ATUAÇÃO DA ENFERMAGEM NO PERÍODO PERIOPERATÓRIO: SEGURANÇA DO PACIENTE E QUALIDADE DOS REGISTROS EM CLÍNICAS CIRÚRGICAS

EARLY WEANING AS A CONTRIBUTOR TO OBESITY DURING EARLY CHILDHOOD: AN INTEGRATIVE LITERATURE REVIEW

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202511220727


Kéllyta Cristina Gomes Da Silva1
Danyelly Rodrigues Machado Azevedo2


RESUMO

Introdução: A segurança do paciente no ambiente cirúrgico depende diretamente da qualidade da assistência prestada pela equipe de enfermagem, que atua de forma contínua nas fases pré e pós-operatórias. Nesse contexto, o cuidado de enfermagem assume papel essencial na prevenção de riscos, na promoção da recuperação e na manutenção da integridade física e emocional do paciente. Objetivo: Analisar, por meio de uma revisão bibliográfica, a atuação da enfermagem nas fases pré e pós-operatórias em clínicas cirúrgicas, com ênfase em práticas voltadas à segurança do paciente. Metodologia: Foi realizada uma revisão de literatura com busca na base de dados do SciELO, PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS. A seleção dos artigos foi realizada por análise de títulos, resumos e leitura completa, considerando critérios de inclusão, relevância e adequação à questão norteadora. Inicialmente, foram encontrados 256 artigos; após aplicação de filtros, restaram 73 artigos completos. Desses, 15 eram duplicados e 50 não respondiam à pergunta norteadora, resultando na seleção final de 8 artigos para o estudo. Resultado e discussão: Apontaram que a enfermagem desempenha papel fundamental na prevenção de infecções, na administração segura de medicamentos, no monitoramento clínico e na qualidade dos registros, elementos essenciais para a continuidade do cuidado e redução de eventos adversos. Entretanto, foram identificados desafios persistentes, como a sobrecarga de trabalho, a escassez de recursos e a desvalorização profissional, que podem comprometer a efetividade das práticas assistenciais. Conclusão: Conclui-se que fortalecer a capacitação contínua, aprimorar protocolos institucionais e promover a valorização da equipe de enfermagem são medidas indispensáveis para garantir uma assistência segura, humanizada e de excelência no contexto cirúrgico.

Palavras-chave: Enfermagem cirúrgica; cuidados pré-operatórios; Cuidados pós-operatórios; Segurança do paciente.

ABSTRACT

Introduction: Patient safety in the surgical environment directly depends on the quality of care provided by the nursing team, which works continuously throughout the preoperative and postoperative phases. In this context, nursing care plays an essential role in preventing risks, promoting recovery, and maintaining the patient’s physical and emotional integrity.Objective: To analyze, through a literature review, the role of nursing in the pre- and postoperative phases in surgical clinics, with an emphasis on practices aimed at patient safety.Methodology: A literature review was conducted using the SciELO, PubMed, and Virtual Health Library (BVS) databases. Article selection was carried out through the analysis of titles, abstracts, and full-text reading, considering inclusion criteria, relevance, and alignment with the guiding research question. Initially, 256 articles were identified; after applying filters, 73 full-text articles remained. Of these, 15 were duplicates and 50 did not address the research question, resulting in a final selection of 8 articles for the study.Results and Discussion: The findings indicated that nursing plays a fundamental role in infection prevention, safe medication administration, clinical monitoring, and the quality of documentation essential elements for continuity of care and reduction of adverse events. However, persistent challenges were identified, such as work overload, resource scarcity, and professional undervaluation, which may compromise the effectiveness of care practices. Conclusion: Strengthening continuous training, improving institutional protocols, and promoting the recognition of the nursing team are indispensable measures to ensure safe, humanized, and high-quality care in the surgical context.

Keywords: Surgical nursing; Preoperative care; Postoperative care; Patient safety.

1 INTRODUÇÃO

As fases pré e pós-operatórias constituem momentos críticos do processo cirúrgico, exigindo intervenções precisas e planejadas que assegurem a segurança, o bem-estar e a qualidade da assistência prestada. O período pré-operatório envolve ações voltadas à preparação física, emocional e clínica do paciente, como orientações individualizadas, identificação de riscos e preparo do ambiente cirúrgico. Já o pós-operatório concentra-se na reabilitação e monitorização contínua, com ênfase na prevenção de complicações e na recuperação funcional (Danski, Silva & Cunha, 2023; Serafim et al., 2024).

A enfermagem assume papel central nas fases pré e pós-operatórias, atuando de forma contínua e integrada em todas as etapas do cuidado. O enfermeiro é responsável pela avaliação do paciente, implementação de medidas de segurança, controle de infecções e vigilância clínica, contribuindo para a detecção precoce de alterações e a adoção de intervenções oportunas. A literatura reforça que a sistematização das práticas de enfermagem e o uso de protocolos baseados em evidências são fundamentais para a redução de riscos e eventos adversos (Almeida & Cunha, 2022; Silva, 2022).

Apesar dos avanços, estudos apontam desafios significativos que interferem na qualidade da assistência cirúrgica. A sobrecarga de trabalho, o déficit de recursos humanos e a fragilidade nos registros clínicos comprometem a continuidade e a segurança do cuidado. Além disso, a pressão por produtividade e a escassez de programas de capacitação limitam a adoção integral das boas práticas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (Ferreira et al., 2023; Galatti & Panzetti, 2022).

Outro aspecto relevante refere-se à importância da comunicação efetiva entre os profissionais de saúde como elemento essencial para a prevenção de erros e fortalecimento da cultura de segurança. A interação constante entre os membros da equipe multiprofissional, aliada a registros claros e padronizados, garante a continuidade da assistência e reduz falhas relacionadas à troca de informações (Andrade et al., 2025; Castro, 2023).

A literatura demonstra que a atuação da enfermagem é decisiva para a segurança do paciente no contexto cirúrgico, englobando ações técnicas, educativas e preventivas. A valorização do profissional, o fortalecimento da cultura organizacional e o investimento em educação permanente são estratégias fundamentais para consolidar uma assistência segura, humanizada e baseada em evidências científicas (Danski, Silva & Cunha, 2023; Serafim et al., 2024; Silva, 2022).

O objetivo do presente estudo é analisar a atuação da enfermagem nas fases pré e pós-operatórias em clínicas cirúrgicas, com ênfase nas práticas voltadas à segurança do paciente, identificando as principais estratégias, desafios e contribuições da equipe de enfermagem para a promoção de um cuidado seguro, eficiente e humanizado.

2 METODOLOGIA

Para alcançar o objetivo do estudo, realizou-se uma revisão integrativa de literatura. Este modelo de revisão consiste em um método de reunião e síntese de resultados de investigações sobre determinada temática, além de combinar dados de delineamento de pesquisas diversas, contemplando o rigor do método característico da pesquisa científica (Sousa; Silva; Carvalho, 2010).

Com o objetivo de orientar a revisão, elaborou-se a seguinte pergunta norteadora: “De que forma a atuação da enfermagem nas fases pré e pós-operatórias contribui para a segurança do paciente no contexto cirúrgico?”

Para a busca dos artigos utilizou-se a Biblioteca Virtual Saúde (BVS), que contempla as bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MedLine), Scientific Electronic Library Online (SciELO). O acesso às bases de dados ocorreu entre os meses de janeiro de 2025 a setembro de 2025. Os descritores utilizados foram: “Cuidados pré-operatórios”, “Cuidados pós-operatórios”, “Registro de enfermagem”, “Segurança do paciente”, “Segurança cirúrgica”.

Foram incluídos os artigos publicados na íntegra, nos idiomas português e inglês, dentro do período de 05 anos (2020 a 2025). Os critérios de exclusão foram: artigos de revisão de literatura, artigos pagos e os que não responderam à pergunta norteadora. 

A seleção foi realizada por meio da análise de títulos, resumos e leitura criteriosa dos artigos para selecionar os que atendessem aos critérios de inclusão, respondessem à questão norteadora e fossem relevantes aos objetivos do estudo.

Sem filtros, foram encontrados 256artigos, sucessivamente aplicando os filtros, obteve-se 73 artigos completos, dos quais 15 estava duplicado, 50 não respondiam à pergunta norteadora, por fim, selecionados 08 artigos para compor o estudo, conforme apresentado no fluxograma/organograma (Figura 01). 

Para distribuição e análise de dados, foi elaborado um quadro descrevendo os seguintes aspectos: título do estudo, autores, periódico de publicação, ano de publicação, delineamento do estudo, objetivos do artigo, principais contribuições do estudo e suas limitações. Assim, foi possível observar e estudar cada estudo em sua individualidade (Quadro 01).

Figura 1. Fluxograma da seleção dos estudos para a revisão integrativa conforme critérios do PRISMA

3 RESULTADOS

Os resultados deste estudo apontaram 08 estudos completos, que se encontram dentro dos padrões dos critérios de inclusão mencionados. Os principais aspectos dos artigos analisados foram agrupados no quadro 1, utilizando-se, para sua construção, as informações analisadas na íntegra, a seguir dispostas, em ordem cronológica.

Quadro 1 – Atuação da enfermagem no período perioperatório, 2025.

4 DISCUSSÃO

A partir dos estudos selecionados para a presente pesquisa, foi possível considerar que a atuação da enfermagem nas fases pré e pós-operatórias constitui um componente essencial para a segurança do paciente no contexto cirúrgico. Observou-se que a prática adequada de enfermagem contribui de maneira significativa para a prevenção de complicações, a monitorização contínua do paciente e a comunicação eficiente com a equipe multiprofissional. Apesar dos benefícios reconhecidos, ainda se identificam desafios, especialmente relacionados à sobrecarga de trabalho, à padronização de protocolos e à resistência bacteriana. Para melhor compreensão dos resultados desta pesquisa, foram definidas quatro categorias de análise, descritas a seguir:

  1. Práticas de enfermagem como fator determinante para a segurança do paciente no contexto cirúrgico
  2. Desafios enfrentados pela equipe de enfermagem na promoção da segurança do paciente

4.1 Práticas de enfermagem como fator determinante para a segurança do paciente no contexto cirúrgico

A consolidação de uma cultura de segurança do paciente, segundo Silva (2020), depende da valorização do trabalho de enfermagem como eixo central na gestão da qualidade e na prevenção de riscos assistenciais. A autora ressalta que a cultura organizacional influencia diretamente o comportamento profissional e a capacidade das equipes de identificar, notificar e corrigir falhas no cuidado.  Silva destaca que a cultura de segurança do paciente não é resultado apenas de normas ou protocolos, mas de um conjunto de valores e práticas incorporadas ao cotidiano institucional. A comunicação aberta, o aprendizado com os erros e a responsabilização compartilhada constituem pilares fundamentais para que a segurança seja efetivamente integrada à rotina assistencial. Nesse contexto, o enfermeiro assume papel central, pois está continuamente próximo do paciente e atua como articulador entre diferentes profissionais e processos de trabalho. Ao reconhecer o enfermeiro como agente estratégico, o texto reforça a importância da liderança, da vigilância constante e da postura proativa desse profissional para garantir uma assistência segura, qualificada e alinhada aos princípios de uma cultura organizacional que prioriza o bem-estar do paciente (Silva, 2020).

Dessa forma, a cultura de segurança não se resume à aplicação de protocolos, mas envolve o desenvolvimento de atitudes éticas e colaborativas que fortalecem a confiança entre equipe e paciente, favorecendo a prevenção de incidentes. A segurança do paciente no contexto cirúrgico depende diretamente da qualidade das práticas de enfermagem durante as fases pré e pós-operatórias. No estudo de (A1), observa-se que o uso das taxonomias de enfermagem, como NANDA, NIC e NOC, organiza o processo assistencial, permitindo uma abordagem sistematizada e segura. Essa padronização contribui para reduzir falhas na comunicação e no registro das ações, além de favorecer a identificação precoce de riscos. Dessa forma, o processo de enfermagem atua como ferramenta central para promover a continuidade e a segurança do cuidado em todas as etapas cirúrgicas.

Soares (2025), evidencia a relevância da atuação educativa do enfermeiro no período pré-operatório, destacando que a orientação adequada ao paciente contribui diretamente para sua segurança. Ao esclarecer dúvidas, reduzir a ansiedade e promover compreensão sobre o procedimento, o enfermeiro favorece a adesão ao tratamento e minimiza riscos de complicações. A educação em saúde, nesse sentido, vai além da transmissão de informações: representa uma estratégia preventiva que fortalece o protagonismo do paciente, melhora sua experiência no processo cirúrgico e qualifica o cuidado prestado. Assim, conforme aponta, a prática educativa é parte essencial das ações de enfermagem e constitui um dos pilares para garantir uma assistência cirúrgica mais segura e eficaz.

As ações educativas e a orientação do paciente antes da cirurgia também são apontadas como práticas fundamentais para a segurança. Segundo (A8), a atuação da enfermagem na fase pré-operatória envolve o esclarecimento de dúvidas, a redução da ansiedade e o preparo adequado do paciente, o que influencia positivamente na recuperação pós-operatória. Essas ações favorecem a adesão ao tratamento e minimizam complicações, pois o paciente compreende melhor os cuidados necessários. A educação em saúde, portanto, é uma estratégia preventiva que amplia a qualidade e a segurança do cuidado cirúrgico.

A comunicação efetiva entre os membros da equipe multiprofissional é outro elemento determinante para a segurança do paciente. No estudo (A6), os enfermeiros destacaram que a comunicação clara durante as passagens de plantão e nas trocas de turno reduz o risco de erros e omissões.  A enfermagem, por estar continuamente ao lado do paciente, atua como elo entre as diferentes especialidades, garantindo que informações essenciais sobre o quadro clínico sejam compartilhadas corretamente. Essa integração multiprofissional é um pilar da cultura de segurança hospitalar
(Castro, 2023).

No ambiente do centro cirúrgico, as práticas de controle de infecção são essenciais para evitar eventos adversos. Ferreira et al. (2023) demonstram que a vigilância da enfermagem na prevenção da resistência bacteriana e na manutenção das técnicas assépticas é um fator decisivo para a segurança hospitalar. A adesão a protocolos de higienização das mãos, o uso adequado de EPIs e o monitoramento do ambiente reduzem significativamente o risco de infecções relacionadas ao procedimento cirúrgico. Assim, a enfermagem atua de forma preventiva, protegendo o paciente e a equipe de complicações infecciosas.

A prática da enfermagem também envolve o exercício da liderança e do gerenciamento do cuidado. No texto (A3) ressaltam que o enfermeiro é responsável por coordenar a equipe de enfermagem, supervisionar o cumprimento dos protocolos e assegurar o uso correto dos instrumentos cirúrgicos. Além disso, Silva e Cassiani (2019) defendem que a gestão de riscos e a segurança do paciente exigem do enfermeiro gestor uma atuação proativa, pautada em planejamento, monitoramento de indicadores e educação permanente. Conforme afirmam as autoras: Essa função gerencial garante a organização do fluxo de trabalho e o cumprimento das etapas do checklist cirúrgico, reduzindo erros humanos e técnicos. Portanto, a liderança do enfermeiro no centro cirúrgico é determinante para a eficiência das práticas seguras e para a qualidade da assistência prestada.

Essa perspectiva é complementada por Ritter (2021), que destaca a educação permanente como pilar na promoção da segurança, e por Gimenes e Pereira (2022), ao reconhecerem que a segurança do paciente constitui uma nova ciência, orientada por evidências, políticas públicas e programas institucionais. Juntos, esses referenciais reforçam que o fortalecimento da cultura de segurança depende de liderança técnica, educação continuada e engajamento coletivo.

4.2  Desafios enfrentados pela equipe de enfermagem na promoção da segurança do paciente:

Apesar dos avanços, a equipe de enfermagem ainda enfrenta diversos desafios na promoção da segurança do paciente cirúrgico. Um dos principais é a sobrecarga de trabalho, destacada por (A7), que compromete o desempenho e aumenta o risco de falhas. O número reduzido de profissionais e as longas jornadas dificultam a execução integral dos protocolos de segurança. Essa realidade evidencia a necessidade de políticas institucionais voltadas à valorização profissional e à adequação do dimensionamento de pessoal para garantir uma assistência segura e humanizada.

Outro obstáculo importante diz respeito às fragilidades nos registros clínicos. No artigo (A1) observaram que anotações incompletas ou imprecisas dificultam o acompanhamento das condutas e a rastreabilidade das ações de enfermagem. A ausência de padronização nos registros compromete a continuidade do cuidado entre turnos e equipes, podendo gerar falhas na administração de medicamentos ou na verificação de sinais críticos. Investir na qualidade da documentação de enfermagem é, portanto, um requisito essencial para consolidar a segurança do paciente cirúrgico.

A comunicação deficiente entre profissionais também se configura como um desafio recorrente. Os autores enfatizam que falhas na troca de informações entre os membros da equipe podem levar a erros de medicação (A6), atrasos em procedimentos e até eventos adversos graves. A falta de treinamentos contínuos e de protocolos de passagem de plantão agrava essa situação. A implementação de estratégias como o uso de checklists e a padronização da comunicação (SBAR, por exemplo) pode minimizar esses riscos e fortalecer a cultura de segurança dentro do centro cirúrgico.

A resistência à adoção de práticas baseadas em evidências também é um desafio enfrentado pela enfermagem. Segundo o artigo (A5), muitos profissionais ainda não incorporam rotineiramente protocolos de controle de infecção ou técnicas assépticas atualizadas. Isso pode ocorrer por falta de capacitação ou por condições estruturais precárias nos ambientes hospitalares. Ritter (2021) destaca que a qualificação profissional constante é indispensável para prevenir falhas e promover a cultura de segurança, uma vez que possibilita a revisão de práticas e a padronização de condutas baseadas em evidências. Em suas palavras: A educação permanente em saúde é um processo que deve estar integrado ao cotidiano do trabalho, estimulando a criticidade e a corresponsabilidade dos profissionais. (Ritter, 2021).

Nesse mesmo sentido, Gimenes e Pereira (2022) reforçam que a segurança do paciente constitui uma nova ciência sustentada por políticas públicas, evidências científicas e programas institucionais, o que exige do enfermeiro o compromisso ético e técnico com a qualidade da assistência. Assim, o fortalecimento da segurança cirúrgica demanda o engajamento contínuo da equipe, a liderança participativa e o apoio institucional para a implementação de práticas seguras e sustentáveis no ambiente hospitalar. A educação permanente e o incentivo institucional ao aprendizado contínuo são fundamentais para garantir que o cuidado de enfermagem seja pautado em práticas cientificamente validadas e seguras.

Além dos fatores estruturais e organizacionais, os desafios relacionados à cultura institucional e à gestão de riscos continuam impactando diretamente a segurança do paciente cirúrgico. Silva e Cassiani (2019) apontam que a ausência de uma cultura organizacional sólida dificulta a consolidação de práticas seguras e o gerenciamento efetivo dos riscos. As autoras ressaltam que a segurança do paciente não pode ser compreendida como um conjunto de tarefas a serem cumpridas mecanicamente, mas como um processo complexo que envolve fatores humanos, organizacionais e estruturais. Nesse cenário, o enfermeiro assume papel fundamental ao exercer uma gestão que vai além da execução de rotinas, exigindo capacidade de liderança, tomada de decisão e visão crítica sobre os riscos presentes no ambiente assistencial. Investir em formação contínua e fortalecer práticas colaborativas torna-se indispensável, uma vez que a gestão de riscos só se efetiva plenamente em instituições que promovem diálogo, transparência e aprendizado com os erros. Dessa forma, o texto reforça que a cultura de segurança depende tanto da competência técnica quanto da maturidade organizacional e do engajamento coletivo das equipes (Silva; Cassiani, 2019).

Dessa forma, o enfermeiro gestor assume papel estratégico na construção de um ambiente seguro, liderando processos que promovem a comunicação efetiva, a tomada de decisão baseada em evidências e o fortalecimento da cultura de segurança entre os membros da equipe multiprofissional.

Por fim, (A4) destacam que o reconhecimento profissional e o apoio institucional são fatores que influenciam diretamente na promoção da segurança. Profissionais desmotivados e submetidos a ambientes de trabalho estressantes tendem a apresentar menor adesão às práticas seguras. Assim, políticas de valorização, condições adequadas de trabalho e estímulo à cultura de segurança são indispensáveis para fortalecer o papel da enfermagem. Somente com suporte organizacional e valorização da equipe será possível garantir uma assistência perioperatória mais segura, eficiente e centrada no paciente.

5 CONCLUSÃO

A análise dos estudos evidencia que a atuação da enfermagem nas fases pré e pós-operatórias é fundamental para garantir a segurança do paciente cirúrgico. Essa atuação envolve planejamento, avaliação, monitoramento e comunicação contínua, permitindo que o cuidado seja sistematizado e orientado por práticas baseadas em evidências. Quando pautadas em protocolos, registros adequados e no uso de taxonomias, as práticas de enfermagem contribuem diretamente para prevenir erros, controlar infecções e promover uma assistência segura e humanizada. O protagonismo do enfermeiro aparece tanto na execução técnica quanto na liderança e na educação do paciente, reforçando sua posição como agente central na construção e na consolidação da cultura de segurança institucional.

Os estudos mais recentes também apontam barreiras importantes, entre elas a sobrecarga de trabalho, a fragilidade nos registros clínicos e falhas de comunicação entre as equipes — aspectos discutidos por autores como Leonardi e colaboradores, bem como por Ribeiro e Souza. Esses desafios afetam a efetividade das práticas seguras e indicam a necessidade de investimentos contínuos em educação permanente, melhorias no dimensionamento de pessoal e valorização profissional. Assim, para que a segurança do paciente seja plenamente assegurada, torna-se indispensável fortalecer as condições de trabalho e reconhecer o papel estratégico da enfermagem em todas as etapas do processo cirúrgico, promovendo uma assistência ética, qualificada e comprometida com a vida.

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1 Graduando do curso de Enfermagem pela Faculdade Evangélica de Goianésia– FACEG.
2 Profª. Orientador do curso de Enfermagem da Faculdade Evangélica de Goianésia – FACEG.

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