qualificado e integral. |
| DANTAS, Tiago F. et al. (2019) | Assistência de enfermagem ao paciente com Síndrome de Fournier. | Evidenciar a assistência de enfermagem ao paciente com Síndrome de Fournier | É evidente que a assistência integral e a elaboração de um plano de cuidados individualizados favorecem um bom prognóstico e refletem na qualidade de vida do paciente durante sua internação e após a alta hospitalar. |
| FERREIRA JÚNIOR, Ademir. et al. (2022) | Síndrome de Fournier: implementação do processo de enfermagem à luz da teoria de Wanda Horta. | Descrever a experiência de discentes do curso de graduação em Enfermagem durante a implementação do Processo de Enfermagem a um indivíduo acometido pela Síndrome de Fournier. | O cumprimento das seis fases do Processo de Enfermagem permitiu vivenciarem a experiência hospitalar de forma enriquecedora, pelo fato de ter contribuído não apenas com a evolução satisfatória do paciente assistido |
| FREITAS, Everton da Silva. et al. (2020) | Síndrome de Fournier: ações do enfermeiro, uma revisão literária. | Identificar por meio de revisão bibliográfica o conhecimento e atuação do enfermeiro sobre a síndrome de founier para que a sistematização de enfermagem seja executada de uma forma eficaz | Entende-se que a SF, por ser uma doença de rápida progressão, exige a necessidade da inserção do enfermeiro na rotina dos cuidados ao paciente, uma vez que esses profissionais passam maior parte do tempo com esses indivíduos |
| OLIVEIRA, Amanda Paulo de. et al. (2025) | Assistência de enfermagem ao paciente com síndrome de Fournier: revisão integrativa. | Identificar, na literatura, os cuidados de enfermagem ao paciente com Síndrome de Fournier | Constatou-se a aplicabilidade de teorias como forma de sustentar o processo de enfermagem e os cuidados aos pacientes com Síndrome de Fournier, com vistas a garantir o sucesso terapêutico. |
| REIS, Darletizaine Rodrigues da Silva; MONTALVÃO, Lorrany Brito. (2025) | Cuidados de enfermagem ao paciente com gangrena de Fournier: uma revisão integrativa. | apresentar os cuidados de enfermagem prestados a pacientes com Gangrena de Fournier | É imprescindível a capacitação contínua dos profissionais de enfermagem e o fortalecimento da pesquisa na área para garantir um cuidado integral e baseado em evidências aos pacientes acometidos por essa condição. |
| SILVA, Leonardo Bruno Gomes da. et al. (2024) | Caracterização da assistência de enfermagem à pessoa com Síndrome de Fournier. | Caracterizar a assistência de enfermagem relacionada a pessoa com síndrome de Fournier. | É responsabilidade do enfermeiro aplicar a sistematização da assistência de enfermagem a cada pessoa diagnosticada com SF, contribuindo para a melhoria do quadro clínico do paciente e a continuidade das ações. |
| SOUZA, Flávia dos Santos Lugão de; et al. (2019) | Assistência de enfermagem em pacientes com Síndrome de Fournier. | Descrever a assistência de enfermagem ao paciente com Gangrena de Fournier. | O enfermeiro desempenha um papel essencial no tratamento da Gangrena de Fournier, investigando sinais clínicos como febre, dor intensa, eritema, odor e secreção. |
| SOUZA, Flávia dos Santos Lugão de; et al. (2019) | Assistência de enfermagem ao portador da Síndrome de Fournier: uma pesquisa integrativa. | Realizar uma pesquisa integrativa sobre as ações de enfermagem ao paciente portador da Síndrome de Fournier. | A enfermagem possui um papel indispensável durante a recuperação do cliente durante todo o tratamento, avaliando os sinais e sintomas das infecções, como, também na realização de curativos. |
| SOUZA, Vivian Oliveira de. et al. (2020) | Cuidados de enfermagem em pacientes com Síndrome de Fournier. | Descrever os cuidados de enfermagem aos pacientes com a Síndrome de Fournier | A partir de eficientes medidas terapêuticas, da avaliação precoce e da instrumentalização da equipe de enfermagem, faz-se possível evitar o progresso fatal da Síndrome de Fournier e garantir a melhora da qualidade de vida do paciente com um cuidado humanizado |
5 DISCUSSÃO
A análise dos estudos selecionados permite compreender que a Síndrome de Fournier configura-se como uma condição infecciosa rara, porém de elevada gravidade, cujo prognóstico está diretamente associado à rapidez no diagnóstico e à adequação das condutas terapêuticas. Os resultados evidenciam que a enfermagem ocupa posição estratégica e indispensável na condução do tratamento, uma vez que sua atuação abrange não apenas os aspectos clínicos e técnicos, mas também dimensões educativas, preventivas e humanizadoras.
Nesse sentido, Freitas et al. (2020) destacam que a presença contínua e atenta do enfermeiro junto ao paciente o torna elemento essencial para a detecção precoce de alterações clínicas relevantes, contribuindo significativamente para a implementação imediata de intervenções seguras e eficazes, capazes de reduzir riscos, prevenir complicações e promover melhores desfechos assistenciais.
Sob essa perspectiva, Silva e Lopes (2023) reforçam que as atribuições do enfermeiro extrapolam a execução de procedimentos técnicos, incluindo responsabilidades que envolvem a observação criteriosa dos sinais vitais, a realização de curativos especializados e a administração de antibioticoterapia conforme prescrição médica. Tal complexidade evidencia que a prática profissional demanda não apenas habilidade técnica, mas também julgamento clínico refinado, sustentado por conhecimento científico atualizado e pela aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
Ferreira Júnior et al. (2022) corroboram amplamente esse entendimento ao apontar que a SAE constitui ferramenta imprescindível, estratégica e indispensável para garantir não apenas a qualidade, mas também a segurança, a efetividade, a integralidade e a continuidade do cuidado, fortalecendo significativamente a prática profissional da enfermagem e promovendo melhores resultados em saúde.
Outro aspecto relevante a ser destacado diz respeito ao manejo das feridas, considerado um dos maiores desafios na assistência ao portador da Síndrome de Fournier. Castro (2021) observa que a necrose extensa característica da patologia exige do enfermeiro domínio de técnicas assépticas rigorosas, conhecimento sobre diferentes tipos de coberturas e atualização constante acerca de terapias inovadoras, como curativos com prata, terapia por pressão negativa e oxigenoterapia hiperbárica. A incorporação dessas tecnologias, quando possível, amplia a efetividade do cuidado e contribui para acelerar o processo de cicatrização, além de reduzir riscos de reinfecção.
Paralelamente, não se pode desconsiderar a dimensão psicossocial envolvida. Conforme Souza et al. (2020), a localização das lesões, frequentemente na região genital e perineal, gera impactos significativos na autoestima, na imagem corporal e nas relações interpessoais dos pacientes. Nessa conjuntura, o enfermeiro deve adotar postura humanizada, pautada na escuta qualificada, no acolhimento e na orientação clara e empática, elementos fundamentais para o enfrentamento da doença.
No âmbito da formação profissional, Alves et al. (2022) identificaram lacunas significativas de conhecimento entre enfermeiros sobre a Síndrome de Fournier, reforçando a necessidade de investimentos permanentes em capacitação e educação continuada. A ausência de treinamentos específicos compromete a qualidade da assistência e limita a implementação de práticas baseadas em evidências.
Em consonância, Carvalho et al. (2022) ressalta a escassez de pesquisas nacionais sobre a temática, fato que fragiliza a construção de protocolos adaptados à realidade brasileira e evidencia a importância de fomentar a produção científica em enfermagem nesse campo.
Dessa forma, a interdisciplinaridade desponta como fator determinante para o sucesso terapêutico. Assim, Oliveira et al. (2025) defendem que a atuação conjunta entre enfermagem, infectologia, cirurgia, fisioterapia, nutrição e psicologia contribui para um cuidado integral e efetivo, reduzindo morbimortalidade e ampliando a qualidade de vida dos pacientes.
Essa visão é compartilhada por Campos et al. (2022), que alertam para a necessidade urgente de superar barreiras estruturais significativas, como a sobrecarga excessiva de trabalho e a escassez de recursos materiais e humanos, fatores determinantes que frequentemente dificultam a aplicação plena e qualificada da SAE, comprometendo diretamente a continuidade, a efetividade e a qualidade da assistência prestada.
Dessa forma, observa-se que a prática de enfermagem voltada ao paciente com Síndrome de Fournier exige um conjunto de competências técnicas, científicas e humanas que vão além do atendimento emergencial. É imprescindível que o enfermeiro atue como elo integrador da equipe multiprofissional, organizando as condutas assistenciais e garantindo tanto o suporte clínico adequado quanto o acolhimento necessário para a recuperação integral do indivíduo.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente estudo acerca da atuação da enfermagem na assistência ao paciente com Síndrome de Fournier mostrou-se essencial para compreender a complexidade clínica, emocional e social que permeia essa condição grave e de rápida evolução. A partir da revisão integrativa, foi possível reunir evidências consistentes que demonstram a centralidade do cuidado de enfermagem, sobretudo no manejo clínico das feridas, na prevenção de complicações sistêmicas e na promoção da qualidade de vida dos indivíduos acometidos. Assim, os objetivos propostos foram plenamente alcançados, permitindo ampliar a compreensão sobre a temática e fornecer subsídios relevantes para a prática profissional e acadêmica.
Constatou-se que a enfermagem exerce papel estratégico não apenas no acompanhamento clínico e na administração das terapêuticas prescritas, mas também na educação em saúde, na escuta ativa e no fortalecimento da autonomia dos pacientes e de suas famílias. As intervenções identificadas abrangem desde a realização criteriosa de curativos, o monitoramento contínuo de sinais vitais e a administração de antibióticos até a oferta de suporte emocional e social, fundamentais para enfrentar os impactos físicos e psicológicos impostos pela doença. Ressalta-se, ainda, a importância de uma assistência humanizada e interdisciplinar, capaz de integrar aspectos técnicos e psicossociais, respeitando as particularidades de cada paciente.
Apesar dos avanços evidenciados na literatura, verificou-se a existência de lacunas significativas relacionadas à capacitação profissional, à ausência de protocolos específicos adaptados à realidade brasileira e à escassez de políticas públicas voltadas para o cuidado de pacientes com Síndrome de Fournier. Esses desafios evidenciam a necessidade urgente de investimentos em educação permanente em enfermagem, bem como em estratégias que estimulem a produção científica nacional e consolidem práticas assistenciais baseadas em evidências.
Este estudo, ao sistematizar os conhecimentos disponíveis, contribui não apenas para a valorização do papel da enfermagem no contexto da Síndrome de Fournier, mas também oferece suporte acadêmico para futuras pesquisas que pretendam aprofundar a temática, fomentando o debate científico e incentivando a produção de saberes capazes de fortalecer tanto a prática clínica quanto a formação profissional.
Assim, a assistência de enfermagem ao paciente com Síndrome de Fournier configura-se como elemento indispensável para a construção de um cuidado integral, humanizado e resolutivo. Ao reforçar a importância da educação em saúde, do acolhimento e do suporte emocional, este estudo reafirma o compromisso da enfermagem com a preservação da vida, a promoção do bem-estar e a garantia de dignidade aos indivíduos acometidos. Nesse sentido, a prática assistencial e a produção científica devem caminhar lado a lado, assegurando que os pacientes com Síndrome de Fournier recebam atendimento qualificado, seguro e humanizado em todas as dimensões de sua saúde.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALVES, Anny Michelle Rodrigues da Silva. et al. Gangrena de Fournier: conhecimento de enfermeiros sobre a doença e suas experiências no cuidado aos pacientes. Enfermagem Brasil. 2022. Disponível em: https://convergenceseditorial.com.br/index.php/enfermagembrasil/article/view/4805. Acesso em: 24 set. 2025.
CAMPOS, Nathália da Silva. et al. Assistência de enfermagem ao portador de síndrome de Fournier: um relato de experiência. Universidade Estadual Paulista. 2022. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/47825. Acesso em: 06 abr. 2025.
CARVALHO, Ana Lilian Fontenele de. et al. A compreensão clínica da Síndrome de Fournier e a assistência de enfermagem: um estudo de caso. Revista Conjecturas. 2022. Disponível em: https://www.academia.edu/118494347/A_compreensão_da_clínica_da_Síndrome_de_Fournie r_e_a_assistência_de_enfermagem_um_estudo_de_caso
CASTRO, Karen Silva de. Síndrome de Fournier: assistência de enfermagem ao portador pelo uso de tecnologias em saúde. Revista de Educação, Saúde e Ciências do Xingu. 2021. Disponível em: https://periodicos.uepa.br/index.php/rescx/article/view/3717. Acesso em: 10 abr. 2025.
DANTAS, Tiago F. et al. Assistência de enfermagem ao paciente com Síndrome de Fournier. Universidade Federal de Alagoas. 2019. Disponível em: https://www.sbmt.org.br/medtrop2016/wp-content/uploads/2016/11/9656-Assiste%CC%82ncia-de-enfermagem-ao-paciente-com-Si%CC%81ndrome-de-Fournier…pdf. Acesso em: 09 abr. 2025.
FERREIRA JÚNIOR, Ademir. et al. Síndrome de Fournier: implementação do processo de enfermagem à luz da teoria de Wanda Horta. Revista Enfermagem em Foco. 2022 Disponível em: https://enfermfoco.org/article/sindrome-de-fournier-implementacao-doprocesso-de-enfermagem-a-luz-da-teoria-de-wanda-horta/. Acesso em: 05 fev. 2025
FREITAS, Everton da Silva. et al. Síndrome de fournier: ações do enfermeiro, uma revisão literária. Nursing Edição Brasileira. 2020. Disponível em: https://revistanursing.com.br/index.php/revistanursing/article/view/699. Acesso em: 03 abr. 2025.
OLIVEIRA, Amanda Paulo de. et al. Assistência de enfermagem ao paciente com síndrome de Fournier: revisão integrativa. Revista Saber Digital. 2025. Disponível em: https://revistas.faa.edu.br/SaberDigital/article/view/1726. Acesso em: 11 set. 2025.
REIS, Darletizaine Rodrigues da Silva; MONTALVÃO, Lorrany Brito. Cuidados de enfermagem ao paciente com gangrena de Fournier: uma revisão integrativa. Centro Universitário Mais – UNIMAIS, 2025. Disponível em: http://65.108.49.104/handle/123456789/1082. Acesso em: 15 set. 2025.
SILVA, Leonardo Bruno Gomes da. et al. Caracterização da assistência de enfermagem à pessoa com Síndrome de Fournier. Revista Científica de Enfermagem. 2024. Disponível em: https://recien.com.br/index.php/Recien/article/view/834. Acesso em: 07 abr. 2025.
SILVA, Luis Eduardo Tapudima da; LOPES, Graciana de Sousa. Assistência de enfermagem em pacientes com Síndrome de Fournier. Revista Contemporânea. 2023. Disponível em: https://ojs.revistacontemporanea.com/ojs/index.php/home/article/view/2730. Acesso em: 08 abr. 2025.
SOUZA, Flávia dos Santos Lugão de; et al. Assistência de enfermagem ao portador da Síndrome de Fournier: uma pesquisa integrativa. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research. 2019. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20190407_140735.pdf. Acesso em: 04 abr. 2025.
SOUZA, Vivian Oliveira de. et al. Cuidados de enfermagem em pacientes com Síndrome de Fournier. Congresso Internacional de Produção Científica em Enfermagem. 2020. Disponível em: https://www.revistaremecs.com.br/index.php/remecs/article/view/518. Acesso em: 11 abr. 2025.
1Acadêmico(s) do 8º período do curso de do curso de enfermagem pela Universidade Paulista; mirandaanielle394@gmail.com
2Acadêmico(s) do 8º período do curso de do curso de enfermagem pela Universidade Paulista; camilanobrega628@gmail.com
3Acadêmico(s) do 8º período do curso de do curso de enfermagem pela Universidade Paulista; moraisgabriela165@gmail.com
4Acadêmico(s) do 8º período do curso de do curso de enfermagem pela Universidade Paulista. flavinhaguilh@gmail.com
5Acadêmico(s) do 8º período do curso de do curso de enfermagem pela Universidade Paulista; jm4019327@gmail.com
6Orientador, Professor do curso de enfermagem; especialista em hematologia clínica enfpedro.alencar@gmail.com
