AVALIAÇÃO DA SAÚDE MENTAL DE IDOSOS EM ASILOS DO NORTE DE MINAS GERAIS – BRASIL

MENTAL HEALTH ASSESSMENT OF ELDERLY IN NURSING HOMES IN NORTHERN MINAS GERAIS-BRAZIL

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202512071445


Amanda Gabrielle Gonçalves Silva1; Luiza Lorrane Mendes de Almeida Cardoso2; Élida Lúcia Ferreira Assunção3; Ana Tereza Silva e Diogo4; Jean Claude Lafetá5; Sâmia Francy Ferreira Alves6; Lucas Gabriel Melo Franco7; Laura Júlia Bispo Souto8; Karine Cardoso dos Santos9; Maximino Alencar Bezerra Junior10


RESUMO

Objetivo: verificar a qualidade de vida dos idosos com doenças mentais em asilos. Metodologia: o presente estudo é do tipo descritivo de caráter quantitativo, onde foi utilizado fontes primárias para obtenção dos dados. Como instrumento de pesquisa, um questionário aplicado presencialmente para coleta de dados utilizando-se de questões de múltiplas escolhas onde o público principal foram os profissionais de saúde dos asilos do Norte de Minas. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa de parecer número 5.978.530 e do CAAE: 67505722.6.000. Resultados: Os principais resultados mostram que a maioria dos idosos residentes possuem doenças mentais e um dos fatores que desencadeia a internação dos pacientes é o fato de possuírem transtornos e consequentemente impactar no convívio familiar. Conclusão: A partir do estudo foi possível observar a importância das Instituições de Longa Permanência para os idosos com doenças mentais. A instituição oferece boas condições de vida aos pacientes residentes e os profissionais se mostram de boa conduta para com os pacientes institucionalizados e sobretudo, aos pacientes com doenças mentais. 

Palavras-chave: Doenças mentais. Idosos. Asilos.

ABSTRACT

Objective: to verify the quality of life of elderly people with mental illnesses in nursing homes. Methodology: the present study is of the descriptive type of quantitative character, where primary sources were used to obtain the data. As a research instrument, a questionnaire was applied in person to collect data using multiple choice questions where the main audience were health professionals from nursing homes in the North of Minas Gerais. The research project was approved by the Research Ethics Committee under opinion number 5,978,530 and CAAE: 67505722.6.000. Results: The main results show that most elderly residents have mental illnesses and one of the factors that triggers the hospitalization of patients is the fact that they have disorders and consequently impact on family life. Conclusion: From the study it was possible to observe the importance of long-stay institutions for the elderly with mental illnesses. The institution offers good living conditions to resident patients and professionals show good behavior towards institutionalized patients and, above all, patients with mental illnesses.

Keywords: Mental illnesses. Elderly. Asylums.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento é um processo natural do ser humano, sendo único em cada indivíduo, pode ser permeado por inseguranças, medos, vulnerabilidade e declínios cognitivos pois é uma etapa que o ser humano está mais fragilizado tanto fisicamente como mentalmente, porém pode ser vivenciado melhor ou pior de acordo o modo como essa pessoa se prepara para a velhice e como ela leva essa fase da vida. Por isso, a saúde mental é um fator significativo nesse processo pois é visto como um alicerce (FILIPPIN; CASTRO, 2021)¹.

A velhice é uma etapa da vida que deve ser vivenciada com dignidade, direitos, independência, segurança, satisfação e saúde. Para assegurar esses direitos, precauções a doenças mentais devem ser tomadas, contudo essas medidas permanecem escassas na atualidade, mas são de tamanha importância para minimizar esse risco de aparição de transtornos (MARCELINO, 2020)².

A Organização Mundial de Saúde – OMS³ (2022) determina a idade da pessoa idosa de acordo com fatores socioeconômicos de cada população, podendo variar de 60 anos, para países em desenvolvimento como o Brasil, até os 65 anos para os países mais desenvolvidos. Coincidentemente, as doenças neurodegenerativas afetam majoritariamente pessoas acima de 65 anos, causando impactos na vida do idoso e de sua família, pois a condição de dependência para as atividades de vida diária é um fator decisivo para agravamento do problema nos lares.

De acordo com o Ministério da Saúde4, no Brasil, cerca de 1,2 milhões pessoas vivem com alguma forma de transtorno mental e 100 mil novos casos são diagnosticados todo ano.  Transtornos mentais são síndromes caracterizadas por perturbações consideradas clinicamente significativas na cognição, no emocional e no comportamento de um indivíduo (definição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), e geralmente está associado a sofrimento ou prejuízo em áreas importantes do funcionamento. Os transtornos mentais também podem ser referidos como condições de saúde mental (BRASIL, 2022).

Segundo a Resolução da Diretoria Colegiada5 (Resolução – RDC nº 283, de 26 de setembro de 2005) as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) são organizações governamentais  ou não governamentais, com ou sem fins lucrativos de caráter residencial, destinadas ao domicílio de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem o suporte familiar.

Ainda que existam resistência nos membros da família desses idosos em institucionalizálos, os mesmos acreditam que as Instituições de Longa Permanência para Idosos proporcionam para o ente um local seguro e acolhedor, onde pode-se estabelecer vínculos e confiar nos serviços ofertados pela instituição. Geralmente, os familiares esperam dessas instituições o cuidado, amor, responsabilidade e dedicação por meio desses profissionais e normalmente suas expectativas são alcançadas. Por essa razão a família e clientes demonstram gratidão e satisfação, isso ressalta que apesar de mesmo enfrentando desafios como o preconceito as ILPIs conseguem alcançar um padrão de qualidade e satisfação (BRAGA, 2019)6.

Apesar do progresso de questões jurídicas voltadas ao Estatuto do Idoso e do conhecimento sobre a importância do afeto nas relações interpessoais, ainda é falho o trabalho do Estado e da família sobre o idoso nessa vertente, e também na questão do abandono do idoso na sociedade. Existe uma resistência de adaptação na norma concreta que pode provir de várias circunstâncias, a começar da concepção que somente os pais exercem responsabilidades pelos filhos ou até mesmo da desvalorização do idoso na sociedade (ALEGRE; CRIPPA, 2019)7

É no ambiente familiar que é possível reconhecer o abandono afetivo inverso, onde os filhos abdicam do cuidado com os pais, renunciam o zelo e a assistência, e com o transcorrer do tempo o idoso acaba sendo deixado de lado, se tornando um fardo e não mais um ente querido da família. É impossível impor o amor e a coexistência, porém não pode deixar de responsabilizar quem sempre recebeu cuidado, amor e afeto de seus pais e ainda assim no momento mais indefeso da vida de uma pessoa, não é capaz de retribuir aquilo que usufruiu durante toda a vida (NUNES; OLIVEIRA, 2018)8.

O prejuízo que o abandono afetivo causa nos idosos, interfere fortemente na saúde psíquica. A desvalorização social e problemas ligados à dependência física e psicológica são fatores que levam ao isolamento nessa etapa da vida (ALEGRE; CRIPPA, 2019)7.

Além dos problemas citados anteriormente, ainda existe no Brasil altos índices de violência contra o idoso e isso se torna um grande problema de saúde pública e de complexo gerenciamento. Existem diversas violências contra o idoso, e é bem comum o abandono ocorrer na própria residência, onde o idoso fica recluso ao quarto e pode permanecer sem condições básicas de saúde. Um fator que desencadeia a violência é a dependência física da pessoa idosa para realizar atividades simples do cotidiano. É muito importante identificar as causas da violência contra o idoso e dar enfoque em cada tipo de violência, para assim poder instaurar políticas públicas para resolução desses problemas ( MAIA et al., 2018)9.

Um fator significativo na escolha por não denunciar essas violências sofridas é que geralmente essas agressões ocorrem em ambientes domiciliares e são advindas de familiares, assim a vítima se sente ameaçada, levando a insegurança, o que vai impedir que medidas sejam aplicadas (ALARCON et al., 2020)10.

Diante desse cenário, é importante “verificar a qualidade de vida dos idosos com doenças mentais em asilos”.

METODOLOGIA

O presente estudo é do tipo descritivo-quantitativo, onde foi utilizada a pesquisa primária para obtenção dos dados. Foram entrevistados profissionais cuidadores do asilo São Vicente de Paula sobre a saúde mental de idosos institucionalizados.

A coleta de dados utilizou um questionário de múltipla escolha pertinente à rotina clínica dos profissionais que cuidam de moradores do asilo, aplicado presencialmente. Ocorreu no mês de abril de 2023, contendo 10 participantes.

As questões visam principalmente saber o número de pacientes do asilo São Vicente de Paulo que possuem alguma doença mental; se os pacientes recebem algum auxílio financeiro do governo; se possuem acompanhamento nutricional, psicológico e fisioterápico; se os pacientes praticam alguma atividade neuroestimulante; se fazem o uso de algum medicamento de psicotrópico.

A análise dos dados se deu a partir do material obtido presencialmente, onde os resultados foram tabulados manualmente no Google Documentos.  A partir dos resultados, foram discutidos e comparados de acordo com a literatura pesquisada. 

O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em pesquisa de parecer número 5.978.530 e do CAAE: 67505722.6.000.

RESULTADOS

Foram entrevistados 10 profissionais cuidadores do asilo São Vicente de Paula, e 100% dos voluntários concordaram em participar dessa pesquisa, de acordo com o TCLE. O asilo apresenta como número total de pacientes residentes 122 idosos, sendo que o gênero predominante na pesquisa foi o masculino, com 58,19%. A faixa etária apresentou resultados variáveis, já a faixa de internação apresenta uma média de 65 a 70 anos.

60% dos profissionais cuidadores afirmaram que mais de 50% dos pacientes apresentam algum transtorno mental, sendo eles; depressão com 15,87%, esquizofrenia 15,87%, alzheimer 12,69%, demência 11,11%, parkinson 11,11%, transtorno de ansiedade 11,11%, transtorno obsessivo compulsivo 6,34%, fobia social 4,76%, sindrome do panico 4,76% e estresse pós-traumático  3,17%.

De acordo com a tabela, 90% dos profissionais afirmam que os pacientes fazem acompanhamento psicológico regularmente. 55,55% dos profissionais relatam que os pacientes da instituição fazem acompanhamento nutricional. Também é possível observar na tabela que 60% dos profissionais afirmam que os idosos fazem acompanhamento fisioterapêutico periodicamente.

Representado na tabela abaixo, 60% dos profissionais cuidadores afirmam que na instituição é feito atividades neuroestimulantes com os idosos como por exemplo o xadrez. 

No presente estudo, 100% dos profissionais responderam que a instituição não recebe auxílio governamental, e 70% informaram que a instituição vive de doações.

Sobre as visitações, os dados mostraram que 70% dos profissionais cuidadores relataram que os idosos recebem visitas dos seus familiares. A frequência dessas visitas  de acordo com 70% dos profissionais é realizada mensalmente, 20% quinzenalmente e 10% anualmente.

No que diz respeito ao grau de parentesco entre os idosos residentes, 60% dos profissionais cuidadores relataram que existe esse vínculo entre os pacientes, 30% relataram que não sabem informar se existe esse vínculo e 10% dizem que não existe grau de parentesco entre eles.

De acordo com os resultados do estudo presente sobre a frequência das visitas de grupos de apoio à instituição, 60% dos dados indicam que os idosos recebem visitas mensalmente, 20% dessas visitas são realizadas quinzenalmente e 10% esporadicamente.

Para os entrevistados, acerca da reação dos idosos com as visitas do grupos de apoio, 80% afirmam que os idosos reagem muito bem, 10% disseram que os idosos demoram um pouco para interagir mas logo participam das atividades, e 10% relatam que alguns idosos não interagem com o grupo de apoio.  

Para os profissionais que cuidam desses pacientes, os desafios enfrentados no convívio com os idosos com transtorno mental são, crises 61,53%, limitações sociais 23,07% e limitações físicas 15,38%.

De acordo com os profissionais cuidadores a respeito dos motivos que desencadearam a internação desses pacientes na instituição, representa na tabela, 30% não possuem responsável para cuidados, 10% abandono afetivo inverso, 10% possuir alguma doença mental, 10% não ter contato com familiares, 10% possui limitações físicas. 

Os dados da pesquisa na qual está representado na tabela mostram que 60% dos profissionais informaram que a residência de idosos agressivos é vitalícia e 40% afirmaram que não.

Representado nos dados da tabela, 80% dos profissionais de saúde afirma que os pacientes fazem uso regularmente de algum psicotrópico, e 20% afirma que esse uso é eventualmente.                    

Tabela 1 – 

Fonte: Autoria própria, 2023. 

DISCUSSÃO

A doença mental é definida como um distúrbio clínico que prejudica a função cognitiva, regulação emocional ou comportamental de um indivíduo. Tem-se observado a necessidade crescente de cuidados a idosos com patologias debilitantes – como transtornos mentais – que devem ser prestados por equipe multiprofissional e com isso, o aumento na procura de Instituições de Longa Permanência (MEJIA; COSTA, 2019)11. No asilo São Vicente de Paula, de acordo com os profissionais entrevistados, o número total de pacientes institucionalizados são 122 e a maioria possui doenças mentais.

Perder a própria casa e o lugar social que se ocupava na família ou no mundo requer um processo de luto. O trabalho de acompanhamento terapêutico confirma a importância de oferecer escuta para que idosos possam repensar seus projetos e manter algum tipo de atividade que lhes dê sentido para continuar investindo na vida (Cherix, 2013)12. Com isso, a psicologia visa colaborar com o desenvolvimento e qualidade de vida do idoso, pois o prejuízo que o abandono físico e afetivo causa no idoso, interfere bastante na saúde mental. No asilo São Vicente de Paula, de acordo com 90% dos funcionários, os idosos com doenças mentais têm acompanhamento psicológico regularmente. A atenção psicológica é de extrema relevância. A Ordem dos Psicólogos Portugueses 13, ressalta que a Psicologia pode contribuir com o bem-estar dos idosos, capacitando os profissionais que atuam dentro das instituições, oferecendo treinamentos para aprimorar as habilidades profissionais.

No presente estudo realizado em uma Instituição Filantrópica (asilo São Vicente de Paula), 70% dos profissionais cuidadores que participaram da pesquisa relataram que os pacientes vivem de doações e 100% relataram que os pacientes não recebem auxílio governamental. Segundo Ribeiro et al (2021)14 as Instituições de Longa Permanência para Idosos podem ser, públicas, filantrópicas e privadas, as Instituições públicas são de caráter governamental  e seu custeamento se dá através do dinheiro público destinado a essas instituições. As socioassistenciais são sem fins lucrativos que possuem cadastro juntamente com conselho de assistência social que conjunto ao poder público realizam o atendimento da população idosa com a indicação do Sistema Único de Assistência Social. Os idosos com idade acima de 65 anos têm direito ao benefício assistencial ao idoso que é um benefício de um salário mínimo concedido a idosos de baixa renda. Por ser assistencial, para ter direito ao benefício não é necessário ter contribuído para o INSS. No entanto, não dá direito ao 13º salário e não deixa pensão por morte.

Um estudo realizado por Alexandrino et al (2020)15 sobre o perfil alimentar e estado nutricional de idosos em instituições de longa permanência no Brasil mostrou que os idosos institucionalizados apresentam risco maior de desnutrição, devido à falta de assistência nutricional que essas instituições recebem. Dados não condizentes com o estudo realizado no Asilo São Vicente de Paulo, onde 55,55% dos profissionais cuidadores informaram que os pacientes ocasionalmente fazem acompanhamento nutricional e 44,44% dos participantes alegaram que esse acompanhamento é feito regularmente.

A maioria dos profissionais cuidadores que responderam o questionário, afirmam que os pacientes fazem atividades neuroestimulantes regularmente, como por exemplo xadrez e jogos com cores e formas, dados positivos, pois essas atividades melhoram sintomas comportamentais. Conforme um estudo realizado por Rocha (2020)16 que aborda como atividade neuroestimulante a música clássica, obteve um resultado onde houve melhora dos sintomas neuropsiquiátricos em idosos com demência e a diminuição do desgaste do cuidador, principalmente frente a apatia.

Um estudo realizado por Silva et al (2019)17 mostrou que para maior eficácia do atendimento e tratamento fisioterapêutico a estes idosos, é necessário o desenvolvimento de ações e atividades individuais e coletivas, envolvendo o profissional fisioterapeuta pois concede independência, autonomia e qualidade de vida a essa população que tanto precisa.  Aliado a isto, os dados do presente estudo apontam que 60% dos profissionais cuidadores afirmam que os pacientes fazem acompanhamento fisioterapêutico regularmente, ressaltando a importância desse acompanhamento.

No presente estudo 70% dos profissionais afirmaram que os pacientes recebem visitas dos seus familiares mensalmente, esses dados estão em discordância com dados da literatura de  Santos et al (2021)18 na qual destaca-se a presença de fragilidade, ruptura ou até mesmo de inexistência dos vínculos familiares dos idosos institucionalizados, fato esse que traz consigo um retorno muito negativo para a vida do idoso, passando a ter sua vida marcada pelo abandono e solidão. 

Accordi et al (2021)19 categorizou os principais motivos encontrados em cinco classes. A primeira foi a incapacidade da família assumir o idoso. A segunda é o conflito e exclusão familiar.  A terceira categoria é o acolhimento compulsório. A quarta é a ingressão por conta própria. A quinta classe foi nomeada como idosos “esquecidos” que são idosos que não se recordam o motivo pelo qual foram para essas instituições. Assim como no estudo de Accordi et al. (2021)19, no atual estudo, os  principais fatores que desencadearam a internação desses idosos no asilo São Vicente de Paula foram respondidos, como representado na tabela, não possuir responsável para cuidados, abandono afetivo inverso , possuir alguma doença mental , não ter contato com familiares que se enquadram na primeira e segunda categoria e também relataram que um dos motivos é possuir limitações físicas; corroborando a relação dos estudos.

Conforme estudos realizados por Ferreira (2018)20 e Sampaio (2022)21 os principais transtornos mentais apresentados pelos idosos são: a esquizofrenia, o transtorno obsessivo crônico, ansiedade, depressão e demência. Os dados da pesquisa mostram que os transtornos mentais apresentados pelos pacientes no asilo São Vicente de Paula são: depressão, esquizofrenia, ansiedade e demência, corroborando a relação dos estudos. Também obteve como resposta do questionário transtornos como Alzheimer  e Parkinson. 

Um estudo feito por Dantas et al (2019)22 sobre o uso de medicamentos controlados utilizados por idosos institucionalizados apontou que há a predominância do uso contínuo de psicotrópicos, principalmente das classes de antiepilépticos e antipsicóticos com uma porcentagem de 70,6%. Tais números são congruentes com o resultado do questionário da presente pesquisa, já que, 80% dos profissionais cuidadores afirmam que os pacientes fazem uso de psicotrópicos regularmente.

As Instituições de Longa Permanência para Idosos são instituições destinadas ao público com idade igual ou superior a 60 anos. Assim como cita Dantas et al (2019)22  os idosos institucionalizados apresentam uma idade média de 78 anos. No atual estudo a idade dos pacientes residentes é bem ampla, não sendo possível estabelecer uma média precisa, o mesmo se dá para idade média no qual esses pacientes foram internados.

Uma pessoa com Alzheimer pode se irritar e iniciar um comportamento agressivo pelo desconforto físico causado, por não identificar o que está causando esse desconforto, por não conseguir se comunicar adequadamente em relação a esta situação. A agressividade é um dos sintomas dos pacientes portadores de algumas doenças mentais como Alzheimer, entre outras. Esse comportamento não costuma melhorar e os familiares se queixam da responsabilidade de cuidar do idoso, muitos até da falta de tempo. Também acreditam que nas ILPIs os idosos estão sendo bem cuidados com ajuda profissional, o que aumenta as chances de não trazê-los novamente para casa. E, concordando com as afirmações acima, os funcionários do asilo São Vicente de Paula relataram que 60% das internações desses pacientes são vitalícias.

É interessante mencionar que, após os 60 anos de  idade,  existe  um  aumento  nessa  vulnerabilidade à vivência da violência, uma vez que as pessoas idosas são normalmente acometidas por múltiplas  doenças  crônicas,  além  de  apresentarem alterações funcionais que levam à dependência  de  outras  pessoas,  especialmente  da  família. De acordo com os funcionários, os desafios enfrentados na convivência com  idoso com doenças mentais são as crises, limitações sociais e limitações físicas, com dados da incidência de cada uma descritos na tabela.

Várias instituições promovem ações sociais para interação com o idoso institucionalizado, sejam elas, visitas para conversar e fazer companhia, gincanas para promover interação e distração para eles, um exemplo é a PAPI – Programa de Apoio Psicológico no Idoso (ANTUNES, 2021)23. A maioria dos idosos participam das atividades estabelecidas, se sentem ouvidos e amados com as visitas dos grupos de apoio, pois muitas das vezes é a única visita que recebem. Alguns idosos são resistentes a algumas atividades pois preferem se isolar devido a sentimento de abandono, mas com o tempo e diálogo acabam participando das atividades. Essas que trazem resultados positivos para eles. Os funcionários do asilo São Vicente de Paula relataram que os idosos recebem visitas mensais de projetos sociais e grupos de apoio e, de acordo com a maioria dos funcionários, eles reagem bem à interação, como foi sugerido anteriormente.

CONCLUSÃO

A partir do estudo foi possível observar a importância das Instituições de Longa Permanência para os idosos com doenças mentais. A instituição oferece boas condições de vida aos pacientes residentes e os profissionais se mostram de boa conduta para com os pacientes institucionalizados e sobretudo, aos pacientes com doenças mentais. O estudo mostrou que a maioria dos idosos residentes no asilo São Vicente de Paula possuem doenças mentais, e os mesmos fazem acompanhamento psicológico regularmente. Um dos fatores que desencadeia a internação dos pacientes é o fato de possuírem transtornos e consequentemente impactar no convívio familiar. Sugere-se a criação de novas Instituições de Longa Permanência para Idosos com auxílio e parceria do governo, pois no cenário atual a expectativa de vida tende a crescer e com isso se faz necessário locais seguros que atendam as necessidades dos idosos.  

REFERÊNCIAS

1FILIPPIN, L. I.; CASTRO, L. D. A percepção do envelhecimento e seu impacto na saúde mental dos idosos. Brazilian Journal of Development, v. 7, n. 8, p. 78430-78439, 2021. Disponível em:  https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BRJD/article/view/34112/pdf.

2MARCELINO, E. M.; NOBREGA, G. H. T.; OLIVEIRA, P. C. S.; COSTA, R. H. M.; ARAUJO, H. S. P.; SILVA, T. G. L.; OLIVEIRA, T. L.; MEDEIROS, A. C. T. Associações de fatores de risco nos transtornos mentais comuns em idoso: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Development, v. 6, n. 4, p. 22270-22283, 2020. Disponível em:  https://brazilianjournals.com/ojs/index.php/BRJD/article/view/9367/7911. 

3ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Transtornos mentais. 2022. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/mental-disorders. 

4MINISTÉRIO DA SAÚDE. Instituições de Longa Permanência para Idosos. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/servicosdesaude/instituicoes-delonga-perm anencia-para-idosos#:~:text=As%20ILPIs%20s%C3%A3o%20institui%C3%A7%C3%B5es%20governamentais,de%20liberdade%2C%20dignidade%20e%20cidadania

5BRASIL. Lei n°10.741, de 1° de outubro de 2003. Estatuto do idoso. Diário oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, 1° de outubro de 2003. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/l10.741.htm.

6BRAGA, C. KOIKE, M. K.; SAAD, K. R.; PITANGA, F. Idoso institucionalizado: sentimentos dos familiares em relação à institucionalização. International Journal of Health Management, v. 1, n. 1, p 1-13, 2019. Disponível em:  https://www.ijhmreview.org/ijhmreview/article/view/153/92.

7ALEGRE, C. A. P.; CRIPPA, A. Responsabilidade civil por abandono afetivo de idosos. Justiça e Sociedade. v. 4, n. 1, p 1-42, 2019. Disponível em: https://www.univali.br/graduacao/direito-itajai/publicacoes/revista-de-iniciacao-cientifi caricc/edicoes/Lists/Artigos/Attachments/996/Arquivo%2018.pdf . 

8NUNES, A. P. S.; OLIVEIRA, C. G. O abandono afetivo inverso da pessoa idosa no Brasil e seus aspectos relevantes à luz do estatuto do idoso. Repertório Institucional. v. 1, n. 1, p 1-33, 2018. Disponível em:  http://repositorio.aee.edu.br/bitstream/aee/1187/1/ANA%20PAULA%20DE%20SOUZ A%20NUNES.pdf. 

9MAIA, P. H. S.; FERREIRA, E. F.; MELO, E. M.; VARGAS, A. M. D. A ocorrência da violência em idosos e seus fatores associados. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 1, n. 2, p 1-7, 2018. Disponível em:  https://www.scielo.br/j/reben/a/YYtX34JqBV3SQy9xGjzS5hr/?format=pdf&lang=pt.

10ALARCON, M. F. S.; DAMACENO, D. G.; CARDOSO, B. C.; BRACCIALLI, L. A. D.; SPONCHIADO, V. B. Y.; MARIN, M. J. S. Violência contra a pessoa idosa: percepções das equipes da atenção básica à saúde. Texto & contexto enfermagem, v. 30, n. 1, p 1-13, 2020. Disponível em:  https://www.scielo.br/j/tce/a/9FS8Kv3HmxRk65YprH4bp9P/?lang=pt&format=pdf. 

11MEJIA; C. A. Idosos com transtornos mentais em unidade fechada: Percepção de profissionais da Enfermagem de uma Instituição de Longa Permanência. p 12-18, 2019. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/20913/DIS_PPGGERONTOLOGIA_2019_ COSTA_ADONAI.pdf?sequence=1&isAllowed=y.

12CHERIX, K. Viver com demência: relato de um acompanhamento terapêutico em instituição. In. BARBIERI, Natália A.; BAPTISTA, Carolina G., ogr. Travessias do Tempo: acompanhamento terapêutico e envelhecimento. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2013.

13Ordem dos Psicólogos Portugueses (2015). O Papel dos Psicólogos no Envelhecimento. Lisboa

14RIBEIRO, Adriana; PIMENTA, Mariana; NORONHA, Pamella. ILPI é um direito da pessoa idosa. Portal SER-DH, 2023. Disponível em: https://serdh.mg.gov.br/repositorioartigos/artigo/ilpi-e-um-direito-da-pessoa-idosa . 

15ALEXANDRINO, E. G.; MARÇAL, D. F. S.; ANTUNES, M. D.; OLIVEIRA, D. V.; BERTOLINI, S. M. M. G.; BENNEMANN, R. M. Perfil alimentar e estado nutricional de idosos em instituições de longa permanência no Brasil. Revista Família, Ciclos de Vida e Saúde no Contexto Social, v. 8, n. 3, p. 464-471, 2020. Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/refacs/article/view/3274

16ROCHA, Luana Aparecida da. Efeitos da música clássica sobre a cognição, parâmetros fisiológicos e psicológicos em idosos com demência institucionalizados. 2020. Disponível em: https://repositorio.ufscar.br/handle/ufscar/12435.

17SILVA, J. B.; GRINGS, F. M.; OLIVEIRA, M. B. M. Atendimento Fisioterapêutico em Idosos Institucionalizados no Lar do Idoso São Vicente de Paula- Relato de Experiência. RSCM, v. 2, 2019. Disponível em: https://urisaoluiz.com.br/site/wpcontent/uploads/2022/06/RELATO-DE-EXPERIENCIA-MARZANE.pdf

18SANTOS, TCV DOS; ARY, MLMRB; CALHEIROS, D. DOS S. Vínculos familiares dos idosos institucionalizados. Pesquisa, Sociedade e Desenvolvimento,  v. 10, n. 12, pág. e194101220246, 2021. Disponível em: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v10i12.20246. 

19AMBRÓSIO-ACCORDI, A.; ACCORDI, IDA. Motivos da institucionalização do idoso e suas vivências internadas. Revista Mundi Saúde e Biológicas (ISSN 2525-4766) , v. 5, n. 2, 2020. Disponível em:  https://doi.org/10.21575/25254766msb2020vol5n21180.

20FERREIRA, T. DE AL Saúde mental dos idosos em instituições de longa permanência: revisão sistemática de literatura. 2018. Disponível em: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/36131.

21SAMPAIO, A. R.; SCARDINO, L. M. Prevalência de Transtornos Mentais em Instituições de Longa Permanência Para Idosos: Revisão Sistemática. Simpósio de Pesquisa do Ecossistema Anima. 2022. Disponível em: https://simposiodepesquisa.animaeducacao.com.br/doc_pro/poster_apresentacao_638001f9 c872f.pdf

22DANTAS, DG e cols. Uso de Psicofármacos por idosos institucionalizados: Aspectos epidemiológicos e frequência de queda: Uso de psicofármacos por idosos institucionalizados: aspectos epidemiológicos e frequência de quedas. Revista Enfermagem Atual In Derme , v. 89, n. 27 de 2019. Disponível em:   https://doi.org/10.31011/reaid2019-v.89-n.27-art.463.

23 ANTUNES, Beatriz Pires. Impacto do programa de estimulação cognitiva “PAPI – Programa de Apoio Psicológico no Idoso” em idosos institucionalizados. 2021. Disponível em: https://repositorio.ispa.pt/handle/10400.12/8487.


1https://orcid.org/ 0009-0008-8168-6206
Acadêmica do curso de Biomedicina da Faculdade de Saúde e Humanidades Ibituruna – FASI

2https://orcid.org/0009-0004-2791-4264
Acadêmica do curso de Biomedicina da Faculdade de Saúde e Humanidades Ibituruna – FASI

3https//orcid.org/0000-0003-4967-6696
Docente do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Montes Claros -UNIMONTES

4https//orcid.org/0000-0003-1986-9438
Docente do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Montes Claros -UNIMONTES

5https//orcid.org/0000-0001-8758-4050
Docente do curso de Odontologia da Universidade Estadual de Montes Claros -UNIMONTES

6https//orcid.org/0009-0008-3761-1493
Mestre em Odontologia pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri- UFVJM

7https//orcid.org/0009-0005-6809-0174
Docente do curso de Odontologia da Faculdade de Saúde e Humanidades Ibituruna – FASI

8https//orcid.org/0009-0004-0656-5659
Especialista em Saúde da Família pela Universidade Estadual de Montes Claros-UNIMONTES

9https//orcid.org/0000-0003-1118-0572
Docente do curso de Biomedicina da Faculdade de Saúde e Humanidades Ibituruna -FASI

10orcid.org/0000-0003-4938-161X
Docente do curso de Biomedicina da Faculdade de Saúde e Humanidades Ibituruna -FASI