AUTOMATION OF PALLET-RACK DESIGN: AN INDUSTRY-APPLIED FRAMEWORK INTEGRATING AGILE METHODS AND ENGINEERING STANDARDS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202601202142
Leticia Col Debella Santos1
Marina Bernarski2
RESUMO
Este estudo analisa a implementação de um software desenvolvido para automatizar o desenvolvimento de projetos de porta-paletes em uma empresa metalúrgica, integrando metodologias ágeis com práticas estruturadas de gestão de projetos. A iniciativa está organizada em quatro fases sequenciais — geração automatizada de plantas baixas, visualizações técnicas, lista de materiais e modelagem 3D — com o suporte de entregas iterativas e validação contínua. A pesquisa descreve o escopo do projeto, o mapeamento das partes interessadas, os recursos, os riscos, o plano de qualidade e a estrutura financeira, enfatizando como as práticas ágeis aprimoram a transparência, a adaptabilidade e a eficiência operacional. Os resultados incluem uma redução significativa no tempo de execução do projeto, a eliminação de erros quantitativos manuais, a melhoria na padronização do projeto e o aumento da produtividade nos fluxos de trabalho de engenharia e produção. O projeto contribui para a estratégia de transformação digital da empresa, fortalecendo a confiabilidade técnica e possibilitando a automação escalável de processos.
Palavras-chave: Metodologias ágeis; Automação de projetos; Estantes porta-paletes.
ABSTRACT
This study analyzes the implementation of software designed to automate pallet-rack project development within a metalworking company, integrating agile methodologies with structured project management practices. The initiative is organized into four sequential phases—automated floor plan generation, technical views, bill of materials, and 3D modeling—supported by iterative deliveries and continuous validation. The research outlines the project scope, stakeholder mapping, resources, risks, quality plan, and financial structure, emphasizing how agile practices enhance transparency, adaptability, and operational efficiency. Expected outcomes include a significant reduction in project lead time, elimination of manual quantitative errors, improvement in design standardization, and increased productivity across engineering and production workflows. The project contributes to the company’s broader digital transformation strategy by strengthening technical reliability and enabling scalable process automation.
Keywords: Agile methodologies; Project automation; Pallet racking.
1. INTRODUÇÃO
Em um cenário de avanços tecnológicos constantes, a gestão de projetos tem se tornado um princípio fundamental para as empresas que buscam eficiência, qualidade e vantagem competitiva. A utilização de metodologias ágeis e o uso de softwares específicos vêm sendo aplicados em diferentes áreas para otimizar processos, minimizar custos e garantir resultados efetivos (CHEA E BAI, 2020; VIEIRA et al. 2023).
De acordo com o PMBOK – Project Management Body of Knowledge (2021), a gestão de projetos envolve a utilização de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades de um projeto, de forma a atender as suas necessidades. Essa definição é fundamental na estruturação das práticas de gestão em áreas como escopo, tempo, custos, qualidade, riscos, comunicação, aquisições e partes interessadas. Além disso, ela considera processos que acontecem ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, que inclui iniciação, planejamento, execução, monitoramento e encerramento. Dessa forma, a gestão de projetos, segundo o PMBOK, exerce a função de um sistema integrado de boas práticas tendo como objetivo transformar ideias em resultados concretos e de valor, minimizando incertezas, melhorando recursos e ampliando as chances de sucesso dos empreendimentos (RIGBY et al., 2016; BARROS et al., 2024).
Nesse contexto, o presente trabalho aborda a implantação de um software para a elaboração de projetos de porta paletes em uma metalúrgica. O objetivo central consiste em analisar de que maneira a aplicação da gestão de projetos, associada às metodologias ágeis, contribui para estruturar e acompanhar as etapas de desenvolvimento da ferramenta, gerando ganhos de produtividade, redução de erros e maior padronização nos projetos técnicos. A aplicação do software será realizada na empresa BR7 Sistemas de Armazenagem, fundada em 2011 na cidade de Ponta Grossa, Paraná, caracterizada como uma microempresa especializada na fabricação de estruturas metálicas, com destaque para porta-pallets e sistemas de armazenagem.
O desenvolvimento do software permite que os modelos de porta paletes estejam previamente cadastrados e, a partir da aplicação de medidas e quantidades, gere automaticamente quatro entregáveis que foram divididas em quatro fases (Jamil e Razali, 2021):
- Fase 01: Projeto da planta baixa;
- Fase 02: Projeto das vistas do projeto;
- Fase 03: Lista de materiais necessários para a produção e montagem;
- Fase 04: Projeto do modelo 3D.
O projeto teve início em 08 de abril de 2025, com previsão de término da primeira fase em 30 de setembro do mesmo ano. O investimento inicial para a Fase 01 foi de R$4.500,00, contemplando mão de obra, software e treinamento. As próximas fases tendem a manter valores próximos.
A relevância deste projeto justifica-se pela necessidade de superar uma lacuna existente: a elaboração manual de projetos tem demandado muito tempo de execução, gerando inconsistências e dificuldade de padronização. A automação dos processos na fase projeto pode proporcionar maior rapidez, precisão e confiabilidade. Sabendo disso, podemos destacar os principais objetivo (GARCIA et al., 2024; CINKUSZ et al., 2025):
- Reduzir o tempo de elaboração dos projetos em 40% a 50%;
- Eliminar erros resultantes de quantitativos manuais;
- Aumentar a padronização dos desenhos e listas de materiais;
- Integrar metodologias ágeis no acompanhamento do projeto.
2. DESCRIÇÃO METODOLÓGICA
A metodologia adotada neste estudo foi estruturada como uma abordagem aplicada de gestão de projetos, concebida para planejar, monitorar e validar a implementação do software para automatizar o projeto de porta-paletes. O processo iniciou-se com a elaboração do Termo de Abertura do Projeto (Item 1), que delineou os objetivos, o escopo preliminar, o cronograma, as entregas, a estrutura da equipe, o orçamento e os riscos iniciais do projeto. Em seguida, foi realizado um Mapeamento de Stakeholders (Item 2), identificando os principais atores e avaliando seus respectivos níveis de influência e interesse.
Com base nessas definições, foi estabelecida a Declaração de Escopo (Item 3), detalhando os limites, as premissas e as restrições do projeto. A etapa seguinte envolveu a definição dos Recursos do Projeto (Item 4), abrangendo os recursos materiais, humanos e financeiros necessários para o desenvolvimento do sistema. A seguir, foi formulado um Plano de Gestão de Fornecedores (Item 5), especificando as responsabilidades, as etapas de desenvolvimento e os critérios de validação para o fornecedor do software. O estudo, então, delineou a Estrutura de Investimentos (Item 6), organizada em despesas faseadas alinhadas ao progresso do projeto. Além disso, um processo abrangente de Gestão de Riscos (Item 7) foi implementado para identificar, analisar e mitigar potenciais ameaças ao projeto. Para garantir o alinhamento contínuo entre as partes interessadas, um Plano de Comunicação (Item 8) foi definido, abrangendo canais de comunicação, frequência e responsáveis.
Por fim, um Plano de Qualidade (Item 9) foi desenvolvido para estabelecer padrões técnicos, critérios de desempenho e procedimentos de teste a serem aplicados em todas as fases de desenvolvimento. Em conjunto, essa sequência metodológica forneceu orientação sistemática, assegurou mecanismos de controle adequados e aprimorou a rastreabilidade das decisões ao longo do processo de implementação do software.
2.1 TERMO DE ABERTURA
2.1.1 Objetivo geral
O projeto tem como propósito automatizar a criação de projetos de porta-paletes, proporcionando maior produtividade, redução de erros e padronização de alguns processos. Essa iniciativa busca não apenas agilizar o desenvolvimento dos projetos, mas também estabelecer uma base técnica confiável que sirva de suporte para as áreas de produção e comercialização da estrutura.
2.1.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
Os objetivos definidos são mensuráveis e direcionados para resultados concretos, como a redução significativa no tempo de elaboração de projetos, a padronização dos projetos e a geração automática e confiável de listas de materiais. Entretanto, foram identificados alguns riscos que podem gerar interferências e deverão ser monitorados durante a execução do projeto. Entre eles estão a resistência à mudança por parte dos colaboradores, possíveis falhas técnicas no desenvolvimento do software e dificuldades de integração com sistemas já existentes na metalúrgica.
2.1.3. CRONOGRAMA
O cronograma geral do projeto teve início em 08 de abril de 2025, com a conclusão da primeira fase em 30 de setembro de 2025. A fase 2 está prevista para novembro de 2025, a fase 3 para janeiro de 2026 e a fase 4 para março de 2026.
Tabela 1 – Cronograma de entregas

2.1.4. Entregáveis
Dos principais entregáveis do projeto, pode-se destacar:
• a elaboração de planta baixa automatizada,
• a disponibilização de vistas frontal e lateral,
• a geração automática de listas de materiais e
• a criação de modelos tridimensionais (3D) dos projetos de porta-paletes.
2.1.5. Time do projeto
O projeto será conduzido por meio de reuniões quinzenais de acompanhamento, sendo feitas entregas parciais do software, ou seja, a cada duas semanas, será possuída uma nova versão do aplicativo e automaticamente já implantada para teste.
2.1.6. Orçamento
O investimento inicial para execução da primeira fase foi de R$4.500,00, havendo previsão de valores semelhantes para as fases subsequentes, compondo um orçamento de caráter incremental.
2.1.7. Riscos preliminares
Foram identificados alguns riscos que podem afetar o andamento do projeto. Entre eles, destacam-se a resistência dos usuários à adoção da nova ferramenta, possíveis falhas técnicas no desenvolvimento do aplicativo e atrasos na entrega do fornecedor. Esses riscos serão acompanhados ao longo do projeto para que ações corretivas sejam tomadas quando necessário.
2.2 MAPEAMENTO DOS STAKEHOLDERS
No presente projeto, foram identificados como stakeholders principais:
- Diretoria da BR7, que atua como patrocinador.
- Engenharia responsável pelo direcionamento estratégico e validador técnico do sistema.
- A equipe de projetos que desempenha papel essencial como usuário.
- Empresa terceira (Softgraf), responsável pelo desenvolvimento e implementação do software.
- O setor de produção que fará uso da solução desenvolvida para a fabricação das peças.
- Os clientes, que serão beneficiados indiretamente pela maior agilidade na entrega de projetos.
A análise de influência e interesse permitiu estruturar os stakeholders em uma matriz de classificação, conforme apresentado na figura 1. No quadrante de alta influência e alto interesse estão a diretoria e a equipe de engenharia, considerados atores críticos para o bom êxito do projeto. Os clientes estratégicos situam-se em alta influência e baixo interesse, ainda que não participem ativamente do desenvolvimento, possuem impacto significativo sobre a aceitação dos resultados. Já os usuários finais, como equipe de projetos e produção, encontram-se na categoria de baixa influência e alto interesse, pois sua rotina de trabalho será diretamente impactada pelo novo sistema. Por fim, os concorrentes podem ser considerados de baixa influência e baixo interesse, dado que não participam do processo, mas acompanham os movimentos de mercado consequentes da inovação.
Figura 1 – Matriz influência x interesse

2.3 DECLARAÇÃO DE ESCOPO
O escopo do projeto foi definido de forma a contemplar as entregas essenciais para a automatização da elaboração de projetos de porta-paletes. Estão incluídas no projeto as atividades de desenvolvimento do software em quatro fases distintas: planta baixa, vistas (frontal e lateral), lista de materiais e modelo 3D além da realização de treinamentos direcionados aos projetistas e a execução de testes e validações internas, assegurando a qualidade e a aderência da solução aos requisitos técnicos (GEYER, 2012).
Por outro lado, não fazem parte do escopo a integração do sistema com plataformas externas, como ERP ou CRM, nem a manutenção contínua após a fase de implantação, ficando estas atividades a cargo de projetos futuros.
Entre as premissas estabelecidas destacam-se a disponibilidade de orçamento médio de R$4.500,00 por fase de desenvolvimento, bem como a participação ativa da equipe de engenharia, especialmente nas etapas de validação técnica.
As restrições identificadas referem-se à obrigatoriedade de cumprimento de prazos quinzenais de entrega e à limitação de recursos financeiros, fatores que exigem planejamento detalhado e gestão rigorosa para que o projeto alcance seus objetivos dentro dos parâmetros definidos.
Estão fora do escopo do projeto todas as atividades relacionadas à integração do software com plataformas externas, como sistemas ERP ou CRM. Também não serão contemplados desenvolvimentos adicionais que extrapolem as quatro fases previstas (planta baixa, vistas, lista de materiais e modelo 3D) ficando esses itens reservados para iniciativas futuras caso a empresa opte por expandir as funcionalidades do sistema.
2.4 RECURSOS DO PROJETO
Os recursos necessários para a execução do projeto de implantação do software de elaboração de projetos de porta paletes foram estruturados em três categorias principais: materiais, humanos e financeiros, cada uma desempenhando papel essencial para o sucesso da automatização de projetos (ROSSI e ZAVANELA, 2018).
No que se refere aos recursos materiais, destacam-se os notebooks, servidores e licenças de software que serão utilizados para as atividades de programação, modelagem e testes.
Quanto aos recursos humanos, o projeto conta com um time multidisciplinar composto por profissionais da equipe da BR7, responsáveis pela validação técnica dos resultados e definição dos parâmetros estruturais dos sistemas de armazenagem. Além disso, há o apoio de uma equipe terceirizada especializada em desenvolvimento de sistemas, cuja experiência técnica e visão estratégica contribuem diretamente para a qualidade das entregas.
A seleção e o desenvolvimento das competências dos colaboradores seguem o modelo de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes, que busca equilibrar a formação técnica, a capacidade operacional e o comportamento profissional. Dessa forma, os profissionais envolvidos devem possuir conhecimento técnico em projetos e domínio de ferramentas CAD, além de habilidade para trabalhar sob metodologias ágeis, promovendo entregas iterativas e melhorias contínuas.
No âmbito dos recursos financeiros, o projeto está organizado em fases de investimento previamente planejadas, possibilitando um controle mais eficaz sobre o fluxo de caixa e a alocação orçamentária. Cada etapa de desenvolvimento conta com um orçamento definido antecipadamente, o que permite à gestão acompanhar a relação custo-benefício das entregas e avaliar o retorno esperado em produtividade e eficiência. Além disso, a previsão financeira contempla custos diretos, como licenças e serviços de desenvolvimento, e indiretos, como treinamentos e suporte técnico. Essa abordagem possibilita maior transparência e previsibilidade dos gastos, reduzindo o risco de desvios e garantindo sustentabilidade econômica ao longo do projeto.
2.5 GESTÃO DE FORNECEDORES
O principal fornecedor do projeto é a empresa Softgraf, responsável pelo desenvolvimento do software de elaboração de projetos de porta paletes, cuja atuação é considerada um fator crítico para o sucesso da iniciativa. A escolha desse parceiro estratégico foi resultado de uma análise de mercado, levando em conta aspectos técnicos e operacionais. A parceria foi firmada com base em um contrato de prestação de serviços dividido em etapas de entrega (sprints), permitindo maior controle sobre a evolução do produto e reduzindo riscos de atraso ou desvio de escopo.
O acompanhamento das atividades é realizado por meio de entregas quinzenais, que funcionam como pontos de controle para avaliação do progresso do fornecedor. Cada entrega é submetida à validação técnica da equipe de engenharia da BR7, que verifica a conformidade das funcionalidades desenvolvidas, o desempenho do software e a aderência às normas técnicas de armazenagem. Essa abordagem iterativa, inspirada em metodologias ágeis, garante transparência, flexibilidade e agilidade no processo de desenvolvimento, permitindo ajustes rápidos e decisões mais assertivas.
Além disso, são realizadas reuniões de alinhamento e acompanhamento do progresso entre o gerente de projetos, e o representante da Softgraf. Essas reuniões têm como objetivo avaliar o status das atividades, discutir eventuais dificuldades e propor melhorias contínuas. Por meio delas, é possível identificar riscos, gargalos técnicos e oportunidades de otimização, assegurando que o cronograma e o orçamento sejam cumpridos conforme o planejado.
Para garantir a qualidade das entregas, foi estabelecido um modelo de acompanhamento conjunto, no qual cada fase do projeto deve ser aprovada formalmente pela equipe da BR7 antes do início da próxima etapa. Essa prática evita acúmulo de erros e assegura que o desenvolvimento avance de forma controlada.
O contrato firmado também contempla a prestação de suporte técnico pós-implantação, garantindo a continuidade operacional e o aperfeiçoamento da ferramenta. Esse suporte inclui correções de eventuais falhas, atualizações de segurança e melhorias de interface. Dessa forma, assegura-se que o software mantenha sua eficiência e alinhamento com as necessidades em constante evolução da empresa.
A relação com o fornecedor é pautada por uma gestão de relacionamento estratégica, na qual a BR7 busca não apenas o cumprimento contratual, mas também uma parceria de longo prazo baseada em confiança, inovação e melhoria contínua. Essa abordagem fortalece a cadeia de valor do projeto e garante que a tecnologia desenvolvida gere vantagem competitiva sustentável para a organização, consolidando a Softgraf como um parceiro-chave na jornada de transformação digital da BR7 Sistemas de Armazenagem.
2.6 INVESTIMENTOS
O investimento previsto para a implantação do software de elaboração de projetos de porta paletes foi planejado considerando a sustentabilidade financeira e a viabilidade técnica do projeto dentro da realidade da BR7 Sistemas de Armazenagem. A estrutura orçamentária foi dividida em quatro fases principais, de modo a garantir um controle progressivo dos custos e a compatibilidade com o avanço das entregas. A Fase 01 representou o desenvolvimento inicial do sistema, com investimento já realizado de R$4.500,00, destinado à criação da interface básica e à automatização da planta baixa. As Fases 02, 03 e 04, com previsão de R$4.500,00 cada, abrangem respectivamente o desenvolvimento das vistas (frontal, lateral e superior), a geração automática da lista de materiais e, por fim, a modelagem tridimensional (3D). Assim, o valor total estimado para a conclusão integral do projeto varia entre R$18.000,00 e R$20.000,00, podendo sofrer pequenos ajustes conforme as necessidades técnicas identificadas ao longo do desenvolvimento.
O fluxo de caixa do projeto foi estruturado de maneira a acompanhar o avanço físico das entregas, com desembolsos realizados a cada finalização de fase. Esse modelo de pagamento por etapa reduz riscos financeiros e permite uma gestão mais eficaz dos recursos, pois os investimentos são diretamente condicionados à validação dos resultados parciais. Além disso, esse formato contribui para uma melhor previsibilidade orçamentária, facilitando o controle das despesas e a tomada de decisão por parte da diretoria.
Embora o projeto não preveja retorno financeiro imediato, os benefícios indiretos são significativos. Entre eles destacam-se: a redução do tempo de elaboração de projetos, a eliminação de retrabalhos, a padronização de processos técnicos e o aumento da produtividade das equipes de engenharia e comercial. Esses ganhos refletem diretamente na competitividade da empresa, permitindo uma resposta mais rápida às demandas do mercado e maior assertividade nas propostas comerciais.
Além disso, o projeto possui um valor estratégico, pois insere a BR7 em um contexto de transformação digital e inovação tecnológica, fortalecendo sua imagem no setor de sistemas de armazenagem e abrindo caminho para futuras integrações com plataformas de orçamentos e ERP. A partir dessa iniciativa, a empresa passa a adotar práticas de automação inteligente, o que tende a reduzir custos operacionais no médio prazo e aumentar a rentabilidade geral do negócio.
Por fim, o investimento deve ser visto não apenas como um gasto pontual, mas como uma alavanca de crescimento organizacional. A adoção de um software próprio e personalizado confere à empresa maior autonomia tecnológica, favorece a tomada de decisões baseada em dados e contribui para a sustentabilidade e escalabilidade dos processos internos. Assim, o retorno sobre o investimento se traduz em eficiência operacional, qualidade técnica e vantagem competitiva duradoura para a BR7 Sistemas de Armazenagem (KHAN e BILAL, 2025).
2.7 RISCOS DO PROJETO
Após a análise da implantação do software voltado à elaboração de projetos de porta-paletes, foi possível identificar e detalhar três principais riscos que podem impactar diretamente o andamento e os resultados do projeto. A gestão de riscos, segundo o PMBOK (2021), é uma etapa essencial da gestão de projetos e tem como objetivo identificar, avaliar e planejar respostas para eventos que possam comprometer o desempenho, o cronograma, o custo ou a qualidade das entregas. Dessa forma, compreender e tratar esses riscos de forma estruturada é fundamental para o sucesso da implantação do sistema.
O primeiro risco identificado está relacionado à resistência dos projetistas e usuários finais à mudança tecnológica. Esse tipo de resistência é comum em processos de transformação digital, especialmente quando envolve a substituição de métodos tradicionais por sistemas automatizados. A falta de familiaridade com a nova ferramenta pode gerar insegurança, receio de perda de controle e até mesmo queda inicial de produtividade. Para mitigar esse risco, serão aplicadas ações de capacitação e engajamento, incluindo treinamentos práticos, materiais de apoio e sessões de feedback. Além disso, é importante adotar uma comunicação clara e transparente sobre os benefícios do software, demonstrando como a ferramenta facilitará o trabalho dos projetistas, reduzirá retrabalhos e aumentará a precisão dos resultados.
O segundo risco diz respeito ao estouro de prazos e cronogramas, um dos problemas mais recorrentes em projetos de desenvolvimento de software. A complexidade técnica, mudanças de escopo e ajustes durante o processo de codificação podem levar a atrasos significativos. Para controlar esse risco, o projeto adotará metodologias ágeis, com entregas quinzenais e acompanhamento iterativo das atividades. Esse modelo de gestão permite maior flexibilidade, comunicação constante entre as equipes e identificação precoce de desvios, possibilitando correções rápidas antes que os problemas se ampliem.
O terceiro risco está relacionado a falhas técnicas e problemas de desempenho do software durante o desenvolvimento e implantação. Esses riscos podem incluir erros de programação, incompatibilidade com sistemas operacionais, instabilidade de servidores ou dificuldades na geração automática de desenhos e listas de materiais. Para mitigar essas ocorrências, será implementado um processo contínuo de testes e validações técnicas a cada fase do projeto. A equipe de engenharia atuará em conjunto com a equipe terceira para verificar a precisão das funções, a conformidade com as normas técnicas e o desempenho geral do sistema.
Tabela 2 – Análise de riscos

Em síntese, a antecipação e o controle desses riscos reforçam a solidez do projeto, assegurando não apenas o cumprimento de prazos e orçamentos, mas também a adoção bem-sucedida do software pela equipe e a confiabilidade técnica da ferramenta final. Assim, o processo de implantação poderá ocorrer de forma segura, eficiente e alinhada às metas estratégicas da empresa.
2.8 PLANO DE COMUNICAÇÃO
A comunicação é essencial na gestão de projetos, especialmente quando envolve várias equipes e etapas que dependem umas das outras, como no desenvolvimento do software de projetos de porta-paletes. Segundo o PMBOK (2021), um bom plano de comunicação garante que as informações certas cheguem às pessoas certas, no momento certo e pelo melhor canal, evitando erros e retrabalho.
Neste projeto, a comunicação é fundamental para manter todos os envolvidos alinhados. Para isso, foram definidos procedimentos que asseguram o repasse claro e eficiente das informações.
As reuniões quinzenais com a equipe têm foco operacional: acompanhar entregas, analisar indicadores, identificar problemas e registrar lições aprendidas. As reuniões mensais com a diretoria são mais estratégicas, servindo para revisar o andamento geral, prazos, custos e prioridades.
Serão usados diferentes canais de comunicação conforme a necessidade: E-mail, para registros formais, aprovações e comunicados oficiais; Reuniões presenciais ou online, para discussões técnicas e apresentação de status; e WhatsApp para mensagens rápidas do dia a dia.
A efetividade da comunicação será avaliada periodicamente por meio de feedbacks, questionários internos e análise de indicadores. Isso permitirá ajustes contínuos no plano de comunicação, garantindo maior alinhamento, engajamento da equipe e suporte aos objetivos do projeto e da empresa.
Tabela 3 – Meios de comunicação

2.9 PLANO DE QUALIDADE
No desenvolvimento do software para criação de projetos de porta-paletes da BR7 Sistemas de Armazenagem, o plano de qualidade tem como objetivo garantir que a ferramenta final funcione corretamente, gere plantas, vistas e listas de materiais com precisão e siga todas as normas técnicas aplicáveis, como a NBR 17150 (2023).
Os principais critérios de qualidade do projeto são:
- Desempenho do software – bom tempo de resposta e estabilidade durante uso;
- Precisão técnica – desenhos e listas de materiais compatíveis com as especificações e padrões de fabricação;
- Conformidade com normas – atendimento às normas estruturais e de segurança;
- Usabilidade – interface simples, intuitiva e fácil de usar;
- Satisfação do usuário – avaliada por testes práticos e feedback após a implantação.
Para atender a esses critérios, serão realizados controles e verificações em todas as etapas do desenvolvimento. Cada fase incluirá testes funcionais e de desempenho, registrados em checklists e relatórios. Após a entrega, serão feitas revisões para identificar melhorias com base nos resultados e no feedback dos usuários. Essas informações poderão gerar atualizações no software e no processo de desenvolvimento, seguindo o ciclo PDCA.
Assim, o plano de qualidade garante não só que o software esteja tecnicamente correto, mas também contribui para a eficiência da BR7, reforçando padrões de excelência e aumentando a satisfação dos clientes.
3. RESULTADOS
Embora o projeto ainda esteja em desenvolvimento, as funcionalidades já implementadas permitem observar avanços concretos e mensuráveis. A ferramenta atualmente desenvolvida já realiza:
- Configuração automática do tipo e dimensões do pallet;
- Geração da planta baixa com a disposição dos porta-paletes;
- Definição de profundidade, largura de corredores e demais parâmetros de layout;
- Identificação automática de interferências e exclusão dos módulos que não atendem aos requisitos dimensionais.
Para que todas essas automações fossem possíveis dentro do AutoCAD®, as funcionalidades foram organizadas e disponibilizadas diretamente na barra de ferramentas desenvolvida para o projeto, que se tornou o elemento central da aplicação. Essa barra concentra os comandos de configuração, permitindo que todo o processo seja executado de forma rápida, intuitiva e padronizada.
Figura 2 – Barra de ferramentas implantada.

Para avaliar o desempenho inicial, foram analisados alguns projetos de pequeno e médio porte. Nessas aplicações, constatou-se uma redução no tempo de desenvolvimento entre 30% e 35% em comparação com o processo manual, demonstrando ganhos significativos de agilidade, padronização e redução de retrabalho.
Esses resultados preliminares reforçam o potencial do sistema em otimizar o processo de elaboração de layouts, oferecendo maior confiabilidade e velocidade na resposta às demandas internas e externas. À medida que as próximas fases forem concluídas e novas funcionalidades forem integradas, espera-se consolidar ainda mais esses ganhos, ampliando o impacto positivo na produtividade, na qualidade das entregas e na competitividade da empresa.
4. CONCLUSÕES
Em resumo, este artigo apresenta uma contribuição robusta ao demonstrar como práticas consolidadas de gestão de projetos, aliadas à automação, podem transformar e modernizar processos tradicionais de desenvolvimento de projetos industriais. Trata-se de um trabalho que combina rigor acadêmico com aplicação direta no ambiente industrial, evidenciando resultados concretos e de grande valia para a engenharia.
A integração de metodologias ágeis, comunicação estruturada e gestão explícita de riscos posiciona este estudo no conjunto de pesquisas que investigam a convergência entre automação, engenharia e gestão de projetos de forma integrada. Além disso, suas evidências práticas reforçam o potencial de impacto real na produtividade, padronização e confiabilidade de processos técnicos. A perspectiva de pesquisas futuras inclui a incorporação de ferramentas inteligentes, automação orientada por agentes e sistemas cognitivos capazes de ampliar a eficiência e reduzir a dependência de tarefas manuais, delineando oportunidades relevantes tanto para avanços acadêmicos quanto para aplicações industriais.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 17115: Sistemas de armazenagem – Porta-pallets – Requisitos para projeto, montagem, utilização e manutenção. Rio de Janeiro, 2023.
Boothroyd G, Dewhurst P. Product Design for Manufacture and Assembly. CRC Press; 2010.
Chea CP, Bai Y. An integrated review of automation and robotic technologies for structural prefabrication and construction. Transportation Safety and Environment. 2020.
Cinkusz K, Chudziak JA, Niewiadomska-Szynkiewicz E. Cognitive Agents Powered by Large Language Models for Agile Software Project Management. arXiv preprint. 2025.
Garcia FV, Hauck JCR, Borgatto A. How do Agile Organizations Manage Risks: An Analysis of the State of Practice in Brazil. SBES Proceedings. 2024.
Geyer P, Buchholz M. Parametric systems modelling for design automation in structural engineering. Advanced Engineering Informatics. 2012; 26(4):803-817.
Jamil MA, Razali R. A Framework for Managing Professional Competencies in Agile Software Development. International Journal of Advanced Computer Science and Applications. 2021; 12(1):452-461.
Khan Z, Bilal M. Automated Storage and Retrieval Systems: A Comprehensive Review. Robotics & Automation Engineering Journal. 2025; 6(2):555684. DOI:10.19080/RAEJ.2025.06.555684.
Project Management Institute. A guide to the project management body of knowledge (PMBOK Guide). 7th ed. Newtown Square: PMI; 2021.
Rigby DK, Sutherland J, Takeuchi H. Embracing agile. Harvard Business Review. 2016; 94(5):40-50.
Rossi T, Zavanella L. Design and Analysis of Automated Rack Supported Warehouses. The Open Civil Engineering Journal. 2018; 12(1):150-166. DOI:10.2174/1874149501812010150.
Vieira AF, Silva ACJL, Carr CN. Improving the effectiveness of software development projects through a hybrid approach. Research, Society and Development. 2023; 12(3).
1Doutora em Engenharia Civil
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
E-mail: lbcdebella@uepg.br
2Engenheira Civil
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
E-mail: marinalubernarski@hotmail.com
