EVALUATION OF THE THERAPEUTIC POTENTIAL OF HERBAL MEDICINES IN THE MANAGEMENT OF FIBROMYALGIA
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511222316
Camilla de Paula Pereira Uzam¹
Francisco Xavier Martins Bessa²
Resumo
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética difusa, fadiga persistente, distúrbios do sono e alterações cognitivas, afetando principalmente mulheres adultas. Diante das limitações dos tratamentos farmacológicos convencionais e de seus efeitos adversos, cresce o interesse pela fitoterapia como alternativa terapêutica segura e eficaz. O presente estudo teve como objetivo analisar evidências científicas sobre a utilização de fitoterápicos no tratamento da fibromialgia, destacando seus mecanismos de ação, eficácia clínica e limitações. Trata-se de uma revisão de literatura baseada em artigos indexados nas bases PubMed, Scielo e ScienceDirect, publicados entre 2010 e 2025, que abordaram aspectos clínicos, fisiopatológicos e terapêuticos da síndrome, com ênfase em compostos bioativos de origem vegetal. Os resultados demonstraram que substâncias como coenzima Q10, Panax ginseng, Ganoderma lucidum e Crocus sativus apresentam efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuromoduladores, promovendo redução da dor, melhora do humor e aumento da qualidade de vida. A análise comparativa entre os estudos evidenciou convergência quanto à eficácia desses compostos, embora persistam divergências sobre doses ideais e padronização dos extratos. Conclui-se que a fitoterapia representa uma alternativa promissora no manejo da fibromialgia, especialmente quando integrada a abordagens convencionais, favorecendo o controle sintomático e o equilíbrio metabólico. Contudo, a consolidação de seu uso clínico requer ensaios controlados de longo prazo que confirmem a segurança e a efetividade desses agentes naturais.
Palavras-chave: Fibromialgia. Fitoterapia. Compostos bioativos. Tratamento alternativo. Dor crônica.
1 INTRODUÇÃO
A fibromialgia é uma síndrome reumatológica caracterizada por dor crônica generalizada, fadiga intensa, distúrbios do sono e comprometimentos cognitivos. Essa condição apresenta etiologia complexa e não totalmente compreendida, envolvendo alterações no processamento da dor e disfunções neuroquímicas. Estima-se que sua prevalência global varie entre 2% e 4% da população, sendo mais frequente em mulheres adultas. O impacto da doença sobre a funcionalidade e a qualidade de vida é expressivo, levando à limitação física e sofrimento psicossocial (HÄUSER et al., 2015).
Inicialmente, os critérios diagnósticos da fibromialgia foram estabelecidos pelo American College of Rheumatology (ACR) em 1990, com base na presença de pontos dolorosos específicos. Entretanto, muitos pacientes que apresentavam sintomas característicos não preenchiam esses critérios, o que motivou revisões posteriores. A atualização publicada em 2010 passou a incluir sintomas como fadiga, sono não reparador e distúrbios cognitivos, permitindo uma avaliação mais abrangente do quadro clínico (WOLFE et al., 2010).
Com as modificações, o diagnóstico da fibromialgia passou a considerar a soma de sintomas e a intensidade subjetiva da dor. Esse novo modelo diagnóstico favoreceu uma abordagem mais sensível e coerente com a diversidade de manifestações clínicas. A partir dessas revisões, a síndrome foi reconhecida como um distúrbio de processamento central da dor, que extrapola o conceito puramente musculoesquelético e abrange aspectos neurológicos e psicossociais (WOLFE et al., 2010).
De acordo com a literatura recente, a fibromialgia é descrita como uma síndrome de amplificação central, caracterizada pela sensibilização do sistema nervoso a estímulos dolorosos. Essa condição está associada à disfunção nas vias inibitórias da dor e à ativação anormal de regiões cerebrais envolvidas no controle sensorial. Os sintomas variam entre dor difusa, fadiga, cefaleia, alterações de humor e comprometimento cognitivo, configurando um quadro de difícil manejo clínico (STEWART et al., 2019).
A complexidade da fibromialgia decorre da interação entre fatores biológicos, psicológicos e ambientais. Pesquisas apontam alterações em neurotransmissores, como serotonina e dopamina, além de elevação de substância P e citocinas inflamatórias. Essas alterações contribuem para a hipersensibilidade dolorosa e para a fadiga persistente. O estresse oxidativo e a inflamação neurogênica também são descritos como elementos importantes na fisiopatologia da síndrome (THEOHARIDES et al., 2015).
A abordagem terapêutica da fibromialgia é predominantemente sintomática e inclui medicamentos antidepressivos, anticonvulsivantes e analgésicos, além de intervenções não farmacológicas, como exercícios físicos e terapia cognitivo-comportamental. Contudo, muitos pacientes relatam alívio parcial ou efeitos adversos com essas terapias, o que reforça a necessidade de alternativas mais seguras e eficazes (THEOHARIDES et al., 2015).
Diante dessa limitação terapêutica, cresce o interesse por recursos naturais com potencial analgésico e anti-inflamatório, entre eles os fitoterápicos. Essas substâncias de origem vegetal podem atuar em mecanismos fisiológicos associados à dor e ao estresse oxidativo, contribuindo para a modulação de sintomas. Além disso, a fitoterapia é uma prática que desperta crescente aceitação entre pacientes com doenças crônicas, devido ao perfil de segurança e ao custo reduzido (ROMAN et al., 2018).
O uso de compostos naturais vem sendo explorado como complemento aos tratamentos convencionais da fibromialgia, especialmente aqueles que atuam no equilíbrio do sistema nervoso central e na redução de marcadores inflamatórios. Pesquisas envolvendo probióticos e extratos vegetais têm sugerido benefícios na modulação da dor e na melhora da vitalidade, embora ainda haja necessidade de estudos clínicos mais consistentes (ROMAN et al., 2018).
A relevância deste estudo decorre da necessidade de reunir e analisar as evidências disponíveis sobre o uso de fitoterápicos na fibromialgia, considerando a escassez de revisões abrangentes na literatura nacional. A persistência de sintomas refratários e a limitação das terapias farmacológicas convencionais justificam a investigação de alternativas complementares baseadas em compostos naturais. Assim, torna-se essencial compreender se tais substâncias apresentam benefícios clínicos mensuráveis e segurança adequada para aplicação terapêutica (HÄUSER et al., 2015; THEOHARIDES et al., 2015).
Diante do exposto, este estudo tem como objetivo geral analisar as evidências científicas disponíveis sobre a eficácia e os mecanismos de ação dos fitoterápicos utilizados no tratamento da fibromialgia, buscando compreender seu potencial terapêutico na redução dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Os objetivos específicos são: (1) identificar os principais fitoterápicos estudados na literatura científica relacionados ao manejo da fibromialgia; (2) descrever os possíveis mecanismos fisiológicos e bioquímicos envolvidos na ação desses compostos sobre os sintomas da síndrome; e (3) comparar a eficácia dos fitoterápicos com as terapias farmacológicas convencionais, destacando vantagens, limitações e efeitos adversos relatados.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 COMPREENSÃO DA FIBROMIALGIA: ASPECTOS CLÍNICOS, FISIOPATOLÓGICOS E DIAGNÓSTICOS
A fibromialgia é uma condição clínica complexa caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga persistente e hipersensibilidade ao toque. O reconhecimento dessa síndrome decorre da observação de sintomas sem origem inflamatória evidente, mas relacionados a alterações na percepção e modulação da dor. O diagnóstico depende da exclusão de outras patologias e da avaliação de sintomas somáticos e cognitivos, como distúrbios do sono e dificuldades de concentração. Esses sinais apontam para uma disfunção nos mecanismos centrais de processamento da dor, em que estímulos de baixa intensidade são percebidos como dolorosos, comprometendo significativamente o bem-estar físico e mental (ELLIS et al., 2018).
Do ponto de vista clínico, a fibromialgia apresenta-se como uma síndrome sensorial amplificada, na qual há sensibilização das vias nociceptivas centrais. Essa hipersensibilidade é resultado de um desequilíbrio entre os sistemas inibitórios e excitatórios da dor, culminando em um limiar reduzido para estímulos dolorosos. Pacientes frequentemente relatam dor difusa, acompanhada de parestesia, rigidez e desconforto articular sem evidências laboratoriais de inflamação. Além dos sintomas físicos, há comorbidades como ansiedade, depressão e distúrbios do sono, que agravam o quadro clínico. A diversidade de manifestações clínicas explica a variabilidade diagnóstica observada entre os indivíduos (MIRZAEI et al., 2018).
As alterações neurológicas observadas na fibromialgia envolvem disfunções nas vias serotoninérgicas, dopaminérgicas e noradrenérgicas, responsáveis pela modulação da dor e do humor. A redução da disponibilidade desses neurotransmissores contribui para a amplificação da dor e para o aparecimento de sintomas emocionais associados. Estudos de neuroimagem funcional identificam hiperatividade em regiões cerebrais ligadas à nocicepção, como o tálamo e o córtex somatossensorial, e hipoatividade em áreas de controle inibitório, como o córtex pré-frontal. Tais achados reforçam a hipótese de que a dor na fibromialgia é predominantemente central, e não periférica, refletindo uma desregulação neurofisiológica (MARTINS et al., 2020).
A relação entre disfunções neuroendócrinas e fibromialgia também tem sido amplamente investigada, sobretudo no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Alterações nesse eixo endócrino afetam a liberação de cortisol, hormônio diretamente associado à resposta ao estresse. Pacientes frequentemente apresentam níveis reduzidos de cortisol basal, o que favorece a fadiga e a sensibilidade dolorosa. Essa disfunção endócrina está relacionada à incapacidade do organismo em manter homeostase frente a estímulos estressores prolongados, potencializando o quadro clínico e dificultando a resposta aos tratamentos convencionais (ELLIS et al., 2018).
Outro componente fisiopatológico relevante é o aumento do estresse oxidativo, decorrente do desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade antioxidante celular. Essa condição promove dano mitocondrial e inflamação subclínica, contribuindo para a fadiga e dor muscular características da fibromialgia. A disfunção mitocondrial interfere na produção de adenosina trifosfato (ATP), essencial para a contração muscular e o metabolismo energético. Consequentemente, o acúmulo de espécies reativas de oxigênio agrava o quadro doloroso, enquanto a deficiência antioxidante dificulta a recuperação tecidual (MIRZAEI et al., 2018).
Além das alterações metabólicas, a literatura descreve o envolvimento de processos inflamatórios de baixa intensidade na fisiopatologia da fibromialgia. Citocinas pró-inflamatórias, como interleucina-6 e fator de necrose tumoral alfa, são detectadas em níveis elevados em alguns pacientes. Embora não se observe inflamação tecidual típica, esses mediadores parecem atuar na sensibilização dos nociceptores e na perpetuação da dor. Essa resposta imune leve e persistente também pode estar relacionada à ativação microglial no sistema nervoso central, que contribui para a excitabilidade neuronal e para a manutenção do estado doloroso (MARTINS et al., 2020).
Entre os fatores nutricionais, a deficiência de vitamina D tem sido associada à maior prevalência e gravidade dos sintomas da fibromialgia. A vitamina D desempenha papel importante na regulação imunológica, na função neuromuscular e na modulação da dor. Sua carência compromete a homeostase do cálcio e do fósforo, além de favorecer a inflamação subclínica e o desequilíbrio do sistema nervoso central. Pacientes com níveis séricos reduzidos dessa vitamina relatam piora da dor, fadiga acentuada e menor qualidade de vida, sugerindo um componente endócrino-nutricional relevante na síndrome (SAHOTA, 2014).
A relação entre hipovitaminose D e dor musculoesquelética tem sido explorada em diferentes populações, indicando uma possível associação causal com a fibromialgia. A deficiência dessa vitamina pode interferir na síntese de neurotransmissores e hormônios, alterando a percepção dolorosa. Além disso, sua reposição demonstra benefícios clínicos em alguns pacientes, como melhora da força muscular e redução da sensibilidade à dor. No entanto, a resposta terapêutica é variável e depende de fatores genéticos, idade, sexo e tempo de exposição solar (MARTINS et al., 2020).
Estudos clínicos evidenciam que a suplementação de vitamina D pode melhorar parâmetros funcionais e psicológicos em indivíduos com fibromialgia, especialmente quando associada a outras intervenções terapêuticas. A correção dos níveis séricos contribui para o reequilíbrio metabólico e para o fortalecimento do sistema imunológico. Essa intervenção simples e de baixo custo pode reduzir a intensidade dos sintomas e otimizar a qualidade de vida, embora a dose ideal ainda seja discutida na literatura científica (MIRZAEI et al., 2018).
A deficiência de vitamina D, frequentemente observada em populações com baixa exposição solar, pode estar relacionada à dieta insuficiente e a condições gastrointestinais que prejudicam a absorção intestinal. Essa carência nutricional se manifesta em distúrbios musculoesqueléticos e neuropsicológicos, agravando sintomas já presentes na fibromialgia. A suplementação adequada, aliada à orientação alimentar, representa uma estratégia importante para mitigar o impacto dessa deficiência sobre o sistema neuromuscular e o controle da dor (SAHOTA, 2014).
A microbiota intestinal tem sido apontada como possível moduladora de sintomas da fibromialgia, considerando sua influência sobre o eixo intestino-cérebro. Alterações na composição microbiana intestinal podem afetar a liberação de neurotransmissores, o metabolismo energético e a regulação do sistema imunológico. Esse desequilíbrio, conhecido como disbiose, está associado a inflamação sistêmica leve e a alterações no humor e na percepção da dor. Assim, a restauração da microbiota equilibrada é vista como um potencial alvo terapêutico para reduzir sintomas e melhorar o bem-estar (SLYEPCHENKO et al., 2014).
O intestino abriga trilhões de microrganismos que participam da síntese de substâncias neuroativas, como ácido gama-aminobutírico e serotonina. Quando ocorre disbiose, há aumento da permeabilidade intestinal e ativação imunológica, o que pode desencadear respostas inflamatórias sistêmicas. Essas alterações afetam o eixo neuroendócrino e podem contribuir para a hipersensibilidade à dor e para distúrbios emocionais observados na fibromialgia. O equilíbrio da microbiota, portanto, é fundamental para o controle de processos fisiológicos que modulam o estresse e a dor crônica (SLYEPCHENKO et al., 2014).
A integração entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico demonstra que a fibromialgia não se restringe a um distúrbio isolado de dor, mas a uma condição sistêmica complexa. A influência de fatores nutricionais, como a deficiência de vitamina D, e de alterações microbianas intestinais sugere que múltiplos mecanismos contribuem para sua fisiopatologia. Essa interconexão evidencia a necessidade de abordagens diagnósticas e terapêuticas que considerem as dimensões biológicas e metabólicas do paciente, visando à melhoria global do estado clínico (ELLIS et al., 2018; SLYEPCHENKO et al., 2014).
2.2 FITOTERAPIA E SEUS PRINCÍPIOS ATIVOS NO CONTEXTO DAS DOENÇAS CRÔNICAS
A fitoterapia é uma prática terapêutica que utiliza substâncias derivadas de plantas medicinais com finalidade preventiva ou curativa. Ao longo dos séculos, os compostos vegetais têm sido empregados para o tratamento de distúrbios metabólicos, inflamatórios e degenerativos. Essa abordagem baseia-se na utilização de princípios ativos bioquímicos presentes em extratos naturais, como flavonoides, terpenos, alcaloides e polifenóis. Esses compostos exercem efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e imunorreguladores, tornando-se alternativas promissoras para doenças crônicas não transmissíveis, nas quais o estresse oxidativo e a inflamação desempenham funções centrais (JORAT et al., 2019).
A crescente prevalência de doenças crônicas tem impulsionado o interesse científico e clínico pelos fitoterápicos como complemento às terapias convencionais. Entre as condições em que se observa benefício potencial estão diabetes, doenças cardiovasculares, neurodegenerativas e síndromes dolorosas crônicas. Tais compostos naturais apresentam múltiplos alvos de ação molecular, modulando enzimas, receptores e mediadores inflamatórios. Essa característica confere à fitoterapia uma abordagem integrativa que visa restaurar o equilíbrio fisiológico sem os efeitos colaterais frequentemente observados em fármacos sintéticos (MAZIDI et al., 2016).
Um dos fitoterápicos mais investigados em doenças metabólicas e inflamatórias é a coenzima Q10, também conhecida como ubiquinona. Trata-se de uma substância lipossolúvel sintetizada endogenamente, essencial para o transporte de elétrons na cadeia respiratória mitocondrial. Além de sua função bioenergética, atua como potente antioxidante, neutralizando espécies reativas de oxigênio e protegendo as membranas celulares contra o dano oxidativo. Essa ação contribui para a preservação da integridade celular, particularmente em tecidos de alta demanda energética, como músculo e cérebro (MIZOBUTI et al., 2019).
Nas doenças cardiovasculares, a coenzima Q10 tem demonstrado benefícios significativos na modulação de biomarcadores inflamatórios e oxidativos. A suplementação está associada à redução dos níveis de proteína C-reativa e de malondialdeído, marcadores de inflamação e peroxidação lipídica, respectivamente. Além disso, observa-se aumento da atividade de enzimas antioxidantes endógenas, como superóxido dismutase e glutationa peroxidase. Esses efeitos contribuem para a melhora da função endotelial e para a diminuição do risco de eventos ateroscleróticos, evidenciando o potencial terapêutico do composto em condições crônicas (JORAT et al., 2019).
A coenzima Q10 também desempenha papel relevante na proteção neurometabólica. Em doenças neurodegenerativas e condições associadas à disfunção mitocondrial, como o acidente vascular cerebral isquêmico, sua suplementação auxilia na restauração da atividade enzimática e na redução do dano neuronal. O composto atua na preservação da produção de adenosina trifosfato (ATP) e na diminuição da morte celular por apoptose, mecanismos essenciais à manutenção da viabilidade neural. Esses efeitos sustentam o uso potencial da substância como agente adjuvante em doenças neurológicas (RAMEZANI et al., 2018).
A função antioxidante da coenzima Q10 também é observada em distúrbios musculares, nos quais a disfunção mitocondrial e o acúmulo de radicais livres comprometem o desempenho celular. A suplementação é capaz de restaurar a atividade das enzimas antioxidantes e reduzir o estresse oxidativo, protegendo as células contra danos estruturais. Essa modulação favorece a regeneração muscular e o equilíbrio metabólico, aspectos essenciais em doenças crônicas associadas à inflamação persistente e à fadiga. Dessa forma, a ubiquinona demonstra ampla aplicabilidade clínica (MIZOBUTI et al., 2019).
Além de sua função antioxidante, a coenzima Q10 atua como moduladora do metabolismo energético e da resposta inflamatória sistêmica. Em crianças com transtorno do espectro autista, sua suplementação reduziu marcadores de estresse oxidativo e promoveu melhora comportamental. Esses resultados sugerem que a restauração do equilíbrio redox pode contribuir para a regulação de processos neuroquímicos associados ao funcionamento cognitivo e emocional. Embora a etiologia do autismo seja distinta das doenças metabólicas, os efeitos benéficos sobre o metabolismo celular reforçam o potencial terapêutico da substância (MOUSAVINEJAD et al., 2018).
A literatura científica também destaca o açafrão (Crocus sativus L.) como um dos fitoterápicos de maior relevância no tratamento de doenças crônicas. O extrato dessa planta contém compostos bioativos, como crocina e safranal, responsáveis por efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuroprotetores. Esses princípios ativos atuam na inibição da peroxidação lipídica e na modulação de neurotransmissores, como serotonina e dopamina, mecanismos implicados no controle do humor e da dor. Por essa razão, o açafrão tem sido estudado como possível adjuvante em distúrbios emocionais e em doenças com componente inflamatório (MAZIDI et al., 2016).
Em estudos clínicos controlados, o açafrão demonstrou eficácia comparável à de antidepressivos convencionais no tratamento de sintomas de ansiedade e depressão leve a moderada. Sua atuação na modulação de citocinas pró-inflamatórias e na melhora da plasticidade neuronal indica potencial uso em doenças crônicas associadas à inflamação sistêmica. Além disso, por não apresentar efeitos colaterais significativos, o extrato vegetal é considerado uma opção segura para uso prolongado, o que o diferencia de muitos fármacos sintéticos disponíveis (MAZIDI et al., 2016).
Os efeitos biológicos observados com a coenzima Q10 e o açafrão refletem a importância das substâncias naturais no controle do estresse oxidativo e na modulação inflamatória. Esses mecanismos são centrais na patogênese de diversas doenças crônicas, incluindo aquelas de natureza cardiovascular, metabólica e neuropsicológica. Ao reduzir o desequilíbrio redox, os fitoterápicos contribuem para a proteção celular e para a manutenção da homeostase sistêmica. Dessa forma, tornam-se aliados promissores na terapêutica moderna, tanto em prevenção quanto em tratamento (JORAT et al., 2019).
O emprego de compostos bioativos de origem vegetal oferece vantagens adicionais em comparação com agentes sintéticos. A maioria desses produtos apresenta baixo potencial tóxico, melhor tolerabilidade e ação sinérgica entre seus componentes químicos. Além disso, sua utilização está alinhada com a busca por práticas terapêuticas integrativas e sustentáveis, que priorizam a relação entre organismo e ambiente. Essa abordagem reflete uma visão ampliada do cuidado em saúde, centrada no equilíbrio fisiológico e na valorização de recursos naturais (MIZOBUTI et al., 2019).
No contexto das doenças inflamatórias crônicas, o controle do estresse oxidativo é um fator determinante para retardar a progressão dos sintomas e evitar complicações sistêmicas. Os fitoterápicos agem em múltiplas etapas desse processo, tanto prevenindo a formação de radicais livres quanto estimulando a produção endógena de antioxidantes. Essa dupla ação favorece a recuperação de tecidos danificados e reduz a resposta inflamatória prolongada, que está na base de várias doenças degenerativas e metabólicas (RAMEZANI et al., 2018).
O potencial terapêutico dos compostos naturais também é reforçado pela capacidade de interagir com diferentes sistemas biológicos, incluindo o cardiovascular, o neurológico e o imunológico. Essa abrangência de ação permite a utilização de fitoterápicos como adjuvantes em regimes combinados, otimizando os resultados clínicos e reduzindo a necessidade de altas doses de medicamentos sintéticos. Dessa forma, a integração entre terapias convencionais e naturais representa um avanço significativo no tratamento das doenças crônicas (MOUSAVINEJAD et al., 2018).
O desenvolvimento de pesquisas sobre fitoterápicos requer rigor metodológico para assegurar a eficácia e a segurança de uso. Ensaios clínicos bem delineados são essenciais para validar as propriedades terapêuticas e definir dosagens apropriadas. Além disso, o controle de qualidade dos extratos vegetais deve considerar fatores como origem botânica, método de extração e padronização dos princípios ativos. Somente com essas garantias é possível incorporar a fitoterapia de forma consistente à prática clínica baseada em evidências (JORAT et al., 2019).
A fitoterapia, ao oferecer compostos bioativos de comprovada relevância clínica, representa uma alternativa complementar valiosa no manejo das doenças crônicas. Substâncias como a coenzima Q10 e o açafrão destacam-se por seus efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e moduladores metabólicos, evidenciando o potencial dos recursos naturais para promover equilíbrio fisiológico e melhoria da qualidade de vida. A expansão do conhecimento sobre esses princípios ativos reforça a importância de abordagens terapêuticas integradas que considerem a complexidade biológica das doenças crônicas (MAZIDI et al., 2016; MIZOBUTI et al., 2019).
2.3 APLICAÇÕES DOS FITOTERÁPICOS NO TRATAMENTO DA FIBROMIALGIA: EFICÁCIA E LIMITAÇÕES CLÍNICAS
A utilização de fitoterápicos no manejo da fibromialgia tem emergido como uma alternativa terapêutica promissora, especialmente diante das limitações dos tratamentos farmacológicos convencionais. Essa abordagem visa reduzir a dor, a fadiga e os sintomas associados por meio de compostos naturais com propriedades anti-inflamatórias, antioxidantes e moduladoras do sistema nervoso central. A fitoterapia oferece o potencial de atuar em múltiplos mecanismos fisiológicos da síndrome, possibilitando alívio sintomático com menor risco de efeitos adversos em comparação aos medicamentos tradicionais (BARMAKI et al., 2019).
Um exemplo é o composto Fib-19-01, que reúne extratos vegetais com ação antioxidante e neuromoduladora. Em um estudo duplo-cego controlado, pacientes tratados com essa formulação apresentaram redução significativa da dor e melhora da qualidade do sono, quando comparados ao grupo que recebeu suplementação dietética convencional. Esses resultados indicam que substâncias bioativas podem contribuir para o reequilíbrio neuroquímico e para a atenuação dos sintomas crônicos da síndrome (BARMAKI et al., 2019).
Outro fitoterápico de interesse clínico é o Panax ginseng, uma planta tradicionalmente utilizada na medicina oriental por suas propriedades adaptogênicas. Ensaios clínicos demonstram que o extrato dessa planta é capaz de reduzir fadiga, ansiedade e dor, promovendo sensação de vitalidade. Em estudo randomizado e controlado, pacientes com fibromialgia tratados com Panax ginseng por 12 semanas apresentaram melhora significativa no humor e no desempenho físico, sem ocorrência de eventos adversos relevantes. Essa planta exerce efeito modulador sobre o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, regulando respostas ao estresse e favorecendo a homeostase metabólica (BRAZ et al., 2013).
O mecanismo de ação do Panax ginseng está relacionado à presença de ginsenosídeos, compostos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes que atuam na modulação das vias de sinalização celular. Esses componentes reduzem a produção de citocinas pró-inflamatórias, como interleucina-6 e fator de necrose tumoral alfa, e aumentam a atividade de enzimas antioxidantes. Essa ação combinada contribui para a diminuição da hipersensibilidade dolorosa e para o equilíbrio neuroendócrino, o que explica os efeitos positivos observados na fibromialgia e em outras doenças de origem inflamatória (BRAZ et al., 2013).
O Ganoderma lucidum, conhecido popularmente como cogumelo reishi, é outro fitoterápico estudado em pacientes com fibromialgia. Essa espécie fúngica contém polissacarídeos e triterpenoides com efeito imunomodulador e antioxidante. Em pesquisa conduzida com mulheres diagnosticadas com a síndrome, observou-se melhora significativa na capacidade física e na disposição geral após suplementação com o extrato do cogumelo. Os resultados indicam que a modulação do sistema imune e a melhora da oxigenação tecidual podem contribuir para o alívio da fadiga e para a redução da dor muscular (MATEO et al., 2015).
Os efeitos do Ganoderma lucidum podem estar relacionados à regulação de mediadores inflamatórios e ao aumento da eficiência mitocondrial. A ativação de enzimas antioxidantes e a redução do dano oxidativo em tecidos musculares indicam que esse composto natural exerce influência direta sobre o metabolismo energético. Além disso, o consumo regular do extrato parece favorecer a resistência física e a tolerância ao exercício, aspectos frequentemente comprometidos na fibromialgia. Assim, o cogumelo reishi representa uma alternativa fitoterápica relevante, especialmente para pacientes com fadiga crônica (MATEO et al., 2015).
A coenzima Q10, também denominada ubiquinona, tem se destacado entre os compostos naturais utilizados na fibromialgia. Essa substância lipossolúvel é fundamental para o metabolismo energético celular e atua como potente antioxidante. Estudos sugerem que pacientes com fibromialgia apresentam níveis reduzidos dessa coenzima, o que contribui para a disfunção mitocondrial e o aumento do estresse oxidativo. A suplementação, portanto, tem como objetivo restaurar o equilíbrio bioenergético e reduzir os danos celulares decorrentes da oxidação (PIERRO et al., 2017).
Em estudo preliminar com mulheres diagnosticadas com fibromialgia, a suplementação com uma forma solúvel de coenzima Q10 resultou em melhora dos sintomas de dor, fadiga e rigidez matinal. O tratamento também promoveu aumento da vitalidade e melhora da qualidade de vida autorreferida. Esses resultados sugerem que a restauração da função mitocondrial pode desempenhar papel essencial no controle dos sintomas e na redução da fadiga característica da síndrome (PIERRO et al., 2017).
Pesquisas mais recentes confirmam os benefícios da coenzima Q10 como terapia adjuvante na fibromialgia, especialmente quando associada a medicamentos como a pregabalina. Essa combinação demonstrou reduzir a dor e melhorar o funcionamento cognitivo e físico. O mecanismo proposto envolve a diminuição da disfunção mitocondrial cerebral e da atividade neural excessiva em regiões relacionadas à percepção da dor. Além disso, a coenzima Q10 apresenta excelente tolerabilidade, o que favorece seu uso prolongado em conjunto com terapias convencionais (SAWADDIRUK et al., 2019).
Os efeitos antioxidantes e neuromoduladores da coenzima Q10 são considerados centrais para sua eficácia clínica na fibromialgia. Ao atuar na cadeia respiratória mitocondrial, o composto reduz a produção de radicais livres e melhora a eficiência energética celular. Essa modulação reflete em menor excitabilidade neuronal e em redução da dor generalizada, sintomas que caracterizam a síndrome. A suplementação, portanto, não apenas alivia sintomas, mas contribui para restaurar processos metabólicos comprometidos (SAWADDIRUK et al., 2019).
Outro fitoterápico estudado na fibromialgia é o açafrão (Crocus sativus L.), cujos compostos ativos — crocina e safranal — possuem propriedades antidepressivas e analgésicas. Em ensaio clínico duplo-cego comparando o açafrão à duloxetina, um antidepressivo frequentemente prescrito para a síndrome, observou-se eficácia equivalente entre os dois tratamentos. Os pacientes que receberam o extrato vegetal relataram melhora significativa na dor e nos sintomas depressivos, sem apresentarem efeitos colaterais expressivos, diferentemente do grupo tratado com o fármaco sintético (SHAKIBA et al., 2018).
Os resultados obtidos com o uso do açafrão evidenciam sua capacidade de atuar sobre o sistema serotoninérgico e de reduzir o estresse oxidativo. A modulação dos níveis de serotonina e dopamina está diretamente relacionada à melhora do humor e à redução da sensibilidade dolorosa. Essa ação dual, antioxidante e neuromoduladora, torna o Crocus sativus uma opção terapêutica com potencial para integrar protocolos de tratamento de fibromialgia, especialmente em pacientes que não toleram antidepressivos convencionais (SHAKIBA et al., 2018).
Apesar dos resultados promissores, a utilização de fitoterápicos na fibromialgia ainda apresenta limitações clínicas. Muitos estudos disponíveis são de curta duração e envolvem amostras reduzidas, o que restringe a generalização dos achados. Além disso, a variabilidade nas concentrações e na pureza dos extratos vegetais pode interferir na reprodutibilidade dos resultados. A ausência de padronização dos compostos e a escassez de ensaios clínicos de longo prazo dificultam a consolidação de protocolos terapêuticos baseados em fitoterapia (BARMAKI et al., 2019).
Outro desafio é a falta de consenso quanto às doses ideais e ao tempo de tratamento com fitoterápicos na fibromialgia. A resposta individual aos compostos varia conforme fatores genéticos, nutricionais e metabólicos, exigindo abordagens personalizadas. Ainda assim, o perfil de segurança observado nas pesquisas sugere que os fitoterápicos podem ser utilizados como terapias complementares seguras, desde que sob acompanhamento clínico e com controle rigoroso de qualidade dos produtos (PIERRO et al., 2017).
A integração dos fitoterápicos ao tratamento da fibromialgia representa uma perspectiva terapêutica que alia evidências científicas e práticas naturais de cuidado. Compostos como Panax ginseng, Ganoderma lucidum, coenzima Q10 e Crocus sativus demonstram efeitos positivos sobre dor, fadiga e qualidade de vida, atuando por meio de mecanismos antioxidantes, anti-inflamatórios e neuromoduladores. Embora ainda sejam necessários estudos mais amplos e padronizados, os resultados disponíveis indicam que a fitoterapia pode contribuir significativamente para o manejo multidimensional da síndrome (SHAKIBA et al., 2018; SAWADDIRUK et al., 2019).
3 METODOLOGIA
O presente estudo caracterizou-se como uma revisão de literatura narrativa, elaborada com o propósito de analisar evidências científicas acerca da eficácia e dos mecanismos de ação de fitoterápicos no tratamento da fibromialgia. A pesquisa foi conduzida entre fevereiro e maio de 2025, contemplando publicações disponíveis em bases de dados reconhecidas internacionalmente.
A coleta de dados foi realizada nas bases PubMed, Scielo, ScienceDirect e Google Scholar, considerando artigos publicados entre os anos de 2010 e 2024. Foram utilizados descritores em português e inglês combinados por operadores booleanos, tais como: “fibromialgia”, “fitoterápicos”, “plantas medicinais”, “tratamento”, “coenzima Q10”, “Crocus sativus”, “Panax ginseng” e “Ganoderma lucidum”. A busca foi conduzida de forma sistemática, empregando os termos de acordo com a padronização de cada base.
Foram incluídos artigos originais, ensaios clínicos, revisões sistemáticas e metanálises que abordaram a utilização de fitoterápicos no manejo da fibromialgia ou em condições relacionadas, como síndromes dolorosas crônicas e disfunções metabólicas com mecanismos fisiológicos semelhantes. Foram selecionadas publicações disponíveis integralmente, em idioma português, inglês ou espanhol, e que apresentaram metodologia clara e resultados aplicáveis à prática clínica.
Excluíram-se estudos duplicados, resumos de congressos, cartas ao editor e publicações que não apresentaram dados experimentais ou clínicos. Trabalhos com enfoque exclusivamente em terapias farmacológicas convencionais também foram desconsiderados. Após a triagem inicial, os artigos foram submetidos à leitura integral para verificação da adequação ao tema e dos critérios de elegibilidade previamente estabelecidos.
A análise dos dados foi realizada de forma qualitativa, buscando identificar convergências e divergências entre os resultados encontrados. Foram observados aspectos como tipo de fitoterápico utilizado, dosagem, tempo de tratamento, número de participantes e desfechos clínicos avaliados. Também foram considerados os efeitos adversos relatados e as limitações metodológicas destacadas pelos próprios autores.
Os estudos selecionados foram organizados em categorias temáticas de acordo com o enfoque principal: (1) compreensão fisiopatológica da fibromialgia e suas associações nutricionais; (2) propriedades farmacológicas e bioquímicas dos fitoterápicos de interesse clínico; e (3) evidências da aplicação de compostos naturais na fibromialgia, com ênfase em eficácia e segurança. Essa categorização permitiu o tratamento integrado das informações e facilitou a discussão dos resultados.
Durante o processo de elaboração da revisão, adotou-se uma abordagem crítica e comparativa para a interpretação das evidências. As informações foram sintetizadas a partir da leitura criteriosa das publicações, priorizando estudos com maior rigor metodológico e relevância científica. Cada referência selecionada foi devidamente registrada e utilizada de acordo com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
O presente estudo não envolveu experimentação com seres humanos ou animais, dispensando, portanto, apreciação por comitê de ética em pesquisa. Ainda assim, foram observados princípios de integridade científica, garantindo a fidedignidade das fontes e a adequada citação dos autores consultados.
A partir da metodologia descrita, foi possível reunir e analisar dados atualizados sobre o potencial terapêutico dos fitoterápicos na fibromialgia, permitindo discutir seus mecanismos de ação, eficácia clínica e limitações identificadas na literatura científica contemporânea.
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A fibromialgia é reconhecida como uma síndrome caracterizada por dor musculoesquelética crônica, fadiga persistente e distúrbios do sono. As pesquisas convergem quanto à complexidade de sua fisiopatologia, que envolve disfunções neuroendócrinas e alterações na percepção da dor. Estudos sobre os níveis de vitamina D têm revelado associação entre a deficiência desse micronutriente e maior intensidade dos sintomas dolorosos, sugerindo influência sobre a modulação neuromuscular e sobre processos inflamatórios subclínicos (SAHOTA, 2014).
As deficiências nutricionais, especialmente a hipovitaminose D, têm sido consideradas um fator de exacerbação dos sintomas. Pacientes com baixos níveis séricos dessa vitamina apresentam limiar de dor reduzido e pior qualidade de vida. Essa condição pode comprometer a função mitocondrial e aumentar a vulnerabilidade ao estresse oxidativo, agravando a fadiga e a sensibilidade muscular. Assim, a carência de vitamina D não apenas reflete um marcador biológico, mas pode desempenhar papel fisiológico ativo no desencadeamento da dor crônica (MARTINS et al., 2020).
Os achados sobre suplementação de vitamina D revelam convergências e divergências entre diferentes autores. Enquanto Mirzaei et al. observaram melhora significativa na qualidade de vida e na dor de pacientes após otimização dos níveis séricos dessa vitamina, Ellis et al. relataram resultados menos consistentes, sugerindo que os efeitos positivos podem depender do grau de deficiência inicial e de variáveis individuais, como idade e exposição solar. Essas discrepâncias demonstram a complexidade dos fatores biológicos e ambientais que modulam a fisiopatologia da fibromialgia (MIRZAEI et al., 2018; ELLIS et al., 2018).
Além dos aspectos nutricionais, alterações neuroquímicas são centrais na compreensão da síndrome. Pesquisas apontam disfunções nas vias serotoninérgicas, dopaminérgicas e noradrenérgicas, o que interfere diretamente na percepção da dor e nas respostas emocionais. A redução de neurotransmissores inibitórios e o aumento de substâncias excitatórias contribuem para o fenômeno conhecido como sensibilização central, caracterizado pela amplificação dos sinais nociceptivos. Essa desregulação explica a experiência dolorosa exacerbada e persistente relatada por pacientes (ELLIS et al., 2018).
Outro aspecto discutido refere-se à interação entre o sistema nervoso central e o sistema endócrino. A disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal tem sido identificada como elemento relevante, resultando em níveis alterados de cortisol e em menor capacidade de resposta ao estresse. Essa condição favorece a perpetuação da dor e da fadiga, além de aumentar a suscetibilidade a distúrbios do humor. Tais evidências reforçam a natureza sistêmica da fibromialgia, que ultrapassa a esfera musculoesquelética e envolve desequilíbrios hormonais e imunológicos (MARTINS et al., 2020).
Pesquisas recentes têm explorado também o papel da microbiota intestinal na modulação dos sintomas da fibromialgia. A relação entre o intestino e o sistema nervoso central, denominada eixo intestino-cérebro, sugere que alterações no equilíbrio microbiano podem influenciar o humor e a sensibilidade à dor. O uso de probióticos tem sido proposto como estratégia terapêutica complementar, capaz de reduzir inflamações e melhorar a função neuroendócrina. Essa abordagem representa uma ampliação do entendimento fisiopatológico da síndrome, integrando fatores nutricionais e imunológicos (SLYEPCHENKO et al., 2014).
O estudo de Slyepchenko et al. destaca que o restabelecimento do equilíbrio intestinal pode contribuir para a regulação de neurotransmissores e citocinas, reduzindo sintomas de ansiedade e depressão, frequentemente presentes em indivíduos com fibromialgia. Essa correlação reforça a hipótese de que o tratamento da síndrome deve considerar tanto os aspectos neuroquímicos quanto os metabólicos, reconhecendo a interação entre sistema nervoso, imunidade e nutrição. Essa visão integrada explica por que intervenções nutricionais e fitoterápicas têm mostrado resultados positivos em pesquisas recentes (SLYEPCHENKO et al., 2014).
Embora exista consenso sobre a natureza sistêmica da fibromialgia, persistem divergências quanto aos mecanismos primários responsáveis por sua manifestação. Alguns autores defendem que a síndrome tem origem predominantemente neurológica, com disfunção na modulação da dor e hiperexcitabilidade das vias centrais. Outros sugerem que processos inflamatórios de baixo grau e déficits nutricionais crônicos atuam como gatilhos secundários, amplificando os sintomas em indivíduos predispostos. Essas diferentes interpretações reforçam a necessidade de abordagens terapêuticas integradas que combinem suporte nutricional, regulação neuroendócrina e controle imunológico (MIRZAEI et al., 2018; MARTINS et al., 2020).
A compreensão da fibromialgia, portanto, evoluiu de uma visão limitada ao sistema musculoesquelético para um modelo biopsicossocial e metabólico. Essa mudança de paradigma reconhece a influência de fatores nutricionais, imunológicos e neuroendócrinos sobre o quadro clínico, o que justifica a crescente atenção dada a terapias complementares como a fitoterapia e a suplementação de micronutrientes. Ao integrar diferentes mecanismos fisiológicos, o tratamento torna-se mais abrangente, contemplando as dimensões biológicas, psicológicas e metabólicas do paciente com fibromialgia (SAHOTA, 2014; MARTINS et al., 2020).
O interesse científico pela fitoterapia em doenças crônicas tem aumentado devido à necessidade de terapias que promovam equilíbrio metabólico e reduzam efeitos adversos associados a fármacos sintéticos. Os compostos bioativos de origem vegetal apresentam propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e imunomoduladoras, atuando em mecanismos celulares fundamentais para a homeostase. A compreensão da ação de substâncias naturais, como a coenzima Q10 e o açafrão (Crocus sativus), permite correlacionar a fitoterapia com o manejo de patologias inflamatórias e metabólicas associadas ao estresse oxidativo (JORAT et al., 2019).
A coenzima Q10 (ubiquinona) tem sido amplamente estudada por sua função essencial no transporte de elétrons na cadeia respiratória mitocondrial. Essa molécula atua diretamente na produção de energia e na neutralização de radicais livres, o que a torna um agente protetor contra o dano oxidativo em células musculares e neurais. Em doenças crônicas, nas quais o estresse oxidativo é constante, sua suplementação pode restaurar o metabolismo energético e reduzir a inflamação sistêmica, promovendo melhora clínica e funcional (MIZOBUTI et al., 2019).
Os resultados observados em modelos celulares e clínicos reforçam o papel da coenzima Q10 como antioxidante endógeno. Pesquisas com células musculares distróficas demonstraram aumento da viabilidade celular e diminuição de marcadores inflamatórios após o uso da substância, indicando recuperação da integridade mitocondrial. Essa capacidade de preservar o funcionamento celular sugere que a coenzima pode beneficiar indivíduos com doenças musculares e metabólicas crônicas, nas quais a disfunção mitocondrial contribui para a fadiga e a dor (MIZOBUTI et al., 2019).
Além da ação antioxidante, a coenzima Q10 apresenta efeitos neuroprotetores. Sua suplementação em indivíduos com distúrbios neurológicos tem mostrado redução significativa de marcadores de estresse oxidativo e melhora do desempenho cognitivo. Em crianças com transtorno do espectro autista, o uso desse composto diminuiu a produção de espécies reativas de oxigênio e reduziu a atividade de enzimas antioxidantes, sinalizando restauração do equilíbrio redox. Esses achados sugerem que a substância atua tanto na proteção neuronal quanto na modulação da inflamação sistêmica (MOUSAVINEJAD et al., 2018).
Os efeitos benéficos da coenzima Q10 também foram observados em condições cardiovasculares e neurológicas agudas. Em pacientes com acidente vascular isquêmico, sua administração resultou em melhora dos parâmetros inflamatórios e na recuperação de biomarcadores metabólicos. A rápida atuação antioxidante e a boa tolerabilidade do composto reforçam seu potencial como adjuvante terapêutico em doenças inflamatórias agudas, demonstrando versatilidade e segurança clínica (RAMEZANI et al., 2018).
Quando se analisam as convergências entre diferentes estudos, observa-se consenso sobre a função protetora da coenzima Q10 frente ao estresse oxidativo e às disfunções mitocondriais. No entanto, ainda existem divergências em relação às doses ideais e ao tempo de administração necessários para alcançar benefícios duradouros. Pesquisas de curto prazo evidenciaram resultados positivos, mas a ausência de padronização metodológica dificulta a comparação entre ensaios. A necessidade de estudos clínicos de maior duração e com amostras amplas ainda é apontada como uma limitação recorrente (JORAT et al., 2019).
A fitoterapia também contempla compostos de origem vegetal com propriedades psicotrópicas leves, capazes de atuar na modulação do humor e na resposta inflamatória. O açafrão (Crocus sativus L.) destaca-se por conter carotenoides bioativos, como crocina e safranal, reconhecidos por suas ações antioxidantes e antidepressivas. Em doenças crônicas, nas quais o componente emocional agrava o sofrimento físico, o açafrão pode exercer papel importante na estabilização do humor e na redução da percepção dolorosa (MAZIDI et al., 2016).
Pesquisas clínicas têm comparado o efeito do açafrão ao de antidepressivos convencionais, demonstrando resultados semelhantes na melhora dos sintomas de ansiedade e depressão. Em estudo duplo-cego controlado, a administração de extrato de Crocus sativus reduziu significativamente a pontuação em escalas de humor, sem causar os efeitos colaterais típicos de fármacos serotoninérgicos. Esses resultados evidenciam a segurança do fitoterápico e reforçam seu potencial como alternativa natural para o manejo de condições emocionais associadas a doenças crônicas (MAZIDI et al., 2016).
Ao comparar as abordagens envolvendo a coenzima Q10 e o açafrão, nota-se que ambas compartilham propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, embora atuem em sistemas fisiológicos distintos. Enquanto a coenzima Q10 age de forma direta sobre o metabolismo celular e a bioenergética mitocondrial, o açafrão exerce efeitos moduladores sobre neurotransmissores e processos inflamatórios centrais. Essa complementaridade reforça a importância da fitoterapia no tratamento de doenças que envolvem simultaneamente distúrbios metabólicos e emocionais, como ocorre em quadros de dor crônica e fadiga persistente (JORAT et al., 2019; MAZIDI et al., 2016).
A aplicação terapêutica dos fitoterápicos em doenças crônicas encontra respaldo na capacidade dessas substâncias de restabelecer o equilíbrio redox, reduzir inflamações e modular sistemas neuroendócrinos. Embora os mecanismos de ação variem conforme o composto, os resultados convergem para a melhora da qualidade de vida e do bem-estar geral. A literatura indica que o uso racional e supervisionado desses agentes pode reduzir a dependência de fármacos sintéticos e ampliar as possibilidades terapêuticas em condições inflamatórias e metabólicas complexas (RAMEZANI et al., 2018; MIZOBUTI et al., 2019).
As divergências entre os autores concentram-se principalmente na padronização dos extratos vegetais e na heterogeneidade metodológica dos estudos. As diferenças quanto à dose, à pureza dos compostos e à duração dos ensaios dificultam a comparação entre resultados. Ainda assim, há concordância geral sobre o potencial clínico dos fitoterápicos como ferramentas complementares no tratamento de doenças de base inflamatória e metabólica. Essa convergência sustenta o interesse crescente por terapias naturais integradas, que buscam reduzir o impacto sistêmico da inflamação crônica (JORAT et al., 2019; MOUSAVINEJAD et al., 2018).
O conjunto das evidências demonstra que a fitoterapia oferece uma via promissora para o controle de condições crônicas, atuando na origem bioquímica dos distúrbios. Os compostos estudados, especialmente a coenzima Q10 e o açafrão, mostram eficácia clínica potencial quando utilizados de forma adequada. Embora ainda sejam necessários ensaios controlados de longo prazo, os resultados disponíveis apontam para benefícios consistentes na redução da inflamação e na restauração da função celular, elementos essenciais para o manejo de doenças metabólicas e inflamatórias (MAZIDI et al., 2016; JORAT et al., 2019).
A aplicação de fitoterápicos na fibromialgia tem sido explorada como alternativa terapêutica frente às limitações dos tratamentos farmacológicos convencionais. Os estudos revisados demonstram resultados promissores, sugerindo que compostos naturais podem modular a resposta inflamatória e reduzir a dor crônica. O estudo de Barmaki et al. indicou melhora significativa da dor e da qualidade do sono com o uso do composto Fib-19-01, o que reforça a relevância da fitoterapia como estratégia complementar de manejo clínico. Esses efeitos parecem decorrer da ação antioxidante e neuromoduladora de seus constituintes vegetais (BARMAKI et al., 2019).
Pesquisas envolvendo Panax ginseng também apontam resultados expressivos na atenuação dos sintomas da fibromialgia. Em ensaio clínico controlado, Braz et al. observaram redução da fadiga e da ansiedade, além de melhora no humor e na tolerância ao exercício físico. Esses efeitos são atribuídos aos ginsenosídeos, substâncias com propriedades adaptogênicas que equilibram o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e reduzem a produção de citocinas inflamatórias. Essa evidência reforça a ação reguladora do Panax ginseng sobre mecanismos neuroendócrinos associados à dor e ao estresse crônico (BRAZ et al., 2013).
O uso do Panax ginseng é particularmente relevante por combinar propriedades anti-inflamatórias e psicoestabilizadoras. Ao promover a modulação do cortisol e a melhora do metabolismo energético, o extrato vegetal contribui para a redução dos sintomas físicos e emocionais da fibromialgia. Além disso, seu perfil de segurança é superior ao de fármacos antidepressivos, frequentemente utilizados para o controle da dor e da fadiga. Essa característica amplia o potencial clínico da planta como adjuvante em protocolos integrativos de tratamento (BRAZ et al., 2013).
Outro fitoterápico de destaque é o Ganoderma lucidum, tradicionalmente empregado como imunomodulador e antioxidante. Em estudo com mulheres diagnosticadas com fibromialgia, Mateo et al. relataram melhora da capacidade física e da disposição geral após suplementação com o extrato do cogumelo. Acredita-se que seus polissacarídeos e triterpenoides promovam regulação do sistema imune e aumento da eficiência mitocondrial, favorecendo o controle da fadiga e a redução da dor. Esses achados demonstram que o Ganoderma lucidum pode contribuir para restaurar o equilíbrio metabólico comprometido na síndrome (MATEO et al., 2015).
As convergências entre os estudos de Braz et al. e Mateo et al. apontam para a importância da modulação mitocondrial e da resposta imunológica no manejo da fibromialgia. Enquanto o Panax ginseng atua predominantemente no eixo neuroendócrino, o Ganoderma lucidum exerce influência direta sobre processos metabólicos e oxidativos. Essa complementaridade sugere que terapias combinadas podem potencializar os resultados, promovendo simultaneamente regulação hormonal e proteção celular. A integração de compostos com mecanismos distintos reforça o potencial da fitoterapia como abordagem multifocal (BRAZ et al., 2013; MATEO et al., 2015).
A coenzima Q10 tem sido amplamente estudada pela sua relação com o metabolismo energético e o controle do estresse oxidativo, ambos comprometidos na fibromialgia. Pierro et al. verificaram melhora na dor e na fadiga em mulheres tratadas com uma formulação solúvel da substância, sugerindo restauração da função mitocondrial. Sawaddiruk et al. confirmaram esses resultados ao observar que a coenzima Q10 reduziu a dor e a atividade cerebral anormal em pacientes tratados simultaneamente com pregabalina. Essa convergência reforça que o composto exerce ação direta sobre a bioenergética neuronal e muscular (PIERRO et al., 2017; SAWADDIRUK et al., 2019).
A consistência dos resultados envolvendo a coenzima Q10 indica que a suplementação desse composto pode corrigir deficiências metabólicas frequentemente presentes na fibromialgia. Ao reduzir o dano oxidativo e otimizar a produção de energia, a substância contribui para a diminuição da dor e da fadiga, sintomas centrais da síndrome. Entretanto, a variabilidade dos protocolos e a ausência de padronização das doses dificultam a definição de esquemas terapêuticos uniformes. Essa lacuna metodológica ainda limita a incorporação plena da coenzima Q10 na prática clínica (SAWADDIRUK et al., 2019).
O açafrão (Crocus sativus L.) também tem sido avaliado quanto ao seu potencial no manejo da fibromialgia. Em ensaio clínico duplo-cego, Shakiba et al. compararam o uso do extrato da planta com a duloxetina, um antidepressivo frequentemente prescrito. O estudo demonstrou eficácia equivalente entre ambos, com redução significativa da dor e dos sintomas depressivos. A ausência de efeitos colaterais relevantes no grupo tratado com o fitoterápico reforça sua segurança e tolerabilidade. Esses achados evidenciam que o Crocus sativus representa uma alternativa natural eficaz para o controle de sintomas neuropsicológicos e dolorosos (SHAKIBA et al., 2018).
O mecanismo de ação do Crocus sativus envolve a modulação de neurotransmissores, especialmente serotonina e dopamina, além da redução de citocinas inflamatórias. Essa dupla ação explica sua influência tanto sobre o humor quanto sobre a dor, aspectos intimamente interligados na fibromialgia. Comparado aos compostos sintéticos, o açafrão oferece benefícios semelhantes com menor toxicidade, o que o torna particularmente adequado para pacientes sensíveis aos efeitos adversos dos antidepressivos (SHAKIBA et al., 2018).
Os estudos comparativos revelam convergência entre os fitoterápicos analisados quanto à capacidade de reduzir inflamação, dor e fadiga. No entanto, observam-se divergências na intensidade e na abrangência dos efeitos. Enquanto o Panax ginseng e o Crocus sativus apresentam resultados mais evidentes em parâmetros emocionais e psicossomáticos, a coenzima Q10 e o Ganoderma lucidum destacam-se pela atuação metabólica e antioxidante. Essa diferenciação demonstra que os compostos atuam por vias fisiológicas complementares, o que favorece abordagens terapêuticas personalizadas (PIERRO et al., 2017; MATEO et al., 2015; SHAKIBA et al., 2018).
Apesar das evidências positivas, os estudos enfrentam limitações metodológicas significativas. A heterogeneidade nas amostras, a curta duração dos ensaios e a variabilidade nas concentrações dos extratos dificultam a generalização dos resultados. Além disso, a ausência de padronização na formulação dos fitoterápicos compromete a reprodutibilidade dos dados. Essas lacunas indicam a necessidade de ensaios clínicos randomizados de longo prazo que avaliem a eficácia e a segurança desses compostos de forma comparativa e controlada (BARMAKI et al., 2019; SAWADDIRUK et al., 2019).
Ainda que os resultados sejam promissores, é importante reconhecer que a fitoterapia deve ser vista como abordagem complementar, e não substitutiva. Os compostos naturais analisados atuam em mecanismos distintos e, quando integrados a intervenções farmacológicas e psicoterápicas, podem potencializar os desfechos clínicos. A combinação de terapias é especialmente relevante em síndromes complexas, nas quais fatores metabólicos, emocionais e neuroendócrinos interagem de forma dinâmica (BRAZ et al., 2013; MATEO et al., 2015).
Os autores convergem ao destacar que os fitoterápicos analisados apresentam efeitos benéficos significativos, mas reconhecem a necessidade de ampliar o rigor científico das investigações. O fortalecimento metodológico permitirá determinar doses ideais, identificar possíveis interações e consolidar diretrizes clínicas baseadas em evidências. O avanço nesse campo pode contribuir para o desenvolvimento de protocolos terapêuticos mais seguros e personalizados, integrando a fitoterapia como componente reconhecido no tratamento da fibromialgia (PIERRO et al., 2017; SHAKIBA et al., 2018).
Em síntese, a análise comparativa das evidências indica que a fitoterapia constitui uma via terapêutica viável e segura para o manejo da fibromialgia, especialmente quando utilizada de forma complementar. O uso de compostos como Panax ginseng, Ganoderma lucidum, coenzima Q10 e Crocus sativus demonstra potencial para reduzir sintomas físicos e emocionais, melhorar a qualidade de vida e promover equilíbrio metabólico. Apesar das limitações existentes, o conjunto das pesquisas reforça que os fitoterápicos representam um recurso clínico promissor, cuja eficácia depende da integração racional com outras abordagens terapêuticas (BARMAKI et al., 2019; SAWADDIRUK et al., 2019; SHAKIBA et al., 2018).
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise realizada permitiu compreender que a fibromialgia envolve uma interação complexa entre disfunções neurológicas, metabólicas e emocionais, exigindo abordagens terapêuticas integradas. As evidências revisadas demonstraram que o desequilíbrio neuroendócrino, a inflamação de baixo grau e as carências nutricionais contribuem para a manutenção da dor crônica e da fadiga, características centrais da síndrome. Diante desse contexto, os fitoterápicos apresentam-se como alternativas promissoras para o manejo da condição, atuando em múltiplos sistemas fisiológicos e oferecendo menor risco de efeitos adversos quando comparados aos fármacos convencionais.
Os estudos analisados evidenciaram que substâncias como a coenzima Q10, o Panax ginseng, o Ganoderma lucidum e o Crocus sativus possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias e neuromoduladoras capazes de reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida de pessoas com fibromialgia. Apesar da consistência dos resultados, as pesquisas ainda apresentam limitações metodológicas que impedem a generalização plena dos achados, ressaltando a importância de ensaios clínicos mais extensos e padronizados.
De modo geral, a fitoterapia demonstra potencial para complementar o tratamento da fibromialgia, favorecendo uma abordagem mais ampla e personalizada, voltada à restauração do equilíbrio metabólico e ao bem-estar integral do paciente. A integração entre terapias naturais e convencionais tende a representar um avanço significativo no cuidado multidimensional da síndrome, ampliando as perspectivas de manejo e qualidade de vida para os indivíduos afetados.
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¹Discente do programa de Doutorado em Educação em Saúde do Centro Internacional de Pesquisa Integralize e-mail: camilla.uzam@unicid.edu.br
²Docente do programa de doutorado do Centro Internacional de Pesquisa Integralize. Doutor em educação. e-mail: bessa@expressalimentacao.com.br
