REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511182207
Daiane Cristina Salas Santos1; Denise Silva Rodrigues1; Karina Mejias Caixeta1; Leticia Marques Pereira1; Suelen Fernandes Delgado Bonilha1; Orientadora: Silvana Flora de Melo2; Coordenadora Geral: Jamila Fabiana Costa3; Co Orientadora: Wanessa Galli4
RESUMO
A sepse configura-se como um grave problema de saúde pública e uma das principais causas de mortalidade hospitalar em todo o mundo. No Brasil, estima-se a ocorrência de cerca de 400 mil casos anuais em adultos, com taxa de mortalidade aproximada de 60%, o que corresponde a 240 mil óbitos por ano. Apesar dos avanços obtidos com a Surviving Sepsis Campaign e com os protocolos nacionais de enfrentamento, persistem desafios estruturais, organizacionais e educacionais que dificultam o manejo adequado da doença. Este estudo teve como objetivo analisar os desafios enfrentados pela enfermagem no manejo do paciente séptico e na implementação do protocolo de sepse em serviços de urgência e emergência. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), abrangendo publicações de 2021 a 2025. Foram selecionados dez estudos que abordaram a atuação do enfermeiro no contexto assistencial. Os resultados indicaram que a liderança clínica, a capacitação contínua, a comunicação interprofissional e o uso de tecnologias digitais contribuem significativamente para a redução da mortalidade e para a melhoria dos desfechos clínicos. Contudo, a sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos e a limitação de treinamentos regulares ainda representam barreiras importantes à efetividade das intervenções. Conclui-se que o fortalecimento da educação permanente, o investimento em infraestrutura e a valorização do papel do enfermeiro são essenciais para aprimorar o manejo da sepse e garantir a segurança do paciente.
Palavras-chave: Sepse. Enfermagem. Urgência e emergência. Protocolo de sepse. Assistência de enfermagem.
1. INTRODUÇÃO
A sepse representa um grave problema de saúde pública em todo o mundo, sendo uma das principais causas de mortalidade hospitalar. Globalmente, estima-se que ocorram aproximadamente 49 milhões de casos de sepse anualmente, resultando em cerca de 11 milhões de mortes, o que a torna uma das principais causas de mortalidade hospitalar (EVANS et al., 2021). No Brasil, a situação é ainda mais preocupante: são registrados cerca de 400 mil casos de sepse em pacientes adultos por ano, com uma taxa de mortalidade de aproximadamente 60%, o que equivale a cerca de 240 mil óbitos anuais (GOVERNO FEDERAL, 2023). Entre as crianças, o número anual de casos é de 42 mil, dos quais 8 mil não resistem, representando um percentual de 19% (GOVERNO FEDERAL, 2023). Regionalmente, observa-se uma variação significativa nas taxas de mortalidade por sepse: enquanto a região Sudeste apresenta uma taxa de 51,2%, as regiões Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte apresentam taxas de 70%, 57,8%, 58,3% e 57,4%, respectivamente (INSTITUTO LATINO-AMERICANO DE SEPSE, 2023). Esses dados evidenciam a magnitude do problema e reforçam a necessidade urgente de estratégias eficazes para detecção precoce e manejo adequado da sepse, destacando-se o papel central da equipe de enfermagem nesse processo.
A sepse é definida como uma disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do organismo a uma infecção. Antes do diagnóstico de sepse propriamente dita, os pacientes podem apresentar um quadro conhecido como Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS), caracterizada pela ativação exacerbada do sistema imunológico frente a um agente infeccioso ou não infeccioso. Os critérios clássicos para o diagnóstico de SIRS incluem temperatura corporal superior a 38°C ou inferior a 36°C, frequência cardíaca maior que 90 batimentos por minuto, frequência respiratória acima de 20 incursões por minuto e contagem leucocitária superior a 12.000/mm³ ou inferior a 4.000/mm³. Quando a SIRS é desencadeada por um agente infeccioso e associada à disfunção orgânica, configura-se o quadro de sepse propriamente dito.
Os principais sinais e sintomas da sepse incluem febre ou hipotermia, taquicardia, taquipneia, hipotensão arterial, confusão mental, extremidades frias, pele pálida ou marmorizada, oligúria e alterações laboratoriais como aumento do lactato sérico e leucocitose ou leucopenia. Esses sinais refletem a resposta inflamatória sistêmica e a progressiva disfunção orgânica, sendo fundamentais para o reconhecimento precoce do quadro clínico.
Historicamente, a sepse era manejada de forma não sistematizada, o que resultava em altas taxas de complicações e mortalidade devido ao diagnóstico tardio e às condutas terapêuticas inadequadas. A necessidade de padronizar o atendimento levou à criação de iniciativas internacionais, como a Surviving Sepsis Campaign, lançada em 2002, que consolidou diretrizes baseadas em evidências científicas para o reconhecimento precoce e manejo adequado da doença. No Brasil, protocolos assistenciais foram gradualmente implementados em instituições públicas e privadas, adaptando as recomendações internacionais ao contexto nacional e estabelecendo fluxos de atendimento mais organizados e eficientes para pacientes sépticos.
Entretanto, o manejo do paciente séptico ainda enfrenta inúmeros desafios no cenário assistencial. A precariedade da estrutura física de muitos serviços de saúde, especialmente em regiões periféricas, compromete a agilidade e a qualidade do atendimento. A falta de equipamentos adequados para monitorização, limitações no acesso a exames laboratoriais rápidos e a escassez de leitos de terapia intensiva dificultam a condução efetiva do tratamento. Além disso, a insuficiente qualificação e capacitação contínua dos profissionais de saúde agrava o problema, uma vez que o reconhecimento precoce dos sinais de sepse depende diretamente do preparo técnico e científico da equipe. Soma-se a isso a carência de recursos assistenciais, como medicamentos, soluções vasopressoras e antibióticos de amplo espectro, que frequentemente atrasam intervenções críticas e comprometem o prognóstico do paciente.
Nesse contexto, a enfermagem assume papel fundamental, especialmente no atendimento em urgência e emergência, onde a identificação precoce e a implementação do protocolo de sepse representam fatores determinantes para reduzir a mortalidade e otimizar os desfechos clínicos.
Entretanto, a atuação do enfermeiro enfrenta desafios relacionados à sobrecarga de trabalho, escassez de recursos, limitações estruturais e fragilidades nos processos de educação permanente. Portanto, compreender tais desafios é essencial para aprimorar as práticas assistenciais e fortalecer a segurança do paciente.
A atuação do enfermeiro no contexto da sepse vai além da execução de técnicas e procedimentos. Trata-se de uma prática que requer pensamento crítico, capacidade de priorização e julgamento clínico refinado, uma vez que o tempo de resposta é um fator determinante na sobrevida do paciente. O reconhecimento dos primeiros sinais de deterioração clínica, a rápida comunicação com a equipe médica e a implementação imediata do protocolo de sepse configuram etapas que dependem diretamente da competência e da vigilância da equipe de enfermagem. Assim, o enfermeiro atua como protagonista no processo de identificação e condução terapêutica, garantindo que as medidas sejam aplicadas dentro da chamada “hora de ouro”, período em que as intervenções são mais eficazes.
Além disso, a implementação de protocolos institucionais de sepse demanda do enfermeiro não apenas conhecimento técnico, mas também habilidades de gestão e liderança. É responsabilidade desse profissional assegurar que a equipe esteja alinhada às diretrizes estabelecidas, que os fluxos de atendimento sejam respeitados e que as ações sejam devidamente registradas, garantindo rastreabilidade e segurança. Em ambientes de urgência e emergência, onde a dinâmica é acelerada e o volume de atendimentos é elevado, a liderança do enfermeiro é essencial para coordenar esforços e garantir a adesão às etapas do protocolo, minimizando falhas e otimizando recursos.
Outro ponto relevante refere-se à educação permanente em saúde, que deve ser entendida como estratégia contínua e estruturante para a qualificação da assistência. A formação inicial, muitas vezes, não é suficiente para preparar o profissional para as complexidades do manejo da sepse, exigindo treinamentos regulares, simulações clínicas e atualização constante sobre evidências científicas e novas tecnologias de monitoramento. Instituições que investem em capacitação contínua tendem a apresentar melhores índices de detecção precoce e redução significativa da mortalidade por sepse, evidenciando o impacto direto da educação no desempenho assistencial.
A utilização de ferramentas tecnológicas também têm se mostrado um recurso promissor no enfrentamento da sepse. Sistemas eletrônicos de alerta precoce, prontuários integrados e algoritmos de inteligência artificial permitem identificar alterações fisiológicas sutis e sinalizar automaticamente potenciais casos de sepse. Contudo, a incorporação dessas ferramentas exige não apenas infraestrutura adequada, mas também capacitação dos profissionais para interpretar corretamente as informações geradas e transformar os dados em ações clínicas concretas. O papel do enfermeiro nesse processo é fundamental, pois ele atua como mediador entre a tecnologia e a prática assistencial, garantindo que o uso dos recursos digitais resulte em benefícios reais ao paciente.
Por fim, é importante ressaltar que o enfrentamento da sepse requer uma abordagem sistêmica e interdisciplinar. O enfermeiro, ao integrar diferentes profissionais e coordenar fluxos de comunicação, contribui para a construção de uma cultura de segurança centrada no paciente. A efetividade das intervenções depende da cooperação entre médicos, fisioterapeutas, farmacêuticos e técnicos de enfermagem, sendo o enfermeiro o elo que articula o cuidado e assegura a continuidade das ações. Dessa forma, a valorização do papel do enfermeiro no manejo da sepse não é apenas uma questão de reconhecimento profissional, mas uma estratégia essencial para o fortalecimento do sistema de saúde e a redução dos índices de mortalidade associados à doença.
2. OBJETIVO
Analisar os desafios da enfermagem no manejo do paciente séptico e na implementação do protocolo de sepse em serviços de urgência e emergência.
3. METODOLOGIA
O presente estudo foi desenvolvido por meio de uma revisão integrativa da literatura, metodologia que permite a análise ampla, sistematizada e a síntese do conhecimento científico disponível sobre determinado tema (MENDES; SILVEIRA; GALVÃO, 2008). Essa abordagem é adequada ao objetivo deste trabalho, que consiste em contextualizar a atuação do enfermeiro na implementação do protocolo de sepse em ambientes de urgência e emergência, identificando os principais desafios e contribuições da prática profissional.
3.1 Critérios de Inclusão e Exclusão
A pesquisa foi realizada em bases de dados eletrônicas de destaque na área da saúde, incluindo SciELO, LILACS, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram considerados estudos publicados entre 2021 e 2025, nos idiomas português, inglês e espanhol, garantindo a atualização e relevância das evidências.
Para a seleção dos artigos, foram utilizados descritores controlados do DeCS/MeSH, tais como: sepse (sepsis), protocolo de sepse (sepsis protocol), enfermagem em emergência (emergency nursing) e papel do enfermeiro (nursing role).
Foram incluídos estudos que abordassem a atuação do enfermeiro no manejo da sepse em contextos de urgência e emergência. Foram excluídos artigos que não correspondem aos descritores, não estivessem disponíveis na íntegra ou fossem duplicados em diferentes bases de dados.
3.2 Procedimentos de Coleta e Análise dos Dados
Após a seleção, os artigos foram lidos integralmente e analisados de forma crítica, buscando identificar: As principais convergências sobre boas práticas e protocolos aplicados pelo enfermeiro;
As divergências e diferentes perspectivas apresentadas;
As lacunas no conhecimento e necessidades de pesquisas futuras;
O contexto de aplicação prática e os fatores que favorecem ou dificultam a atuação de enfermagem.
As informações coletadas foram organizadas de maneira sistemática, permitindo a síntese dos resultados e facilitando a discussão, de modo a evidenciar o impacto da atuação do enfermeiro na identificação precoce e no manejo da sepse.
4. RESULTADOS ESPERADOS
Durante a busca nas bases de dados SciELO, LILACS, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os descritores sepse, protocolo de sepse, enfermagem em emergência e papel do enfermeiro, foram inicialmente identificados 78 artigos publicados entre 2020 e 2025.
Após a leitura de títulos e resumos, 46 estudos foram excluídos por não abordarem diretamente a atuação do enfermeiro, tratarem de populações específicas (como pediatria) ou não se enquadrarem no contexto de urgência e emergência.
Dos 32 artigos restantes, 22 foram descartados por duplicidade entre bases ou por não estarem disponíveis na íntegra. Assim, 10 artigos foram selecionados e analisados integralmente, compondo o corpus final da revisão.
A análise dos estudos permitiu identificar evidências consistentes sobre a relevância da atuação da equipe de enfermagem no reconhecimento precoce da sepse, na adesão aos protocolos clínicos e na melhoria dos desfechos assistenciais. Também foram evidenciadas barreiras estruturais e educacionais que comprometem a efetividade das práticas.
Em síntese dos artigos analisados, Silva et al. (2024) avaliaram o impacto da triagem rápida conduzida pelo enfermeiro, demonstrando redução do tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento e maior taxa de sobrevida, com nível de evidência alto.
Anjos et al. (2024) analisaram a implementação do protocolo de sepse em unidades de terapia intensiva e emergência, apontando que a adesão às etapas do protocolo foi associada à diminuição da mortalidade hospitalar (nível de evidência médio).
Jacinto (2025) investigou barreiras estruturais e organizacionais no manejo da sepse, identificando falta de recursos materiais, sobrecarga de trabalho e déficit de autonomia profissional entre os principais entraves (nível de evidência médio).
Silva, Lima e Costa (2021) destacaram a importância da identificação precoce e do reconhecimento de sinais clínicos de sepse, apontando que o atraso no diagnóstico é um fator crítico para o aumento da mortalidade (nível de evidência alto).
Medina et al. (2025) estudaram o papel dos enfermeiros gerentes de protocolo, concluindo que a liderança clínica e a coordenação multiprofissional favorecem respostas mais rápidas e redução de falhas no cuidado (nível de evidência alto).
Souza, Reis e Pereira (2024) revisaram o uso de tecnologias digitais e sistemas de alerta precoce, evidenciando que essas ferramentas aumentam a precisão diagnóstica e otimizam o tempo de resposta da equipe, embora ainda enfrentam resistência à implementação (nível de evidência médio).
Barbosa et al. (2024) analisaram a comunicação interprofissional, mostrando que a atuação proativa do enfermeiro melhora a notificação de sinais clínicos e a administração oportuna de antimicrobianos (nível de evidência médio).
Almeida e Pereira (2021) investigaram barreiras institucionais à execução dos protocolos, apontando fragilidades estruturais, ausência de treinamento regular e baixa adesão como fatores limitantes (nível de evidência médio).
Santos e Oliveira (2022) destacaram o papel do enfermeiro na gestão do paciente séptico, ressaltando a importância da liderança e da tomada de decisão rápida em ambientes de emergência (nível de evidência médio).
Pereira et al. (2025) avaliaram unidades com liderança compartilhada, demonstrando redução da mortalidade e do tempo de internação em comparação com unidades sem esse modelo (nível de evidência alto).
De forma geral, os resultados da revisão apontam que a atuação qualificada do enfermeiro — caracterizada por liderança, capacitação contínua, comunicação eficaz e uso de tecnologia — está diretamente associada à melhoria dos desfechos clínicos, redução da mortalidade e maior adesão aos protocolos de sepse.
Contudo, persistem desafios estruturais, organizacionais e educacionais que comprometem a efetividade das intervenções, evidenciando a necessidade de investimento institucional em formação continuada e suporte técnico-operacional.
5. DISCUSSÃO
A atuação do enfermeiro na identificação precoce e no manejo do protocolo de sepse representa um componente essencial para a redução da mortalidade hospitalar e para a qualidade do cuidado. Estudos recentes demonstram que atrasos no reconhecimento da sepse aumentam significativamente o risco de óbito, evidenciando a necessidade de atuação rápida, assertiva e baseada em evidências (SILVA et al., 2021). Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel estratégico, atuando desde a triagem inicial até a monitorização contínua do paciente, coordenando a equipe multiprofissional e garantindo que as etapas do protocolo sejam cumpridas dentro do tempo adequado. Essa função exige capacidade técnica, autonomia, tomada de decisão rápida e habilidade de liderança, destacando o enfermeiro como elemento central no manejo de pacientes sépticos (FERREIRA; MACHADO; AZEVEDO, 2020).
Apesar da importância da atuação do enfermeiro, a implementação do protocolo de sepse enfrenta desafios estruturais relevantes. A sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos humanos e materiais, a rotatividade elevada de profissionais e a falta de fluxos assistenciais bem definidos dificultam a adesão rigorosa às diretrizes, comprometendo a efetividade do cuidado (ALMEIDA; PEREIRA, 2021).
Esses obstáculos geram atrasos no reconhecimento de sinais clínicos críticos, na coleta de exames e no início da antibioticoterapia, evidenciando que a eficiência da intervenção depende não apenas do conhecimento técnico, mas também de condições institucionais adequadas (COSTA; LIMA; BARBOSA, 2022).
A comunicação interprofissional surge como outro desafio central na prática clínica. A falha na transmissão de informações sobre alterações no estado do paciente pode levar a atrasos no tratamento, aumento do risco de complicações e mortalidade (COSTA; LIMA; BARBOSA, 2022). Nesse cenário, o enfermeiro atua como elo de ligação entre médicos, técnicos e auxiliares de enfermagem, coordenando o fluxo assistencial e garantindo que os protocolos sejam seguidos de forma padronizada. A eficácia do manejo da sepse depende, portanto, de um ambiente que favoreça a colaboração multiprofissional e o compartilhamento ágil de informações, reforçando a importância do enfermeiro como líder clínico (SANTOS; OLIVEIRA, 2022).
A capacitação contínua da equipe de enfermagem é um fator determinante para superar barreiras operacionais e técnicas. Programas de educação permanente, treinamentos regulares e simulações clínicas contribuem para a maior adesão aos protocolos, aumento da confiança profissional e melhoria da capacidade de resposta frente a casos graves (RODRIGUES et al., 2023). A constante atualização permite ao enfermeiro reconhecer sinais iniciais de sepse, interpretar exames laboratoriais com precisão e iniciar intervenções terapêuticas em tempo oportuno, minimizando riscos e otimizando os resultados clínicos (FERREIRA; MACHADO; AZEVEDO, 2020).
A integração de tecnologias digitais, como sistemas de alerta precoce e inteligência artificial aplicada à triagem, representa um recurso adicional para a detecção de sepse. No entanto, sua eficácia depende de treinamento adequado, adaptação aos fluxos institucionais e comprometimento da equipe, reforçando a necessidade de alinhamento entre tecnologia, protocolos e competências humanas (SOUZA et al., 2024). O enfermeiro, nesse contexto, deve não apenas operar as ferramentas tecnológicas, mas também interpretar os alertas, priorizar ações e orientar a equipe sobre condutas imediatas, consolidando seu papel como protagonista no manejo da síndrome (RODRIGUES et al., 2023).
Em síntese, os desafios enfrentados pela enfermagem na identificação e manejo da sepse envolvem aspectos estruturais, educacionais, organizacionais e tecnológicos. Superar essas barreiras requer estratégias integradas que valorizem a liderança clínica do enfermeiro, a educação continuada, a comunicação multiprofissional e o uso eficiente de recursos tecnológicos (ALMEIDA; PEREIRA, 2021; COSTA; LIMA; BARBOSA, 2022; SILVA et al., 2021). A atuação efetiva do enfermeiro não apenas melhora os desfechos clínicos e reduz a mortalidade, mas também contribui para a construção de protocolos institucionais mais robustos, fluxos de trabalho eficientes e políticas públicas voltadas à segurança do paciente, reforçando a centralidade da enfermagem na gestão de situações críticas de urgência e emergência (SANTOS; OLIVEIRA, 2022; FERREIRA; MACHADO; AZEVEDO, 2020).
6. CONCLUSÃO
A sepse permanece como uma das principais causas de mortalidade hospitalar no Brasil e no mundo, representando um desafio complexo para os serviços de saúde. A revisão integrativa apresentada demonstrou que a atuação do enfermeiro é determinante para o reconhecimento precoce, a implementação do protocolo de sepse e a coordenação das ações multiprofissionais. O protagonismo da enfermagem está diretamente associado à redução da mortalidade, à melhoria dos desfechos clínicos e ao fortalecimento da cultura de segurança do paciente.
Entretanto, o estudo evidencia que persistem barreiras significativas, como limitações estruturais, escassez de recursos humanos e materiais, além da necessidade de educação permanente e atualização profissional contínua. A sobrecarga de trabalho e a falta de infraestrutura adequada comprometem a eficácia das intervenções e a adesão aos protocolos clínicos, demandando políticas institucionais voltadas ao fortalecimento da enfermagem e à valorização de sua liderança.
A integração de tecnologias digitais, aliada a programas de capacitação e gestão participativa, surge como caminho promissor para aprimorar o manejo da sepse. Essas estratégias, quando associadas à comunicação interprofissional eficiente, têm potencial para transformar a prática clínica e garantir respostas mais rápidas e precisas frente a situações críticas.
Portanto, fortalecer a autonomia do enfermeiro, investir em infraestrutura, fomentar a educação permanente e promover a interdisciplinaridade são medidas indispensáveis para otimizar o cuidado ao paciente séptico. A consolidação de uma assistência baseada em evidências e centrada no paciente depende diretamente da valorização do papel da enfermagem na linha de frente do atendimento.
Em síntese, o enfrentamento efetivo da sepse requer compromisso institucional e político com a qualidade do cuidado. O enfermeiro, enquanto líder clínico e agente de transformação, ocupa posição estratégica nesse processo, sendo peça-chave para a redução da mortalidade e para a construção de um sistema de saúde mais seguro, eficiente e humano.
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1Discentes da universidade Anhembi Morumbi
2Docente da universidade Anhembi Morumbi
3Coordenadora geral da área da saúde da universidade Anhembi Morumbi
4Preceptor do curso de Enfermagem da universidade Anhembi Morumbi
