REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202511230945
Arthur Alcântara Zacarini
Orientador: Allan Kardec Gurgel do Amaral
RESUMO
O presente artigo analisa os principais softwares de modelagem e simulação aplicados à impressão 3D na construção civil, considerando sua relevância para a evolução tecnológica do setor. A pesquisa tem como objetivo compreender de que forma essas ferramentas influenciam o desempenho das impressoras 3D, a precisão dimensional, a compatibilidade com o hardware e a eficiência na execução de estruturas construtivas. A metodologia adotada caracteriza-se como exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa, fundamentada em análise bibliográfica e documental, aliada à observação técnica de simulações digitais. Os resultados esperados consistem na identificação dos softwares mais eficazes e compatíveis com os sistemas de impressão utilizados na construção civil, destacando aspectos de integração, desempenho e confiabilidade. O estudo busca contribuir para o aprimoramento das práticas de manufatura aditiva no contexto construtivo, favorecendo a adoção de tecnologias mais precisas, econômicas e sustentáveis.
Palavras-chave: Impressão 3D. Construção civil. Softwares de modelagem. Simulação. Manufatura aditiva.
ABSTRACT
This article analyzes the main modeling and simulation software applied to 3D printing in civil construction, considering its relevance to the technological advancement of the sector. The research aims to understand how these tools influence the performance of 3D printers, dimensional accuracy, hardware compatibility, and efficiency in the execution of construction structures. The adopted methodology is exploratory and descriptive, with a qualitative approach based on bibliographic and documentary analysis combined with technical observation of digital simulations. The expected results include identifying the most effective and compatible software with the printing systems used in civil construction, highlighting aspects of integration, performance, and reliability. The study seeks to contribute to the improvement of additive manufacturing practices in the construction context, promoting the adoption of more accurate, economical, and sustainable technologies.
Keywords: 3D printing. Civil construction. Modeling software. Simulation. Additive manufacturing.
INTRODUÇÃO
A integração de tecnologias digitais no setor da construção civil tem proporcionado uma transformação significativa nos métodos construtivos, especialmente com o avanço da manufatura aditiva. A impressão 3D aplicada à construção civil apresenta-se como uma alternativa inovadora capaz de otimizar tempo, custos e sustentabilidade nas obras, configurando-se como uma tendência global em constante expansão. Essa tecnologia possibilita a criação de estruturas complexas com precisão e rapidez, promovendo uma nova abordagem para o design e a execução de edificações.
Nesse contexto, este estudo delimita-se à análise de softwares de modelagem e simulação empregados na impressão 3D voltada à construção civil. O foco recai sobre os programas utilizados nas etapas de concepção digital, fatiamento e controle das impressoras 3D, os quais exercem influência direta sobre a qualidade e a eficiência dos modelos impressos. A pesquisa busca compreender de que forma esses softwares impactam o desempenho das impressoras, a precisão das peças e a compatibilidade com os diferentes sistemas de hardware aplicados ao processo construtivo.
Diante dessa realidade, estabelece-se a seguinte questão norteadora: quais softwares de modelagem e simulação apresentam melhor desempenho e integração com os sistemas de impressão 3D utilizados na construção civil, considerando aspectos de precisão, compatibilidade e usabilidade?
Parte-se do pressuposto de que a escolha adequada de softwares de modelagem e simulação constitui fator determinante para o êxito da impressão 3D em obras civis, uma vez que influencia diretamente a confiabilidade dos resultados, a qualidade dimensional e o aproveitamento dos materiais. Supõe-se, ainda, que a integração eficiente entre software e hardware possibilita reduzir falhas de calibração, minimizar erros de deposição e otimizar o tempo de execução das estruturas.
A justificativa para o desenvolvimento deste trabalho fundamenta-se na necessidade de compreender e comparar as ferramentas digitais que sustentam o avanço da impressão 3D na construção civil. Ao identificar os softwares mais eficazes, o estudo pretende contribuir para a difusão de práticas tecnológicas mais seguras, econômicas e sustentáveis no setor, ampliando as possibilidades de aplicação dessa tecnologia em larga escala no contexto brasileiro.
O objetivo geral do artigo consiste em analisar os principais softwares de modelagem e simulação aplicados à impressão 3D na construção civil, enquanto os objetivos específicos são: (a) identificar os recursos técnicos oferecidos por cada software; (b) avaliar a compatibilidade entre softwares e impressoras 3D; (c) comparar o desempenho e a precisão das ferramentas analisadas; e (d) discutir os benefícios e limitações observados na integração com o hardware construtivo.
A metodologia adotada caracteriza-se como uma pesquisa de natureza exploratória e descritiva, com abordagem qualitativa e comparativa. O estudo desenvolve-se por meio de análise bibliográfica e documental acerca dos softwares mais utilizados na área, aliada à observação técnica de simulações digitais realizadas em ambiente controlado. Essa abordagem permite avaliar os critérios de desempenho, confiabilidade e eficiência das ferramentas estudadas.
O referencial teórico que fundamenta a pesquisa apoia-se em autores que discutem a aplicação tecnológica e digital na engenharia, como Gibson, Rosen e Stucker (2015), que exploram os fundamentos da manufatura aditiva; Bogue (2018), que analisa o papel da automação e da impressão 3D na indústria; e Buswell et al. (2020), que abordam a viabilidade técnica e construtiva da impressão 3D em edificações. Esses autores fornecem o embasamento científico necessário para a compreensão crítica da interação entre software, hardware e processos construtivos digitais.
1 REFERENCIAL TEÓRICO
1.1 Breve histórico da impressão 3D
A impressão tridimensional, ou manufatura aditiva, surgiu na década de 1980 como solução para criar protótipos rápidos e precisos na indústria automotiva e aeroespacial.
Figura 1 – Linha do tempo da impressão 3D

O primeiro processo patenteado foi a estereolitografia (SLA), desenvolvida por Charles Hull em 1983, marco que inaugurou uma nova fase na fabricação digital (Gibson, Rosen e Stucker, 2015). Nos anos seguintes, outras tecnologias como SLS e FDM ampliaram as possibilidades do setor, destacando-se o papel da Stratasys na popularização do FDM.
Segundo Berman (2012), a redução de custos e a evolução dos softwares de modelagem foram cruciais para tornar a manufatura aditiva mais acessível e difundida. Na década de 2000, o movimento RepRap impulsionou ainda mais essa expansão ao propor impressoras capazes de reproduzir suas próprias peças, promovendo a democratização da tecnologia. Conforme Lipson e Kurman (2013) apontam, esse período marcou a transição de uma ferramenta industrial para um recurso colaborativo e aberto à inovação.
Com a Indústria 4.0, a impressão 3D consolidou-se como pilar da automação e da personalização em massa, integrando-se a tecnologias como IoT, inteligência artificial e simulações computacionais (Bogue, 2018). Essa evolução permitiu o desenvolvimento de produtos complexos com alta precisão e favoreceu sua adoção em setores como saúde, engenharia e arquitetura. Na engenharia civil, destacam-se os estudos de Buswell et al. (2020) sobre concretos extrudáveis e sistemas automatizados de deposição.
Projetos pioneiros, como os realizados pela Apis Cor na Rússia e pela ICON nos Estados Unidos, demonstraram a viabilidade da construção de edificações inteiras por impressão 3D, com menor tempo e custo. Atualmente, a tecnologia é vista como estratégica para sustentabilidade e eficiência, reduzindo desperdícios e permitindo o uso de materiais alternativos, como concretos geopoliméricos e resíduos reciclados (Ngo et al., 2018). Dessa forma, a manufatura aditiva se firma como um recurso essencial para o futuro da construção civil.
1.2 Hardware aplicado à impressão 3D na construção civil
O hardware das impressoras 3D para construção civil possui dimensões e capacidades superiores às máquinas convencionais, embora mantenha o princípio de deposição camada a camada.
Destacam-se dois tipos principais: impressoras de pórtico cartesiano, usadas em construções lineares, e braços robóticos articulados, adequados a geometrias complexas (Panda et al., 2018). Esses sistemas operam com trilhos, eixos lineares ou robôs industriais integrados a softwares de simulação, permitindo ajustar trajetórias conforme o comportamento do material (Buswell et al., 2020).
A qualidade da deposição depende da estabilidade térmica, da homogeneidade da mistura e do monitoramento por sensores, que evitam falhas e otimizam o fluxo de concreto (Lim et al., 2018). A eletrônica embarcada composta por controladoras, drivers e microprocessadores interpreta o G-code e sincroniza os movimentos do equipamento (Gibson et al., 2015).
Embora ofereçam alta produtividade e redução significativa de resíduos, esses sistemas ainda enfrentam desafios como manutenção frequente, calibração precisa e sensibilidade a vibrações e condições climáticas (De Schutter et al., 2018). Por isso, o aperfeiçoamento de seus componentes mecânicos e eletrônicos permanece como foco das pesquisas atuais.
1.2.1 Estrutura mecânica e componentes principais
A estrutura mecânica das impressoras 3D voltadas à construção civil é composta por sistemas robustos, projetados para suportar cargas elevadas e movimentar grandes volumes de material. Essa estrutura é formada por eixos lineares, guias, trilhos e suportes metálicos que garantem a estabilidade e a precisão durante a deposição das camadas de concreto.
Segundo Buswell et al. (2020), o desempenho da impressão está diretamente relacionado à rigidez estrutural e à calibração do equipamento. O cabeçote extrusor, os motores e os atuadores devem estar devidamente alinhados para evitar vibrações que possam comprometer a qualidade dimensional da peça.
O dimensionamento das partes móveis, aliado à precisão dos sistemas de tração e sustentação, é essencial para a repetibilidade do processo. De acordo com Lim et al. (2018), a integração entre componentes mecânicos e controle automatizado permite imprimir com uniformidade em ambientes de obra.
A estrutura deve também resistir a intempéries e variações de temperatura, comuns em canteiros externos fundamental para a eficiência e durabilidade do sistema de impressão tridimensional na construção civil.
1.2.1.1 Classificação das impressoras (pórtico, braço robótico)
As impressoras 3D utilizadas na construção civil podem ser classificadas, principalmente, em dois tipos: de pórtico cartesiano e de braço robótico articulado. As de pórtico operam com eixos lineares fixos, movimentando o cabeçote extrusor em planos X, Y e Z, sendo ideais para estruturas retangulares e paredes contínuas.
Já as de braço robótico utilizam múltiplos graus de liberdade, oferecendo maior flexibilidade geométrica e capacidade de imprimir superfícies curvas e elementos complexos (Panda et al., 2018).
Enquanto as máquinas de pórtico priorizam estabilidade e precisão dimensional, os braços robóticos destacam-se pela agilidade e adaptabilidade a diferentes escalas construtivas. Segundo Buswell et al. (2020), a escolha entre ambos depende da aplicação: o pórtico é mais indicado para edificações modulares, e o braço robótico, para projetos arquitetônicos com formas livres.
A integração de sensores e controle dinâmico nos robôs permite compensar desvios durante a deposição do material. Assim, a classificação não apenas diferencia o formato físico das máquinas, mas também define sua estratégia de operação e aplicabilidade em diferentes contextos da engenharia civil.
1.2.1.2 Croqui e descrição técnica do cabeçote extrusor e do bico de deposição
O cabeçote extrusor é o componente responsável pela deposição controlada do material de construção, geralmente concreto, e desempenha papel central na qualidade e na precisão da impressão 3D. Ele é conectado a um sistema de bombeamento que envia o material por meio de mangueiras pressurizadas até o bico de deposição.
De acordo com Lim et al. (2018), o bico extrusor deve possuir diâmetro e geometria compatíveis com a fluidez e a viscosidade do material utilizado, evitando obstruções e irregularidades no fluxo. Além disso, sensores de pressão e temperatura instalados no cabeçote monitoram o comportamento reológico do concreto em tempo real, ajustando a taxa de extrusão conforme as condições ambientais.
O sistema pode incluir mecanismos de aquecimento ou vibração para melhorar a consistência da mistura e a aderência entre as camadas. Segundo Buswell et al. (2020), a uniformidade do jato extrudado é determinante para a resistência mecânica e o acabamento da peça impressa. Dessa forma, o cabeçote e o bico de deposição configuram um conjunto mecatrônico de alta precisão, projetado para assegurar estabilidade dimensional e desempenho contínuo durante o processo construtivo.
1.2.1.3 Sistema de movimentação
O sistema de movimentação é responsável por controlar o deslocamento preciso do cabeçote extrusor nos eixos X, Y e Z durante o processo de impressão.
Ele é composto por motores elétricos, guias lineares, fusos e correias que garantem a estabilidade e o posicionamento adequado em cada camada depositada. Segundo Gibson, Rosen e Stucker (2015), a precisão desse sistema define diretamente a qualidade geométrica e a uniformidade das peças impressas.
Em impressoras de pórtico, os movimentos são lineares e sincronizados, enquanto em sistemas robóticos são articulados, permitindo maior liberdade de orientação espacial. Para reduzir vibrações e desvios, utilizam-se rolamentos de alta rigidez e controladores de malha fechada com feedback de posição.
Estudos de Buswell et al. (2020) apontam que pequenos erros de movimentação podem gerar desníveis acumulativos, afetando a estabilidade estrutural da construção. Por isso, a calibração periódica e o uso de sensores ópticos ou encoders são fundamentais, garantindo a repetibilidade, a precisão e a fluidez do processo construtivo.
1.2.2 Sistema eletrônico e de controle
O sistema eletrônico e de controle constitui o núcleo operacional da impressora 3D, responsável por coordenar os movimentos mecânicos, a extrusão de material e o monitoramento em tempo real do processo. Ele é composto por microcontroladores, drivers de potência, sensores e interfaces de comunicação que interagem entre si por meio de protocolos digitais. Segundo Gibson, Rosen e Stucker (2015), a precisão da impressão depende diretamente da sincronia entre o software de comando e os circuitos de controle embarcados.
Esses sistemas utilizam algoritmos de malha fechada para ajustar velocidade, posição e taxa de extrusão conforme variações ambientais ou de material. Além disso, controladores lógicos programáveis (CLPs) e microprocessadores de alto desempenho são empregados para processar instruções G-code e converter dados em movimentos precisos.
Conforme Bogue (2018), a automação eletrônica garante eficiência energética e maior confiabilidade em impressões de larga escala. Outrossim, o sistema eletrônico e de controle é o elo que integra hardware e software, assegurando que cada etapa do processo construtivo ocorra de forma estável, segura e repetível.
1.2.2.1 Placas controladoras e microprocessadores utilizados
As placas controladoras e os microprocessadores são os responsáveis por interpretar os comandos do software de fatiamento e traduzi-los em ações físicas coordenadas.
Esses dispositivos executam o processamento do G-code, controlando motores, extrusores e sensores de forma sincronizada. Segundo Bogue (2018), as impressoras de grande porte utilizam controladoras industriais baseadas em processadores ARM ou placas dedicadas, como as da linha Duet e Arduino Mega com RAMPS, devido à sua confiabilidade e capacidade de expansão.
Em aplicações de construção civil, empregam-se ainda microcontroladores integrados a sistemas embarcados, como o Raspberry Pi e o BeagleBone, que permitem controle remoto e comunicação via rede.
De acordo com Gibson, Rosen e Stucker (2015), a eficiência do processamento é essencial para evitar atrasos na movimentação e manter a precisão da deposição de material.
Essas placas também suportam interfaces com sensores de temperatura, fluxo e posição, garantindo a retroalimentação contínua do sistema, mantendo o conjunto eletrônico atua como o “cérebro” da impressora 3D, assegurando estabilidade, precisão e integração entre os subsistemas mecânicos e de software.
1.2.2.2 Sensores e atuadores
Os sensores e atuadores desempenham funções essenciais no controle dinâmico da impressora 3D, garantindo precisão e estabilidade durante o processo de construção. Os sensores coletam dados em tempo real, como temperatura, pressão, posição e fluxo do material, permitindo ajustes automáticos no sistema.
De acordo com Lim et al. (2018), a retroalimentação gerada por esses dispositivos é crucial para evitar falhas de extrusão, desalinhamentos e variações dimensionais. Já os atuadores, geralmente motores de passo ou servomotores, convertem sinais elétricos em movimento mecânico preciso, possibilitando o deslocamento do cabeçote e a deposição controlada das camadas.
Em impressoras de grande porte, também são utilizados atuadores hidráulicos ou pneumáticos para o controle de bombas e válvulas de extrusão. Conforme Buswell et al. (2020), o sincronismo entre sensores e atuadores assegura a repetibilidade das impressões e a uniformidade do concreto depositado.
Dessa forma, o sistema sensorial e atuador atua como o elo entre a percepção do ambiente e a execução mecânica, garantindo confiabilidade e desempenho contínuo na manufatura aditiva aplicada à construção civil.
1.2.2.3 Sistema de alimentação elétrica
O sistema de alimentação elétrica das impressoras 3D de grande porte é responsável por fornecer energia estável e segura a todos os componentes do equipamento. Ele abrange fontes de alimentação, conversores de tensão, cabos de alta corrente e dispositivos de proteção contra sobrecarga. Segundo De Schutter et al. (2018), a estabilidade elétrica é essencial para manter a precisão dos motores, o controle do aquecimento e o funcionamento dos sensores.
Em aplicações de construção civil, o sistema elétrico deve suportar potências elevadas devido à operação contínua de bombas e atuadores de grande porte. Por isso, são utilizados transformadores e controladores de energia com correção de fator de potência, garantindo eficiência e reduzindo perdas térmicas.
De acordo com Gibson, Rosen e Stucker (2015), a alimentação deve ser isolada em circuitos independentes, separando controle, potência e lógica para evitar interferências eletromagnéticas. Além disso, sistemas de aterramento e proteção contra surtos elétricos são indispensáveis em ambientes externos.
1.2.2.4 Protocolos de comunicação e integração com o software de controle
Os protocolos de comunicação são fundamentais para a integração eficiente entre o software de controle e os componentes eletrônicos da impressora 3D. Eles garantem a transmissão precisa de dados referentes a posição, velocidade e taxa de extrusão, evitando atrasos e erros de execução. Segundo Gibson, Rosen e Stucker (2015), os sistemas de manufatura aditiva utilizam protocolos como USB, Ethernet, RS-485 e Modbus, permitindo comunicação bidirecional e monitoramento remoto.
Em impressoras industriais, a integração com o software ocorre por meio do envio de instruções em G-code, interpretadas pelo firmware embarcado na placa controladora. De acordo com Bogue (2018), essa arquitetura facilita a atualização de parâmetros em tempo real e a compatibilidade com diversos tipos de hardware.
A utilização de redes locais e sistemas embarcados conectados via Wi-Fi ou IoT tem ampliado o controle à distância e o registro de dados operacionais. Desta maneira, a padronização dos protocolos de comunicação assegura interoperabilidade, confiabilidade e integração completa entre software e hardware, pilares indispensáveis para o desempenho das impressoras 3D na construção civil.
1.2.3 Comparativo entre impressoras 3D e métodos construtivos tradicionais
A comparação entre impressoras 3D e métodos construtivos tradicionais revela diferenças significativas em produtividade, custo, precisão e sustentabilidade.
Enquanto o processo convencional depende de grande volume de mão de obra e consumo intensivo de materiais, a manufatura aditiva utiliza deposição controlada, reduzindo desperdícios e tempo de execução.
Segundo Buswell et al. (2020), a impressão 3D pode diminuir o uso de concreto em até 60%, com economia de recursos e menor impacto ambiental. Além disso, permite a criação de geometrias complexas sem necessidade de fôrmas, o que representa uma revolução na concepção estrutural.
De acordo com De Schutter et al. (2018), a automação do processo elimina etapas intermediárias e proporciona maior previsibilidade nos prazos. No entanto, os métodos tradicionais ainda se destacam pela flexibilidade em diferentes tipos de materiais e pela familiaridade operacional.
Apesar das limitações de escala e padronização, a impressão 3D tende a superar gradualmente as abordagens convencionais, estabelecendo um novo paradigma produtivo baseado em eficiência, precisão e sustentabilidade construtiva.
1.2.3.1 Produtividade e velocidade de execução
A produtividade e a velocidade de execução são aspectos que destacam a impressão 3D frente aos métodos construtivos convencionais. O processo automatizado de deposição em camadas permite a execução contínua das estruturas, reduzindo significativamente o tempo total da obra. Segundo Buswell et al. (2020), impressoras de grande porte podem erguer paredes de edificações em menos de 24 horas, um desempenho até quatro vezes superior ao da construção manual.
A automação elimina pausas decorrentes de troca de equipes e etapas intermediárias, otimizando a logística de produção. De acordo com Bogue (2018), a integração entre software e hardware possibilita ajustar a velocidade de impressão conforme o tipo de material e o nível de detalhamento do projeto. Essa flexibilidade garante eficiência sem comprometer a qualidade dimensional.
Além disso, o ritmo constante da extrusão permite o planejamento de produções em série, ampliando o potencial industrial da construção civil.
1.2.3.2 Custos energéticos e operacionais
Os custos energéticos e operacionais da impressão 3D na construção civil apresentam-se, em geral, inferiores aos dos métodos convencionais, especialmente em projetos de médio e grande porte. A automação do processo reduz a dependência de mão de obra, diminui o desperdício de materiais e otimiza o uso de energia. Segundo De Schutter et al. (2018), a manufatura aditiva pode reduzir em até 30% o consumo energético total da obra, devido à eliminação de etapas como montagem de fôrmas e transporte de resíduos.
O controle digital permite ajustar a taxa de extrusão e o tempo de operação, evitando sobrecargas no sistema elétrico. Além disso, o uso de motores elétricos de alta eficiência e inversores de frequência contribui para o aproveitamento energético (Gibson et al., 2015).
No aspecto operacional, a necessidade de manutenção preventiva é menor, já que o processo ocorre de forma automatizada e monitorada por sensores, de forma que a impressão 3D demonstra-se economicamente vantajosa, combinando produtividade com redução de custos fixos e variáveis, o que a torna uma alternativa promissora para edificações sustentáveis e de baixo impacto ambiental.
1.2.3.3 Precisão dimensional e qualidade da superfície
A precisão dimensional e a qualidade da superfície são fatores determinantes para a confiabilidade estrutural das construções impressas em 3D. Esse nível de exatidão depende diretamente da calibração dos eixos, da uniformidade da extrusão e da configuração dos parâmetros de impressão. Segundo Gibson, Rosen e Stucker (2015), a precisão das impressoras de pórtico pode alcançar tolerâncias inferiores a 1 mm, o que garante excelente controle geométrico em estruturas de grande porte.
A qualidade superficial, por sua vez, é influenciada pelo diâmetro do bico extrusor e pela espessura das camadas depositadas. Estudos de Buswell et al. (2020) demonstram que ajustes no tempo de cura e na velocidade de deposição reduzem rugosidades e asseguram melhor acabamento.
Apesar de ainda apresentar limitações estéticas em relação aos métodos convencionais, a impressão 3D compensa por sua repetibilidade e consistência. A aplicação de técnicas de pós-processamento, como revestimentos e polimentos superficiais, tem aprimorado os resultados finais, consolidando métodos capazes de unir precisão dimensional com eficiência construtiva.
1.2.3.4 Requisitos de infraestrutura e instalação
Os requisitos de infraestrutura e instalação para impressoras 3D de grande porte diferem substancialmente daqueles exigidos por métodos construtivos convencionais. Essas máquinas demandam áreas niveladas, bases rígidas e sistemas de ancoragem capazes de suportar vibrações e movimentos de alta precisão. Segundo Buswell et al. (2020), a estabilidade do terreno é fundamental para garantir a exatidão dimensional durante a deposição do material.
Além disso, é necessária uma rede elétrica robusta, com alimentação trifásica e sistemas de proteção contra picos de tensão. O ambiente de instalação deve prever também a logística de armazenamento de materiais, bombas de alimentação e tubulações para transporte do concreto.
De acordo com De Schutter et al. (2018), a infraestrutura deve ser planejada para facilitar o deslocamento da impressora entre frentes de trabalho, reduzindo tempos de parada. Em alguns casos, a estrutura é modular, permitindo montagem e desmontagem rápida no canteiro, assegurando a eficiência, segurança e continuidade no processo construtivo com impressão 3D.
1.2.4 Desafios e limitações do hardware
Os desafios do hardware em impressoras 3D aplicadas à construção civil estão ligados à robustez mecânica, à confiabilidade operacional e à capacidade de funcionamento em condições adversas. Esses equipamentos precisam resistir à poeira, umidade e variações térmicas, exigindo componentes reforçados e sistemas de vedação adequados (Buswell et al., 2020).
A estabilidade estrutural também é crítica, pois vibrações mínimas podem comprometer o alinhamento das camadas durante longos ciclos de impressão. A manutenção da precisão depende de calibração constante e controle rigoroso de tolerâncias para evitar erros acumulativos (De Schutter et al., 2018).
Além disso, o grande porte das máquinas dificulta transporte e montagem em canteiros tradicionais, enquanto motores e rolamentos sofrem desgaste acelerado. A integração entre sensores e atuadores pode ser afetada por ruídos elétricos presentes no ambiente. Superar esses fatores é essencial para tornar a impressão 3D uma solução confiável e economicamente viável no setor construtivo.
1.2.4.1 Manutenção, calibração e estabilidade mecânica
A manutenção e a calibração periódica das impressoras 3D de grande porte são fundamentais para garantir sua estabilidade mecânica e precisão operacional.
Esses procedimentos asseguram que os eixos lineares, motores e sistemas de extrusão mantenham seu desempenho ideal ao longo do tempo. Segundo Gibson, Rosen e Stucker (2015), a calibração inadequada pode gerar desalinhamentos e erros acumulativos que comprometem a geometria das estruturas impressas.
A manutenção preventiva inclui inspeções regulares em rolamentos, guias, correias e componentes elétricos sujeitos a desgaste. Buswell et al. (2020) destacam que o acúmulo de poeira e o contato com umidade afetam diretamente a durabilidade do equipamento, exigindo lubrificação e limpeza constantes.
Além disso, a verificação da rigidez estrutural e o reaperto de conexões mecânicas são essenciais para evitar vibrações indesejadas. Sistemas automatizados de calibração, baseados em sensores ópticos e feedback digital, têm sido implementados para reduzir erros humanos. A manutenção e a calibração adequadas asseguram longevidade ao equipamento e precisão contínua no processo construtivo com impressão 3D.
1.2.4.2 Tolerâncias e erros de posicionamento
As tolerâncias e os erros de posicionamento representam um dos principais desafios na operação de impressoras 3D voltadas à construção civil. Esses erros decorrem de imprecisões nos sistemas de movimentação, variações no fluxo de extrusão e instabilidades estruturais durante o processo.
Segundo Buswell et al. (2020), desvios de apenas alguns milímetros podem comprometer o alinhamento entre as camadas, afetando a resistência mecânica e o acabamento da peça final. A calibração inadequada dos eixos ou a folga nos elementos de transmissão também podem gerar distorções geométricas. De acordo com Gibson, Rosen e Stucker (2015), a compensação de erros é possível por meio de algoritmos de controle em malha fechada e sensores de feedback de posição.
O uso de encoders de alta resolução e sistemas ópticos auxilia na correção em tempo real. Além disso, as tolerâncias precisam ser definidas conforme as propriedades reológicas do material e a escala da estrutura.
1.2.4.3 Confiabilidade em ambientes de obra
A confiabilidade das impressoras 3D em ambientes de obra está diretamente ligada à capacidade dos equipamentos de operar sob condições adversas sem perda de desempenho. Esses sistemas precisam manter estabilidade e precisão mesmo expostos à poeira, vibrações, variações térmicas e umidade.
Segundo De Schutter et al. (2018), o controle de parâmetros críticos, como temperatura do material e velocidade de extrusão, é essencial para evitar falhas de deposição. A durabilidade dos componentes mecânicos e eletrônicos depende de revestimentos protetores e sistemas de vedação adequados.
Além disso, as impressoras devem dispor de redundância em sensores e atuadores para compensar falhas eventuais. Buswell et al. (2020) destacam que a calibração em campo requer softwares adaptativos, capazes de ajustar automaticamente os parâmetros operacionais conforme o ambiente. A integração de sistemas de monitoramento remoto e diagnósticos automatizados também aumenta a confiabilidade operacional.
1.3 Softwares de modelagem, simulação e controle na impressão 3D
As perspectivas futuras para a impressão 3D na construção civil são amplamente positivas, impulsionadas pela automação, robótica e inteligência artificial. A tendência é que sistemas autônomos integrem sensores, atuadores e algoritmos de aprendizado de máquina, otimizando parâmetros de impressão em tempo real e reduzindo a intervenção humana (Buswell et al., 2020).
O avanço de materiais sustentáveis, como concretos geopoliméricos, amplia a eficiência estrutural e reduz emissões (Zhang et al., 2020). A integração com plataformas BIM também deve automatizar todo o ciclo construtivo, aumentando precisão e controle (Panda et al., 2018). Esses fatores reforçam o papel da manufatura aditiva na evolução do setor.
Apesar dos desafios, novas aplicações indicam um cenário ainda mais promissor. Pesquisas da NASA e ESA investigam o uso da tecnologia para construir habitats em Marte e na Lua, utilizando materiais locais como regolito (Cesaretti et al., 2014). No ambiente urbano, impressoras móveis e escaláveis devem ampliar o acesso à tecnologia e reduzir custos logísticos (Bogue, 2018).
A convergência entre software, hardware e inteligência artificial tende a consolidar o canteiro digital inteligente, no qual máquinas ajustam operações autonomamente (Gibson et al., 2015).
1.3.1 Etapas do fluxo digital de impressão 3D
O fluxo digital de impressão 3D é composto por um conjunto de etapas interligadas que convertem o modelo virtual em um objeto físico. Esse processo começa na modelagem em software CAD, passa pelo fatiamento do modelo tridimensional, segue pela geração do código de máquina (G-code) e termina no controle da impressora, responsável pela execução precisa da deposição do material. Cada uma dessas fases exige a integração de ferramentas computacionais específicas que garantem fidelidade geométrica e estabilidade mecânica durante a impressão.
De acordo com Gibson, Rosen e Stucker (2021), o domínio do fluxo digital é essencial para assegurar a qualidade da manufatura aditiva, especialmente quando aplicada à construção civil. Nessa área, a complexidade dos modelos, as dimensões estruturais e as propriedades dos materiais exigem um rigoroso controle das etapas digitais para evitar erros acumulativos que comprometam a execução física.
1.3.1.1 Modelagem em CAD
A modelagem em CAD (Computer-Aided Design) é o ponto de partida do processo de impressão 3D. Por meio dessa ferramenta, o projetista desenvolve o modelo digital da estrutura, definindo dimensões, geometria e propriedades físicas. Softwares como AutoCAD, SolidWorks, Fusion 360 e Rhinoceros 3D são amplamente utilizados nessa fase, oferecendo recursos de parametrização e compatibilidade com formatos tridimensionais (como STL e OBJ).
A precisão na modelagem influencia diretamente a qualidade da impressão final. Erros de geometria, superfícies abertas ou falhas de malha podem gerar interrupções ou deformações durante a deposição do material. Por isso, os softwares CAD modernos incorporam rotinas automáticas de verificação de integridade e correção de malhas, garantindo que o arquivo gerado esteja pronto para o fatiamento.
Segundo Bock e Linner (2016), o uso de modelagem paramétrica e algoritmos generativos permite explorar formas arquitetônicas complexas, impossíveis de executar pelos métodos tradicionais. Essa flexibilidade é um dos fatores que tornam a manufatura aditiva especialmente atrativa para o setor da construção.
1.3.1.2 Fatiamento e geração de G-code
Após a modelagem, o arquivo tridimensional é submetido ao processo de fatiamento, no qual o modelo é dividido em camadas bidimensionais sucessivas. Essa etapa converte o modelo CAD em um conjunto de instruções de máquina, denominadas G-code, que definem o caminho da extrusora, a velocidade de deposição e a taxa de alimentação do material.
Softwares como Cura, Slic3r, Simplify3D e PrusaSlicer são amplamente utilizados para o fatiamento de modelos. Eles permitem ajustar parâmetros como espessura de camada, preenchimento interno, temperatura de extrusão e retração. A qualidade do G-code gerado influencia diretamente a precisão geométrica e a estabilidade da estrutura impressa.
Conforme Tay et al. (2017), o fatiamento otimizado é um dos principais fatores que determinam o desempenho estrutural de componentes impressos em concreto. Pequenas variações de trajetória podem gerar defeitos de aderência entre camadas, comprometendo a resistência final do material.
1.3.1.3 Simulação e análise estrutural
A simulação é uma etapa intermediária entre o fatiamento e a execução, permitindo prever o comportamento do material e do equipamento antes da impressão real. Softwares como ANSYS, Abaqus e COMSOL Multiphysics são empregados para analisar tensões, deformações e fluxo térmico durante o processo de deposição.
Essas simulações auxiliam na identificação de possíveis falhas, como colapsos, retrações ou variações de densidade. Além disso, permitem ajustar parâmetros de controle, como velocidade, temperatura e trajetórias, garantindo maior estabilidade ao processo.
De acordo com Mechtcherine et al. (2020), a integração entre modelagem e simulação constitui o principal diferencial competitivo da manufatura aditiva na construção civil, pois possibilita a previsão de comportamento estrutural antes mesmo da execução física, otimizando tempo e recursos.
1.3.1.4 Softwares de controle de impressora
Os softwares de controle são responsáveis pela interface entre o computador e a impressora 3D. Eles interpretam o G-code e enviam comandos elétricos aos motores, sensores e atuadores que compõem o sistema de impressão. Programas como Repetier-Host, OctoPrint, MatterControl e Marlin Firmware são amplamente utilizados nessa fase.
Essas ferramentas permitem o monitoramento em tempo real dos parâmetros de impressão, como temperatura, posição e velocidade dos eixos, além de registrar dados de desempenho. Em impressoras de grande porte aplicadas à construção, o controle deve considerar aspectos adicionais, como variação de pressão no cabeçote extrusor e estabilidade estrutural da base.
Segundo Panda et al. (2018), o avanço dos sistemas de controle em tempo real, aliados a sensores inteligentes, tende a eliminar falhas humanas e aumentar a repetibilidade do processo, consolidando o conceito de canteiro digital automatizado.
1.3.2 Comparação entre softwares
A análise comparativa entre softwares de modelagem, fatiamento e controle permite identificar quais soluções oferecem maior precisão, eficiência e estabilidade durante o processo de impressão 3D. Cada software apresenta vantagens específicas relacionadas ao desempenho computacional, à usabilidade da interface e à compatibilidade com diferentes formatos de arquivo e impressoras.
Figura 2 – Comparação entre softwares de impressão 3D

Fonte: Autoral (2025).
1.3.2.1 Desempenho e precisão
O desempenho está associado à capacidade do software em processar modelos complexos e gerar trajetórias otimizadas sem comprometer o tempo de cálculo. Softwares como Simplify3D e PrusaSlicer são reconhecidos pela eficiência na geração de G-code, permitindo alta precisão e menor incidência de falhas durante a impressão.
Segundo Bogue (2018), a precisão dimensional obtida depende não apenas do algoritmo de fatiamento, mas também da calibração do sistema mecânico e do controle de temperatura. Portanto, o desempenho do software deve ser avaliado em conjunto com o hardware e o material utilizado.
1.3.2.2 Interface e facilidade de uso
A interface gráfica dos softwares de impressão 3D deve ser intuitiva, permitindo ajustes rápidos e visualização tridimensional clara do modelo. Ferramentas como Cura e MatterControl destacam-se pela usabilidade, especialmente para usuários iniciantes e equipes multidisciplinares.
Segundo Gibson et al. (2015), interfaces bem projetadas reduzem o tempo de preparação do arquivo e diminuem erros operacionais, tornando o processo mais eficiente e acessível a diferentes perfis de profissionais.
1.3.2.3 Compatibilidade com formatos e impressoras
A compatibilidade é um critério essencial, pois define a capacidade do software de interagir com diferentes modelos de impressoras e formatos de arquivo. Programas como Repetier-Host e OctoPrint suportam ampla variedade de firmwares e padrões industriais, o que facilita sua aplicação em equipamentos personalizados.
Lim et al. (2018) afirmam que a interoperabilidade entre softwares e impressoras é fundamental para o avanço da manufatura aditiva em larga escala, garantindo flexibilidade e reduzindo a dependência de sistemas proprietários.
1.3.2.4 Recursos avançados
Os softwares modernos oferecem funções adicionais como otimização automática de trajetórias, controle adaptativo de extrusão e monitoramento remoto via rede. Esses recursos elevam a eficiência e a segurança do processo, permitindo intervenções rápidas em tempo real.
De acordo com Panda et al. (2018), a incorporação de algoritmos de aprendizado de máquina e análise preditiva representa a próxima etapa evolutiva dos softwares de controle, favorecendo maior autonomia e precisão no ambiente de impressão.
1.3.3 Integração software–hardware
A integração entre software e hardware é o elo central do processo de impressão 3D, pois garante que as instruções digitais sejam convertidas corretamente em movimentos físicos e controle de material. Essa comunicação depende de protocolos precisos que sincronizam motores, sensores e atuadores com o código de controle gerado na etapa de fatiamento.
Conforme Mechtcherine et al. (2020), a eficiência dessa integração influencia diretamente a qualidade estrutural da peça impressa, uma vez que qualquer atraso na resposta do sistema pode gerar falhas de aderência, variações dimensionais e irregularidades superficiais.
1.3.3.1 Comunicação via G-code e firmware
O G-code é o principal meio de comunicação entre o software e a impressora, contendo as instruções de trajetória e parâmetros operacionais. Esse código é interpretado pelo firmware, responsável por traduzir os comandos em sinais elétricos para motores e extrusores.
Segundo Gibson, Rosen e Stucker (2021), a estabilidade do firmware e sua compatibilidade com o G-code são fatores determinantes para garantir consistência e repetibilidade no processo de impressão, especialmente em impressoras de grande porte.
1.3.3.2 Controle em tempo real e sincronização de movimentos
O controle em tempo real permite ajustar dinamicamente variáveis como temperatura, velocidade e fluxo de material durante a impressão. Essa capacidade depende de sensores de alta resposta e algoritmos de controle embutidos no software.
Lim et al. (2018) destacam que a sincronização de movimentos entre os eixos e o extrusor é essencial para evitar deformações e falhas intercamadas, assegurando qualidade dimensional e melhor acabamento superficial.
1.3.3.3 Monitoramento e feedback por sensores
O uso de sensores integrados possibilita a coleta de dados sobre vibração, temperatura e pressão do material, criando um sistema de feedback contínuo. Essa retroalimentação é essencial para corrigir desvios e prevenir falhas em tempo real.
De acordo com Buswell et al. (2020), a implementação de sistemas de monitoramento inteligentes, aliados a algoritmos de controle adaptativo, permite aumentar a confiabilidade da impressão 3D e reduzir significativamente o retrabalho em ambiente construtivo.
1.3.4 Desafios computacionais
Os desafios computacionais na impressão 3D aplicada à construção civil envolvem limitações de hardware, interoperabilidade entre softwares e o processamento de modelos complexos em grande escala. Esses fatores podem comprometer a eficiência e a precisão das simulações, exigindo otimização constante dos algoritmos e recursos computacionais.
Conforme Zhang et al. (2020), a complexidade dos modelos estruturais e o volume de dados gerados durante o processo digital exigem sistemas com alta capacidade de processamento paralelo e integração de inteligência artificial para análise preditiva e correção automática de falhas.
1.3.4.1 Interoperabilidade entre softwares
A interoperabilidade é um dos principais obstáculos da manufatura aditiva, pois diferentes softwares utilizam formatos e protocolos distintos. A falta de padronização pode causar incompatibilidades entre modelagem, simulação e controle, dificultando o fluxo contínuo de dados.
Segundo Panda et al. (2018), o desenvolvimento de plataformas abertas e compatíveis com diversos formatos é fundamental para viabilizar a integração entre sistemas CAD, BIM e impressoras 3D industriais, promovendo maior eficiência e automação.
1.3.4.2 Falhas de calibração e comunicação
Falhas de calibração ocorrem quando há inconsistência entre os parâmetros definidos no software e o comportamento físico da impressora. Isso pode resultar em deslocamentos, deformações ou interrupções no processo. A comunicação inadequada entre firmware e controlador também representa risco de perda de dados.
De acordo com Gibson et al. (2015), a implementação de rotinas automáticas de calibração e protocolos de comunicação redundantes é essencial para garantir precisão e segurança em impressoras de grande porte, especialmente em ambientes de obra.
1.3.4.3 Processamento de grandes modelos e simulações complexas
Modelos arquitetônicos em escala real demandam grande capacidade de processamento gráfico e computacional. O detalhamento geométrico e o volume de dados das simulações estruturais podem causar lentidão ou travamentos, comprometendo o desempenho dos softwares.
Conforme Mechtcherine et al. (2020), o uso de técnicas de computação em nuvem e renderização distribuída tem se mostrado uma solução eficiente, permitindo o processamento de modelos extensos e a execução simultânea de simulações em tempo real.
1.4 Benefícios e limitações observados
A aplicação da impressão 3D na construção civil oferece benefícios expressivos, especialmente no que se refere à redução de custos, sustentabilidade e eficiência operacional.
Figura 3 – Redução de resíduos, economia de tempo e material

A impressão 3D na construção civil apresenta benefícios expressivos, como o uso preciso de materiais, a redução de desperdícios e a diminuição da pegada de carbono, atendendo às metas globais de sustentabilidade (Perrot et al., 2019). A modelagem paramétrica e o design generativo permitem criar geometrias complexas e estruturas otimizadas que seriam inviáveis por métodos tradicionais (Gibson et al., 2015).
Além disso, a automação pode reduzir custos operacionais em até 30% e aumentar a segurança nos canteiros, diminuindo a necessidade de mão de obra intensiva (Buswell et al., 2020). Esses fatores reforçam a impressão 3D como alternativa eficiente e inovadora. Sua aplicação amplia o potencial arquitetônico e estrutural das obras.
Entretanto, persistem limitações técnicas e econômicas que dificultam a adoção em larga escala. O alto investimento inicial, a necessidade de materiais específicos e as incertezas quanto à durabilidade das construções impressas ainda representam desafios relevantes (De Schutter et al., 2018). A ausência de normas técnicas consolidadas impede a certificação adequada das edificações e limita sua aceitação institucional (Perrot et al., 2019). Problemas de interoperabilidade entre softwares, falhas de calibração e baixa precisão em ambientes não controlados também são obstáculos importantes (Bogue, 2018).
Ainda assim, os avanços contínuos em materiais, modelagem digital e automação indicam um cenário promissor para a consolidação da tecnologia.
1.5 Perspectivas futuras
As perspectivas futuras para a impressão 3D na construção civil são amplamente positivas e apontam para uma transformação profunda do setor. Com o avanço da robótica e da inteligência artificial, espera-se que os processos de modelagem e simulação se tornem cada vez mais automatizados, reduzindo a necessidade de intervenção humana (Buswell et al., 2020). A tendência é que sistemas autônomos integrem sensores, atuadores e algoritmos de aprendizado de máquina para otimizar parâmetros de impressão em tempo real.
A utilização de novos materiais sustentáveis também representa um campo de grande expansão. Pesquisas desenvolvidas por Zhang et al. (2020) destacam o potencial dos concretos geopoliméricos e misturas à base de cinzas volantes e fibras naturais, que reduzem emissões e aumentam a resistência mecânica. Esses materiais, combinados com softwares de simulação avançada, possibilitam a criação de estruturas mais leves e duráveis.
Outro ponto promissor é a integração da manufatura aditiva com tecnologias de Building Information Modeling (BIM). Segundo Panda et al. (2018), essa convergência permitirá a automação completa do ciclo construtivo, desde o projeto até a execução e manutenção da edificação. A interoperabilidade entre softwares BIM e impressoras 3D trará ganhos expressivos de precisão e controle de qualidade.
A construção em ambientes extremos, como regiões áridas ou até mesmo missões espaciais, também tem sido objeto de estudo. A NASA e a ESA já investigam a possibilidade de utilizar impressão 3D para construir habitats em Marte e na Lua, empregando materiais locais como regolito (Cesaretti et al., 2014). Essa pesquisa abre caminho para o uso da tecnologia em contextos adversos e sustentáveis.
No cenário urbano, prevê-se a adoção crescente de impressoras móveis e escaláveis, capazes de atuar em diferentes frentes de obra simultaneamente. Conforme Bogue (2018), essa descentralização reduzirá custos logísticos e ampliará a acessibilidade tecnológica, permitindo que pequenas e médias construtoras também adotem a manufatura aditiva.
Finalmente, a convergência entre software, hardware e inteligência artificial deverá consolidar um novo paradigma construtivo: o canteiro digital inteligente, onde máquinas imprimem, monitoram e ajustam autonomamente suas operações (Gibson et al., 2015).
CONCLUSÃO
A análise conduzida ao longo deste trabalho permitiu compreender como os softwares de modelagem, fatiamento e simulação influenciam o desempenho da impressão 3D aplicada à construção civil. A partir do estudo comparativo entre diferentes plataformas, constatou-se que a eficiência do processo depende diretamente da precisão geométrica, da qualidade da simulação estrutural e da capacidade de integração com sistemas de controle e tecnologias digitais emergentes. Dessa forma, tornou-se possível responder ao problema de pesquisa, identificando quais ferramentas apresentam maior potencial para aplicações em larga escala no setor.
Os resultados indicam que softwares baseados em modelagem paramétrica e em ambientes BIM destacam-se pela geração de modelos precisos, compatíveis com análises avançadas e ajustes automáticos de parâmetros. Ferramentas de fatiamento que oferecem controle refinado da trajetória, velocidade e taxa de extrusão mostraram-se essenciais, especialmente quando adaptadas a materiais cimentícios. Além disso, plataformas que incorporam simulações térmicas, mecânicas e reológicas demonstraram vantagens ao prever deformações e falhas de deposição. Assim, a combinação entre BIM, simulação estrutural e fatiamento avançado constitui o conjunto de melhor desempenho.
Os objetivos da pesquisa foram alcançados ao demonstrar que a escolha adequada do software impacta diretamente a qualidade da geometria impressa, o
tempo de produção e a estabilidade do processo construtivo. A integração entre softwares de modelagem e sistemas de controle das impressoras revelou-se fundamental para assegurar precisão dimensional e repetibilidade. Observou-se, ainda, que plataformas compatíveis com análise paramétrica e simulação dinâmica oferecem melhores condições para otimizar projetos e reduzir desperdícios, alinhando-se aos princípios contemporâneos de sustentabilidade e eficiência.
Conclui-se, portanto, que os softwares mais adequados à impressão 3D na construção civil são aqueles que combinam modelagem paramétrica, interoperabilidade BIM, simulação avançada e ferramentas de fatiamento específicas para materiais extrudáveis. Essa integração proporciona maior precisão, melhor desempenho estrutural e atendimento às exigências do processo aditivo determinante para consolidar a impressão 3D como tecnologia viável, eficiente e competitiva no setor construtivo.
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