ATUAÇÃO DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MINAS GERAIS EM RESPOSTA ÀS FORTES CHUVAS OCORRIDAS EM FEVEREIRO DE 2021 NA REGIÃO DA 2ª COMPANHIA DE BOMBEIROS MILITAR DE MANHUAÇU

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202509142056


Flávio Augusto Pires da Mota
Orientador: Jaqueline dos Santos


Resumo  

O presente trabalho tem como objetivo geral analisar a atuação do Corpo de  Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) em resposta às intensas chuvas que  assolaram a região da 2ª Companhia/11º Batalhão de Bombeiros Militar (BBM) – Manhuaçu, em 19 de fevereiro de 2021. Mais especificamente, o estudo foca nos  municípios de Espera Feliz, Manhuaçu, Matipó e Orizânia, examinando a resposta sob  os aspectos operacionais, logísticos e gerenciais. A finalidade deste estudo é fornecer uma retroalimentação para o sistema operacional  e gerencial do CBMMG, com base nas análises da atuação da corporação em  ocorrências complexas, identificando causas, efeitos e propondo possíveis melhorias  e atualizações nos procedimentos operacionais. Para a elaboração deste estudo, a metodologia de trabalho incluiu a realização de  entrevistas com militares envolvidos, levantamento de dados oficiais dos órgãos  participantes, análise de informações e imagens divulgadas pela imprensa, e consultas aos Registros de Evento de Defesa Social (REDS). A maior parte das informações foi  obtida através de entrevistas com Bombeiros que atuaram diretamente nas ocorrências. 

Palavras Chave: Gestão de Desastres, Bombeiros Militares, Enchentes, Sistema de  Comando em Operações, Defesa Civil. 

Abstract 

This study aims to analyze the performance of the Military Fire Brigade of Minas Gerais  (CBMMG) in response to the intense rains that affected the region of the 2nd  Company/11th Military Fire Battalion (BBM) – Manhuaçu, on February 19, 2021.  Specifically, the study focuses on the municipalities of Espera Feliz, Manhuaçu, Matipó,  and Orizânia, examining the response under operational, logistical, and managerial  aspects. The purpose is to provide feedback to the CBMMG’s operational and managerial  system, identifying causes and effects, and proposing improvements and updates to  operational procedures based on the analysis of the corporation’s performance in complex  occurrences. For the elaboration of this study, the methodology included conducting interviews with  military personnel involved, collecting official data from participating bodies, analyzing  information and images released by the press, and consulting Social Defense Event  Records (REDS). Most of the data was obtained through interviews with firefighters who  directly participated in the occurrences. 

Keywords: Disaster management; Military firefighters; Floods; Incident command system;  Civildefense. 

1. INTRODUÇÃO 

O presente trabalho tem origem no Despacho nº 140/2021 – 5º COB e tem o objetivo  de analisar a atuação do CBMMG em resposta às chuvas intensas que acometeram  a região da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu, em 19 de fevereiro de 2021. 

2. FINALIDADE

Nos termos do Memorando nº 3.137/16 – EMBM, de 24 de novembro 2016, o presente  trabalho visa à retroalimentação do sistema operacional e gerencial do CBMMG, com  base nas análises referentes à atuação da corporação em ocorrências complexas,  apontando as causas (quando possível), efeitos e possíveis melhorias e atualizações  dos procedimentos operacionais. 

3. OBJETIVOS 

3.1 Objetivos gerais  

O objetivo geral deste estudo de caso é analisar, sob os aspectos operacionais,  logísticos e gerenciais, a atuação bombeiro militar ocorrida em resposta às fortes  chuvas que acometeram a região da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu, em 19 de fevereiro  de 2021, mais precisamente nos municípios de Espera Feliz, Manhuaçu, Matipó e  Orizânia. 

3.2 Objetivos específicos 

Na persecução do objetivo maior deste trabalho, foram propostas as seguintes ações:

  • obtenção de informações acerca do evento meteorológico; 
  • relacionar as localidades atingidas onde o CBMMG atuou; 
  • descrever os cenários encontrados pelas GUBM nos locais atendidos, bem  como as suas ações de resposta realizadas por estas; 
  • relacionar o quantitativo de pessoas atendidas pelo CBMMG;
  • relacionar os recursos logísticos empregados nos atendimentos. 

4. METODOLOGIA DE TRABALHO 

Esse capítulo irá tratar das técnicas adotadas pelo pesquisador para a elaboração do  presente trabalho, permitindo assim, alcançar os seus objetivos. 

De acordo com Lakatos e Markoni (2010, p. 65):

Método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros – traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista. 

A estrutura básica do estudo, quanto às seções primárias apresentadas, seguiu as  recomendações do Memorando nº 3.137/16, de 24 de novembro de 2016. Para a  formatação geral do trabalho, foram utilizados, com as devidas adaptações, as  recomendações do Caderno de Orientações para Formatação e Normalização de  Trabalhos Acadêmicos da ABM (CBMMG, 2018). 

A metodologia de trabalho adotada para apurar informações relevantes ao estudo  teve por base:  

  • realização de entrevistas com militares envolvidos no atendimento à ocorrência, em especial chefes de guarnição;  
  • levantamento dos dados oficiais dos órgãos envolvidos na operação;
  • análise das informações e imagens divulgadas pela imprensa;
  • consultas aos REDS dos atendimentos. 

Grande parte da obtenção das informações deste estudo foi através de entrevistas  com Bombeiros que atuaram diretamente nas ocorrências. Buscou-se assim  evidenciar as situações encontradas e as ações realizadas pelas GUBM. 

Lakatos e Marconi (2003) citam que a entrevista dá oportunidade para a obtenção de  dados que não se encontram em fontes documentais e que sejam relevantes e significativos e complementa que as entrevistas permitem que os dados sejam  quantificados e submetidos a tratamento estatístico. 

5. CONTEXTUALIZAÇÃO 

Neste capítulo serão abordadas algumas características da região de Manhuaçu,  descrevendo sua vulnerabilidade quanto às consequências das chuvas intensas.  Destacaremos também a meteorologia no Brasil com ênfase para a região objeto  deste estudo. Por fim, iremos contextualizar o momento crítico da região na segunda quinzena do mês de fevereiro de 2021, culminando com a enchente no dia 19 de  fevereiro. 

5.1 Características da Região  

A região do Caparaó é conhecida como a região do “Café das Montanhas”. Seu relevo  montanhoso com a formação de vales aumenta a vulnerabilidade do terreno em  relação às chuvas, elevando assim o risco de deslizamentos de terra. Além disso, o  vasto plantio do café na região contribui ainda mais para a ocorrência desse fenômeno  geológico, já que as raízes da vegetação são superficiais, não auxiliando na fixação  do terreno.  

5.2 Meteorologia  

O mês de fevereiro de 2021 foi marcado por seca na Região Sul, mas muita chuva no  centro-norte do Brasil. Com a formação da Zona de Convergência do Atlântico Sul e  com atuação da Zona de Convergência Intertropical, os estados do Pará, Acre, as  áreas ao norte de Mato Grosso, o Distrito Federal, o centro-norte de Goiás e de Minas  Gerais e também o estado do Espírito Santo foram as áreas que receberam os  maiores volumes de chuva no Brasil. 

Figura 1: Precipitação Total (mm) – Fev 2021

A figura acima mostra o acumulado de chuvas no mês de fevereiro de 2021. Observa-se que na Zona da Mata mineira, especificamente na região do Caparaó, onde está  situada a cidade de Manhuaçu, houve um acumulado de chuvas de mais de 450  milímetros. Este volume, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia – INMET,  teve a sua maior concentração entre os dias 7 e 21 de fevereiro de 2021, o que  culminou com as cheias dos rios no dia 19 de fevereiro, causando inundações em  algumas cidades da região, destacando-se os municípios de Manhuaçu, Matipó,  Orizânia e Espera Feliz, nos quais fez-se necessário a atuação do Corpo de  Bombeiros nas ações de salvamento de pessoas ilhadas e isoladas.  

A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (CEDEC), representada pelo 2º Sargento  PM Abreu, repassava as informações recebidas dos órgãos de pesquisas climáticas  e pluviométricas, emitindo constantes alertas nos grupos de “Whatsapp” dos  COMPDEC da região. A emissão dos alertas de forma precoce foi fundamental para  a mitigação dos impactos das chuvas na população. 

Figura – Alerta de Chuvas emitido pela CEDEC

Fonte: CEDEC

Figura – Alerta de chuvas do dia 19 de fevereiro

Fonte – IGAM

5.3 Criticidade do Cenário da Região da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu

Percebendo a gravidade da situação em toda região, principalmente na cidade de  Manhuaçu, foi criado o “Gabinete de Crises” com a finalidade de gerenciar os recursos  disponíveis e planejar as ações de preparação e resposta ao possível desastre. 

5.3.1 Ações de Preparação 

No início da semana, quando os “alertas” recebidos pelas autoridades sinalizavam  que eventos adversos poderiam ocorrer em consequência do grande volume  pluviométrico esperado, foi criado o “Gabinete de Crises” pela Prefeitura Municipal de  Manhuaçu, localizado na própria Prefeitura, onde foram realizadas reuniões para  preparar a população e direcionar as ações de resposta ao possível desastre, com o  objetivo de mitigar os impactos causados na população e coordenar as ações de  resposta. Dessa forma, estabeleceu-se o Sistema de Comando em Operações (SCO). 

A 2ª Companhia de Bombeiros Militar de Manhuaçu e a Defesa Civil do município  realizaram constante monitoramento do rio Manhuaçu, bem como o acompanhamento  das chuvas nas chamadas “cabeceirias”, nas cidades de São João do Manhuaçu e  Luisburgo, uma vez que as águas dessas localidades, em poucas horas, chegam até  a cidade de Manhuaçu causando a elevação do rio. As vistorias em áreas de encostas  também foram realizadas no intuito de orientar a população sobre os possíveis riscos  de deslizamentos.  

Figura – Monitoramento diurno do rio Manhuaçu

Fonte: GUBM

Figura – Monitoramento noturno do rio Manhuaçu

Fonte: GUBM

Figura – Vistoria em encosta

Fonte: GUBM

5.3.2 Primeira ocorrência grave em decorrência das chuvas

Logo no início da manhã do dia 19/02/2021, a 2ª Companhia de Bombeiros Militar de  Manhuaçu recebeu um chamado informando sobre uma ocorrência de deslizamento  de terra na zona rural da cidade de Divino, ocasionando o soterramento de uma  pessoa.  

Imediatamente uma guarnição de serviço do dia, composta por 04 (quatro) bombeiros  militares, se deslocou para o local da ocorrência. No entanto, quando estavam  próximos a cidade de Divino, foram informados que a Defesa Civil Municipal, com  apoio de populares, haviam localizado o corpo da vítima. 

A mesma guarnição possuía a informação de que na cidade de Orizânia haviam  pessoas que se encontram ilhadas. Sendo assim, por já estarem próximos a cidade,  se deslocaram para o local a fim de prestar o apoio necessário.  

5.3.3 Solicitação de apoio para resposta às ocorrências 

Quando a situação na região indicava para um agravamento, com possibilidades reais  de ocorrências de enchentes/inundações e soterramentos em diversos locais,  podendo a demanda se tornar maior do que a capacidade de resposta da fração BM  de Manhuaçu, o Comando da 2ª Companhia de Bombeiros Militar de Manhuaçu  imediatamente realizou contato com o Comando do 11º Batalhão para solicitar apoio  de pessoal e logístico para dar a resposta as prováveis ocorrências na região. 

Apresentado o cenário ao Comandante do 11º Batalhão, e considerando a experiência  recente da 2ª Companhia, mais precisamente no ano de 2020, onde as chuvas  causaram grandes estragos em diversas cidades, foi solicitado apoio de forma a  antecipar o problema.  

Dessa forma, o Comando do 11º Batalhão enviou prontamente uma guarnição com  04 (quatro) bombeiros militares da Sede para atuarem nas ações de resposta, além  de 02 (dois) militares nas motos operacionais. Foi trazido também uma embarcação  para a realização dos salvamentos. 

De igual forma, o 5º Comando Operacional de Bombeiros enviou duas guarnições do  PEMAD para atuarem em apoio ao 11º BBM e a 2ª Cia nas ocorrências. Somaram-se  então mais 08 (oito) bombeiros militares e duas viaturas para atendimento.  

5.3.4 Atuações do Corpo de Bombeiros nas ocorrências de salvamento da região 

Com a chegada dos reforços de efetivo e equipamentos tanto do 11º BBM quanto do  PEMAD de Governador Valadares, os empenhos se deram da seguinte forma: 

Uma das equipes do PEMAD foi mobilizada para a cidade de Espera Feliz, onde nos  foi relatado a ocorrência de inundações e a dificuldade da Defesa Civil do município  em realizar os salvamentos das pessoas ilhadas. 

A 2ª Companhia de Manhuaçu também recebeu solicitações da cidade de Matipó,  onde foram registrados pela Defesa Civil do Município diversos pontos de  alagamentos, havendo famílias ilhadas no centro da cidade. Em razão disso, uma  guarnição composta pelos bombeiros militares de Manhuaçu foi mobilizada para a  cidade no intuito de prestar os devidos auxílios. 

Em Orizânia uma Guarnição BM já havia sido mobilizada no início do dia, e  permaneceu realizando os salvamentos necessários em apoio a Defesa Civil do  município. 

No distrito de Ponte do Silva (Manhuaçu), também foram empenhados militares de  Ipatinga e da Sede da 2ª Companhia, haja vista que haviam também diversos pontos  de alagamentos no local e ações de salvamento eram necessárias. 

Na cidade de Manhuaçu também foram realizadas ações de salvamento com a  retirada de famílias de suas casas, ainda que grande parte das famílias ribeirinhas  tenha atendido aos alertas emitidos pelos atores que compõem a Defesa Civil  Municipal. Militares de Ipatinga, Manhuaçu e do PEMAD de Governador Valadares  estiveram empenhados nas ações desenvolvidas na cidade.

6. ATIVIDADES DE RESPOSTA 

Este capítulo será destinado para relatar o cenário encontrado pelas guarnições nas  cidades objeto deste estudo que foram atingidas, bem como os procedimentos de  resposta às ocorrências e as respectivas ações de bombeiro. Também será abordado  as dificuldades encontradas por cada guarnição, entre outras informações que se  fizeram necessárias. 

6.1 Espera Feliz 

A guarnição chefiada pelo 3º Sargento Emanuel, deslocou-se até a 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu, no dia 19/02/2021, para apoiar nas diversas ocorrências de enchentes e  inundações que afetaram as cidades da área da Companhia. 

A guarnição do PEMAD GV ao chegar em Manhuaçu, recebeu as orientações do  Comandante da 2ª Cia/11º BBM, e se deslocou para a cidade de Espera Feliz. Lá  haviam relatos de pessoas ilhadas e isoladas e que era necessário atuar em apoio a  Defesa Civil do Município nas ações de resposta. 

Antes de iniciarem o deslocamento, ainda em Manhuaçu, a guarnição atuou no  resgate de uma vítima com fratura exposta no membro inferior esquerdo (ocorrência  não relacionada com as chuvas), fazendo o transporte da mesma através de barco,  uma vez que o hospital se encontrava inacessível devido à área alagada. 

Após isto, a guarnição se deslocou até a cidade de Espera Feliz, onde foram recebidos  por autoridades da Polícia Militar e Defesa Civil do município, compondo assim o SCO  para gerenciamento das ocorrências.  

No local, foi realizada a análise da situação, e de imediato houve a atuação no  salvamento de uma vítima que, na tentativa de atravessar uma rua, foi arrastada pela  correnteza, conseguindo se segurar em um poste de iluminação até a chegada do  salvamento.

Na sequência dos atos, a guarnição também apoiou ao SAMU, sendo realizado o  transporte de medicamentos para pessoas idosas que estavam em locais alagados e  inacessíveis por meio terrestre. Foram percorridas áreas inundadas, realizando  orientações e ações de modo a tranquilizar os moradores sobre a situação do rio. 

No dia seguinte, 20/02/2021, participaram da reunião para avaliar e colocar em prática  as etapas do plano de contingência elaborado pela Defesa Civil da cidade, pontuando  alguns fatores que necessitavam de atenção tais como casas em encostas e perigos  de deslizamentos. 

Várias autoridades da cidade participaram da reunião e os militares do CBMMG  atuaram como referência técnica no evento para o gerenciamento da crise. 

Figura – Reunião da guarnição BM com membros da Defesa Civil, Polícia Militar e outras autoridades municipais

Fonte: GUBM

A cidade de Espera Feliz ficou em situação emergencial e o apoio da guarnição BM  foi de suma importância para a realização dos salvamentos de populares, bem como  a participação em conjunto com outros órgãos do município a fim de gerenciar a  situação de risco no município e nortear as diretrizes para as ações de mitigação dos  danos, bem como a prevenção para evitar novas situações semelhantes no futuro. 

Figura – Centro da cidade de Espera Feliz durante o período das enchentes

Fonte: Portal Caparaó

A atuação conjunta foi um dos fatores que colaboraram para o melhor desempenho  das atividades no local, com o apoio aos órgãos municipais e estaduais na cidade,  bem como o desenvolvimento rápido para o cumprimento da demanda e pró atividade dos militares empenhados, a fim de resolver da melhor maneira a situação problema,  com o trabalho sinérgico com outros agentes públicos. 

Figura – Militares do CBMMG e PMMG na cidade de Espera Feliz

Fonte: Rede Social – Destaque Diário

Após a realização do empenho, devido à normalização do nível do rio e redução dos níveis de “alerta”, a guarnição retornou para a cidade de Manhuaçu, onde foi  desmobilizada e liberada para retornar a cidade de Governador Valadares. 

6.2 Orizânia 

A guarnição chefiada pelo 2º Sargento Dias, quando no deslocamento para a cidade  de Divino para uma ocorrência de soterramento de pessoas, também tinha a  informação de que na cidade de Orizânia haviam pessoas ilhadas em decorrência de  enchentes e inundações na cidade. 

Quando a guarnição chegou próximo ao trevo da cidade de Orizânia, recebeu a  informação de que populares já haviam encontrado o corpo da vítima soterrada em  Divino. Dessa forma, a guarnição BM se deslocou para a cidade de Orizânia a fim de  realizar as ações de salvamento e auxiliar na coordenação dos trabalhos de Defesa  Civil. 

A Guarnição BM realizou contato na Prefeitura Municipal da cidade, a qual não foi diretamente atingida pela enchente. A Defesa Civil Estadual já estava no município quando a GU BM chegou na cidade. O Posto de Comando foi instalado na Sede da  Prefeitura sendo as ações planejadas e executadas conforme diretrizes e prioridades  estabelecidas. Conforme o planejamento, as ações de salvamento foram realizadas.  

Como os alertas foram emitidos de forma precoce para a população e também pelo  fato da região ter sofrido com uma grande enchente em janeiro de 2020, boa parte da  população diretamente afetada teve a iniciativa de deixar as suas residências.  Contudo algumas famílias resistiram e não saíram de suas casas antes da enchente  e precisaram ser resgatadas.  

Não haviam embarcações disponíveis, tanto por parte da Prefeitura, de terceiros ou  da própria GU BM, haja vista que a equipe estava se deslocando para um  soterramento de pessoas na cidade de Divino, não sendo necessário o emprego de  barco. No entanto, como “meio de fortuna”, foi utilizada uma retroescavadeira para  acessar as famílias ilhadas. 

Figura – Utilização de retroescavadeira para retirada de pessoas

Fonte: GUBM

Situação semelhante ocorreu na zona rural do município, no Córrego Grande e no  Córrego da Fumaça, onde haviam famílias isoladas necessitando ser resgatadas. As  estradas de acesso a zona rural se encontram intransitáveis por veículos  convencionais, sendo mais uma vez utilizada a retroescavadeira para chegar até o  local dos afetados, possibilitando prestar assistência às famílias atingidas. No total  foram retiradas aproximadamente 10 famílias de suas casas. 

Figura – Córrego Grande, Zona Rural de Orizânia

Fonte: GUBM

Figura – Córrego da Fumaça, Zona Rural de Orizânia

Fonte: GUBM

A Guarnição BM ainda apoiou na remoção de vacinas (inclusive vacinas contra a  Covid-19) que estavam acondicionadas no Posto de Saúde do município, o qual foi  atingido pela enchente. As vacinas foram encaminhadas e acondicionadas na sede  da Prefeitura Municipal. 

6.3 Matipó

Fomos acionados pela COMPDEC de Matipó, o qual nos relatou vários pontos de  inundação na cidade e a necessidade de retirar algumas famílias de suas casas.  Mobilizamos uma GU BM com embarcação para a cidade a fim de realizar os  trabalhos.  

A guarnição encontrou dificuldade em chegar na cidade, uma vez que as águas  haviam tomado a estrada, impedindo veículos convencionais de acessar o local. Dessa forma, foi utilizado um trator para realizar o translado da guarnição e também  da embarcação para a “zona quente.” 

Figura – Estrada de acesso a cidade de Matipó

Fonte: GUBM

A atuação da guarnição se deu exclusivamente no centro da cidade, local mais afetado  pela inundação, sendo resgatadas cerca de 15 famílias que se encontram ilhadas  em suas casas. 

Figura – Salvamento de família ilhada em Matipó

Fonte: GUBM

Figura – Ações de Salvamento em Matipó

6.4 Manhuaçu 

Antes da primeira reunião do dia 19/02 do “Gabinete de Crises”, marcada para às 10:00 horas, uma informação de uma fonte confiável foi nos transmitida sobre o “rompimento” de uma represa localizada no Córrego Fortaleza, Zona Rural da cidade  de Luisburgo, o que trouxe grande preocupação para todos, uma vez que causaria a  elevação de forma rápida do rio Manhuaçu, diminuindo o tempo para que a população  pudesse retirar seus pertences e deixar suas casas.  

Figura – Reunião do “Gabiente de Crises” em Manhuaçu

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Manhuaçu

De posse dessa informação, o Corpo de Bombeiros juntamente com a Polícia Militar  emitiram alertas sonoros nas ruas da cidade, no intuito de avisar a população para  que tomassem as devidas providências, pois uma enchente era iminente. Os avisos  também foram emitidos através dos meios formais de comunicação. Pouco depois a  informação do rompimento da represa foi desmentida, constatando que o que de fato  ocorreu foi o transbordamento da mesma. 

Figura – Transbordamento da Represa no Córrego Fortaleza, Zona Rural de Luisburgo

Fonte: PMMG

No entanto, o cenário continuava crítico. Chovia muito em toda a região, principalmente  nas chamadas “cabeceiras”, nas cidades de Luisburgo e São João do Manhuaçu. As  várzeas estavam saturadas, indicando que um grande volume de água chegaria em  poucas horas na cidade de Manhuaçu, influenciando no aumento do volume do rio. 

No final da tarde de 19 de fevereiro de 2021, todas as pontes da cidade de Manhuaçu  estavam intransitáveis pelo fato das águas estarem passando por cima das mesmas.  Como forma de mitigar os impactos, tanto na parte de saúde como na assistência aos  afetados, foram montados locais provisórios de recepção de público conforme o plano  de contingência. 

Figura – Fotografia captada por Drone do bairro Santo Antônio em Manhuaçu

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Manhuaçu

Figura – Divisão da cidade conforme plano de contingência

Fonte: COMPDEC Manhuaçu

Figura – Divulgação dos locais de apoio através de mídias sociais

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Manhuaçu

Não obstante a execução correta do plano de contingência por parte das autoridades  e principalmente a emissão dos alertas de forma precoce, algumas pessoas  precisaram ser resgatadas de suas casas, sendo necessário a atuação do Corpo de  Bombeiros em alguns bairros de Manhuaçu.  

6.5 Distrito de Ponte do Silva 

No distrito de Ponte do Silva, o qual pertence a cidade de Manhuaçu, a cheia do Rio  São Luís que corta o referido lugarejo provocou a inundação de diversas casas. 

Figura – Várzea do córrego no Distrito de Ponte do Silva

Fonte: GUBM

Foto – Águas invadindo casas no Distrito de Ponte do Silva

Fonte: GUBM

Um casal de idosos optou por subir para um jirau de madeira em um nível acima da  residência para se proteger da inundação, porém como o nível do rio estava subindo  muito rapidamente, eles ficaram em situação de risco neste local, foi quando nesse  momento solicitaram socorro. 

Dessa forma uma guarnição de Salvamento se mobilizou para o local, além de uma  dupla de militares que atuam no moto operacional na sede do 11º BBM que também  se dirigiram para o distrito em apoio a guarnição de salvamento.  

A casa do casal se encontrava no lado oposto do rio, contrário do local de chegada  das equipes de salvamento, em um ponto sem acesso de viatura devido às águas  estarem passando por cima da ponte que dá acesso ao local. 

A guarnição então optou por realizar a travessia do rio a nado, usando técnicas de  salvamento em enchentes e inundações. De posse de equipamentos específicos para  a atividade, foi então retirado o casal do local de risco e deixado em local seguro. 

Foto – Dupla de Bombeiros Militares realizando a travessia do rio São Luiz a nado  para realização de salvamento

Fonte: GUBM

Foto – Salvamento do casal no Distrito de Ponte do Silva

Fonte: GUBM

Foto – Salvamento de pessoa no Distrito de Ponte do Silva

Fonte: GUBM

Diversas outras pessoas que se encontravam nas ruas do distrito foram orientadas a  não atravessarem a ponte que já estava com água passando sobre a mesma, sendo  informadas dos riscos de serem arrastadas pela correnteza. A guarnição permaneceu  no local durante todo o período de inundação. 

6.6 Informações Relevantes da Operação

Tabela – População dos municípios atingidos abordados neste estudo

Fonte: FIDE 2021 dos municípios listados

Quadro – Registros dos resgates realizados pelo CBMMG e relação de vítimas desalojadas e desabrigadas.

Quadro – Registros de óbitos relacionados às chuvas na região

Fonte: SIDS (Elaborado pelos autores)

7. RECURSOS HUMANOS 

Neste capítulo serão apresentados os dados referentes ao emprego dos militares na  operação de combate às chuvas. Os dados foram obtidos através do controle  realizado pelo Posto de Comando (PC). 

A tabela abaixo mostra como os bombeiros militares foram distribuídos para o  atendimento das demandas decorrentes das fortes chuvas. O primeiro dia de  operação foi o dia com maior efetivo disponível, quando os reforços do 11º BBM e 5º  COB chegaram na sede da 2ª Cia/11º BBM. Conforme a situação tendia para a  normalidade, o efetivo ia sendo desmobilizado.  

Quadro – Efetivo empregado em 19 de fevereiro

*Efetivo disponível para atendimento de ocorrências ordinárias, além do efetivo envolvido no  atendimento de ocorrências de enchente/inundação.
Fonte: Registros do Posto de Comando

No dia 20 de fevereiro o efetivo do PEMAD GV (5º COB) foi desmobilizado para  retornar a sua cidade de origem, uma vez que a situação já se encontrava sob  controle. Dessa forma o efetivo disponível para os atendimentos ficou sendo  apenas do 11º BBM e da 2ª Cia/11º BBM. Havia uma única ocorrência em andamento  (afogamento na cidade de Durandé), sendo mobilizada uma guarnição de serviço do  dia da 2ª Cia de Manhuaçu. 

Quadro – Efetivo empregado em 20 de fevereiro

*Efetivo disponível para atendimento de ocorrências ordinárias, além do efetivo envolvido no apoio operacional
Fonte: Registros do Posto de Comando

No dia 21 de fevereiro, o apoio enviado do 11º BBM também foi desmobilizado,  estando as equipes da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu em prontidão para possíveis  ocorrências.  

8. RECURSOS LOGÍSTICOS 

Neste capítulo iremos elencar os recursos logísticos utilizados pelas guarnições BM  nos salvamentos realizados. A quantidade e a qualidade dos recursos logísticos  interferem diretamente na capacidade de resposta das equipes. Listamos aqui os  equipamentos e materiais disponíveis para os atendimentos. 

8.1 Viaturas 

As viaturas disponíveis para os atendimentos da região foram as seguintes: 

  • ASL 1387 (2ª Cia/11º BBM); 
  • ASM 0802 (2ª Cia/11º BBM);
  • ABT 0706 (2ª Cia/11º BBM); 
  • UR 8871 (2ª Cia/11º BBM); 
  • APF 1316 (2ª Cia/11º BBM); 
  • APV 1344 (2ª Cia/11º BBM); 
  • ASF 2360 (PEMAD GV); 
  • ASL 0506 (PEMAD GV); 
  • APP 1047 (11º BBM); 
  • MR 0179 (11º BBM); 
  • MR 8258 (11º BBM). 

8.2 Embarcações 

As embarcações equipadas com motores de popa foram as seguintes:

  • 02 Embarcações da 2ª Cia/11º BBM com motores e remos; 
  • 01 Embarcação da Sede do 11º BBM com motor e remo; 

8.3 Materiais Operacionais 

Os equipamentos operacionais utilizados para a execução dos trabalhos foram os  disponíveis na Seção de Apoio Operacional e Almoxarifado da 2ª Cia/11º BBM. Além  dos equipamentos relacionados a seguir, os militares utilizaram os equipamentos de  proteção individual (capacete, óculos, luvas, cinto de rapel rápido, segunda pele) que  cada militar recebeu quando atuaram na operação em Brumadinho.  

As equipes dispunham de: 

  • 05 Flut Espuma; 
  • 17 Coletes Salva Vidas; 
  • 06 Pares de Nadadeiras; 
  • 19 Mosquetões; 
  • 04 Freio oito; 
  • 12 Roupões de Neoprene; 
  • 03 Cordas; 
  • 03 Cabos Solteiros;
  • 05 Anéis de Fita; 
  • 08 Cordeletes; 
  • 02 Motosserras; 
  • 01 Boia; 
  • 08 Capacetes; 
  • 02 Unidades Escuba; 

9. ANÁLISE DAS ATIVIDADES DE RESPOSTA 

Para uma análise mais pormenorizada das atividades de resposta, optamos por  classificá-las em três aspectos, sendo: gerenciais, operacionais e logísticos. 

9.1 Aspectos Gerenciais 

Para que as atividades operacionais obtenham pleno sucesso na operação, é  imprescindível que a gestão dos recursos disponíveis seja racional e eficiente,  empregando o aparato necessário para cada tipo de demanda que se apresente. 

Para tanto, utilizamos a ferramenta de “Sistema de Comando em Operações” para  direcionar os trabalhos, dividindo as tarefas para melhorar o controle da gestão da  operação, e dessa forma promover um atendimento de maior qualidade.  

No primeiro momento, o SCO foi instalado na Sede da 2ª Cia de Manhuaçu com as  funções de “Comando”, “Operações” e “Secretaria”. Com o desenrolar dos trabalhos,  foram ativadas as funções de “Ligações” (acumuladas pelo Comando da Operação),  “Planejamento” e “Segurança” (acumulados pelo Oficial de Operações) e “Logísitica”  (acumulado pelo Secretário). Até o presente momento o Comando do SCO era  exercido pelo Comandante da 2ª Cia/11º BBM. 

Com a chegada do apoio do 11º BBM, o Comando da Operação foi transferido para  um Oficial Intermediário, melhorando a gerência dos recursos e a divisão de funções  dentro do SCO. O Posto de Comando também foi transferido para a Sede da Prefeitura Municipal de Manhuaçu permitindo uma integração entre as agências  envolvidas no gerenciamento dos trabalhos e divisão maior das funções. 

Um aspecto a ser destacado que foi melhorado em relação a Gestão da Operação de  resposta às chuvas no ano de 2020 na área da 2ª Cia, foi o maior envolvimento do  pessoal da Prefeitura Municipal de Manhuaçu exercendo as funções no SCO. Essa  falha foi observada no “Estudo de Caso” realizado em 2020: 

“O aspecto negativo a ser observado na gestão foi a pouca presença de pessoal da Prefeitura de Manhuaçu na execução das funções dentro da estrutura do SCO, onde as funções foram exercidas por integrantes do CBMMG e da CEDEC.” (2020) 

A comunicação entre o Posto de Comando e as equipes empenhadas nas ocorrências  se deu basicamente através de contato telefônico, haja vista que a rede de rádio  funciona de forma limitada, apenas no perímetro urbano da cidade de Manhuaçu. Pelo  fato da atuação ter sido predominantemente na zona urbana das cidades, havendo  sinal de telefonia móvel, este foi o principal meio de comunicação.  

Uma vez recebida a ocorrência pelo Posto de Comando, as informações eram  repassadas pelas GUBM e dessa forma a equipe deslocava para o local da ocorrência,  realizando contato com o solicitante e obtendo o devido apoio dos órgãos públicos  envolvidos (Prefeitura Municipal, COMPDEC, PMMG) nos locais para a realização dos  salvamentos.  

A integração dos COMPDEC envolvidos juntamente com o Corpo de Bombeiros nas  ações de salvamento é um aspecto importante a ser destacado, pois facilitou a gestão  das ocorrências e o apoio às Guarnições nos locais atingidos. 

O aspecto negativo a ser observado na parte gerencial da ocorrência foi, sem dúvida  alguma, confirmar informações de ocorrências nas cidades através de fontes  confiáveis. Um exemplo claro dessa situação foi quanto ao suposto rompimento da  represa localizada no Córrego Fortaleza, Zona Rural da cidade de Luisburgo, que  horas depois foi desmentido. 

Além disso, o volume de informações que chegava a todo o momento, principalmente  nos grupos de Whatsapp, era enorme, dificultando no primeiro momento o empenho  adequado de recursos para os locais afetados.  

9.2 Aspectos Operacionais 

Quanto aos aspectos operacionais, destacamos a atuação exitosa das Guarnições  que se empenharam e deram a resposta adequada nos diversos cenários adversos  que encontraram. Reflexo disso foram as várias reportagens em âmbito local e até  mesmo regional, destacando a atuação do Corpo de Bombeiros Militar frente às ocorrências. 

O plano de chamada da 2ª Companhia foi acionado e todos os militares, incluindo os  que se encontravam de férias, se manifestaram prontamente, colocando-se à disposição para atendimentos. 

Quanto às técnicas e táticas empregadas nas ocorrências pelas guarnições, foram  realizadas entrevistas com os chefes de guarnição para avaliar este ponto. É unânime  que as equipes prezam pela segurança dos militares envolvidos, utilizando  adequadamente os equipamentos de proteção individual disponíveis (capacete, luvas,  neoprene, colete flutuador, cinto de rapel rápido, etc), e em razão disso não foi  registrado nenhum tipo de acidente com os bombeiros militares envolvidos. 

Em alguns locais como Orizânia e Matipó, por exemplo, foi necessário utilizar “meios  de fortuna”, tanto para transportar os militares, embarcações e equipamentos, quanto  para acessar as vítimas ilhadas ou isoladas, sendo a principal dificuldade encontrada  pelas guarnições. Em ambos os casos foi utilizado maquinário pesado (trator) para tal,  o que mostra desenvoltura por parte das guarnições em solucionar problemas que se  apresentam, pois sem a perspicácia na utilização oportuna desse recurso, seria  impossível obter êxito nas ações de salvamento. 

No estudo realizado em 2020, foi destacado o seguinte ponto:  

“Uma situação apurada dias depois da operação foi em relação à profilaxia, no qual foi verificado que alguns militares não tiveram acesso aos medicamentos nos períodos recomendados. Para tal a AAS já manifestou a respeito, onde enviou para os NAIS os medicamentos para que em futuras operações que envolvam contato com as águas possa realizar a profilaxia de maneira adequada.” 

Na época, o Comando da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu também reforçou o pedido  acima diretamente com o médico responsável pelo NAIS do 11º BPM. Pouco tempo  depois da solicitação fomos informados que os medicamentos haviam sido adquiridos.  

Os militares que tiveram contato com as águas nas ocorrências de 2021 foram  orientados a procurar o NAIS para receberem o coquetel. Não foi relatada nenhuma  dificuldade por parte dos militares em obter os medicamentos através do NAIS do 11º  BPM. 

9.3 Aspectos logísticos 

Quanto aos aspectos logísticos, os recursos disponíveis no momento inicial antes da  chegada de apoio, e também nas demais fases da operação, destacamos dois  aspectos principais relacionados com a importância destes para o atendimento às demandas. 

9.3.1 Embarcações e motores de popa 

O primeiro ponto a ser destacado é quanto a quantidade de embarcações e motores  de popa disponíveis para atendimento. Em um cenário de enchentes e inundações  como se apresentava na região, as embarcações são o recurso imprescindível para  possibilitar uma resposta adequada e satisfatória nos salvamentos. 

A 2ª Cia BM de Manhuaçu possui 02 (duas) embarcações de alumínio para  atendimento às demandas da região e 02 (dois) motores de popa, sendo que apenas  um funciona satisfatoriamente.  

Trata-se de embarcações robustas e de peso considerável, de difícil locomoção e  pouco práticas, mas que atendem bem às necessidades rotineiras quando  empregadas em águas tranquilas (lagos, açudes, represas). Os motores de popa são  equipamentos muito pouco utilizados no dia-a-dia da atividade operacional, mas que  em situações como estas se tornam muito necessários.

Foto – Embarcação padrão da 2ª Cia/11º BBM

Fonte: Autores

O número de embarcações se tornou insuficiente ao passo que as demandas foram  surgindo em cidades da região. Dessa forma, o apoio logístico oferecido pela Sede do  11º BBM foi de suma importância para o atendimento das ocorrências na região,  sendo esta embarcação utilizada pelo PEMAD de Governador Valadares na cidade  de Espera Feliz.  

Para as ocorrências apenas na cidade de Manhuaçu, era possível atender de forma  eficaz as demandas, pois o trabalho de preparação e mitigação (emissão de alertas  para a população) foi realizado com sucesso, e boa parcela da população ribeirinha  deixou suas casas antes da ocorrência da enchente. Apenas uma embarcação foi  utilizada em Manhuaçu para realização dos salvamentos. A outra embarcação foi  empregada com a guarnição que atuou na cidade de Matipó. 

9.3.2 Viaturas 

As viaturas utilizadas para os atendimentos às demandas de enchentes e inundações  na região foram as mesmas viaturas que são empregadas ordinariamente nas  ocorrências do dia-a-dia. 

O quantitativo de viaturas da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu, inicialmente, foram  suficientes para o atendimento às demandas locais, contudo, como a situação tendia  para um agravamento em toda região, com risco acentuado de deslizamentos de terra  e ocorrências de soterramento, como acontecera no ano de 2021, os apoios foram  solicitados. 

De fato, foi preciso utilizar as viaturas das demais unidades apoiadoras, sem as quais  não seria possível atender prontamente aos chamados em toda a região.  

Como as ocorrências atendidas foram predominantemente de salvamento de pessoas  em enchentes e inundações em áreas urbanas, as viaturas disponíveis, tanto da Sede  da 2ª Cia quanto as do 11º BBM e PEMAD, não tiveram muitas dificuldades para  chegar até os locais de empenho, haja vista que não precisaram percorrer estradas  de terra.  

No estudo realizado em 2020, foi feita a seguinte ponderação: 

“Não houve, portanto, falta de viaturas, mas o que influencia ainda mais a favor do sucesso da operação seria o tipo de viatura. Uma carência percebida foi a falta de caminhonetes, veículos mais ágeis e versáteis para as condições  de vias encontradas após as chuvas.” 

A carência de veículos com tração 4×4 não foi substancialmente sentida como em  2021, quando predominaram ocorrências graves de soterramento em zonas rurais.  No entanto tivemos o apoio de 02 (duas) viaturas com tração 4×4 do PEMAD GV,  somando-se a uma viatura 4×4 da sede da 2ª Cia/11º BBM. 

Abaixo listamos o quantitativo de viaturas utilizadas na operação. 

Quadro – Viaturas utilizadas em resposta às demandas de enchente/inundação

Em que pese a característica dos veículos traçados não ter tido influência direta,  principalmente na locomoção da tropa, optou-se por empregar esses veículos em  cidades mais distantes, uma vez que a mobilidade desses veículos é maior e outras  ocorrências poderiam surgir na zona rural destas localidades (Espera Feliz e  Orizânia). 

10. CONCLUSÃO 

Analisando todo o cenário que foi apresentado neste estudo, as ações de preparação  ao evento adverso, mitigação dos impactos do fenômeno na população e as ações de  resposta das guarnições de bombeiro, podemos afirmar que a operação foi exitosa,  obtendo pleno sucesso.  

Alguns aspectos importantes devem ser levados em consideração para a consecução  dos resultados obtidos: 

  • Em janeiro de 2020 a região sofreu com a maior enchente de sua história, o  que deixou a população “vacinada” de certa forma, acreditando nos alertas  emitidos pelo poder público e nas recomendações; 
  • A enchente se deu durante a tarde de 19/02/2021, o que facilita a preparação  da população, principalmente na retirada de seus pertences e saída de suas  casas; 
  • O monitoramento das chuvas e acompanhamento da elevação do nível do rio  pelos atores responsáveis pela defesa civil, além da emissão precoce e precisa  dos alertas, foram determinantes para mitigação dos impactos; 
  • O acionamento de apoio por parte do Comandante da 2ª Cia/11º BBM – Manhuaçu para o 11º BBM e 5º COB de forma a antecipar as ocorrências que  surgiram, foi fundamental para o sucesso das ações de resposta por parte do  CBMMG; 
  • Ao contrário das chuvas de 2020, neste ano de 2021 as ocorrências de  soterramento de pessoas não foram frequentes, sendo registrado apenas 01 (um) fato dessa natureza no município de Divino, resultando lamentavelmente  em 01 (uma) vítima fatal. O número de óbitos em razão do evento adverso foi  baixo pela não ocorrência de deslizamentos de terra atingindo residências.  

Também é importante destacar como sucesso das ações, a não ocorrência de  acidentes envolvendo bombeiros militares, o que numa operação de alta  complexidade como esta, coloca os profissionais ainda mais expostos ao risco, no  entanto não foram registrados nenhum tipo de situação adversa. 

Em um contexto geral, houve sucesso na missão tanto na parte gerencial, quanto na  parte operacional das ocorrências.  

Todavia, é de suma importância destacar os aspectos que podem ser melhorados e  as dificuldades encontradas, sendo esse um dos principais objetivos deste estudo de  caso. 

A comunicação via “Rede de Rádio” é um dos pontos sensíveis na gestão da  operação. Uma Rede de Rádio plenamente operante iria facilitar muito o  gerenciamento das ocorrências. Os contatos se deram basicamente por ligações  telefônicas e aplicativo “Whatsapp”. Por isso, destacamos a relevância em melhorar a  “Rede de Rádio”. 

Também é importante destacar que, apesar de não termos tido tanta exigência para  acessar locais remotos (zona rural, por exemplo), em outras ocasiões pode ser  necessário um maior número de veículos com tração nas quatro rodas, o que hoje é  deficitário na sede da 2ª Cia/11º BBM.  

Entendemos que uma operação como esta exige o somatório de esforços e o  envolvimento de várias frações de bombeiro, com apoio de recursos humanos e  principalmente logísticos, pois em geral a capacidade de resposta da unidade, seja  ela um pelotão ou um batalhão, será inferior às demandas recebidas.  

No “Estudo de Caso” realizado em 2020 foram apresentadas algumas deficiências  observadas pelos pesquisadores, a saber:

  • Presença exclusiva de integrantes do CBMMG e CEDEC na gestão;
  • Profilaxia inadequada de alguns militares que tiveram contato com águas  poluídas; 
  • Acidente envolvendo embarcação; 
  • Embarcações insuficientes; 
  • Poucas caminhonetes disponíveis; 
  • Dificuldade de comunicação; 
  • Dificuldade de deslocamento das GUBM. 

Das deficiências elencadas, a única que permaneceu durante o período analisado foi  a dificuldade de comunicação, como fora relatado anteriormente. 

Por fim, o mais importante dos aspectos precisa ser exaltado: o comprometimento dos  bombeiros militares em executar da melhor forma possível a missão que lhes foram  impostas, demonstrando proatividade, disposição e dedicação ao serviço. Não restam  dúvidas de que o elemento mais importante, não só do CBMMG mas de todas as  organizações, são os seus colaboradores, sem os quais nenhuma ação seria possível  realizar.  

11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS  

CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DE MINAS GERAIS. Caderno de orientações  para formatação e normalização de trabalhos acadêmicos. Belo Horizonte. 2018. 

https://www.climatempo.com.br/noticia/2021/02/23/balanco-parcial-da-chuva-de fevereiro-de-2021-no-br-8245 (Acessado em 9/3/21 às 15:00) 

http://clima1.cptec.inpe.br/monitoramentobrasil/pt (Acessado em 8/3/21 às 14:25)

http://www.simge.mg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6371&I temid=253 (Acessado em 06/04/2021 às 16:27) 

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de  metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 1991. 270 p. 

MINAS GERAIS. Sistema Integrado de Defesa Social. Belo Horizonte, MG: Estado  de Minas Gerais. Disponível em:  <https://web.sids.mg.gov.br/reds/externo/inicio.do?operation=load> . Acesso em: 26  mar. 2021. 

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (2021). Formulário de Informações de  Desastre. Protocolo nº MG-F-3124203-13214-20210219 

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (2021). Formulário de Informações de  Desastre. Protocolo nº MG-F-3140902-13214-20210219 

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (2021). Formulário de Informações de  Desastre. Protocolo nº MG-F-3139409-13214-20210219

MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (2021). Formulário de Informações de  Desastre. Protocolo nº MG-F-3145877-13214-20210219