AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA E SEGURANÇA DOS PEELINGS QUÍMICOS NO TRATAMENTO DO MELASMA: REVISÃO SISTEMÁTICA 

EVALUATION OF THE EFFICACY AND SAFETY OF THE CHEMICAL PEELS IN THE TREATMENT OF THE MELASMA:  SYSTEMATIC REVIEW 

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511230959


Amanda Miranda Rosa1
Géssica Caroline Silva2


Resumo 

O melasma é uma desordem pigmentar crônica, frequentemente associada à exposição solar,  fatores hormonais e predisposição genética. Caracteriza-se por manchas acastanhadas,  simétricas e recidivantes, que impactam diretamente a autoestima e qualidade de vida dos  indivíduos, especialmente mulheres em idade fértil. Dentre as abordagens terapêuticas, os  peelings químicos têm se mostrado uma alternativa relevante devido à sua ação esfoliativa e  despigmentante. Esta revisão sistemática teve como objetivo avaliar a eficácia e segurança  dos principais tipos de peelings químicos empregados no tratamento do melasma. Foram  realizadas buscas nas bases PubMed, LILACS e SciELO, entre 2015 e 2025, utilizando os  descritores “manchas”, “hiperpigmentação”, “melanócitos” e “discromia”. Após critérios de  inclusão e exclusão, foram analisados estudos que apresentaram dados sobre eficácia clínica,  mecanismos de ação e efeitos adversos. A coleta e análise dos dados ocorreu de forma  sistemática, com organização em tabelas comparativas. Inicialmente foram identificados 34  artigos. Após triagem por título e resumo, 18 foram selecionados para leitura na íntegra.  Destes, 6 atenderam aos critérios de inclusão, compondo a amostra final analisada. Os  critérios de elegibilidade consideraram estudos que apresentassem dados sobre eficácia  clínica, mecanismos de ação e segurança dos peelings químicos no tratamento do melasma. Os resultados demonstraram que os ácidos glicólico, mandélico, tranexâmico, kójico e  azelaico são os mais frequentemente utilizados, apresentando melhora clínica na uniformização do tom da pele e redução da hiperpigmentação. O ácido glicólico se destacou  pela ação rápida e eficaz; o mandélico, pela boa tolerância em fototipos altos; e o tranexâmico, pela eficácia em casos resistentes. A combinação de peelings com outras  terapias, como LED e agentes despigmentantes tópicos, mostrou-se ainda mais eficaz, com  baixa incidência de efeitos adversos.
Conclui-se que os peelings químicos são uma estratégia terapêutica eficaz, segura e versátil  no manejo do melasma, sobretudo quando aplicados de forma individualizada e associados  à fotoproteção e a outros tratamentos complementares. 

Palavras-chave: Manchas. Melanócitos. Hiperpigmentação. Discromia. 

Abstract 

Melasma is a chronic pigmentary disorder frequently associated with sun exposure, hormonal  factors, and genetic predisposition. It is characterized by brownish, symmetrical, and  recurrent patches that directly impact individuals’ self-esteem and quality of life, especially  women of reproductive age. Among therapeutic approaches, chemical peels have emerged  as a relevant alternative due to their exfoliating and depigmenting effects. This systematic  review aimed to evaluate the efficacy and safety of the main types of chemical peels used in  the treatment of melasma. Searches were conducted in the PubMed, LILACS, and SciELO  databases between 2015 and 2025, using the descriptors “spots,” “hyperpigmentation,”  “melanocytes,” and “dyschromia.” After applying inclusion and exclusion criteria, studies  presenting data on clinical efficacy, mechanisms of action, and adverse effects were  analyzed. Data collection and analysis were carried out systematically and organized into  comparative tables. Initially, 34 articles were identified. After screening by title and abstract,  18 were selected for full-text reading. Of these, 6 met the inclusion criteria and composed  the final sample analyzed. The eligibility criteria considered studies that presented data on  clinical efficacy, mechanisms of action, and safety of chemical peels in the treatment of  melasma. The results demonstrated that glycolic, mandelic, tranexamic, kojic, and azelaic  acids are the most frequently used, showing clinical improvement in skin tone uniformity  and reduction of hyperpigmentation. Glycolic acid stood out for its rapid and effective action;  mandelic acid for its good tolerance in higher phototypes; and tranexamic acid for its efficacy  in resistant cases. The combination of chemical peels with other therapies, such as LED and  topical depigmenting agents, proved even more effective, with a low incidence of adverse  effects. In conclusion, chemical peels are an effective, safe, and versatile therapeutic strategy  in the management of melasma, especially when applied in an individualized manner and  associated with photoprotection and other complementary treatments. 

Keywords: Spots. Melanocytes. Hyperpigmentation. Dyschromia. 

1 INTRODUÇÃO 

A pele, maior órgão do corpo humano, exerce funções essenciais para a manutenção  da integridade e da homeostase do organismo, incluindo proteção contra agentes externos,  regulação da temperatura corporal, percepção sensorial e síntese de vitamina D.  Estruturalmente, é composta por três camadas principais: epiderme, derme e hipoderme, cada  uma com características histológicas específicas que refletem suas funções fisiológicas  (Ribeiro et al., 2022).  

A epiderme, camada mais superficial, apresenta epitélio estratificado pavimentoso  queratinizado e abriga diferentes tipos celulares, como queratinócitos, melanócitos, células  de Langerhans e células de Merkel. A derme, rica em fibras colágenas e elásticas, contém  estruturas anexas como glândulas, vasos sanguíneos e terminações nervosas, enquanto a  hipoderme, atua como isolante térmico e reserva energética (Narde et al., 2025). 

Dentre os diversos distúrbios cutâneos, o melasma se destaca como uma condição  pigmentária adquirida e de evolução crônica, caracterizada pelo aparecimento de manchas  acastanhadas, de contornos irregulares, geralmente simétricas e localizadas  predominantemente em regiões fotoexpostas, especialmente na face. Essa condição acomete  com maior frequência mulheres em idade fértil, sendo influenciada por fatores como  predisposição genética, alterações hormonais e exposição solar intensa e prolongada. A  fisiopatologia do melasma envolve um aumento irregular da produção de melanina mediado  por fatores ultravioleta e luminais, além de processos inflamatórios e alterações na barreira  cutânea, o que reforça sua natureza multifatorial e a complexidade de seu tratamento (Santos;  Pinto, 2025). 

O impacto do melasma transcende a questão estética, afetando significativamente a  autoestima e o bem-estar emocional dos pacientes, o que o torna um tema relevante tanto no  contexto clínico quanto social. Apesar da ampla variedade de abordagens terapêuticas  disponíveis, que vão desde a fotoproteção até o uso de agentes despigmentantes e  procedimentos físicos, o tratamento continua sendo desafiador, devido à recorrência das  lesões e à variabilidade de resposta entre pacientes (Vitoreli; Oliveira, 2025; Gomes, Silva; Pol-Fachin, 2024). Nesse contexto, os peelings químicos têm se destacado como uma opção  relevante. Assim, este estudo teve como objetivo, avaliar a eficácia e a segurança dos peelings químicos no tratamento do melasma, por meio da análise de publicações científicas que apresentaram dados sobre os seus mecanismos de ação, eficácia clínica e possíveis efeitos  adversos.  

2 METODOLOGIA  

Este estudo caracteriza-se como uma revisão sistemática de literatura, de caráter  exploratório, descritivo e qualitativo, com o objetivo de avaliar a eficácia e a segurança dos  peelings químicos no tratamento do melasma.  

A busca foi realizada em artigos publicados entre 2015 e 2025, em português e inglês,  utilizando as bases de dados PubMed, SciELO, LILACS, MEDLINE e de forma  complementar, o Google Scholar. Foram empregados os descritores DeCS/MeSH, incluindo “melasma”, “peeling químico”, “hiperpigmentação”, “melanócitos” e “discromia”,  combinados com operadores booleanos, de forma a ampliar a sensibilidade e a especificidade  da pesquisa.  

O processo de seleção ocorreu em três etapas: (1) triagem inicial por títulos e resumos;  (2) leitura integral dos artigos potencialmente elegíveis, com exclusão daqueles que não  atendiam aos critérios; e (3) extração e organização das informações relevantes em tabelas  comparativas.  

Foram incluídos artigos que abordassem especificamente o uso de peelings químicos  no tratamento do melasma, apresentando dados sobre eficácia clínica, mecanismos de ação e  efeitos adversos. Adicionalmente, foram incluídos estudos que utilizaram peelings químicos  associados a outras modalidades terapêuticas, como agentes despigmentantes, fotoproteção  intensificada e tecnologias complementares, incluindo LED, uma vez que parte da literatura  recente avalia resultados obtidos por meio de protocolos combinados. Essa ampliação buscou  refletir a diversidade das abordagens contemporâneas para o tratamento do melasma e  garantir maior representatividade dos diferentes métodos empregados na prática clínica. 

Foram excluídos estudos que não apresentavam os peelings químicos como principal  intervenções terapêuticas, pesquisas que tratassem de outras discromias, trabalhos duplicados ou aqueles cujo texto completo não estava disponível. 

Durante o processo de busca, foram inicialmente identificados 34 artigos. Após a  triagem por títulos e resumos, 18 estudos foram selecionados por apresentarem relação com  o tema proposto, enquanto 16 foram excluídos por não abordarem os peelings químicos como intervenção principal, tratarem de outras condições dermatológicas, não apresentarem dados  de eficácia e segurança ou por estarem duplicados. Na etapa seguinte, os 18 artigos elegíveis  foram avaliados na íntegra, resultando na exclusão de 12 publicações devido à ausência de  informações suficientes sobre eficácia clínica, falta de detalhamento dos mecanismos de  ação, inexistência de dados sobre efeitos adversos, inadequação metodológica ou uso de  outras intervenções que não contemplavam os peelings químicos. Ao final, apenas seis  artigos atenderam plenamente aos critérios de inclusão e compuseram a amostra final da  revisão sistemática (Figura 1).  

Figura 1 – Fluxograma de identificação dos artigos selecionados para o estudo, a partir dos  critérios de inclusão e exclusão.

Fonte: autoria própria, 2025.

4 RESULTADOS 

Os artigos selecionados para compor este estudo estão apresentados no Quadro 1,  organizados por título, autor(es), ano de publicação, objetivo e resultados principais.  

Quadro 1 – Descrição geral dos artigos que atenderam aos critérios de inclusão e que foram  integrados ao estudo. 

Título do Artigo Autores/Ano Objetivo Resultados
1Manejo estético do  melasma e 
contribuições farmacêuticas
Nunes,  Lavínia A. et  al. (2023)Avaliar os  
diferentes  
protocolos de  peelings químicos e suas  
contribuições  no manejo  estético do melasma.
Os peelings à base de ácido  glicólico e mandélico  
demonstraram melhora  significativa da  
hiperpigmentação e da  textura da pele, com  segurança e boa tolerância.
2Principais  tratamentos do  melasmaCunha,  Isadora G.;  Silva,  Cláudia P.;  Oliveira,  Geraldo B.B.  (2020)Comparar a  eficácia de  diferentes  
agentes  
despigmentantes, incluindo  peelings químicos, na  redução da  melanogênese.
O ácido tranexâmico e o  ácido kójico mostraram  efeito clareador gradual e  seguro, com menor risco de  irritação cutânea e bons  resultados quando  associados a outros  
despigmentantes.
3Peeling químico para  tratamento de  melasma em peles  negras – revisão de  literaturaRibeiro, Karine C. et  al. (2022)Analisar a  eficácia dos  peelings 
químicos em  peles negras  com melasma  e avaliar a segurança dos  protocolos.
O ácido mandélico  
apresentou bons resultados,  com baixo risco de  
hiperpigmentação pós inflamatória, sendo indicado  para peles sensíveis e  fototipos altos
4Estratégias  avançadas no  tratamento do  melasma: uma  revisão sobre a  eficácia dos peelings  químicosGomes,  Giuly O.V.;  Silva, Alice  J.; Pol Fachin,  Laercio  (2024)Avaliar a  eficácia dos  principais  
ácidos  utilizados em  peelings 
químicos no  tratamento do  melasma.
O uso de peelings de ácido  glicólico e tranexâmico  promoveu clareamento  significativo e melhora  clínica progressiva das  manchas, principalmente em  tratamentos combinados.
5Melasma: Etiologia,  fisiopatologia,  principais formas de  prevenção e  tratamento – revisão  de literaturaSantos,  Caroline H.;  Pinto, Liliane  P. (2025)Revisar os  
principais  
tratamentos para o  melasma,  
enfatizando o  papel dos  peelings 
químicos e  suas  
combinações.
Os peelings químicos  mostraram eficácia clínica  visível, com melhora da  uniformidade do tom da  pele; a associação com  fotoproteção intensifica os  resultados e reduz recidivas.
6Uso associado de  peelings químicos e  LED no tratamento  do melasmaSantos,  Analice 
(2016)
Avaliar a  eficácia do uso  de LED azul  associado aos  peelings de  ácido pirúvico  e láctico no  tratamento do  melasma.A combinação de LED azul e peelings ácidos proporcionou clareamento,  melhora da textura e alta  tolerância, sem efeitos
adversos relevantes.

Fonte: autoria própria, 2025. 

5 DISCUSSÃO 

Os estudos selecionados nesta revisão sistemática demonstram que os peelings  químicos representam uma estratégia terapêutica relevante no manejo do melasma,  especialmente devido à sua capacidade de promover renovação celular controlada e modular 

diferentes etapas da melanogênese (Nunes et al., 2023; Ribeiro et al., 2022; Gomes; Silva;  Pol-Fachin, 2024). Embora todos os artigos incluídos tenham relatado melhora clínica, com  redução da hiperpigmentação e uniformização do tom da pele, essa resposta variou conforme  o tipo de ácido utilizado, o fototipo do paciente e o protocolo terapêutico empregado (Cunha,  Silva & Oliveira, 2020; Santos & Pinto, 2025; Santos, 2016). 

De modo geral, o ácido glicólico foi o agente mais citado entre os estudos,  destacando-se por sua ação rápida e pela capacidade de reduzir a coesão dos corneócitos,  facilitando a descamação superficial. Os estudos de Nunes et al. (2023) e Gomes et al. (2024)  mostraram que esse ácido promoveu clareamento progressivo mesmo em fototipos mais  altos, embora exista risco aumentado de irritação, o que reforça a necessidade de protocolos  bem individualizados. 

Outro ácido amplamente discutido foi o mandélico, que apresentou perfil de  segurança especialmente em peles sensíveis ou de fototipos altos (Ribeiro et al., 2022). Sua  penetração mais lenta reduz o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, tornando-o  alternativa importante para pacientes com maior predisposição a recidivas e respostas  inflamatórias exageradas. 

Os estudos que avaliaram o ácido tranexâmico, tanto em formulações tópicas quanto  intradérmicas, demonstraram resultados expressivos na redução da pigmentação resistente,  sendo especialmente eficazes em casos recidivantes. Cunha et al. (2020) e Gomes et al.  (2024) reforçam que, além do clareamento, o ácido tranexâmico também reduz a  pigmentação induzida pela radiação UV, o que favorece sua inclusão em protocolos  combinados. 

A literatura também evidenciou que a associação de peelings químicos com outros  tratamentos potencializa significativamente os resultados. Santos (2016) demonstrou que o  uso de luz LED associado aos peelings de ácido pirúvico e láctico proporcionou melhora  mais rápida, homogênea e com maior tolerância do que quando os peelings foram utilizados  isoladamente, sugerindo que terapias combinadas apresentam efeito sinérgico relevante. 

Portanto, os achados desta revisão demonstram que os peelings químicos, quando  aplicados de forma adequada e associados a protocolos combinados, representam uma  alternativa eficaz, segura e amplamente aplicável para o tratamento do melasma. No entanto,  esta revisão apresenta limitações importantes. O número de estudos disponíveis ainda é reduzido, e grande parte das publicações consiste em revisões narrativas ou sistemáticas, o  que limita a força das evidências primárias. Além disso, observa-se elevada heterogeneidade  entre os protocolos utilizados incluindo variações no tipo de ácido, concentrações, número  de sessões e combinações terapêuticas bem como ausência de padronização entre os  tratamentos propostos. Essas limitações dificultam a comparação direta entre os estudos e  reforçam a necessidade de pesquisas clínicas mais robustas, controladas e padronizadas.  Ainda assim, a escolha do ácido e da concentração deve considerar o fototipo, a extensão das  lesões, o histórico de resposta terapêutica e a tolerância individual, garantindo resultados  mais duradouros e com menor risco de complicações. 

6 CONCLUSÃO 

A presente revisão sistemática demonstrou que os peelings químicos são uma  estratégia eficaz e segura no manejo do melasma, promovendo melhora clínica significativa  e redução da hiperpigmentação. Os ácidos mais utilizados: glicólico, kójico, mandélico,  tranexâmico e azeláico que apresentaram ações complementares, contribuindo para a  uniformização do tom cutâneo e permitindo a individualização dos protocolos conforme o  tipo de melasma e a sensibilidade da pele. 

Os estudos analisados evidenciaram que os peelings, quando bem indicados e  associados a cuidados essenciais como fotoproteção e, em alguns casos, terapias  complementares, potencializam os resultados e reduzem o risco de recidivas. Assim, os  peelings químicos se consolidam como recurso relevante no controle do melasma,  oferecendo boa resposta clínica e mantendo perfil de segurança favorável quando aplicados  por profissionais capacitados. 

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1Discente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel Campus Cascavel e mail:amandamiranda4rosa@gmail.com
2Docente do Curso Superior de Biomedicina do Centro Universitário Univel Campus Cascavel. Mestre em  Ciências Farmacêuticas, especialista em Biomedicina Estética. E-mail: gessica.silva@univel.br