REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ni10202508101556
Sandriely Maria Borges Praxedes1
Orientadora: Isabela Sochodolak Frankiu2
RESUMO: O aleitamento materno é considerado o alimento mais completo e sua prática é importante para a saúde materno-infantil, porém, o sucesso da amamentação depende de vários fatores. O objetivo deste estudo foi analisar pesquisas que apresentam orientações fornecidas por enfermeiros sobre o aleitamento materno, evidenciando sua atuação nas ações educativas em redes de saúde pública. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, com buscas realizadas nas bases de dados Portal do CAPES, BVS e PubMed entre os períodos 2020 a 2025 utilizando dos descritores “Breastfeeding” AND “Nurse” AND “Public Health”. Foram selecionados 8 artigos que destacam que o sucesso da amamentação está relacionado ao aconselhamento oferecido, a estrutura institucional, escuta ativa e educação continuada dos profissionais, especialmente os enfermeiros. Conclui-se que a orientação sobre amamentação vai além do técnico: trata-se de cuidado integral. A participação do enfermeiro ao conciliar conhecimento científico com apoio e presença para a mãe, contribui fortalecendo a confiança materna e na superação de desafios durante a lactação. O período gestacional é o momento para passar informações seguras e humanizadas para promover o aleitamento materno.
Palavra Chave: Amamentação; Enfermeiro; Saúde Pública
ABSTRACT: Breastfeeding is considered the most complete nutrition, and its practice is important for maternal and child health. However, successful breastfeeding depends on several factors. The objective of this study was to analyze research presenting guidance provided by nurses on breastfeeding, highlighting their role in educational initiatives in public health networks. This is an integrative literature review, with searches conducted in the CAPES Portal, BVS, and PubMed databases between 2020 and 2025 using the descriptors “Breastfeeding” AND “Nurse” AND “Public Health.” Eight articles were selected, highlighting that successful breastfeeding is related to the counseling provided, institutional structure, active listening, and continuing education of professionals, especially nurses. The conclusion is that breastfeeding guidance goes beyond technical aspects: it is comprehensive care. The nurse’s participation, combining scientific knowledge with support and presence for the mother, contributes to strengthening maternal confidence and overcoming challenges during lactation. The gestational period is the time to pass on safe and humanized information to promote breastfeeding.
Keywords: Breastfeeding; Nurse; Public Health;
1. INTRODUÇÃO
O aleitamento materno é recomendado como alimento exclusivo até o sexto mês de vida do lactente. O leite é produzido naturalmente pelo corpo da mulher e é o único que contém anticorpos e outros componentes que preservam o sistema imunológico da criança, contribuindo para a redução da morbimortalidade infantil. Além disso, quando oferecido até os dois anos de idade é associado à redução de doenças crônicas na vida adulta. Nesse período, ocorrem modificações fisiológicas e neurológicas significativas, favorecendo o desenvolvimento de funções cognitivas complexas, inteligência, acuidade visual e as competências socioemocionais (BRASIL.Ministério da Saúde, 2009).
Apesar dos inúmeros benefícios comprovados, o índice de amamentação exclusiva para lactentes permanece abaixo do recomendado. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a meta estabelecida pela Assembleia Mundial de Saúde a ser alcançada até 2025 é de aumentar esses números em 50%, pelo menos. Estudos apontam que grande parte da baixa adesão pode ser consequência de crenças populares, dificuldades físicas e emocionais, a inserção da mulher no mercado de trabalho, falta de orientação sobre o aleitamento materno ou simplesmente pela praticidade das fórmulas infantis. Deve-se considerar que esses fatores causam um grande impacto na mortalidade infantil (VICTORA et al., 2016).
Durante o pré-natal é importante que as gestantes recebam orientações sobre a amamentação para a saúde do bebê e da mãe. Elas devem ser informadas sobre os benefícios para o sistema imunológico do recém-nascido e o favorecimento do vínculo entre mãe e filho. Além disso, o ensino prático e teórico sobre as técnicas corretas da amamentação é essencial para uma mamada efetiva (BRASIL. Ministério da Saúde, 2015). Segundo Demito et al., (2010), o acesso às informações qualificadas sobre amamentação favorece decisões conscientes, aumentam a segurança da puérpera e melhoram a vivência da maternidade.
O aconselhamento qualificado de profissionais de saúde é essencial para apoiar as mães no processo de amamentação. No entanto, é igualmente importante compreender como essas mulheres vivenciam esse aconselhamento na prática. Ouvir as experiências das mães permite identificar quais abordagens foram eficazes, quais dificuldades enfrentam e como o apoio foi compreendido emocionalmente. Com isso, é possível aprimorar as práticas profissionais, tornando a orientação mais sensível, acolhedora e eficaz (Hamnoy et al., 2024).
O enfermeiro é o primeiro profissional de saúde a ter contato com a gestante durante o acompanhamento de pré-natal, portanto, precisa ter um papel estratégico na promoção do aleitamento materno conforme as diretrizes da Organização Mundial da Saúde. A orientação é essencial nesse período para reforçar a autoconfiança da mãe no momento da amamentação. Quando recebem um bom direcionamento, a frustração, dor e desmame precoce podem ser evitados (BRASIL. Ministério da Saúde, 2009).
Considerando que a orientação sobre aleitamento materno durante a gestação contribui para a saúde materno-infantil, reconhece-se o papel fundamental dos profissionais de saúde nesse momento. Diante disso, este estudo teve como objetivo analisar orientações realizadas por enfermeiros sobre aleitamento materno durante a gestação e compreender como elas impactam o conhecimento e a vivência das gestantes.
2. METODOLOGIA
O presente estudo trata-se de uma revisão integrativa da literatura. Essa pesquisa seguiu as oito etapas de uma revisão integrativa descrita por Whittemore e Knafl (2005), sendo elas: 1) Definição do problema; 2) Estabelecimento dos critérios de exclusão e inclusão; 3) Buscas nas bases de dados; 4) Seleção dos estudos; 5) Extração e organização dos dados; 6) Análise crítica dos estudos incluídos; 7) Sínteses dos resultados e 8) Apresentação da revisão.
A busca dos artigos foi realizada entre os períodos de 2020 a 2025, nos idiomas português e inglês em três bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PUBMED e Portal de Periódicos da CAPES. Foram utilizados os seguintes descritores: “Breastfeeding” AND “Nurse” AND “Public Health”. Conforme mostra o fluxograma do processo de seleção dos artigos incluídos nesta revisão (Figura 1), foram identificadas e analisadas as publicações nas bases de dados, totalizando 217 artigos inicialmente localizados.
Figura 1: Fluxograma de seleção dos artigos para revisão integrativa

3. RESULTADOS
Os artigos estudados na presente pesquisa estão apresentados no quadro a fim de facilitar a análise:
Tabela 01: Dados dos artigos selecionados para a revisão integrativa
| N | Autor/Ano de publicação/ Origem da fonte | Título | Objetivos | Metodologia | Principais resultados |
| 1 | Hamnøy I.L., Kjelsvik M, Bærug AB, Dahl BM. 2024 | Um ato de equilíbrio — experiências de parteiras e enfermeiras de saúde pública com aconselhamento sobre amamentação | Pesquisar sobre as experiências de parteiras e enfermeiras no aconselhamento sobre amamentação e como é realizada essa prática. | Abordagem qualitativa com 8 parteiras e 13 enfermeiras norueguesas da saúde pública. As entrevistas foram guiadas por um roteiro com foco em conhecimento e habilidade. | Responsabilidade interprofissional, busca pela competência profissional e habilidade para oferecer um suporte qualificado para a família. |
| 2 | Walsh A. et al.; 2023 | As necessidades de apoio e as práticas atuais dos enfermeiros de saúde pública na República da Irlanda que prestam apoio a mães que amamentam. | Identificar as práticas atuais e os recursos utilizados pelos enfermeiros da saúde pública que prestam apoio a amamentação na Irlanda | Estudo transversal com questionário online. Participaram 66 enfermeiros de saúde pública que atuam em uma organização comunitária na Irlanda. | Dos entrevistados apenas 14 deles utilizam o BOAT e enfermeiros com o certificado de IBCLC demonstram mais segurança e confiança na amamentação |
| 3 | Ojantausta O. et al.; 2025 | Competências dos enfermeiros de saúde pública relacionadas com a assistência a longo prazo Amamentação no Contexto da Saúde Materno-Infantil Clínicas. | Explorar o conhecimento dos enfermeiros de saúde pública na Finlândia em relação à amamentação a longo prazo. | Estudo quantitativo, descritivo e transversal. 270 enfermeiros participaram e o instrumento utilizado foi a Escala de Competência em Amamentação a Longo Prazo. | O estudo mostrou que os enfermeiros da saúde pública não têm competência em relação à amamentação de longo prazo. |
| 4 | Câmara, A., Emmott, E., Myers, S. et al.; 2023 | Apoio social emocional e informativo de visitantes de saúde e resultados da amamentação no Reino Unido | Estudar como o apoio emocional e informativo ofertado pelos enfermeiros influencia na amamentação | Pesquisa online com abordagem quantitativa. 565 mães do Reino Unido que deram à luz nos últimos 24 meses | O apoio emocional para as mães influencia no aleitamento e tem um aumento significativo na taxa de amamentação |
| 5 | Hamnøy I.L., Kjelsvik M, Bærug AB, Dahl BM. 2024 | Experiências de mães lactantes com aconselhamento sobre amamentação: um estudo qualitativo | Mostrar as experiências vividas por lactantes ao receberem aconselhamento sobre amamentação por enfermeiros da saúde pública. | Um estudo qualitativo com abordagem fenomenológica hermenêutica inspirada em Max Van Manen. Participaram 11 mães com lactentes de até 2 anos | O estudo mostra que aconselhamento qualificado e relações de confiança com parteiras e enfermeiras são essenciais para o sucesso da amamentação |
| 6 | Pramono A., Smith J. et al.; 2022 | Como parteiras e enfermeiras vivenciam a implementação de dez passos para uma amamentação bem-sucedida: um estudo de caso qualitativo em uma maternidade indonésia | Identificar as experiências de parteiras e enfermeiras ao utilizar a implementação dos dez passos para uma amamentação bem sucedida na Indonésia | Estudo qualitativo com análise temática. Participaram 6 parteiras e 8 enfermeiras com 1 ano de experiência | Mesmo tendo conhecimento e usando o os dez passos a realidade para os profissionais de saúde é cheia de obstáculos, pois enfrentam barreiras institucionais e estruturais |
| 7 | Lyndon A. et al.; 2022 | Diretrizes de pessoal relatadas por enfermeiros e Aleitamento Materno Exclusivo | Investigar a relação dos enfermeiros sobre equipe, a omissão de cuidados de enfermagem durante o trabalho de parto, o pós parto, e a amamentação exclusiva com leite materno durante a hospitalização | Análise quantitativa com 2.691 enfermeiros em 184 hospitais dos Estados Unidos | A organização da equipe influencia na amamentação exclusiva durante a internação da puérpera. |
| 8 | Gustafsson A. et al.; 2022 | Influências da Escala de Dificuldade Existencial na Amamentação no diálogo de cuidado – Experiências vividas por enfermeiras de saúde infantil | Relatar experiências vividas por enfermeiros quanto ao uso da Escala ExBreastS | Estudo qualitativo com abordagem fenomenológica descritiva. Participaram 17 enfermeiras da Suécia com experiência no uso da Escala | Esse estudo mostra como o Escala ExBreastS pode influenciar na relação entre o enfermeiro e a mãe e os impactos na amamentação. |
Hamnøy et.al. (2024) relata o papel dos profissionais da saúde pública da Noruega. O apoio à amamentação e os desafios enfrentados e as diferentes situações durante o aconselhamento da amamentação exigiu conhecimento técnico e competência na comunicação. Neste artigo, os profissionais mencionam a necessidade de interação entre a família e a puérpera e conhecimento em bases científicas para transmitir segurança para as mães e família. Contudo, as enfermeiras e parteiras enfrentam desafios de aliar conhecimento técnico com empatia a fim de que elas atuem com a escuta ativa e compreensão.
Pramono et.al. (2022) pesquisou práticas atuais utilizadas pelas enfermeiras da saúde pública da Irlanda durante a amamentação. Neste estudo foi avaliado que os profissionais que têm a certificação de IBCLC (International Board Certified Lactation Consultant) possuem um nível de competência e confiança maior. O IBCLC é um título reconhecido internacionalmente para consultores especializados em amamentação, o qual oferece um atendimento especializado na lactação e ajuda as mães nas dificuldades durante o processo.
Além disso, os autores descrevem que as enfermeiras enfrentam desafios na orientação à amamentação, especialmente aquelas que não sabem utilizar a ferramenta BOAT (Instrumento de Avaliação de Barreiras Organizacionais aos Cuidados de Enfermagem). A mesma é utilizada para identificar barreiras que atrapalham a puérpera no processo de amamentação no hospital. Essa ferramenta pode ser usada para identificar a falta de profissionalismo e capacitação, atenção reduzida entre a mãe e RN ou o fluxo do atendimento é ineficiente. Portanto, se faz necessário a educação continuada para que os profissionais estejam preparados para oferecer cuidado qualificado às mães que amamentam (PRAMONO et.al., 2022)
Os autores Ojantausta et.al. (2024) buscaram conhecer as competências dos enfermeiros das unidades básicas de saúde na Finlândia em relação à promoção do aleitamento materno a longo prazo. A utilização da Escala de Competência em Amamentação de Longo Prazo permite análises sobre conhecimento, atitudes dos profissionais e habilidades para a promoção do aleitamento materno. Conforme a idade da criança aumentava, após os 2 anos, os profissionais tiveram um resultado negativo o qual prejudicou no suporte à amamentação. Além disso, os aspectos culturais implicam no comportamento profissional e prejudicam a amamentação. O estudo destaca a importância do conhecimento, da habilidade e da certificação IBCLC (International Board Certified Lactation Consultant) o qual é um profissional especializado em amamentação, com certificação internacional que oferece apoio clínico e educativo para um desempenho significativo na prática do aleitamento materno.
O artigo de Câmaras et.al. (2024) afirma que o apoio oferecido para as mães no pós parto influencia no aumento da taxa de amamentação. O estudo realizado com as mães do Reino Unido mostra que o acolhimento afetivo tem um grande impacto na amamentação pois reduz riscos de desmame precoce. A pesquisa reforça a importância da formação emocional para os enfermeiros da saúde pública, onde vai ser uma estratégia eficaz para o aumento da taxa de amamentação.
O estudo de Hamnoy et.al. (2024) teve como objetivo conhecer as experiências de mulheres que receberam orientação sobre a amamentação de enfermeiras da saúde pública. O apoio dos profissionais qualificados foi importante para que as mães continuassem amamentando. Além disso, o apoio dos pais foi fundamental no papel da amamentação.
Pramono et.al. (2022) mostrou que a prática dos Dez Passos para o Sucesso do Aleitamento Materno é cheia de desafios estruturais, culturais e organizacionais. Trata-se de uma diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) que promove e apoia a amamentação exclusiva desde o nascimento. Esse material é um roteiro de boas práticas que os profissionais de saúde devem seguir para apoiar as mães durante a amamentação, porém, os profissionais de saúde relatam algumas limitações. Outro ponto é que não existem recursos suficientes para treinar os profissionais e a infraestrutura limita a prática dos dez passos. A forte presença de indústrias de fórmulas infantis na Indonésia e o marketing acabam dificultando a aceitação do leite materno e a resistência cultural torna-se um desafio para a promoção do aleitamento.
No artigo de Lyndon (2022) foi realizada uma pesquisa para entender como a organização da equipe pode afetar a amamentação exclusiva durante a hospitalização da puérpera e do recém-nascido. Quanto maior a organização da equipe, maior a chance de a mãe conseguir amamentar, pois os profissionais de enfermagem têm mais tempo para realizar os cuidados e orientações. Se há escassez de profissionais ou excesso de trabalho, a equipe não consegue realizar o que é proposto.
O estudo de Gustafsson et.al. (2022) investigou sobre o uso da Escala ExBreastS que foi criada e desenvolvida na Suécia para compreender e identificar dificuldades que as mulheres enfrentam durante a amamentação. Essa escala contém 16 itens que abordam questões como apoio para uma escuta ativa onde o profissional vai fortalecer o vínculo, promover o cuidado individualizado e ajudar na autoconfiança. Essa escala ajudou os enfermeiros a enxergar desafios emocionais e psicológicos, melhorou o diálogo entre profissional-mãe e levou uma compreensão ainda melhor das experiências vividas. Alguns enfermeiros relatam que essa escala pode deixar o atendimento massante prejudicando a naturalidade da consulta com a mãe.
4. DISCUSSÃO
Os estudos analisados abordam temas diversos, porém todos com o mesmo objetivo: o sucesso da amamentação relacionado ao aconselhamento prestado, à estrutura institucional, a escuta ativa e a formação continuada dos profissionais.
Câmara et.al. (2024) fala sobre o apoio emocional prestado pelos enfermeiros. Ele afirma notar um maior impacto na amamentação e nas experiências positivas das mães do que na qualificação técnica. As puérperas que foram acolhidas e apoiadas emocionalmente têm mais chances de continuar amamentando, diferente da ideia de Walsh et.al. (2023) que diz que a formação técnica traz mais confiança, precisão clínica e autonomia para o profissional.
Hamnoy et.al. (2024) fala sobre a forma como o aconselhamento é conduzido. Quando o atendimento é técnico, frio e rápido as mães se sentem frustradas e desvalorizadas, podendo induzir o desmame precoce. O estudo mostra que a forma em que o profissional trabalha, faz toda a diferença para uma amamentação de sucesso. A Implementação dos Dez Passos para uma Amamentação Bem Sucedida, que promove o aleitamento materno e é utilizada em maternidades por profissionais da atenção primária, não depende apenas dos profissionais, mas de um sistema de saúde e de investimentos para treinar o profissional. Pramono et.al. (2022) demonstra que mesmo que as parteiras e enfermeiras usem a ferramenta, se faz necessário a inserção de um contexto que ofereça infraestrutura, suporte e políticas públicas para promover o aleitamento materno.
Gustafsson et.al. (2022) cita a importância da consciência crítica por parte dos profissionais de saúde. Quando um profissional utiliza adequadamente uma ferramenta desenvolvida para avaliar a percepção das mães quanto à sua experiência com a amamentação, pode-se encontrar um resultado positivo. Essa escala de auto aplicação é preenchida pela própria mãe e tem o objetivo de identificar emoções negativas e positivas vivenciadas durante a amamentação. Quando aplicada de maneira espontânea pode favorecer o aleitamento materno. No entanto, se for utilizada de forma mecânica pode impedir o diálogo espontâneo entre o profissional e a lactante.
Walsh et.al. (2023) utiliza em seus estudos a ferramenta BOAT (Instrumento de Avaliação de Barreiras Organizacionais aos Cuidados de Enfermagem), caracterizada como um instrumento psicométrico que permite identificar e avaliar barreiras que comprometem a assistência de enfermagem. Ela é utilizada para melhorar a qualidade da amamentação e o manejo clínico, porém o autor defende que a ferramenta BOAT só terá efeito se os profissionais forem qualificados para tal utilidade. Contudo, muitos enfermeiros não a utilizam de maneira correta por falta de treinamento adequado. Os artigos (1, 2, 4, 6, 8,) são com foco nos profissionais, o qual discutem o papel, a formação, a organização de equipe e as ferramentas utilizadas. Já o foco na mãe e no apoio recebido é encontrado nos artigos (3, 5, 7) pois avaliam como as diferentes formas de apoio podem influenciar na amamentação. Os artigos (6,8) mostram como as condições de trabalho, liderança e recursos melhoram a prática profissional e o sucesso na amamentação.
Para que a mulher consiga cumprir seu papel de nutriz, ela precisa do apoio de profissionais de saúde, família, sociedade e de políticas públicas. Muitas delas enfrentam dificuldade no início, e se os profissionais forem capacitados, conseguem intervir a fim de evitar o desmame precoce. Muitas puérperas não recebem informações suficientes ou corretas sobre a amamentação com o objetivo de prevenir a suspensão antecipada do aleitamento materno exclusivo (DEMITO et al., 2010);
Os estudos ressaltam que o papel do enfermeiro e parteiras é importante no aspecto técnico e no aspecto emocional. Fatores como formação profissional, o uso adequado de ferramentas específicas, organização da equipe e apoio da família podem influenciar na experiência da amamentação e no sucesso do aleitamento materno. Ademais, desafios são enfrentados em locais que faltam recursos, uma liderança responsável e políticas claras.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise desses artigos deixa claro que a amamentação é um processo complexo pois exige muito mais do que conhecimento técnico: ela depende de uma atenção estruturada e contínua. A atuação do enfermeiro vai muito além de conhecimento técnico, os aspectos relacionais como apoio, escuta e apoio emocional também são de extrema importância.
O sucesso da amamentação depende de um conjunto de ações, onde o cuidado emocional e a presença do profissional fazem toda diferença. Durante a gestação é importante que a mulher receba informações de formas claras e que tragam segurança, pois esse momento é ideal para preparar tanto o corpo quanto a mente. Quando a puérpera possui assistência e está apta, grande parte das dificuldades relatadas podem ser evitadas.
Conclui-se que a promoção do aleitamento materno exige uma atenção especial, incluindo uma educação continuada, apoio e investimento institucional. A orientação sobre aleitamento materno não é apenas uma tarefa técnica, mas uma atitude de cuidado humano. Quando se tem atenção, respeito e paciência, os resultados são favoráveis para a mãe e para o lactente.
6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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1Centro Universitário Campo Real
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