ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA EDUCAÇÃO EM SAÚDE E NA PREVENÇÃO DO PÉ DIABÉTICO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ra10202601202330


Thales Goulart Dias¹
Maria Cecília Costa Felipini²
Graciella de Sousa Veras³
Teresinha Cícera Teodora Viana⁴
Nayane Cristina Salvador Ferronato⁵
Thainara Campos da Silva⁶


Resumo:

Diabetes Mellitus (DM) é uma doença crônica não transmissível de grande impacto na saúde pública, caracterizada pela hiperglicemia decorrente de alterações na produção ou na ação da insulina. Entre suas principais complicações destaca-se o pé diabético, condição multifatorial associada, principalmente, à neuropatia periférica, que aumenta o risco de lesões, infecções e amputações. Na Atenção Primária à Saúde (APS), o cuidado à pessoa com DM deve ser contínuo e preventivo, com ênfase na atuação do enfermeiro na avaliação clínica dos pés e no desenvolvimento de ações educativas voltadas ao autocuidado. Objetivo: Identificar fatores de risco para o desenvolvimento do pé diabético em pessoas com Diabetes Mellitus atendidas na Atenção Primária à Saúde, por meio da avaliação clínica dos pés e da promoção de ações de educação em saúde. Métodos: Estudo quantitativo, transversal, descritivo e exploratório, realizado em uma Unidade Básica de Saúde do município de Pimenta Bueno, Rondônia, com a participação de 45 pessoas diagnosticadas com Diabetes Mellitus, com idades entre 18 e 65 anos, durante oficinas educativas. Foram avaliados fatores históricos, presença de alterações nos pés, deformidades, sensibilidade protetora e condições vasculares. Resultados: Mais da metade dos participantes apresentou fatores de risco prévios, destacando-se o tempo de diagnóstico superior a 10 anos e o controle glicêmico inadequado. A maioria apresentou alterações atuais nos pés, como pele seca, calosidades, corte inadequado das unhas e queixas sensitivas. A ausência da sensibilidade protetora foi identificada em parte da amostra, assim como a presença de deformidades anatômicas e alterações vasculares. Conclusão: Os achados evidenciam a presença significativa de fatores de risco para o desenvolvimento do pé diabético, reforçando a importância da atuação do enfermeiro na Atenção Primária à Saúde, por meio da avaliação sistemática dos pés e de ações educativas contínuas, como estratégias essenciais para a prevenção de complicações e a promoção do autocuidado e da qualidade de vida das pessoas com Diabetes Mellitus.

Palavras-chave: Diabetes Mellitus; Pé diabético; Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Educação em saúde.

Abstract

Diabetes Mellitus (DM) is a chronic non-communicable disease with a significant impact on public health, characterized by hyperglycemia resulting from alterations in insulin production or action. Among its main complications, diabetic foot stands out, a multifactorial condition primarily associated with peripheral neuropathy, which increases the risk of injuries, infections, and amputations. In Primary Health Care (PHC), care for individuals with DM should be continuous and preventive, with emphasis on the nurse’s role in the clinical assessment of the feet and in the development of educational actions focused on self-care. Objective: To identify risk factors for the development of diabetic foot in people with Diabetes Mellitus treated in Primary Health Care, through clinical foot assessment and the promotion of health education actions. Methods: This was a quantitative, cross-sectional, descriptive, and exploratory study conducted at a Primary Health Care Unit in the municipality of Pimenta Bueno, Rondônia, Brazil, with the participation of 45 people with Diabetes Mellitus, aged between 18 and 65 years, during educational workshops. Historical risk factors, current foot alterations, deformities, protective sensation, and vascular conditions were evaluated. Results: More than half of the participants presented previous risk factors, notably a duration of diabetes longer than 10 years and inadequate glycemic control. Most participants presented current foot alterations, such as dry skin, calluses, inadequate nail trimming, and sensory complaints. The absence of protective sensation was identified in part of the sample, as well as the presence of anatomical deformities and vascular alterations. Conclusion: The findings highlight the significant presence of risk factors for the development of diabetic foot, reinforcing the importance of the nurse’s role in Primary Health Care through systematic foot assessment and continuous educational actions as essential strategies for preventing complications and promoting self-care and quality of life in people with Diabetes Mellitus.

Keywords: Diabetes Mellitus; Diabetic Foot; Primary Health Care; Nursing; Health Education.

Introdução

Diabetes Mellitus (DM) configura-se como uma das doenças crônicas não transmissíveis de maior impacto no cenário mundial, apresentando crescimento expressivo, sobretudo em países em desenvolvimento. Esse aumento está diretamente relacionado a fatores como o envelhecimento populacional, o processo acelerado de urbanização, mudanças no estilo de vida, sedentarismo, elevação dos índices de obesidade e maior sobrevida das pessoas acometidas (CARVALHO, et al., 2021).

Trata-se de uma condição metabólica caracterizada pela hiperglicemia persistente, decorrente de alterações na produção ou na ação da insulina, sendo responsável por elevadas taxas de morbimortalidade, internações hospitalares e sobrecarga dos sistemas de saúde.

Entre as complicações crônicas mais frequentes e graves da DM destaca-se o pé diabético, uma condição multifatorial que envolve alterações neurológicas, vasculares, ortopédicas e infecciosas, podendo evoluir para úlceras, infecções graves e amputações de membros inferiores. A neuropatia periférica é apontada como um dos principais fatores de risco, pois promove a perda progressiva da sensibilidade protetora, tornando os pés mais vulneráveis a traumas, lesões e infecções. Associada a isso, as alterações motoras e estruturais favorecem deformidades osteoarticulares, aumentando os pontos de pressão e o risco de ulceração dos pés (OLIVEIRA NETO, et al., 2017).

 No contexto da Atenção Primária à Saúde, o cuidado à pessoa com Diabetes Mellitus deve ser contínuo, integral e centrado na prevenção de complicações. No Brasil, esse cuidado é desenvolvido por equipes multiprofissionais, com destaque para a atuação do enfermeiro, que desempenha papel estratégico no acompanhamento clínico, na avaliação sistemática dos pés e no desenvolvimento de ações de educação em saúde. A consulta de enfermagem permite a identificação precoce de fatores de risco, o conhecimento da realidade socioeconômica e dos hábitos de vida do paciente, além da construção de um plano de cuidados individualizado (CUBAS, et al., 2013).

 Nesse sentido, as ações educativas voltadas ao autocuidado com os pés são fundamentais para reduzir a incidência de lesões ulcerativas e amputações, uma vez que capacitam o indivíduo a reconhecer sinais de alerta, adotar práticas seguras no cuidado diário e buscar assistência de forma oportuna. Assim, a atuação do enfermeiro na educação em saúde, aliada à avaliação clínica criteriosa e ao acompanhamento sistemático, torna-se essencial para a prevenção do pé diabético, a promoção da qualidade de vida e a redução dos agravos associados ao Diabetes Mellitus.

Métodos

 Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, descritivo e exploratório, realizado na Unidade Básica de Saúde Madre Tereza de Calcutá, localizada no município de Pimenta Bueno, Rondônia. A pesquisa foi desenvolvida a partir dos dados coletados durante as Oficinas de Cuidados destinadas a pessoas com Diabetes Mellitus, realizadas nos dias 08, 10, 18 e 22 de dezembro de 2025.

A população do estudo foi composta por pessoas diagnosticadas com Diabetes Mellitus, acompanhadas pela referida unidade de saúde. A amostra foi do tipo não probabilística, por conveniência, sendo constituída por 45 participantes que atenderam aos critérios de inclusão e aceitaram participar da pesquisa.

Foram incluídos indivíduos com idade entre 18 e 65 anos, com diagnóstico médico prévio de Diabetes Mellitus, pertencentes à área adscrita da Unidade Básica de Saúde Madre Tereza de Calcutá e que participaram das oficinas educativas no período da coleta de dados. Foram excluídos aqueles que apresentavam limitações cognitivas que impossibilitassem a compreensão das orientações ou a realização da avaliação clínica, pacientes com diagnóstico não confirmado de Diabetes Mellitus ou caracterizados como pré-diabéticos, bem como os que não aceitaram participar do estudo.

A coleta de dados ocorreu em dois momentos: inicialmente, durante as oficinas educativas, foi realizada a abordagem dos participantes com a apresentação do projeto e a aplicação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE); em seguida, procedeu-se a consultas individuais com a avaliação clínica sistematizada dos pés, utilizando instrumentos padronizados, conforme preconizado para o rastreio do pé diabético na Atenção Primária à Saúde. Adicionalmente, os dados clínicos e laboratoriais, como tempo de diagnóstico, comorbidades e valores de HbA1c, foram obtidos por meio de consulta aos prontuários eletrônicos municipais dos pacientes.

Foram avaliadas as seguintes variáveis: fatores históricos de risco (tempo de diagnóstico, controle glicêmico, presença de comorbidades, história prévia de úlcera ou amputação), fatores de risco atuais nos pés (alterações dermatológicas, presença de lesões, alterações ungueais e queixas sensitivas), presença de deformidades anatômicas, sensibilidade protetora plantar, avaliada por meio de monofilamento de 10 g, condições vasculares, por meio da palpação dos pulsos pedioso e tibial posterior e, por fim, a classificação de risco para o desenvolvimento do pé diabético, conforme protocolos clínicos vigentes.

Os dados coletados foram organizados em planilhas eletrônicas e analisados por meio de estatística descritiva, com cálculo de frequências absolutas e relativas, sendo os resultados apresentados na forma de tabelas e descritos de maneira analítica.

No que se refere aos aspectos éticos, a pesquisa foi conduzida em conformidade com os princípios éticos que regem as pesquisas envolvendo seres humanos, estabelecidos pelas Resoluções do Conselho Nacional de Saúde nº 466/2012 e nº 510/2016. O projeto foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Maurício de Nassau de Cacoal – UNINASSAU, sob o Parecer nº 7.880.925 e CAAE: 91830325.6.0000.5298. Todos os participantes foram devidamente esclarecidos sobre os objetivos, riscos e benefícios do estudo e somente participaram após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Resultados

 Participaram do estudo 45 pessoas diagnosticadas com Diabetes Mellitus, acompanhadas pela Unidade Básica de Saúde Madre Tereza de Calcutá, no município de Pimenta Bueno, Rondônia. Os resultados apresentados a seguir referem-se à avaliação dos fatores de risco históricos, das alterações atuais nos pés, das deformidades anatômicas, da sensibilidade protetora, das condições vasculares e da classificação de risco para o desenvolvimento do pé diabético.

Histórico de fatores de risco

 Dos 45 pacientes avaliados, 26 foram homens (57,8%) e 19 mulheres (42,2%). Dos 45 participantes avaliados, 25 (55,6%) apresentaram pelo menos um fator de risco prévio para o desenvolvimento de complicações do pé diabético, enquanto 20 indivíduos não apresentaram fatores de risco identificados. Entre aqueles com fatores de risco, observou-se que 17 pacientes (37,8%) apresentavam tempo de diagnóstico de Diabetes Mellitus superior a 10 anos e 12 (26,7%) possuíam níveis de HbA1c ≥ 7%, indicando controle glicêmico inadequado. A presença de úlcera ou amputação prévia foi identificada em 4 participantes (8,9%). Quanto às comorbidades associadas, 7 indivíduos (15,6%) relataram visão comprometida e 3 (6,7%) apresentavam doença renal. Não foram registrados casos de claudicação (0%). O tabagismo foi referido por apenas 1 participante (2,2%).

Fatores de risco atuais

 Dos 45 pacientes avaliados, observou-se que 32 pacientes (71,1%) apresentaram pelo menos uma alteração ou fator de risco atual nos pés, enquanto os demais não apresentaram alterações no momento da avaliação. Entre as alterações observadas, a condição mais frequente foi a pele seca, presente em 23 indivíduos (51,1%). As calosidades foram identificadas em 12 pacientes (26,7%) e o corte indevido das unhas em 13 indivíduos (28,9%). A presença de parestesia ou formigamento foi relatada por 10 pacientes (22,2%).

 Outras alterações incluíram maceração em 5 pacientes (11,1%), infecção fúngica e fissuras em 4 indivíduos cada (8,9%), e ulceração e pele fria em 3 pacientes cada (6,7%). Edema e palidez foram observados em 2 pacientes cada (4,4%), enquanto dor esteve presente em apenas 1 paciente (2,2%). Não foram identificados casos de pele quente, cianose ou eritema.

Deformidades anatômicas

 Entre os 45 participantes avaliados, 11 pacientes (24,4%) apresentaram pelo menos um tipo de deformidade nos pés. As alterações estruturais mais frequentes foram dedos em garra, observados em 3 pacientes (6,7%), seguidos por joanetes e dedos cavalgados, identificados em 2 indivíduos cada (4,4%). Em parte dos participantes, observaram-se alterações importantes da arquitetura do pé, sugestivas de comprometimento osteoarticular crônico. Ressalta-se, entretanto, que não foi objetivo do estudo estabelecer diagnósticos clínicos definitivos, como artropatia de Charcot, uma vez que isso requer avaliação especializada e exames de imagem, não disponíveis no contexto da Atenção Primária à Saúde.

Sensibilidade protetora

 No rastreio para neuropatia periférica realizado com os 45 participantes, verificou-se que 26 indivíduos (57,8%) apresentaram sensibilidade protetora preservada, enquanto 19 participantes (42,2%) apresentaram ausência de sensibilidade protetora.

Avaliação vascular do pé direito

 Na avaliação vascular do pé direito, observou-se que a maioria dos participantes apresentou pulso pedioso palpável, identificado em 37 pacientes (82,2%), enquanto 8 (17,8%) não apresentaram esse pulso palpável. Em relação ao pulso tibial posterior, este foi palpável em 40 participantes (88,9%), ao passo que em 5 indivíduos (11,1%) não foi possível identificá-lo à palpação.

Avaliação vascular do pé esquerdo

 Quanto ao pé esquerdo, verificou-se que o pulso pedioso foi palpável em 38 participantes (84,4%), enquanto 7 indivíduos (15,6%) não apresentaram pulso pedioso palpável. Já o pulso tibial posterior esteve presente em 40 participantes (88,9%) e ausente em 5 indivíduos (11,1%).

Classificação de risco

 A classificação de risco realizada com os 45 pacientes demonstrou predominância de níveis mais baixos de risco. Observou-se que 21 indivíduos (46,7%) foram classificados como risco muito baixo, enquanto 17 participantes (37,8%) apresentaram risco baixo. Em menor proporção, 4 indivíduos (8,9%) foram enquadrados na categoria de risco moderado e 3 participantes (6,7%) apresentaram alto risco.

Discussão

 Os resultados deste estudo evidenciam a presença significativa de fatores de risco atuais para o desenvolvimento do pé diabético entre os participantes, mesmo em um contexto no qual predomina a classificação de baixo risco. Esse achado está em consonância com a literatura, que aponta que, na Atenção Primária à Saúde, muitos indivíduos já apresentam alterações nos pés antes do surgimento de lesões estabelecidas, o que reforça a importância de estratégias preventivas sistemáticas, como destacado por Campos et al. (2023), Caiafa et al. (2011) e Oliveira Neto et al. (2017).

 As alterações cutâneas, especialmente pele seca, calosidades e fissuras, configuraram os achados mais prevalentes. Essas condições comprometem a integridade da barreira cutânea e aumentam a suscetibilidade a lesões e infecções quando não adequadamente manejadas. Esse padrão também é descrito em estudos nacionais, bem como em investigações conduzidas por Oliveira Neto et al. (2017) e Caiafa et al. (2011), que apontam elevada frequência de alterações dermatológicas em pessoas com diabetes acompanhadas na Atenção Primária.

 A presença, ainda que menos frequente, de maceração, infecção fúngica e ulceração reforça a necessidade de vigilância clínica contínua e de avaliação sistemática dos pés nas consultas de rotina, conforme também defendido por Campos et al. (2023) e Caiafa et al. (2011). Do mesmo modo, a identificação de corte inadequado das unhas em parte da amostra revela fragilidades importantes no autocuidado, evidenciando lacunas no conhecimento dos pacientes e a necessidade de fortalecer as ações educativas desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde, aspecto igualmente apontado por Marques et al. (2019) e Oliveira Neto et al. (2017).

 A perda da sensibilidade protetora observada em parcela significativa dos participantes constitui um dos principais determinantes para o desenvolvimento de lesões, por comprometer a percepção de traumas repetitivos ou agudos. A associação com queixas de parestesia ou formigamento sugere envolvimento neuropático e reforça a importância da avaliação neurológica dos pés como parte da rotina assistencial, em consonância com o que descrevem Campos et al. (2023) e Caiafa et al. (2011).

 Adicionalmente, embora menos frequentes, as deformidades anatômicas, como artropatia de Charcot, dedos em garra e joanetes, contribuem para a redistribuição inadequada da pressão plantar e para o aumento do risco de ulceração. A presença de sinais de comprometimento vascular em alguns participantes, evidenciada pela ausência de pulsos periféricos, indica possível prejuízo da perfusão tecidual e do processo de cicatrização, ampliando a complexidade do risco clínico nesses indivíduos, aspecto igualmente destacado na literatura.

 Nesse sentido, os achados demonstram que, mesmo na ausência de lesões ativas, existe uma proporção significativa de pessoas com fatores predisponentes ao desenvolvimento do pé diabético, o que reforça a necessidade de avaliação periódica dos pés e do fortalecimento das estratégias de educação em saúde voltadas ao autocuidado no âmbito da Atenção Primária à Saúde, conforme amplamente recomendado por Campos et al. (2023), Caiafa et al. (2011) e Marques et al. (2019). 

Esses achados reforçam que a simples ausência de úlceras não deve ser interpretada como baixo risco clínico, uma vez que múltiplos fatores predisponentes estavam presentes de forma silenciosa na população avaliada.

Implicações para a prática clínica

Os achados deste estudo reforçam a necessidade de institucionalizar a avaliação sistemática dos pés de pessoas com Diabetes Mellitus na Atenção Primária à Saúde, especialmente no âmbito da consulta de enfermagem. A identificação precoce de fatores de risco permite estratificação clínica, planejamento de cuidados individualizados e direcionamento oportuno para níveis de maior complexidade, além de subsidiar ações educativas mais focalizadas e efetivas.

Limitações do estudo

Apesar da relevância dos achados, este estudo apresenta algumas limitações que devem ser consideradas. O delineamento transversal impede o estabelecimento de relações de causalidade entre os fatores de risco e o desenvolvimento do pé diabético. A amostra, selecionada por conveniência e proveniente de uma única Unidade Básica de Saúde, limita a generalização dos resultados para outros contextos. Ademais, o tamanho amostral e a utilização predominante de estatística descritiva restringem análises mais robustas. Por fim, a avaliação realizada em momento único não permite inferir sobre a evolução clínica dos participantes nem sobre o impacto longitudinal das intervenções educativas.

Conclusão

 Este estudo, ao avaliar sistematicamente os pés de pessoas com Diabetes Mellitus na Atenção Primária à Saúde, evidencia que a identificação precoce de fatores de risco permanece como uma estratégia central para a prevenção do pé diabético. Os achados reforçam a importância da atuação sistemática do enfermeiro nesse nível de atenção como elemento essencial para a redução de complicações evitáveis.

 A principal contribuição desta investigação consiste em demonstrar que a avaliação clínica estruturada dos pés, associada a ações educativas contínuas, deve integrar de forma permanente a prática assistencial do enfermeiro. Tal abordagem possibilita não apenas a estratificação de risco, mas também o direcionamento de intervenções oportunas e individualizadas.

 Do ponto de vista prático, os resultados sustentam a necessidade de fortalecer protocolos de avaliação periódica e de educação em saúde, consolidando o papel do enfermeiro na promoção do autocuidado, na prevenção de ulcerações e amputações e na qualificação do acompanhamento das pessoas com diabetes na Atenção Primária à Saúde.

Referências

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¹Enfermeiro. Especializando em Saúde da Família – Estácio FAP;
²Enfermeira. Especializanda em Saúde da Família – UNIR;
³Enfermeira Mestre em Gestão do Cuidado em Enfermagem – UFSC;
⁴Enfermeira Mestre em Ciências da Saúde – IAMSPE;
⁵Enfermeira Obstetra – FACIMED/UNINASSAU;
⁶Enfermeira Especialista em Saúde Pública – FIMCA.

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