PHYSIOTHERAPEUTIC PERFORMANCE IN THE FUNCTIONAL REHABILITATION OF GRADE III ANKLE SPRAIN IN ATHLETES
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202510250001
Elisangela Oliveira Leles
Gisele Pereira Lima Chaves
Professor Orientador: Eduardo Filoni
RESUMO:
Introdução: O presente estudo tem como objetivo analisar a atuação fisioterapêutica na reabilitação funcional da entorse de tornozelo grau III em atletas, sendo considerada uma das mais sérias que acometem o tornozelo, trata-se de uma ruptura total dos ligamentos, ocasionando dor intensa, instabilidade e perda funcional significativa. Riscos fazem parte do cotidiano de atletas que praticam esportes de alto rendimento, nota-se a necessidade de adotar estratégias eficazes de prevenção, tratamento para retorno às atividades. Nesse contexto, a fisioterapia desempenha papel essencial, atuando na recuperação da função articular e muscular, mas também na prevenção de recorrências e na reintegração esportiva. Objetivo: Este trabalho tem como objetivos específicos: identificar os principais protocolos fisioterapêuticos utilizados; analisar a eficácia dos métodos aplicados na reabilitação; e discutir estratégias de prevenção e retorno seguro ao esporte. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em artigos científicos, livros especializados e bases de dados nacionais e internacionais. Foram selecionados estudos que abordaram etiologia, características clínicas, tratamento conservador e cirúrgico, além do papel da fisioterapia. Resultados: Os dados demonstraram que atuação dos fisioterapeutas, com utilização de técnicas de mobilização precoce, fortalecimento muscular, exercícios funcionais, crioterapia e propriocepção, contribuindo de maneira significativa para a recuperação da estabilidade articular, diminuição da dor, prevenção de complicações e otimizando a volta às atividades esportivas. Conclusão: Constatou-se que a fisioterapia é essencial para reabilitação da entorse grau III, favorecendo a recuperação integral do atleta e reduzindo o risco de reincidências, além da melhora na qualidade de vida e desempenho dos atletas.
Palavras-chave: Entorse de tornozelo. Fisioterapia. Reabilitação funcional. Atletas.
ABSTRACT:
Introduction: The present study aims to analyze the physiotherapeutic role in the functional rehabilitation of grade III ankle sprains in athletes, considered one of the most severe injuries affecting the ankle. This condition involves a complete rupture of the ligaments, leading to intense pain, instability, and significant functional loss. Risks are part of the daily life of athletes engaged in high-performance sports, highlighting the need to adopt effective strategies for prevention, treatment, and return to activities. In this context, physiotherapy plays an essential role, not only in restoring joint and muscular function but also in preventing recurrences and enabling sports reintegration. Objective: This study has the following specific, Objectives: to identify the main physiotherapeutic protocols used; to analyze the effectiveness of the methods applied in rehabilitation; and to discuss prevention strategies and a safe return to sports. Methodology: This is a narrative literature review, based on scientific articles, specialized books, and both national and international databases. Studies addressing etiology, clinical characteristics, conservative and surgical treatments, as well as the role of physiotherapy, were selected. Results: Data demonstrated that physiotherapists, through techniques such as early mobilization, muscle strengthening, functional exercises, cryotherapy, and proprioception, significantly contribute to restoring joint stability, reducing pain, preventing complications, and optimizing the return to sports activities. Conclusion: It was found that physiotherapy is essential for the rehabilitation of grade III ankle sprains, promoting full recovery of the athlete, reducing the risk of recurrence, and improving both quality of life and sports performance.
Keywords: Ankle sprain. Physiotherapy. Functional rehabilitation. Athletes.
1. INTRODUÇÃO
Segundo Kidd (2017) os atletas são indivíduos que se dedicam a praticar atividades físicas que demandam força, agilidade e resistência, superando os seus limites. Os atletas profissionais são aqueles que fazem do esporte sua profissão, requerendo um alto nível de desempenho e apoio de uma equipe de qualidade. Nesse contexto, os fisioterapeutas desempenham um papel fundamental na prevenção e tratamento de lesões, garantindo que os atletas mantenham sua saúde e performance ótimas.
As entorses são lesões extremamente frequentes, elas ocorrem quando há uma torção abrupta no tornozelo, de acordo com estatísticas, cerca de 30% dos atletas, principalmente jogadores de futebol, sofrem com esse tipo de lesão ao longo de sua carreira. Podem ser classificadas em três graus: distensão do ligamento de grau I, lesão parcial do ligamento de grau II e “a entorse grau III é uma lesão grave que envolve a ruptura completa dos ligamentos ao redor da articulação, resultando em instabilidade e incapacidade funcional significativa.” (Bahr & Maehlum, 2004).
Para realizar um trabalho abrangente e eficaz sobre a lesão no tornozelo, é fundamental realizar uma avaliação completa e detalhada, que deve incluir a identificação da fonte do problema, bem como a consideração de vários fatores relevantes, tais como: idade, anatomia (a estrutura óssea e muscular do tornozelo pode influenciar a suscetibilidade a lesões), peso corporal (o excesso pode causar peso nos tornozelos) quantidade de estímulo (graças a intensidade e frequência dos treinamentos), histórico de lesões (as lesões anteriores prévias podem aumentar o risco de novas) e falta de equilíbrio. (ARANHÃ et al, 2018).
As articulações do tornozelo possuem eixos basilares que desempenham funções mecânicas específicas e importantes para a movimentação adequada do pé. Eixo transversal sendo responsável pelas dorsiflexão (quando o pé se move em direção à tíbia) e flexão plantar (deslocamento o pé para longe da tíbia), eixo vertical permite os movimentos de abdução (movimento do pé para longe da linha média do corpo) e adução do pé (deslocação do pé em direção à linha média) e eixo horizontal está relacionado aos movimentos de supinação (resulta na elevação da borda medial do pé) e pronação (envolve a elevação da borda lateral do pé). (GARCIA, 2017).
Os ligamentos do tornozelo desempenham função crucial na manutenção da estabilidade, suporte e funcionalidade dessa articulação. Entretanto uma lesão mínima pode causar luxação ou dor significativa, afetando a qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades diárias e esportivas. De acordo com García (2017), destacam-se os seguintes ligamentos: Ligamento Talofibular Anterior (LTFA – mais frágil e é frequentemente lesionado em entorses de tornozelo), Ligamento Talofibular Posterior (LTFP – apresenta papel fundamental na estabilidade do tornozelo) e Ligamento Calcâneo Fibular (LCF – mais rígido).
De acordo com o princípio basilar, que prioriza o tratamento da causa raiz do problema, é essencial iniciar o processo de recuperação com um período de repouso adequado. Posteriormente, um tratamento para promover cicatrização tecidual, além de trabalhar a flexibilidade, amplitude, força e resistência muscular do tornozelo. Por fim, realizar uma reabilitação completa do tornozelo, em busca de restaurar função e capacidade de suportar esforços físicos. (SANTOS, 2023).
Já no processo de prevenção, é importante destacar que os seguintes procedimentos podem ajudar a evitar futuras lesões: mobilidade precoce, aplicação de gelo, exercícios fisioterapêuticos e musculares, crioterapia e utilização de medicamento anti-inflamatórios não asteroides. Além disso, estudos indicam que as taxas de lesões diminuem significativamente com a prática de exercícios funcionais comparado aos tratamentos tradicionais. (CECCHINI, PACHECO, 2017).
A entorse de grau I são lesões leves sem ruptura do ligamento, com pouca dor ou inchaço, geralmente ocorre a utilização do protocolo RICE (repouso, gelo compressão com faixa elástica e elevação do membro), com tempo de recuperação de 7 a 15 dias. (GARCIA, 2017). No grau II ocorre uma ruptura parcial do ligamento, a dor é mais intensa e o ferimento aparente, seu tratamento é dividida em: fase aguda (utilização da RICE com imobilização), fase subaguda (com mobilização articular, fortalecimento e exercícios de equilíbrio) e fase de reabilitação com leves corridas e exercícios apropriados, podendo levar até um mês e meio de recuperação.
Na entorse grau III ocorre o rompimento total do ligamento, a dor é intensa com inchaço e equimose intensos. Existem dois tipos de tratamentos: o conservador dividido em fase aguda (imobilização com bota ortopédica e uso de muletas), fase subaguda (fisioterapia intensa) e fase de reabilitação (treinamento específico), e o tratamento cirúrgico que “incluem o reparo primário dos ligamentos lesionados ou reconstrução ligamentar com enxertos.” (BOSSUYT, et al. 2002).
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
O trabalho tem como objetivo analisar a atuação fisioterapêutica na reabilitação funcional de entorse de tornozelo grau III em atletas.
2.2 Objetivo específico
Para uma direção clara sobre o desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso, foi necessário:
- Analisar e identificar as melhores técnicas e métodos fisioterapêuticos para realizar a reabilitação dos atletas.
- Analisar a eficácia da fisioterapia na melhoria da função e mobilidade no tornozelo após o problema.
- Procurar relacionar a fisioterapia com a prevenção da lesão.
- Discutir a importância da fisioterapia na reabilitação da lesão e no processo de retorno ao esporte.
3. METODOLOGIA
Este Trabalho de Conclusão de Curso configura-se como uma revisão narrativa, fundamentada em uma abrangente pesquisa bibliográfica. Para tal, foram consultadas fontes de reconhecida relevância acadêmica e científica, incluindo livros especializados, artigos científicos renomados e conteúdos de sites especializados. O propósito foi reunir informações pertinentes e atualizadas acerca da temática abordada. A análise dos dados coletados foi conduzida por meio de uma abordagem qualitativa, permitindo uma compreensão aprofundada do objeto de estudo.
O presente estudo tem como objetivo principal analisar a entorse de grau III em atletas, explorando aspectos fundamentais como sua etiologia, características clínicas, opções de tratamento, manejo pós-lesão e os protocolos de reabilitação, sempre com foco no seguro e eficaz retorno ao esporte.
Palavras-chave: Entorse grau III; Entorse no tornozelo; Reabilitação de entorse.
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
A entorse de tornozelo grau III, caracterizada pela ruptura total dos ligamentos, figura como uma das lesões mais incapacitantes entre atletas de alto rendimento. Sua severidade é atribuída à dor intensa, instabilidade articular e ao impacto direto no desempenho esportivo (Bahr & Maehlum, 2004). Os achados desta revisão narrativa corroboram a relevância da fisioterapia, não apenas como pilar fundamental na reabilitação, mas também como estratégia essencial na prevenção de recidivas e na promoção de um retorno seguro e eficaz às atividades desportivas.
A literatura consultada evidencia a importância de intervenções precoces, como a mobilização articular, a crioterapia e o fortalecimento muscular. Essas estratégias são cruciais para a redução do edema, o controle álgico e a aceleração do processo de cicatrização tecidual, conforme demonstram Donatti et al. (2023). Além disso, Alves et al. (2022) enfatizam a indispensabilidade de protocolos fisioterapêuticos individualizados, que considerem fatores como idade do atleta, histórico de lesões pregressas e as demandas específicas de sua modalidade esportiva, sublinhando a necessidade de uma avaliação fisioterapêutica criteriosa.
Nesse contexto, a integração de exercícios proprioceptivos e funcionais no programa de reabilitação emerge como um componente crítico. Evidências científicas indicam que essas abordagens otimizam a estabilidade dinâmica do tornozelo e reduzem significativamente o risco de reincidência lesional (Cecchini & Pacheco, 2017). Tais achados convergem com o objetivo central deste estudo, que salienta o papel da fisioterapia não apenas em sua dimensão curativa, mas também preventiva.
No que concerne à escolha entre tratamento conservador e cirúrgico, estudos como o de Bossuyt et al. (2002) indicam que, em uma parcela significativa dos casos, a reabilitação fisioterapêutica intensiva pode produzir resultados comparáveis à intervenção cirúrgica, tanto em termos de estabilidade quanto de funcionalidade articular. Contudo, é imperativo reconhecer que situações de maior gravidade ou que envolvem atletas de elite podem, de fato, requerer a abordagem cirúrgica para assegurar um retorno competitivo com maior segurança. Essa dualidade observada na literatura ressalta a importância da adoção de protocolos adaptáveis e de uma abordagem verdadeiramente multidisciplinar na tomada de decisão terapêutica.
A reintegração esportiva, por sua vez, constitui outro ponto focal de extrema relevância. Um retorno precoce e desprovido de critérios clínicos e funcionais rigorosos eleva substancialmente o risco de reincidência da lesão e de desenvolvimento de comorbidades. Em contrapartida, um programa fisioterapêutico meticulosamente estruturado não só fomenta a confiança do atleta, mas também minimiza as chances de complicações (Garcia, 2017). Deste modo, a determinação do momento ideal para o retorno ao esporte é uma atribuição crucial do fisioterapeuta, em colaboração com uma equipe multiprofissional, devendo-se considerar não apenas a ausência de sintomatologia álgica, mas a plena restauração da capacidade funcional e biomecânica.
Faz-se necessário, contudo, discorrer sobre as limitações inerentes a este trabalho. Por configurar-se como uma revisão narrativa, a ausência de uma análise estatística e meta-análise dos estudos incluídos impede a quantificação e generalização de seus achados com a mesma robustez de uma revisão sistemática. Adicionalmente, a heterogeneidade dos protocolos de reabilitação e critérios de retorno descritos na literatura representa um desafio na padronização de condutas e na formulação de diretrizes clínicas universalmente aplicáveis.
Não obstante as limitações supramencionadas, os resultados desta revisão consolidam o papel indispensável da fisioterapia na recuperação integral e no retorno seguro de atletas acometidos por entorse de tornozelo grau III. Concomitantemente, este estudo reitera a necessidade premente de investigações futuras, especialmente estudos comparativos com maior rigor metodológico, que visem à elucidação de quais protocolos se mostram mais eficazes e à consequente elaboração de diretrizes clínicas mais uniformes e baseadas em evidências sólidas.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O presente Trabalho de Conclusão de Curso, por meio de uma revisão narrativa abrangente, teve como principal objetivo analisar a entorse de tornozelo grau III em atletas, explorando sua etiologia, características, opções de tratamento, manejo e os protocolos de reabilitação com foco no retorno ao esporte. A análise da literatura reforça a gravidade desta lesão, que impacta significativamente a carreira e o desempenho de atletas de alto rendimento, exigindo abordagens terapêuticas e preventivas eficazes.
Os resultados desta revisão solidificaram a fisioterapia como um pilar indispensável na recuperação integral de atletas com entorse de tornozelo grau III. Evidenciou-se que um programa fisioterapêutico bem estruturado, que integre mobilização precoce, crioterapia, fortalecimento muscular progressivo e, crucialmente, exercícios proprioceptivos e funcionais, é fundamental para restaurar a funcionalidade, promover a estabilidade dinâmica do tornozelo e, sobretudo, minimizar o risco de recidivas. A individualização do tratamento, considerando as particularidades de cada atleta e modalidade esportiva, foi apontada como um fator crítico para o sucesso da reabilitação.
Ademais, a discussão entre o tratamento conservador e cirúrgico destacou a eficácia da reabilitação intensiva em muitos casos, com resultados comparáveis à cirurgia, embora a intervenção cirúrgica possa ser necessária em situações específicas ou em atletas de elite. Isso sublinha a necessidade de uma tomada de decisão criteriosa e, idealmente, multidisciplinar. O processo de reintegração esportiva, que deve ser planejado e baseado em critérios funcionais e não apenas na ausência de dor, foi identificado como um momento decisivo para garantir um retorno seguro e duradouro à atividade competitiva.
Apesar das contribuições significativas, é fundamental reconhecer as limitações inerentes a este estudo, uma vez que se trata de uma revisão narrativa, o que restringe a generalização estatística dos resultados e impede uma análise comparativa mais robusta entre os diferentes protocolos. A heterogeneidade das metodologias e abordagens descritas na literatura também impõe desafios na padronização de condutas clínicas.
Em suma, este trabalho ressalta o papel central do fisioterapeuta no manejo da entorse de tornozelo grau III, desde a fase aguda até a prevenção de novas lesões e o retorno ao esporte. Recomenda-se enfaticamente que futuras pesquisas explorem a realização de estudos comparativos com maior rigor metodológico, como ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas com meta-análise, a fim de estabelecer diretrizes clínicas mais uniformes, baseadas em evidências sólidas, e otimizar ainda mais a prática clínica na reabilitação de atletas.
REFERÊNCIAS
DONATTI, Alberto Ferreira. et al. A ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NA REABILITAÇÃO PÓS ENTORSE DE TORNOZELO NO FUTEBOL. Revista Foco, 2023. Disponível em: https://ojs.focopublicacoes.com.br/foco/article/download/3245/2139/6697. Acesso no dia: 15 de mar. de 2025.
ALVES, Loisy. et al. Intervenção fisioterapêutica para entorse em esportistas. Scire Salutis, 2022. Disponível em: https://sustenere.inf.br/index.php/sciresalutis/article/download/7911/4309/16362. Acesso no dia: 15 de mar. de 2025.
KIDD, B. The Olympic Games: A Social Science Perspective. Revista de Esportes e Questões Sociais, 2017.
BAHR, R. MAEHLUM,S. Lesões Desportivas: diagnostico, tratamento e prevenção. Editora Manole, 2024.
VAN DIJK, C. N.; LIM, L. S.; BOSSUYT, P. M. M.; MARTI, R. K. Surgical versus conservative treatment of acute injuries of the lateral ligament complex of the ankle in adults. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 3, p. CD000380, 2002.
